domingo, 23 de setembro de 2012

Valério reclama que está sofrendo um 'linchamento'


Empresário diz ter ficado 'irritado' com o fato de ter sido condenado por peculato; advogado admite delação premiada em nova investigação

Por Fernando Gallo,
Enquanto sofre seguidas condenações no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza calcula os passos e ao mesmo tempo busca uma saída para tentar atenuar possíveis penas. A pelo menos duas pessoas com quem falou na última semana, Valério reclamou muito pelo fato de o Supremo tê-lo condenado por peculato. O empresário sustenta que não foram utilizados recursos público nas transações.

Valério evitou nos últimos dias aparecer em seu escritório, na capital mineira. Ele foi orientado pelo advogado, Marcelo Leonardo, e pelo amigo e ex-sócio Rogério Tolentino, também réu do mensalão, com quem divide a sala, a não comparecer ao local para evitar os jornalistas que faziam plantão em frente ao prédio.

Quem o viu recentemente, contudo, disse não tê-lo encontrado abatido nem choroso. Valério dirige o próprio carro, costuma buscar o filho na escola e frequenta a casa de parentes. Recentemente foi à casa de uma prima para assistir a um jogo do Atlético Mineiro, seu time no futebol. Mas vive um drama familiar. Se desentendeu com a mulher, Renilda Santiago, e deixou a confortável casa de ambos na Pampulha, região norte de Belo Horizonte, para morar em um flat.

Amigos que foram recebidos por Valério nos últimos dias disseram que o empresário preferia não assistir ao julgamento do mensalão pela televisão - quem acompanha cada segundo das sessões é Tolentino, que se autodenomina o "elo entre os advogados dos réus" do mensalão e afirma conhecer cada folha do processo.

Mas na semana passada o empresário desabafou ao conversar por telefone com o ex-deputado Virgílio Guimarães - petista que assume manter laços de amizade com o chamado operador do mensalão e foi responsável por apresentar o então dono das agências de publicidade SMPB e DNA à cúpula do partido. "Ele já teve um linchamento moral", disse Virgílio. "Eu vi ele reclamando por ser condenado por coisas que não fez. (Está) Totalmente indignado, mas com o Supremo, não com o PT", alega o ex-deputado.
Entre petistas mineiros, contudo, a reportagem da revista Veja, segundo a qual Valério teria dito a interlocutores próximos e familiares que Lula era de fato o "chefe" do esquema e a movimentação de recursos teria chegado a R$ 350 milhões, foi vista como uma clara ameaça. No partido a suposta reação de Valério criou "um clima de alerta" por entender que o empresário está "acuado" e sem perspectivas de se livrar da cadeia.
Os recados por meio da imprensa sempre foram entendidos como ameaça e o partido designou nos últimos anos interlocutores para manter as pontes com o empresário. Petistas ouvidos pelo Estado afirmam que Valério teria se incomodado pelo fato de ter sido "abandonado" às vésperas do início do julgamento no STF. Segundo um deputado, o próprio ex-ministro José Dirceu observou, há cerca de dois meses, durante um almoço com correligionários em Belo Horizonte, que Valério estava "muito solto".

Delação. A defesa do empresário admite que ele poderá recorrer ao instrumento da delação premiada caso seja instaurada uma nova investigação sobre fatos relacionados ao mensalão. Partidos de oposição anunciaram na semana passada que deverão pedir ao Ministério Público investigações sobre o suposto envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão logo após a conclusão do julgamento no STF.

"Eventualmente pode acontecer, se houver novas investigações ou coisa parecida ou algum outro procedimento ele pode (recorrer à delação premiada)", disse Leonardo. Embora juízes criminais observem que não há previsão legal de um procedimento específico para a delação, podendo ela ocorrer até na fase de execução da pena, o advogado afirma que não acredita que seja possível fazê-la na ação em julgamento no Supremo.

Em comício, Lula pede que militância não ataque partidos aliados


Em São Bernardo do Campo, ex-presidente disse que não falaria como antes, gritando, porque ainda precisa tomar cuidado com a garganta

"A tendência é melhorar ainda mais, porque o Brasil aprendeu a gostar de si. O Brasil aprendeu a eleger gente que gosta de gente, aprendeu a eleger pela primeira vez uma mulher presidente da república", disse Lula.
Segundo o ex-presidente - que faz neste domingo mais dois comícios, em Santo André, para o candidato Carlos Grana (PT), e em Diadema, para a reeleição do prefeito Mário Reali (PT)-, é preciso aproveitar o bom momento que vive o país. "Vamos ter que aproveitar o bom momento para eleger mais companheiros nossos." Lula estará ainda na segunda-feira em Mauá, apoiando Donisete Braga (PT), e disse que foi convidado para ir a Guarulhos e a Osasco.
"Vou tentar falar menos e cobrir o maior número de cidades possível para pedir voto para as pessoas", afirmou Lula.

Sem mordomia
O ex-presidente abriu seu discurso avisando que não falaria como antes, gritando, porque ainda precisava tomar cuidado com a garganta - em referência ao câncer tratado que teve na faringe. E durante os 13 minutos de fala pediu água por duas vezes, arrancando risos de todos nas duas.
"Cade minha água? Eu tenho que tomar água toda hora porque a garganta seca. Antigamente, quando ia para a porta de fábrica eu tomava uma caninha de manhã, mas agora, aos 66 anos, eu tenho que tomar uma aguinha aqui", disse da primeira vez.

MPES acusa Ângelo Roncalli de ser o “chefe da quadrilha” da Secretaria de Estado de Justiça


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Silvana Gallina e Roncalli
O ex-secretário de Estado de Justiça, Ângelo Roncalli, não pediu para sair do cargo, como anunciou o Governo do Estado em entrevista coletiva concedida secretário de Governo, Tyago Hoffmann. Ele foi acusado de praticar vários crimes pelo Ministério Público Estadual (MPES), enquanto administrador do sistema prisional capixaba – que recomendou sua demissão urgente. O mesmo se aplica a Silvana Gallina, ex-presidente do Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases) e o colombiano Gerardo Mondragon diretor da Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis).
Todos os três associaram-se com a finalidade de praticar diversos crimes contra a administração pública, demonstra a denúncia. Segundo o MPES, o trio utilizou a estrutura da Sejus (e Iases), com o objetivo de “futuramente, transferir à iniciativa privada a gestão de unidades de internação de menores infratores”, incrimina a peça acusatória.
Além de Roncalli, Gallina e Mondragon citados como os responsáveis pela ação criminosa e orquestradores de uma quadrilha para praticar fraudes em licitações públicas, peculato (roubo de dinheiro público), mais 14 pessoas, entre servidores públicos, assistente social, advogados, diretores administrativos, empresários e comerciantes foram denunciados.
A denúncia sustenta que desde 2006 a quadrilha frauda licitações públicas com o propósito de desviar recursos públicos.
A investigação policial deflagrada intitulada “Operação Pixote”, começou com um pedido do MPES que já apurava os fatos, em inquérito civil público, juntado integralmente aos autos. A ação criminosa foi feita por meio de interceptação telefônica, levantamentos de dados, informações, denúncias anônimas e delações.
O delegado da Polícia Civil, Rodolfo Laterza foi o responsável pela primeira fase do inquérito. Ele que solicitou a prisão de 13 pessoas, em agosto, quando também incluiu o nome do deputado estadual Josias da Vitória (PDT) nas fraudes. Com a inclusão do nome do parlamentar o processo foi encaminhado para o Tribunal de Justiça (TJES) devido o foro privilegiado. O delegado envolveu o deputado em decorrência que uma empresa familiar, que se beneficiava pelo esquema investigado. No entanto, o foro privilegiado acabou. Primeiro com o afastamento do cargo de Roncalli e a falta de sustentação do envolvimento do deputado. Toda a documentação foi encaminhada a um juízo singular.
Pontes faz criticas ao judiciário e ao delegado
destaque  posse eder pontes mpes dayana souza 71 MPES acusa Ângelo Roncalli de ser o  “chefe da quadrilha” da Secretaria de Estado de Justiça
Eder Pontes
Toda a documentação foi encaminhada ao chefe da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), Eder Lopes. Por meio de sua assessoria informou que “entregou a manifestação da instituição com parecer em relação ao chamado “Caso Iases” ao Tribunal de Justiça”. A nota no site MPES informa ainda que requereu a quebra do sigilo imposto nos autos, por entender que todos os fatos ali narrados são de conhecimento público, recebendo ampla cobertura jornalística.
Isto ficou patente. Em um dos pareceres da PGJ, quando narrou: “viu-se o órgão ministerial surpresado pela deflagração de uma operação, de forma prematura e açodada, da qual somente tomou conhecimento pela imprensa, vez que não foi ouvido quando dos pedidos de busca e apreensão e prisão temporária representados pela autoridade policial e deferidos judicialmente”.
Eder Lopes considerou irregulares a decretação da prisão provisória, “com trâmite exclusivo entre a Polícia Civil e o Poder Judiciário, continuando o Ministério, Público alijado, somente tendo acesso a noticias dos autos através de publicações na imprensa…”. Ele considerou que são fatos graves e merece a necessária apuração. Nada mais disse.
Denúncia
A denúncia de 65 páginas assinada pelo procurador-geral de Justiça Eder Lopes destacou a rede criminosa instalada no âmbito da Sejus e do Iases, iniciada a partir da contratação do colombiano Gerardo Mondragon, como consultor para planejamento. “Ficou comprovado que ele foi ilicitamente beneficiado com a celebração de sucessivos contratos firmados com a Iases, presididos pela Gallina”.
A peça acusatória indica como o colombiano surgiu no cenário detentor de conhecimento em atividades pedagógicas e de reinserção social de adolescentes infratores. Ele foi apresentado ao sistema prisional por Edna Lúcia Gomes de Souza, então integrante da Secretaria Geral da Presidência da República, lotada na Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Posteriormente ficou comprovado que toda a documentação comprobatória de prestação de serviço, não era verdadeira. Ele sequer tinha qualquer atuação anterior reconhecida, bem como estudos, aparelhamento, equipe técnica e outros requisitos que comprovassem que o mesmo fosse titular de habilitação excepcional, que justificasse a sua contratação direta por inexigibilidade de licitação. Mondragon só tinha pose, já era uma farsa.
Os denunciados
1-Ângelo Roncalli, ex-secretário de Justiça
2-Silvana Gallina, ex-presidente do Iases
3-Gerardo Bohorquez Mondragón, diretor executivo da Acadis
4-Antônio Haddad, servidor público
5-Danielle Merisio Fernandes Alexandre, assistente social
6-Andre Luiz da Silva Lima, servidor público e ex-assessor jurídico do Iases
7-Liliane Carlesso Miranda, servidora pública e ex-assessora jurídica do Iases
8-Ricardo Rocha Soares, diretor administrativo da Inbradese
9-Euller Magno de Souza, educador e conselheiro da Inbradese e procurador da Acadis
10-Ana Rubia Mendes de Oliveira, administradora, diretora financeira da Inbradase e subgerente de contrato e gestão do Iases
11-Marcos Juny Ferreira Lima, diretor administrativo do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social e Educacional (Inbradese) e gerente-geral da Acadis – Linhares
12-Tatiane Alves de Mello, administradora, diretora de projetos da Acadis
13-Douglas Fernandes Rosa, diretor administrativo e financeiro da Acadis
14-Alexandre da Rocha Soares, comerciante, Ribeirão das Neves (MG)
15-Frederico Teixeira da Silva, empresário, Betim (MG)
16-Fabiana Teixeira da Silva [irmã de Frederico]
17-Maria Fernandes de Abreu e Silva, empresária, Betim (MG)

Rendimento mensal do capixaba cresce acima da média nacional


O rendimento médio mensal de todos os trabalhadores capixabas no período de 2009 para 2011, de 10 ou mais idade, cresceu 12,9%,maior crescimento entre os estados da região Sudeste. A média nacional foi de 8,3%.  Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (21).
As mulheres tiveram um maior crescimento em rendimento (15,7%) do que os homens (12,2%) no mesmo período.O Índice de Gini para os rendimentos de trabalho no Espírito Santo recuou de 0,491em 2009 para 0,487 em 2011 (quanto mais próximo de zero, menos concentrada é a distribuição dos rendimentos).
O rendimento médio mensal dos domicílios particulares no Espírito Santo foi estimado em R$ 1,142,00, em 2011. Isso representa ganho real de 4,8% em relação a 2009 (R$ 1,090,00). O PNAD revelou também que houve um aumento de 120 mil empregados com carteira de trabalho assinada (passou de 648 mil empregados em 2009 para 768 mil empregados em 2011) no estado. Além disso, do total de 1,135 milhão de pessoas empregadas no ano passado, 67,7% tinham carteira de trabalho assinada. 
Destes,71,1% dos homens empregados possuíam carteira assinada em 2011, enquanto que o percentual de mulheres empregadas com carteira assinada era de apenas 37,1%. O rendimento das pessoas de 10 anos ou mais de idade ocupadas, com rendimento, cresceu de R$ 1,582,00 para R$ 1.623,00, de 2009 para2011.
A pesquisa revelou também que em 2011 havia 150 mil pessoas desocupados, 85 mil eram mulheres (mais da metade dos desocupados, 56,7%). Sendo que 70,2% eram pessoas na faixa etária entre 18 e 39 anos de idade. 
PNAD constata aumento de 4,3% no Trabalho Infantil no ES
Foi constatado também aumento no trabalho infantil, de5 a17 anos, em 2011 no estado: em dois anos, elas passaram de cerca de 70 mil crianças ocupadaspara algo em torno de 73 mil crianças ocupadas, correspondendo a um aumento de 4,3%. 
Analfabetismo
A taxa de analfabetismo das pessoas com 15 anos ou mais de idade no Espírito Santo, em 2011, foi de 6,4%, ou seja, 180 mil analfabetos – 98,3% tinham 25 anos. Comparando a 2009 isso representa 2,1 pontos percentuaisa menos, ano em o número de analfabeto era de 229 mil. 
Escolarização
De 2009 para2011, ataxa de escolarização das crianças entre 6 e 14 anos de idadeaumentou em 1,5 ponto percentual, chegando a 98,9%. Já para os jovens entre 15 e17 anos, o percentual aumentou de 84,7% para 85,1% no mesmo período.

Brasil ameaça liderança dos Estados Unidos em soja


Com o início das chuvas, produtores brasileiros de soja começam o plantio da safra 2012/2013: o Brasil deve tomar a liderança dos Estados Unidos como o principal produtor mundial do produto. Em Mato Grosso, maior estado produtor do cereal, o plantio já começou em alguns municípios, com mais de uma semana de antecipação em relação à safra anterior.
Segundo o meteorologista do Inmet Mozar Salvador, a previsão para os próximos dias é a de chuvas mais intensas nas regiões Nordeste e Sudeste. No Centro-Oeste, as precipitações devem ser em menor intensidade. “Mesmo que, no início, seja em menor quantidade, a tendência é aumentar o plantio”, avaliou o especialista em relação às chuvas tão aguardadas pelos produtores. No Sul, onde a seca forte do início do ano conserva os efeitos até hoje, a previsão é de chuvas acima da média nos próximos três meses.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Glauber Silveira, disse que a liderança deve ser conquistada, em grande parte, pela quebra de aproximadamente 20% da safra de soja americana. Além disso, a produção no Brasil deve crescer cerca de 14%, passando de 66,3 milhões de toneladas na safra 2011/2012 para 83 milhões de toneladas na que se inicia.
Além da possibilidade de conquistar a liderança mundial na produção de soja, os sojicultores brasileiros devem se beneficiar também da quebra da safra americana na rentabilidade de suas lavouras. Os preços do cereal estão em patamares recordes e, segundo o assessor da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Sávio Pereira, eles se manterão para o próximo ano.
“Há uma quebra muito grande nos Estados Unidos e isso beneficia a produção e a expansão da área agrícola no Brasil. Os produtores brasileiros terão lucratividade garantida para a safra de 2013”, disse Pereira em nota.

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