domingo, 4 de outubro de 2015

Reforma corta 30 secretarias, 3 mil cargos e proíbe viagem em 1ª classe


A reforma administrativa que a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2), em conjunto com sua nova equipe ministerial, corta cerca de 3.000 cargos comissionados dentro do governo e também em torno de 30 secretarias da Esplanada dos Ministérios.

A presidente eliminou oito ministérios, abaixo de sua meta original, de dez. A redução do número ocorreu para atender principalmente o PMDB e o PT.

Entre as medidas, o governo anunciou também que ministros não poderão mais viajar em primeira classe. Além disso, apenas ministros terão direito a carro oficial no governo.

A principal mudança da reforma ministerial é a saída do ministro Aloizio Mercadante da Casa Civil, que passa a ser comandada pelo ministro Jaques Wagner, que deixa a Defesa.

Para o lugar de Wagner foi o ministro Aldo Rebelo.

O representante do PC do B deixa o Ministério da Ciência e Tecnologia, para o qual vai o deputado peemedebista Celso Pansera (RJ), ligado ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Para a Saúde, vai o deputado piauiense Marcelo Castro, indicado pelo PMDB. Ele promete não ceder a pressões da bancada</a> para promover uma distribuição política das verbas do setor.

Além da troca no Palácio do Planalto, a reforma ministerial amplia de seis para sete ministérios o espaço do PMDB no governo para garantir apoio à presidente e evitar a abertura de um processo de impeachment contra ela na Câmara dos Deputados.

Número de Ministérios - No final de cada governo e atualmente:

OS CORTES

Confira o que mudou com a reforma.

O QUE ACABOU

  • Pesca integrado à Agricultura;
  • SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) atribuições que permanecerem serão direcionadas ao Ministério do Planejamento;
  • GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • SRI (Secretaria de Relações Institucionais);
  • Secretaria de Micro e Pequena Empresa*

O QUE FOI FUNDIDO

  • Secretaria-Geral da Presidência transformada em Secretaria de Governo vai abranger o gabinete militar do GSI, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa e a SRI;
  • Secretarias de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos tornaram-se um único ministério, resultando no corte de duas pastas;
  • Previdência Social e Trabalho tornaram-se um único ministério, resultando no corte de uma pasta orçamento de cada ministério.

A FATIA DE CADA MINISTÉRIO
Considerando orçamento para 2015 das pastas que foram fundidas:

Líder do PMDB minimiza acusação de Youssef contra novo ministro


O líder da bancada do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, disse nesta sexta-feira (2) que não houve nenhuma restrição quanto a indicação do nome de seu colega de bancada, Celso Pansera, para a pasta de Ciência e Tecnologia.

Picciani classificou o colega como correto e minimizou as declarações o doleiro Alberto Yousseff, que havia chamado o parlamentar de "pau-mandado do Eduardo Cunha", em depoimento da operação Lava Jato. "Não é a palavra de um bandido que está atras das grades que vai influenciar na decisão da bancada do PMDB e da presidente", disse.

Quanto ao manifesto contra Dilma, assinado ontem por um terço da bancada do PMDB, Picciani disse que é um direito dos deputados assinarem o que quiserem. "Não é algo expressivo contra a liderança. Eu tenho que expressar posição da maioria, e a maioria é a favor", disse.

Picciani disse ainda que não houve participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na escolha dos nomes indicados pela bancada da Casa. "O presidente Cunha não se meteu nessa discussão. Ele tem posição crítica que tem preservado, mas respeita a decisão da bancada. Ele não participou da discussão, não há nenhum comentário dele ou influencia na escolha do Pansera ou de outro deputado", disse.


Picciani afirmou também que não houve nenhuma frustração da bancada em receber a pasta de Ciência e Tecnologia. A bancada pleiteava o Ministério da Infraestrutura. "Não houve nenhuma restrição. A bancada não tinha recebido o convite. A partir do momento que ela fez o convite, nós consideramos", disse.

Novo ministro ligado a Cunha disse que sua atuação em CPI foi 'partidária'


O deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), confirmado nesta sexta-feira (2) como novo ministro da Ciência e Tecnologia, afirmou que sua participação na CPI da Petrobras foi uma "tarefa partidária". Sua atuação na comissão o levou a ser chamado de "pau mandado" do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo doleiro Alberto Yousseff.

A declaração de Pansera foi dada em 13 de setembro em entrevista ao programa "Jogo do Poder", transmitido pela CNT. Ele negou na ocasião que sua atuação na CPI seja orientada por Cunha, mas afirmou que trabalhava como representante do partido.

"Eu sou um deputado independente. Devo minha eleição ao meu esforço pessoal. Entrei na CPI como uma tarefa partidária. Não assinei a criação da CPI. A CPI da Petrobras deveria ser criada depois do MP e a PF resolver a questão dos inquéritos dos políticos para que a CPI analisasse todo esse contexto", disse Pansera no programa.

Yousseff afirmou que o deputado buscava intimidá-lo ao pedir a quebra de sigilo telefônico e bancário de sua ex-mulher e duas filhas na CPI.

"O Paulo Roberto Costa envolveu a família dele. O Julio Faerman envolveu familiares dele. Dizem que o Duque envolveu a família dele. O Vaccari envolveu a cunhada. Temos um conjunto de pessoas que envolveram os familiares. A pessoa que mais movimento dinheiro, o Yousseff que fazia a lavagem de dinheiro, não colocou a família dele?", disse ele no programa.

O novo ministro disse que conheceu Cunha durante as eleições de 2014 e se aproximou do presidente da Câmara após ser eleito. Mas afirmou que nunca fez requerimentos a pedido do aliado.

"Imediatamente após a eleição, eu o procurei para me integrar antes da posse à bancada do PMDB em Brasília. Viajei o Brasil na campanha dele antes da minha posse para ajudá-lo a ser presidente da Câmara. Foi um grande ganho para o RJ e o Congresso Nacional", afirmou Pansera.

'BARGANHA'

Com passagens pelo PT, PSTU e PSB, Pansera foi eleito em 2014 em sua primeira disputa eleitoral. Ele faz parte do grupo político do prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff no Rio no ano passado.

O novo ministro foi presidente da Faetec por cinco anos e vice-presidente da instituição por outros dois. Durante sua gestão, ampliou o número de CVTs (Centros Vocacionais Tecnológicos), loteados por indicados políticos.

Ele era dono de um pequeno restaurante self-service em Duque de Caxias, chamado "Barganha". O novo ministro vendeu o comércio em julho deste ano, que passou a se chamar "Bistrô 25".


Em vídeo biográfico de campanha, Pansera disse que se alfabetizou sozinho lendo gibis. E que pediu, aos 7, uma caixa de engraxate ao pai para trabalhar.

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