O
mesmo PT que emergiu em 2008 à frente das prefeituras de sete das 26 capitais
estaduais do país — o maior número entre os partidos — encara, nas eleições
deste ano, a possibilidade real de encolhimento nas administrações municipais.
Essa hipótese preocupa a legenda, sobretudo na Região Nordeste, base eleitoral
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdada por Dilma Rousseff em 2010.
A situação tende a ficar ainda mais calamitosa com a decisão de Lula de
restringir suas visitas ao Nordeste a Salvador, sem comparecer às demais
capitais onde a legenda disputa as eleições de outubro.
Hoje, o PT comanda duas capitais na região: Recife, onde o petista Humberto
Costa foi recentemente ultrapassado pelo oponente Geraldo Júlio (PSB).
Em
Fortaleza, vê o democrata Moroni Torgan liderar as pesquisas, com 25% das intenções
de voto. Apesar dos esforços da prefeita Luizianne Lins (PT), o candidato
petista Elmano Freitas está em terceiro lugar, com 15%.
Ainda
assim, os petistas depositam suas fichas no crescimento do candidato da
legenda, que conseguiu chegar a 16% no último levantamento do Ibope, divulgado
no fim de agosto, e colocam Fortaleza como uma das promessas de vitória na
campanha deste ano.
A capital cearense divide as apostas do partido com Salvador, onde Nelson
Pellegrino está em segundo lugar, com 16% das intenções de voto, mas tem de
enfrentar os 40% de seu principal oponente, ACM Neto (DEM), ainda de acordo com
o Ibope.
Recife,
onde a executiva nacional interveio para retirar a candidatura do atual
prefeito, João da Costa (PT), e impor o nome de Humberto Costa, é considerado
carta fora do baralho por petistas do estado.
Humberto
apoiava-se na presença de Lula para reverter o cenário. As chances, agora,
minguaram de vez. “A intervenção (para retirada da candidatura do atual
prefeito João da Costa) foi desastrosa e terá repercussão em todo o estado”,
acredita o deputado Fernando Ferro (PE).
A avaliação do deputado pernambucano aponta para uma das razões que tem levado
o PT a temer a perda de eleitorado no Nordeste. As dificuldades enfrentadas
pelo partido são creditadas pelos próprios petistas, em boa parte, às divisões
internas da legenda.
O
Recife é citado como o exemplo máximo dos efeitos negativos dessa cisão nos
planos de expansão da sigla, mas, em Fortaleza, a legenda também enfrenta os
resultados da falta de consenso entre a executiva nacional e o diretório
estadual.
Outra razão é o avanço do PSB. Aliados na base de sustentação do governo Dilma,
os socialistas preferiram achar seu próprio rumo nos casos em que o PT rachou
internamente — como no Recife e em Fortaleza.
Na
capital pernambucana, Geraldo Júlio, que conta com o envolvimento pessoal do
governador do estado e presidente do PSB, Eduardo Campos, em sua campanha,
lidera a disputa com 34% das intenções de voto. Em Fortaleza, Roberto Cláudio
assumiu o segundo lugar com 16%.
“É um movimento natural da política. Onde
um partido deixa um espaço vazio, certamente virá outro para preenchê-lo. O PSB
não deve ser visto como um vilão que rouba espaços do PT, ele apenas aproveita
as chances abertas pelos nossos erros”, observa um petista.
A necessidade de manter inteiras as pontes entre as legendas e o peso da
eleição no Nordeste para 2014 levaram Lula a articular um encontro com Eduardo
Campos em São Paulo, marcado para o próximo dia 16, no Instituto Lula.
A
reunião selará a participação de Campos na campanha do petista Fernando Haddad
na capital paulista. Outra liderança de peso no PSB, o governador do Ceará, Cid
Gomes, também participará da conversa.
Além de reforçar a presença do PSB na campanha de Haddad, o encontro pretende
aplacar a tensão instalada na relação entre os dois partidos por conta dos
duelos em Belo Horizonte, no Recife e em Fortaleza, e garantir que a aliança
PT-PSB resista ilesa até 2014.
Em Vitória a candidata do PT, Iriny Lopes, só iria para o segundo turno no caso
de renúncia do candidato do PPS, Luciano Rezende. Em BH o rompimento com o PSB
resultou em mais prejuízo para o PT.
Cristovam faz campanha em Pernambuco
O
senador Cristovam Buarque (PDT-DF) participou ontem, pela primeira vez, da
campanha do candidato do PSB à prefeitura do Recife, Geraldo Júlio.
Acompanhados pelo governador Eduardo Campos e pelo senador Jarbas Vasconcelos,
eles fizeram uma caminhada pelas ruas de Casa Amarela, bairro na região norte
da capital.
A programação começou em frente ao Bar da Mira, tradicional reduto da comida
regional pernambucana, e seguiu até o Mercado de Casa Amarela.
Com informações do Diario de
Pernambuco/Correio Braziliense