Rui Rodrigues
A Democracia Participativa permite exercer a cidadania sem a incômoda participação daqueles deputados, senadores, que são escolhidos pelos Partidos Políticos que lançam as suas candidaturas. A Democracia Participativa precisa deles, e dos Partidos também, mas não com as funções nem com o poder que têm hoje.
Normalmente reclamamos deles por não fazerem o que nos parece tão lógico.
Felizmente as sociedades estão chegando á conclusão que lhes pagam demasiado para tão deficiente serviço. Nossas nações estão sempre com problemas que parecem insolúveis e não por acaso, os problemas são sempre os mesmos como se o mundo não tivesse solução e tudo seja como é pelo simples fato de irremediavelmente ser assim... Como se o mundo tivesse sido feito da forma que nos apresentam, e não houvesse solução.
Para eleger um vereador, deputado, senador ou Prefeito é necessário investir muito dinheiro. Esse dinheiro é “cedido” aos partidos políticos em roca de favores. Ninguém dá nada de forma gratuita a ninguém, exceto para obras de caridade, e não é este o caso certamente. Os Partidos fiam assim dependentes dos que lhes pagam os custos das eleições. Como você, eleitor, não lhes paga nada, eles não o representam.
Com a Democracia participativa, não se recolhem impostos e depois se vê o que se tem gastar e dividir pelos ministérios que são divididos politicamente entre os Partidos... Não! Primeiro se faz o orçamento da União para se saber se os próximos quatro anos serão de aperto financeiro porque o País tem que crescer muito, ou de alívio, porque os cidadãos querem uma “folga” nos impostos para poderem fazer o que tanto desejam e não puderam por causa da carga desses impostos nos anos anteriores.
Com a Democracia participativa, seu voto começa a ser usado em seu próprio município. Com ele pode decidir se uma estrada passará por florestas, por plantações, ou por áreas de menor utilidade. Poderá decidir sobre os custos ou sobre o início das obras de acordo com o momento econômico.
Pode votar o orçamento da União, decidindo que porcentagem das verbas se devem aplicar em educação, por exemplo, ou na agricultura, no saneamento básico, na saúde pública, nos transportes, em centros de pesquisa, na sustentabilidade, nos esportes, nas artes e na cultura...
Pode votar o salário dos membros do governo, e não estes os próprios salários que sempre sobem muito acima da inflação, enquanto o salário mínimo pouco sobe, sendo imediatamente desvalorizado pela inflação.
Pode estabelecer que porcentagem da verba de pesquisa seja destinada à cura do câncer, à pesquisa de armas ou espacial, dentre outras. Pode também votar na porcentagem a aplicar para prevenção de catástrofes, como deslizamentos de terras, inundações, construção de moradias de emergência para estes casos.
No caso de uma contenda bélica, não será o presidente que decidirá sobre declaração de guerra ou o senado... Terão que perguntar ao povo que pode responder em meia hora ou menos... Somente no caso de uma invasão de território o governo pode mobilizar as tropas para a guerra dentro das fronteiras. O mundo ficará melhor assim e menos bélico. A melhor defesa será sempre a defesa e não o ataque. Pode acontecer de a maioria dos cidadãos acharem que não necessitam de exércitos, apenas de força de polícia. Alguns países já chegaram a esse ponto de progresso.
Pode usar o voto para propor algo novo mesmo dentro da Democracia Participativa, como por exemplo, estabelecer comissões de acompanhamento junto ao Ministério da Economia, dos Transportes, do Turismo, da Educação, do Ambiente, e outras instituições, para verificar o que fazem - e como fazem - sem que tenha que ser necessário eleger um palhaço com o slogan “Sabem o que os senadores fazem no congresso? Se me derem o vosso voto e eu for eleito, depois eu conto”, estando nós esperando até hoje que nos conte...
Pode usar o seu voto para deseleger quem achar que não cumpre com as suas funções. Não precisa explicar, nem a retirada desse funcionário irá depender de julgamento nas esferas do governo ou fora dele: seu voto é soberano, e se na medida em que perder os votos, alguém eleito atingir quantidade inferior ao segundo colocado, sai e entra o segundo colocado. Se houver provas de má fé, dolo, ou de algum crime, será depois julgado na corte civil. Não pode haver duas cortes de justiça: Uma para julgar membros do governo e outra para julgar civis ou militares... Existe apenas uma justiça para um povo constituído de cidadãos iguais perante a lei. A não ser assim, comerciantes teriam direito a uma corte especial, e os miseráveis direito a outra corte...
Queremos um mundo justo, tanto quanto nos seja possível.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Manual de picaretagem intelectual
Antes de ler
este artigo, sugiro ao leitor que responda ao seguinte questionário.
Você precisa
debater em público e não tem certeza da validade de seus argumentos?
Você, com certeza,
é o melhor executivo da empresa; mas por que as boas vagas sempre acabam sendo
ocupadas por profissionais que você julga menos capacitados?
Suas ideias, é
claro, são sempre as melhores; por que ninguém se interessa por elas?
Embora seja
frequente, você ainda não se conformou em sempre passar por idiota?
Você acredita,
realmente, que ainda vai vencer na vida?
Então este
artigo foi feito para você. Preste muita atenção!
Você não
precisa se aprofundar na arte de argumentar. Muitos sábios, advogados e homens
públicos já cuidaram disso por você.
Desde a Grécia
antiga, berço da civilização ocidental – começando com os filósofos sofistas e,
depois, Sócrates, Platão e Aristóteles -, muitos dos grandes pensadores da
humanidade se debruçaram sobre esse tema. Discutia-se a respeito dele na
República e no Império Romano, em Bizâncio, na Europa medieval, na
Renascença, no Novo Continente e até hoje se acumulam novos conhecimentos sobre
o assunto.
Pensadores da
estatura do filósofo alemão Arthur Schopenhauer chegaram a elaborar tratados
sobre o tema.
Há uma obra
dele que merece ser lida e devidamente estudada. Foi publicada depois de sua
morte e recebeu dos editores o sugestivo título “Como Vencer um Debate sem
Precisar Ter Razão”.
As conclusões
são alarmantes e desoladoras. Os bons argumentos não precisam ser os melhores
nem os mais verdadeiros. Bem apresentá-los é o que realmente importa.
O que cabe a
você, aqui, é – de uma vez por todas – saber que os que sabem discursar melhor não
são, necessariamente, os que sabem governar melhor. Os medíocres também têm
vez. Não importa se seu produto é o melhor, o que importa é saber vendê-lo bem.
Saiba, enfim que para vencer um debate o que menos você precisa é estar com a
tese certa.
1.ª lição –
Mesmo que esteja em dúvida, trate de ser convincente – se não der para
convencer, confunda. Se mesmo assim não funcionar, encontre um ausente no qual
pôr a culpa.
2.ª lição –
Demonstre sempre certeza do que está falando, mesmo quando já tenha percebido
que sua proposta está errada.
3.ª lição –
Decorre da segunda: ninguém segue um líder que se mostre em dúvida.
4.ª lição –
Não se preocupe em responder a um argumento correto, é muito melhor dizer que
seu oponente não tem autoridade moral para afirmá-lo. Inversamente: uma boa
ideia será sempre uma boa ideia, independentemente de quem a tenha tido.
5.ª lição –
Apresente ideias que aparentem ser coerentes. As boas histórias só convencem a
audiência se tiverem começo, meio e fim. Inversamente: não acredite em
histórias perfeitas, geralmente elas são inventadas. Tenha sempre em mente que
a realidade não produz enredos perfeitos.
6.ª lição –
Para que ideias confusas sejam mais convincentes, você deve atribuí-las a
alguém como Napoleão. Servem também Júlio César, Alexandre ou Abraham Lincoln.
Ninguém se atreverá a desmenti-lo nem admitirá pouco saber sobre eles. Se a
celebridade em questão já tiver falecido, nem mesmo ela poderá desmenti-lo.
7.ª lição – Os
exemplos de que você se vale não precisam ser verdadeiros. Basta que eles sejam
verossímeis.
As lições são
inúmeras. Mas, por enquanto, são suficientes essas sete. Você ainda acredita
nas palavras e nas elaborações intelectuais? Então, para terminar leia o que
vem a seguir.
Recordo-me de,
muitos anos atrás, ter lido um livro sobre retórica no qual havia um belo
exemplo de como tudo isso funciona. O autor resumiu a questão apresentando duas
biografias, retratos fiéis de grandes vultos da História.
O primeiro era
um beberrão contumaz. E, não bastasse, tabagista inveterado, mulherengo e dado
a excessos alimentares. Não tinha hora de dormir nem de acordar. Era
indisciplinado por natureza. Não gostava de ler relatórios, era teimoso,
ranzinza e não aceitava as ideias de ninguém. Por causa da teimosia, perdeu
diversas batalhas, foi afastado do comando, caiu em desgraça perante a imprensa
em geral e a opinião pública o desprezou por mais de duas décadas. Voltou ao
poder em razão de uma grave comoção popular. Pode-se dizer que tinha grande
desprezo por seus subordinados e era cético quanto à capacidade de
discernimento da humanidade.
Já o segundo
era praticamente o oposto. Não se conhece dele nenhum vício ou algum tipo de
costume reprovável. Não fumava, não bebia e se preocupava sempre em estar
dentro do peso. Extremamente metódico e disciplinado, tinha obsessão pela
pontualidade. Quando não estava trabalhando, cuidava de ler e estudar. Desde
pequeno sentia-se imbuído de uma grande missão. A ela dedicou toda a sua
juventude. Para bem executá-la evitou até a prática sexual, só vindo a contrair
matrimônio no fim da vida.
Enquanto
viveu, dedicou todo o seu tempo à sua causa. Morreu por causa dela. E sua
mulher morreu logo a seguir. Todos os que o conheceram afirmam que nunca deixou
de ser um idealista. Em suas aparições públicas demonstrava ser enérgico e
intransigente, mas em casa seu comportamento era cordial. Seus funcionários
mais íntimos foram unânimes em afirmar que era cavalheiro, polido e afável no
trato. Às vezes perdia a paciência, mas só quando se sentia injustiçado.
Qual dos dois
perfis é o que mais lhe agrada?
Qual dos dois
líderes você não vacilaria em acompanhar?
Os dois
líderes foram retratados com exatidão. Qual deles, a princípio, mais lhe
desperta simpatia?
A maioria das
pessoas, provavelmente, terá escolhido o segundo. Pois as aparências, como
sempre, enganam.
O primeiro
perfil é de Winston Churchill. E o segundo, de Adolf Hitler.
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