
Dag Vulpi 29/09/2017
No
fundo, mas bem no fundo mesmo, até a militância petista menos politizada,
aquela que normalmente carrega as bandeiras do partido, sabe que o que a sua presidenta
fez no caso da fatídica nota foi cometer um grande equivoco. Porém, também é
sabido por todos que dizer "amém" para tudo o que vir da direção do partido,
é uma pratica comum, inclusive para alguns dos petistas um pouco mais esclarecidos.
Entendo
que a presidenta Gleise realmente deveria ter demonstrado sua insatisfação com
o STF quanto a pena aplicada contra o senador tucano, porém, ela deveria ter
sido um pouco mais articulada e, ao invés de sugerir que foi uma
"condenação esdrúxula, sem previsão constitucional", ela deveria ter
sugerido na sua nota, depois de tecer o rosário de criticas ao senador tucano, que
apoiava a decisão do STF de condenar o senador, porém, que o PT considerava a
sentença aplicada uma pena incondizente com os crimes cometidos pelo tucano e
que, esperaria do CCJ do senado, uma postura mais rígida e que o Conselho
sugerisse ao STF uma pena assemelhada à dos políticos petistas que foram
julgados pelo mesmo STF por terem cometido o mesmo tipo de crime.
Da
forma como a nota foi redigida afirmando que o STF não estaria capacitado para
julgar o senador tucano e que quem deveria julga-lo seria o CCJ do senado, a
presidenta deu a entender que o PT estava tentando proteger e não querendo uma condenação
maior para o principal algoz do seu partido.
Foi
com certeza um tiro no pé, pois todos, inclusive os carregadores de bandeiras,
sabem que o CCJ é formado por alguns políticos envolvidos em corrupção, ou
seja, bandidos, e o que um representante maior de um partido poderia esperar do
julgamento vindo de um Conselho desses? Que eles o condenem? Faz-me rir.
Agora
resta-nos aguardar a segunda nota assinada pelo PT, onde sua digníssima
presidenta possa corrigir as besteiras cometidas na primeira.