segunda-feira, 23 de abril de 2012

A SELIC sempre foi uma grande enganação.


Em uma semana, o que era uma impossibilidade esférica, condicionada ao atendimento de uma soberba lista de 20 'contrapartidas' comunicada a Brasília com deselegância pelo presidente do sindicato dos bancos (Febraban) , Murilo Portugal, reverteu-se em adesão maciça ao corte das taxas de juros bancários praticados pelas instituições financeiras no Brasil. 

Lula já havia dado o pontapé inicial em 2008 ao “fazer” o Tsunami virar marolinha. Agora, vê-se que o sagrado lucro dos bancos não é nenhuma entidade natural ou sobrenatural que transcende ao mundo dos homens. A dúvida que fica é, será que não dava para fazer isso antes? a resposta e' simples: Dava sim.

O falecido ex-vice-presidente José Alencar ficou oito anos se esgoelando contra os juros altos e não foi ouvido. Por quê? Pensem nos bancos, não somente como empresas financeiras voltadas ao lucro, mas também como grandes financiadores de campanhas e a influencia que tinham e tem nos gabinetes governamentais.
Não é guerra que o governo esta fazendo contra os bancos e sim política monetária. O governo vem adotando a queda da taxa selic o que diminui a atratividade pelos títulos públicos. Se o governo não baixar o juros nos bancos públicos, os bancos privados manteriam suas taxas constantes a empréstimos para pessoa física e jurídica e não destinariam seus recursos para financiar o governo.

Este é um importante movimento da nossa economia, no sentido de forçar a queda dos juros também para o tomador final. Fossem os pressupostos que apresentavam nossos agiotas com alvará e carta patentes financeiras bancos privados e estatais, essa decisão tardia (no sentido de que demorou muito a ser tomada e deixou que a população fosse tungada por quase uma década, inclusive pelo próprio governo, drenando para o sistema financeiro mais de cem bilhões de reais anuais de recursos fiscais para pagar juros) de política econômica, não teria a mínima condição de ser adotada porque quebraria o sistema financeiro, efeito que está fora de cogitação, já que ainda continuarão excessivamente lucrativos, inclusive os entes estatais do sistema, que não deveriam ser geridos para, explorando a população, garantir lucros para investidores, muitos estrangeiros. 

Do ponto de vista de um simples cidadão, quando não foram até agora explicitados que entraves impediam uma tomada de decisão, fica difícil de entender porque o governo atua reservando mercado na saúde para os planos de saúde, no ensino para os barões do ensino, além de direcionar inclusive recursos fiscais que nas estatais reduz o rendimento do governo e serão, no próprio governo, destinados para complementar salário de funcionários de uma forma geral, que terão parte de sua aposentadoria para ser paga pelo sistema financeiro, sem a garantia governamental (melhor seria o governo colocar esses recursos numa caderneta de poupança que tem garantia e não paga imposto de renda), sem falar, claro, na reforma agrária que não anda.

Nada terá vida longa se o governo não tomar medidas para aumentar o grau permanente de concorrência no meio financeiro. Incentivar o surgimento de bancos regionais, bancos comunais, cooperativas de crédito, consórcios, e outros mecanismos que retirem das mãos deste oligopólio o poder sobre o dinheiro. Se nada for feito, daqui a alguns meses a CEF e o BB dão um jeito de aumentar os seus lucros de novo e arrastam em seu movimento, a toda a banca privada.

Brecht já dizia que "melhor que assaltar um banco, é abrir um."; No Brasil, então, a farra é algo vergonhoso que o constrangimento desses caras apareceu quando a corajosa Presidenta Dilma peitou os barões da grana. Arrogantes, auto-suficientes, impiedosos, nada consegue detê-los.
Depois de passar anos enganando a população, dizendo que a SELIC era responsável pelos absurdos spreads bancários, hoje os economistas reconhecem que o problema é a falta de concorrência num setor oligopolizado. Durante todos estes anos a nomenclatura dos bancos oficiais (BB e CEF), apoiada por suas entidades sindicais, também se locupletaram neste botim. Uma vez revelada a verdade, a pergunta que fica é: o que é preciso fazer para impor uma permanente concorrência no setor e acabar de vez com esta patota oligopólica público-privada?
 

Fala-se muito no câmbio e pouco no estrago que faz esta política rentista. Só um maluco pensa em montar um negócio que lhe renda menos de 15% ao ano, na medida em que se aplicar na Caderneta de poupança ganhará 6% mais a inflação, sem nenhum risco e sem nenhuma aporrinhação. Deposita sua grana e vai viajar, simples assim!
E não pensem que o Mantega vai mexer nisto. Ele mesmo já disse que não é preciso mexer na lei da poupança. Vamos continuar tendo um piso mínimo de juros que garante a sobrevivência do rentismo.

Juros: a lição que fica

A rendição dos bancos ao novo ciclo de queda dos juros marca um divisor na forma de se fazer política econômica no país. Quebrou-se um lacre político. Rompeu-se uma parede hegemônica ardilosamente defendida durante décadas com argumentos supostamente técnicos. Em uma semana, o que era uma impossibilidade esférica, condicionada ao atendimento de uma soberba lista de 20 'contrapartidas' comunicada a Brasília com deselegância pelo presidente do sindicato dos bancos (Febraban) , Murilo Portugal, reverteu-se em adesão maciça ao corte das taxas.
Como se deu a transmutação da inflexibilidade em cordura? O governo e os partidos progressistas não devem temer a resposta que os fatos comunicam. Ela pode ser resumida numa constatação:o Estado brasileiro deixou de ser, exclusivamente, um agente passivo da ganância e mero coadjuvante das 'forças de mercado' e de seus impulsos gananciosos.

É apenas o começo de uma travessia tateada desde o segundo mandato de Lula e que ganharia importante margem de manobra ideológica no colapso da ordem neoliberal, em 2008. Neste braço-de-ferro dos juros, superou-se a fronteira da ação meramente defensiva para se testar um movimento coordenado, bem sucedido, de cerco e corte dos spreads bancários. Em 15 dias o governo arregimentou os bancos estatais para um corte exemplar nas taxas de até 50% em algumas linhas. Ato contínuo, traduziu-se esse movimento em vantagens para milhões de pessoas oferecendo-se aos correntistas de instituições privadas a oportunidade de trocar de banco e de dívida, em condições vantajosas. A Presidenta da República e o ministro da Fazenda fecharam o cerco contra o bunker argentário com um discurso ineditamente político, incisivo e inteligível à maioria da população. 'Fundamentos técnicos' alegados para a persistência da usura foram esfarelados em praça pública.

O dispositivo midiático conservador ainda tentou desqualificar a ofensiva classificada como 'voluntarismo estatal'. Rapidamente a exposição pública dos lucros astronômicos da banca privada -- há oito anos o setor é o mais rentável na lista das companhias abertas negocuadas em Bolsa-- e o contraponto exercido pelos bancos estatais, acendeu a luz amarelo nos centros de decisão das grandes instituições. A queda de braço era para valer; o governo não iria recuar.

A execração pública já ganhava dimensão política na mídia alternativa e dela transbordaria fatalmente para a opinião pública. Na 4ª feira veio o golpe de misericórdia: o Banco Central cortou outros 0,75% na taxa básica de juros, o que baratearia ainda mais o custo de captação gerando ganhos adicionais ao já abusivos spreads bancários. A defesa da usura tornou-se insustentável. A revoada baixista selou a eficácia da ação política do Estado na reordenação do setor mais estratégico e influente da economia.

Bancos são o coração da economia capitalista. Representam por assim dizer a infraestrutura básica do sistema garantindo o provimento do crédito e o financiamento indispensáveis ao conjunto da economia. Trata-se de um serviço público exercido por agentes privados cada vez mais cartelizados, diga-se, já que seis bancões dominam 80% do mercado,.

O governo parece ter descoberto que essa alavanca poderosa não pode mais ser deixada à sua própria lógica. Porém, mais que isso: pode constatar que o Estado brasileiro, embora desidratado pelo ciclo neoliberal, ainda tem poder político e instrumental para enquadrar e coordenar os interesses mais poderosos do país. A maior lição dessa descoberta é que ela vale também para equacionar outras esferas e desafios. O saldo é inestimável. Não deve ser esquecido. 
Via cartamaior

BALANCÊ - POLITICA CAPIXABA 23 04 2012

Casagrande destaca importância do ensino técnico ao inaugurar IFES

Blog Dag Vulpi - O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) realizou, na manhã desta segunda-feira (23), a solenidade de entrega das instalações do campus Vila Velha, no bairro Soteco, com a participação do governador Renato Casagrande e do vice-governador Givaldo Vieira. 


O governador destacou que o Ifes, com esta nova unidade, passou de seis unidades existentes para quase 20 campi, contando com os dois campi da nova expansão. 


O governador falou ainda que com o fim iminente do Fundap, as diretrizes do Governo são os investimentos em infraestrutura e em educação, para gerar oportunidades. 

“Agora temos um Ifes em uma importante cidade, como Vila Velha, fruto de parcerias entre Governo Federal, Município e Estado, e chegaremos em breve a 20 unidades instaladas em todo o Espírito Santo. Este investimento reflete a nossa preocupação, os nossos esforços para ampliar o acesso ao ensino tecnológico, fundamental à expansão do desenvolvimento no nosso Estado”, disse Casagrande.   

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Senador tem esperança de aprovar transição para o Fundap

Blog Dag Vulpi - O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) apresenta Emenda nesta terça (24) na sessão do plenário criando um período de transição de quatro anos (até 2016) para que Estados como SC, ES e GO tenham tempo para se adequar à aplicação da alíquota única de 4% do ICMS sobre os produtos importados. 

O substitutivo ao Projeto de Resolução 72/2010 prevê a entrada em vigor do imposto já em janeiro de 2013. 

A emenda do senador catarinense escalona a alíquota até 2016, com a seguinte graduação: 10% no exercício de 2013; 8% em 2014; 6% em 2015, e só atingir em 2016 os 4% aprovados na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. 

Luiz Henrique acredita que "a flexibilização gradual e decrescente da alíquota nas operações interestaduais e intermunicipais do ICMS sobre importados causará menos impacto na economia dos Estados afetados". 

Ele explicou que sua intenção é evitar o colapso dos portos brasileiros e o consequente aumento do desemprego. 

E advertiu que se persistir a aprovação abrupta do projeto também na sessão do Senado, a medida provocará “inevitável e intransponível desequilíbrio” nas receitas de Estados portuários - com consequências  imprevisíveis para o Palácio do Planalto. 


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Ex-líder do PT na Câmara deverá ser indicado relator da CPMI do Cachoeira

Blog Dag Vulpi  - O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), deve definir amanhã o nome do relator da CMPI do Ca choeira, que vai investigar a relação de políticos, agentes públicos e privados com o contraventor Carlinhos Cachoeira. 

O nome mais cotado para relatoria é do ex-líder do PT na Câmara, Paulo Teixiera (SP). Mas existem outros nomes como Cândido Vacarreza e Carlos Zarattini, ambos paulistas. Tatto deve definir hoje. 

O PMDB já anunciou que o senador Vital do Rego (PB) presidirá a CPMI. Tatto descartou a possibilidade de indicar para a Comissão parlamentares que tenham a pretensão de disputar as eleições deste ano. 

Com isso, a indicação de Iriny Lopes, única deputada do PT do ES ficou descartada. Ela vai concorrer a PMV. 

O PSB foi o único partido que já indicou seus representantes: o deputado Paulo Foletto (ES), que será titular e o deputado Glauber Braga (RJ), que será suplente. 

A deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), presidente interina do Congresso, abre amanhã uma sessão às 19h30 com o objetivo de designar os integrantes da Comissão. 

A CPMI do Cachoeira terá 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes. Os trabalhos devem durar até 180 dias, podendo prorrogar o prazo para a conclusão da investigação. 


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"ES tem três vezes mais presos do que a média nacional"


BRASÍLIA - O deputado federal Givaldo Carimbão (PSB-AL) fez um alerta pelo grande número de presos no ES, três vezes maior do que a média nacional. 



Hoje, o estado capixaba tem cerca de 3 milhões de habitantes e 12 mil presos. A média nacional é de mil a 1,5 mil presos para cada um milhão de habitantes. O estado hoje possui 8 mil presos a mais do que o esperado. 


Para o deputado, a situação do estado deve ser estudada. De acordo com levantamento feito pelo parlamentar, o ES é o terceiro estado com situação mais preocupante do país, só fica atrás do Acre e Rondônia, estados que fazem fronteira com Bolívia e Peru. 

\"Já estive com o governador Renato Casagrande e a situação do ES me chamou atenção, gostaria de estudar os motivos que levaram para a atual situação carcerária do estado. Sabemos que o problema do Acre e Rondônia deve-se a fronteira. Lá os presos são na enorme maioria das vezes por tráfico e não por uso. O fenômeno do ES está fora dos padrões nacionais, o estado era para ter 4 mil presos, 12 mil é muito acima do aceitável\", disse o deputado.  


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17 de abril, o dia em que o ES perdeu o Fundap


BRASÍLIA  - Quase 14 mil acessos num só dia, 17 de abril, o dia em que o ES perdeu o Fundap, um fundo de incentivo as importações que gerava uma receita/ano para o Estado de R$ 1 bilhão. 



O Espírito Santo vai ficar sem essa receita - a partir de janeiro de 2013 - e a consequência será 50 mil empregos a menos, gerados pela cadeia fundapeana. 


Internet acabará com Hollywood

O fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, afirmou nesta segunda-feira (23) que a internet deverá acabar com a indústria cinematográfica de Hollywood em poucos anos, assim como seu site acabou com a Enciclopédia Britânica.
"Ninguém se dará conta quando Hollywood morrer. E mais, ninguém vai se importar", disse Wales em seu discurso no Global INET 2012, um fórum que analisará o presente e o futuro da rede nos próximos dois dias.
O criador da maior enciclopédia generalista da internet argumentou que a próxima grande revolução na rede será envolta da imagem, uma mudança que, segundo Wales, será tão ampla que será capaz de acabar com a maior indústria mundial do cinema.
Jimmy Wales, fundador da Wikipédia
Wales indicou que a familiaridade e habilidade dos mais jovens em produzir e trocar imagens na rede estão abrindo espaço para "uma grande comunidade que colabora e produz filmes".
Da mesma forma que ocorreu com a Wikipédia, este "não é um processo relacionado com uma inovação técnica, mas com uma inovação social", assinalou Wales, que usou a própria filha, de 11 anos, para exemplificar essa previsão. "Ela maneja com total desenvoltura uma câmara de alta definição, que usa captar, editar e produzir seus próprios filmes na internet.
"Atualmente, o vídeo na rede está na mesma situação que estava em 1999. O YouTube é divertido, mas também é uma contribuição individual", avaliou este visionário da rede. De acordo com Wales, será a geração de sua filha que vai liderar esta grande mudança na maneira de produzir e compartilhar entretenimento no mundo.
"Quando essa geração completar 22 anos realizará filmes com mais qualidade que os de Hollywood. Esses mesmos filmes serão mais populares e destruirão o modelo de negócio vigente. Ocorrerá o mesmo que ocorreu com a Wikipédia, que fez com que a Enciclopédia Britânica não fosse mais impressa 11 anos após sua criação", declarou.
Segundo o criador da Wikipédia, a indústria de Hollywood tem motivos suficientes para estar preocupado com a pirataria, mas, acima de tudo, deveria levar em conta que "há uma grande possibilidade que todo seu modelo de produção esteja completamente ultrapassado dentro de muito pouco tempo".
Wales, que admitiu ter feito muitas previsões erradas nos últimos anos, ressaltou que essas mudanças sociais e culturais se desenvolvem de maneira muito rápida e são consequências da presença da internet no mundo, onde 2 bilhões de pessoas já estão conectadas à rede. O criador da Wikipédia também exaltou a democratização de seu uso, sendo África o grande exemplo dessa transformação.
Em 2000, só 0,1% dos nigerianos estavam conectados a internet, enquanto hoje essa margem é de 29% e ainda está em plena expansão tecnológica (smartphones no valor de US$ 80) e de infraestrutura (banda larga de até 12 Tbits).
Ainda com foco na África, Wales rebateu a ideia de que no terceiro mundo a utilidade da internet tenha a ver unicamente "com a consulta das colheitas e a aplicação de vacinas", assegurando que os africanos fazem o mesmo que os cidadãos do Primeiro Mundo: se relacionam com o resto do mundo através de redes como Facebook ou Twitter.
Este processo também está supondo um enriquecimento da diversidade cultural e lingüística, como assegurou o fundador da Wikipédia: "a era na qual podíamos afirmar que todo o mundo fala inglês já não existe".
Via Reuters

Deputado afirma que revista Veja financiou atividades ilegais de Cachoeira

Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, quer que os dirigentes da editora Abril sejam chamados para depor na CPMI que vai investigar as ligações do bicheiro com políticos

Por: Raoni Scandiuzzi

Deputado afirma que revista Veja financiou atividades ilegais de Cachoeira

Fernando Ferro questiona a ética jornalística e o denuncismo da revista Veja
 
Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista Veja é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira.
O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior. 
Este mês, Veja divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue desta maneira.
Perguntado se a convocação de representantes do Grupo Abril não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades de Veja tem conexão o crime organizado, e não com o jornalismo. Para o parlamentar, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.
Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira.
Por que levar um órgão de imprensa a uma CPMI?
Caberia ao órgão de imprensa trazer esclarecimentos sobre essa relação, o porquê de tantos telefonemas identificados na investigação da Polícia Federal.
Você falou em requerer a presença de Roberto Civita.
Independentemente de quem seja, o Civita ou não, os responsáveis pela Veja terão de responder sobre isso. 
Há uma relação da Veja com essas atividades ilegais?
É uma relação estranha, que tem laços de cumplicidade com esse submundo. Na verdade, isso vem lá de trás, em vários momentos. Essas denúncias espetaculosas da Veja, todas elas estão sendo lastreadas por esse processo de espionagem e arapongagem. Em termos de ética jornalística, isso é muito questionável. A Veja fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento.
Isso poderia colocar em risco a liberdade de imprensa?
A Veja tenta formar uma ideia de que nós estaríamos querendo restringir a liberdade de imprensa. Essa é uma medida esperta e calhorda dela de justificar a sua ação criminosa. Eles querem falar em nome de toda a imprensa, mas não é verdade, essa prática, esse estilo, é próprio da Veja. Ou seja, ela praticou ações criminosas e agora quer colocar o conjunto da imprensa no Brasil como vítima. Ela é ré, vai ter que trazer esclarecimentos à CPI.
Há quem defenda esse tipo de jornalismo a qualquer custo.
Essas ações da Veja têm tudo a ver com crime organizado, não com jornalismo.
Por que no Brasil há uma tendência de punir exclusivamente os políticos que estão envolvidos em atividades ilegais, sendo que por diversas ela possui muitos lados?
Há uma ação política e ideológica de incriminar um partido político, ou uma orientação, ou uma corrente política. Na verdade, não há uma preocupação com a informação, estão preocupados em incriminar alguém que está governando o país.
O senhor está falando da Veja, especificamente?
A Veja criou a figura do bandido colaborador, que é alguém que atende aos interesses dela, e o qual ela criou um nível de promiscuidade tão grande que você nem sabe quem é mais bandido. Na verdade, os dois são.
Em sua opinião, quem mais deve ser chamado para depôr na CPI?
A partir da investigação da Operação Monte Carlo, você tem os vínculos de articulação criminosa, de envolvimento entre os personagens dessa teia criminosa, então todos eles, tanto agentes públicos quanto privados, deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.
(Foto: José Cruz/ABr) - Via Rede Brasil Atual

 

Restrição a obras que 'violem' o português será votada em MG

Está pronto para ser votado no plenário da Assembleia Legislativa de Minas um polêmico projeto de lei que, se aprovado, limitará a distribuição nas redes de ensino público e privado do Estado de livros didáticos, paradidáticos ou de ficção que tenham conteúdo diferenciado da norma culta da língua portuguesa. De autoria do deputado Bruno Siqueira (PMDB), o projeto 1.983/2011 passou por todas as comissões da casa, mesmo a de Educação.
Inicialmente ele previa claramente a proibição do uso dos livros que 'violassem de alguma forma o ensino correto da gramática do idioma nacional, bem como o conteúdo que apresenta elevado teor sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referências a incestos ou apologias e incentivos diretos ou indiretos à prática de atos criminosos'. Se aprovado da forma original, escritores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Mário de Andrade seriam alguns dos vetados nas escolas mineiras.
A grande repercussão negativa levou o deputado a apresentar um substitutivo, em outubro passado, no qual o termo 'proibição' foi retirado. Passou-se a 'priorizar' publicações que contemplassem em seus conteúdos a norma culta.
'Há uma distorção muito grande quando se fala do projeto. Não existe proibição alguma. Eu mesmo apresentei o substitutivo que deixa bem claro que queremos priorizar os livros da norma culta', afirmou Siqueira ao Estado.
Questionado se havia recuado diante da polêmica, Siqueira disse ser normal que, durante a tramitação de um projeto, ele seja aperfeiçoado por causa do debate. 'É importante deixar claro que não estamos fazendo interferência em nenhuma obra literária, apenas tentando evitar o ensino do português errado nas escolas', afirmou o deputado.
Abaixo-assinado. O projeto motivou um abaixo-assinado popular publicado pelo site peticaopublica.com.br, segundo o qual a justificativa de tal projeto 'encontra-se embasada numa concepção do ensino de língua Portuguesa completamente defasada e obsoleta em relação ao conhecimento científico solidamente acumulado na área de Letras e Linguística'.
'Considerando que o ensino de língua portuguesa condizente com um Estado democrático de direito deve se pautar pela leitura crítica de textos de quaisquer gêneros discursivos, em vez de se encontrar restringido por uma lei que representa indiscutivelmente um retrocesso aos regimes mais autoritários de nossa história', afirma o texto publicado no site.

Tenório Jr: O sumiço que ninguém nunca soube explicar - Entrevista de Toquinho


Tenório Jr: O sumiço que ninguém nunca soube explicar
Seis dias antes de a cúpula militar argentina dar o golpe de Estado que derrubou María Estela Martínez Cartas de Perón, o pianista brasileiro Tenório Jr., que acompanhava Vinícius de Moraes e Toquinho em uma turnê por Buenos Aires, saiu para comprar cigarros e remédios e não voltou mais. Seu desaparecimento nunca foi esclarecido. Em entrevista à Carta Maior, Toquinho conta de sua relação com Tenório e opina sobre a responsabilidade do Estado brasileiro diante do caso.
No dia 18 de março de 1976, o músico brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior se tornou, sem saber, um inimigo do Estado argentino. Saiu do Hotel Normandie no meio daquela madrugada e deixou um bilhete colado na porta do quarte de um dos colegas: “Vou sair pra comprar cigarro e um remédio. Volto Logo”. Não voltou mais.
Pianista do bairro fluminense das Laranjeiras, Tenório acompanhava Vinícius de Moraes e Toquinho em apresentação no imponente teatro Gran Rex, na Avenida Corrientes 857, a menos de 200 metros do Obelisco de Buenos Aires. Não tinha nenhum envolvimento com questões políticas e, aos 35 anos, já havia lançado um disco (Embalo, 1964). Ao sair para a turnê, deixou no Brasil quatro filhos e a esposa Elisa Cerqueira, grávida de oito meses.
Depois daquela noite, Vinícius, Toquinho e alguns amigos, entre eles Ferreira Gullar, exilado em Buenos Aires, se mobilizaram para procurá-lo em hospitais e delegacias, além de terem buscado ajuda na Embaixada do Brasil.
Foi apenas em 1986 que o ex-torturador argentino Claudio Vallejos, ex-membro do Serviço de Informação Naval, falou sobre o destino de Tenório em entrevista concedida à revista Senhor (n° 270). Abordado por agentes da repressão de uma ditadura que estava prestes a ser instaurada, o pianista foi confundido com um ativista político e colocado em um Ford Falcon verde enquanto caminhava a poucos metros do hotel Normandie. Segundo Vallejos, Tenório foi levado para a ESMA (Escola de Mecânica da Armada) e apanhou tanto que, quando se deram conta de que ele não era um militante, já não havia mais jeito. Estava tão machucado, que só restou aos repressores a opção de matá-lo. Após sessões de tortura, o tiro fatal foi disparado por Alfredo Astiz no porão da parte antiga da ESMA.
Nesta entrevista concedida à Carta Maior, Toquinho – que homenageou seu ex-pianista com a música “Lembranças” (1981) (clique para ouvir), parceria com o compositor Mutinho – conta de sua relação com Tenório e opina sobre a responsabilidade do Estado brasileiro diante do caso. “A dúvida que paira sobre o assunto não combina com um Estado Democrático”, afirma o músico.
Qual era sua relação com o Tenório Jr.?

Tenório fazia parte da banda que nos acompanhava naquela temporada pela Argentina, em 1976. Era um excelente pianista, uma pessoa tranquila, dedicada ao seu trabalho e amigo de todos. Minha relação de amizade com ele se dava em consequência de nossa atividade profissional. Em que momento o senhor percebeu que o Tenório Jr estava demorando demais para quem havia ido comprar cigarros?
A temporada de shows já havia terminado. Estávamos em Buenos Aires para no dia seguinte embarcarmos para o Brasil. Ele saiu de madrugada para comprar cigarros e não voltou. De manhã demos pela falta dele. A situação política na Argentina vivia um clima de terror, até a polícia não se entendia, era uma confusão geral. Na época, o ex-genro do Vinicius era cônsul na Embaixada Brasileira. Deu todo o apoio na procura de uma definição sobre o caso de Tenório. Ficamos lá mais dois dias aguardando uma confirmação sobre o sumiço dele.
Quando o senhor se deu conta de que ele podia ter sido sequestrado por motivos políticos?

A própria Embaixada nos alertou para isso. Devido ao desencontro das ações policiais, estavam prendendo todos aqueles que parecessem suspeitos. E Tenório era um tipo original, muito alto, de barba, cabelos longos, usava um capote comprido, foi confundido com alguém.
Qual foi sua reação quando soube que ele havia sido assassinado?

Algum tempo depois houve essa confirmação de que muito possivelmente ele havia sido executado. No meu entender, ele pode ter sido torturado e, diante da ineficácia da tortura, e pela ação da própria Embaixada brasileira, a polícia deduziu que havia prendido e torturado o pianista da banda de Vinicius e Toquinho. E o executaram definitivamente porque seria imprudente para o sistema que ele continuasse vivo.
E como a banda reagiu à notícia?

Com muita tristeza e uma grande dose de revolta.
O senhor acredita na versão contada por Claudio Vallejos sobre o sequestro e a morte do Tenório?

Não conheço essa versão.
Claudio Vallejos contou, em entrevista concedida no Brasil, que Tenório foi morto no dia 25 de março daquele ano pelo jovem torturador Alfredo Astiz na ESMA e que teria sido preso por ter estereótipo de um "inimigo do Estado argentino". O senhor acredita nesta versão?

É bem possível, principalmente pela hipótese de Tenório ter sido confundido com algum “inimigo do Estado argentino”.
Em sua opinião, o Estado brasileiro foi omisso na época?

Pelo menos no que se refere à Embaixada Brasileira, tudo foi feito para que o caso fosse esclarecido. Recebemos todo apoio para isso. Mas não tenho informações claras sobre outros setores do governo.
O Brasil poderia, hoje, tomar alguma providência em relação ao caso, em sua avaliação?

Tudo deve ser feito em busca da verdade. Acredito que a Comissão da Verdade possa ser um caminho para esclarecer este caso. A dúvida que paira sobre o assunto não combina com um Estado Democrático.
O senhor tem alguma relação ou contato com a família dele?

Contato direto não, mas anos atrás apoiei uma campanha para que a família fosse ressarcida em reparação aos danos causados pelo desaparecimento deste músico excepcional.
Em 2006, o Estado brasileiro reconheceu ter “feito pouco” para solucionar o mistério acerca do paradeiro de Tenório Jr e o juíz Alfredo França Neto dita a sentença de idenização a Elisa Cerqueira – que nem status de viúva tinha – e aos filhos, por danos morais e materiais.
Em 16 de novembro de 2011, por iniciativa do deputado socialista argentino Raúl Puy, foi colocada uma placa na fachada do hotel Normandie em homenagem a Tenório: “Aqui se hospedou este brilhante músico brasileiro, vítima da ditadura militar argentina”.

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