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terça-feira, 25 de junho de 2024

O BC está Boicotando o Governo e, Consequentemente, os Mais Pobres


Dag Vulpi 25 de Junho de 2024


Com a inflação sob controle e dentro das metas estipuladas, a exorbitante taxa SELIC teimosamente mantida pelo BC nitidamente representa um boicote ao atual governo, atingindo principalmente as classes menos favorecidas.

Em um cenário econômico onde a inflação está controlada e dentro das metas estabelecidas pelo governo, mas as taxas de juros são desproporcionalmente altas, setores como o financeiro, de seguros, de tecnologia e inovação, e de energia tendem a se beneficiar. Por outro lado, importantes setores da economia ficam fragilizados, impactando significativamente tanto o índice de desemprego quanto o crescimento do PIB.

Setores que Mais Ganham:

1. Setor Financeiro
O setor financeiro, incluindo bancos, instituições de crédito e empresas de serviços financeiros, tende a se beneficiar diretamente de taxas de juros altas. Essas instituições podem cobrar juros mais elevados sobre empréstimos, aumentando suas margens de lucro. A estabilização da inflação proporciona um ambiente previsível, favorecendo investimentos seguros e rendimentos estáveis.

2. Setor de Seguros
Empresas de seguros lucram com taxas de juros altas porque podem investir os prêmios recebidos em títulos de renda fixa, como títulos do governo, que oferecem rendimentos mais elevados. A inflação estabilizada também ajuda a prever custos futuros, melhorando a gestão de riscos.

3. Setor de Energia
O setor de energia, especialmente empresas de petróleo e gás, pode se beneficiar de uma inflação estabilizada, que traz previsibilidade aos custos operacionais. Além disso, as taxas de juros altas atraem investidores em busca de rendimentos estáveis, favorecendo investimentos de longo prazo em infraestrutura energética.

Setores que Mais Perdem:

Setor Imobiliário Residencial
Com os juros altos, o custo dos financiamentos imobiliários aumenta, reduzindo a demanda por novos imóveis. Isso leva a uma desaceleração na construção de novas habitações, resultando em menos empregos na construção civil, arquitetura e outros serviços relacionados. Além de diminuir a contribuição deste setor para o PIB, uma vez que a construção civil é um componente importante do crescimento econômico.

Setor de Consumo Discricionário
Empresas desse ramo sofrem com a queda na demanda devido aos custos de crédito mais altos. Isso leva a cortes de empregos no varejo, manufatura e distribuição. A redução na receita dessas empresas afeta a arrecadação de impostos, impactando negativamente o crescimento do PIB.

Setor de Pequenas e Médias Empresas (PMEs)
PMEs são particularmente vulneráveis a juros altos, pois dependem de empréstimos para financiar suas operações e expansão. Com custos de capital elevados, muitas PMEs podem reduzir seu quadro de funcionários ou fechar, aumentando o desemprego. As PMEs são fundamentais para a economia, contribuindo significativamente para o PIB. A fragilização desse setor pode levar a uma queda na produção e na inovação, prejudicando o crescimento econômico.

Setor de Construção Civil
A construção civil é intensiva em mão de obra. Juros altos aumentam os custos de financiamento de projetos, reduzindo a atividade no setor. Isso resulta em demissões em massa e aumento do desemprego. A redução na construção de novos projetos tem um efeito multiplicador negativo, afetando fornecedores de materiais, transportadoras e outros setores relacionados, diminuindo assim a contribuição da construção civil para o PIB.

Setor de Turismo e Lazer
Com o crédito ao consumidor caro, menos pessoas gastam em viagens e atividades de lazer. Empresas do setor podem enfrentar dificuldades financeiras, levando a cortes de empregos em hotéis, restaurantes e agências de turismo. O turismo e lazer são importantes fontes de receita. A fragilização desse setor reduz o fluxo de turistas e gastos associados, impactando negativamente o PIB.

Setor Industrial
A indústria depende de financiamento para operações e expansão. Juros altos aumentam os custos dos empréstimos, levando empresas a cortar investimentos e reduzir seu quadro de funcionários. A indústria é um motor de crescimento econômico. Menores investimentos resultam em menor produção, inovação e competitividade, reduzindo a contribuição do setor industrial para o PIB.

A combinação de uma inflação controlada e juros desproporcionalmente altos pode ter efeitos adversos significativos sobre o índice de desemprego e o crescimento do PIB. Setores como o imobiliário residencial, de consumo discricionário, de PMEs, de construção civil, de turismo e lazer, e industrial são especialmente vulneráveis. A fragilização desses setores leva a uma redução na criação de empregos e no investimento, o que por sua vez reduz o consumo e a produção econômica. Para amenizar esses impactos, é crucial que haja um controle responsável da inflação, mas com taxas de juros que criem estímulo ao crescimento e ao emprego.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Contradições: Taxas de Juros e Inflação nas Maiores Economias e no Brasil


Dag Vulpi - 24 de junho de 2024

As maiores economias do mundo estão constantemente ajustando suas políticas monetárias para equilibrar a inflação e promover o crescimento econômico sustentável. Em países como os Estados Unidos, a taxa de juros oficial é ajustada pelo Federal Reserve com base em metas inflacionárias claras. Atualmente, a inflação nos EUA está controlada em torno de 3,5% ao ano, e a taxa de juros está entre 5,25% e 5,50% ao ano, níveis que buscam estimular a economia sem causar pressões inflacionárias significativas.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) adota uma política semelhante, com uma meta de inflação próxima de 2,5%. As taxas de juros na Europa também são mantidas em níveis historicamente baixos, em torno de 4%, para apoiar a recuperação econômica e incentivar o consumo e o investimento.

Quando olhamos para o Japão, notamos que o Banco do Japão mantém taxas de juros extremamente baixas, até mesmo negativas em alguns casos, para combater a deflação persistente e estimular a economia. A inflação no Japão permanece muito baixa, e a política monetária é ajustada para evitar a estagnação econômica.

Por outro lado, o Brasil apresenta uma situação peculiar. Atualmente, a taxa de inflação no Brasil, medida pelo IPCA acumulado dos últimos doze meses, é de 3,93%, o que está dentro da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil (BCB). No entanto, a taxa de juros oficial, conhecida como Selic, está em 10,5% ao ano, significativamente alta em comparação com a taxa de inflação. Enquanto países com taxas inflacionárias semelhantes mantêm taxas de juros baixas para fomentar o crescimento, o Brasil adota uma política de juros elevados, que acaba por inibir o consumo e o investimento.

Essa discrepância entre a taxa de juros e a taxa de inflação no Brasil levanta críticas importantes. Uma taxa de juros alta tende a encarecer o crédito, desestimular o consumo e frear o crescimento econômico. Além disso, torna o custo da dívida pública mais oneroso para o governo, reduzindo os recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais como infraestrutura, saúde e educação.

A crítica principal é que a atual política de juros do Brasil não parece estar em harmonia com a necessidade de estimular a economia e reduzir o desemprego. Há argumentos de que uma revisão na política monetária, com uma redução gradual da Selic, poderia trazer benefícios significativos para a economia brasileira, promovendo um crescimento mais robusto e sustentável.

Enquanto as maiores economias do mundo ajustam suas taxas de juros de maneira a equilibrar o crescimento e a inflação, o Brasil enfrenta o desafio de alinhar sua política monetária para promover um desenvolvimento econômico mais saudável. É crucial que o Banco Central do Brasil reavalie sua estratégia para garantir que a economia brasileira possa prosperar sem os entraves de uma taxa de juros desproporcionalmente alta.

terça-feira, 12 de março de 2024

ÍNDICES ECONÔMICOS 3º MANDATO LULA - DESEMPREGO


Dag Vulpi - 12 de março de 2024

No segundo trimestre de 2023, a taxa de desemprego registrou uma queda para 8%, encerrando o ano com um promissor 7,4% no quarto trimestre. Esta marca representa a menor taxa desde 2014, indicando uma tendência positiva no cenário do emprego.

Variações Trimestrais:

2021:
1º Trimestre: 14,9%
2º Trimestre: 14,2%
3º Trimestre: 12,6%
4º Trimestre: 11,1%

2022:
1º Trimestre: 11,1%
2º Trimestre: 9,9%
3º Trimestre: 8,7%
4º Trimestre: 7,9%

2023
1º Trimestre: 8,8%
2º Trimestre: 8,0%
3º Trimestre: 7,7%
4º Trimestre: 7,4%

CNN Brasil - 28 de jul. de 2023

IBGE: A taxa de desocupação no Brasil atingiu 8,0% no trimestre encerrado em junho, o menor resultado para o período desde 2014. É uma redução de 0,8 ponto percentual (p.p.) frente ao trimestre anterior (8,8%), de janeiro a março.
https://www.cnnbrasil.com.br

Agência Brasil - 31 de ago. de 2023
https://agenciabrasil.ebc.com.br
A taxa de desocupação no trimestre encerrado em julho de 2023 ficou em 7,9%. É o menor resultado para o período desde 2014, quando foi de 6,7%. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (31) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

g1 — Rio de Janeiro - 31/10/2023

O mercado de trabalho no Brasil registra recorde histórico de trabalhadores ocupados e, consequentemente, o patamar mais baixo de desemprego em quase uma década. É o que apontam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desemprego cai a 7,7% em setembro, com recorde de trabalhadores ocupados no país, diz IBGE
Com 8,3 milhões de desempregados, taxa de desemprego é a menor registrada no país desde fevereiro de 2015. Emprego com carteira assinada foi o que mais cresceu este ano.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/31/desemprego-fica-em-77percent-no-trimestre-terminado-em-setembro-aponta-ibge.ghtml

Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 31 de janeiro de 2024

Desemprego fecha 2023 em 7,4% e tem menor média anual desde 2014
Taxa média de desocupação ficou em 7,8% no ano passado, contra 9,6% em 2022.

O percentual de trabalhadores brasileiros desempregados encerrou o ano de 2023 em 7,4%. Com isso, a taxa média de desocupação no país durante o primeiro ano do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou em 7,8%, 1,8 ponto percentual a menos do que os 9,6% registrados em 2022. O desemprego médio em 2023 foi o menor já registrado desde o ano de 2014.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Fazem parte da última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

https://www.brasildefato.com.br/2024/01/31/desemprego-fecha-2023-em-7-4-e-tem-menor-media-anual-desde-2014

sábado, 3 de fevereiro de 2024

As Maiores Economias mundias, para imprimirem dinheiro novo, emitem títulos do tesouro nacional

 


Dag Vulpi - 30 de maio de 2023
Não só a estadunidense, mas, todas as Economias globais mais expressivas utilizam títulos do tesouro nacional como instrumento-chave de emissão monetária.
Enquanto as economias mundiais competem pela supremacia financeira, um padrão comum emerge entre as maiores potências: a emissão de moeda por meio de títulos do tesouro nacional. Esses países, cuja influência econômica molda o cenário global, encontraram nos títulos do tesouro uma ferramenta vital para impulsionar suas economias, ao mesmo tempo em que geram confiança nos investidores internacionais. Esta prática se tornou uma estratégia indispensável para financiar projetos, estimular o crescimento e garantir a estabilidade financeira.
Estados Unidos:
Como a maior economia do mundo, os Estados Unidos utilizam títulos do tesouro, como o Tesouro dos Estados Unidos, para financiar gastos governamentais e suprir déficits orçamentários. Os títulos do tesouro norte-americano são amplamente considerados como um investimento seguro e têm um papel fundamental na economia global.
China:
Como a segunda maior economia do mundo, a China também emite títulos do tesouro para sustentar seu crescimento econômico e financiar projetos de infraestrutura. Embora a compra desses títulos pelo governo chinês seja expressiva, eles também são adquiridos por investidores estrangeiros, contribuindo para a estabilidade e liquidez do mercado financeiro global.
Japão:
A terceira maior economia mundial, o Japão, emite títulos do tesouro para enfrentar desafios econômicos, como a deflação persistente e a dívida pública crescente. Esses títulos são uma fonte essencial de financiamento para o governo japonês e também são adquiridos por investidores domésticos e estrangeiros, fornecendo uma base sólida para a economia japonesa.
Alemanha:
Como uma das maiores economias da Europa, a Alemanha emite títulos do tesouro como parte de sua política fiscal. Os Bunds alemães são considerados um porto seguro para os investidores, beneficiando-se da confiança na estabilidade econômica alemã e no euro.
Enquanto as maiores economias mundiais competem e cooperam em uma paisagem financeira complexa, a emissão de moeda por meio de títulos do tesouro nacional surge como uma prática comum. Países como Estados Unidos, China, Japão e Alemanha reconhecem a importância desses instrumentos para financiar suas economias, impulsionar o crescimento e manter a estabilidade financeira. A emissão de títulos do tesouro nacional não apenas fornece recursos essenciais, mas também gera confiança nos mercados internacionais, desempenhando um papel crucial na economia global.
Nos países que emitentem nova moeda através de títulos do tesouro há as agências de análise de risco que as validam através de notas de risco. Porém essas análises podem falhar.
Agências de análise de risco enfrentam desafios à medida que análises de títulos do tesouro podem falhar
No cenário econômico global, países que emitem nova moeda por meio de títulos do tesouro geralmente dependem das agências de análise de risco para avaliar a qualidade e a confiabilidade desses títulos. Essas agências, que têm influência significativa nos mercados financeiros, desempenham um papel crucial na determinação do rating de crédito dos governos. No entanto, à medida que os desafios econômicos e as incertezas aumentam, essas análises podem falhar, colocando em xeque a confiabilidade dessas agências e gerando consequências significativas para os investidores e a estabilidade financeira global.
O papel das agências de análise de risco:
As agências de rating são responsáveis por avaliar o crédito e a capacidade de pagamento dos emissores de títulos do tesouro. Elas atribuem notas de crédito com base em análises e critérios específicos, fornecendo aos investidores informações cruciais para tomar decisões de investimento.
Possíveis falhas nas análises:
As análises de risco realizadas pelas agências podem apresentar falhas em situações complexas ou em momentos de crise econômica. A capacidade limitada de prever eventos econômicos imprevistos, como recessões ou crises financeiras, pode levar a avaliações equivocadas dos títulos do tesouro, subestimando os riscos associados.
Impacto nas economias e nos investidores:
Falhas nas análises de títulos do tesouro podem ter consequências significativas. Investidores que confiam nas notas de crédito podem ser expostos a riscos mais altos do que o indicado, levando a perdas financeiras substanciais. Além disso, países que dependem dessas avaliações para atrair investidores podem enfrentar dificuldades em obter financiamento adequado ou podem enfrentar aumento nos custos de empréstimos.
Desafios em um ambiente econômico volátil:
Em tempos de instabilidade econômica, como crises globais ou mudanças abruptas nas políticas econômicas, as análises de risco tornam-se ainda mais desafiadoras. A complexidade dos fatores envolvidos e a interconexão global dos mercados financeiros dificultam a previsão precisa do desempenho dos títulos do tesouro.
Embora as agências de análise de risco desempenhem um papel importante na avaliação dos títulos do tesouro emitidos por países que emitem nova moeda, é importante reconhecer que essas análises podem falhar em determinadas circunstâncias. À medida que a volatilidade econômica e os desafios aumentam, é necessário que os investidores adotem uma abordagem cautelosa, diversifiquem suas carteiras e considerem outras fontes de informação além das avaliações das agências. Além disso, os governos devem buscar a transparência e adotar políticas econômicas sólidas para diminuir os riscos associados aos títulos do tesouro e fortalecer a confiança.
As principais agências de análise de risco dos tesouros nacionais são:
Standard & Poor's (S&P): A S&P é uma das principais agências de rating do mundo. Ela fornece avaliações de crédito e análises de risco para governos e empresas em todo o mundo. Sua escala de classificação de crédito inclui notas como AAA, AA, A, BBB, entre outras.
Moody's Investors Service: A Moody's é outra agência líder em análise de risco. Ela atribui ratings de crédito a títulos de dívida emitidos por governos e empresas. As notas de crédito da Moody's variam de Aaa, Aa, A, Baa, entre outras.
Fitch Ratings: A Fitch Ratings é uma agência global de rating que avalia a qualidade creditícia de governos e entidades corporativas. Ela atribui notas de crédito baseadas em critérios financeiros e análises de risco. As notas da Fitch incluem AAA, AA, A, BBB, entre outras.
Essas três agências são consideradas as principais referências no mercado de análise de risco dos tesouros nacionais. Seus ratings de crédito têm um impacto significativo nos mercados financeiros globais, influenciando a percepção de risco e a confiança dos investidores em relação aos títulos do tesouro emitidos pelos governos. É importante ressaltar que existem outras agências de análise de risco, mas essas são amplamente reconhecidas e têm uma influência considerável no cenário financeiro internacional.
Na grande retratação econômica graças aos títulos podres hipotecarios no ano de 2008, qual era a nota de vavaliação de risco dos títulos hipotecarios segundo as agências Standart & Poor's (S&O), a moody's e a outra líder Fitch Ratings?
Durante a crise financeira de 2008, as agências de rating, incluindo a Standard & Poor's (S&P), Moody's e Fitch Ratings, foram criticadas por suas avaliações de risco inadequadas dos títulos hipotecários conhecidos como "subprime" ou "títulos podres". Esses títulos eram compostos por empréstimos imobiliários de alta complexidade e alto risco.
Na época, muitos desses títulos hipotecários foram classificados com notas de crédito altas, o que implicava um baixo risco de inadimplência. No entanto, posteriormente, esses títulos enfrentaram sérios problemas de inadimplência, levando à crise financeira global.
As notas de avaliação de risco desses títulos variaram entre as agências, mas, em geral, muitos receberam classificações elevadas. Por exemplo:
Standard & Poor's (S&P): A S&P atribuiu muitas notas elevadas para os títulos hipotecários subprime, classificando-os com classificações AAA, consideradas as mais altas em termos de qualidade de crédito.
Moody's Investors Service: A Moody's também forneceu notas de crédito altas para esses títulos hipotecários subprime, incluindo classificações AAA ou similares, sugerindo um baixo risco de inadimplência.
Fitch Ratings: A Fitch Ratings também atribuiu notas elevadas para muitos desses títulos, classificando-os como AAA ou próximos disso.
No entanto, a crise financeira de 2008 demonstrou que essas avaliações de risco foram inadequadas, pois os títulos hipotecários subprime sofreram perdas substanciais e contribuíram para a instabilidade do sistema financeiro global. Isso gerou críticas sobre a confiabilidade e precisão das avaliações realizadas pelas agências de rating naquela época, levando a um debate e a mudanças nas regulamentações do setor.
Quais foram as consequências para a economia Mundial graças à queda na bolsa hipotecaria avaliadas equivocadamente pelas agências de risco com notas muito superiores aos riscos reais que esses títulos representavam para a economia mundial?
A queda na bolsa hipotecária e a crise financeira de 2008 tiveram consequências significativas para a economia mundial. Aqui estão algumas das principais consequências:
Colapso do setor financeiro:
A crise teve um efeito cascata no setor financeiro, com grandes instituições financeiras enfrentando problemas de solvência e liquidez. Bancos e outras instituições financeiras tiveram perdas substanciais devido aos títulos hipotecários subprime, resultando em falências, resgates governamentais e a necessidade de reestruturação em todo o setor.
Recessão econômica global: A crise financeira de 2008 desencadeou uma recessão global. A confiança dos consumidores e das empresas foi abalada, resultando em uma queda nos gastos e no investimento. O desemprego aumentou significativamente em muitos países, e a atividade econômica diminuiu consideravelmente.
Crise imobiliária:
A crise financeira teve origem no mercado imobiliário, e seu impacto foi particularmente sentido nesse setor. Houve uma queda acentuada nos preços dos imóveis, muitas hipotecas subprime entraram em default e ocorreu um aumento nos casos de execução hipotecária. Isso afetou negativamente o setor de construção e contribuiu para a desvalorização de ativos e perdas financeiras.
Aumento da dívida pública:
Os resgates financeiros e as medidas tomadas pelos governos para estabilizar a economia resultaram em um aumento significativo na dívida pública. Os países gastaram grandes quantias de dinheiro para resgatar bancos e instituições financeiras, além de implementar políticas de estímulo para impulsionar a economia, levando a déficits orçamentários e acúmulo de dívidas.
Impacto global nos mercados financeiros: A crise financeira se espalhou rapidamente pelos mercados globais, afetando as bolsas de valores, os mercados de câmbio e os mercados de commodities. Houve uma diminuição na confiança dos investidores, uma fuga de capitais e uma volatilidade significativa nos preços dos ativos.
Reformas regulatórias e mudanças no ambiente financeiro:
A crise financeira desencadeou um debate sobre a necessidade de reformas regulatórias para evitar eventos semelhantes no futuro. Houve um aumento na supervisão e na regulamentação dos mercados financeiros, com o objetivo de fortalecer a estabilidade e reduzir os riscos sistêmicos.
No geral, a queda na bolsa hipotecária e a crise financeira de 2008 tiveram um impacto profundo na economia mundial, causando recessão, instabilidade financeira e mudanças significativas no ambiente regulatório. As consequências dessa crise ainda são sentidas em muitos aspectos da economia global até os dias de hoje.
Qual foi a saída alternativa que o governo americano encontrou para amenizar os efeitos deletérios da falha de avaliação das agências de risco americano no caso das hipotecas imobiliárias?
Para amenizar os efeitos negativos da falha de avaliação das agências de risco e combater a crise financeira de 2008, o governo dos Estados Unidos implementou várias medidas e políticas. A principal resposta foi a adoção de um pacote abrangente de resgate financeiro conhecido como Troubled Asset Relief Program (TARP), que tinha o objetivo de estabilizar o sistema financeiro e fornecer suporte para instituições em dificuldades.
O TARP foi aprovado pelo Congresso dos EUA em outubro de 2008 e tinha uma alocação inicial de até US$ 700 bilhões. O programa permitiu ao governo adquirir ativos problemáticos e títulos lastreados em hipotecas de instituições financeiras, como bancos e seguradoras, para aliviar sua situação financeira e evitar colapsos sistêmicos.
Além disso, outras medidas foram adotadas para estimular a economia e restaurar a confiança no sistema financeiro, incluindo:
Injeção de liquidez: O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, adotou políticas de flexibilização quantitativa, como a compra de títulos do Tesouro e ativos lastreados em hipotecas, a fim de injetar liquidez no sistema financeiro e estimular o crédito.
Estímulo fiscal: O governo implementou programas de estímulo econômico por meio de cortes de impostos e aumento dos gastos públicos. Isso tinha o objetivo de impulsionar a demanda agregada e incentivar o investimento e o consumo.
Recapitalização de instituições financeiras: O governo forçou instituições financeiras em dificuldades a buscar capital adicional para fortalecer sua posição financeira. Além disso, alguns bancos foram submetidos a processos de stress test para avaliar sua solidez e garantir que estivessem em condições de enfrentar adversidades futuras.
Reformas regulatórias: O governo dos EUA implementou uma série de reformas regulatórias para fortalecer a supervisão do setor financeiro e prevenir a repetição de eventos semelhantes. Isso incluiu a Lei de Reforma e Proteção ao Consumidor de Dodd-Frank, que estabeleceu novos requisitos de capital, aumentou a transparência e introduziu regulamentações mais rigorosas para as instituições financeiras.
Essas medidas e políticas visavam estabilizar o sistema financeiro, restaurar a confiança dos investidores e impulsionar a economia dos EUA. Embora tenham havido controvérsias em torno das ações tomadas e de seu impacto, essas intervenções governamentais foram fundamentais para reduzir os efeitos maléficos da falha de avaliação das agências de risco e evitar uma crise financeira ainda mais profunda.
Resumidamente, sim, durante a crise financeira de 2008, a intervenção estatal, mais uma vez foi necessária e fundamental para salvar a economia capitalista e reduzir os impactos da falência financeira hipotecária. As agências reguladoras de rating, que inicialmente garantiam a segurança desses títulos do tesouro, falharam em avaliar corretamente o risco envolvido. Como resultado, o governo teve que intervir por meio de medidas como o pacote de resgate financeiro (TARP), injeção de liquidez, estímulo fiscal e reformas regulatórias. Essa intervenção estatal foi necessária para estabilizar o sistema financeiro e evitar uma crise ainda mais grave, demonstrando a importância do papel do Estado em momentos de crise para salvar o sistema capitalista.
Conclusão: Em momentos de crise ou falhas no sistema capitalista, a intervenção estatal é a opção mais viável e eficiente para salvar a economia. A intervenção estatal pode envolver medidas como resgates financeiros, injeção de liquidez, estímulo fiscal e reformas regulatórias. Essas ações são tomadas com o objetivo de estabilizar o sistema financeiro, restaurar a confiança dos investidores e impulsionar a economia. Embora haja debates sobre a extensão e a eficácia da intervenção estatal, em muitos casos, a intervenção governamental é considerada necessária para evitar uma crise mais profunda e proteger a economia e os interesses dos cidadãos.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Dimensões da economia brasileira: renda, emprego e desigualdade nos governos Lula a Bolsonaro

Uma análise comparativa da gestão econômica durante os mandatos presidenciais de Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Jair Messias Bolsonaro (2019-2022) é crucial para enriquecer o atual diálogo público. Entretanto, é imperativo aguardar o término do atual mandato presidencial para conduzir uma avaliação abrangente e precisa. Para preparar esse exame futuro, apresentamos a seguir alguns indicadores que abordam diferentes fases da economia brasileira ao longo do período mencionado, com foco particular nas áreas de renda, emprego e desigualdade.

Quando se trata do Produto Interno Bruto (PIB), os economistas liberais e neoliberais frequentemente argumentam que há uma contradição entre a busca pelo crescimento econômico e a promoção da igualdade. Eles sustentam que Luís Inácio Lula da Silva teria priorizado a igualdade, enquanto Jair Bolsonaro teria favorecido o crescimento. Contudo, tal argumento carece de sustentação empírica, como indicado por uma abrangente análise conduzida por economistas associados ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em termos simples, conforme expresso por Dabla-Norris et al. (2015, p.7), "um acréscimo de 1% na fatia de renda destinada aos 20% mais ricos (aumentando a desigualdade) resulta em uma desaceleração do crescimento econômico de 0,08% nos próximos 5 anos. Por outro lado, um aumento de 1% na renda dos 20% mais pobres (reduzindo a desigualdade) impulsiona o crescimento econômico em 0,38% nos próximos 5 anos".

A situação brasileira sugere que não há uma dicotomia entre a busca pelo crescimento econômico e a promoção de maior igualdade. Nos governos de Luís Inácio Lula da Silva, observou-se um aumento de 37% no PIB real, acompanhado pela redução das disparidades sociais.

Frequentemente, se argumenta que o governo Lula foi beneficiado pelo contexto internacional, enquanto o governo Bolsonaro enfrentou desafios. No entanto, esse raciocínio tem suas falhas. Embora seja verdade que a economia global tenha crescido mais expressivamente entre 2003 e 2010, o desempenho do Brasil superou essa média, enquanto sob o governo Bolsonaro, ficou abaixo da média mundial.

Ao detalhar os números, percebe-se que o crescimento anual médio do PIB durante o mandato de Lula foi de 4,05%, superando a média mundial de 2,73%. Em contrapartida, sob a gestão de Bolsonaro, o crescimento anual médio do PIB foi de 1,12%, inferior à média mundial de 1,95%. As causas desse declínio no desempenho brasileiro devem ser rigorosamente analisadas no futuro.

Outra alegação comum é que o crescimento do consumo das famílias pode prejudicar o crescimento, pois retira recursos que poderiam ser direcionados para investimentos. Contudo, este argumento parece antiquado ao pressupor que a demanda efetiva não é relevante para determinar os níveis de produção, renda e emprego, e ao imaginar que não há espaço para o crescimento simultâneo do consumo e do investimento. Este argumento carece de respaldo nos dados, como evidenciado nos gráficos que demonstram um aumento de 95% no volume de vendas do comércio durante os governos Lula, enquanto no governo Bolsonaro, esse indicador estagnou.

A discrepância observada no volume de vendas no comércio se reflete também na produção física industrial de bens de consumo, sugerindo que a produção local foi impulsionada pelo crescimento da demanda efetiva, contrariando as premissas do argumento pré-keynesiano. Enquanto a produção industrial de bens de consumo cresceu 32% durante os governos de Luís Inácio Lula da Silva, registrou uma queda de 8% no governo Bolsonaro.

Outro ponto frequente entre autores liberais e neoliberais é a ideia de que o aumento salarial prejudica o emprego. No período dos governos de Lula, o salário mínimo teve um acréscimo de 57% em termos reais, ao passo que diminuiu ligeiramente durante o governo Bolsonaro. Para contextualizar a importância do salário mínimo para trabalhadores, aposentados e pensionistas, dados da última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) de 2021 indicam que quase 70% da população recebia um salário mínimo ou menos como renda domiciliar per capita. Além disso, 59,4% dos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, aproximadamente 19 milhões de aposentados e pensionistas, recebiam salário mínimo.


A valorização real do salário mínimo, ajustada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor-IBGE), pode ser traduzida em termos de cestas básicas, calculadas pelo Dieese. Segundo esse critério, o poder de compra do salário mínimo aumentou em 46% nos dois mandatos de Lula, enquanto diminuiu 26% no governo Bolsonaro.
O fortalecimento do poder de compra dos salários também foi beneficiado pela política de regulação dos preços dos combustíveis nos governos Lula. Apesar do controle executado por Bolsonaro no segundo semestre de 2022, a política de repasse dos preços internacionais, sem considerar os custos locais de produção de petróleo, resultou em uma significativa elevação do preço médio da gasolina.

O argumento de que o crescimento salarial prejudica o emprego não encontra respaldo na experiência brasileira durante os mandatos de Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. A taxa de desocupação diminuiu 6 pontos percentuais sob a gestão de Lula e 3 pontos percentuais durante o governo Bolsonaro. Além disso, a taxa de desemprego já era consideravelmente menor no início do governo Lula em comparação ao início do governo Bolsonaro, terminando significativamente mais baixa sob o governo Lula.

O aumento dos rendimentos salariais nos governos de Lula não impediu um crescimento robusto do emprego formal, mesmo considerando os custos de contratação mais elevados em comparação ao emprego informal. O próprio incremento na demanda efetiva, resultado da inclusão de trabalhadores em novos mercados de consumo, contribuiu para a expansão do emprego em uma dinâmica positiva. Por outro lado, a retração salarial pode desencadear um ciclo vicioso, conforme previsto por Keynes na Teoria Geral do Emprego, Dinheiro e Juro (Bastos, 2017).

O aumento do emprego formal e dos salários também contribuiu para a redução da desigualdade de renda, medida tanto pelo índice de Gini na renda domiciliar quanto nas rendas do trabalho. Enquanto a renda domiciliar abrange todos os rendimentos, não apenas os relacionados ao trabalho, o índice de Gini para a renda do trabalho indica que o aumento do salário mínimo reduziu a desigualdade entre os trabalhadores. Contrariando argumentos liberais e neoliberais, as políticas de redução da desigualdade não prejudicaram o crescimento do PIB nem do emprego durante os governos de Lula.

Adicionalmente, o argumento de que o aumento do consumo das famílias prejudica o crescimento por desviar recursos do investimento não se sustenta nos governos de Lula. A taxa de investimento em relação ao PIB cresceu em conjunto com a expansão do consumo, atingindo 19% do PIB. No governo Bolsonaro, políticas focadas em ampliar o investimento à custa da remuneração, dos direitos trabalhistas e da proteção ambiental não surtiram efeito significativo, resultando em uma taxa de investimento média de apenas 17,3% do PIB. O corte nos desembolsos do BNDES para reduzir o custo financeiro do investimento privado pode explicar em parte essa baixa taxa de investimento no governo Bolsonaro.

O resumo aponta para a hipótese de uma contradição entre a busca pelo crescimento econômico e a promoção de maior igualdade carece de respaldo empírico no caso brasileiro, bem como em comparações internacionais recentes. É crucial que a opinião pública brasileira esteja ciente disso ao tomar decisões sobre o destino coletivo.

Fonte de pesquisa: Instituto de Economia IE


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