terça-feira, 9 de agosto de 2022

Denúncia por lavagem de dinheiro deve demonstrar ato imputado a acusado




 Por Danilo Vital – Conjur

 Para que alguém seja processado pelo crime de lavagem de dinheiro, a denúncia deve apresentar indícios de que o acusado tinha conhecimento da ilicitude dos valores e apontar especificamente o ato no qual houve a ocultação da origem ilícita dos bens.

Com esse entendimento, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial para trancar a ação penal contra Julia Iskin. Para o colegiado, não havia indícios mínimos de que ela lavou dinheiro obtido em irregularidades cometidas pelo pai.

 O caso trata da ação contra o empresário Miguel Iskin, alvo da "lava jato", que teria usado dinheiro desviado da saúde do Distrito Federal para bancar a reforma da mansão na qual sua filha morava, no Rio de Janeiro.

 Segundo o Ministério Público Federal, embora o imóvel esteja no nome de Miguel Iskin, Júlia é a verdadeira proprietária. O MPF afirmou que ela agiu em conluio com o pai para ocultar a origem ilícita do dinheiro desviado, por meio da reforma da mansão.

No STJ, a defesa de Júlia sustentou que ela não responde por crimes licitatórios, corrupção ou organização criminosa e que sua menção na denúncia é feita de maneira absolutamente desconexa com todos esses fatos, apenas por ser filha de Miguel Iskin.

 Relator, o ministro Sebastião Reis Júnior observou que é difícil identificar na denúncia qual a conduta praticada pela acusada para contribuir para a ocultação de valores. Segundo a jurisprudência, o elemento volitivo do crime deve ser identificado na peça acusatória.

 No caso, ainda que a filha tenha permitido que o pai bancasse a reforma da casa em que ela morava, isso em nada teria contribuído para a ocultação dos valores, além de ela usufruir do bem.

 "Ainda que se possa conjecturar que a recorrente tivesse conhecimento das atividades supostamente criminosas praticadas por seu pai ou, ainda, que tivesse conhecimento de atividades criminosas nas quais estaria envolvida empresa da qual seria sócia-administradora, impende que o iter criminis esteja claramente exposto na inicial acusatória, o que não se extrai do caso dos autos", afirmou o ministro relator.

 Em voto-vista, a ministra Laurita Vaz concordou, destacando a ausência absoluta de elementos individualizados que apontem a relação entre o crime e a conduta da moradora do imóvel.

 "Tal fato não autoriza a instauração de processo criminal, se não restar comprovado o vínculo entre a conduta e a agente, sob pena de se reconhecer impropriamente a responsabilidade penal objetiva, não admitida no nosso ordenamento jurídico"

 Clique aqui para ler o acórdão

RHC 154.162

Estudo na Holanda mostra impacto da síndrome da covid longa


Publicado na revista médica The Lancet, trata-se do primeiro relatório abrangente sobre da condição atípica dos infectados pelo coronavírus.

Via Site Exame

Uma em cada oito pessoas que se recupera de covid-19 apresenta sintomas persistentes devido à doença pelo menos três meses depois, segundo um estudo que traz maior clareza sobre os males desencadeados pela pandemia.

 Os cientistas usaram dados do maior estudo de acompanhamento da população holandesa para rastrear problemas de covid longa, como perda de olfato e dor no peito.

A proporção de participantes que tiveram um ou mais sintomas característicos foi de 21% entre os que pegaram covid, ante cerca de 9% nas pessoas que não pegaram, o que deixa cerca de 13% dos pacientes com sintomas que podem ser atribuídos ao coronavírus, de acordo com pesquisadores da Universidade de Groningen.

O estudo, publicado na quinta-feira, 4, na revista médica The Lancet, é o primeiro relatório abrangente sobre a covid longa, também chamado de condição pós-covid.


Ele faz ajustes para os sintomas que as pessoas tinham antes de serem infectadas e os que ocorrem na população em geral, disseram os autores. A pesquisa pode ajudar a formar uma ideia mais clara dos sintomas duradouros que afligem até 5 milhões de adultos somente nos EUA.

 

“Esta descoberta mostra que a condição pós-covid-19 é um problema urgente com um custo humano crescente”, escreveram Aranka Ballering e colegas da Universidade de Groningen.

 

Os dados fornecem uma demonstração única e “muito poderosa” dos efeitos de longo prazo da covid na saúde, disse Rachel Evans, professora do Instituto de Saúde do Pulmão da Universidade de Leicester, que não estava envolvida na pesquisa.

 

O estudo, realizado na região norte da Holanda, usou dados coletados de 76.422 participantes do final de março de 2020 até o início de agosto de 2021. Desde então, os riscos de covid longa foram reduzidos pelas imunizações e, mais recentemente, por tratamentos com medicamentos.

 

Mesmo assim, a rápida disseminação da variante ômicron significa que mais pessoas estão sendo infectadas, aumentando os casos de covid longa, disse Evans em entrevista.

 

A Organização Mundial da Saúde conta mais de 577 milhões casos de Covid-19 em todo o mundo desde 2020, com infecções diárias acima de 900.000.

 

“Uma em cada 20 pessoas que foram vacinadas três vezes e contraem covid ainda apresentarão sintomas três a quatro meses depois. Isso é muito”, disse Evans.


“Estou vendo pessoas infectadas em março de 2020 em minha clínica que ainda estão muito debilitadas. A maioria está em uma trajetória de melhora, mas é muito, muito lenta.”

 

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