segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Fumando cigarro de palha, pescando com peneira e aprendendo valores

Por Dag Vulpi - Postagem original feita em 20 de junho de 2015

São muitas as histórias inusitadas que giram em torno dessa “laranja” chamada vida. Eu mesmo conheço um bocado delas — algumas presenciei, outras me contaram, e esta que narrarei, tive o privilégio de vivê-la.

Foi lá pelos idos dos anos 80, numa Mutum ainda pacata, quase parada no tempo, quando fui passar uns dias de férias com dois amigos: o Augusto, o “Gutim”, funcionário da antiga CESAN, e o José Rubner, o “Zérrubi”, meu colega do extinto Banco Nacional e filho daquela terra mineira.

A cidade respirava sossego. As aventuras eram simples, mas intensas — cavalgar pelos arredores, assistir aos domadores enfrentando burros chucros, observar a natureza em seu ritmo rude e encantador. Tivemos até que aprender a enrolar cigarros de palha, pois por lá, maço industrializado era artigo de luxo. À noite, o boteco era o centro do universo: cartas, gargalhadas e o desfile das mineirinhas, vaidosas ao saber que havia forasteiros na cidade. Nós, três jovens em plena solteirice, tínhamos mais olhos do que sorte — os rapazes locais não viam com bons olhos nossa presença, e as moças tampouco se arriscavam a contrariá-los.

Mas o melhor da história veio num sábado, quando Zérrubi sugeriu uma pescaria. Topei de imediato. Gutin também. O Zé conhecia o riacho e o homem certo para nos guiar: o lendário Genésio.

Genésio era baixote, de pele curtida pelo sol, e dono daquela sabedoria que não se aprende em livro algum. Um tipo raro, desses que transformam o trivial em anedota. Sabíamos que dali sairia mais história do que peixe — e não erramos.

De fala mansa e quase sussurrada, Genésio logo decretou a regra: sendo sábado, a pescaria seria de peneira. Argumentei que a pesca com anzol seria mais emocionante, mas bastou ele me olhar e murmurar algo entre os dentes — “Cêjá pescoqui gumavez?” — que mudei de ideia na hora. Aquele homem tinha uma autoridade serena, irresistível.

Começamos. As instruções vinham em mineirês cerrado, e só o Zérrubi, nosso tradutor oficial, entendia cada sílaba. Entramos todos no riacho, a água gelada cortando as pernas. Foi quando Genésio, entre um sorriso desdentado e um gracejo, comentou algo que o Zé traduziu entre risadas:
— “Água fria, né? É assim mesmo: uns mijam, outros riem.”

A pescaria seguiu com mais fumaça que peixe. Genésio mantinha preso ao pescoço um saco plástico com palha de milho, fumo desfiado e um isqueiro de pavio — seus tesouros de sobrevivência. Fosse dentro ou fora d’água, ele nunca deixava de enrolar seu “picão de paia”.

Depois de um longo trecho sem sucesso, finalmente pegamos dois peixes num ponto mais fundo. Genésio anunciou que era o único lugar do riacho onde peixe se deixava pegar por peneira — o resto, segundo ele, fora só treinamento. E ali, já fora d’água, ele preparava seu quarto cigarro com a destreza de um alquimista.

Mas a verdadeira surpresa ainda estava por vir.

Quando voltamos à água, animados com a boa maré, a pescaria enfim rendeu. Os peixes vinham aos montes, e nossa alegria não cabia no peito. Até que notamos algo estranho: uma peneira boiando sozinha, descendo o rio. E logo adiante, apenas uma mão, como um último pedido de socorro.

Pulamos. Puxamos o corpo de Genésio quase sem vida, já inchado de tanta água que engolira. A cena nos gelou a espinha. Deitamos o velho matuto na margem, viramos seu corpo, e dele escorria um rio inteiro — talvez com alguns peixinhos junto. Foi então que, quando tudo parecia perdido, ele abriu um olho, mexeu a mão e sorriu.

Na palma, o motivo de tamanha teimosia: o isqueiro. Encharcado, mas intacto.

Quando conseguiu respirar, contou, com ajuda do Zérrubi, que sabia nadar melhor que qualquer homem do Vale. Já atravessara o Rio Doce levando numa mão uma jaca, noutra uma melancia. Mas jamais deixaria para trás o que mais amava. Disse que não se tratava da palha nem do fumo, mas do isqueiro — presente de seu pai, o único bem que ainda o ligava a uma vida que se esfarelava no tempo.

E para provar o ponto, enrolou outro cigarro.
Lentamente.
Com devoção.

Passou a língua na palha, acendeu o pavio com os dedos trêmulos e, olhando para o céu, tragou fundo, como se inalasse a própria existência. Depois, com um meio sorriso e o olhar marejado, disse — ou melhor, Zé traduziu:

“Se existir algo, qualquer coisa, que faça vocês felizes... lutem pra não perder. Eu já perdi muita coisa nesta vida. E hoje quase perdi a vida pra salvar o único presente que o velho me deixou.”

Ficamos ali, em silêncio.
O rio correndo, os peixes quietos, a fumaça subindo.
E eu entendendo, sem palavras, que às vezes o que parece pequeno — um isqueiro, um cigarro, uma lembrança — é o que nos ancora à própria vida.

Reflexão:

Algumas histórias valem menos pelo enredo e mais pelo eco que deixam em nós. O “cigarro de Genésio” não era só um gesto teimoso, mas um símbolo de fidelidade àquilo que nos dá sentido. Em tempos em que tudo é descartável, há sabedoria profunda em quem ainda sabe o valor do que permanece — mesmo que seja apenas um velho isqueiro, acendendo, teimosamente, a última chama de um tempo que já se apagava.

O Fascismo: a máscara moderna da intolerância

 

Dag Vulpi - 27 de outubro de 2025

Em diferentes épocas e lugares, o fascismo ressurge como um espectro político travestido de patriotismo, ordem e moralidade. A sua essência, porém, permanece a mesma: o medo da liberdade, a idolatria do líder e a negação da diversidade. Entender suas nuances é compreender como sociedades inteiras podem ser seduzidas por discursos que prometem salvação, mas entregam autoritarismo.

O fascismo em perspectiva histórica

O termo fascismo tem origem na Itália de Benito Mussolini, na década de 1920. Inspirado na ideia romana do fasces — um feixe de varas simbolizando força pela união sob um comando —, o regime pregava nacionalismo extremo, culto ao líder, militarização da política e repressão a opositores.
Logo, o fascismo ultrapassou fronteiras: na Alemanha, Hitler levou a ideologia a níveis brutais, transformando o nacionalismo em fanatismo racial; na Espanha, Franco impôs uma ditadura clerical-nacionalista; em Portugal, Salazar promoveu um regime autoritário sustentado por moralismo e censura.

Mas o fascismo não se resume a um momento histórico. Ele é, sobretudo, um método político — uma forma de organizar o poder baseada em:

  • Culto ao líder e à figura “salvadora”;

  • Desprezo pelas instituições democráticas;

  • Manipulação das massas por medo, ódio e desinformação;

  • Supressão da crítica e da pluralidade;

  • Reescrita da verdade através da propaganda.

Fascismo contemporâneo: novas roupagens, velhas ideias

Hoje, o fascismo não veste uniforme militar nem precisa de marchas em praça pública. Ele se infiltra nos discursos populistas, nas redes sociais e nos púlpitos digitais, promovendo a desumanização do “inimigo” — seja ele o imigrante, o artista, o jornalista, o professor ou o próprio pensamento crítico.

Exemplos recentes:

  • Na Hungria, Viktor Orbán promove um regime iliberal que restringe a imprensa e concentra poder sob o pretexto de defender “valores cristãos”.

  • Nos EUA, grupos supremacistas brancos se reorganizam sob retórica patriótica e religiosa, ecoando o velho mito do “nós contra eles”.

  • No Brasil, vimos ecos desse fenômeno em discursos que misturam nacionalismo messiânico, negacionismo científico e culto a líderes carismáticos que se colocam acima das instituições.

Em todos os casos, o fascismo contemporâneo opera pela emoção, não pela razão. Ele substitui o diálogo pela gritaria, o pensamento crítico pela obediência, e o senso coletivo por uma fé cega na autoridade.

As sutilezas psicológicas e sociais

O fascismo se alimenta de crises — econômicas, morais ou identitárias. Quando as pessoas se sentem inseguras, o discurso autoritário oferece respostas simples para problemas complexos. Ele promete ordem, segurança e identidade em troca da liberdade.
É a política do medo, que transforma cidadãos em torcedores e opiniões em trincheiras.
Por isso, é tão importante reconhecer suas formas sutis: o riso cúmplice diante da violência, o silêncio diante do ódio, o aplauso ao autoritarismo “em nome da moral”.

Por que compreender o fascismo é um dever contemporâneo

A história mostra que o fascismo não começa com tanques nas ruas, mas com palavras manipuladas e sentimentos inflamados. Começa quando o diferente é tratado como inimigo; quando a dúvida é tida como fraqueza; quando a obediência se disfarça de patriotismo.
Reconhecer suas sementes é o primeiro passo para impedir que floresça novamente. A defesa da democracia, da ciência e do pensamento crítico é o antídoto mais eficaz contra essa velha doença social.

Nota:

Este artigo propõe uma leitura ampla do fascismo, ultrapassando o sentido histórico para alcançar sua dimensão simbólica e psicológica. Ao identificar os traços fascistas em contextos contemporâneos, reforça-se a importância da vigilância cívica e da educação política. O fascismo não é apenas um regime do passado — é uma sombra recorrente da humanidade, que se adapta às linguagens e aos medos de cada geração. Combater suas manifestações exige consciência, empatia e coragem intelectual.

Leia também: A Cadela do Fascismo e o 8 de Janeiro: Quando o Ódio Late nas Sombras da Democracia

Reforma Tributária: um avanço histórico que ainda pede justiça fiscal

 


Dag Vulpi - 27 de outubro

O Brasil dá um passo decisivo em direção à simplificação e à modernização do sistema tributário com a EC 132/2023 e a LC 214/2025: ao substituir cinco tributos de consumo por dois novos (além de um imposto seletivo) e estabelecer princípios como neutralidade e não-cumulatividade, espera-se mais transparência, menor carga sobre investimentos e mais competitividade. Contudo, a complexidade da implementação e a falta de avanços no tributar os super-ricos colocam em risco ganhos potenciais para a economia e a justiça fiscal.

A reforma tributária em questão altera de forma substancial o sistema de impostos sobre consumo do país. Até então, o Brasil operava com tributos como ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI — muitos acusados de gerar cumulação de tributos, elevada burocracia e insegurança jurídica. tributarie.com.br+3Migalhas+3Modelo Inicial+3

Com a EC 132/2023, foi incluído no texto constitucional o artigo 156-A, que prevê a instituição de um imposto sobre bens e serviços de competência compartilhada entre estados, DF e municípios, com princípios como neutralidade (isto é: o tributo não pode distorcer decisões econômicas de consumo ou organização) e não-cumulatividade. Palácio do Planalto+2tributarie.com.br+2

Já a LC 214/2025 regulamenta como tudo isso vai funcionar na prática. Ela institui:

Entre os principais impactos e vantagens esperadas estão:

  • Redução da sobreposição de tributos e da “guerra fiscal”, já que o local da incidência passa a ser, como regra, o destino da operação (onde está o consumidor final). Tax Group+2tributarie.com.br+2

  • Maior previsibilidade e transparência para empresas: menos obrigações acessórias, menos disputas entre entes federados. Tendências Consultoria Econômica+1

  • Potencial para melhora de ambiente de negócios, atração de investimentos, melhor competitividade internacional. Contadores+1

  • Defesa de princípios de justiça tributária: o sistema deixa de privilegiar determinadas etapas da cadeia de consumo e busca neutralidade. Pilli & Fanucchi+1

Mas não se trata de uma mudança simples:

  • A transição será gradual, com coexistência entre regimes antigos e novos, implicando adaptações corporativas e governamentais. Tax Group+1

  • A definição das alíquotas, regimes específicos, exceções e créditos tributários ainda dependerá de leis complementares e evolução normativa. Migalhas+1

  • Há riscos de carga tributária maior do que o esperado se as alíquotas de referência ou teto não forem bem calibrados. tributarie.com.br

Em termos econômicos diretos, a simplificação e a neutralidade devem contribuir para:

  • Menos distorções entre consumo, produção e investimento — favorecendo que empresas se estabeleçam ou se expandam no país.

  • Melhor integração da cadeia produtiva nacional, com menor custo tributário embutido e menos “cascata” de impostos.

  • Maior eficiência para exportadores e importadores, uma vez que o sistema atual encarava rígidos entraves. Tendências Consultoria Econômica

  • Em tese, estímulo ao crescimento econômico, geração de emprego e melhora dos recursos públicos (via maior arrecadação potencial, menor evasão ou elisão fiscal).

A reforma apresentou uma clara oportunidade para avançar também na justiça fiscal — ou seja: tributar com maior rigor os super-ricos e grandes fortunas, de modo a obter recursos adicionais para investimento público, infraestrutura, educação, saúde, etc. A não aprovação pela oposição parlamentar de medidas para aumentar impostos sobre os super-ricos revela uma escolha política que prejudica a economia brasileira como um todo:

  • Sem tributar adequadamente os que possuem capacidade contributiva elevada, a sociedade transfere o ônus para classes médias e para o consumo, justamente o que a reforma busca mitigar.

  • Falta de ação nesse sentido diminui a margem de manobra do Estado para investir em infraestrutura, o que reduz o impacto positivo da própria reforma.

  • Oportunidades de equidade e distribuição de renda ficam comprometidas — e isso tem efeitos sobre o consumo, sobre a demanda agregada e sobre crescimento econômico sustentável.

  • Em resumo: a reforma poderia trazer ganhos mais robustos para a economia, se houvesse paralelo um esforço de maior justiça fiscal; a resistência da oposição cria um “freio” à expansão plena desses benefícios.

Relevância para a economia brasileira

A reforma tem potencial para marcar um divisor de águas para o Brasil: um sistema tributário mais racional pode reduzir custos para empresas, aumentar a produtividade, atrair investimentos domésticos e estrangeiros, ampliar a competitividade internacional e permitir que os recursos públicos sejam aplicados de modo mais eficiente.

Se bem implementada, pode ajudar a destravar gargalos de infraestrutura tributária, reduzir brechas de legalidade, incentivar inovação e formalização, e oferecer maior previsibilidade para o ambiente de negócios.

Também traz ganhos sociais, ao permitir que o sistema tributário seja menos oneroso para os que mais sofrem com a cumulatividade e a complexidade, e ao abrir espaço para políticas públicas melhores financiadas.

Entretanto, o êxito dependerá da execução: da forma como os entes federados irão adotar as alíquotas, da capacidade de adaptação das empresas, da clareza regulatória, da governança do novo Comitê Gestor, e — essencialmente — da coragem política de tributar aqueles que hoje pagam menos — o que exige uma oposição que colabore, e não bloqueie avanços.

A reforma tributária representada pela EC 132/2023 e pela LC 214/2025 é uma das iniciativas mais ambiciosas dos últimos anos no Brasil em termos de modernização fiscal. Seu mérito está no reconhecimento de que o sistema atual era insustentável: demasiadamente fragmentado, cumulativo, difícil de administrar e caro para empresas e governo. Por isso, ela merece elogios por abrir caminho à simplificação, à uniformização e à neutralidade.

Por outro lado, o projeto apresenta desafios significativos: a dependência de regulamentações posteriores, o risco de que alíquotas mal ajustadas elevem em vez de reduzir a carga tributária, a complexidade da transição e de adaptação — o que gera custos para empresas e pode criar distorções temporárias. Além disso, a reforma perde força quando não é acompanhada por medidas paralelas de justiça fiscal — em particular, de tributação dos super-ricos e grandes fortunas. A resistência da oposição a essas medidas demonstra uma falha estratégica que mina o pleno potencial dessa reforma. Em suma: o desenho é promissor, mas a implementação e o contexto político-fiscal serão decisivos para que os benefícios de fato se traduzam em crescimento, investimento e equidade no Brasil.

A Cadela do Fascismo e o 8 de Janeiro: Quando o Ódio Late nas Sombras da Democracia


Dag Vulpi - 27 de outubro de 2025

A frase atribuída a Bertolt Brecht — “A cadela do fascismo está sempre no cio” — volta a ecoar com força no Brasil contemporâneo. Seu sentido não é o de ofensa, mas de alerta: o fascismo não dorme, apenas se disfarça. O 8 de janeiro de 2023 foi a prova de que as sombras do autoritarismo ainda rondam nossas instituições, alimentadas pelo medo, pela desinformação e pela sede insaciável de poder.

A célebre advertência de Bertolt Brecht — “A cadela do fascismo está sempre no cio” — é menos uma metáfora do passado e mais uma convocação à vigilância permanente. Ela nos lembra que o fascismo não morre com o fim de um regime, mas se esconde nas frestas da sociedade, à espera de novas brechas para emergir. Seu cio é a oportunidade: o caos, o medo, a crise, o ressentimento.

O Brasil vivenciou, em 8 de janeiro de 2023, uma dessas brechas. A tentativa de golpe de Estado — planejada, estimulada e alimentada desde 2021 — expôs o que muitos insistiam em negar: a cadela do fascismo rondava solta, farejando o momento exato para avançar.

Não se tratou apenas de vandalismo ou de um surto coletivo. Houve ali um projeto de poder sustentado por um discurso que despreza o diálogo, que divide o país entre “nós” e “eles”, que desumaniza o adversário e que se alimenta da crença de que a força pode corrigir o resultado das urnas.

A analogia de Brecht encontra, nessa tentativa de golpe, sua mais trágica reedição tropical. O fascismo, tal como o cio da cadela, manifesta-se quando encontra calor e estímulo: o ódio cultivado, o ressentimento orquestrado, a desinformação sistemática, o medo de perder privilégios. Ele seduz pela promessa de ordem, mas oferece apenas obediência cega.

O bolsonarismo — enquanto fenômeno político — não é idêntico ao fascismo histórico, mas compartilha suas sombras: o culto à personalidade, o desprezo pela ciência, o ataque às instituições, a manipulação simbólica da fé, a substituição da verdade pelo mito. São sintomas de um mesmo apetite — o desejo insaciável de controle.

O fascismo não nasce no poder; ele é gestado nas relações humanas deterioradas, na ausência de empatia, no encontro de indivíduos que se reconhecem pela raiva comum e não pelos valores compartilhados. Quando o ódio encontra eco, ele se multiplica. Quando a razão se cala, ele governa.

Por isso, a frase de Brecht continua atual: a cadela do fascismo continua fértil. E só a vigilância cotidiana — a cultura do diálogo, o respeito às diferenças, a coragem de ouvir e compreender — pode impedir que ela volte a parir regimes de exceção.

Não há democracia definitiva. Ela é um exercício diário de atenção e responsabilidade. Quando o cidadão abdica de pensar por si, alguém pensará por ele — e, invariavelmente, contra ele.

Um convite à reflexão serena sobre os sinais contemporâneos do autoritarismo no Brasil e o perigo da repetição histórica. Inspirado na frase de Bertolt Brecht, o texto propõe um olhar maduro sobre o 8 de janeiro de 2023 — não como um ponto isolado, mas como um alerta sobre a constante fertilidade do fascismo nas sombras da sociedade.

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