terça-feira, 2 de agosto de 2022

A Consciência Política tentando combater a Ignorância Erudita


Dag Vulpi

Os impulsionadores da ignorância erudita tem uma certa predileção por difundirem certos temas. É praticamente impossível você visitar uma rede social e não se deparar com alguma postagem ou comentário onde o assunto tratado não seja o comunismo. Não há nenhum problema no fato de as pessoas exporem suas opiniões sobre esse tema, muito ao contrário, considero o assunto pertinente e merecedor de toda atenção. Na verdade, o que me incomoda é o fato de a maioria dos que se aventuram a enveredar nesse tema, não saberem diferenciar comunismo de ditadura. E esse desconhecimento acaba causando um grande "prejuízo" para a conscientização coletiva.
Ainda que não sendo um profundo conhecedor da causa, tentarei, de forma simples, colaborar na conscientização e consequente redução da ignorância erudita.
Sinteticamente explicarei os conceitos básicos de Ditadura e Comunismo.
Ditadura: é um regime governamental no qual todos os poder
es do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. O ditador não admite oposição a seus atos e ideias, e tem grande parte do poder de decisão.
Comunismo: é uma ideologia. Um movimento político, filosófico, social e econômico cujo objetivo final é o estabelecimento de uma sociedade estruturada sobre as ideias de igualitarismo, propriedade comum dos meios de produção e ausência de classes sociais, do dinheiro e do Estado. O comunismo é uma forma ESPECÍFICA de socialismo.
Agora que entendemos o básico do que preconizam uma ideologia comunista e um regime ditatorial, vamos fazer um pequeno exercício usando como exemplo uma ilha caribenha que atualmente passa por uma ebulição social e que sempre é citada como exemplo de regime comunista.
Vamos exercitar juntos
1 . Na ilha de Cuba existem classes sociais? Ou seja, lá, como em quase todos os demais países, existe uma parte majoritária da população que é muito pobre e outra minoritária formada por uma casta de cidadãos abonados?
2 . Na ilha de Cuba existe a presença do estado? Ou seja, lá existe representante ou representantes que concentra direitos políticos e determinam leis e regras que devem ser obedecidas por seus cidadãos.
Se a resposta para uma das perguntas acima for "SIM", Cuba NÃO é COMUNISTA, mas sim um DITADURA.
Vamos em frente.
1 . Na ilha de Cuba o governo concentra todos os poderes do estado? Por exemplo, o governante cubano impõe ao seu povo leis que limitam suas liberdades?
2 . O governo cubano não admite oposição aos seus atos e ideias e tem poder absoluto de decisão?
Se a resposta para uma das perguntas acima for SIM, Cuba é uma DITADURA e não COMUNISTA.

O Antipetismo e a eleição do "mito"

 Dag Vulpi - 04 de maio de 2022

Segundo dados do último censo realizado no Brasil, (2010), mais de 50% da população era composta por negros e pardos. Em 2018 a maioria da população negra do Brasil optou por votar num racista. As mulheres, que também são maioria nesse país, optaram por votar num machista. A maioria da população LGBT, que também é grande, optou por votar num homofóbico. A esmagadora maioria da população brasileira é composta por pobres, sendo que a maioria desses optou por votar num político sem propostas que pudessem beneficiá-los. Ao contrário, suas principais propostas de governo, eram as de liberar armas e beneficiar empresários, banqueiros, militares, pastores evangélicos e rentistas.
A fila do osso, a maior inflação dos últimos 19 anos, o menor salário mínimo das Américas, ficando à frente somente do da Venezuela, o maior índice de desemprego dos últimos 10 anos, 70% da população endividada e negativada e toda a desesperança por qual esse povo passa tem culpados e pode estar certo de que o Ciro não está entre eles.
Os negros, as mulheres, os homossexuais e os pobres brasileiros, usaram como justificativa para seus votos num "mito" racista, machista, misógino, homofóbico e fascista o receio da volta do PT ao poder. O antipetismo foi o grande responsável pela eleição do Bolsonaro. Não estou com isso sugerindo que o antipetismo foi e é de responsabilidade exclusiva do PT, contudo, não posso eximi-lo de grande parte de culpa por essa repulsa.

Triplex, Sítio e Terreno do Instituto Lula


O que temos de fatos nesses casos:

1. O STF já julgou o caso. Considerou o Sérgio Moro um juiz parcial e anulou todas as condenações desse caso contra o ex presidente Lula.
2. Os processos dos casos do triplex do Guarujá, do terreno do instituto Lula e do sítio em Atibaia, não deveriam ter sido investigados e julgados em Curitiba, pois lá não era a jurisdição desses casos.
3. A falecida Dona Letícia, ex primeira dama e o ex presidente Lula compraram, junto a uma cooperativa habitacional, as cotas partes referentes a um apartamento no Guarujá.
4. Recentemente o ex presidente Lula ganhou na justiça o direito ao ressarcimento, com as devidas correções monetárias, pelos valores pagos à cooperativa habitacional referentes a um apartamento na praia do Guarujá .
4. A forma como o terreno do instituto Lula foi adquirido ainda está sob suspeita.
Conclusão:
Será que, se ao invés desses processos terem sido investigados e julgados por um juiz incompetente e parcial, tivessem sido julgados por um juiz sério, honesto e numa comarca de São Paulo, o Lula hoje seria candidato?
Nunca saberemos.

Lula e Bolsonaro: diferenças e semelhanças


 Por Augusto de Franco - 15/04/2022

Lula é muito diferente de Bolsonaro. Mas há semelhanças. Vejamos um resumo nos treze pontos abaixo.
1 – Lula é democrata. Ele não quer dar golpe de Estado e sim vencer eleições sucessivamente, delongando seu partido no governo e ganhando tempo para conquistar hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo PT. Bolsonaro é autocrata. Ele quer dar um golpe de Estado, mas não tendo força para tanto vai se contentando em erodir a democracia.
2 – Bolsonaro quer degradar nossa democracia eleitoral para transformá-la em uma autocracia eleitoral. Seu modelo é a Hungria atual. Lula, pelo contrário, quer conservar a democracia que temos, mas enfreando o processo de democratização para que nossa democracia eleitoral não se converta em uma democracia liberal. O problema é que se a democracia eleitoral não caminha para ser uma democracia liberal ela pode decair para uma autocracia eleitoral (Orbán e Erdogan, pela direita e Maduro e Ortega, pela esquerda, são os melhores exemplos).
3 – Bolsonaro quer degenerar as instituições para desativar os sistemas de freios e contrapesos que podem evitar que nossa democracia eleitoral vire uma autocracia eleitoral. Lula, não. Ele quer manter as instituições e ocupá-las, fazendo maioria partidária em seu interior – mas tudo numa boa.
4 – Bolsonaro é populista. Lula também. Mas Bolsonaro é um populista autoritário (de extrema-direita) na linha de Trump, Farage, Orbán, Erdogan, Salvini, Le Pen (ou até Zemmour). Já Lula é um neopopulista (de esquerda) na linha de Chávez, Evo, Correa, Lugo, Funes, Zelaya, Cristina, Fernandez e Obrador. Mas Lula não consegue evitar (se é que gostaria) que os dirigentes e militantes do PT, em sua ampla maioria, continuem apoiando Cuba, Angola, Venezuela e Nicarágua – que são ditaduras. Como populistas, tanto Bolsonaro quanto Lula são iliberais.
5 – Bolsonaro apoia a guerra de Putin contra as democracias liberais. Lula e a maioria dos quadros do PT não condenam a invasão de Putin à Ucrânia e concordam com o ditador russo quando se contrapõe ao imperialismo norte-americano e ao suposto neocolonialismo das democracias liberais europeias. Subjetiva ou objetivamente, porém, ambos aceitam que o mundo volte à época da guerra fria e da política de blocos.
6 – Bolsonaro quer destruir os meios de comunicação profissionais independentes. Lula quer impor um controle “social” sobre esses meios de comunicação.
7 – Bolsonaro não gosta da autonomia das agências reguladoras. Lula também não. Ambos são estatistas.
8 – Bolsonaro aparelha as instituições do governo e do Estado. Lula também (aliás, foi ele quem começou a fazer isso em larga escala).
9 – Bolsonaro se cerca de aliados fisiológicos e corruptos para ter maioria no parlamento. Lula também alugou parlamentares com o mesmo propósito (vide o mensalão). Ambos são majoritaristas.
10 – Bolsonaro quer usar as empresas estatais, como a Petrobrás, com propósitos políticos. Lula e o PT também (aliás, o exemplo mais notório é o do chamado petrolão).
11 – Bolsonaro é negacionista da pandemia e das vacinas. Lula, a seu modo, também é um negacionista. Ele ou seu partido e os intelectuais que o apoiam dizem que não houve mensalão, nunca houve petrolão, não houve aparelhamento do Estado por militantes petistas, o PT nunca defendeu controlar a mídia tradicional, o PT jamais defendeu as ditaduras cubana, angolana, venezuelana e nicaraguense, o PT nunca apoiou Putin e que o lulopetismo não é um populismo de esquerda.
12 – Para Lula e Bolsonaro as eleições são um modo de chegar ao poder e nele se manter. Eles não gostam da rotatividade ou não acham que a alternância democrática seja algo desejável. Como populistas que são, não saem facilmente do poder apenas pelo voto.
12.1 – Aliás, esse é um comportamento típico dos populistas, inclusive dos neopopulistas ditos de esquerda. Quem discordar deve fornecer exemplos de um neopopulista de esquerda cujo partido saiu do poder apenas pelo voto. Cerén (FMLN), em El Salvador, é a exceção que confirma a regra. Cristina – e seu candidato Scioli – não era uma neopopulista típica (e sim um ator em transição do velho populismo peronista para o novo populismo de esquerda do século 21). Quem mais? Ortega, depois que aderiu à via eleitoral, está no poder desde 2007. Chávez não saiu até morrer e seu seguidor Maduro continua no governo. Lugo foi impeachment. Zelaya foi preso. Correa elegeu o sucessor. Evo deu um golpe branco para se prorrogar no governo e, depois, sofreu um golpe parlamentar. Lula elegeu Dilma, apeada por impeachment. Com uma (única) exceção, nenhum partido que abrigava esses populistas saiu do governo apenas pelo voto.
13 – Lula e Bolsonaro são muito diferentes. A diferença básica é que Bolsonaro é um autocrata eleitoral, enquanto que Lula é um democrata eleitoral. Mas ambos são iliberais e majoritaristas.

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