segunda-feira, 16 de abril de 2012

Conta tudo, Cachoeira



Eis a história de um homem que quis comprar o Brasil inteiro e quase conseguiu.

Por Leonardo Attuch
Interpretado por Al Pacino, Michael Corleone não tinha lá muita vocação para o crime. Parecia ser o mais frágil dos irmãos e o menos apto a suceder Don Vito Corleone, vivido por Marlon Brando, no comando da máfia. Carlos Augusto Ramos, nosso Carlos Cachoeira, era também filho de bicheiro. Desde jovem, Carlinhos sentiu na pele o peso da rejeição social. Nasceu em Anápolis, uma cidade com seus próprios complexos, tida como rota de passagem entre duas capitais – Brasília e Goiânia –, e nunca se sentiu plenamente inserido na sociedade. Era rico, mas não tinha pedigree. Portanto, nunca foi devidamente respeitado.
Eis a raiz psicológica que explica os distúrbios do nosso Poderoso Chefão. Assim como Michael Corleone, Cachoeira tentou migrar do crime para atividades legais – ou, pelo menos, menos ilícitas. E, assim como o personagem do filme, ele também fracassou, ainda que tenha diversificado seus negócios para muito além do jogo. Cachoeira era fabricante de remédios, empreiteiro, dono de shopping centers e fazendeiro. Mas, em todas as atividades empresariais em que se envolveu, utilizou métodos de quadrilha, como grampos ilegais, extorsões, chantagens e propinas.
É por isso que o Brasil está prestes a experimentar a mais emocionante de todas as CPIs. Nunca antes na história deste país um contraventor foi tão audacioso. Com complexo de grandeza, Cachoeira se julgou capaz de se infiltrar no Congresso e de colocar de joelhos governos democraticamente eleitos. Quase conseguiu. Há rumores até de que vinha organizando o maior de todos os mensalões: a mesadinha parlamentar para liberar o jogo no Brasil, com o valor de tabela de cada deputado e senador.
Seu esquema parecia perfeito. Envolvia proteção policial, retaguarda política e uma montanha de dinheiro. Mas a ambição desmedida sempre cobra seu preço. Cachoeira produziu crises no governo Lula, com os filmes de Waldomiro Diniz e Maurício Marinho, infiltrou-se no governo goiano e tentou tomar conta também do Distrito Federal. O que mais ele pretendia?
Como consolo, eis agora a oportunidade de revelar os nomes de todos aqueles que estavam no seu bolso. Diante dele, na CPI, quantos inquisidores não terão sido favorecidos por suas doações? Conte tudo, Cachoeira. Dê nome e sobrenome. E, assim como na saga do Poderoso Chefão, cite a frase de Michael Corleone. A de quanto mais alto subiu na escala social, mais podridão descobriu.

Presidente da Câmara declara guerra à Veja

Foto: Dorivan Marinho/Folhapress_Divulgação

Marco Maia responde à reportagem desta semana em que a publicação acusa o PT de armar uma cortina de fumaça para ofuscar o mensalão; mais: ele promete um capítulo dedicado às relações de Cachoeira com a mídia e lembra o caso Murdoch.

Agora é guerra. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, soltou uma nota contestando a reportagem de capa da revista Veja deste fim de semana, que acusa o PT de armar uma cortina de fumaça, com a CPI do caso Cachoeira, para abafar o escândalo do mensalão. Num texto duro, Maia garante que haverá uma investigação sobre as relações de jornalistas com grupos clandestinos de espionagem e lembrou o caso do News of the World, que fechou as portas após a descoberta de que publicava grampos ilícitos.

Leia, abaixo, a nota de Marco Maia (PT/RS):
Resposta de Marco Maia, Presidente da Câmara dos Deputados à Veja.
Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?
Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:
- a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;
- não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como "Mensalão";
- também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;
- vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;
- afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco "todos") os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;
- o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;
- não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.

Dep. Marco Maia,
Presidente da Câmara dos Deputados

Depois de quase amarelar, PT agora banca a CPI

CPI não tem volta, garante o senador Walter Pinheiro (PT/BA), que liderava uma ala do Partido dos Trabalhadores contrária à instalação da comissão; ele, no entanto, pretende restringir o foco das investigações sobre Carlos Cachoeira

“Não tem volta”. Com estas palavras, o senador Walter Pinheiro (PT/BA), que liderava uma ala do PT que parecia disposta a recuar, garantiu que a comissão será instalada. 

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse que a idéia de criação da CPI do Cachoeira “não tem volta’, mas advertiu que o foco da investigação deve ser “a rede de negócios e informações” que se formou para ganhar dinheiro em vários setores.

Até agora, o bloco governista já coletou 22 assinaturas no Senado, cinco a menos do que é necessário – sem contar as assinaturas do PMDB que seriam coletadas pelo líder da bancada, Renan Calheiros. O PT avalia que pelo menos 50 senadores poderão subscrever a proposta de criação da CPI. Na ausência do presidente José Sarney (PMDB-AP), internado em São Paulo, o pedido da CPÌ mista deverá ser entregue à deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), vice-presidente da Câmara.
Para Walter Pinheiro, o negócio de jogo que notabilizou Carlos Cachoeira acabou se tornando uma questão paralela aos negócios maiores.
- Nessas gravações, não se ouve eles trabalhando para legalizar o jogo do bicho, mas era uma rede de informações e negócios nas diversas áreas. Ele foi para o ramo dos fármacos, da construção civil, da pecuária e movimentou muito dinheiro – disse o líder.


O senador Walter Pinheiro (PT-BA) vocalizou, talvez tarde demais, como ele mesmo admitiu, a preocupação de uma grande ala do partido.
"Se mandarem os documentos, e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI. Mas confesso que é difícil segurar agora. Podem dizer que é golpe" - disse Pinheiro.

O receio estampado nessas palavras é o de que, na prática, a CPI do Cachoeira, como foi chamada inicialmente, passe a ser a CPI da Delta e, por sua vez, migre para se tornar a CPI sobre as Relações do PT com a Delta. Em outras palavras, o desejo de manter todo o intrincado caso apenas e tão somente no âmbito da Comissão de Ética do Senado revela mais que uma indecisão em relação à própria CPI. Ele manifesta a leitura já consolidada em diferentes setores do partido, especialmente os mais ligados à administração federal, de que, por envolver a maior empreiteira do PAC, a própria Delta, não há como garantir que a CPI não provoque estilhaços em áreas sensíveis da própria administração. A empresa, afinal, gere orçamentos bilionários e tem em seu presidente, Fernando Cavendish, um empresário de métodos absolutamente heterodoxos. Uma vez convocado a depor, e sob risco, como já aconteceu no passado com outros personagens, de sair algemado da CPI se mentir ou omitir, ao irritar deputados e senadores, Cavendish poderá desnudar personagens de todos os partidos, o que inclui os da base aliada da presidente Dilma Rousseff e do próprio PT.
Pinheiro, ao manifestar sua interpretação de que, a depender de documentos, o caso poderia ficar no âmbito de uma comissão destinada apenas a cassar ou não o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), tenta, ao menos, acalmar os ânimos na cúpula do seu partido, que se alinhou, de imediato, ao aceno positivo, pela CPI, do ex-presidente Lula.
Pega de surpresa fora do País, num primeiro momento, quanto visitava o presidente Barack Obama, em Washington, e, nos últimos dias, envolvida na Cúpula das Américas, em Cartagena, só o que a presidente Dilma pode fazer como bombeira foi uma escala de três horas em São Bernando do Campo, onde procurou dizer a Lula que seria melhor ir mais devagar com o andar da CPI.
Como reconhece o próprio senador baiano, agora já parece ser tarde. Assinaturas em número mais que suficiente para instalar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) estarão pousando, amanhã, sobre a mesa da vice-presidente do Senado, Marta Suplicy. Ela não terá outra alternativa a não ser instalar a comissão. Quanto ao seu funcionamento, o que se projeta é uma guerra multipartidária na qual se vai tentar empurrar para o outro as brasas das denúncias, o que poderá causar um incêndio ainda maior de radicalização, com chamas em todas as direções.

ES tem batalha final pelo Fundap a derrota esta próxima.

foto Secom/ES
O ES terá sua última batalha pela manutenção do Fundap (Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias) terça (17/04) na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

As chances de derrota são grandes para os estados (ES,SC e GO) que tentam impedir a aprovação do projeto de resolução nº 72/10, que reduz a alíquota do ICMS das importações para 4%.

O projeto pode ser levado a plenário no mesmo dia, já que não cabe mais pedido de vista. A alternativa do ES é fechar um acordo com o governo federal para obter algumas compensações pela perda do Fundap.

Na última quarta-feira a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) aprovou a proposta e rejeitou o relatório do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que pedia o arquivamento do projeto pela sua inconstitucionalidade.

O governo federal pressiona o Senado pela rápida aprovação da matéria, por pressão da indústria. O governador Renato Casagrande fez um apelo na última quarta-feira pela participação das lideranças do estado na sessão desta terça.

"Sofremos uma derrota hoje (quarta-feira), mas ainda temos uma semana para negociar. Se quiserem nos derrotar será de pé, lutando. Não vamos nos entregar. Precisamos da participação de todos, da bancada, dos prefeitos e lideranças do estado", disse o governador após a votação do projeto na CCJ.

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