sábado, 3 de outubro de 2015

Oposição silencia sobre Cunha para não inviabilizar impeachment


Fiel escudeira do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a oposição tem preferido o silêncio sobre as denúncias que pesam contra o peemedebista, temendo que manifestações contrárias a ele inviabilizem um eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Cunha tem total controle sobre o andamento dos pedidos de afastamento da petista do cargo. Nesta semana, ele arquivou cinco dos 14 que estavam sob sua mesa e afirmou, nesta sexta-feira (2), que espera decidir sobre os demais nos próximos dias.

A oposição firmou, há semanas, um acordo velado com Cunha sobre o rito do impeachment. Para não arcar sozinho com o ônus político da decisão, ele rejeitaria o pedido do ex-petista Hélio Bicudo, chancelado pelos oposicionistas, que entrariam com um recurso ao plenário para o processo então seguir tramitando.

Criticar Cunha pelas denúncias, seria arriscar quebrar esse acordo, na avaliação feita ao longo dessa semana. Integrantes dos maiores partidos de oposição, contudo, afirmam estar "entre a cruz e a espada".

"Se o abandonamos e apoiamos publicamente a renúncia da presidência ou a cassação do mandato dele, acabamos com qualquer possibilidade de impeachment, porque, a não ser que um oposicionista assumisse a presidência, o que é impossível ocorrer, nenhum outro parlamentar dará sequência ao impeachment", afirmou um deles.

Os deputados, contudo, concordam que, frente à opinião pública, a postura de afastamento dos fatos pode ser vista com ressalvas e até como apoio.

"Não posso falar 'em off', como estou falando com você, com meu eleitor e explicar isso. Sei que ele quer o impeachment, mas ele não entenderia o processo que é complexo", avaliou outro oposicionista.

As discussões sobre a situação de Cunha, que mesmo para os aliados próximos está "próxima do insustentável", foram retomadas essa semana com as notícias de que o presidente da Câmara teria contas bancárias na Suíça em seu nome e de familiares.

Após a divulgação das informações, aliados afirmam que o "clima ficou pesado e Cunha tem andado preocupado". Avaliam, ainda, que as próximas semanas devem ser "quentes" e os demais partidos devem começar a se posicionar com mais veemência.

Cunha nega as acusações. Em nota divulgada nesta sexta (1), Cunha reiterou afirmações que deu na CPI da Petrobras, em março, quando negou a existência de contas suas em outros países.

Essa semana, na quinta (1), durante sessão no plenário, Eduardo Cunha foi questionado pelo deputado Chico Alencar(PSOL-RJ) sobre as denúncias. Virado de costas para o deputado, o presidente ignorou o discurso e não comentou o assunto, como tem feito quando questionado em entrevistas à imprensa.


Apesar do silêncio público da oposição, um grupo de 15 deputados de 5 partidos - PSOL, Rede, PSB, PT e PMDB - apresentou um requerimento na quinta com questionamentos formais à Cunha sobre as denúncias atribuídas a ele. Regimentalmente, não há prazos para a resposta ser dada, assim como o presidente não tem obrigação de fazê-la.

Suíça encontra quatro contas bancárias atribuídas a Eduardo Cunha


Procuradores da Suíça não acharam uma só conta secreta, mas quatro, pelo menos, cujo controle é atribuído ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo a Folha apurou junto a investigadores que atuam no caso.

Uma dessas contas tem como beneficiários Cunha e sua mulher, a jornalista Claudia Cordeiro Cruz, que foi apresentadora de telejornais da Rede Globo ente 1989 e 2001.

Nesta quarta (30) o presidente da Câmara se recusou a comentar se tinha conta no exterior. Em março deste ano, em depoimento à CPI da Petrobras, ele disse que não tinha dinheiro fora do Brasil.

A Folha revelou nesta quarta (30) que a Suíça descobrira contas, sem especificar o número delas

Os valores depositados nas quatro contas foram bloqueados pelas autoridades suíças por causa da suspeita de que receberam recursos de suborno, que chegaram àquele país por meio de processos de lavagem de dinheiro.

A Suíça não revelou ainda o montante que foi bloqueado.

As contas foram abertas em nome de empresas offshores, que ficam em paraísos fiscais para dificultar as investigações, já que esses países, diferentemente da Suíça, não costumam colaborar com apurações sobre lavagem de dinheiro e corrupção.

Para evitar receber dinheiro de terrorismo, de drogas e de suborno, a Suíça exige que toda conta tenha um beneficiário final. Em quatro delas o beneficiário é Cunha, segundo as autoridades que investigam o caso.

O Ministério Público da Confederação Suíça começou em abril a investigar a suspeita de que Cunha escondera dinheiro naquele país.

A Suíça não irá prosseguir a apuração criminal sobre Cunha, como ocorre com outros suspeitos da Lava Jato. O país decidiu mandar para o Brasil todo o material encontrado sobre o presidente da Câmara para que a apuração seja feita aqui.

A transferência da investigação para o Brasil está prevista no acordo de cooperação em matéria criminal que a Suíça assinou com o Brasil em 2009. Não é a primeira vez que isso ocorre. Autoridades suíças já haviam transferido para o país a apuração sobre o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

DEPÓSITO DE LOBISTA

Uma das contas cujo controle os suíços atribuem a Cunha recebeu recursos de um lobista do PMDB chamado João Augusto Henriques, preso pela Operação Lava Jato em 21 de setembro.

Em depoimento à Polícia Federal, Henriques disse que fizera um depósito na conta de Cunha sem saber que era do deputado. Segundo o lobista do PMDB, ele fizera a transferência a pedido do economista Felipe Diniz, filho do deputado Fernando Diniz (PMDB-MG), que morreu em 2009.

Ainda segundo Henriques, o valor depositado não era propina, mas uma comissão lícita porque Diniz o ajudara a costurar um negócio que resultara na compra pela Petrobras de um campo de exploração de petróleo no Benin, na África.

Os investigadores na Lava Jato desconfiam que essa versão possa ter sido criada por Henriques para proteger Cunha.



OUTRO LADO

O advogado de Cunha, o ex-procurador geral da República Antonio Fernando de Souza disse por meio de nota que não comentaria as contas encontradas na Suíça. Souza disse que pretende se defender no inquérito contra o presidente da Câmara instaurado no Supremo Tribunal Federal.

A Folha não conseguiu localizar o advogado de Fernando Diniz.

O QUE PODE ACONTECER COM CUNHA

No STF
Caso o Supremo aceite a denúncia contra Cunha, ele vira réu e pode ser condenado

Cassação
Pode enfrentar processo por quebra de decoro na Câmara e ter o mandato cassado

Renúncia

Cunha pode deixar a presidência da Câmara para tentar minimizar seu desgaste

Dirigente da ONU diz que ataque a hospital em Kunduz é indesculpável

O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse hoje que é indesculpável o ataque aéreo contra um hospital administrado pelos Médicos Sem Fronteiras na cidade de Kunduz, Norte do Afeganistão.

Segundo um novo balanço, o ataque, aparentemente lançado por forças dos Estados Unidos e que se prolongou por meia hora, fez 16 mortos, três deles crianças, e 37 feridos. “Este acontecimento é profundamente trágico, indesculpável e possivelmente criminoso”, afirmou Al Hussein num comunicado divulgado em Genebra.

O Alto Comissário da ONU pediu um inquérito aprofundado e transparente, destacando que “se for considerado pela Justiça como deliberado, um ataque aéreo a um hospital pode constituir um crime de guerra”.

A cidade de Kunduz é palco de confrontos desde que, na segunda-feira (28), os talibãs tomaram a localidade, seguindo-se uma ofensiva das forças afegãs, apoiadas por tropas dos Estados Unidos.

Na terça-feira (29), os Médicos Sem Fronteiras (MFS) divulgaram um comunicado afirmando que o hospital estava “sobrecarregado” com a chegada constante de feridos, foram atendidas entre  segunda e terça-feira, 171 pessoas, entre as quais 46 crianças, a maioria com ferimentos de bala. “O hospital está inundado de pacientes”, disse Guilhem Molinie, representante do MSF no Afeganistão.

Hoje, depois do ataque, o MSF esclareceu que todas as partes envolvidas no conflito, inclusive Cabul e Washington, foram claramente informadas em várias ocasiões da localização exata (coordenadas GPS) de todas as instalações do hospital, a última das quais a 29 de setembro.

Rússia destrói posto de comando do Estado Islâmico na Síria

Ataques aéreos russos destruíram um posto de comando do grupo jihadista Estado Islâmico perto de Raqa, no nordeste da Síria, assim como um bunker subterrâneo, anunciou hoje o Ministério da Defesa russo, citado pela agência France Presse.

“No decurso das últimas 24 horas, aviões SU-34 e SU-24M efetuaram mais de 20 ataques aéreos visando instalações do Estado Islâmico”, indicou o Ministério da Defesa russo, assegurando que foram destruídos um posto de comando em Raqa e um bunker subterrâneo, que servia para guardar explosivos.

Entretanto, Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa russo, citado pela agência EFE, disse que os ataques aéreos ocorreram nas províncias de Ided e Raqa, principal posto avançado do grupo extremista naquele país árabe.

Os bombardeiros SU-24M destruíram também na zona de Yisr al Shugur (Idleb) uma base jihadista com armamento e automóveis militares utilizados pelos terroristas para cometer atentados, acrescentou o general russo.

Na mesma província ficou totalmente destruída a fortificação do grupo extremista Estado Islâmico situada perto de Maaret al Nuaman, que continha armamento, munições e material explosivo.

Começa desova de tartarugas marinhas nas praias do Brasil


A temporada de desova de tartarugas marinhas no Brasil começou em setembro, com a chegada ao litoral brasileiro das fêmeas reprodutoras das tartarugas cabeçuda e oliva e, em seguida, das tartarugas de couro, e se estenderá até março de 2016, quando todos filhotes terão nascido.

As últimas tartarugas a chegar às praias são a tartaruga pente, em dezembro, e a tartaruga verde, em janeiro. A postura dos ovos ocorre nas praias dos estados da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro e, a partir de janeiro, em Fernando de Noronha.

Monitorado por oceanógrafos, o Projeto Tamar em o apoio de mais de 500 pescadores-tartarugueiros nos cinco estados, além de veterinários e voluntários, informou o coordenador nacional do Projeto Tamar, oceanógrafo Guy Marcovaldi.

Em média, os filhotes das tartarugas começam a nascer dois meses após a desova, que costuma ocorrer no período de dois a três meses. “A partir de novembro, começam a nascer os primeiros filhotes”, informou Marcovaldi.

Ele destacou que a preparação para a desova e o nascimento dos filhotes é uma repetição dos últimos 33 anos. “Existe um exército de pessoas nas praias trabalhando para que as tartarugas tenham sucesso não só em termos de segurança, mas de pesquisa científica”.
Segundo o coordenador do Projeto Tamar, a parte de segurança melhorou muito. “O roubo de desova e a matança de fêmeas praticamente não existe mais. Mas nós temos que continuar trabalhando com a estatística do que acontece, as tendências que ocorrem no Brasil inteiro”, destacou.

O importante, disse Guy Marcovaldi, é que existe uma população maior de tartarugas desovando do que há cinco anos. A nova geração de tartarugas fêmeas reprodutoras, protegidas nos últimos 30 anos, “que ficaram adultas, começaram a casar e ter filhos”, é estimada em 21 mil animais.

Como elas passam dois anos sem desovar, comendo para formar os ovos, depois saem da área de alimentação para a área de reprodução nas praias, para pôr os novos ovos. O processo de desova abrange 7 mil tartarugas por ano, disse o oceanógrafo.

A pesquisa de campo é feita por amostragem. O Projeto Tamar elege trechos das praias, onde é feito o acompanhamento, e depois transfere os dados para o restante do litoral.

“Essa é uma técnica científica aprovada”, comentou Marcovaldi. No ano passado, nasceram no Brasil 1,2 milhão de filhotes de tartarugas monitorados pelo Projeto Tamar. “Demorou 15 anos para o número passar a ser razoável e 30 anos para ser relevante”.

É a temperatura da areia durante o período de incubação dos ovos que determina o sexo dos filhotes. “Por isso, às vezes, pequenas populações de tartarugas que existem no Rio de Janeiro e no Espírito Santo são muito importantes, porque lá produzem os machos e na Bahia e Sergipe, são produzidas as fêmeas”, disse.

Isso significa que temperaturas abaixo de 27 graus centígrados, em média, são mais favoráveis ao nascimento de tartarugas machos, como ocorre no município de Campos dos Goytacazes, norte-fluminense, enquanto temperaturas mais elevadas, acima de 33 graus C tendem a gerar fêmeas. Daí, 90% das tartarugas que nascem nas praias da Bahia e de Sergipe, no Nordeste, são fêmeas. “É preciso mais machos para fecundar as tartarugas”, indicou.

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