segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Site do STF divulga por engano penas sugeridas por Barbosa


Documento com dosimetria foi tirado do ar. Pena de Valério seria de 12 anos e 7 meses de prisão

BRASÍLIA - Por um descuido do gabinete do ministro Joaquim Barbosa, o site do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou na sexta-feira as penas sugeridas pelo relator da ação penal do mensalão para parte dos réus condenados pelo crime de lavagem de dinheiro. A pena mais dura foi dada para Marcos Valério: 12 anos e sete meses de reclusão, além de 340 dias-multa, com cada dia-multa igual a 10 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 2,1 milhões.

A dosimetria - como é chamado o cálculo da pena - já foi retirada do ar. No site do STF, está disponível agora apenas o voto dado pelo ministro na semana passada, sem as penas sugeridas para cada réu. O relator também sugeriu penas de 10 anos de reclusão e 250 dias-multa para os ex-sócios de Valério: Ramon Hollerbach e Cristiano Paz. Para Rogério Tolentino, advogado de uma das empresas de Valério, a pena sugerida é a mesma. Barbosa estipulou sete anos e sete meses de reclusão, além de 180 dias-multa, para Simone Vasconcelos, ex-diretora financeira da agência SMP&B, de propriedade do grupo de Valério.

Para Kátia Rabello e José Roberto Salgado, dirigentes do Banco Rural na época, a pena prevista pelo relator é de 10 anos de reclusão, mais 250 dias-multa. Joaquim Barbosa atribuiu a divulgação da dosimetria, antes mesmo de ele se pronunciar a respeito, a um erro do seu gabinete. Informou também que as penas ainda podem mudar.
Na semana passada, o STF condenou por lavagem de dinheiro oito dos dez réus julgados no item 4 da denúncia do Ministério Público. Do núcleo publicitário, foram considerados culpados Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach, Rogério Tolentino e Simone Vasconcelos. Do núcleo financeiro (Banco Rural), foram condenados Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane.

Eles foram acusados de desenvolver um sistema de lavagem de dinheiro para ocultar e dissimular a origem e a distribuição de recursos a aliados da base do governo Lula e seus interlocutores, por meio de empréstimos fraudulentos do Rural ao PT e às empresas de Marcos Valério. Foram absolvidas Ayanna Tenório, ex-dirigente do Rural, e Geiza Dias, ex-gerente financeira da SMP&B.

Veja e o pecado capital do PT

O PT, em seus primórdios, também era atacado pela mídia 

Qualquer movimento popular que chega ao poder, pelas armas ou pelo voto, tem como preocupação central expor ao povo as razões de sua luta, suas motivações, suas energias fundamentais, seus propósitos, suas alianças, seus programas, suas estrategias e, principalmente, suas ações práticas, voltadas para atender os pressupostos básicos de sua filosofia política, em atendimento evidente à realidade segundo a qual a luta política é, essencialmente, luta de classes, que se expressa no controle político do Estado. Por isso, a providência imediata do movimento político antes e depois de chegar ao poder é o lançamento de sua própria publicação, tornando-a mais visível possível no plano da comunicação pública, de modo a disputar, no mercado das idéias, o seu lugar, engajando-se na luta ideológica.

É uma ingenuidade imaginar que se chega ao poder e nele se possa permanecer sem que as ideias que chegaram ao poder não disponham de um canal essencial para que sejam difundidas, em vez de esperar que essa tarefa seja realizada pela mídia sustentada, fundamentalmente, pelo capital bancário especulativo, por exemplo, como é o caso brasileiro, ao longo de toda a Nova República, substituta do regime militar, sob orientação do Consenso de Washington, ainda, predominante, nas suas formulações ideológicas.

Essas idéias são antigas e foram elas que levaram Getúlio ao suicídio, em 1954, como alternativa política para lutar contra a desnacionalização econômica. O lulismo-dilmismo, no poder, tenta manter uma estratégia nacionalista, utilizando os bancos estatais como porta-estandarte, que, agora, os próprios europeus, em colapso econômico, buscam imitar, como demonstra a repórter Assis Moreira, no Valor Econômico, nessa segunda feira. Igualmente, Barack Obama, no início da bancarrota financeira, em 2008, tentou o mesmo, defendendo um banco de fomento norte-americano para reverter a financeirização econômica desregulamentada, para salvar a economia sufocada pela especulação bancocrática privada. Por não ter controlado o sistema financeiro e imposto uma estatização do crédito, para sustentar a produção e o consumo, o colosso capitalista imperialista se encontra em apuro total.

Vale dizer, a solução de Getúlio Vargas, que criou o BNDES e o colocou a serviço dos investimentos no capitalismo nacional, continua sendo a luz pela qual os cegos se buscam pautar, enquanto a grande mídia anti-nacional, entreguista, bancocrática, insiste na sua loucura antinacionalista, tentando anular, politicamente, os agentes dessa estratégia, como foi o caso de Lula e, agora, de Dilma. Getúlio Vargas é solução global no plano econômico e político.

Cadê a imprensa nacionalista que o PT não criou para fazer o que a Última Hora, criada por Getúlio e editada por Samuel Wainer, fez em defesa dos interesses populares? Tremendo vacilo histórico da esquerda. Infelizmente, o PT não entendeu até hoje que o poder popular exige um jornal popular, maior lição de comunicação deixada por Getúlio, que jamais pagou para apanhar.

Uma suposta reportagem da Veja, na qual o publicitário Marcos Valério, sem dar entrevistas, “revelaria” seus segredos em que “incriminaria” Lula como o responsável pelo chamado mensalão – uma grosseira montagem – faz surgir novamente, com força, a necessidade de um jornal popular, democrático, de massas.
Sem ele, as forças progressistas ficam reféns, inertes e sem qualquer capacidade de resposta diante da verdadeira campanha de demolição de Lula, do PT e dos valores políticos defendidos pelas forças populares.

Nos países em que há governos populares na América Latina, foram criados mecanismos de comunicação popular, seja com nova leis de comunicação, como na Argentina, Venezuela e Equador, fortalecendo a TV e o rádio públicos, mas também houve o florescimento de jornais populares com capacidade de fazer a batalha de idéias com a imprensa conservadora sistematicamente sintonizada com as ideologias e os interesses dos EUA, e dos oligarcas nativos.

A decisão recente da Secom de inverter a política de distribuição descentralizada das verbas publicitárias federais da era Lula, que alcançavam numerosas cidades, veículos, inclusive os de menor porte, é um retrocesso. Favorece os conglomerados de mídia que estão em campanha permanente, sonhando com a desestabilização do governo Lula e agora da Dilma, e também com a inviabilização definitiva de Lula., com a novela do ‘mensalão’.

É pagar para apanhar.
Enquanto isso, não se fortalece a comunicação pública e estatal, prevista na Constituição, pois o governo não avança na aplicação do artigo 224 da Constituição.
Nem é preciso esperar um novo marco regulatório para isto, é preciso aplicar o princípio constitucional na distribuição de novas concessões de rádio e tv que privilegie a comunicação pública, visando claramente alcançar o equilíbrio com a comunicação privada, escandalosamente predominante, seja em número de concessões, seja no maior bocado de verbas publicitárias – recursos públicos – que o governo lhe presenteia.

São exatamente estes conglomerados, representantes do capitalismo informativo/desinformativo, que querem golpear a Voz do Brasil, programa que enorme audiência, talvez o único a fornecer informações sem o crivo deformado do mercado para uma grande massa de brasileiros, em todos os grotões deste país, massa que é praticamente proibida da leitura de revistas e jornais.

É preciso apoiar a decisão da Liderança do PT na Câmara Federal, que retirou este projeto apadrinhado pela ABERT da pauta de votações. Sua aprovação seria grave retrocesso no direito de informação do povo brasileiro e um golpe contra uma experiência positiva e concreta de regulamentação informativa hoje em prática no país.

Para completar, TVs e Rádios comunitárias são impedidas do acesso a mídias institucionais.
Porém, havendo decisão política, o sonho de um novo jornal como o Última Hora, não é algo tão inalcançável.

Aliás, os congressos do PT já aprovaram a construção de um jornal de massas. Só falta aplicar. Quem elege três vezes um presidente da República, tem força e apoio para esta nova empreitada democratizadora , indispensável, urgente.
Beto Almeida é jornalista.

Novas denúncias ferem a credibilidade da Ação Penal 470 e da mídia conservadora


Às vésperas do início de mais um capítulo no julgamento do caso conhecido como ‘mensalão’, duas denúncias vêm à tona e comprometem tanto a credibilidade da Ação Penal (AP) 470 quanto da revista semanal de ultradireita Veja, uma das principais expressões da mídia conservadora no país. Na principal delas, veiculada na página Megacidadania na internet, editada por Alexandre César Costa Teixeira, que integra os quadros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, os pilares da acusação de que teria havido a compra de votos de parlamentares com dinheiro público são abalados com a divulgação de “uma carta mentirosa”.

Costa Teixeira alinhava documentos que envolvem o ex-vice-presidente de Varejo do Banco do Brasil, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, titular da diretoria que controla os cartões de crédito Ourocard, a BB-Cartões. Antonio Luiz Rios da Silva, “antes de sua saída do BB”, nomeou como diretor de Verejo Fernando Barbosa de Oliveira, que foi um dos três funcionários do Banco que a Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) dos Correios recomendou que fossem indiciados pela Procuradoria Geral da República.
“Mas Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (então procurador-geral) resolveu ‘poupá-los’, exatamente os nomeados na era FHC, indiciando somente o petista”, afirma.

Nesta carta assinada por Rios da Silva, na qual presta informações tanto à Polícia Federal quanto aos parlamentares, o teor difere dos contratos que deveriam abalizar a denúncia:

“E esta carta mentirosa do ‘tucano’ ditou, influenciou e/ou moldou todos os pareceres, perícias e fundamentalmente a própria ‘denúncia’ da PGR/MPF, bem como a argumentação do relator Joaquim Barbosa que por sua vez ‘convenceu’ o plenário do STF. Ninguém, repetimos, absolutamente ninguém, nem o PGR/MPF e nem o relator, se deram ao trabalho de observar a regra básica de uma relação de mercado, o respeito ao contrato”.

Segundo a denúncia de Costa Teixeira, “existia um contrato que normatizava a relação da Visanet com seus sócios, os diversos bancos, sendo o maior acionista da Visanet o Bradesco”. Antônio Fernando Barros não foi imediatamente encontrado pela reportagem do Correio do Brasil, para se pronunciar sobre a recente denúncia em que está envolvido.
Para o jornalista Miguel Baia Bargas, editor do Blog Limpinho & Cheiroso – que concentra uma das maiores audiências do país – a denúncia cita outro episódio na história do país:
Bargas lembra que, neste domingo, “faz 59 anos que Carlos Lacerda, baseado numa carta forjada, acusava João Goulart de querer instalar no Brasil uma república sindicalista. A carta que teria sido escrita pelo deputado argentino, Antonio Brandi, falava de supostos entendimentos feitos com o presidente, Juan Perón, envolvendo a implantação de uma república sindicalista e contrabando de armas da argentina para o Brasil. Com a repercussão da noticia na grande mídia, deputados da oposição pediram a abertura de uma CPI para apurar o caso. Só muitos meses depois ficou comprovado que o documento era falso”.

“Mas ai o estrago já estava feito. Este tipo de pratica política de produzir denúncias com provas falsas ou declaratórias voltou a ser utilizada a cada nova eleição. Isso tem provocando o descrédito na política e na democracia brasileira, abrindo espaço para políticos aventureiros totalmente descolados dos partidos e de compromissos políticos. Como afirma Pierre Norra, os empresários da comunicação no Brasil sabem que multiplicar o novo, fabricar o acontecimento, degradar a informação, são seguramente os meios de defender seus interesses”, acrescentou.

Relações complicadas
Dilma estaria arrependida de marcar o encontro com o dono da Veja
A outra denúncia que circulou neste domingo é ainda mais cáustica para o tecido político nacional e enterra os últimos traços de credibilidade do principal título de propriedade da Editora Abril S/A. A capa da última edição de Veja, que circulou nas bancas, neste fim de semana, traz o título: Os segredos de Valério. A reportagem contém uma declaração atribuída ao empresário Marcos Valério, imediatamente desmentida pelo advogado do réu na AP 470, sobre o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no episódio do ‘mensalão’:
“Desde 2005 Marcos Valério não dá entrevista e não deu nenhuma entrevista para a revista Veja. Ele nega o teor das declarações atribuídas a ele”, afirmou o advogado Marcos Leonardo. Sem uma só entrevista gravada ou a citação de qualquer nome, a não ser o da personagem que desmente todas as informações da revista, Veja se baseia em “revelações de parentes, amigos e associados” para colocar sob a responsabilidade do empresário a afirmação de que “Lula era o chefe”. A frase, diz o texto assinado pelo jornalista Rodrigo Rangel, teria sido repetida por Valério “com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo (Supremo Tribunal Federal) STF”.

Capa da última edição de Veja, sobre o 'mensalão'
A reportagem, conforme anuncia a revista, “tem cinco capítulos”. O primeiro deles, publicado nesta semana, já foi suficiente para que o Planalto mudasse o tom com a revista, frequentada pela presidenta Dilma Rousseff, que concedeu uma entrevista exclusiva para a publicação que integra o “Grupo dos 10″ veículos de comunicação que mais recebem recursos públicos do Palácio do Planalto.

“O constrangimento foi geral, a ponto de o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no melhor estilo dos jogadores de futebol que reprovam o técnico ao serem preteridos, sair do salão de eventos do hotel Unique, em São Paulo, na sexta-feira 15, meneando a cabeça. Pela manhã, por volta das 10h00, sob a elegante justificativa de não ter um membro de sua família para acompanhá-la, a presidente Dilma Rousseff cancelou compromisso pré-agendado com Civita para o almoço. Pouco mais tarde, durante o evento Maiores e Melhores, da revista Exame do mesmo Civita, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, levatou-se sem prévio aviso da mesa de debates da qual participava, ao lado do prêmio Nobel de Economia Paul Krugman e, outra vez, do próprio Civita, para se retirar em definitivo do recinto, diante de dezenas de empresários”, pontuou a página de notícias na internet 247, neste domingo.

“Os dois gestos foram imediatamente compreendidos como um protesto do governo pela matéria de capa da revista Veja Os Segredos de Valério, que iria circular no dia seguinte”, afirma o site. “A informação do conteúdo em tudo agressivo contra o ex-presidente Lula e o PT circulou para o governo, que, com a batida em retirada, deu o tom de como serão, doravante, as relações institucionais com o Grupo Abril de Civita”, presumiu.

Kassab aparece entre os piores em ranking de prefeitos de capitais

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), está em 21º lugar no ranking dos prefeitos das capitais feito pelo Ibope. Ele tem saldo negativo de 24%, pois há mais paulistanos que julgam seu governo ruim ou péssimo (44%) do que bom ou ótimo (20%). Kassab tem oscilado dentro desse patamar desde  o começo do ano. Nem a propaganda da campanha de José Serra (PSDB) na TV, elogiando o prefeito, conseguiu melhorar sua avaliação.

Há um empate na liderança do ranking: Nelsinho Trad (PMDB), de Campo Grande (MS), e Raimundo Angelim (PT), de Rio Branco (AC), têm 61% de saldo. Nenhum dos dois concorre à reeleição, mas os candidatos a prefeito apoiados por eles são líderes na pesquisa de intenção de voto do Ibope.

Eleição na Serra: Favoritismo de Audifax anima suplente Camilo Cola

Fora da Serra, também tem gente torcendo pela vitória do deputado federal Audifax Barcelos (PSB), que lidera a corrida na cidade, conforme pesquisas publicadas neste fim de semana. 

Em Cachoeiro de Itapemirim, o empresário e deputado federal Camilo Cola (PMDB) acompanha com especial atenção a acirrada disputa na Serra. 
Se Audifax for eleito prefeito, terá que renunciar ao mandato de deputado. Ai Camilo como primeiro suplente da coligação (PT/PSB/PMDB) assume a vaga em definitivo. 

Na última eleição, Audigax foi o mais votado para a Câmara, entre os dez deputados do ES. Obteve 161.856 mil votos. 
Camilo não se reelegeu para Câmara por falta de cinco mil votos. Ele ganhou a primeira suplência com 70.285 mil votos. 

Apesar de ser beneficiado, Camilo não pretende ajudar financeiramente o socialista. A assessoria do peemedebista informou que não recebeu pedido de doação. Mas se receber irá negar. 

Eleição em Vitória: Porque a petista Iriny Lopes não decola?


Apesar do apoio dos governos federal, estadual e municipal, a candidatura petista Iriny Lopes a prefeitura da capital do ES continua estacionada em terceiro lugar.

Como se explica a estagnação da deputada federal nesta campanha? ela é ex-ministra de Dilma, e a única mulher na corrida pela principal prefeitura do estado.
No poder há oito anos, o partido não se preocupou em construir lideranças na capital.
Talvez porque o prefeito João Coser tivesse o propósito de colocar o PT a reboque de outras siglas, de olho na eleição de 2014. 

O plano fracassou. Mas se não fosse Iriny, quem seria a bola da vez? A deputada também não faz a sua parte; até agora não disse a que veio, porque deseja ser prefeita? e o que tem de novo para oferecer? 
Pelas mensagens veiculadas, principalmente na TV, ela espera que votem nela apenas porque é mulher e ex-ministra de Dilma. 

Isso é pouco para se eleger, ainda mais numa corrida onde um adversário mostra ter experiência administrativa, e o outro diz a toda hora que "a gente quer mudança....". (Foto Iriny com o governador Casagrande)
  

Gurgel relativiza declarações de Valério e lembra que nada mais pode ser incluído no processo do mensalão


Débora Zampier
Brasília – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje (17) que as declarações do publicitário Marcos Valério, réu do processo conhecido como mensalão, devem ser analisadas “com muito cuidado”. No último fim de semana, a revista Veja publicou supostas revelações de Valério a amigos indicando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia do esquema de compra de votos de parlamentares.
“Esse tipo de declaração, no momento em que acontece, no momento em que já se vê a síntese das condenações [no julgamento da ação], temos que analisar com muito cuidado”, disse Gurgel, ao chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), no início desta tarde, para a vigésima quarta sessão do julgamento do mensalão.
De acordo com o procurador, o Ministério Público Federal (MPF) está concentrado na conclusão do julgamento da Ação Penal 470 e, mesmo que as afirmações de Marcos Valério sejam procedentes, os fatos novos não poderiam ser inseridos neste processo.
O procurador lembrou ainda que, como não tem mais cargo que motive foro privilegiado, o ex-presidente Lula só poderia ser investigado e julgado no aparelho jurídico de primeira instância. Para Gurgel, apesar de “importantes”, as colocações atuais de Valério não são suficientes para um novo inquérito e é preciso “dar mais consistência” ao que o publicitário diz.
“Não se sabe exatamente que tipo de jogo está sendo feito neste momento. [Marcos Valério] É uma pessoa que, ao longo de toda a participação dele neste processo, deixou claro que é um jogador. É preciso ver que tipo de jogo está sendo feito”, analisou Gurgel.
O procurador ainda disse que vai insistir para que, em caso de condenações, as sentenças sejam cumpridas imediatamente. Perguntado se irá pedir o passaporte dos envolvidos para evitar fugas, Gurgel disse que “isso é até menos do que o requerimento de prisão”.

Barbosa afirma que houve compra de votos no Congresso e sinaliza condenação de réus


Débora Zampier
Brasília – O ministro Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal (STF), acredita que houve esquema de compra de votos no Congresso Nacional, o chamado mensalão. Apesar de não ter concluído sentenças para cada réu, o ministro já indica que deve condenar grande parte dos acusados desta etapa, em que se analisa o sexto capítulo da denúncia do Ministério Público Federal (MPF).
Barbosa começou seu voto com um quadro geral sobre as acusações do Capítulo 6, que trata dos crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, envolvendo os partidos da base aliada do governo entre 2003 e 2004.
De acordo com o relator, por mais que as defesas neguem, há prova robusta, incluindo depoimentos de peças-chave no processo, de que houve transferência de cerca de R$ 55 milhões do esquema, viabilizado pelo publicitário Marcos Valério, ao PP, PL (atual PR), PTB e PMDB.
“A listagem apresentada por Marcos Valério e Simone Vasconcelos, contendo os nomes dos beneficiários, foi reconhecida por Delúbio Soares como verdadeira em vários momentos”, disse Barbosa, argumentando que não importa o que foi feito com o dinheiro, pois a corrupção já estava configurada.
O ministro também desqualificou depoimentos de testemunhas indicadas pelos advogados de defesa, pois segundo o ministro, muitos eram amigos dos réus há pelo menos 40 anos e não tinham “compromisso de dizer a verdade”. Barbosa disse que a situação não é caso de falso testemunho e, sim, de pessoas que não participavam dos fatos e que, portanto, não podiam depor na condição de testemunhas.
Após um panorama geral do capítulo, Barbosa começou a analisar o crime de corrupção passiva imputado aos réus ligados ao PP: os então deputados Pedro Corrêa e Pedro Henry e o assessor João Cládio Genu. De acordo com o ministro, o PP fazia oposição ao governo na época e só começou a receber dinheiro do PT com o fim específico de apoiar o governo no Congresso.
“Como se nota em todo contexto, não teve motivo, senão o envolvimento de Pedro Henry, Pedro Corrêa e José Janene, que explicasse o interesse do PT em realizar repasses milionários de dinheiro aos parlamentares do PP. Receberam dinheiro em razão da função parlamentar, em troca de sua fidelidade nas votações. E o recebimento de recursos em proveito próprio ou para o partido é vantagem indevida”, completou Barbosa. José Janene, vice-líder do PP na Câmara dos Deputados na época dos fatos, morreu em 2010.
O relator, agora, continua a análise das acusações contra os réus ligados ao PP sobre o crime de lavagem de dinheiro. Nesta etapa, os réus do PP são acusados de usar as empresas Bônus Banval e Natimar para ocultar a origem e o destino dos recursos.

Aneel define em novembro quanto tarifa de energia vai cair


As concessionárias de geração e transmissão de energia têm até 1º de novembro para assinar os requerimentos de prorrogação das concessões, documento que definirá os preços da tarifa e os valores de indenização às empresas. O prazo consta da regulamentação da medida provisória que trata das concessões - e da redução dos encargos aplicados ao setor – publicada na edição de hoje (17) do Diário Oficial da União.
A presidenta Dilma Rousseff anunciou na semana passada pacote de medidas para reduzir a conta de luz no país a partir de 2013. De acordo com o governo, as reduções variarão de 16,2% a 28% para consumidores individuais e industriais, respectivamente.
Caberá à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a definição do percentual de redução da tarifa e dos valores de indenizações. As concessionárias de geração deverão apresentar garantias de que o fornecimentos de energia e de potência das usinas hidrelétricas serão disponibilizados para contratação em regime de cotas (para diferentes tipos de consumidores, como indústrias e individuais).
As empresas que decidirem continuar como concessionárias terão de assinar um contrato ou um termo aditivo garantindo que cumprirão as condições previstas no prazo de 30 dias, contados a partir da convocação pelo governo federal. O não cumprimento do prazo resultará na impossibilidade de prorrogação da concessão “a qualquer tempo”.

Em visita a estaleiros, Dilma Rousseff diz que país vai resgatar indústria naval


Em visita aos locais de construção das plataformas P-58 e P-55, nos Estaleiros Quip e Rio Grande, em Rio Grande (RS), a presidenta Dilma Rousseff disse hoje (17) que os empreendimentos farão com que o país resgate a indústria naval.
Em discurso para trabalhadores responsáveis pelas obras, a presidenta destacou a importância do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a retomada dos investimentos no setor naval. “Tive a honra de com ele [Lula] e com a Maria das Graças Foster [presidenta da Petrobras] tomar a decisão de que o Brasil não podia continua exportando emprego. E aqui estão vocês. Mostra que isso não só é possível, mas que isso aconteceu porque milhões de reais foram colocados aqui e esses milhões de reais vão servir para que nós voltemos a ter uma indústria naval de alta qualidade”, disse.
“Espero voltar aqui outras vezes e fazer um grande discurso explicando o porquê deste estaleiro Rio Grande. São grandes as oportunidades que este país construiu. E tem uma pessoa que não está aqui hoje e a quem devemos este estaleiro, que é o ex-presidente Lula”, acrescentou Dilma.
De acordo com a Petrobras, a P-55, com início de operação previsto para setembro de 2013, terá capacidade de produzir até 180 mil barris de petróleo e seis milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Depois da série de visitas aos estaleiros, Dilma volta à capital federal.

Nova etapa do julgamento do mensalão inclui réus do núcleo político


Começou há pouco no Supremo Tribunal Federal o julgamento da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão, a vigésima quarta sessão dedicada exclusivamente à ação. Os ministros da Suprema Corte começam hoje (17) a analisar se houve pagamento de propina a parlamentares da base aliada em troca de apoio ao governo, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de onde veio o termo "mensalão" usado pela imprensa.
No início da sessão, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, fez um pequeno balanço sobre o último item julgado pelos ministros. Na ocasião, o tribunal condenou oito dos dez réus dos chamados núcleos financeiro e publicitário por lavagem de dinheiro.
A etapa do julgamento que começa nesta segunda trata dos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro entre os partidos da base aliada do governo, devido a fatos ocorridos de 2003 a 2004. O capítulo inclui 23 dos 37 réus de todo o processo e é a maior fatia do julgamento. O Ministério Público (MP) denunciou um esquema de compra de apoio de deputados do PP, PTB, PL (atual PR) e PMDB.
O ministro-relator da ação, Joaquim Barbosa, explicou que vai dividir seu voto por etapas, segundo os quatro tipos de crime desta fase. Ele começará pelo crime de corrupção passiva – dividido entre quatro partidos – e, depois, seguirá para as acusações de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa.
De acordo com a acusação elaborada pelo MP, José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno “articularam, ofereceram e, posteriormente, pagaram vultosas quantias a diversos parlamentares federais, principalmente os dirigentes partidários”, para conseguir apoio político para votar projetos de interesse do governo, em especial, as reformas tributária e da Previdência em 2003.
Segundo a denúncia, foram distribuídos R$ 4,1 milhões ao PP, R$ 10,8 milhões ao PL, R$ 5,5 milhões ao PTB e R$ 200 mil ao PMDB. O MPF informa que o repasse das verbas era feito de diversas formas: por saques dos próprios parlamentares ou seus assessores no Banco Rural, com a ajuda de integrantes do grupo de Marcos Valério, ou por meio de empresas usadas para lavar o dinheiro.
Confira os réus que serão julgados nesta etapa e os crimes aos quais respondem no Capítulo 6:
1) José Dirceu – corrupção ativa
2) José Genoíno – corrupção ativa
3) Delúbio Soares – corrupção ativa
4) Marcos Valério – corrupção ativa
5) Ramon Hollerbach – corrupção ativa
6) Cristiano Paz – corrupção ativa
7) Rogério Tolentino – corrupção ativa
8) Simone Vascolcelos – corrupção ativa
9) Geiza Dias – corrupção ativa
10) Anderson Adauto – corrupção ativa
11) Pedro Corrêa – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
12) Pedro Henry - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
13) João Cláudio Genu - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
14) Enivaldo Quadrado – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
15) Breno Fischberg – lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
16) Valdemar Costa Neto - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
17) Jacinto Lamas - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
18) Antônio Lamas - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
19) Bispo Rodrigues - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
20) Roberto Jefferson - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
21)Emerson Palmieri - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
22) Romeu Queiroz - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
23) José Rodrigues Borba - corrupção passiva e lavagem de dinheiro

Receita inicia cobrança de R$ 86 bilhões de dívidas vencidas



A Receita Federal anunciou um conjunto de ações de cobrança em três frentes a fim de arrecadar R$ 86 bilhões em débitos vencidos, acumulados por pessoas físicas e jurídicas nos últimos cinco anos. O órgão enviará a partir de hoje (17) correspondência às micro e pequenas empresas inscritas no Simples Nacional (regime simplificado de apuração de tributos), aos inadimplentes beneficiados pelo refinanciamento de dívidas previsto na Lei 11.941/2009 e aos 317 contribuintes que devem acima de R$ 10 milhões ao Fisco.
De acordo com Carlos Roberto Occaso, secretário de Arrecadação e Atendimento da Receita Federal, os contribuintes em atraso terão 30 dias, a partir do recebimento dos avisos, para quitar os débitos. Caso contrário, perderão os benefícios dos regimes especiais nos quais estão inscritos, em se tratando do Simples e da Lei 11.941. Já o grupo de 317 grandes devedores estará sujeito a penalidade, como arrolamento de bens para garantia de pagamento da dívida, rescisão de contratos com o Poder Público e cassação de benefícios. As cartas estão sendo enviadas a partir de hoje pelos Correios.
A regularização pode ser feita acessando a página do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-Cac), que emite guia de pagamento. No caso do Simples, os devedores devem acessar a página do programa. Carlos Occaso destaca que não há necessidade de comparecer às unidades da Receita Federal para quitar as dívidas.  
O Simples Nacional tem 441.149 micro e pequenas empresas inadimplentes, de um total de 4,326 milhões. No total, devem R$ 38,7 bilhões ao Fisco. Caso não quitem as dívidas em 30 dias, os empresários serão excluídos do sistema especial e, como consequência, não poderão recolher tributos federais, estaduais e municipais em um pagamento único a partir de 1° de janeiro de 2013.
As 100.424 pessoas físicas e jurídicas optantes pela Lei 11.941/2009, que devem R$ 5,3 bilhões à Receita, perderão a oportunidade de pagar os débitos com abatimento de até 90% da multa e até 40% dos juros. Caso ignorem o aviso da Receita, terão o passivo total cobrado, sem benefícios, a partir do ano que vem.
No caso dos grandes devedores, as 15 pessoas físicas e as 302 pessoas jurídicas que não regularizarem o débito serão procuradas por um delegado da Receita Federal, que informará sobre as medidas coercitivas, como arrolamento de bens e rescisão de contratos com órgãos públicos. A Receita informou que o maior débito de pessoa física é R$ 43 milhões e a dívida mais elevada de pessoa jurídica é superior a R$ 1 bilhão. No total, o grupo de contribuintes deve R$ 42 bilhões aos cofres públicos.
O secretário Carlos Occaso negou que as ações de cobrança tenham relação com a necessidade do governo de reforçar o caixa por causa da crise internacional e a concessão de desonerações fiscais para incentivo à economia. "Essas ações não têm nenhuma vinculação com crise ou queda de arrecadação. Fazem parte do processo de melhoramento das ações da Receita Federal."

FHC foi mais omisso que Lula ao extinguir comissão de investigação?


FHC foi mais omisso que Lula e extinguiu comissão de investigação. 
Tucanos acreditavam que a melhor forma de combater a corrupção era reduzindo o tamanho do Estado.
Para cumprir esse projeto, não se importaram em fazer vistas grossas ao que ocorria no interior e no entorno do governo federal. (Nelson Breve)

Por Nelson Breve | Data: 28/10/2006
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus seguidores do PSDB e do PFL não se cansam de apontar o governo Lula como conivente com a corrupção, que teria alcançado, segundo eles, uma escala jamais vista na história do país. A favor dessa acusação contam com o espetáculo das denúncias que ocorreram na atual gestão do governo federal. Da renovação do contrato da Caixa Econômica Federal com a multinacional Gtech (Caso Waldomiro Diniz) às licitações fraudulentas para compra de ambulâncias com recursos do Orçamento Federal (Esquema das Sanguessugas). Passando pelos repasses ilegais de recursos a partidos e parlamentares, a pedido de dirigentes do PT, por intermédio de um lobista, proprietário de uma agência de publicidade contratada pelo governo federal (Mensalão). Sem falar na frustrada tentativa de compra de um dossiê com recursos de origem desconhecida para atacar candidatos tucanos na campanha eleitoral (Caso Dossiê).

Contra a avaliação da oposição, ministros do atual governo arrolam o diagnóstico feito pelo insuspeito ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles na prestação de contas realizada no ano passado e publicada este ano pela Escola Superior do Ministério Público da União sob o título “Visão do Biênio 2003 – 2005”. Para ele, o afloramento dos casos de corrupção no atual governo foi uma decorrência de um inédito processo de interação entre os serviços de investigação da administração pública e o Ministério Público Federal. “O que acontece é que, pela primeira vez interagindo as instâncias governamentais de investigação e o MPF, a corrupção acumulada por décadas vem à mostra. (...) incisão é feita no tecido social apodrecido e o pus da corrupção é posto para fora, a olhos vistos”, reconhece Fonteles, registrando que o governo anterior alimentava o antagonismo entre essas instituições.

O governo anterior nunca teve um compromisso forte com o combate à corrupção. Isso não significa, necessariamente, que tenha ocorrido conivência com o roubo de dinheiro público, o tráfico de influência ou outros tipos de improbidade administrativa. Fernando Henrique e seus principais assessores acreditavam que a melhor forma de reduzir a corrupção na administração pública era reduzindo o tamanho do Estado. Para cumprir esse projeto, que consideravam mais apropriado aos tempos modernos, não se importaram em fazer vistas grossas ao que ocorria no interior e no entorno do governo federal. Os escândalos eram resolvidos com afastamentos e demissões, nunca com investigações independentes e profundas. Para executar com sucesso o plano de estabilização econômica e Reforma do Estado era necessário, na avaliação deles, não deixar ventos semearem tempestades. Por isso, controlavam com mão-de-ferro a Polícia Federal, o Ministério Público e o Congresso, não permitindo a instalação de CPIs incômodas.

Operações abafa
Não faltaram denúncias de corrupção no governo FHC. Primeiro foi o Caso Sivam. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra. Depois foram os casos de intervenção do Banco Central nos Bancos Econômico e Nacional, que teriam funcionado por vários meses com ajuda federal, mesmo depois de quebrados. Agravado pelo Caso da Pasta Rosa, no qual o dono do Banco Econômico guardava a relação das contribuições de campanha que fazia pelo caixa dois, quase virou objeto de uma CPI. Mas o governo impediu que fosse instalada mesmo tendo as assinaturas necessárias. Caixa dois nas campanhas de para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição do presidente que estava no cargo, alterando as regras com o jogo em andamento.

O escândalo da privatização do Sistema Telebrás derrubou ministros e graduados funcionários do governo tucano, mas jamais foi apurado devidamente. Grampos telefônicos divulgados revelaram que o governo procurou direcionar o resultado do leilão, com irresponsabilidade administrativa e abuso de poder, no mínimo. E com o conhecimento do presidente, conforme declarações do próprio ministro das Comunicações da época, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que posteriormente foi dirigente nacional do PSDB. “Porque tudo que está envolvido aí o presidente foi mantido a par... Evidentemente que nós não fizemos essa intervenção no consórcio sem avisá-lo. Foi uma decisão minha, do André, mas ele foi avisado porque era um negócio não normal”, revelou Mendonça de Barros em entrevista à revista IstoÉ. Alguém pode imaginar o que aconteceria com o presidente Lula se algum ex-ministro dele fizesse uma confissão semelhante?

A oposição até que fez barulho, tal qual os atuais oposicionistas. Denunciaram, colheram assinaturas para instalação de CPI. Mas, em nome da governabilidade, até porque o país tinha acabado de ver sua moeda desvalorizada em cerca de 20% e estava sob forte instabilidade econômica, foram usados todos os métodos do receituário governista para impedir uma investigação, especialmente no âmbito do Congresso. “CPI é palanque eleitoral’, justificavam, os líderes governistas da época. O governo teve de usar, inclusive, uma manobra que chega ao cúmulo do absurdo. Manteve funcionando por anos na Câmara algumas “CPIs fantasmas”, como as da crise da borracha e da TORMB, que vem a ser uma taxa paga pela produção de borracha. Essas CPIs, que não produziram resultado algum em benefício do país, bloquearam a instalação de outras com o objetivo deliberado de impedir a instalação da CPI da privatização da Telebrás.
Investigação, mesmo, só sobre a origem dos grampos ilegais que revelaram os crimes cometidos por funcionários públicos que conduziam a maior privatização da história do país.

Teve ainda as falcatruas na Sudam e na Sudene, os ralos do DNER, o rombo da Encol, os desvios de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e as operações de socorro aos bancos Marka e FonteCindam, que foram surpreendidos com a desvalorização cambial de janeiro de 1999 porque o canal de informações privilegiadas com que contaram por muito tempo falhou. Sem falar no caso do lobista que denunciou extorsão por parte de funcionários do Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro José Serra e acabou acusado de oferecer propina para facilitar a compra de medicamentos de determinados laboratórios. Não há registro de que alguém tenha sido condenado por quaisquer desses casos. Simplesmente porque eles nunca foram apurados com seriedade.

Fim do controle externo
Essa determinação de abafar os escândalos de corrupção pode ser originalmente percebida em um dos primeiros gestos de FHC. Duas semanas após assumir a Presidência, em 1995, ele extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação (CEI), instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo investigar um conjunto de denúncias de corrupção e propor medidas para combater os desvios de conduta na Administração Pública. A Comissão havia sido criada pelo presidente Itamar Franco no calor da CPI do Orçamento e da pressão do Movimento pela Ética na Política (OAB, ABI, CNBB, CUT, PNBE). Foi a primeira experiência de controle social, externo, da corrupção, em contraposição ao controle corporativo. Era independente e com amplos poderes para ajudar a sanear a administração Pública Federal. Instalada em 4 de fevereiro de 1994, tinha poderes para determinar suspensão de procedimentos ou execução de condutas suspeitas, recomendar investigações, auditorias e sindicâncias e propor ao presidente da República providências, inclusive legislativas, para coibir fatos e ocorrências contrárias ao interesse público.

No fim do governo Itamar, a CEI apresentou um relatório mostrando a tipologia das fraudes praticadas em três ministérios. A formulação de custos excessivos pela Gerencia de Custos Rodoviários do DNER para usar como referência nas licitações e elaboração do orçamento, causando superfaturamento; aditamento de contratos; inexistência de fiscalização de obras e serviços; fraudes em convênios de repasses de recursos a estados e municípios; pacotes fechados das empreiteiras, que ofereciam obra a prefeitos com promessa de financiamento da Caixa, faziam edital de concorrência e se responsabilizavam pela liberação dos recursos, que tinham acréscimos de até 300%. A Comissão já apontava, no fim de 1994, problemas nas contas CC5, de estrangeiros, indicando remessas suspeitas de lavagem de dinheiro no valor de US$ 11 bilhões.

Na Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde as denúncias já haviam derrubado vários dirigentes por supostos pagamentos de propinas e falsificação de assinaturas para registro de alimentos, medicamentos e cosméticos. Na época, doze mil produtos aguardavam registro no Ministério da Saúde para serem comercializados. No inquérito da CEI sobre a SVS, a indústria farmacêutica aparecia como suspeita de práticas de corrupção. Porém, a Comissão foi extinta sem que tivesse sido concluído nenhum dos inquéritos que apuravam as denúncias do setor. Eis aí o embrião dos esquemas que resultaram nas sanguessugas e vampiros e que já vinha impregnado desde o governo Collor. As primeiras denúncias do tráfico de influência de PC Farias ocorreram no Ministério da Saúde.

Corrupção endêmica
O relatório elaborado pelo professor Candido Antonio Mendes de Almeida, reitor da Universidade Candido Mendes, do Rio de Janeiro, concluía que a corrupção não é uma questão de governo, mas de Estado. Além de vontade política para instituir mecanismos permanentes de combate à corrupção sistêmica, o governo deveria tratá-la como política de combate à criminalidade e convocar a cidadania para assumir o seu papel de controladora social nessa luta. “É imprescindível que a sociedade tome consciência de que a corrupção é um fenômeno permanente, latente na estrutura do poder estatal. A luta contra ela, portanto, não se esgota na identificação de seus focos e punição de corruptos e corruptores. Ao invés, é ampla e envolve um constante esforço no sentido de retemperar e preservar, na coletividade, o sentimento de integridade pública”, constatava o relatório da CEI.

No entanto, além de extinguir a Comissão por meio do decreto 1.376/95, o presidente FHC engavetou o Código de Ética Profissional dos Servidores Públicos instituído pelo antecessor e acabou com as comissões de ética que já estavam instaladas nos ministérios. O acervo documental proveniente de diligências e investigações realizadas pela CEI deveria ficar sob a guarda do Ministério da Justiça e a Secretaria Federal de Controle do Ministério da Fazenda (antecessora da Controladoria-Geral da União) ficaria encarregada dos procedimentos sobre diligências e investigações, a propósito de fatos, atos e contratos, relativos a órgãos ou entidades da Administração Pública Federal direta e indireta.

Em discurso proferido no Senado em 14 de setembro de 1995, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que ainda no início do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, disse-lhe pessoalmente que sua assessoria o havia levado a “cometer um equívoco, que foi o de extinguir a Comissão Especial de Investigação - CEI, no combate à corrupção na coisa pública”. Ele lembrou que Itamar Franco havia deixado com o sucessor os dossiês com os 47 processos que haviam sido apurados. “A um pedido meu de informação, a resposta veio do Ministério da Justiça: extinguiu a CEI, extinguiu a Comissão. Sem mais nem menos, sem explicar por que, baixou um decreto extinguindo a Comissão. Mandou os processos, dizem, para o Ministério da Justiça. Pergunto ao Ministério da Justiça e este me responde que ainda não os recebeu. São 20 caixas que estão lá no Ministério da Administração. Fui ao presidente e aconselhei-lhe reabrir a CEI. Argumentei: é um grupo que vossa excelência escolherá, será composto de pessoas do mais alto gabarito, pessoas17/09/12 Matéria - FHC foi mais omisso que Lula e extinguiu comissão de investigação de fora do governo e de sua confiança, diretamente ligado a vossa excelência, para que vossa excelência não fique sabendo, a posteriori, através dos jornais, o que está acontecendo.
Nenhuma palavra (de FHC)”, relatou Simon, que naquela oportunidade apontava quatro casos de denúncias de condutas incompatíveis envolvendo conflitos de interesses de funcionários de alto escalão do governo.

A crítica do senador é compartilhada pelo advogado Modesto Carvalhosa, um dos brasileiros notáveis que integrou a Comissão. Na introdução do Livro Negro da Corrupção, onde são publicadas na íntegra os relatórios da CPI de PC Farias e da CEI sobre a corrupção na Administração Pública Federal, ele considera que a forma mais efetiva de combate à corrupção é o controle social sobre os fatos e contratos administrativos e suas conexões com o mundo político.  “Não obstante, o presidente FHC ao extinguir a CEI logo na primeira semana de seu governo, sem ouvir qualquer segmento da sociedade civil, eliminou esse controle social, entregando o precioso acervo de provas e conclusões da CEI à ‘guarda’ do mais acendrado corporativismo incrustado nos Ministérios da fazenda e da Justiça, para onde foram remetidas”, condenou Carvalhosa.

A despeito dessas considerações feitas na vigência do governo anterior, outro integrante da mesma Comissão não acredita que a instituição de um colegiado como aquele traga eficácia ao combate à corrupção nos tempos atuais. Trata-se do relator daquela CEI, professor Candido Mendes, que considera que a corrupção tornou-se um fenômeno social total, impregnado nas instituições governamentais e na sociedade. Para ele, o Brasil vive um “estado devastador de desmoralização cívica”, no qual até a noção de combate à corrupção está mais desmoralizada, até por conta do fracasso das CPIs que investigaram todo tipo de denúncia contra o governo Lula no Congresso, mas não foram capazes de punir “mensaleiros e sanguessugas”. Mendes elogia a atuação da Polícia Federal “que averigua e algema”, considerando essa mudança de perfil a “grande vantagem e evolução deste governo”. E aponta o Poder Judiciário como a esperança da sociedade e o alvo da pressão social. “A situação é muito desalentadora. Não é com comissões do Executivo e do Legislativo que vai resolver isso. Vai ter que ser resolvida no campo dos movimentos sociais, com ação popular e pressão direta sobre o Poder Judiciário”, aconselha o professor.

FHC abriu os caminhos para a corrupção?




Decreto 1.376/95
DECRETO N° 1.376, DE 19 DE JANEIRO DE 1995
Extingue a Comissão Especial criada pelo Decreto nº 1.001, de 6 de dezembro de 1993.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o  art. 84, inciso IV, da Constituição,
DECRETA:
Art. 1° Fica extinta a Comissão Especial, criada pelo Decreto nº 1.001, de  6 de dezembro de 1993.
Art. 2° O acervo documental proveniente de diligências e investigações  realizadas pela Comissão fica sob a guarda do  Ministério da Justiça.
Art. 3° Os procedimentos sobre diligências e investigações, a propósito de  fatos, atos e contratos, relativos a órgãos ou  entidades da Administração Pública Federal direta e indireta integram as competências da Secretaria Federal de Controle do  Ministério da Fazenda.
Art. 4° Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 19 de janeiro de 1995; 174° da Independência e 107° da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Luiz Carlos Bresser Pereira
D.O.U., 20/01/95


"Religião é religião e política é política", defende-se Russomano



Por THIAGO TUFANO
O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, voltou a falar no assunto religião na tarde deste sábado, após uma carreata na zona norte da capital paulista. Ao longo de toda semana o deputado federal foi criticado por seu vínculo com a Igreja Universal e por tentar angariar votos através da religião. Porém, de acordo com Russomanno, "religião é religião e política é política".
"Acho que o Brasil é um país de paz, não existe guerra religiosa e nunca vai haver isso. O povo brasileiro não liga para essas coisas. Cada um tem sua religião e eu respeito todas elas. Acho que é assim que tem que ser. Não devemos levar para o lado político a religião. Religião é religião e política é política. Vou continuar discutindo os problemas de São Paulo. Eu entendo que cada um tem uma opinião e eu respeito a opinião de todos", declarou o candidato, a respeito dos ataques de seus adversários.

Há cerca de uma semana, o pastor Marcos Galdino, do ministério Santo Amaro da Igreja Assembleia de Deus, pediu votos explicitamente a Russomanno durante um culto. Além disso, de acordo com uma reportagem da Folha de São Paulo , um templo da Igreja Universal tem servido de comitê informal para cabos eleitorais do candidato do PRB, fato que gerou críticas por parte de José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB).

A três semanas das eleições, as declarações dos candidatos ficaram mais quentes, com ataques de todos os lados. Porém, Russomanno segue evitando o embate direto com os opositores. Segundo ele, não é assim que se constrói uma eleição. "É sempre a mesma coisa, a vida pessoal das pessoas, a empresa das pessoas. É só isso que se discute e deixam de lado o que é importante. O importante é a cidade, como vamos resolver esses problemas, que são muitos", afirmou.

Publicidade a favor da cidadania
Após carreata pela zona norte da capital, o candidato do PRB criticou o excesso de sujeira nos córregos da cidade e afirmou que usará a publicidade da prefeitura de São Paulo para conscientizar as pessoas. "Temos que gastar o dinheiro da publicidade fazendo educação, cidadania. Para isso vamos trabalhar com mutirões de limpeza, que faremos aos finais de semana nos bairros. Vou para rua, pegar a vassoura e ajudar população a varrer. Com certeza na segunda feira as pessoas vão ter outra consciência. Quando você não planta a cidadania nada acontece e essa é a proposta. Temos que fazer com que o povo cuide da cidade como deveria ser cuidada e não abandone ela", disse Russomanno.

O apresentador disse ainda que passará a dar mais atenção à zona norte. "Temos dado muita prioridade para zona leste e sul e precisamos cuidar da zona norte que é muito abandonada. Parece que quando você atravessa o rio todo mundo é esquecido. Hoje fiz questão de andar bastante para ver esses problemas. Passamos ao lado dos córregos para ver a situação deles. Todos estão sujos, cheios de lixo. Falta educação ambiental para as pessoas", completou.

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