quinta-feira, 21 de maio de 2020

Equívoco


Dag Vulpi 04/05/20

Ninguém está imune ao equívoco. E durante nossas vidas, certamente o cometeremos mais de uma vez.
"Proveniente do latim aequivocus, a palavra equívoco significa uma falácia que consiste numa afirmação com um significado diferente do que seria apropriado ao contexto, ou seja, a utilização da mesma palavra, mas com um sentido diferente, distorcendo o que seria na realidade dos fatos. Que pode ser entendido de diversas maneiras ou admitir diferentes explicações. ambígua."
Normalmente, porém nem sempre, os equívocos são cometidos por má interpretação, cuja situação permite entendimentos diversos.
Ao formar opinião a partir de suposições, o risco de cometer um equivoco é muito maior. Ao supor, despreza-se a regra elementar de sempre desconfiar quando determinada situação sugerir mais de uma maneira de ser compreendida.
"Dito" isso, não para justificar o equívoco do protagonista, mas sim para valorar o reconhecimento do erro. Trago abaixo uma ilustração para minhas considerações.
Confira:
Erick Vidigal, que apoiou eleição de
Bolsonaro em 2018, divulgou na sexta-feira (1) uma "carta aberta".
"Estou devendo desculpas aos meus alunos, às pessoas que sempre seguiram minhas orientações e para as quais eu dei essa infeliz orientação. Eu me arrependo, eu me iludi, como minha gente, como milhões de brasileiros. A gente estava na ânsia de ver as coisas mudarem e acabei me deixando levar por uma retórica populista, que é atraente. O discurso da moral e da ética não tinha como eu não apoiar, sendo membro da Comissão da Ética Pública. Isso me motivou. Depois eu percebi que foi uma apropriação indevida de um discurso que não é implementado na prática. É só um discurso, uma fachada."
O desabafo é do advogado Erick Vidigal, doutor e mestre em direito pela PUC de São Paulo, um dos seis conselheiros da CEP (Comissão de Ética Pública), que funciona no Palácio do Planalto vinculada ao presidente da República, Jair Bolsonaro. Durante a campanha eleitoral de 2018, Vidigal foi um dos subscritores de um "manifesto pela democracia, Brasil em debate. Juristas em apoio a Jair Bolsonaro".

Deixem ele curtir seu jetski sossegado


Dag Vulpi 10/05/20
Afinal, o "mito" já nos confortou com vários de seus belos discursos.
- "É só uma gripezinha!"
- "Um resfriadozinho!"
- "Brasileiro precisa ser estudado, não pega nada.Pode pular no esgoto que nada acontece!"
- "E daí?"
- Ele "é "messias" mas não faz milagre."
- Ele "não é coveiro."
- Ele "é a constituição."
"CALA A BOCA Oquei!!!!"
Não tem nada demais "ele" brincar de fake news como no caso do falso churrasco só para fazer um punhado de jornalistas de idiotas. Afinal, durante a campanha ele fez toda uma nação de idiota valendo-se desse mesmo expediente.
Os críticos do bolsonarismo não estão criticando o "mito" somente pelo fato de ele passear de jetski exatamente no dia em que o país que ele governa quebra o triste recorde de dez mil mortes em decorrência da Covid-19. Nem por ele brincar de Fake News. O problema está no descaso com o qual ele trata seu povo. Com a falta de sensibilidade com os familiares que perderam seus entes queridos para essa pandemia. As críticas estão no seu boicote diuturno ao isolamento social. Está na forma como comete os mesmos erros que prometeu combater quando em campanha eleitoral. Está na volta da maldita e velha política do toma-lá-dá-cá com os políticos mais rastaqueras desse país. Está na demissão de ministros que teriam sido escolhidos a dedo e por critérios exclusivamente técnicos. Como nos casos do Mandetta e do Moro. Mas, que acabaram sendo exonerados exatamente por estarem fazendo o que deles se esperava. Um cumprindo as determinações da Organização Mundial da Saúde e das demais instituições internacionais da área, já o outro, por cumprir os ditames das leis e em acordo com o que determina a Constituição do país.
É incompreensível essa forma incondicional com a qual 'alguns' bolsonaristas seguem o seu líder. Apoiaram o então juiz Sérgio Moro durante toda a lava jato e festejaram sua indicação para o ministério da justiça. Porém, bastou ele fazer uma crítica ao "mito", para que todos se voltassem contra ele.
A estória de que ele é "messias" mas não faz milagre é conversa pra boi dormir. Ele faz milagre sim. Ou conseguir transformar bandido em santo e santo em bandido não é milagre?

ARREPENDIMENTO



Dag Vulpi 05/05/20

É mais que compreensível, diria até esperado, que a pessoa se arrependa por cometer um erro.

Se por um lado o equívoco é um erro, por outro, o arrependimento é uma virtude que nos leva a mudar de opinião ou de comportamento em relação ao erro acontecido.

As consequências decorrentes dos equívocos cometidos são as balizadoras do nível de arrependimento. Quanto mais danosas as consequências, maior será o nível de arrependimento.

Tomemos por exemplo alguns equívocos trágicos, ocorridos ao longo da história e que "cobraram", um aínda cobra, um preço muito alto da humanidade.

"Apesar de suas enormes diferenças, Hitler, Mussolini e Chávez percorreram caminhos que compartilham semelhanças espantosas para chegar ao poder. Não apenas todos eles eram outsiders com talento para capturar a atenção pública, mas cada um deles ascendeu ao poder porque políticos do establishment negligenciaram os sinais de alerta e, ou bem lhes entregaram o poder (Hitler e Mussolini), ou então lhes abriram a porta (Chávez)."

["Como as democracias morrem" de Steven Levitsky]

"Dito" isso, com o intuito de alertar meus leitores da gravidade de um equívoco e a proporção que nosso ARREPENDIMENTO poderá atingir, trago abaixo uma ilustração para minhas considerações.

Confira:

"Surgira uma séria disputa entre o cavalo e o javali que viviam num mesmo pasto. E, como o javali a todo momento destruía a relva e turvava a água, o cavalo tomou a decisão de vingar-se. Então, o cavalo foi a um caçador e pediu ajuda para se vingar. O caçador concordou, mas disse: “Se deseja derrotar o javali, você deve permitir que eu ponha esta peça de ferro entre as suas mandíbulas, para que possa guiá-lo com estas rédeas, e que coloque esta sela nas suas costas, para que possa me manter firme enquanto seguimos o inimigo. ” O cavalo aceitou as condições e o caçador logo o selou e bridou. Assim, com a ajuda do caçador, o cavalo logo venceu o javali, e então disse:“ Agora, desça e retire essas coisas da minha boca e das minhas costas.” “Não tão rápido, amigo”, disse o caçador. “Eu o tenho sob minhas rédeas e esporas, e por enquanto prefiro mantê-lo assim.”

[“O javali, o cavalo e o caçador”, Fábulas de Esopo]

Moral: Assim, muitas pessoas, movidas por uma cólera irracional, caem elas mesmas submissas a outrem, por desejarem vingar-se dos inimigos.

Passadores de pano.


Dag Vulpi - 12/05/20
Ao mesmo tempo em que passam pano para os erros do "mito", essas mesmas pessoas execram outros políticos por terem cometido crimes assemelhados ou idênticos.
Oras bolas. Porquê o político dessas pessoas pode, porém, quando o erro é cometido por outro elas ficam tão indignadas?
Precisamos ser coerentes com o que defendemos. Justos nas nossas avaliações e honestos com nossos princípios.
Nunca tive problemas com isso, muito ao contrário, sempre foi muito fácil criticar os erros cometidos nos governos Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e agora continua sendo fácil criticar o do Bolsonaro. E sabem porquê pra mim foi fácil? Muito simples. Eu não tenho político corrupto de estimação!

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