segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pastores declaram apoio a Haddad e criticam Malafaia


Segundo petista, não houve pedido de votos, mas convergência de ideias entre ele e os líderes religiosos

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, recebeu na tarde desta segunda-feira, 22, o apoio de 20 líderes partidários, que assinaram um manifesto em prol de sua candidatura. Além de defenderem o Estado laico e a liberdade religiosa na cidade, os pastores fizeram uma manifestação de solidariedade ao petista após as críticas do pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus-Vitória em Cristo. "Houve uma reação em relação aos modos com que o pastor (Malafaia) utilizou para ofender a minha pessoa. Houve uma manifestação de solidariedade", argumentou o petista, após o encontro com os evangélicos.

Entre a pauta de reivindicações dos evangélicos, está a manutenção de parcerias com instituições religiosas nas áreas de educação, ações de combate às drogas e a dependência química e programas de assistência social. No entanto, um dos pontos mais discutidos no encontro foi o que os pastores chamaram de "perseguição e o clima de medo" impostos pela atual administração municipal, através da aplicação de multas e o fechamento de templos religiosos com a aplicação da lei do "Psiu". "Eles estão pedindo apenas o cumprimento da lei", afirmou o petista. Segundo Haddad, os líderes religiosos reclamaram "da maneira arbitrária com que a Prefeitura aplica as multas, desobedecendo regras de fiscalização. O candidato ressaltou ainda que não pretende mudar a lei do "Psiu". "São questões que podem ser equacionadas dentro da legalidade, sem nenhuma alteração", disse o candidato.

O encontro com evangélicos foi articulado pelos coordenadores de sua campanha, entre eles o deputado estadual Simão Pedro e o vereador José Américo, que já se colocou à disposição para promover ajustes na lei do "Psiu", tornando as regras mais claras para a fiscalização. "Eles foram muito perseguidos no governo Kassab/Serra", acusou o vereador.

Haddad revelou aos jornalistas que não procurou os líderes religiosos. "Eu não procurei ninguém. Visitei vários líderes religiosos e nunca pedi votos para ninguém", garantiu. O petista ressaltou que a aproximação aconteceu devido à convergência de ideias e de princípios como a defesa do Estado laico e o combate a intolerância. "É um gesto importante que sinaliza que as igrejas não querem ser instrumentalizadas, que elas querem o respeito do poder público", justificou.

Em seu blog, Dirceu diz que Serra 'já entregou os pontos'


Ex-ministro, condenado no julgamento do mensalão, diz que disputa em SP já está definida a favor de Haddad

CAMPINAS - O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu afirmou nesta segunda-feira, 22, que o candidato a prefeito de São Paulo José Serra (PSDB) faz uma campanha "negativista" e que "os tucanos já entregaram os pontos" na disputa com o candidato do PT, Fernando Haddad. Dirceu escreveu que aliados de Serra já estão buscando novas lideranças no partido e classificou a possível filiação do tucano ao PSD em 2014 como algo não "impossível".

São cada vez mais frequentes as notícias de que os tucanos já entregaram os pontos e encaram com realismo a derrota. E de que já se reorganizam e rearrumam-se em torno de novas lideranças porque consideram que José Serra, com mais essa iminente derrota em São Paulo, já era", escreveu Dirceu e um dos dois artigos que publicou em seu blog atacando Serra.

O ex-ministro, principal acusado no processo do mensalão, foi citado por Serra durante o debate e entrevistas com jornalistas para criticar o candidato do PT. "Não será impossível que [Serra] se mude em 2014, de malas e bagagens, para o PSD refundado pela terceira vez por seu principal aliado, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB)", escreve.
 
Em um dos artigos, intitulado "José Serra não aprende, nem se emenda", Dirceu afirma que o candidato do PSDB tem "um histórico de campanhas negativistas". "E olha que ele disputou praticamente todas as eleições de 1986 para cá", brinca. "Castigado pela falta de voto (segundo as pesquisas), de público e de crença dos eleitores em suas afirmações, mesmo assim José Serra, na última semana e quase às vésperas do pleito, prossegue com sua campanha negativista", ataca o ex-ministro.
Segundo ele, "olhando em retrospectiva sua participação em outras disputas, a impressão que fica é que ele não sabe fazer campanha de outra forma".

Reta final. Dirceu afirma que o PSDB e Serra "fazem de tudo" nesta última semana de eleição para que o "eleitor esqueça que ele, a exceção do mandato de deputado constituinte, abandonou todos os demais cargos para os quais se elegeu" - reforçando um discurso adotado na campanha de Haddad contra o adversário.

"O desespero tucano é maior porque enquanto não atrai público para as aparições de José Serra, e seus comícios e atos públicos são esvaziados, é cada vez maior a participação popular e o entusiasmo nos atos de campanha do PT", comemora Dirceu. Ele cita os eventos da campanha que contaram com a participação da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, na região do ABC paulista, em Campinas e em capitais do Nordeste.

Interlocutor frequente do ex-presidente Lula desde que começou o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Dirceu afirmou que ele "foi muito feliz" ao comparar Serra aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Jânio Quadros.

Por 6 votos a 4, STF condena Dirceu e mais 9 por formação de quadrilha


Sete anos depois das primeiras denúncias, Supremo conclui julgamento do escândalo com 25 réus condenados e confirma que o governo Lula comprou votos no Congresso para aprovar projetos

BRASÍLIA - No último ato do escândalo do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta segunda-feira, por 6 a 4, os operadores do esquema pela formação de uma quadrilha que atuou no governo e foi comandada pelo ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Ele sofreu condenação por chefiar o esquema, auxiliado na cadeia de comando pelo ex-presidente do PT José Genoino, pelo ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Sete anos depois das primeiras denúncias, o STF desfechou o escândalo com 25 réus condenados e julgou que a gestão do ex-presidente Luiz Inácio da Silva comprou votos no Congresso para a aprovação de projetos de interesse da administração federal. De acordo com o ministro Celso de Mello, decano do tribunal, "um dos episódios mais vergonhosos da história política do País", operado por "homens que desconhecem a República, pessoas que ultrajaram as suas instituições e que, atraídos por uma perversa atração do controle criminoso do poder, vilipendiaram os signos do Estado Democrático de Direito e desonraram com seus gestos ilícitos e ações marginais a ideia que consignam o republicanismo na nossa Constituição".

Um grupo que reuniu 11 réus no total para a prática de crimes de lavagem de dinheiro, contra a administração pública - peculato e corrupção - e contra o sistema financeiro - gestão fraudulenta de banco. "Tenho, para mim, que, neste perfil, reside a verdadeira natureza dos membros dessa quadrilha, que, em certo momento histórico de nosso processo político, ambicionou tomar o poder, a constituição e as leis do País em suas próprias mãos. Isso não pode ser tolerado", afirmou Mello. "Ninguém tem legitimidade para transgredir as leis e a Constituição de nosso país. Ninguém está acima da autoridade do ordenamento jurídico do estado", continuou.

No entendimento do STF, o desvio de recursos públicos, os empréstimos bancários fraudados, a lavagem desse dinheiro e a distribuição para deputados, tudo foi montado para angariar apoio ao governo Lula e ampliar o poder do PT. Na sessão desta segunda-feira, o Supremo julgou a última fatia do processo. Condenou Dirceu e outros dez réus por integrar o que o decano do STF classificou como "uma sociedade de delinquentes". "Formou-se na cúpula do poder, à margem da lei e ao arrepio do direito, um estranho e pernicioso sodalício (sociedade de pessoas que vivem em comum), constituído por dirigentes unidos por um comum desígnio, um vínculo associativo estável que buscava eficácia ao objetivo espúrio por eles estabelecidos: cometer crimes, qualquer tipo de crime, agindo nos subterrâneos do poder como conspiradores, para, assim, vulnerar, transgredir, lesionar a paz pública", afirmou Mello.

O grupo foi integrado por Dirceu, Delúbio, Genoino, Valério, dirigentes do Banco Rural e das agências de publicidade que ajudaram a capitalizar o mensalão. Votaram pela condenação dos réus pelo crime de formação de quadrilha os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto (presidente). "No caso, houve a formação de uma quadrilha das mais complexas, envolvendo, na situação concreta, o núcleo dito político, o núcleo financeiro e o núcleo operacional", afirmou Marco Aurélio Mello. "Mostraram-se os integrantes em número de 13. É sintomático o número", acrescentou o ministro, lembrando o número do PT, mas ignorando que dois dos 13 réus foram absolvidos. Conforme a maioria dos ministros, o esquema envolvia divisão de tarefas entre cada um dos núcleos, pressupunha a união estável entre os réus para a prática de crimes que atentaram contra a paz pública. "Havia um projeto delinquencial de natureza política", afirmou Fux. "Esse projeto delinquencial foi assentado aqui pelo plenário como existente. Todos sabiam o que estavam fazendo. Todos foram condenados por isso", disse.

Quatro integrantes da Corte não julgaram que o grupo constituiu uma quadrilha. Para os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Dias Toffoli, os réus não se juntaram com o fim de integrar um grupo destinado à prática indeterminada de crimes. A partir de agora relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, começa a revelar as penas que defende que sejam impostas a cada um dos réus. Deve começar pelo ministro da Casa Civil. Barbosa já adiantou que aqueles que estavam no topo da cadeia de comando do esquema terão tratamento mais severo. Somente depois de todo o julgamento, os ministros discutirão se os condenados começam imediatamente a cumprir as penas, como defendeu o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ou se aguardam em liberdade o trânsito em julgado do processo, o que deve ocorrer apenas em 2013.

Felipe Recondo, Mariângela Gallucci, Eduardo Bresciani e Ricardo Brito, de O Estado de S.Paulo

Deputado do PSB denuncia corrupção em prefeitura administrada pelo PT


Uma das principais cidades do Norte do ES, Colatina, vai viver mais quatro anos de empreguismo, baixa capacidade de investimentos, anormalidades administrativas, fatiamento das secretarias e corrupção.

A previsão é do deputado federal Paulo Foletto (PSB), cuja principal base política é Colatina. Nesta entrevista concedida a AGENCIA CONGRESSO ele não mede palavras para acusar o prefeito petista Leonardo Deptulski (PT) que foi reeleito com 63,81% dos votos.

Segundo Foletto, a administração de Colatina está comprometida com a falência, por ter alguém que não sabe como direcionar o desenvolvimento da cidade "O município está sendo administrado de forma fraudulenta e corrupta. Colatina necessita de uma injeção renovadora, a cidade está sendo mal administrada, e que está entregue a facções", disse.

Além de estar indignado com a decadência do modo como o petista administra a cidade, Foletto denuncia nepotismo nas secretárias; "A mulher do prefeito é a dona da Secretaria de Ação Social, o irmão do prefeito fica por conta da Comunicação, o ex-prefeito é dono da Secretária de Obras, e os acordos são feitos, a captação do lixo é do amigo do prefeito, e por ai vai"; relatou.

Fonte:
AGENCIA CONGRESSO - Foto PSB 

Senado acaba com unanimidade do Confaz



A CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado vota depois das eleições, projeto que acaba com a unanimidade do Confaz para a concessão de incentivos fiscais sobre ICMS.

Semana passada a Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou projeto do senador capixaba Ricardo Ferraço (PMDB), que acaba com a exigência da unanimidade dos votos no conselho.

Trata-se do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) órgão composto por secretários estaduais de Fazenda.

O projeto de lei complementar 170, de 2012, se passar pelo Senado, ainda terá que ir a apreciação da Câmara.

Pela proposta, as decisões do Confaz relativas a isenções, benefícios e incentivos sobre ICMS, terão de ser aprovadas por pelo menos três quartos dos votos dos secretários de Fazenda, sendo pelo menos um representante de cada uma das cinco regiões do país.

O projeto, relatado pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO), regula dispositivo do Artigo 155 da Constituição Federal, para disciplinar a forma como Estados e Distrito Federal podem conceder e revogar isenções, incentivos e benefícios envolvendo o ICMS.

Para o senador Ricardo Ferraço, na falta de políticas nacionais eficientes de desenvolvimento regional, os estados menos favorecidos foram obrigados a buscar saídas para atrair investimentos e melhorar a qualidade de vida de sua população.

"Essa saída foi exatamente a concessão de incentivos e benefícios sobre o ICMS. Se os incentivos são concedidos à margem do Confaz, é porque é absolutamente inviável conseguir a unanimidade de votos de 27 secretários de Fazenda, como exige a lei – uma lei dos tempos da ditadura – disse Ferraço.

Segundo o autor do projeto, há urgência na apreciação da questão pelo Congresso Nacional, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, após ter declarado inconstitucionais diversas leis concessivas de incentivos e benefícios de ICMS, cogita editar uma súmula vinculante tornando inconstitucionais todos os incentivos concedidos à margem do Confaz, o que poderia paralisar a eficácia de uma vasta gama de atos estaduais concessivos de desonerações do ICMS e provocar insegurança jurídica.

A eventual edição da Súmula Vinculante representaria um verdadeiro “caos jurídico”, criando grande insegurança jurídica, especialmente em relação ao cumprimento de acordos firmados anteriormente. Além disso, haveria graves prejuízos socioeconômicos para os Estados atingidos e para todo o País – disse. 

O que é o .... 
CONFAZ é o Conselho Nacional de Política Fazendária; tem a missão de elaborar políticas e harmonizar procedimentos e normas inerentes ao exercício da competência tributária dos Estados e do DF. É constituído pelos representantes de cada Estado e Distrito Federal e o Ministro de Estado da Fazenda. 

Com informações da Assessoria de Imprensa do senado R. Ferraço

Ayres Britto diz que placar empatado favorece ao réu




O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto se posicionou hoje (22) que nos casos de empate de julgamento dos réus da Ação Penal 470, o processo do mensalão, a dúvida opere a favor do réu.

“Eu tenho me pronunciado neste sentido que o in dubio pro reo opera. Eu, em pronunciamentos outros, já me manifestei nesse sentido, que o empate opera em favor do réu como projeção do princípio da não-culpabilidade”, disse o presidente da Corte, no intervalo da sessão de julgamento.

O ministro avaliou que os debates em torno da definição das penas dos réus, a dosimetria, devem começar amanhã (22). A ideia é que a Corte encerre ainda hoje o julgamento do último item do processo, que trata da formação de quadrilha envolvendo 13 réus dos núcleos político, operacional e financeiro. “Estamos afunilando agora para a decisão final e, aí sim, esses temas têm que ser resolvidos”, esclareceu Britto.

No momento, o ministro Marco Aurélio Mello apresenta seu voto. Em seguida, serão proferidos os votos do decano da Corte, Celso de Mello, e o presidente do STF, Carlos Ayres Britto.

Heloisa Cristaldo (Agência Brasil) Edição: Carolina Pimentel

A arte de fazer POLÍTICA.


‎"Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência." - Henry Ford

ANTES DA POSSE
O nosso partido cumpre o que promete. 
Só os tolos podem crer que 
não lutaremos contra a corrupção. 
Porque, se há algo certo para nós, é que 
a honestidade e a transparência são fundamentais. 
para alcançar os nossos ideais 
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que 
as máfias continuarão no governo, como sempre. 
Asseguramos sem dúvida que 
a justiça social será o alvo da nossa ação. 
Apesar disso, há idiotas que imaginam que 
se possa governar com as manchas da velha política. 
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que 
se termine com os marajás e as negociatas. 
Não permitiremos de nenhum modo que 
as nossas crianças morram de fome. 
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que 
os recursos econômicos do país se esgotem. 
Exerceremos o poder até que 
Compreendam que 
Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA, linha a linha.

Reduções da Selic contribuem para melhorar perfil da Dívida Pública Federal




As reduções aplicadas pelo Banco Central à Selic (taxa básica de juros da economia) contribuem para melhorar o perfil da Dívida Pública Federal (DPF), disse hoje (22) o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública da Secretaria do Tesouro Nacional, Fernando Garrido. Para ele, as sucessivas quedas da Selic foram responsáveis pelo recuo de 0,93 ponto percentual no custo médio da DPF nos últimos 12 meses. Além disso, as reduções na Selic estão diminuindo a rentabilidade dos títulos vinculados à taxa básica de juros.

O Tesouro Nacional se compromete a pagar aos investidores da DPF (que emprestam dinheiro para que o governo possa rolar a dívida) os juros que gradualmente são incorporados ao valor devido. Quando há redução de juros, o custo da dívida para o Tesouro também cai.

Com relação à rentabilidade dos títulos, dados apurados em setembro mostram um decréscimo de 0,4 ponto percentual no índice IMA-S, referente aos títulos vinculados à Selic. Papéis atrelados à taxa básica representam mais risco, pois pressionam a dívida para cima em ciclos de alta dos juros. Ciclos de baixa dos juros, como o atual, tornam os papéis vinculados à Selic menos rentáveis e consequentemente há redução do risco.

Mesmo com crescimento no estoque da dívida pública, que cresceu 2,02% frente a agosto e chegou a R$ 1,904 trilhão no mês passado, Fernando Garrido considerou "bom" o resultado de setembro. Garrido destacou que o vencimento de títulos LTF (corrigidos pela Selic) em setembro deste ano contribuiu para o aumento da DPF frente a agosto. Para dezembro, a previsão continua sendo de estoque da dívida entre R$ 1,950 trilhão e R$ 2,050 trilhão.

Os bancos foram as principais detentores da dívida pública em setembro. Segundo relatório do Tesouro, as instituições financeiras elevaram sua participação na DPF de R$ 513,15 bilhões em agosto para R$ 546,26 bilhões no mês passado. Em percentual, a proporção passou de 28,85% para 30,08%. Os fundos de investimento reduziram seus estoques de R$ 448,92 bilhões para R$ 441 bilhões, de 25,24% para 24,28%. O grupo Previdência também registrou variação negativa de R$ 296,88 bilhões para R$ 294,18 bilhões, com participação recuando de 16,69% para 16,2%.

Mariana Branco (Agência Brasil) Edição: Nádia Franco

Três reportagens da EBC ganham Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos


Já a reportagem - A Mão de Obra Escrava Urbana, veiculada pelo programa Caminhos da Reportagem no dia 13 de outubro do ano passado, recebeu menção honrosa na categoria TV: documentário. O programa mostra a busca por uma vida melhor dos imigrantes bolivianos e paraguaios que chegam a São Paulo para trabalhar principalmente em confecções, muitas vezes submetendo-se a um trabalho em condição análoga à escravidão. Equipes da TV Brasil foram até o Paraguai e a Bolívia para conhecer a realidade dessas pessoas e o que elas deixaram para trás ao virem para o Brasil. A reportagem vencedora pode ser vista aqui.
Três reportagens elaboradas e veiculadas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) recebem na noite de terça-feira (23) o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Duas delas foram produzidas pelo programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, e uma pela Rádio Nacional da Amazônia.

Dividido em nove categorias, a 34º edição do prêmio contempla matérias de veículos impressos, rádio, televisão e internet com temas relacionados a direitos humanos. A lista das reportagens premiadas pode ser acessada no site http://www.premiovladimirherzog.org.br/pdf/premiados.pdf.

Na categoria rádio, a vencedora foi a reportagem Crimes contra Indígenas na Ditadura, de Maíra Heinen e sonoplastia de Marcos Tavares, veiculada pela Rádio Nacional da Amazônia e que foi ao ar nos dias 7 de agosto de 2012 e 11 de outubro de 2012. A reportagem aborda uma versão pouco contada sobre a ditadura militar no Brasil: a das violações que os povos indígenas sofreram nos governos militares. A matéria pode ser ouvida aqui.

Já na categoria TV: documentário foram premiadas duas reportagens apresentadas no programa Caminhos da Reportagem. A vencedora foi a matéria Crimes da Ditadura, exibida no dia 02 de fevereiro deste ano, que mostrou o que o país vem fazendo para tentar passar a limpo os crimes de Estado cometidos durante a ditadura militar. A reportagem vencedora pode ser vista aqui.

A solenidade de premiação será no Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), a partir das 19h30.

Elaine Patricia Cruz (Agência Brasil) Edição: Fábio Massalli

Urgente: 'Passado à tona: Partido Democrático pode ter sido o principal temor do regime militar em 1982'


'Militares tensos com as diretas Documentos secretos de 1982 do extinto SNI mostram a preocupação de arapongas com as primeiras eleições livres do país.'



Era a primeira eleição direta no Brasil desde 1960 e seriam escolhidos governadores, senadores e deputados, inclusive com a estreia do PT nas urnas.

Candidatos que retornaram do exílio, entre eles Leonel Brizola, eram alvos de constantes vigilância do serviço secreto, que se preocupava, também, com seus pontos fracos, como os aumentos de preços.

A primeira eleição direta promovida no regime militar, há 30 anos, foi marcada pela presença de cinco partidos: PMDB, PDT, PT, PTB e PDS — representante da ditadura. O resultado nos estados surpreendeu a situação, que só fez quatro governadores a mais que o PMDB, até então a maior legenda da oposição.

Relatórios sigilosos do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) mostram que nem mesmo o partido de Ulysses Guimarães acreditava que poderia ganhar em nove estados.

Em documento, arapongas analisaram que o PMDB acreditava em uma derrota “e que não poderia cumprir as promessas, porque tudo dependia do governo federal”. Os peemedebistas acabaram ganhando em Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná e São Paulo.

O PDT venceu no Rio de Janeiro com Brizola, enquanto o PDS levou 13 dos 23 estados da época. No Congresso, o governo obteve a maior parte das cadeiras, mas não conseguiu a maioria — alcançou 49% das vagas.

Nas análise do SNI, havia a preocupação com os recém-anistiados. Para os agentes, os políticos mais radicais iriam para o PT e os moderados escolheriam principalmente o PMDB.

Por isso, o Partido dos Trabalhadores era constantemente vigiado pelos arapongas, que descreviam detalhadamente as reuniões realizadas pela sigla, comprovando, com isso, a presença de espiões infiltrados nos encontros.

Uma das preocupações, conforme um dos relatórios do serviço secreto, era com a influência estrangeira nas eleições, “principalmente de organizações contrárias ao regime”.

Cerco antecipado

A vigilância aos exilados começou antes mesmo do primeiro pleito direto do regime militar, como demonstra relatório de 4 de janeiro de 1980, produzido pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar).

O documento fazia uma análise sobre a movimentação do ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, que havia chegado do exterior um ano antes.

Para os arapongas, o político — classificado como pertencente a setor mais à esquerda — pretendia comandar o país pelo PMDB. “O maior objetivo é levar Arraes à Presidência, na hipótese de eleições diretas”, previam os analistas da área de inteligência do governo.

Um mês depois da eleição, os analistas do SNI fizeram um balanço, principalmente sobre as de São Paulo — um dos mais importantes — e as do Rio. “O eleitorado votou predominantemente em candidatos moderados e derrotou elementos integrantes de organizações de esquerda radical”, diz um dos relatórios.
Com informações do Correio Braziliense'

Cariacica: Juninho recorre a lideranças e Marcelo reforça parcerias




Enquanto o candidato a prefeito de Cariacica Geraldo Luzia Júnior (PPS), o Juninho, acredita no sucesso das reuniões com lideranças políticas, o seu adversário, Marcelo Santos (PMDB), aposta no apoio das alianças para manter a campanha na rua.

Juninho visita lideranças comunitárias e faz reunião à noite com a Federação das Entidades de Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Femicro-ES).
Juninho foi procurado ontem, mas não houve retorno.

Além de ir à missa pela manhã, o candidato do PPS visitou ontem campos de futebol de várzea. Depois fez caminhada em Cariacica Sede.

Já Marcelo aposta no apoio de vereadores para intensificar a campanha. “Os vereadores estão trazendo mais apoiadores”, disse.

No palanque de Marcelo, grupos de militantes mantêm o ritmo de panfletagens nas ruas. Hoje, ele vai se reunir com lideranças religiosas e gravar seu programa de rádio. O deputado se reuniu, ontem, com sua equipe de trabalho e com vereadores para acelerar atividades nesta reta final.

Após deixar o hospital na quarta-feira, ontem foi a primeira vez que o deputado saiu de casa. Ele estava internado no Cias Unimed Vitória desde o último domingo
com crise de hipertensão arterial e uma bactéria no intestino.

Marcelo gravou seu programa de rádio, no estúdio, ontem. Nos últimos dias, ele vinha gravando em casa. As reuniões de campanha têm sido feitas em sua casa.

Deputados capixabas querem mais dinheiro

Parlamentares solicitaram o aumento do valor das emendas do Orçamento ao
governador Casagrande durante almoço de hoje.



Luiz Fernando Brumana
O governador Renato Casagrande (PSB) convidou os deputados estaduais para um almoço hoje. O assunto tratado será o Orçamento 2013. Mas os parlamentares vão aproveitar a oportunidade para negociar outro ponto: o aumento das emendas de livre indicação.

Desde 2003, por um acordo, cada um dos 30 deputados orienta a aplicação de R$ 1 milhão do orçamento. Na maioria das vezes, levam o recurso para sua base eleitoral, por meio de convênios com prefeituras e entidades.

O acordo de cavalheiros, por outro lado, evita que o Parlamento altere a peça orçamentária elaborada pelo governo. Mas o valor já não está agradando aos deputados.

Muitos reclamam que a necessidade da sua base é grande é a capacidade de investimento nem tanto.

Há cogitações para que o valor passe para R$ 1,5 milhão ou até R$ 3 milhões.
“Na minha opinião, o governador poderia ampliar. A gente tem demandas e gostaríamos de aumentar esse valor. Mas, primeiro, precisa avaliar isso em cima de estudos técnico”, afirmou o deputado Gildevan Fernandes (PV).

O presidente da Assembleia, Theodorico Ferraço (DEM), confirma que há conversas no diálogo sobre o pedido ao governo. “Nessa conversa pode nascer um entendimento que agrade aos dois Podere s ”, explicou o democrata.
Segundo ele, há intenções também de tornar menos rígido o acordo que evita que os deputados mexam na peça orçamentária.

“Tem deputados que querem fazer outras emendas, além desse pessoal. Muitas vezes buscando soluções para os seus municípios”, destacou o presidente.
A reunião seguida de almoço entre os integrantes do Poder Legislativo e Executivo será às 10 horas de hoje no Palácio Anchieta.

No último ano, para a aprovação unânime do orçamento e sem nenhuma alteração em sua composição foram necessárias várias rodadas de negociação promovidas pelas lideranças e pela Casa Civil.

Para o vice-líder do governo na Casa, Atayde Armani (DEM), o aumento não deve acontecer, já que o governo está propondo um orçamento compatível com o impacto do fim do Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap).


ENTENDA O CASO

Acordo firmado desde 2003

> UM ACORDO de cavalheiros firmado em 2003 entre deputados e governo estabeleceu uma cota de emendas no valor de R$ 1 milhão para cada um dos 30 deputados.

> EM CONTRAPARTIDA, os deputados não fariam mudanças no corpo da peça orçamentária, mantendo como o governo enviou para aprovação.

> MAS, no último ano, os deputados já se queixavam de que o valor era baixo, comparado à demanda que recebem de seu reduto eleitoral.

> O GOVERNO marcou reunião para hoje para buscar a aprovação sem maiores dificuldades do orçamento.

> OS DEPUTADOS devem negociar aumento do valor das emendas.

Gestão da segurança pública em SP é 'piada', afirma Haddad


O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, reagiu na manhã desta segunda-feira, 22, à manifestação de um participante de debate sobre a cidade de São Paulo e criticou a atual administração estadual na área de segurança pública. Durante evento, promovido pela Rede Nossa São Paulo, foi mencionado o projeto de ocupação territorial pacífica (conhecido como Territórios da Paz) na cidade de Canoas (RS), administrada pelo PT. Ao responder a pergunta, Haddad foi interrompido por um manifestante que gritou: "mas isso é uma piada". O petista, de imediato, rebateu o comentário. "Piada é o que está acontecendo em São Paulo", afirmou, arrancando aplausos da plateia.

Ao seguir com a resposta, Haddad destacou que um prefeito pode colaborar com a segurança pública através da ocupação territorial pacífica de áreas violentas, com a participação de uma polícia comunitária, e com programas sociais voltados para a juventude. "Às vezes as pessoas acham que o prefeito não pode fazer nada pela segurança pública e está provado que pode", destacou o candidato. Para ele, a criminalidade em São Paulo está alta e é preciso também investir no monitoramento com câmeras na cidade.

Haddad voltou a ressaltar que não pretende acabar com as parcerias entre a prefeitura e as organizações sociais que administram hospitais em São Paulo. De acordo com ele, seu adversário continua "jogando na desinformação" para confundir o eleitor. "Mas a população percebe quando a crítica procede ou não", afirmou. O petista disse que ele é claro quando se posiciona contrário à destinação de 25% dos leitos hospitalares para planos de saúde e que, no caso das organizações sociais, sua opinião vai ao encontro da determinação do TCM que vem exigindo maior transparência dessas entidades.

O candidato evitou ainda comentar as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, num comício em Diadema, defendeu o voto na experiência e disse aos eleitores que o voto no "novo" seria temeroso. "É uma administração (do atual prefeito Mário Reali) bem avaliada. Foi isso que o presidente fez referência", tergiversou o petista, dizendo não ter "procuração" para interpretar o discurso de Lula.

No evento, Haddad disse que o próximo prefeito de São Paulo precisa pensar a cidade no âmbito de seu desenvolvimento e que a capital paulista não pode ficar de fora do plano nacional. "A cidade é trabalhada (atualmente) de maneira pequena, muito mesquinha", concluiu o candidato, defendendo que o próximo administrador atue acima dos interesses partidários.

Ator global que participa da Flaac critica pouco espaço para o negro na televisão brasileira


Horas antes da abertura do Festival Latino-Americano e Africano de Arte e Cultura 2012 (Flaac 2012), na Universidade de Brasília (UnB), estudantes de escolas públicas tiveram hoje (22) a oportunidade de ouvir o ator Érico Brás, que interpreta o papel do garçom Jurandir na série Tapas & Beijos, da Rede Globo. No encontro, ele reclamou do pequeno espaço que atores negros têm na televisão brasileira.

Érico Brás deu como exemplo a própria série onde atua. “Sou o único negro do programa e, além disso, apareço em menos de 10% das cenas. Isso está errado”, disse. O ator volta à Flaac à noite, às 18 horas, para ser o mestre de cerimônias do evento de abertura, no espaço Mandala Global Mestre Teodoro, e recitar poemas que contam a história da miscigenação brasileira. Ele é baiano e sua formação se deu no Bando de Teatro Olodum, de Salvador, grupo conhecido pelo conteúdo crítico do trabalho.

A abertura do Flaac ocorre às 18 horas, mas a partir das 16h já há programação, com o DJ Rumba tocando música latina até as 18h, no Espaço Livre Honestino Guimarães. Enquanto isso, a banda de pífano e percussão Zé do Pife e as Juvelinas se apresenta em cortejo no espaço do festival a partir das 17h30, para agregar as pessoas ao evento de abertura. Às 18h, na Mandala Global Mestre Teodoro, a banda Na Veia da Nega toca com bailarinos.

A discussão sobre discriminação racial, ideológica e religiosa, entre outras, está presente no Flaac 2012, cuja programação pode ser consultada na internet. Os organizadores querem incentivar a reflexão sobre a valorização das etnias. “Nós não reconhecemos que somos latino-americanos”, disse o coordenador-geral do festival, Zulu Araújo, que também é negro.

Zulu lembrou que o espaço escolhido para a palestra de Brás e a conversa com os estudantes, pela manhã, a Oca dos Povos Indígenas Darcy Ribeiro, é um exemplo de convivência entre os diferentes. “Ela [a oca] é toda feita de material orgânico”, explicou. O coordenador também relacionou a vitória da política de cotas da UnB, que reserva vagas para mestiços e indígenas, com a preocupação do festival de estimular a integração das culturas latinas e africanas.

Durante as palestras do ator Érico Brás e de Zulu, os estudantes, todos do ensino médio de escolas públicas do Distrito Federal, reconheceram que o debate sobre os temas latinos e africanos está presente de forma limitada no cotidiano deles. “Temos o Dia da Consciência Negra, mas é preciso dar continuidade a esses trabalhos”, disse Thiago Palma, de 17 anos, que cursa o terceiro ano do ensino médio em uma escola de Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal.

As alunas Mirielle Tomaz, de 16 anos, e Kerollainy Lopes, de 18 anos, querem conhecer a cultura da América Latina e a da África. “É interessante, é diferente”, disse Mirielle. “Quero aprender sobre a universidade e sobre essas culturas, às quais não tenho acesso”, acrescentou Kerollainy.

Gabriel Palma (Agência Brasil) Edição: Davi Oliveira

Serra diz que governo federal extorque São Paulo em juros




Por Dassler Marques e Ricardo Santos
Candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra usou o termo "extorsão" para definir a cobrança de juros do governo federal em relação à dívida da capital, estimada em R$ 58 bilhões. O tucano defendeu que o prefeito seja "líder político para comandar essa batalha" e pediu a revisão dos tributos à presidente Dilma Rousseff.

O tema foi abordado durante a sabatina realizada pela Rede Nossa São Paulo na tarde desta segunda-feira. "São Paulo está sendo extorquida", definiu Serra. "Não se pode pagar juros de 17% ao ano e o governo federal ganhar dinheiro em cima de São Paulo. Ao mesmo tempo, no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento), cobra 5% ao ano no empréstimo a grandes empresas. Isso tira dinheiro da cidade (...) há essa prática desde que a Marta (Suplicy) era prefeita no governo Lula. São Paulo precisa ter um prefeito que também seja líder político para comandar essa batalha. Hoje o governo federal arrecada R$ 142 bilhões em São Paulo e gasta dois".

Serra alegou que a dívida é reajustada com a soma do Índice Geral de Preços - Disponibilidade interna (IGP-DI) mais 9%, o que tem feito crescer entre 17 e 18% ao ano. O petista Fernando Haddad também fez críticas ao modelo atual. O candidato falou em números parecidos e afirmou que "a união está enriquecendo às custas do município". O rombo junto ao governo federal proíbe a administração municipal em obter novos empréstimos com bancos públicos instituições federais por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. A arrecadação de São Paulo, em 2011, foi de exatamente metade da dívida. Ou seja, R$ 29 bilhões.

Outro tema de dimensão federal comentado por Serra foi sobre a especulação de que ele poderia se tornar presidente nacional do PSDB, possibilidade negada pelo candidato, que definiu o assunto como "evidentemente plantação (de notícia) de adversário". A respeito da polêmica gerada pelo discurso do ex-presidente Luiz Inácio da Silva em Diadema, no domingo, ele afirmou que "Lula é o maior atacador e o que tem mais velocidade. Eles (petistas) fazem a velha estratégia de jogar baixo e acusar o outro de jogar baixo".

Em Diadema, durante comício pela reeleição do também petista Mário Reali, Lula criticou a possibilidade de o vereador Lauro Michels, do PV, superar Reali em sua primeira disputa majoritária e enfatizou a experiência do candidato do PT em relação ao adversário. Serra disse que "ele sublinhou a importância do currículo e não faz isso em São Paulo porque (...) prejudicaria seu candidato (Haddad)".

Genoino : “O que fiz pelo PT foi legítimo e necessário”



Por Marina Dias
Um dia após ter sido condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 10 de outubro, o ex-presidente do PT José Genoino encontrou-se com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Após um abraço emocionado, ouviu daquele que chama de "companheiro de luta":

- Esse é o nosso destino. Nosso destino é lutar.

Horas antes do encontro, Genoino havia telefonado para a presidente Dilma Rousseff e comunicado sua decisão de deixar o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa:

- Como é que eu assino uma demissão sua, Genoino? Como? – perguntou Dilma.

- Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes – respondeu o ex-presidente do PT.

José Genoino Guimarães Neto tem 66 anos. É casado, pai de três filhos e avô de dois netos. Nascido em Quixeramobim, no Ceará, participou da Guerrilha do Araguaia, na década de 1970, quando foi preso por cinco anos e torturado. Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, o petista diz que consegue traçar paralelos daquele período com o processo que vive hoje.

"Tenho pesadelos e nunca falei isso para ninguém. Há um mês, gritei e estrebuchei na cama. Minha mulher ficou preocupada. Misturo cenas daquele período, quando eu era interrogado, em 1972, com as cenas do processo da Ação Penal 470".

De camisa vermelha, calça social marrom e sapatênis escuros, Genoino recebeu a reportagem de Terra Magazine em sua casa, no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista. Estava bem-humorado.

Deputado federal por seis mandatos (até 2010), deixou o comando do PT em 2005, no início da crise do Mensalão, mas afirma que é inocente e que lutará para defender sua história. "O que fiz pelo PT foi legal, legítimo e necessário [...] Repetiria tudo de novo, mesmo passando o que passei".

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

Terra Magazine: Durante o julgamento do Mensalão, o senhor foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção ativa e, nesta semana, a Corte definirá se o senhor será condenado por formação de quadrilha. Esperava esse veredito?

José Genoino: Não sou corrupto e entendo que foi uma condenação sem provas, baseada na tirania da hipótese pré-estabelecida, com base em um raciocínio do domínio do fato, da falta de provas, contrariando a presunção da inocência. Tudo isso contraria, a meu ver, uma visão democrática do Código Penal. Não pratiquei corrupção, o que eu fiz foram reuniões para defender o governo Lula. Como presidente do PT, cuidava das alianças políticas, da unidade da bancada do partido, da relação com os movimentos sociais e ocupava todo o meu tempo com a atividade política, legítima, democrática e transparente. 

Não houve compra de votos nem compra de deputados. As votações principais do governo Lula foram decididas sempre com muita luta. Recebi a notícia da condenação com a indignação do inocente. Apresentei as provas e vou deixar tudo muito claro: os empréstimos que assinei são atos jurídicos perfeitos. Assinei os empréstimos encaminhados pela secretaria de finanças do PT, registrei no Tribunal Superior Eleitoral, e os empréstimos foram renovados porque o PT estava em uma situação muito difícil. Quando deixei a presidência do PT, o juiz de Minas Gerais cobrou judicialmente, inclusive, com o bloqueio da minha conta, que só foi desbloqueada porque era conta salário e, a partir de 2007, em uma negociação dirigida pelo então presidente Ricardo Berzoini, os empréstimos foram negociados por quatro anos e pagos, tanto o empréstimo do Banco Rural, como o do BMG. Sou um inocente.

O que o senhor pensou – ou fez – quando saiu sua primeira condenação, dia 9 de outubro?
Estava acompanhando a sessão do STF na minha casa, pela TV, com minha mulher e meus filhos Ronan e Miruna. Veio à minha cabeça a mesma sensação de quando eu estava na auditoria militar da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, sendo condenado a cinco anos de prisão, na década de 1970. É uma sensação de… eu uso uma expressão que gosto muito, deste livro, Memórias de um Revolucionário: "As noites cegas são poderosas, terríveis, mas nós somos a sua paciência". Eu me senti assim, indignado. Fiz uma carta aberta ao país, retirando-me do governo como inocente. 

A partir daquele dia, tomei uma decisão. Durante sete anos, eu falei nos autos, não dei entrevista… aliás, a única que dei foi para Terra Magazine, em 2006. Falei só nos autos, acreditando que ia ser um julgamento técnico, com base só em provas. Naquele dia, percebi que se tratava de uma condenação sem provas e resolvi fazer a crítica política.

E com a sua família? Como foi a reação de sua mulher e seus filhos após a condenação?
Estavam todos aqui. No dia seguinte, fizemos uma conversa. Minha filha Mariana, que mora em Brasília, veio para São Paulo. Miruna fez a carta dela e eu não li antes da divulgação. Nessa reunião, eu disse que iria lutar de todas as formas para defender minha honra e minha dignidade. Falei que não iria me curvar. Não tenho riquezas nem patrimônio, mas vou para o risco do combate, dentro dos princípios democráticos. A democracia que está aí não é produto de uma sentença. Aliás, ela foi regada com muita guerra, luta, sangue, mortes, greves e barricadas. Não é produto de sentença e dei minha contribuição para a conquista dessa democracia. Disse à minha família que agora eu estaria em uma posição de militante livre e combatente e eles aprovaram.

A condenação abalou o senhor? Abalou a sua família?
Não. Minha mulher e meus filhos ficaram indignados, assim como eu. Naquela noite, escrevi a carta aberta, que li no dia seguinte durante a reunião do Diretório Nacional do PT. Mas não estava abalado. Minha vida só tem sentido quando eu a coloco a serviço de causas. E hoje eu tenho uma causa: defender minha inocência custe o que custar. Estou revigorado, vivendo um momento parecido com o meu entusiasmo de 1968, da Guerrilha do Araguaia, quando eu estava preso por cinco anos, quando eu disputava convenções do PT, quando eu fazia campanhas vitoriosas e derrotadas aqui em São Paulo… Estou com essa energia. Meu foco é resistir e lutar com todos os meios democráticos.

E qual é o primeiro passo dessa luta?
A primeira coisa que tenho que fazer é apresentar todos os documentos que estou preparando com o meu advogado, Luiz Fernando Pacheco. São memoriais que vão discutir a parte final do julgamento e serão apresentados como provas da minha inocência. Quem tinha que apresentar provas de minha culpa seria a acusação. Vou falar politicamente. Estou de cabeça erguida, com a consciência de um inocente e vou usar de todas as formas jurídicas e politicas para provar minha inocência. Eu quero provas.

Sua defesa foi baseada no fato de que o senhor foi acusado por aquilo que era, ou seja, presidente do PT, e não por aquilo que fez. Essa foi a melhor linha a ser seguida?
Sim. E continuo nessa linha, porque eu não pratiquei crime, não pratiquei ilícito. Eu era presidente do PT e fui condenado pelo fato de ser presidente do PT. Isso é o que se chama, no direito penal, responsabilidade objetiva, que é um conceito conservador, arcaico, que, felizmente, a humanidade superou, mas que agora tem uma nova versão, o domínio do fato. Assim, pode-se condenar sem provas concretas. O que fiz como presidente do PT foi legal, legítimo e necessário. Não se pode criminalizar a política, criminalizar os acordos e as alianças e é isso que se está fazendo. Quando se criminaliza a política, abre-se a porta para o autoritarismo, enfraquecendo o poder que emana do povo. Cumprirei as decisões impostas, mas minha consciência irá bradar todos os dias contra isso.

Acredita que o julgamento do Mensalão é um marco no Judiciário brasileiro?
Acho que temos que fazer um grande debate sobre esse julgamento, primeiro porque ele está se baseando em teses que precisam ser profundamente discutidas, como a do domínio do fato, que negam provas, a presunção da inocência, a condenação com base em indícios… Isso tem que ser profundamente discutido, porque pode representar um risco para um Judiciário democrático, abrindo graves precedentes.

Sua tese de defesa argumenta que existiu um esquema de caixa dois na campanha do PT e não a compra de votos de parlamentares. A ministra Cármen Lúcia reagiu dizendo que "caixa dois é crime" e que a confissão dessa prática com naturalidade na Corte era algo "inédito" na carreira dela. Essa é sua versão dos fatos?
Em primeiro lugar, meu advogado não falou em caixa dois. Ele afirmou, claramente, que minha função como presidente do PT era exclusivamente política. Eu não cuidava nem tinha responsabilidade quanto à administração do PT e quanto às finanças do partido. Não foi o meu, mas outros advogados disseram que quando se trata de crime eleitoral (caixa dois), tem que se julgar como crime eleitoral. Minha responsabilidade era política. Entendo que essa injustiça não é só contra mim e que isso enfraquece a Justiça no Brasil. Não podemos fazer de julgamentos um espetáculo midiático. Não podemos aceitar essa espetacularização.

Um dia após sua condenação, quando leu a nota durante reunião do Diretório Nacional do PT, o senhor se encontrou com o ex-ministro José Dirceu. Como foi esse encontro?
Fui recebido de pé por todo o Diretório Nacional do PT naquele dia. Todas as tendências gritavam meu nome. À tarde, quando entrou o companheiro Zé Dirceu, aconteceu a mesma coisa com ele e nós demos um forte abraço um no outro. E eu falei a ele a seguinte frase: "Zé Dirceu, no dia 12 de outubro de 1968, quando nós fomos presos no Congresso de Ibiúna, nós gritamos: 'A UNE somos nós'. Pois bem, o PT somos nós. Somos companheiros de luta e nossa geração aprendeu que podemos ser encurralados, mas não aceitamos nos curvar".

E o que José Dirceu respondeu?
Ele olhou bem pra mim e disse: "É o nosso destino. Nosso destino é lutar".

E com o ex-presidente Lula? Como é sua relação desde 2005?
O Lula, pra mim, é uma pessoa excepcional do ponto de vista humano e político e eu aprendi a ter muita confiança na capacidade política dele. E Lula costumava dizer, nos piores momentos do seu governo: “Não vou deixar o país quebrar no meu colo”. Minha relação com Lula é de muito respeito e confiança. Não fiz nada de errado, portanto, o compromisso que tive com o Lula de presidir o PT foi correto e eu repetiria, mesmo passando por tudo o que passei.

O ex-presidente Lula ligou para o senhor após sua condenação?
Várias vezes. Sempre uma ligação afetiva e muito forte, mas me reservo o direito de não dizer o que ele fala comigo.

O senhor resolveu deixar seu cargo no governo, de assessor especial do Ministério da Defesa. A presidente Dilma Rousseff foi relutante à entrega do seu cargo?
Ela me ouviu e falou coisas bonitas, mas não serei porta-voz dela.

Mas ela foi relutante?
Ela disse pra mim: "Como é que eu assino a sua demissão, Genoino? Como?". E respondi: "Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes e vou ler uma carta no Diretório Nacional do PT". Tenho uma relação de respeito e confio muito na coragem e capacidade da companheira Dilma.

José Dirceu disse a amigos que se sente aliviado com o fato de o PT ter sido o partido mais votado no primeiro turno das eleições deste ano. Segundo ele, é como se o povo tivesse absolvido o partido. O senhor também avalia dessa maneira o desempenho do partido nas urnas?
O governo do PT foi julgado em 2006, quando o povo reelegeu o Lula, e em 2010, quando elegeu a Dilma presidente. As vitórias do PT mostram que o povo é mais inteligente do que certos setores pensam. O povo nos conhece, sabe onde a gente mora, o que a gente faz, o que a gente fez.

Em 2010 o senhor não foi eleito deputado federal. O povo não o absolveu?
Não foi isso. Em 2010, eu perdi por mil votos. O erro foi o tipo de campanha que nós fizemos. A campanha estava difícil porque fui muito criticado por setores da mídia… Tive apoio em muitas cidades, o PT me apoiou muito, mas isso faz parte. Na democracia, a gente perde e ganha e precisamos ficar felizes com isso.

Na década de 1970, o senhor foi preso por cinco anos e torturado durante a Guerrilha do Araguaia. O senhor consegue traçar algum paralelo daquele momento em relação a esse que está vivendo hoje?
O primeiro paralelo, lamentavelmente, e eu nunca falei isso para ninguém, são os pesadelos. Eu tenho pesadelos. As cicatrizes existem. Acredito no perdão, mas não no esquecimento, e é isso que aparece nos meus pesadelos. Misturo cenas daquele período, quando eu era interrogado, em 1972, com cenas do processo da Ação Penal 470. Há um mês, tive um pesadelo grande, gritei pra caramba, minha mulher ficou preocupada, porque eu fiquei em pé, estrebuchei na cama… As cicatrizes da vida deixam a gente mais preparado para as pancadas e estou com mais cicatrizes agora, elas não somem da cabeça nem do corpo. Mas não tenho ódio, ressentimento ou espírito de vingança. Eu tenho confiança no ser humano.

O senhor tem medo de ser preso?
Penso da seguinte maneira: a palavra medo não existe como impedimento para a minha luta. Entre a servidão e a humilhação, eu prefiro o risco do combate.

Se o senhor pudesse fazer de novo, corrigindo, alguma coisa na sua vida, o que seria?
Tudo o que fiz na minha vida foi com paixão e consciência. Sempre com dedicação e por causas e, portanto, minha trajetória me orgulha. Um dos objetivos da minha luta é defender minha história, porque é ela que me dignifica.

Então o senhor não corrigiria nada?
Minha trajetória me orgulha e tenho recebido muita solidariedade, tanto do PT, como de pessoas da oposição, de militares que trabalharam comigo no Ministério da Defesa, mas não vou citar nomes. É claro que a vida vai te ensinando, você não pode ser dono da verdade, você tem que estar aberto para mudar o mundo. O desafio é mudar o mundo mudado e quem quer mudar o mundo tem que aceitar ser mudado. O PT me mudou e eu mudei o PT.

O senhor considera que o PT errou?
O PT é vitorioso porque o objetivo de um partido é conquistar o poder e realizar seu programa e isso o PT fez. Agora, é claro que o PT tem que fazer uma avaliação de toda sua trajetória, olhando para o futuro. Não podemos ter medo do debate. O PT precisa aceitar a crítica e discutir as escolhas de maneira franca e aberta. O PT aprendeu uma lição: dividido, perde; e sem aliança, não ganha. Minha geração aprendeu no coletivo: ou ganham todos juntos ou se ferram todos juntos. Essa foi a lição que eu aprendi.
Do Portal Terra

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