quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Desembarque de Milhares de Marines Americanos em Israel Parece Indicar que Ataque ao Irã Está Próximo

por: marco fernandes 

O confronto tão anunciado, tão temido, e tantas vezes adiado, parece estar próximo. Em uma nova onda de sanções, Washington está organizando um boicote global ao petróleo iraniano, o maior produto de exportação daquele país. Teheran já respondeu que, caso os EUA e Israel sufoquem assim a sua economia, eles vão retaliar fechando o estratégico estreito de Hormuz ao tráfego comercial. Em outras palavras, "se sufocarem o Irã, nós sufocaremos o mundo," sabendo-se que Hormuz é um estreito gargalo por onde passam todos os dias cerca de 15 navios-petroleiros carregando 15.5 milhões de barris de óleo cru (20% do consumo mundial). A maior parte do petróleo da Arábia Saudita, Iraque, Kuwait (e do próprio Irã) passa obrigatoriamente por ali.
Fechar essa passagem de apenas 50 km de largura é uma tarefa relativamente fácil para os iranianos, afinal Hormuz é uma praia do território iraniano (veja no mapa abaixo), portanto eles não estão simplesmente blefando.

Apesar do silêncio da mídia americana sobre o assunto, eu acabo de assistir a notícias alarmantes pelo canal russo de TV a cabo Russia Today. Há vários indícios de que o Irã será atacado em breve por Israel e pelos Estados Unidos.
Com as tensões em torno do estreito de Hormuz em alta, os planos iranianos de conduzir "os maiores exercícios de guerra naval" da história do país poderão coincidir com exercícios conjuntos EUA-Israel no golfo Pérsico. Com os dois lados tomando posições, aumenta o risco de que esses "exercícios" transformem-se em uma batalha de verdade.
Oxalá esses exercícios maciços não passem de exercícios. Mas com três exércitos sobre o tabuleiro, uma fagulha pode bastar para deflagrar uma guerra total. Depois de realizar recentemente um exercício naval de 10 dias próximo ao estreito de Hormuz para demonstrar a sua proeza militar, o Irã está agora planejando novas e "maciças" manobras codinominadas O Grande Profeta. Essas manobras serão conduzidas pelas tropas de elite da Guarda Revolucionária, a qual tem as suas próprias forças de terra, ar e mar independentes do exército regular.
Na quinta-feira, a agência iraniana semi-oficial Fars citou o comandante naval da Guarda Revolucionária, almirante Ali Fadavi, dizendo que a próxima rodada de jogos de guerra será "diferente" das anteriores, relata a AP. Eventualmente, no mesmo dia, um porta-voz militar israelense declarou em off que o seu país está se preparando para o maior exercício naval conjunto EUA-Israel jamais realizado.
Codinominada Austero Desafio 12, essa manobra está agendada para acontecer nas próximas semanas. O seu propósito primário será testar múltiplos sistemas de defesa aérea americanos e israelenses, em particular o sistema Arrow, desenhado especialmente para interceptar mísseis iranianos. O que talvez mais esteja alarmando a liderança iraniana, é que milhares de soldados americanos serão desembarcados em Israel como parte da manobra.
Apesar de os militares israelenses insistirem que esses gigantescos exercícios não têm conexão com eventos recentes, Martin van Creveld, um historiador militar da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a manobra seria usada para intimidar o Irã.
"A defesa contra eventuais ataques não é algo que você improvisa da noite para o dia. É preciso preparar-se, é preciso ensaiar... Este, entre outras coisa, é um exercício para mostrar ao Irã, à gente em Teheran, que Israel e os Estados Unidos estão prontos para contra-atacar," ele teria dito, ainda segundo a AP.
Mas Jamal Abdi do Conselho Nacional Iraniano-Americano em Washington disse ao canal russo que as ações da América e de Israel não são meramente preventivas. "Estamos mais e mais perto de uma guerra contra o Irã. Essa extraordinária confluência de eventos - os exercícios planejados pelos EUA e Israel, os exercícios do lado iraniano, muitas sanções e nenhuma diplomacia - coisas assim não terminam senão em confronto."

Via Portal LN

Lista de Furnas: Advogado prova que deputado mentiu em entrevista


Em nota à imprensa, divulgada na quarta-feira (04/01/12), o advogado Rogério Marcolini, que representa o ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo no caso conhecido como “Lista de Furnas”, desmonta, de forma cabal, a tentativa desesperada por parte do deputado Rogério Correia (PT/MG) de atribuir credibilidade à  “Lista de Furnas”, através da divulgação de declaração do deputado Antônio Júlio (PMDB/MG) de que, a pedido dele, Furnas, sob a presidência de Dimas, teria feito a doação de 150 mil reais a hospital do município de Três Pontas, no Sul de Minas, o que comprovaria o conteúdo da “Lista”.

A declaração do advogado prova que não tem fundamento a tentativa de confundir o que é uma doação legal, transparente, registrada em ata feita diretamente pela empresa Furnas para um hospital, com as supostas doações de Caixa Dois para políticos relacionadas nos papéis fraudados da “Lista de Furnas”. Nos papéis falsificados está escrito que as doações tinham origem em recursos não contabilizados de empresas fornecedoras de Furnas e não da própria empresa.

São várias as mentiras que constam da entrevista do deputado Antônio Júlio, que deve ser compreendida como parte do esforço de salvar o deputado Rogério Correia das graves acuações que pesam contra ele. Entre elas o uso de servidores da Assembleia, durante o expediente, para localizar documentos oficiais assinados por deputados e pelo diretor Furnas, para repassá-los a um falsário; a disponibilização de assessor jurídico para acompanhar, defender e orientar Nilton Monteiro, em depoimento; e uso de estrutura da Assembleia, como gabinete e linhas telefônicas para finalidades ilegais.

Não é verdade, por exemplo, que Dimas Toledo era o presidente da estatal na época em que foi aprovada a doação para o hospital.


Nota no Estado de Minas aborda contradição
A nota informa que realmente houve a doação por parte da empresa Furnas à Santa Casa de Misericórdia daquele município, mas que a iniciativa foi proposta por outro diretor da estatal e aprovada pelo presidente da companhia que antecedeu a Dimas no cargo, isso ainda em abril daquele ano, portanto fora do período eleitoral. Todo o processo de aprovação da doação, conforme a nota, foi comprovadamente oficial e, inclusive, registrado em ata de reunião da diretoria do dia 02 de abril de 2002.

Furnas, segundo informa a nota, tem dotação orçamentária própria para a doação de recursos financeiros para vários projetos sociais nas áreas onde atua, sendo que para o período de 2011/2012, estão reservados cinco milhões em investimentos sociais.

O advogado ressalta, ainda, que na verdade, o que se vê (na declaração do deputado) é o aproveitamento de valores coincidentes, já que tanto o valor doado pela estatal para o hospital quanto o valor que consta como repasse pra Antônio Júlio na “Lista de Furnas” são, por coincidência, os mesmos, “com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha”.

A “Lista de Furnas”, como já demonstrado aqui, relaciona políticos brasileiros de vários partidos e de vários Estados que teriam recebido recursos em espécie para custearem as suas campanhas eleitorais, em 2002, e não se trata de repasse de recursos oficiais de apoio por parte da empresa para projetos sociais da estatal.

A “Lista” tem a sua origem no notório falsário Nilton Monteiro, atualmente preso e que responde a diversos processos por falsificação de documentos e de notas promissórias, que somam mais de trezentos milhões de reais.

Como o deputado Antônio Júlio declarou que conhece apenas um repasse financeiro, tendo como origem a empresa de Furnas e esse repasse foi feito de forma transparente, regular e registrada inclusive em ata, isso significa dizer que o outro repasse alegado na “Lista de Furnas”, que teria sido feito em espécie e teria tido como origem empresas fornecedoras de serviços para a estatal, não existiu. Essa é, portanto, mais uma prova da falsidade dos papéis.

Essa entrevista do deputado Antônio Júlio poderia, inclusive, servir como mais uma prova da falsificação dos papéis. Como dissemos em post anterior, quanto mais se mexe nesse assunto, mais mentiras vão surgindo e mais clara fica a fraude.

Vamos esperar os próximos amigos do deputado Rogério Correia. O que será que eles vão inventar pra tentar ajudar o deputado?

Vamos mexer, vamos mexer, gente…

PS: Hoje faz 23 dias da publicação da reportagem da revista Veja com os diálogos comprometedores entre o deputado Rogério Correia, seu assessor Simeão de Oliveira e o falsário Nilton Monteiro, e ele continua no mais absoluto silêncio. Explica, Rogério!

Veja aqui os principais pontos da nota divulgada pelo advogado de Dimas Fabiano

“A declaração do deputado estadual contribui para comprovar a falsidade dos papéis conhecidos como a Lista de Furnas. Ora, nos papéis apresentados pelo falsário Nilton Monteiro são relacionadas diversas empresas que manteriam relação comercial com Furnas como supostas doadoras dos recursos que teriam sido entregues a políticos de diversos partidos e de vários estados brasileiros para custear as campanhas eleitorais no ano de 2002, de modo a sugerir que os recursos não teriam origem no caixa de Furnas. Seriam, portanto, “recursos não contabilizados”.”

“A doação ao Hospital de Três Pontas foi feita diretamente por FURNAS à Santa Casa de Misericórdia, a partir de verba da própria prevista no orçamento da companhia destinada a entidades filantrópicas. O processo de análise da referida doação teve tramitação absolutamente transparente, com a aprovação pela diretoria da estatal, registrada formalmente em ata de 02.abr.02. Mais: a proposta de doação partiu de outro diretor que não Dimas Fabiano Toledo e foi aprovada na gestão de seu antecessor na Presidência de Furnas.”

“A atuação de Furnas em projetos sociais é largamente conhecida, tanto é que agora, no período de 2011/2012, o Programa Eletrobrás Furnas Social destinará cinco milhões de reais para “as Instituições selecionadas e que estejam alinhadas com a Política de Responsabilidade Social de FURNAS”, conforme edital disponibilizado no site da empresa”.

“A doação foi feita fora do período eleitoral, sem qualquer relação com a campanha ou intermediação de Dimas Fabiano Toledo.”

“Outra incongruência evidente é que, nos papéis tidos como “Lista de Furnas”, os valores destinados à Minas Gerais teriam sido entregues ao que seria espécie de “tesoureiro” da campanha para repasse aos candidatos. Nesse contexto, ainda que por absurdo se desse crédito à malfadada lista, é absolutamente incoerente a afirmação do Deputado Antônio Júlio de que tivesse tratado do assunto diretamente com Dimas Fabiano Toledo.”

“Na verdade, o que se vê é o aproveitamento de valores coincidentes com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha.”

PORQUE A INTERNAÇÃO COMPULSORIA DE DEPENDENTE DE CRACK É NECESSÁRIA

Ilustrativa
A dependência química é uma doença crônica classificada pela Organização Mundial de Saúde cujos sintomas compulsivos reaparecem. Por isso, o dependente não deve ser tratado como um marginal, mas como um doente que precisa de tratamento.
Em geral, a decisão inicial de usar drogas é voluntária. No entanto, a dependência pode se estabelecer e, nesse momento, a capacidade de exercer autocontrole pode ficar seriamente comprometida. Nesse caso, sair das drogas deixa de ser um ato de vontade.
Estudos de imagens do cérebro de dependentes químicos mostram mudanças físicas em áreas do cérebro críticas para julgamento, tomada de decisão, aprendizagem, memória e controle do comportamento.
 Acredita-se que essas mudanças alteram o funcionamento do cérebro, explicando, pois, os comportamentos compulsivos e destrutivos do dependente. Por isso, a dependência é considerada uma doença mental.
Se o dependente químico é um doente mental que não possui critério para decidir por si próprio porque não possui autocontrole, é preciso que alguém decida por ele. Isso dito, é preciso que existam mecanismos de internação compulsória.
Não bastam ações que mais parecem o jogo de “gato e rato” ou afirmar que há uma boa infra-estrutura de assistência hospitalar à disposição daquele que quer largar as drogas. Não se trata de uma decisão de vontade.
O fato é que, hoje, quem depende da rede pública para o atendimento de um familiar dependente de drogas enfrenta uma burocracia que não combina com urgência da situação. Um dependente em surto coloca em risco sua família e si próprio.
Os mecanismos de internação compulsória adotados, atualmente, interferem na agilização que a situação exige. Sem eles, não é possível enfrentar o problema da cracolândia. Acresce que não há, em São Paulo, nenhum hospital de referência em atendimento aos dependentes químicos. Como é possível enfrentar esse problema sem uma infraestrutura que de suporte aos encaminhamentos?
Na verdade, muitos médicos e hospitais sequer sabem como proceder diante da situação e não atendem o paciente como um doente, mas como um marginal. O usuário é estigmatizado.
Pergunto às autoridades: o que fariam se tivessem um filho dependente químico na cracolândia? Deixá-lo-iam “perambular em busca de mais droga até que ele pedisse ajuda?” Não se trata apenas de um problema de segurança, mas também de saúde pública. Aceitem ou não é uma doença que precisa de tratamento especializado.
Às autoridades faltam compaixão e bom senso.


*Beatriz Silva Ferreira
Fundadora do Grupo Amor Exigente/São Luís
Especialista em Dependência química
Mediadora e terapeuta Famíliar
Autora dos livros Só Por Hoje Amor Exigente e Filhos que Amam Demais
Participação de um capítulo do livro “Aconselhamento em Dependência Química.”, organizado por Neliana Buzi Figlie, Selma Bordin e Ronaldo Laranjeira

Fernando Bezerra e as Bases Geopoliticas do Presidencialismo de Coalizão

Fernando Bezerra - Ministro da Integração Nacional
   fonte imagem: Google
Por: José Roberto Bonifácio*

Examinando o caso do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e a decisão escandalosa de alocar 95% dos fundos para prevenção e mitigação de catástrofes naturais a seu estado natal, nos indagamos quais fatores e aspectos geram tal comportamento aberrante.

O episódio afeta um partido importante na base governista, o PSB, e um potencial presidenciável, o governador Eduardo Campos (PE). E ainda realça o fato de que aquele mesmo estado tornou-se um ator de peso na Federação, liderando a frente pela redistribuição de royalties do petróleo e obteve a indicação de uma Ministra para o Tribunal de Contas da União. Simultaneamente, o PSB registrou forte expansão nas regiões Norte e Nordeste (além do ES) nas eleições de 2010.

Tomando emprestado o titulo de um famoso artigo do cientista político Sérgio Abranches, vejamos como nosso sistema político desenvolveu aspectos que afetam o bem-estar do eleitor-cidadão-contribuinte.

Com o advento da republica e do federalismo, em 1889-92, findou o sistema unitário herdado da Colônia e do Império. Até ali o desenvolvimento desigual e combinado das regiões, ao longo dos históricos ciclos de valorização das commodities (cana, mineração, algodão, borracha, café), diferenciou as elites o bastante em termos de idéias e interesses. A cisão do corpo politico da União ganhou dimensões e consequencias realísticas, mas não reslpaldadas na doutrina patrimonialista insculpida em nosso Constitucionalismo. Tal arranjo juridico inibe separatismos mas não impediu as elites de travarem conflitos entre si, que ás vezes desestabilizaram a ordem política e induziram dramáticas transições de regime (1930, 1945, 1964, 1985).

Assim os estados federados emergem como atores geopolíticos de facto, ainda que não em direito próprio. Como previsto por Abranches, o multipartidarismo e o federalismo potencializam a projeção dos estados na arena nacional, de modo que o regionalismo oligárquico tende a se impor como clivagem no sistema político. Mas os estados vão além: tendem a conceber e executar projetos de poder autonomos e singulares.

Deputados e senadores, além de buscarem benefícios para suas bases, ainda engajam-se, sob as ordens dos governadores, em escambos com outras bancadas visando maximizar seus ganhos. Certos estados capturam órgãos e áreas de políticas do Governo Federal: assim MG “comanda” o DNIT, os nordestinos a ADENE, os do centro-oeste o Ministério da Agricultura...

A coordenação de politicas se torna assim precária e ineficiente, originando problemas de recursos fiscais comuns como este documentado anualmente em função do ciclo das chuvas e do emprego abusivo da dispensa e da inexigibilidade de licitações para contratar obras, bens e serviços demandados pelos desabrigados.

Por isso, a triste experiencia oferecida pela pasta da Integração Nacional torna evidentes e compreensíveis diversos aspectos da política brasileira.

*José Roberto Bonifácio é Sociólogo (UFES) e Cientista Político (IUPERJ). Email: bonifacio78@gmail.com

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