segunda-feira, 21 de março de 2016

Mercado estima que inflação feche o ano em 7,43%




Analistas e investidores do mercado financeiro reduziram hoje (21) pela segunda semana seguida a estimativa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A nova perspectiva agora é de 7,43% ante os 7,46% previstos anteriormente.

Para 2017, a estimativa segue em 6%, de acordo com o boletim Focus, publicação divulgada semanalmente às segundas-feiras pelo Banco Central (BC), com base em projeções de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. O cálculo inflacionário permanece distante do centro da meta de 4,5% e, neste ano, supera o teto de 6,5%. Em 2017, o limite superior da meta em 2017 é 6%.

A projeção para a taxa básica de juros, a Selic, permanece em 14,25% ao ano, em 2016, e, para 2017, em 12,50% ao ano. Os preços administrados, regulados pelo governo, como a gasolina e o gás de cozinha, tiveram suas estimativas reduzidas de 7,40 % para 7,20%. A taxa de câmbio esperada em dezembro chega a R$ 4,20.

Crescimento
A projeção de instituições financeiras para a queda da economia este ano piorou mais uma vez e passou de 3,54% para 3,60%. Para 2017, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo país, foi reduzida de 0,50% para 0,44%. Para a produção industrial, a estimativa é de uma queda de 4,50% em 2016.

Setor Externo
As perspectivas para o déficit em conta corrente, um dos principais indicadores das transações do Brasil com outros países, melhoraram e passaram de US$ 24,10 bilhões para US$ 21,21 bilhões, com o saldo da balança comercial em US$ 42,40 bilhões. Não houve alteração na projeção para os investimentos estrangeiros diretos, mantidos em US$ 55 bilhões.

Obama desembarca em Havana e se diz ansioso para conhecer cubanos




O presidente norte-americano, Barack Obama, desembarcou no fim da tarde de hoje (20) em Havana. Com a chegada à ilha, ele torna-se o primeiro líder dos Estados Unidos a visitar Cuba nos últimos 88 anos.

O Air Force One, avião presidencial norte-americano, aterrissou cerca de 16h15, horário local (17h15, em Brasília) no aeroporto Jose Martí, nome do pai da independência da antiga colônia espanhola. Ao pousar, ele mostrou-se ansioso para conhecer o povo cubano.

Numa curta mensagem em seu perfil no Twitter, divulgada pouco depois de aterrissar, Obama escreveu em espanhol, usando uma expressão popular para perguntar como estão os cubanos (“Que bolá Cuba?”), e disse estar “ansioso para conhecer e ouvir diretamente o povo cubano”.

Barack Obama tornou-se hoje o primeiro presidente norte-americano, depois de Calvin Coolidge em 1928, a visitar Cuba, procurando acabar com décadas de animosidade relacionada à Guerra Fria.

*Com informações da Agência Lusa

Em musical de Chico Buarque, ator faz crítica a Lula e Dilma e plateia reage




A peça Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos teve a sessão de hoje (20) em Belo Horizonte suspensa depois que o ator Cláudio Botelho provocou um impasse durante apresentação de estreia ontem (19) à noite. Em uma cena, ele improvisou e mencionou a prisão de um ex-presidente e referiu-se a Dilma Rousseff como "presidente ladra". O evento, no Sesc Palladium, na região central da capital mineira, teve de ser cancelado após o tumulto provocado na plateia.

No musical, Cláudio Botelho interpreta o protagonista: o líder de uma companhia teatral que transita por cidades do interior do país. Além das cenas em que atua, ele é também quem narra a história com base em alguns monólogos. Numa das falas, ele anunciou: “era também a noite em que um ex-presidente ladrão foi preso”. Em seguida também fez sua menção à presidenta Dilma Rousseff.

Conforme variados relatos nas redes sociais, parte dos presentes imediatamente puxou uma vaia e gritos de “não vai ter golpe”. Outra parcela do público começou a aplaudir. Diante da situação, diversas pessoas começaram a deixar o local, ao mesmo tempo em que o ator disse que não se importava e que retomaria o espetáculo após a saída dos descontentes. O coro de “não vai ter golpe” ganhou força novamente, intercalado também com gritos de “Chico”.

Avisada da situação, a Polícia Militar mandou três viaturas para o local. Diante da tensão, o diretor da peça declarou a sessão encerrada e informou que os valores dos ingressos seriam devolvidos.

Repercussão
O Sesc e a Pólobh, produtora responsável pelo evento, divulgaram hoje (20) nota conjunta de esclarecimento. Eles reiteraram que são “instituições apartidárias” e pediram desculpas pelos transtornos gerados. A sessão de hoje (20) está suspensa. “Compreendendo o momento pelo qual o país passa e primando pela segurança de todos, optamos pelo cancelamento da sessão prevista para este domingo”, registra o texto.

A postura do ator foi novamente criticada após o vazamento de um áudio do camarim, em que ele discute com outros integrantes do elenco. “O artista no palco é um rei! Não pode ser peitado. Não pode ser interrompido por um negro, por um f.d.p.”, diz ele, dizendo-se censurado por petistas. Uma atriz discorda de Cláudio Botelho e diz que a plateia tem direito de vaiar uma provocação.

Divulgado pelo movimento Mídia Ninja, o diálogo está disponível em https://soundcloud.com/midia-ninja/claudio-botelho. A Agência Brasil não pôde comprovar a autenticidade do áudio.

Para Rosemary de Souza Silva, que estava na plateia, o ator não tem o direito de provocar pessoas que estavam em busca de lazer e de “um parêntese nessa vida tumultuada”. Ela também disse que a fala de improviso contradiz o pensamento do próprio Chico Buarque. “Sabemos bem quem é Chico Buarque de Holanda, o que ele representou na história do país e o que ele pensa do contexto político atual.”

Também presente à peça, Adriana Batista saiu em defesa do ator: "A turma do PT encerrou o musical. Parabéns petistas, vocês foram mais eficientes que a censura do AI5".

Nas redes sociais, internautas entraram na página de Chico Buarque e do espetáculo para divulgar a hashtag #vetachico. Eles pedem que o compositor impeça o ator de seguir com a peça que leva seu nome.

Sociedade está radicalizada e carece de fórum de discussão, diz especialista



Na última semana, o país acompanhou de perto duas grandes mobilizações: no domingo passado (13), uma parcela significativa da população foi às ruas pedindo a renúncia ou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, condenando a corrupção nas várias esferas governamentais e endossando o trabalho da operação Lava Jato e do juiz Sérgio Moro. Na sexta-feira (18), foi a vez daqueles que são contrários à retirada de Dilma do poder se manifestarem, marchando por democracia e garantia dos princípios constitucionais.

Para o filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), Pablo Ortellado, a pauta dos protestos de domingo passado (13) é mais objetiva.

“Os dois grupos são muito plurais. As bandeiras das mobilizações eram mais diversas no ano passado, quando se discutia se eram a favor ou contra o impeachment. Agora há unanimidade em relação a isso. A mobilização de sexta (18) foi mais divergente. Há quem apoie o governo Dilma incondicionalmente, há quem apoie o governo, mas critique a política econômica, e há quem não apoie o governo, mas é contra a interrupção do mandato da presidente”, explica.

Ortellado enxerga pontos de afastamento entre os perfis de integrantes dois movimentos: “O processo de mobilização dos dois grupos é muito diferente. Enquanto os manifestantes que compõem o grupo pró-impeachment é, em sua maioria, de classe média ou alta e branco, o grupo contrário à remoção da presidente é mais diverso, analisando a escolaridade, renda e composição étnica. Mas percebemos que os dois grupos estão extremamente mobilizados”.

“A capacidade de mobilização dos que defendem o governo em São Paulo, onde um pedaço importante do jogo é jogado, foi surpreendente. Não foi um ato de grande envergadura, como foi o de domingo, mas não foi nem um pouco desprezível, principalmente em um momento de grande fragilidade do governo”, pontua Ortellado.

O professor diz que a sucessão de fatos políticos extremamente delicados – a delação do senador Delcídio do Amaral, a condução coercitiva do ex-presidente Lula e sua posterior nomeação como ministro-chefe da Casa Civil, culminando na divulgação das interceptações telefônicas feitas no âmbito da investigação da 24ª fase da Operação Lava Jato – agitaram os dois campos políticos.

“São mobilizações mais radicalizadas e acirradas. Houve um boom para os dois lados, gerando um antagonismo sem precedentes. É absolutamente imprevisível apontar o que vem agora, porque varia muito com a conjuntura.

Só tivemos mobilizações deste tamanho por conta da sequência de eventos, e isso faz parte do jogo político. Os atores estão usando-os com o objetivo de indignar e mobilizar o povo. Eles não estão sendo lançados ao acaso”, declara.

Para Ortellado, a sociedade carece de um “fórum de discussão”: “A sociedade está hiperpolitizada e discutindo política de uma maneira muito apaixonada. O jogo político está sendo muito jogado nos meios de comunicação, que não cumprem seu papel de darem o viés analítico. Não temos um fórum de discussão, e sim um grande campo de batalha”.

E a consequência disso é a necessidade de ter que tomar um lado: “Tem esse sentimento de uma parcela expressiva da população, de não se identificar com nenhum dos dois lados. Mas o antagonismo é tão acentuado e tão frequente que essas vozes estão sendo atraídas para um dos polos ou atacadas por um dos dois. E as posições ponderadas se dissolvem em um debate de vozes que estão falando muito alto”.

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