sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A mulher que revelou os bastidores do Facebook


Em seu livro "The Boy Kings", Katherine Losse fala sobre machismo, projetos secretos e a rotina dentro da maior rede social do planeta

Katherine Losse ocupou por três anos um cargo chave dentro do Facebook, a maior rede social do planeta. Ela era gerente de internacionalização da companhia, além de ser a pessoa responsável por publicar todos os anúncios oficiais do CEO Mark Zuckerberg – o que lhe garantia acesso a informações confidenciais, como planos de expansão da empresa e desenvolvimento de ferramentas que nunca efetivadas.

Com o crachá de número 51, ela começou em 2005 na empresa, ainda como funcionária do setor de atendimento ao cliente, e em apenas um ano conquistou a confiança do jovem executivo, que elogiava sua competência profissional e seu conhecimento excepcional do inglês.

Depois de conhecer como poucos os bastidores da empresa que se transformou numa das gigantes da internet, Katherine decidiu contar a história – ou pelo menos parte dela – no livro The Boy Kings: A Journey into the Heart of the Social Network, ainda não traduzido para o português. Em entrevista exclusiva ao site de Veja, ela conta como foi trabalhar com o jovem mais famoso do setor de tecnologia, além de falar sobre alguns segredos da empresa, como o recurso que criava perfis de pessoas que não estavam cadastradas na rede.

Rotina de trabalho - Gente excêntrica e muitas festas? Sim. A imagem que as pessoas fazem do ambiente de trabalho nas empresas de tecnologia e internet corresponde a parte da realidade no caso do Facebook. No livro, Katherine conta que alguns dos engenheiros usavam rip sticks, skates de duas rodas, para se locomover entre os departamentos. E isso era algo que não espantava os demais funcionários. “Trabalhei com vários jovens com comportamento infantil, mas nós nos dávamos bem como colegas.

O importante era concentrar os esforços no crescimento do site e fazer as coisas funcionarem de forma eficiente”, diz. Fora da empresa, as festas eram comuns, e muito parecidas com as das universidades. A outra parte do trabalho era pura rotina, como em qualquer empresa. “Eu chegava às 10h e abria o expediente com e-mails sobre o site ou qualquer outro assunto que precisasse de atenção. Trabalhava até resolver todos os problemas, o que acontecia lá pelas 19h.”

O rei da rede - No livro, Katherine descreve Mark Zuckerberg como uma pessoa introspectiva e extremamente dedicada ao trabalho. “Ele é quieto, se concentra muito na construção do Facebook e na realização das suas ideias”, diz. Segundo a autora, Zuckerberg também é um pouco mais calmo do que a sua versão apresentada no filme A Rede Social. “Ele gosta de se socializar algumas vezes, aos finais de semana, mas há ocasiões onde é visível a sua preferência pelo trabalho.”

Para a autora, a recente queda no preço das ações da companhia, em julho, não está ligada à imagem de Zuckerberg – que foi amplamente criticada por analistas financeiros –, e sim às dificuldades da empresa em atender às altas expectativas do mercado.

Ambiente machista - No dia do aniversário de 22 anos de Zuckerberg, em 2006, a autora conta que todas as mulheres do escritório foram obrigadas a usar camisetas estampadas com a imagem de seu chefe. Os homens deveriam apenas usar sandálias da Adidas. “O código sexual ficou claro: mulheres deveriam mostrar sua dedicação ao Mark, enquanto que os homens deveriam se tornar o Mark”, diz o trecho do livro. A passagem reflete uma companhia composta principalmente por jovens engenheiros. As poucas mulheres estavam restritas à área de atendimento ao cliente.
“Não acho que ele realmente queria essa imagem de fraternidade universitária para a companhia, mas foi o que aconteceu – por algum tempo”, afirmou a autora na entrevista a Veja. “Os engenheiros ditavam o tom de forte influência masculina na empresa. Talvez isso esteja mudando hoje, com a chegada de mais mulheres em postos importantes dentro do Facebook.”

Privacidade - Katherine conta que, em 2006, os engenheiros da rede criaram um recurso experimental chamado “Dark Profiles”, capaz de criar perfis secretos para pessoas que não estivessem cadastradas no Facebook. O sistema coletava nomes e imagens em fotos com tags, criando um pequeno banco de dados. Caso a pessoa resolvesse entrar no site, ela já teria um perfil pré-montado. “Por trás dos panos, a maioria das companhias na área de tecnologia recolhem esses dados de qualquer um que utilize seus serviços”, afirma a autora.

Outro exemplo citado no livro sobre as ideias malucas que ja fizeram parte dos mentores do site é a existência de uma senha mestra, capaz de acessar qualquer perfil na rede, com direito à alteração e remoção de informações. Katherine diz que essa é uma ideia que ficou no passado, não faz mais parte do sistema. “Esse recurso foi abolido do site, e não existe mais.”

Vinda ao Brasil - Ainda acordo com o livro, em 2009, o CEO do Facebook quase desistiu de uma viagem ao Brasil para divulgar a empresa porque ficou em dúvida se a empreitada valeria o esforço. Zuckerberg tinha uma preocupação exagerada com segurança. Ele temia sobretudo ser alvo de um sequestro. Só concordou com a viagem ao cercar-se de uma poderosa equipe de guarda-costas formada por ex-militares – incluindo um soldado americano que serviu no Iraque e um segurança que atuou na guarda pessoal da cantora Britney Spears. Katherine entende que o investimento faz sentido para um executivo na posição de Zuckerberg. “Muitas pessoas nos Estados Unidos têm a percepção de que o Brasil é um lugar perigoso. Provavelmente essa foi a justificativa para a busca de tanta segurança”, disse.

A saída - A decisão de deixar seu cargo dentro Facebook foi difícil para Katherine. Ela escreve que, a partir de 2009, a rede social começou a se dedicar inteiramente à obtenção de dados dos usuários. A cultura de unir as pessoas se perdia dentro de tantas oportunidades financeiras, que dependiam da oferta de dados intimamente relacionados à privacidade dos usuários. Por fim, em 2010, ela decidiu abandonar Zuckerberg e sua equipe. “Eu queria explorar outras oportunidades, e por isso eu saí”, argumenta com diplomacia.
The Boy Kings: A Journey into the Heart of the Social Network

O livro conta detalhes de bastidores do Facebook, a maior rede social do planeta. A autora revela segredos da empresa e fala do machismo no ambiente de trabalho.
Autor: Katherine Losse
Editora: Free Press

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Leia as postagens na íntegra clicando nos títulos das matérias
  1. Mensalão: advogados reforçam necessidade de julgamento técnico
  2. Haddad reconhece que vídeo comparando Serra a Hitler é 'indevido'
  3. Cinco dos menores e mais raros animais do mundo
  4. Meta de investimento em educação terá novo debate
  5. As universidades vão piorar com mais cotas?
  6. A vida real das Cheias de Charme - Urariano Mota
  7. Mensalão: defesa diz que João Cláudio Genu circulava dinheiro a mando da cúpula do PP
  8. Defesa diz que Pedro Henry responde por processo apenas por ter sido líder do PP
  9. Bolsa brasileira é mais resistente que economia
  10. Corte paraguaio de energia? Não tão cedo
  11. Vereador de Aracruz acusado de Rachid permanece afastado
  12. Deputado capixaba Paulo Foletto (PSB) pede para sair da CPMI do Cachoeira
  13. TJES abre processo contra prefeito de Ecoporanga
  14. Reforma de lei une senadores evangélicos e católicos contra drogas e aborto
  15. Defesa do ex-deputado Pedro Corrêa vai tentar explicar por que ele recebeu R$ 700 mil do PT

Economistas criticam falta de iniciativa do empresariado brasileiro


Em seu afã de retomar o ritmo de crescimento econômico, o governo federal parece enfrentar nos últimos meses o mesmo desafio de 2008 e 2009: soa impossível convencer o empresariado a investir em um cenário de incerteza provocado pela crise internacional, que atravessa sua segunda perna.

- O empresariado em geral é reticente. Ele não sai na frente, só responde ao estímulo público e, em geral, não toma a iniciativa, tende a ser mais cauteloso. Particularmente, os empresários brasileiros estão também acostumados com margens de lucro muito elevadas – disse o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Carlos Prado, que foi ex-presidente do Centro Celso Furtado.

Mas ele ressalta que essa postura pode mudar: “O próprio aumento de perspectivas quanto ao horizonte de investimentos facilitará também um maior investimento privado. Principalmente na área de infraestrutura, você tem muitas áreas de colaboração público-privada, onde o investimento público e o estímulo pela parte do Estado puxam também a ação do setor privado”.

Exemplos não faltam. Mesmo com estímulos como a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a General Motors ameaçou fechar uma seção inteira de sua unidade em São José dos Campos, no interior paulista, o que poderia levar ao fechamento de 2 mil postos de trabalho.

Enquanto o governo federal prepara mais um pacote de incentivos, provavelmente na próxima semana, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou uma pesquisa indicando que 39% do empresariado paulista aposta em um bom segundo semestre – segundo a entidade, o pior índice desde 2005.

Na terça-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que o faturamento no setor teve alta de 2,9% em junho frente a maio, as horas trabalhadas aumentaram 1,8% e o emprego cresceu 0,3%. Ainda assim, disse a CNI, não foi o suficiente para recuperar as perdas do primeiro trimestre.

Pedro Rossi, do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (Cecon) da Unicamp, também sugere um maior estímulo aos empresários brasileiros por parte do governo. “É da natureza do capitalismo a retração do setor privado em momentos de crise. Nesses momentos, é papel do Estado intervir para recuperar a economia. Se temos a perspectiva de uma crise de longa duração, é preciso políticas mais permanentes que busquem o dinamismo econômico. O sucesso dessas políticas vai naturalmente fazer com que o setor privado passe a investir – disse.

Cláudio Considera é mais crítico sobre a relação do governo com o empresariado: “Na verdade, o estímulo deveria ser muito mais voltado para que os empresários voltassem a investir. O governo está fazendo uma política de redução da taxa de juros, mas não está sinalizando corretamente o que pode ser uma política de estímulo para investimentos. Há muitos tipos de oportunidades para investimento que o governo não esta abrindo para o setor privado”, explicou.

O economista cita como exemplo a situação do pré-sal: “O governo chamou a si toda a responsabilidade de investimento. Isto fez com que a Petrobras se endividasse de forma muito forte e esteja cambaleando em termos de resposta a uma melhor administração do pré-sal, enquanto havia a possibilidade de o setor privado assumir parte dessas responsabilidades porque há interesse. O setor privado está disposto a correr este risco. No entanto, o governo não abre mão – concluiu.

Novo golpe contra autoridades monetárias da China


Dados da China divulgados nesta sexta-feira (10) garantiram um novo golpe contra as autoridades monetárias do país, depois que a balança comercial e os novos empréstimos bancários sugeriram que as políticas pró-crescimento têm mostrado lentidão nos resultados e mais ações urgentes podem ser necessárias para estabilizar a economia.

As exportações em julho subiram apenas 1 % ante o ano anterior e novos empréstimos atingiram mínima de 10 meses, o que se somou a dados na quinta-feira mostrando que a produção industrial cresceu no ritmo mais lento em três anos.

Os primeiros dados de peso do terceiro trimestre levaram alguns analistas a questionar a força do que se esperava ser o início de uma recuperação da economia chinesa depois do crescimento desacelerar por seis trimestres seguidos.

- Achamos que o banco central deve agir o mais rapidamente possível para estabilizar a economia. Espero que haja ao menos mais um corte no compulsório e da taxa de juros neste trimestre – disse Xiao Bo, economista do Huarong Securities.

Alguns economistas dizem que o BC chinês pode agir neste fim de semana para afrouxar a política monetária. O banco central já reduziu a taxa de compulsório três vezes desde novembro para liberar estimados 1,2 trilhão de iuans ( US$ 190 bilhões ) para novos empréstimos e cortou a taxa de juros em junho e julho.

Novos empréstimos bancários líquidos em julho de apenas 540 bilhões de iuans contra expectativa de 690 bilhões são uma potencial grande causa de preocupação. Os financiamentos bancários são o principal mecanismo de criação de crédito na economia chinesa.

O número baixo soma-se a temores de queda na demanda dos dois maiores clientes da China –União Europeia e Estados Unidos– o que já fez economistas reduzirem sua previsão de crescimento anual das exportaçõespara 8,6%, segundo pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters na semana passada.
Excluindo queda das exportações em janeiro, a alta de 1% em julho é a mais fraca desde novembro de 2009 e marcou um grande retrocesso em relação ao crescimento em junho de mais de 11% na comparação anual, segundo dados da Reuters. Os embarques para a União Europeia caíram mais de 16%.

As importações em julho subiram 4,7% ante o ano anterior, o ritmo mais fraco desde abril e também aquém das expectativas de alta de 7,2%.
Antes da divulgação dos dados, o vice-ministro de Comércio da China, Gao Hucheng, disse a repórteres que seria um desafio para a China cumprir sua meta de crescimento comercial de 10% no segundo semestre do ano. O ministro, Chen Deming, já havia dito em junho que se a China alcançasse a meta seria “sorte”.

A China não está sozinha neste quadro. Taiwan divulgou na segunda-feira uma quinta queda consecutiva mensal nas exportações em julho, pressionadas por baixas de dois dígitos nos embarques para China, Europa e Estados Unidos. Enquanto isso, as exportações da Coreia do Sul em julho foram as mais fracas em quase três anos.

STF nega liminar que romperia lei do silêncio em CPMI do Cachoeira


O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), poderá continuar liberando as testemunhas que se recusarem a responder às perguntas dos membros da comissão, mediante habeas corpus que lhes garante o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmos.

A ministra do STF, Rosa Weber, foi quem negou o
pedido da liminar
A decisão foi tomada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela negou pedido de liminar em mandado de segurança  impetrado pelos deputados Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Rubens Bueno (PPS-PR), integrantes da comissão, que disseram ter o direito de questionar os depoentes. Segundo eles, só depois de ouvir a pergunta é que os depoentes poderiam julgar se a resposta poderia incriminá-los.
Para os dois deputados, a decisão do presidente da CPMI de liberar os depoentes violou o exercício das prerrogativas do mandato parlamentar, pois a realização de oitivas “é inerente às atividades desenvolvidas por uma comissão parlamentar de inquérito e prerrogativa dos membros que a compõem”.

Liminar
A ministra Rosa Weber afirmou que o questionamento trata de dois temas distintos. O primeiro diz respeito às garantias individuais do cidadão perante a CPMI, que “independe, a rigor, de ordem judicial”. Nesse aspecto, a relatora destacou que a jurisprudência do STF não tem acolhido a pretensão de investigados ou testemunhas de não comparecer ao depoimento.

O outro ponto, objeto central do pedido dos deputados, diz respeito à disciplina interna de trabalho da CPMI. “Sob tal aspecto, a ação se limita a afirmar laconicamente que houve uma deliberação colegiada (uma ‘simples consulta’) sobre a liberação das testemunhas”, observa a relatora.

A ministra Rosa Weber ressalta que, de acordo com a ata da 20ª reunião da CPMI, o tema foi objeto de deliberação específica e subsequente encaminhamento de votação. Embora considere “imperativo” o respeito às prerrogativas e direitos inerentes ao mandato parlamentar, a ministra afirma que estes “não se confundem com as prerrogativas e poderes que a Constituição assegura às próprias comissões, na qualidade de órgãos colegiados”. A prerrogativa de solicitar depoimentos e os poderes de investigação dizem respeito às CPIs, “colegiados, e não aos seus membros individualmente considerados”.

Com esses fundamentos, a ministra considerou que a pretensão dos deputados, “ao menos da forma como veiculada”, é uma tentativa de revisão do mérito da decisão soberana tomada em votação majoritária do colegiado da CPMI, e não trata de matéria constitucional. “Discussões sobre a correta aplicação de norma interna corporis do Congresso Nacional, sem alcance constitucional, hão de ser resolvidas no âmbito interno do próprio Poder Legislativo”, afirmou.

Collor volta a pedir convocação de Gurgel e diretor da Veja no caso Cachoeira


Em discurso no Plenário, nesta sexta-feira (10), o senador Fernando Collor (PTB-AL) pediu a aprovação de requerimentos de sua autoria que convocam o procurador-geral de República, Roberto Gurgel Santos, a subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques, esposa de Gurgel, e o jornalista editor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, para deporem na CPMI do Cachoeira. A comissão se reúne na próxima terça-feira para votar requerimentos.

Collor também requer a convocação dos procuradores da República Daniel de Resende Salgado e Léa Batista de Oliveira; do presidente e editor do grupo Abril, Roberto Civita; e dos funcionários da revista Veja Lauro Jardim, Gustavo Ribeiro e Rodrigo Rangel. O senador informou que os requerimentos foram apresentados no início das atividades da comissão e, para ele, não podem mais ter a votação adiada.

Na opinião de Fernando Collor, a CPMI não deve atuar com limitação de foco e investigar apenas alguns ramos da rede de relacionamento de Carlos Cachoeira. O senador afirmou que as relações entre o contraventor com setores do Ministério Público e da imprensa são “mais perniciosas do que se imagina”.

Para ele, as investigações precisam atender aos interesses da sociedade e não aos de grupos midiáticos.
- Precisamos de uma verdade definitiva sobre todo esse conluio de autoridades e jornalistas que se emaranharam, que se mesclaram, que se misturaram com criminosos, tornando-se também criminosos. E essa verdade, essa rede completa de intrigas e crimes, somente virá à tona se a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito for capaz de ampliar seus horizontes de investigação, começando por ter a coragem, sem medo, de trazer o testemunho pessoal e as informações de que dispõem os membros do Ministério Público, especialmente o de seu comandante, e os ditos servidores da revista Veja envolvidos em toda esta grande tramoia, que é a organização criminosa investigada – disse o senador.

Em aparte, a senadora Ana Amélia (PP-RS) ressaltou que a prática de alguns membros da Justiça e da imprensa não deve afetar a imagem dessas instituições. Na avaliação dela, a imprensa e o Ministério Público contribuem para a consolidação da democracia no país.

- Casos isolados não podem contaminar e nem prejudicar a imagem de duas instituições que têm contribuído, sim, para o país evoluir, ampliar a democracia e consolidar os princípios democráticos: a instituição da imprensa, mídia de um modo geral, e o Ministério Público como instituição. São dois pilares fundamentais para a democracia – observou Amélia.

Via Correio do Brasil

EUA treinam militares paraguaios e presença brasileira aumenta na Tríplice Fronteira


Soldados paraguaios participam desde o início desta semana dos exercícios militares dirigidos pelo Comando Sul dos Estados Unidos, em manobras de suposta defesa do Canal do Panamá. A participação paraguaia em um movimento de tropas norte-americanas ocorre logo após o golpe de Estado naquele país sul-americano, prontamente apoiado por Washington, contra o ex-presidente Fernando Lugo. O treinamento das tropas seguirá até o dia 17 de agosto e tem cerca de 600 militares.

“Robert Appin, do Comando Sul dos Estados Unidos afirmou que o enfoque dos exercícios é a reação a um hipotético ataque terrorista que pretenda bloquear o trânsito de navios no Canal”, afirma nota do Movimento pela Paz, a Soberania e a Solidariedade entre os Povos (Mopassol, na sigla em espanhol). Segundo a instituição argentina, há no Panamá 12 bases aeronavais controladas pelos EUA. Desde 2003, sob a direção do Comando Sul, realizam-se os exercícios militares conhecidos como Panamax, que contam com a participação de militares do Chile, Panamá e Estados unidos. Atualmente, porém, integram as manobras 17 países ao todo e é considerado um dos maiores movimentos de tropas do mundo.

O Paraguai tem participado das manobras desde 2006, mas se manteve afastado de 2009 a 2012, sendo novamente convidado após o golpe que instituiu o governo de fato do presidente Federico Franco.
Referindo-se ao exercício multinacional que usa a desculpa da luta contra o terrorismo, o jornalista cubano Miguel Lamas afirmou, dois anos atrás, que o verdadeiro projeto dos exercícios militares na América Latina são ensaios de uma invasão.

“O aparato militar dos EUA aponta para a necessidade daquele país de buscar condições militares suficientes para dominar, militarmente, os demais países latino-americanos. Eles trabalham nos setores de inteligência e no treinamento físico para manter uma força capaz de intervir, no futuro, em qualquer país do continente. Este é o verdadeiro objetivo de todas e de cada uma das manobras e dos exercícios militares que fazem, sempre com a cumplicidade aberta de vários países latino-americanos e de forma encoberta por outros”.

Intercâmbio parlamentar
No caso paraguaio e do Cone Sul, vale recordar que o governo dos EUA, há anos, insiste na presença de células terroristas em Ciudad del Este, na zona denominada “tríplice fronteira” (Brasil, Argentina e Paraguai). Um grupo de parlamentares norte-americanos, em visita àquela cidade paraguaia, nesta semana, alegou que o propósito da missão é a de “compreender melhor os desafios do crime transnacional que o Ocidente enfrenta”, segundo porta-voz.

O Paraguai mantém fortes laços de cooperação técnica e militar com os EUA, sempre a serviço daquele país no objetivo de bloquear a presença das repúblicas socialistas da Venezuela e demais integrantes da Unasul e no próprio Mercosul, do qual fazia parte até ser suspenso após o golpe de Estado, renovando sempre seu apoio à ingerência norte-americana na região. O país abriga uma classe política de ultra direita e conservadora que, no dia 22 de junho, perpetrou um ataque à democracia e ao mandato do presidente deposto Fernando Lugo. Essa mesma classe política, formada por partidos tradicionais e dependentes do capital estrangeiro, ampliou os contatos com o Congresso norte-americano nas últimas semanas

Manobras brasileiras
Ao longo desta semana, o governo brasileiro concluiu o envio de um contingente de cerca de 9 mil militares – equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados – para a Tríplice Fronteira, na Operação Ágata 5. O movimento de tropas irá durar 30 dias.

“É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade”, disse o ministro da Defesa, Celso Amorim. A Marinha enviou aproximadamente 30 embarcações para os rios da Bacia do Prata, entre elas três navios de guerra e um navio-hospital.

A Força Aérea Brasileira (FAB) participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não tripulados. O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três Forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.

A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais, entre elas a Polícia Federal, que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens. O general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do Sul, disse que a área crítica de patrulhamento é entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, onde é maior a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando.

Partiu da presidenta Dilma Rousseff a ordem a Amorim para a execução da Operação Ágata 5.
– A ação visa a reforçar a presença do Estado na fronteira com a Bacia do Prata – disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como conseqüência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser “sufocados”.

Para Samuel Alves Soares, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed), a decisão de ampliar o número de homens armados na região de fronteira pode ser entendida como uma mensagem da disposição de aumentar a força brasileira.

Mais de 30 mil não índios vivem em aldeias, mostram dados do IBGE


Dados do Censo 2010 divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais de 30 mil pessoas declaradas não índias habitam 505 terras indígenas que foram reconhecidas pelo governo até 31 de dezembro de 2010. Ao todo, nessas áreas vivem 517 mil índios de 250 etnias.

Em números absolutos, a maioria dos não índios está concentrada na Região Nordeste. Somente em Pernambuco, 18,6 mil pessoas não índias ocupam as terras da etnia Fulni-Ô, de 23,8 mil indivíduos. Segundo a organização não governamental Instituto Socioambiental (ISA), que disponibiliza uma enciclopédia sobre os índios no país, a área de 12 quilômetros quadrados da aldeia da etnia Fulni-Ô circunda a cidade de Águas Belas, o que explica o elevado número de não índios no local.

Em Mato Grosso, das 46,5 mil pessoas vivendo em terras indígenas, 2,1 mil também não se declararam indígenas e podem ser tanto agricultores como pessoas que trabalham nas aldeias, na avaliação da pesquisadora do IBGE, Nilza Pereira, responsável pela pesquisa.

No estado, o número mais alto foi verificado na Terra Indígena (TI) Maraiwatsede, onde 1,8 mil índios convivem com 407 não índios, em 165 quilômetros quadrados (km²), no leste de Mato Grosso, segundo o censo.

Também chama a atenção na pesquisa do IBGE a quantidade de pessoas que não se consideravam índios na TI São Domingos do Jacapari e Estação, de 135 km², no Amazonas. Lá, mais metade dos 2,12 mil habitantes não são índios. Os povos originais na área somam 623.

Para fazer o levantamento, o IBGE considerou dados cartográficos da Fundação Nacional do Índio (Funai), com 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo, somando 106,7 milhões de hectares.

População indígena no país cresceu 205% em duas décadas


Os índios no Brasil somam 896,9 mil pessoas, de 305 etnias, que falam 274 línguas indígenas, segundo dados do Censo 2010 divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a primeira vez que o órgão coleta informações sobre a etnia dos povos. O levantamento marca também a retomada da investigação sobre as línguas indígenas, parada por 60 anos.

Com base nos dados do Censo 2010, o IBGE revela que a população indígena no país cresceu 205% desde 1991, quando foi feito o primeiro levantamento no modelo atual. À época, os índios somavam 294 mil. O número chegou a 734 mil no Censo de 2000, 150% de aumento na comparação com 1991.

A pesquisa mostra que, dos 896,9 mil índios do país, mais da metade (63,8%) vivem em área rural. A situação é o inverso da de 2000, quando mais da metade estavam em área urbana (52%).

Na avaliação do IBGE, a explicação para o crescimento da população indígena pode estar na queda da taxa de fecundidade das mulheres em áreas rurais, apesar de o índice de 2010 não estar fechado ainda. Entre 1991 e 2000, essa taxa passou de 6,4 filhos por mulher para 5,8.

Outro fator que pode explicar o aumento do número de índios é o processos de etnogênese, quando há “reconstrução das comunidades indígenas”, que supostamente não existiam mais, explica o professor de antropologia da Universidade de Campinas (Unicamp), José Maurício Arruti.

Os dados do IBGE indicam que a maioria dos índios (57,7%) vive em 505 terras indígenas reconhecidas pelo governo até o dia 31 de dezembro de 2010, período de avaliação da pesquisa. Essas áreas equivalem a 12,5% do território nacional, sendo que maior parte fica na Região Norte - a mais populosa em indígenas (342 mil). Já na Região Sudeste, 84% dos 99,1 mil índios estão fora das terras originárias. Em seguida vem o Nordeste (54%).

Para chegar ao número total de índios, o IBGE somou aqueles que se autodeclararam indígenas (817,9 mil) com 78,9 mil que vivem em terras indígenas, mas não tinham optado por essa classificação ao responder à pergunta sobre cor ou raça. Para esse grupo, foi feita uma segunda pergunta, indagando se o entrevistado se considerava índio. O objetivo foi evitar distorções.

A responsável pela pesquisa, Nilza Pereira, explicou que a categoria índios foi inventada pela população não índia e, por isso, alguns se confundiram na autodeclaração e não se disseram indígenas em um primeiro momento. "Para o índio, ele é um xavante, um kaiapó, da cor parda, verde e até marrom", justificou.

A terra indígena mais populosa no país é a Yanomami, com 25,7 mil habitantes (5% do total) distribuídos entre o Amazonas e Roraima. Já a etnia Tikúna (AM) é mais numerosa, com 46 mil indivíduos, sendo 39,3 mil na terra indígena e os demais fora. Em seguida, vem a etnia Guarani Kaiowá (MS), com 43 mil índios, dos quais 35 mil estão na terra indígena e 8,1 mil vivem fora.

O Censo 2010 também revelou que 37,4% índios com mais de 5 anos de idade falam línguas indígenas, apesar de anos de contato com não índios. Cerca de 120 mil não falam português.
Os povos considerados índios isolados, pelas limitações da própria política de contato, com objetivo de preservá-los, não foram entrevistados e não estão contabilizados no Censo 2010.

Preços para famílias de baixa renda sobem mais do que para a população em geral em julho


O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1), que mede a variação de preços para consumidores com renda familiar até 2,5 salários mínimos, fechou o mês de julho em 0,27%, segundo dados divulgados hoje (10) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

O resultado mostra uma inflação mais elevada para as famílias de baixa renda. No período, o Índice de Preços ao Consumidor para a população em geral, o IPC-BR, ficou em 0,22%. No ano, são 3,77% de alta no IPC-C1 ante 3,06% no IPC-BR. Nos últimos 12 meses, a diferença se acentua, com 6,38% de variação do IPC-C1 e 5,65% do índice global.

O maior aumento do IPC-C1 foi verificado no preço dos alimentos, com 0,9% de variação, com destaque para o tomate, que ficou 63,98% mais caro, e a cenoura, que registrou alta de 31,43%. Em junho, essa classe de despesa havia tido variação de 0,74%.

Os maiores ritmos de aumento foram registrados em educação, leitura e recreação (de -0,14% para 0,48%) e comunicação (0% para 0,5%). Habitação também teve aumento na variação (de -0,01% para 0,11%).

Em contrapartida, os índices de preços em vestuário apresentaram queda de 1,1%. Houve decréscimo em saúde e cuidados pessoais (de 0,28% em junho para 0,12% em julho), transportes (de 1,13% para -0,01%) e em despesas diversas (de 0,25% para 0,06%).

Paraguai descarta recorrer à Corte de Haia contra suspensão do Mercosul

O presidente do Paraguai, Federico Franco, descartou que pretenda recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça de Haia, na Holanda, para denunciar a suspensão do país do Mercosul. Segundo ele, não vai apelar à Corte Internacional porque uma decisão sobre o tema pode levar até 15 anos. “[Além de provocar] alto custo”, disse o presidente, que se baseou em uma análise feita pelo Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, cujo custo estimado do processo é de US$ 50 mil.

O Paraguai foi suspenso do Mercosul por decisão dos presidentes Dilma Rousseff, Cristina Kirchner (Argentina) e José Pepe Mujica (Uruguai), em 29 de junho. A medida foi uma reação ao processo de impeachment a que foi submetido o então presidente paraguaio Fernando Lugo. Para Dilma, Cristina e Mujica, não foi dado o tempo para Lugo se defender, rompendo com a ordem democrática. A suspensão é válida até abril de 2013.

No parecer, elaborado pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, a informação é que o tempo para a ação impetrada pelo governo ser analisada pela Corte Internacional levará sete anos, além do período de encaminhamento e o prazo para a conclusão.

De acordo com Franco, o ideal, em meio à dificuldade em recorrer à Corte Internacional, é agir mostrando que o Paraguai é soberano e tem uma democracia constituída. Segundo ele, será feito um esforço conjunto de todos do governo para mostrar à comunidade internacional que a ordem democrática é respeitada no país.

Paralelamente, o governo do Paraguai anunciou anteontem (8) que pretende suspender a venda de energia excedente da Usina Hidrelétrica de Itaipu para o Brasil e a Argentina. A medida causou reações do governo brasileiro, que lembrou que há um acordo bilateral que tem de ser respeitado.

*Com informações da agência pública de notícias do Paraguai, Ipparaguay


Governo do Uruguai propõe estatizar produção e comércio de maconha para controlar o consumo


O governo do presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, encaminhou ao Congresso um projeto de lei para que o Estado passe a controlar e regulamentar a importação, produção, compra, comercialização e distribuição de maconha. O secretário adjunto da Presidência da República do Uruguai, Diego Cánepa, disse que o objetivo é reduzir o tráfico de drogas no país e controlar o consumo da erva.

Pela proposta, ficam mantidos os termos de um decreto de 1974, que proíbe a venda de maconha sem a interferência do governo. O novo texto estabelece que o Estado controla a distribuição da substância. Segundo o secretário, a expressão importação é aplicada apenas para as sementes da erva.

Integrantes do governo Mujica acreditam que, com o Estado no controle da produção e do comércio da maconha, não somente haverá a redução do tráfico como também deve diminuir a dependência do álcool, tabaco e drogas em geral.  "Não há dúvida de que o álcool e o tabaco são prejudiciais. Porém, não são proibidos, o que se faz são campanhas de conscientização para tentar reduzir os danos”, disse Cánepa.

O secretário disse que a proposta não é defender a maconha, mas estabelecer uma nova política pública de combate ao tráfico e controle do uso da erva.  "Ninguém está dizendo que a maconha é boa”, disse ele. "Acho que a decisão do presidente de ter a audácia ao dar esse passo permitirá ao governo promover um amplo debate.” Mais detalhes da proposta estão na página da Presidência da República do Uruguai.

O texto enviado ao Parlamento reúne análises de vários órgãos do governo e especialistas uruguaios e estrangeiros. O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso é citado como um dos defensores da proposta apresentada pela Comissão Mundial sobre Políticas de Drogas. Também são mencionados o ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas Kofi Annan e o escritores  Mario Vargas Llosa e Carlos Fuentes.

A comissão observa a necessidade de se rever a política sobre drogas. "A pior coisa é cair em uma discussão com slogans, preconceitos, sem um debate claro e verdadeiro”, disse Cánepa.  "Há problemas com o abuso de álcool e alcoolismo em si, mas ninguém em sã consciência pensaria em proibir álcool. Vimos o que aconteceu com a proibição nos Estados Unidos, que foi uma grande derrota das políticas proibicionistas ", disse o secretário.

Julgamento do mensalão entra na etapa final de apresentação da defesa


O Supremo Tribunal Federal (STF) já ouviu metade das defesas dos 38 réus do mensalão e começa hoje (10) a etapa final da exposição dos advogados, prevista para terminar na próxima quarta-feira (15).

Nesta sexta-feira, serão defendidos os dois últimos réus ligados ao PP: Breno Fischberg, sócio-proprietário da corretora Bônus-Banval, e Carlos Alberto Quaglia, dono da empresa Natimar. Ambos são acusados de usar as empresas para lavar dinheiro ilícito do mensalão para o PP. 

O outro sócio da corretora Bônus-Banval, Enivaldo Quadrado, foi defendido ontem (9) pelo advogado Antonio Pitombo. Os três empresários respondem por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
O julgamento prosseguirá com as defesas do núcleo do PL (atual PR), iniciada com as alegações a favor do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP). Ele era presidente do partido quando o mensalão veio à tona e foi reeleito deputado, em 2006 e em 2010. Hoje, Costa Neto é secretário-geral da legenda. Segundo o Ministério Público, ele recebeu dinheiro ilegal do publicitário Marcos Valério para apoiar votações importantes do governo, além de montar um esquema para dissimular o recebimento das verbas. O parlamentar responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

As últimas defesas do dia são dos irmãos Jacinto e Antônio Lamas. Jacinto era tesoureiro do PL e, segundo a acusação, recebeu valores ilícitos em nome de Valdemar Costa Neto, além de participar do contrato de fachada com a empresa Garanhuns para dissimular os repasses ao partido. Ele responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Antônio Lamas assessorava a liderança do PL na Câmara dos Deputados e é acusado de participar do esquema de repasse ilegal de dinheiro ao partido, realizando um saque a favor do presidente da legenda. Nas alegações finais, o Ministério Público Federal pediu a absolvição de Lamas dos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro por falta de provas.

Por Débora Zampier da Agência Brasil

Mensalão: advogados reforçam necessidade de julgamento técnico


No sexto dia de julgamento do mensalão, os advogados de Henrique Pizzolato, Pedro Corrêa, Pedro Henry, João Cláudio Genu e Enivaldo Quadrado apresentaram na sessão desta quinta-feira, 9, as suas defesas e se dedicaram novamente a desconstruir a denúncia do Ministério Público. Diferente dos outros dias, algumas sustentações chegaram a citar que esse julgamento deve ser técnico e que o tom dos votos dos ministros mostrará se o foi.

Marthius Sávio Cavalcante Lobato, advogado de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, argumentou que Pizzolato não tinha poder de decisão e chamou de “ilusionismo jurídico” a denúncia do MP. “Ele coordenava um comite de marketing, depois (a decisão) seguia para um comitê de comunicação e então ao diretor do banco”. Ainda na sua sustentação, Lobato afirmou que os recursos da Visanet eram privados. Joaquim Barbosa interrompeu o final da argumentação do advogado com algumas perguntas.

Na sequência, Marcelo Leal falou em nome do ex-deputado do PP Pedro Corrêa. A defesa começou dizendo que não existia o mensalão e que o MP deixou de denunciar 17 pessoas. Sobre os recursos, Leal afirmou não foram destinados para compra de parlamentares. “Foi para campanha eleitoral de 2004 e fechado em acordo entre o PT e o PP”.

O advogado sustenta que não houve necessidade de compra de votos, uma vez que o PP era da base do governo desde a época do governo de FHC. “Se houve incoerência política foi do PT. O partido não precisava de recursos para votar como sempre votou”.

José Antonio Duarte Alvares fez a defesa de Pedro Henry e usou a argumentação de que não há denúncia direta contra Henry. “Não houve qualquer compra de voto. Isso se percebe pelas reformas, que só foram aprovadas porque a oposição votou com o governo”. Para completar, a defesa sustentou que Henry não sabia de movimentação financeira do PP.

Na segunda parte da sessão falaram os advogados de João Claudio Ganu, ex-assessor do deputado José Janene, e de Enivaldo Quadrado, ex-sócio da corretora Bônus-Banval. Na defesa de Genu, Maurício Maranhão de Oliveira sustentou que seu cliente era um “mero assessor” e que não poderia saber sobre os recursos ilícitos já que trabalhava na época somente há quatro meses no gabiente de Janene. Em nome de Enivaldo Quadrado, Antonio Sérgio Pitombo fez uma sustentação cheia de termos jurídicos para argumentar que a acusação não explicitou o crime antecedente à lavagem, o que deixava uma lacuna para o crime de formação de quadrilha.

Haddad reconhece que vídeo comparando Serra a Hitler é 'indevido'


Petista disse que não assistiu ao vídeo e também descartou pedir desculpas ao tucano

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, reconheceu nesta quinta-feira, 9, que o vídeo comparando o candidato tucano José Serra ao ditador alemão Adolf Hitler, publicado em seu site de campanha na quarta-feira, 8, é inadequado e disse que o integrante de sua equipe agiu de forma "indevida" e foi punido com a demissão. Haddad também afirmou que não assistiu à peça e descartou pedir desculpas ao candidato tucano pelo tom ofensivo utilizado.

Produzido pelo rapper MC Mamutti 011, o vídeo também retrata Serra com vampiro, profeta do apocalipse e o compara ao personagem Mr. Burns, do desenho animado "Os Simpsons". Para o petista, trata-se de um erro pontual de sua campanha. "Isso poderia acontecer em qualquer site, já afastamos o responsável", minimizou. O vídeo, intitulado "E agora, José", foi publicado no site "Pense Novo TV", da campanha de Haddad. Na manhã desta quinta, a chamada para o vídeo ainda aparecia nos resultados de busca do site, mas o link não funcionava. No entanto, a peça está disponível para visualização no site Youtube.

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, partiu para o ataque em sua página no Twitter. "A campanha ainda nem começou e os aloprados já estão operando", afirmou, fazendo referência à prisão de integrantes do PT envolvidos na compra de um dossiê falso contra Serra, durante as eleições para o governo de São Paulo em 2006. Guerra também definiu a posição de Haddad como "vexatória". "Alguém na situação dele precisa de propaganda, mas é inadmissível que siga esse padrão", disse.

O candidato petista participou na manhã desta quinta de evento de campanha na Cooperativa dos Catadores da Baixada do Glicério, na região central da cidade, onde prometeu elevar a 10% o porcentual de resíduos reciclados em relação ao total coletado na capital - hoje cerca de 1% dos resíduos é reciclado. Para cumprir a meta em quatro anos, Haddad planeja gastar cerca de R$ 150 milhões ao ano em investimentos com coleta seletiva e capacitação dos catadores. À tarde, o petista fará uma caminhada na região de Itaquera, zona leste da capital.

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