sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Governo quer mapear e identificar locais de tortura no País


A Secretaria de Direitos Humanos quer criar uma política nacional de sítios de memória. A proposta do governo é contribuir para a localização de espaços públicos e privados que foram usados para atos de violações de direitos humanos durante a ditadura militar e identificá-los, assim como a Casa da Morte em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.

A Prefeitura de Petrópolis declarou o local como de utilidade pública em 24 de agosto e vai transformar o centro de tortura em museu, voltado para o resgate da memória e verdade.
De acordo com o decreto municipal, a desapropriação do terreno mostra que a população de Petrópolis jamais concordou com as práticas ocorridas e se nega veementemente a cultivar o esquecimento.
Pedagógico. A proposta de criação de um conjunto de sítios de memória foi apresentada ontem, durante a reunião da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos. "Vamos estabelecer um período pedagógico mais forte a partir de agora", ressaltou a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Segundo a ministra, marcar os sítios é contribuir para que violações não se repitam no País. Integrantes do governo afirmam que ainda não há uma mapa com possíveis locais de memória. Eles reforçam a necessidade da participação de Estados, municípios e da sociedade civil na localização e demarcação desses lugares. O governo já apoia a construção de memoriais, como o que está sendo montado em Belo Horizonte e em Porto Alegre. Na capital mineira, por exemplo, será erguido um Memorial da Anistia, planejado por meio de parceria entre o Ministério da Justiça e a Universidade Federal de Minas Gerais.

Bases militares. No governo ainda se discute sobre a transformação de bases militares, usadas como local de tortura, em sítios de memória. O tema é sensível e pode despertar a reação das Forças Armadas, colocando mais uma vez a secretaria em rota de colisão com os militares. No início do ano, integrantes dos quartéis chamaram de revanchistas as declarações da ministra de que a Comissão da Verdade poderia dar origem a um processo de condenações semelhante ao de outros países na América Latina.

Entre os locais "marcados" está a Casa Azul, principal base militar durante a guerrilha do Araguaia. O campo foi local de prisão, interrogatórios, tortura e até fuzilamento. Parte dos 41 guerrilheiros executados pelo Exército passou pelas celas da base. Um dos torturados, José Piauhy Dourado, o Ivo, morreu no próprio local.

Em Natividade (TO), a cadeia pública onde o guerrilheiro Ruy Berbert morreu foi transformada em museu. No entanto, não há nenhuma citação ou referência à morte do jovem no local.
O primeiro ato do projeto será a realização de um seminário no Rio de Janeiro, nos dias 23 e 24 de outubro, sobre sítios de memória. Na última reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul, o plenário aprovou um documento apontando como um dos princípios fundamentais a recuperação e preservação de locais onde foram cometidas graves violações de direitos humanos durante as ditaduras militares no Cone Sul.
Os sítios de memória integram mecanismos da chamada Justiça de Transição e foram adotados em outros países como política pública de memória e construção da democracia. 

Após 20 anos do impeachment de Collor, país amadurece e ganha leis para combater a corrupção


Por Mariana Salume

Há 20 anos, o Brasil vivia um dos mais importantes marcos político da história, o impeachment do primeiro presidente da república civil. O candidato eleito era Fernando Collor de Mello, do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Nas eleições de 1989, ele venceu, com apoio da Rede Globo, a disputa com Lula. Após graves denúncias de corrupção publicadas pela revista Veja, a mesma que denunciou o Mensalão, Collor foi retirado do cargo em 1992, processo que contou com o movimento social dos “Caras pintadas”.

Para o cientista político, Rafael Simões, o impeachment de Collor foi o início de um processo de transformação política e de combate à corrupção. Segundo Rafael, o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, em um primeiro momento, serviu para cumprir as expectativas imediatas de justiça, que foram quebradas logo após com o surgimento de seguidos casos de corrupção. “A partir desse momento as pessoas começaram a ficar desacreditadas”, comentou.
Contudo, foi a partir dos movimentos populares que o país democrático muda o foco da corrupção e inicia a criação de leis que possam prevenir esse tipo de ação ao invés de combater as pessoas que praticaram. “A partir de 92 foi criada a Lei da Improbidade, seguida das leis de Licitação, da Responsabilidade Fiscal e por último, as maiores conquistas democráticas a Lei da Ficha Limpa e a Lei de Acesso a Informação”, pontuou Simões.

O início do problema
Como base de campanha, Collor lançava, em 1989, o slogan “caçador de marajás”. Ao tomar posse, tinha como meta reduzir a inflação em 80% ao mês. Além disso, reduziu ministérios, demitiu servidores públicos e anunciou então, o Plano Collor, que bloqueou por 18 meses as contas correntes e poupanças que excedessem 50 mil cruzeiros, o que equivale a R$ 7 mil. De início, o plano parecia bem sucedido, mas com a redução de dinheiro na praça, o comércio caiu e impulsionou o desemprego em todo o país, fazendo com que a popularidade de Collor caísse 50%.

O processo de impeachment teve início a partir de denúncias de compras superfaturadas na Liga Brasileira da Assistência (LBA), presidida pela então pela primeira dama Rosane Collor, e pelo dossiê apresentado pelo irmão do presidente, Pedro Collor, que apontava operações ilegais que envolviam Collor e PC Farias, tesoureiro da campanha.

A partir daí, a Câmara dos Deputados instalou uma CPI para apurar as denúncias de Pedro Collor, onde constatou a existência de ligações das atividades ilícitas de PC Farias com o Governo Federal.

Organizações da sociedade civil e partidos da oposição lançaram o Manifesto Democrático contra a Impunidade. Em seguida milhares de estudantes usam preto, pintam o rosto e fazem passeatas em dez capitais, caracterizando o movimento dos caras-pintadas, que exigiu o impeachment de Fernando Collor. O presidente renuncia minutos antes da publicação do ato de impeachment, mas teve seus direitos políticos suspensos e quem assume interinamente a presidência do país é Itamar Franco.

O mensalão
Tão importante quanto o caso de Fernando Collor na década de 90, o Mensalão compõe o quadro de escândalos de corrupção do Brasil. O caso foi denunciado em maio de 2005, por Roberto Jefferson (PTB-RJ), curiosamente, o mesmo que na época de Collor fez de tudo para blindar o então presidente e evitar o impeachment.

Agora Jefferson denunciou a existência do pagamento de propina para parlamentares. Segundo o presidente do PTB, congressistas aliados recebiam o que chamou de um “mensalão” de R$ 30 mil do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares. O esquema teria sido realizado entre 2003 e 2004, segundo relatório final da CPI dos Correios, e durado até o início de 2005.

Apontados como os principais envolvidos no caso são Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, que na época assumiu ter arquitetado todo o processo do mensalão, José Dirceu, na época Ministro chefe da Casa Civil, acusado de ser o mandante do esquema e José Genuíno, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, denunciado por utilizar Marcos Valério como fiador do empréstimo ao PT. As transações aconteceram no Banco do Brasil, Banco Rural e BMG.

Ao todo são 38 réus do mensalão acusados, cujas penas variam de 1 a 12 anos de prisão, que deveram responder entre os crimes de corrupção ativa e passiva, evasão de dívidas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato. Já foram condenadas nove pessoas entre elas Marcos Valério, por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e peculato e Roberto Jefferson, por lavagem de dinheiro.

(Foto: Sérgio Tomisaki/Folhapress – 1990)

Mensalão: após condenação, Roberto Jefferson diz que é vítima de si mesmo


Jefferson foi condenado por corrupção passiva por 6 votos a 0 e também pode ser condenado por lavagem de dinheiro –para este crime, o placar, por enquanto, está em 5 a 1 pela sua condenação.

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) disse na manhã desta sexta-feira (28) que não é “vítima de ninguém, a não ser de mim mesmo”, sobre a condenação pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão na quinta-feira. Jefferson foi condenado por corrupção passiva por 6 votos a 0 e também pode ser condenado por lavagem de dinheiro –para este crime, o placar, por enquanto, está em 5 a 1 pela sua condenação.

“A maioria da Corte Suprema do meu país já me condenou pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Embora não concorde com as imputações, recebo com serenidade a decisão dos ministros. E reafirmo: não vendi o meu partido ao PT nem me apropriei para fins pessoais de nem um centavo sequer do dinheiro que a mim chegou para financiar campanhas eleitorais. Muito menos sou delator, alcunha com que tentam à força me marcar. Não sou vítima de ninguém, a não ser de mim mesmo. Nada a reclamar. ‘Dura lex, sed lex’ (‘a lei [é] dura, porém [é] a lei’)”, postou ele em seu blog na manhã desta sexta.

A maioria dos ministros do STF condenou na noite de ontem o ex-deputado e mais oito réus do mensalão ligados a partidos da base aliada do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006). Os réus –ligados ao PP, PTB, PL (atual PR) e PMDB– foram condenados por receberem dinheiro das empresas de Marcos Valério –apontado como o operador do mensalão–, sob orientação do PT.

Para ser condenado pela maioria, Jefferson tem que receber seis ou mais votos pela condenação — o que já ocorreu ontem. Caso nenhum ministro volte atrás em seus votos até o final do julgamento –que não tem data para terminar–, o ex-deputado e presidente licenciado do PTB será condenado.

Do PTB, também foi condenado pela maioria, por corrupção passiva, o ex-deputado federal Romeu Queiroz (MG). O ex-tesoureiro da sigla Emerson Palmieri recebeu, até agora, o voto de cinco ministros pela sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O valor total do acordo entre PTB e PT era de R$ 20 milhões, mas apenas R$ 4,5 milhões foram repassados ao PTB, segundo afirmou Roberto Jefferson.
Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, em 2005, Jefferson denunciou o suposto esquema de compra de apoio parlamentar, deflagrando o maior escândalo do governo Lula.
(Do UOL)

Luiz Paulo tem voto favorável no TCES



Esteve em votação no pleno do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) na sessão desta quinta-feira (27), o acolhimento da preliminar que responsabiliza ou não o candidato à prefeitura de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), acerca de suspeitas de irregularidades nas contas do Executivo da Capital referentes a 2004. Ele já foi prefeito da cidade por dois mandatos. O relator do processo, o conselheiro Cotta Lovatti, votou por responsabilizá-lo juntamente com outros sete citados nos autos, e negou o pedido feito pela defesa do tucano.

Porém, o conselheiro Sérgio Aboudib, que tinha pedido vista, deferiu o voto a favor de Luiz Paulo. “Concluo que não seja imputada a responsabilidade ao prefeito pelos atos de seus secretários”, disse. Aboudib finalizou o voto dizendo “acato a preliminar da defesa do prefeito”.   O conselheiro Pimentel pediu vista do processo.

Nesta fase está sendo julgada a responsabilidade partilhada do ex-prefeito com ordenadores de despesas de sua gestão. Depois, o plenário apreciará a culpa das suspeitas de irregularidades, atribuindo a multa e ressarcimento do dano ao município.

São mais de 10 indícios de irregularidades. Entre, pagamento de procuradores municipais em desacordo com o teto municipal (R$ 274 mil); repasse financeiro sem finalidade pública no valor de R$29.200 mil ao Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares ES; contratação de empresa incompatível com a função especificada no pregão eletrônico 23/2004; desclassificação de empresas com menor preço sem motivação, limitar a competição entre empresas no pregão eletrônico 203/2004 e outras.

Câmara de Rio Novo do Sul mantém recomendação do TCES e rejeita contas de ex-prefeitos
A Câmara de Rio Novo do Sul manteve, no último dia 13, o parecer do TCES, que recomendou a reprovação das contas dos ex-prefeitos Sidney Costa (gestão 2003) e Estevam Fiório (2007). A votação foi acirrada entre os noves vereadores que compõem o legislativo municipal: foram cinco votos contrario a rejeição das contas. A decisão os inclui na Lei da Ficha Limpa.

Sidney Costa teve as contas rejeitadas na Corte por várias irregularidades, dentre elas: o não cumprimento das metas orçamentárias; ausência de licitação para aquisição de combustível, transporte escolar e eletrificação; irregularidades em licitação, certidão sem autenticação, transferência de R$ 2.700 para um clube esportivo, e outras.
Já as contas de Estevam Fiório apresentaram divergências no balanço financeiro, no saldo disponível e o fluxo de caixa, contábeis, dívida ativa, bens e imóveis e em depósito; déficit orçamentário, além de não aplicar 25% da receita bruta do município na educação.

Ainda na sessão desta quinta-feira (27), o prefeito de Rio Novo do Sul, João Facchim (PSB), e outros ordenadores de despesas foram citados, para que em 30 dias apresentem justificativas sobre possíveis irregularidades, de acordo com auditoria especial referente à gestão de 2011.

Também na mira do Tribunal está a Prefeitura de Sooretama. É que a Corte de Contas irá fazer auditoria ordinária, nos dias 19 e 23 de novembro, nos atos do Executivo municipal, após denúncia de a prática de nepotismo, irregularidades no pregão presencial nº36 e aumento injustificado de cargos e salários.
O relator do processo, o conselheiro João Luiz Cotta Lovatti, explicou que a auditoria já estava programada para ser feita apenas nos atos que envolvem serviço de transporte escolar. Em face as denúncias, Cotta Lovatti pediu alteração no plano de auditoria para que as suspeitas fossem checadas.

Secretário de Estado terá explicar contratação de agência publicitária
O secretário de Economia e Planejamento do Estado, Guilherme Henrique Pereira, terá que dar explicações ao Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) sobre a ausência de projeto básico que resultou na contratação de agência de publicidade, conforme relatório de auditoria de prestação de contas da pasta, de 2011. O contrato foi estimado em R$ 1 milhão. Já foram pagos R$ 138 mil.
O relator, o conselheiro José Antonio Pimentel, que deu a decisão monocraticamente. O processo voltará ao plenário depois de juntadas as justificativas aos autos e análise feita pela área técnica do Tribunal.
Via ES Hoje

Russomanno cai 5 pontos, indica pesquisa Datafolha


Líder nas intenções de voto em São Paulo, candidato do PRB agora tem 30%; Serra, com 22%, e Haddad, com 18%, voltam a empate técnico no limite da margem de erro



O candidato Celso Russomanno (PRB) caiu cinco pontos porcentuais em uma semana, de 35% para 30%, segundo pesquisa Datafolha sobre a eleição em São Paulo divulgada nessa quinta-feira, 27. O petista Fernando Haddad subiu de 15% para 18% e o tucano José Serra oscilou de 21% para 22%.

Com isso, Serra e Haddad voltam à situação de empate técnico da qual haviam saído na pesquisa anterior - quando o tucano abriu seis pontos de vantagem. Na quarta-feira, 26, o instituto Ibope detectou empate técnico entre os dois, mas mostrou Haddad numericamente à frente de Serra pela primeira vez (18% a 17%). O Ibope também mostrou Russomanno com 34%, ou 4 pontos porcentuais a mais do que o resultado do Datafolha.

Russomanno, com passagem praticamente assegurada para o segundo turno, venceria qualquer dos adversários em confronto direto se a eleição fosse hoje. Contra Serra, o placar seria de 50% a 34%. Contra Haddad, venceria por 49% a 34%. Em improvável disputa entre PSDB e PT, Haddad venceria, com 48%, ante 38% de Serra.

A intenção de voto em Russomanno no primeiro turno passou por oscilações bruscas nas últimas pesquisas, mas o mesmo não havia ocorrido em relação à projeção de segundo turno. Suas taxas, estáveis desde setembro, caíram na pesquisa divulgada ontem. No confronto contra Serra, Russomanno tinha 26 pontos de vantagem em 20 de setembro (57% a 31%). Agora, a distância caiu 10 pontos (50% a 34%).

Na disputa contra Haddad, Russomanno estava na frente, com 25 pontos a mais (55% a 30%). Agora, a vantagem é de 15 pontos (49% a 34%). A taxa de rejeição é o principal obstáculo para o crescimento de Serra; 45% dos eleitores paulistanos dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Russomanno é rejeitado por 22%, e Haddad, por 24%. O quarto colocado na Datafolha é Gabriel Chalita (PMDB), que chegou a 9%; a seguir aparece Soninha Francine (PPS), com 4%,

O Datafolha ouviu 1.799 eleitores de São Paulo entre essa quinta e quarta-feira. A margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. A TV Globo, que divulgou a pesquisa, não detalhou em que regiões ocorreram as principais mudanças. Os dados do Ibope, porém, indicam que há refluxo do eleitorado de Russomanno, sobretudo na zona oeste e na região central, áreas em que Haddad ganhou terreno recentemente.

Na zona oeste, o Ibope mostrou os três principais candidatos em empate técnico: Russomanno e Haddad com 23%, e Serra, com 15%. Trata-se da área onde vivem os moradores com a renda média mais alta. É lá que os candidatos do PSDB costumam obter seus melhores resultados. Apesar de os candidatos do PRB e do PT aparecerem com oito pontos a mais que Serra, há empate técnico porque a amostra de eleitores ouvidos na pesquisa é pequena (menos de 10% do total). Para assegurar a ida de Haddad ao segundo turno, o PT espera conquistar os eleitores da periferia, que até o momento pendem para Russomanno.

Aécio diz que Lula age como líder de facção


Senador acusa ex-presidente de 'manchar a própria biografia' quando defende os réus do mensalão

Vannildo Mendes 
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de agir "como líder de facção" e de manchar a própria biografia, quando defende os réus do mensalão e ataca a oposição "de forma extremamente agressiva" nos palanques eleitorais. "O que nós estamos percebendo é que o lulismo da forma que existia, quase messiânico, que apontava o dedo e tudo seguia na mesma direção, não existe mais", afirmou o senador, para quem os ataques do petista não têm surtido o efeito que ele desejava.

De olho na eleição de 2014, Aécio realiza um périplo por cidades nordestinas, como Maceió, onde candidatos tucanos disputam a Prefeitura. O objetivo tem mão dupla: de um lado, ele dá impulso nessas candidaturas na reta final e de outro, fortalece seus laços políticos com lideranças regionais para uma eventual candidatura presidencial. Na passagem por Alagoas, ele fez uma carreata pelas principais ruas de Maceió ao lado do candidato tucano Rui Palmeira, líder disparado nas pesquisas, e depois seguiu para Arapiraca, onde o candidato do partido, Rogério Teófilo, encontra dificuldades.

Em entrevista dada nesta sexta-feira num hotel na orla de Maceió, Aécio deu resposta às declarações ácidas de Lula contra os tucanos nos palanques eleitorais, principalmente em São Paulo. Segundo Aécio, o lulismo está enterrado e os ataques mostram desespero do ex-presidente. "Claro que ele (lulismo) sempre terá avaliações positivas em algumas regiões de sua influência, mas da forma como existia no passado, estamos percebendo que não existe mais", enfatizou.

Segundo o senador, ao agir com virulência, Lula "está na verdade abdicando da condição de ex-presidente de todos os brasileiros para ser um líder de facção. Não é bom para ele, nem para sua história", afirmou. Ele disse que a tática tem surtido efeito inverso, como no caso de Belo Horizonte, onde Lula fez ataques ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Parece que o incomoda ainda bastante a figura do ex-presidente (FHC), mas sua ida não alterou em nada as pesquisas eleitorais (em Minas)", relatou.

Afiado, Aécio disparou também na direção do candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que o chamou de despreparado para ser presidente da República e o aconselhou a ler mais - um livro por semana, ao menos. "Acho que ele passou ali um recado ao presidente Lula (que não tem curso superior e tem fama de ler pouco). Ele não me parece satisfeito com o apoio do ex-presidente", observou o tucano, lembrando que, apesar do "tsunami de recursos financeiros investidos", a campanha de Haddad não deslanchou.

Aécio disse que preferia ser lembrado por Haddad com mais gentileza. "Achei que ele fosse me cumprimentar, por ter levado Minas Gerais, com mais de 850 municípios, a ser, segundo o Ideb, o Estado que tem a melhor educação fundamental do Brasil", observou. "Se ele me perguntasse a receita, eu lhe diria: é humildade e competência, duas características que ele não demonstrou ter ao longo da sua vida pública. É uma oportunidade de ele perceber que, para avançar na vida pública, não basta apenas um padrinho político", alfinetou.



Aumenta o número de igrejas “inclusivas” no Brasil voltadas predominantemente para o público gay


destaque  lgbt Aumenta o número de igrejas inclusivas no Brasil voltadas predominantemente para o público gay











Apesar de o público LGBT ser alvo das críticas de religiões, gays, lésbicas, bissexuais e transexuais estão cada vez menos órfãos de igrejas. É crescente o número das chamadas “igrejas inclusivas”, abertas aos LGBTS e demais classes marginalizadas pela sociedade. Em 2008 existia apenas uma igreja inclusiva no Brasil, que hoje já reúne 10 mil fiéis – pessoas de todas as orientações sexuais.
O Reverendo Cristiano Valério, da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), explica que a igreja foi fundada em Los Angeles, na década de 60, e hoje já está presente em mais de 38 países. No Brasil há cerca de 11 instituições, entre Igrejas e comunidades, inclusive no Espírito Santo.
Mas não existe apenas a ICM. “Não somos uma comunidade religiosa, e sim uma comunidade que luta contra a desigualdade, que infelizmente é tão grande em nosso país”, afirmou Cristiano.
Segundo ele, as religiões tradicionais avançam lentamente, e tratam essas pessoas como se elas fossem diferentes das demais, “A diferença não é uma ameaça, e sim um enriquecimento para sociedade. O trabalho das igrejas é ensinar que Deus ama a todos, sem diferença”, afirmou.
Nas igrejas tradicionais, os homossexuais precisam, quase sempre, esconder sua orientação sexual sob o risco da expulsão. Há casos, inclusive, de tentativas de “expulsão de espíritos ruins”.
Segundo o Reverendo Cristiano Valério, o objetivo das igrejas e comunidades inclusivas é avançar no reconhecimento da dignidade humana, e tornar um país mais civilizado. “Nosso objetivo é promover uma cultura de paz, incentivando a não violência contra essas pessoas, um país sem pressão homofóbica. Não forçamos ninguém a se revelar gay, nós cercamos essas pessoas de oportunidades, para quando elas se sentirem á vontade, venham dividir com a sociedade e vivam felizes”.
O crescimento das igrejas inclusivas ganhou força com o surgimento de políticas de combate à homofobia, ao passo que o preconceito também diminuiu, alegam especialistas. De acordo com o pastor João Brito Nogueira, da Igreja Evangélica Batista de Vitória (IEBV), as igrejas existem para servir e não discriminar pessoas homossexuais. Entretanto, ele não esconde que os fiéis de sua comunidade são contrários a relação de pessoas do mesmo sexo. “Somos contra a prática homossexual, mas, por isso, não deixamos de ajudar ou prestar qualquer tipo de solidariedade. A bíblia tem um ensinamento claro contra essas atitudes, Igrejas são apenas instituições criadas pelos homens”, disse.
Início sob sigilo
O princípio das igrejas inclusivas no Brasil foi na década de 90, com pequenas reuniões realizadas sigilosamente. Nos Estados Unidos, entretanto, elas já existem há pelo menos quatro décadas, praticando o que os americanos chamam de “teologia inclusiva”.
Apesar das igrejas inclusivas ainda enfrentarem forte resistência das comunidades católicas e evangélicas, elas seguem no discurso e finalidade de pregar a tolerância e a cultura de paz na sociedade mundial.
(Foto UOL) | Aleandro Coelho

José Serra ganha inesperado beijo na boca de eleitora

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, ganhou um inesperado beijo na boca de uma eleitora nesta quinta-feira (27) durante campanha no bairro do Bom Retiro, região central da cidade.

Durante a caminha, uma comerciante de uma das lojas da região se aproximou aos gritos dizendo que amava o tucano e que desejava se casar com ele. 
Serra ficou constrangido. Ao cumprimentá-la, acabou ganhando um beijo na boca. 
Na sexta-feira passada, o ex-governador proporcionou outra cena inusitada durante visita a um clube-escola localizado em Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital. 
Brincando com os garotos que jogavam futebol, ele arriscou uma cobrança de pênalti e, no momento da batida, viu seu sapato “voar” em direção ao gol. 
Ao comentar o lance, Serra brincou: "Eu senti que o sapato ia sair. Foi um gol de sapato”, comentou, aos risos. 

Foto Agência Estado

Economia para pagar juros da dívida chega a R$ 2,9 bilhões em agosto


Superávit primário chega a R$ 2,9 bilhões em agosto

Kelly Oliveira
O superávit primário, esforço para o pagamento de juros da dívida, do setor público consolidado – governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais – chegou a  R$ 2,997 bilhões, em agosto, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (28). O esforço fiscal no mês passado foi menor do que o registrado em agosto de 2011 (R$ 4,561 bilhões).
Nos oito meses do ano, o  superávit primário ficou em R$ 74,225 bilhões, menor do que o resultado de igual período de 2011 (R$ 96,54 bilhões). Em 12 meses encerrados em agosto, o resultado ficou em R$ 106,395 bilhões, o que representa 2,46% de tudo o que o país produz – Produto Interno Bruto (PIB). A meta para este ano é R$ 139,8 bilhões.
O esforço fiscal do setor público não foi suficiente para cobrir os gastos com os juros que incidem sobre a dívida. Esses juros chegaram a R$ 19,118 bilhões, em agosto, e acumularam R$ 147,58 bilhões, nos oito meses do ano, ante R$ 21,663 bilhões e R$ 160,207 bilhões, respectivamente em iguais períodos de 2011. Com isso, o déficit nominal, formado pelo resultado primário e pelas despesas com juros, ficou em R$ 16,121 bilhões, no mês passado, e em R$ 73,355 bilhões, de janeiro a agosto. Em agosto do ano passado, o déficit nominal ficou em R$ 17,101  bilhões, e nos oito meses de 2011 em R$ 63,667 bilhões.
Nos oito meses do ano, o Governo Central (Banco Central, Tesouro Nacional e Previdência Social) registrou superávit primário de R$ 53,069 bilhões, enquanto os governos regionais (estaduais e municipais) apresentaram R$ 19,357 bilhões e as empresas estatais, excluídos os grupos Petrobras e Eletrobras, registraram R$ 1,799 bilhão.
Somente em agosto, o superávit primário do Governo Central foi R$ 1,173 bilhão. Os governos regionais registraram superávit de R$ 1,483 bilhão, e as empresas estatais de R$ 341 milhões.

Caixa reduz juros de financimento de veículos novos e usados


A Caixa Econômica Federal anunciou hoje (28) redução de juros para o financiamento de veículos novos e usados. As novas taxas variam de 0,75% a 1,51% ao mês. Segundo a Caixa, a taxa máxima anterior era 1,63% ao mês.
Para veículos com até dois anos de fabricação, o índice máximo foi reduzido de 1,55%  para 1,34% ao mês. A linha de financiamento está disponível nas agências da Caixa, nas concessionárias e nas lojas credenciadas ao Banco PanAmericano.
“As taxas são definidas em função de fatores como cota de financiamento, idade do veículo, prazo e nível de relacionamento do cliente com a Caixa”, destaca nota divulgada pelo banco. O valor financiado pode ser até 100% para veículos zero quilômetro. O prazo pode chegar a 60 meses para aqueles com até cinco anos, e a 48 meses para os com até dez anos.
A Caixa informou ainda que, em conjunto com o Banco Pan-Americano, encerrou agosto com contratações de R$ 668 milhões em financiamento de veículos. O valor é 143% superior ao de abril deste ano, quando foi anunciada a estratégia de redução de taxas de juros do banco. Naquele mês, foram contratados R$ 274 milhões.
Até agosto, a participação em volume de contratação mensal da Caixa e do Banco Pan-Americano representava 7,04% do mercado. O objetivo é que a operação conjunta atinja 10% da produção total do mercado até dezembro de 2012.  O saldo da carteira de veículos dos dois bancos, que hoje é R$ 9,3 bilhões, deve chegar a R$ 10,6 bilhões até o final do ano.

Colômbia ganha adesão de um dos líderes das Farc para o acordo de paz em negociação no país


O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, recebeu ontem (27) à noite uma adesão considerada relevante ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Juvenal Ovidio Ricardo Palmera, conhecido como Simón Trinidad, apontado como um dos líderes da guerrilha, disse estar disposto a negociar com as autoridades o fim dos confrontos com o governo.
Preso nos Estados Unidos, Simón Trinidad apareceu em uma audiência no Tribunal Penal Especializado de Valledupar, no Nordeste da Colômbia, para responder sobre os crimes de sequestro e assassinato de tenente da Marinha Álvaro Morris. Ele disse durante a audiência que está disposto a “colaborar” para o “fim da violência no país”.
O procurador-geral da Nação da Colômbia, Eduardo Montealegre, disse que o governo pode aceitar o apoio de Simón Trinidad e integrá-lo à mesa de negociações. Mas não pode suspender os mandados de prisão emitidos contra ele.
No último dia 27, Santos confirmou a retomada das negociações entre o governo e as Farc para tentar colocar um fim ao conflito armado. Anteontem, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente reiterou os esforços feitos em busca da paz na região. Há cerca de meio século os guerrilheiros atuam na Colômbia. Para Santos, as negociações em curso não põem em risco a segurança dos cidadãos.
Pelas negociações, o governo e o comando das Farc se comprometem a  cumprir sete pontos, como a reintegração dos guerrilheiros à vida civil, o desenvolvimento rural, garantias de participação da oposição, o fim do conflito armado, o combate ao narcotráfico, assegurar os direitos das vítimas e a realização de julgamentos dos envolvidos em assassinatos, sequestros e torturas.
No próximo dia 8, haverá uma reunião, em Oslo, na Noruega. Os noruegueses, chilenos, venezuelanos e colombianos fazem a mediação dos acordos entre o governo Santos e o comando das Farc. Em entrevista coletiva, concedida há dois dias, a presidenta Dilma Rousseff elogiou a iniciativa de Santos e demonstrou confiança nos resultados das negociações.

Mais dois votos para manter Donati fora da disputa

Outros dois juízes negaram o recurso do atual prefeito de Conceição da Barra,  Jorge Donati (PSDB), contra a cassação do registro de sua candidatura em sessão, na tarde de ontem.

O registro de Donati foi cassado no último dia 13 por propaganda institucional irregular. Depois do relator, o juiz Marcelo Abelha, votar para negar provimento, foi a vez do desembargador Annibal de Rezende e de Rachel Durão seguirem o voto. Julio César de Oliveira pediu vista. Ao todo, são três votos pela manutenção da cassação.

Já o recurso do prefeito cassado de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), será julgado na próxima segunda-feira.

Na sessão do TRE-ES da última terça-feira, um jornal de Alfredo Chaves foi multado em R$ 5 mil por propaganda eleitoral antecipada, o que teria favorecido o candidato a prefeito Sérgio Bianchi (PSD). A assessoria do candidato informou que Bianchi não tem relação com o jornal e que não tinha conhecimento da propaganda.

SEGURANÇA NA ELEIÇÃO CAPIXABA

Reforço policial em oito cidades

TRE obteve a garantia de mais policiais nas ruas dos municípios em que há confronto. A Polícia Federal também irá atuar no dia 7

Nathalia Pompermaier
Contra a boca de urna, a compra de votos e para garantir a segurança dos eleitores no próximo dia 7 de outubro, oito municípios do Estado pediram reforço no policiamento durante as eleições e receberam o sinal verde da Polícia Militar.
Os juízes eleitorais de Colatina, Anchieta, Jaguaré, Linhares, Água Doce do Norte, Iconha, Pinheiros e Presidente Kennedy solicitaram reforço ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O motivo é que, a pouco mais de uma semana do pleito, o clima já esquentou nessas cidades.

Em Anchieta, por exemplo, campanhas de candidatos adversários estão entrando em choque nas ruas da cidade, e os cabos eleitorais chegam a usar foguetes durante as caminhadas, o que, segundo o TRE, coloca em rico a segurança das pessoas.

Membro do TRE, o juiz Marcelo Abelha contou que teve seu carro parado e “sacudido” quando passava pelas ruas da cidade há alguns dias.
Os pedidos de reforços foram apresentados pelo presidente do TRE, o desembargador Sérgio Bizzotto, ao secretário de Estado da Segurança, Henrique Herkenhoff, e ao comandante da Polícia Militar, o coronel Ronald Willian, em reunião, no início da tarde de ontem.

De acordo com o desembargador, o comandante da PM já confirmou os reforços. “Saímos com toda a convicção de que teremos uma eleição tranquila”, disse Bizzotto. A PM já confirmou, por meio de sua assessoria, que mais de 7.200 policiais irão atuar nas eleições.

Bizzotto adiantou ainda que na próxima semana irá se reunir com o superintendente da Polícia Federal, Erivelton Leão de Oliveira, que garante reforçar o policiamento no dia 7 de outubro nas cidades onde há delegacias da PF.
“Também queremos saber quais estão sendo as providências tomadas pela Polícia Federal para as eleições”, explicou Bizzotto.

Ainda participaram da reunião, o procurador regional eleitoral Carlos Mazzocco e o diretor-geral do TRE, Alvimar Dias Nascimento.
(para uma melhor visualização click na imagem)















Lei Seca vai ficar a cargo de cada juiz

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), o desembargador Sérgio Bizzotto, confirmou que o juiz eleitoral de cada cidade irá definir se proíbe ou não bebidas alcoólicas no dia da eleição,.
Bizzotto afirmou que irá publicar uma circular para comunicar os magistrados da decisão e justificou a autonomia dada a eles dizendo que “a realidade de cada cidade é muito diferente”. “Alguns municípios têm praia, outros são maiores e outros menores. Por isso, cada um sabe melhor o que cabe a situação do lugar”, explicou.
Segundo o desembargador, a maioria dos juízes já disse que irá criar portaria proibindo a venda de bebidas alcoólicas. No entanto, o magistrado considera a ação desnecessária.
“Todas as questões relacionadas à bebida já estão presentes em lei, como a proibição da venda a menores e a proibição do consumo antes de dirigir. Por isso, não acho que deveria haver uma nova lei para essa questão”, declarou.

O Poder de uma Mudança no Paradigma


Por Dag Vulpi

Talvez a mais importante lição que se possa extrair da percepção humana esteja na súbita e iluminadora mudança de paradigma — aquela experiência do tipo “Ah-ah!”, em que tudo se revela sob nova luz, e o que antes era certeza absoluta dissolve-se diante de uma compreensão mais ampla e verdadeira.


Quanto mais alguém se apega à antiga forma de perceber o mundo, mais intensa é a experiência do Ah-ah! quando o novo se revela. É como se uma centelha interior se acendesse, iluminando o que sempre esteve ali, mas de outro modo invisível.

O termo mudança de paradigma, cunhado por Thomas Kuhn em A Estrutura das Revoluções Científicas, marcou um ponto de inflexão na história do pensamento. Kuhn demonstrou que toda revolução científica nasce de uma ruptura — com tradições, com o modo antigo de pensar, com o conforto das verdades estabelecidas.

Assim foi com Ptolomeu, o grande astrônomo egípcio, para quem a Terra era o centro do universo. Sua concepção vigorou por mais de mil anos, até que, em 1543, Copérnico, mesmo sob perseguição e escárnio, ousou colocar o Sol no centro. Daquele deslocamento nasceu não apenas uma nova astronomia, mas uma nova forma de olhar a realidade.

O modelo de Newton, ainda hoje alicerce da engenharia moderna, também se revelou incompleto diante da genialidade de Einstein, cuja Teoria da Relatividade inaugurou um novo universo de compreensão.

O mesmo se deu na medicina: enquanto a teoria dos germes não fora elaborada, incontáveis mulheres e crianças morriam no parto, e soldados sucumbiam mais à infecção do que ao combate. Quando o novo paradigma da microbiologia se consolidou, um avanço dramático transformou o destino da humanidade.

O Brasil moderno também nasceu de uma mudança de paradigma. Por séculos, acreditou-se no direito divino dos reis — até que a noção de que o poder emana do povo fez nascer a democracia constitucional, libertando a energia criadora e a esperança coletiva.

Mas nem toda mudança é para o bem. A transição da Ética do Caráter para a Ética da Personalidade afastou-nos das raízes profundas que nutrem a integridade, a empatia e o verdadeiro sentido de sucesso.

Contudo, quer nos elevem ou nos desviem, quer ocorram subitamente ou ao longo de uma lenta travessia, as mudanças de paradigma são as grandes alquimias da consciência. São elas que redesenham a maneira como enxergamos o mundo e, por consequência, como vivemos nele.


Lembro-me de uma dessas transformações, ocorrida numa manhã de domingo, no metrô de São Paulo.
O vagão estava silencioso — jornais abertos, olhares distantes, sonolência de domingo.
De repente, um homem entrou com os filhos. As crianças corriam, gritavam, incomodavam todos. O pai, ao meu lado, mantinha os olhos fechados, imóvel, indiferente.

Minha irritação crescia. Por fim, não resisti:
— Senhor, seus filhos estão perturbando muita gente. O senhor não poderia fazer algo?

Ele ergueu lentamente o olhar e respondeu com voz mansa:
— Tem razão... Acho que deveria fazer alguma coisa. É que acabamos de sair do hospital... A mãe deles morreu há uma hora.

Nesse instante, tudo mudou. Meu paradigma desabou.
O que era incômodo transformou-se em compaixão. A irritação cedeu lugar a uma ternura silenciosa.
— Sinto muito — respondi, tomado por uma humildade nova. — Quer conversar sobre isso? Posso ajudar em algo?

Em um único segundo, o mundo se reposicionou.
E eu compreendi, profundamente, que quando muda o olhar, tudo muda — o pensamento, o sentimento, a ação.


Muitos de nós vivenciamos esse tipo de virada quando uma crise nos obriga a rever prioridades, ou quando assumimos papéis novos: pai, avô, líder, companheiro.
Podemos gastar anos tentando moldar atitudes e comportamentos pela superfície — mas a verdadeira transformação só acontece quando mergulhamos nas raízes do paradigma que nos sustenta.

Como disse Thoreau:

“Para cada mil homens cortando as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes.”

O salto qualitativo de nossas vidas começa quando paramos de podar folhas e passamos a trabalhar o solo — o invisível que alimenta o visível.


Reflexão:

Mudar de paradigma é, em essência, um ato de humildade — o reconhecimento de que a verdade pode estar além daquilo que aprendemos a chamar de “verdade”. É o instante em que o Sol, antes orbitado, se revela o centro. É quando, enfim, o universo se reorganiza dentro de nós.

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