O cientista político
da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), André Pereira, fez a análise
de cada candidato.
Em Vila Velha,
cinco candidatos concorrem à administração. Por ordem alfabética, estão Alan
Claudio Melo de Almeida do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); o cirurgião
dentista João Batista Babá, do Partido dos Trabalhadores (PT); o ex-prefeito
Max Filho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB); o atual prefeito
Neucimar Fraga, do Partido da República (PR); e o deputado estadual Rodney
Rocha Miranda, do partido dos Democratas (DEM).
Para o comentarista de
política da TV Gazeta, Radanezi Amorim, a disputa estava acirrada entre dois
candidatos conhecidos dos moradores, mas outros nomes prometem dividir as
opiniões em Vila Velha. “A disputa principal tinha tudo para ser entre o
prefeito Neucimar Fraga (PR), que tenta a reeleição, e o ex-prefeito Max Filho
(PSDB). Mas entrada de Rodney Miranda (DEM) e Babá (PT) embolaram o quadro,
tornando a eleição imprevisível e indicando um provável segundo turno",
disse.
Alan Claudio Melo de Almeida – PSOL
De acordo com André Pereira, esse candidato
registrou a campanha em cima da hora. “É mais um do partido de esquerda
querendo aparecer. Totalmente desconhecido no meio político, ao contrário dos
seus colegas do PSOL, que já são conhecidos pelo eleitorado”, disse o cientista
político.
Alan Claudio Melo de Almeida não declarou seus bens no site do Tribunal
Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES). O limite de gastos da
campanha é de R$ 200 mil.
João Batista Babá – PT
O cirurgião dentista João Batista Babá, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem
formação na igreja católica e faz parte do sindicato dos dentistas. Ele já foi
vereador em 2008. De acordo com André Pereira, o candidato corria o risco de
perder a vaga devido às pressões do PT estadual. “O partido, em Vila Velha,
abandonou a linha combativa que teve nos anos 1980 e 1990 em favor de uma
política de alianças que o descaracterizou. De forma oportunista, a legenda
rompeu com o governo do atual prefeito para se lançar neste pleito. Porém, fez
uma avaliação incorreta da reação da sociedade canela verde com relação ao
projeto de Plano Diretor Municipal (PDM)”, explicou Pereira.
Babá disse que
seu partido fez parte da gestão do prefeito, mas ao longo da administração
começou a questionar algumas ações. “A prefeitura não cuidava de alguns pontos
do PDM que eram indispensáveis e por isso começamos a não concordar com as
tomadas de decisões. Rompemos e viemos trabalhando para novos projetos
democráticos e sustentáveis”, disse.
O candidato declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) que possui bens no
total de R$187,260.16, entre casa, apartamento, poupança e veículos
automotores. O limite de gastos de campanha é de R$ 3 milhões.
Max Filho – PSDB
O ex-prefeito de Vila Velha também está na disputa. Max Filho, do Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), é formado em direito, tem mestrado em
políticas públicas e é servidor público federal. Max Filho já foi vereador,
deputado estadual e prefeito de Vila Velha entre 2001 a 2008.
Para o cientista político, o candidato é o representante de uma linha
social-democrata na administração pública. “Ele é lembrado pelas suas
administrações, mas seu grupo político vem sofrendo derrotas por conta do
enfrentamento contra o esquema de apoios montado pelo ex-governador Paulo
Hartung. Max tem proximidade ideológica com Renato Casagrande, mas foi impedido
de entrar no PSB no ano anterior. Ele precisa dar uma resposta adequada à
acusação de ter 'isolado Vila Velha', o que teria sido resolvido se não tivesse
a porta do partido fechada para ele, por conta das reações da base do
governador Casagrande”, disse André Pereira.
Em resposta à análise do cientista político, Max Filho disse que mantém
normalmente a amizade com o governador Renato Casagrande. “Ele age como
magistrado e isso deve ser respeitado. Eu acredito na democracia e na decisão
do povo”.
No TRE, consta na declaração de bens de Max Filho dois apartamentos, uma casa,
ações de linhas telefônicas e um carro, no valor total de R$ 289.539,45. O
limite de gastos de campanha é de R$ 3.500 milhões.
Neucimar Fraga – PR
O atual prefeito de Vila Velha, Neucimar Fraga, do Partido da República (PR),
nasceu na Bahia, e, em 1980, ingressou no movimento comunitário. Em 2000, foi
eleito vereador de Vila Velha e dois anos depois foi deputado federal, cargo
que ocupou por dois mandatos.
André Pereira disse
que Neucimar implantou um mandato de linha neoliberal em Vila Velha, ou seja,
priorizando os benefícios para empresas e o crescimento urbano das áreas mais
privilegiadas. “Ele usa, como todos os prefeitos da cidade, o drama da chuvas.
Desenvolveu uma linha de combate à criminalidade com as câmeras 'falantes', é
competente no uso da sua imagem e no discurso. Ele está com a máquina na mão,
mas teve problemas para manter a unidade da sua coalizão de governo”, analisou.
Já Neucimar alegou que
o seu mandato teve investimentos significativos nas áreas mais carentes.
"Só na região de Terra Vermelha investimos mais de 300 milhões de reais.
Todos os bairros periféricos têm sido urbanizados, com investimento maciço em
todas as áreas carentes. A região da Grande Cobilândia, por exemplo, recebeu
100% de urbanização. E com esses investimentos, Vila Velha tem tido uma grande
valorização, com o setor da construção civil investindo em todo o
município", disse o candidato ao G1.
Ele declarou ao TRE possuir
bens que chegam ao valor de R$ 1.245.406,81, entre 3 apartamentos, um terreno,
carro e um terreno. O limite de gastos de campanha é de R$ 5 milhões.
Rodney Rocha Miranda – DEM
O licenciado delegado da Polícia Federal e atual deputado estadual Rodney Rocha
Miranda, do partido dos Democratas (DEM), também está na disputa pela
administração de Vila Velha. Rodney foi secretário estadual de Segurança
Pública no Espírito Santo e em Pernambuco. Ele tem graduação em administração,
pós-graduado em Carreiras Jurídicas, em Gestão em Segurança Pública.
Para o cientista político, André Pereira, Rodney Miranda seria o 'candidato de
Hartung em Vila Velha'. “Se o ex-governador subir em seu palanque, terá um belo
trunfo nas mãos. Porém, a princípio, isto não ocorrerá. Não tem muitos recursos
de comunicação, contando apenas com a imagem de 'cana dura'. Isto já foi
suficiente para ser deputado. Se crescer nas intenções de voto, deverá ser
atacado pelos resultados concretos que obteve como secretário de segurança”, disse
André.
Rodney declarou ao TRE-ES que possui apartamento, carro e dinheiro em espécie
no valor total de R$ 1.054.438,03. O limite de gastos de campanha é de 8
milhões.