quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Dilma sanciona nova lei das cotas nas federais


Reserva de 120.000 vagas em universidades a oriundos de escolas públicas não aprimora educação básica, oferecida a 40 milhões de brasileiros

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira a Lei das Cotas, que reserva 50% das vagas de universidades federais a alunos oriundos de escolas públicas. A distribuição das 120.000 vagas a serem ocupadas dessa forma deverá observar ainda a cor da pele dos candidatos – sempre haverá, portanto, vagas reservadas a negros, pardos e índios na proporção dessas populações em cada estado. Metade dessas cotas é voltada a estudantes de famílias de baixa renda. Aprovada no Senado no dia 7 de agosto, a lei foi sancionada sem alterações importantes. Dilma vetou apenas o 2º artigo, que determinava a seleção de alunos do sistema público por meio de um Coeficiente de Rendimento (CR), ou seja, a média de suas notas no ensino médio. Com o veto, passa a ser usado o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Na prática, a lei estabelece que metade das 240.000 vagas mantidas nas federais não serão mais ocupadas segundo o mérito acadêmico dos candidatos. A própria presidente deixou isso claro no evento em que sancionou a lei, no Palácio do Planalto: "Nada adianta eu manter uma universidade fechada e manter a população afastada em nome da meritocracia", disse. A disposição, portanto, se choca frontalmente com um pilar do ensino superior de qualidade: a manutenção da excelência em todos os níveis – discente e docente –, com o objetivo de fazer avançar o conhecimento, rendendo frutos para toda a sociedade. Ao invés disso, busca pretensamente corrigir uma distorção de fato existente – o escasso acesso de estudantes de escolas públicas à educação superior pública. A lei, porém, não atua de forma alguma na razão do problema: a péssima qualidade (com raras exceções) da formação básica oferecida por governos das três esferas. Dessa forma, não está claro qual problema pretende combater.

Do ponto da qualidade da produção acadêmica, a lei pode ter consequências jamais desejadas para quem busca a excelência. Ao lado de suas congêneres estaduais, as 59 universidades federais são, em conjunto, responsáveis pela parcela mais importante da produção de pesquisa e conhecimento do Brasil. Respondem por 86% dos artigos científicos publicados internacionalmente, como mostrou a reportagem de VEJA desta semana "O grande erro das cotas". Atingir esse nível só é possível quando as instituições atraem para si os professores e os alunos mais bem preparados. Agora, a lei coloca nesse seleto grupo cotistas vindos do deficiente ensino público.

A culpa de tal desnível não é, evidentemente, dos cotistas, mas das escolas. Segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) relativos ao ensino médio, ciclo imediatamente anterior ao superior, as escolas públicas obtiveram média de 3,4 numa escala de 0 a 10 – as privadas participantes da avaliação ficaram com nota 5,7. A lei agora sancionada não traz nenhum mecanismo para reverter tal fracasso. Pode até ajudar a mascará-lo ao reservar vagas para estudantes que, de outra forma, não teriam acesso às federais.

O próprio ministro da Educação, Aloizio Mercadante, entusiasta das cotas, reconhece que os oriundos do sistema público de ensino brasileiros estão muito defasados. Na semana passada, ao comentar a lei, disse que as universidades federais "terão que se preparar” para receber os novos alunos. "Onde necessitar um nivelamento, terá de ser feito um nivelamento. Vai ter que ter um período de adaptação para os alunos, inclusive nas férias." É como se as universidades, ao invés de primar pela excelência, assumissem o papel de "escola de reforço", preocupada em ensinar a quem não aprendeu o que deveria nos anos precedentes.

É justamente no ciclo básico, formado pelas etapas fundamental e média, que deveriam estar concentrados os esforços do governo. Pois ali está a massa de alunos brasileiros. Em 2010, foram registradas 31.005.341 matrículas no ensino fundamental (1º ao 9º ano), 8.357.675 no médio e 5.449.120 no superior, segundo dados do Censo Escolar. Se governo e patrocinadores da lei das cotas investissem sua inteligência e marketing no aprimoramento da educação básica ajudariam, ao ano, quase 40 milhões de brasileiros – e não apenas 120.000 cotistas. Mas as cotas, digamos, fazem mais barulho. Por isso, sintetiza Gustavo Ioschpe, economista e colunista de VEJA: "A Lei das Cotas não passa de migalha (...) A maneira de tirar milhões de negros da privação é melhorando a qualidade do ensino básico." 

Além de todas as limitações e equívocos da lei, o desacerto mais gritante é a eleição do critério de raça para beneficiar os estudantes. Para combater o mal da desigualdade de oportunidades entre estudantes provenientes das redes privada e pública, que deve ser combatido, melhor seria ampliar-se a reserva garantida a alunos oriundos de famílias pobres. Isso estabeleceria um critério mais objetivo e, segundo estudos recentes, mais produtivo. Como mostrou a reportagem de VEJA desta semana "Em busca do melhor", após décadas de experiência, os Estados Unidos começam a definir uma nova política de cotas apoiada no critério econômico. É o ataque a esse problema que produz os melhores resultados.

Minha sugestão de leitura:
* LEI DE COTAS RACIAIS – UM EQUIVOCO DAS AÇÕES AFIRMATIVAS (com vídeo de um especialista Americano)

OGX cai forte na bolsa após anúncio de novo diretor


Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 9,62%,


São Paulo - As ações da OGX (OGXP3),do bilionário Eike Batista, caem forte hoje na Bovespa com o anúncio da nomeação de Paulo de Tarso Martins Guimarães para o cargo de diretor de exploração. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 9,62%, negociados a 5,92 reais.

Paulo de Tarso ocupava o cargo de gerente executivo de exploração desde abril deste ano. O executivo ingressou na OGX em 2010, como gerente executivo de novas áreas. Ele entra na vaga deixada por Paulo Ricardo dos Santos. Segundo comunicado publicado na página da OGX, o executivo deixa o cargo para ocupar outra posição dentro da holding do grupo EBX.

De acordo com a coluna de Lauro Jardim de Veja, a OGX registrou outras baixas nos últimos dias: os gerentes executivos Edmundo Marques e Luiz Reis deixaram a empresa, além do ex-presidente da OGX, Paulo Mendonça, que já havia deixado seu cargo em junho e agora sai de vez do grupo EBX. 

Na segunda-feira, o UBS reduziu suas previsões para a OGX. Na nova projeção, o preço-alvo para as ações passou de 7,50 reais para 7,20 reais - queda de 4%. A analista Lilyanna Yang decidiu rever as estimativas por conta dos atrasos nas explorações de petróleo e na entrega da plataforma WHP. A expectativa de produção também foi cortada. A recomendação segue neutra. 

Como o Itaú já fez mais de 500 funcionários pararem de fumar


Programa interno oferece tratamento por um ano, além de acompanhamento posterior

No dia 30 de agosto, é promovido o Dia Nacional de Combate ao Fumo. O vício é uma das preocupações das empresas, já que pode causar uma série de problemas de saúde aos funcionários. E o Itaú Unibanco aproveitou para fazer um balanço de seu programa interno antitabagismo.

Criado em 2006, o programa do Itaú já atendeu cerca de 1.200 funcionários. Destes, cerca de 550 efetivamente largaram o cigarro. O programa é oferecido para os funcionários administrativos e da rede de agências bancárias da Grande São Paulo.
As inscrições são abertas duas vezes por ano, e devem ser feitas por meio da intranet do banco. Não há limite de vagas, mas os inscritos são divididos em grupos de 12 pessoas, para participar das atividades.

Dinâmica
Os participantes passam por palestras, dinâmicas de grupo, técnicas de respiração, orientação nutricional e apoio psicológico. No total, o tratamento dura um ano, com uma sessão por mês, além de três consultas médicas.

Mais um grupo de 40 funcionários deve começar o programa em setembro. A adesão é voluntária, e não há punições para quem desiste no meio do caminho – ou não consegue parar de fumar. No total, o Itaú Unibanco conta mais quase 105.000 funcionários, de acordo com a edição especial Melhores e Maiores de EXAME 2012.

Apple vale mais do que Microsoft, Google, Amazon e Facebook

Juntos, os valores das empresas atingiriam a marca de US$ 630,9 bi, inferior aos US$ 632,5 bi da Apple


A Apple realizou uma façanha poucas vezes ocorrida no mercado de tecnologia: superou o valor de mercado das principais companhias americanas do segmento somadas.

Juntos, os valores de mercado da Microsoft (256,7 bi de dólares), Google (221,4 bi de dólares), Amazon (111,2 bi de dólares) e Facebook (41,3 bi de dólares) atingiriam a marca de US$ 630,9 bi.

Sozinha, com seus papéis negociados a 676 dólares, a Apple tem valor de mercado superior a 632,5 bi de dólares.
A observação foi primeira notada pelo designer e analista americano Kontra e divulgada no Twitter.

A Apple atingiu novo valor de mercado recorde na segunda-feira, primeiro dia útil após a sentença que condenou a Samsung a pagar 1 bilhão de dólares à empresa cofundada por Steve Jobs. Na ocasião, cada ação da Apple chegou a ser negociada por 680,87 dólares.

A notícia também derrubou as ações do Google, detentor do sistema operacional Android, utilizado nos smartphones da Samsung, que recuou 1,4%.
Ao mesmo tempo, a desvalorização das ações do Facebook, em quase 50% em relação ao valor de oferta inicial ao mercado, corrobora o cenário favorável à Apple.

Justiça proibe Hartung de aparecer em programa eleitoral do PPS



A justiça eleitoral de Guarapari proibiu ontem que o ex-governador Paulo Hartung, filiado ao PMDB, e outros peemedebistas como o senador Ricardo Ferraço e o deputado Lelo Coimbra, continuem a aparecer no programa eleitoral do PPS. 

Na cidade o PMDB está coligado com o PSB do candidato Ricardo Conde. No município todo o partido apóia a candidatura do ex-vereador Conde. 
No programa eleitoral na TV, o candidato do PPS, Edson Magalhães (PPS), vinha exibindo imagens do ex-governador, do senador e do deputado, dizendo que ele (Edson) é o melhor. 

O programa foi ao ar, a tarde, mas suspenso no mesmo dia. Não reprisou à noite por decisão judicial.
O programa de Edson Magalhães que foi ao ar na segunda feira as 13:00 horas não voltou a ser exibido no horário das 20:30. 

Tudo por causa de imagens e depoimentos que foram veiculados com membros do PMDB, partido que está coligado com o PSB. 
A decisão abre um precedente perigoso, pois juízes de Vitória, Vila Velha e outros municípios, podem determinar a mesma proibição. 

Em Vitória, por exemplo, Paulo Hartung apóia o candidato do PSDB, ex-prefeito Luiz Paulo.

Em Vila Velha Hartung apóia o candidato do DEM, seu ex-secretário de Segurança Rodney Miranda. 

Governo tem superávit primário de quase R$ 4 bilhões em julho


O superávit primário do Governo Central – receita menos despesa do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, excluídos gastos com juros da dívida pública - ficou em R$ 3,950 bilhões em julho. Em junho, o resultado foi R$ 1,113 bilhão. Houve crescimento de 258,2% na comparação entre os meses, segundo dados divulgados pelo Tesouro.

No acumulado do ano, a economia, feita para o pagamento de juros da dívida pública, foi menor do que a dos sete primeiros meses de 2011. De janeiro a julho deste ano, o resultado ficou em R$ 51,905 bilhões contra R$ 67,335 bilhões em igual período do ano passado, o que representa queda de 22,9%.

Além disso, as despesas do Tesouro, da Previdência e do Banco Central cresceram a um ritmo mais acelerado do que as receitas. De janeiro a julho deste ano, as despesas somaram R$ 452,569 bilhões, contra R$ 403,931 bilhões no mesmo período do ano passado, um incremento de 12%. As receitas, por sua vez, cresceram de R$ 570,151 bilhões para R$ 670,112 bilhões na mesma comparação, o que significa um aumento menos expressivo, de 7%.

STF próximo de terminar a primeira parte do julgamento do mensalão



As primeiras decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, o chamado processo do mensalão, podem sair nesta quarta-feira (29). A Corte retoma a análise do processo, a partir das 14h, com a manifestação dos cinco ministros restantes para a conclusão da primeira parte do julgamento.

Até agora, os seis ministros que já votaram limitaram o debate às acusações de desvio de dinheiro público na Câmara dos Deputados, no Banco do Brasil e no fundo Visanet. Segundo o Ministério Público, as quantias eram usadas para alimentar o pagamento de propina a parlamentares.

Até o momento, a Corte foi unânime em todas as decisões sobre desvios no Banco do Brasil e no fundo Visanet. Já receberam maioria de seis votos pela condenação os réus Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil (corrupção passiva e peculato) e os sócios Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz (corrupção ativa e peculato).

Também já há maioria para livrar o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken das acusações de peculato. A absolvição já havia sido solicitada pelo Ministério Público Federal nas alegações finais do processo por falta de provas. A maioria formada pode ser alterada até o fim do julgamento caso algum ministro mude de ideia.

A unanimidade não se repetiu, no entanto, nas acusações que têm como protagonista o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). Ricardo Lewandowski e Antonio Dias Toffoli entendem que João Paulo não recebeu propina para favorecer Valério e seu grupo em um contrato na Casa, e absolvem todos os envolvidos. Opinião diversa têm os ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia, que os consideram culpados dos crimes de corrupção e peculato.

João Paulo e Pizzolato também respondem pelo crime de lavagem de dinheiro, mas ainda não há maioria formada em nenhum dos dois casos porque a ministra Rosa Weber deixou para votar depois sobre o tema.   Pizzolato recebeu até agora cinco votos pela condenação nesse crime e João Paulo Cunha, três.

O primeiro a  falar nesta quarta-feira será o ministro Cezar Peluso, que deve apresentar o último voto de sua carreira como ministro da Suprema Corte. Ele se aposenta compulsoriamente no início de setembro ao completar 70 anos, e sua última sessão será amanhã (30). O ministro pode, em tese, adiantar todo o teor de seu voto, passando inclusive à frente do relator e do revisor, mas essa é uma hipótese considerada pouco provável.

Depois de Peluso votam Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e o presidente Carlos Ayres Britto. A principal dúvida se o julgamento da primeira parte terminará efetivamente nesta quarta está no voto de Celso de Mello. Decano da Corte, ele geralmente traz votos bastante longos, com fartas referências históricas e de direito comparado, além de alusões à jurisprudência do STF.

Mesmo que as primeiras condenações saiam hoje, os réus envolvidos nessas acusações ainda não terão um veredito. Os ministros deixaram para o final do julgamento a análise da chamada “dosimetria”, em que ponderam atenuantes e agravantes para definir a pena justa entre o mínimo e o máximo permitido por lei.

Brasil gasta mais de R$ 20 bilhões para tratar doenças relacionadas ao tabaco


O Brasil gastou 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 para tratar doenças relacionadas ao tabaco, conforme levantamento feito pela organização não governamental Aliança do Controle do Tabagismo (ACT). Os gastos somaram quase R$ 21 bilhões no ano passado. O Dia Nacional de Combate ao Fumo é lembrado hoje (29) em todo o país.

De acordo com os dados da ACT,  82% dos casos de câncer de pulmão no país são causados pelo fumo. Outros problemas de saúde também são provocados pelo cigarro: 83% dos casos de câncer de laringe estão relacionados ao tabagismo, 13% dos casos de câncer do colo do útero e 17% dos casos de leucemia mieloide.

No Distrito Federal (DF), por exemplo, a arrecadação, em média, é R$ 6,2 milhões mensais com a venda de cigarros (o valor corresponde a 25% do preço por maço). Por outro lado, o governo local gasta R$ 18 milhões por mês com o tratamento de doenças vinculadas ao fumo, segundo o pneumologista e coordenador do Programa de Controle do Tabagismo da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Celso Rodrigues.

Para o médico, os números mostram o impacto do vício na saúde. De acordo com Rodrigues, o tabagismo cria dependência química, física e psicológica, o que influencia no tratamento. “É muito importante que a pessoa entenda a relação dela com o cigarro. Ela tem que entender por que fuma, por que deseja parar de fumar e onde está a dificuldade, por que não parou até agora”, explica.

A secretaria oferece terapia em grupo, durante um ano e três meses, em 62 unidades de saúde e em 47 empresas habilitadas a atender funcionários interessados em parar de fumar. Ações de prevenção e promoção de saúde também são promovidas em escolas.

Em média, 500 fumantes iniciam o tratamento nas unidades de saúde a cada mês. Cerca de 400 pacientes conseguem deixar o fumo, sendo que 200 têm recaídas durante a terapia - quando os pacientes são orientados a buscar a secretaria novamente caso voltem a fumar.

O cigarro vicia porque o principal componente – a nicotina –  faz com que o cérebro libere dopamina, hormônio que dá uma sensação agradável. O organismo do fumante passa a pedir doses maiores de nicotina para que a sensação se repita e a pessoa sente necessidade de fumar cada vez mais.

Os males causados pelo fumo não são apenas relacionados ao sistema respiratório. Segundo Mônica Andreis, vice-diretora da ACT, as pessoas ligam o cigarro somente ao câncer de pulmão. “Ele também causa câncer de bexiga, boca, língua, faringe, problemas de fertilidade e derrame cerebral.”

Paulo Preto diz que não conhece Carlinhos Cachoeira


O engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, estatal rodoviária do governo de São Paulo, disse há pouco, ao chegar para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Cachoeira, que não conhece o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que não tem o que temer.

Paulo Preto é apontado pela Polícia Federal como responsável por contatos entre a estatal paulista e a empresa Delta Construções. Ele ainda é apontado como operador de um suposto caixa 2 para campanhas tucanas.

“Fui convocado para esclarecer e esclarecerei. Não me sinto intimidado. Vou falar a minha versão, que é a verdade dos fatos”, disse Paulo Preto. “Só sou ameaça para os incompetentes”, completou.

Paulo Preto não ingressou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) que lhe garantiria o direito de permanecer em silêncio. Pela Constituição Federal, nenhum cidadão é obrigado a produzir prova contra sim próprio, mesmo sem o benefício do habeas corpus. Contudo, o instrumento tem sido requerido por várias pessoas convocadas para depor em CPIs por precaução.

Sobre Cachoeira, o engenheiro disse que o conhece apenas pelo que viu publicado na imprensa. “Não conheço o Carlos Augusto Ramos. O que soube é pela imprensa”, frisou.

A CPMI do Cachoeira se reúne hoje para ouvir, além de Paulo Preto, o ex-dono da Delta Fernando Cavendish. O empresário ingressou e conseguiu habeas corpus para permanecer em silêncio.

Missão da OEA, no Paraguai, trabalha em conjunto com o governo para observar a situação política no país


Suspenso do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) por dúvidas sobre a forma como o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi destituído do poder, o Paraguai é observado até quinta-feira (30) por uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA). O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, disse que a missão vai analisar a situação política com vistas às eleições de abril de 2013.

O chanceler acrescentou que a missão da OEA é a primeira que chega ao país, mas o governo do Paraguai aguarda por mais estrangeiros. Os observadores se reuniram ontem (28) com o presidente paraguaio, Federico Franco, e autoridades do Legislativo e Judiciário. Segundo o chanceler, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do país trabalhará em parceria com a missão.

A missão da OEA é formada pelos secretário para os Assuntos Políticos, Kevin Casas-Zamora, a assessora do secretário-geral, Ana Perez Katz, e o secretário de Assuntos Políticos, Juan Carlos Roncal. Ontem foi confirmado o nome do novo representante do Paraguai na OEA, Martín Sannemann, que ocupava o cargo de ministro da Secretaria de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento.

"O Paraguai, por intermédio do governo, deu garantias de que todas as eleições ocorrerão da melhor forma possível, mantendo a nossa tradição, como foram as últimas [eleições] livres, transparentes e justas", disse o ministro.

A reação do chanceler é uma resposta aos líderes sul-americanos que levantam dúvidas sobre a forma como ocorreu o impeachment de Lugo, em 22 de junho, quando a Câmara e o Senado, em menos de 24 horas, aprovaram sua destituição do poder. Para os integrantes do Mercosul e da Unasul, não foi dado prazo a Lugo para se defender e a ordem democrática foi desrespeitada.

O governo Franco negou irregularidades no processo, informando que a Constituição e as leis paraguaias foram obedecidas. Ao mesmo tempo, o governo se esforça para reconquistar seu espaço no cenário internacional. O presidente paraguaio avisou que participará, no final de setembro, da Assembleia Geral das Nações Unidas, nos Estados Unidos.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay.

Ministra do STF afirma que corrupção coloca em risco instituições


Cármen Lúcia condenou João Paulo Cunha, no julgamento do mensalão, em todos os crimes


"O que coloca em risco as instituições é a corrupção", alertou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, 28, em Brasília.

Cármen conversou com jornalistas no terceiro andar do Anexo II do STF. Explicou o alcance de seu voto no julgamento do mensalão, proferido na sessão de segunda-feira, 27.
Ela condenou o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), candidato a prefeito do município de Osasco, na Grande São Paulo.

O parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, que a ele imputou os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Cármen votou pela condenação de João Paulo em todos os crimes. "Eu estou dizendo: o que coloca em risco as instituições é a corrupção", diz a ministra.

"Nós temos que julgar, eu já tinha dito isso lá na denúncia (quando ela recebeu a denúncia do mensalão, feita pela Procuradoria-Geral da República, em 2007). Falaram 'ah, vai demorar se não desmembrar'. Problema nosso, temos que julgar."

Ao ser indagada sobre como acabar com a corrupção e o desabafo que fez para o País, em seu voto, Cármen Lúcia disse. "Eu sempre fui de comissão de ética de tudo quanto é lugar, de hospitais, eu acho que é mesmo jogando luz em todo lugar (que se combate a corrupção). Onde não tiver sombra fica sempre mais difícil, não tem fórmula, não é?"
"Sabe o que eu acho?", prosseguiu a ministra do STF. "(Eu acho) que a vida é igual a uma estrada. Não adianta você dizer que foi na reta certinho, mil quilômetros e depois você entra na contramão e pega alguém. É a mesma coisa. Você tem que ser reto a sua vida inteira. Independente do que o outro fizer, independente de o outro atravessar a estrada. Se você estiver certo, você terá contribuído para o fluxo da vida ser mais fácil. Isso no serviço público muito mais."

A ministra prosseguiu, referindo-se aos escândalos de corrupção no País. "Porque não dá para um cidadão ir dormir imaginando que no espaço público tem alguém fazendo coisa errada. É ruim, é ruim para nós. Olha o tanto que incomoda uma coisa dessas (o mensalão). Eu espero que quando chegar minha hora de ir embora do serviço público que as pessoas saibam que cometi erros, com certeza, mas eu tentei ser, eu fui honesta e nunca nenhum cidadão foi dormir achando que um erro meu foi não por meu limite, mas por um descuido meu."

Cármen Lúcia disse. "Eu não me descuido da parte ética. E eu acho que é a única forma de a gente viver na sociedade. Senão as pessoas não acreditam, democracia vive da confiança e a confiança precisa disso. Você tem que dormir sabendo que 'olha pode até não dar conta de fazer tudo o que era preciso fazer, mas tentou'."

Ela observou que sua posição contra a corrupção não se deve à sua experiência no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corte que preside. "Não é por causa disso, é por causa da minha condição de cidadã. Eu acho que isso não é favor, eu acho que nós temos que ser honestos o tempo todo. Quem convive com a gente não pode ter que desconfiar disso porque é ruim, a pessoa se sente injuriada."

A ministra votou pela condenação de João Paulo inclusive no episódio em que o deputado recebeu R$ 50 mil da SMP&B, dinheiro sacado na boca do caixa pela mulher do petista, em 2003. Ela comentou a seu modo o recado que deu ao País de que o Judiciário não aceita versões singelas. "É porque você é um homem gentil e porque eu sou uma juíza. Porque se nós dois estivéssemos conversando eu diria mais. Mas é isso mesmo. Eu acho que mudou, gente. Mudou muito."

"O meu voto está pronto", afirmou Cármen Lúcia. "É tudo muito triste para o Brasil, enquanto estiver assim. E eu não posso dormir também feliz a 45 dias da eleição."

Supremo define nesta quarta futuro de João Paulo Cunha


Deputado está a 2 votos de condenação; se ministros o julgarem culpado de 4 crimes, ele terá de cumprir pena em regime fechado

A dois votos de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal, o deputado e candidato a prefeito de Osasco João Paulo Cunha (PT-SP) é acusado de crimes que podem levá-lo à cadeia. Com sua condenação, que pode ser sacramentada nesta quarta-feira, 29 - quatro ministros já votaram nesse sentido nos crimes de corrupção passiva e peculato -, João Paulo aguardará o cálculo de sua pena.

A situação do ex-presidente da Câmara é análoga à de Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil que, segundo a maioria dos ministros votou na segunda-feira, cometeu os crimes de corrupção passiva e peculato e, nesta quarta, também pode ser condenado por lavagem de dinheiro - cinco integrantes do STF já o consideram culpado. Nesse crime, João Paulo foi condenado por três ministros na última sessão.

Por ora, a pena mínima dos três crimes de que João Paulo é acusado e está mais próximo de ser condenado soma 7 anos de prisão - dois anos por peculato, dois por corrupção passiva e três por lavagem de dinheiro. Porém, se o tribunal aceitar a acusação contra João Paulo pelo segundo peculato - nesse item, o placar está empatado em três votos a três -, o ex-presidente da Câmara poderá ser condenado a pelo menos 9 anos de reclusão e terá, obrigatoriamente, de cumprir a pena em regime fechado.

Pela lei brasileira, penas superiores a 8 anos devem ser cumpridas inicialmente no regime fechado. João Paulo ocupou a Presidência da República por dois dias em 2004, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou ao exterior e o vice José Alencar estava licenciado.

Como é réu primário, João Paulo deve ser punido com as penas mínimas previstas no Código Penal para os crimes de peculato (apropriação de bem em razão do cargo, em cada uma das duas acusações), corrupção passiva (recebimento de vantagem indevida) e lavagem de dinheiro (ocultação da origem de recursos). As penas máximas somadas dos três crimes chegam a 34 anos. Com o último peculato, as penas máximas somadas alcançariam 44 anos.

Recursos. Apesar de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ter pedido a prisão imediata dos acusados, isso não deverá ocorrer. A expectativa é de que, após o julgamento, o STF permita que os réus continuem em liberdade até a análise dos recursos que eles deverão protocolar contra a sentença. Isso poderá levar meses ou até anos.

João Paulo foi acusado pelo Ministério Público Federal de ter recebido ilegalmente R$ 50 mil do esquema do mensalão. O dinheiro foi sacado pela mulher do deputado, Márcia Regina, numa agência do Banco Rural em Brasília. Em troca, ele deveria favorecer agências de propaganda de Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz em licitações na Câmara - o petista era o presidente da Casa na época.

O parlamentar também foi acusado de se beneficiar da contratação da empresa IFT - Ideias, Fatos e Textos - do jornalista Luís Costa Pinto para garantir uma assessoria pessoal. Segundo o relator do processo, Joaquim Barbosa, a contratação da IFT por meio de empresas prestadoras de serviço para a Câmara teria sido uma maneira de o deputado manter os serviços de assessoria. O jornalista tinha trabalhado na campanha de João Paulo à Presidência da Câmara.

A expectativa é de que pelo menos o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, e o ministro Gilmar Mendes votem a favor da condenação de João Paulo pelos três crimes. A condenação do deputado também traçará uma tendência de veredicto para outros políticos que são réus, como os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT).

A dúvida será em relação ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Ele é acusado de ser o autor intelectual do esquema. Mas contra ele existem provas testemunhais. De acordo com Gurgel, o escândalo ocorreu entre "quatro paredes" do Palácio do Planalto. Antecipando-se à alegação da defesa, de que não há provas contra Dirceu, o procurador argumentou que mentores não costumam deixar rastros.

"O autor intelectual, quase sempre, não fala ao telefone, não envia mensagens eletrônicas, não assina documentos, não movimenta dinheiro por suas contas, agindo por intermédio de ‘laranjas’ e, na maioria dos casos, não se relaciona diretamente com os agentes que ocupam os níveis secundários da quadrilha", concluiu Gurgel.

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