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Por Dag Vulpi 15 de outubro de 2026
E-mails obtidos pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto indicam que uma conta bancária identificada com o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, esteve vinculada ao perfil de “usuário master” de uma empresa do advogado Willer Tomaz — investigado por lavagem de dinheiro no esquema que desviou bilhões de aposentados do INSS. Ambos negam. Mas os documentos contam outra história.
O que a PF encontrou
Durante a análise de arquivos armazenados no iCloud do advogado Willer Tomaz, a Polícia Federal localizou uma troca de e-mails entre o escritório do advogado e o Banco Santander. Em uma mensagem de 22 de maio de 2025, uma funcionária de Tomaz solicitou ao banco a desassociação da conta “Flávio Bolsonaro” do “usuário master” ligado ao advogado. No mesmo dia, o Santander confirmou a exclusão.
O detalhe técnico importa: em contas empresariais, o “usuário master” tem poder total de movimentação. Usuários secundários operam apenas com permissões restritas. A conta em questão estava ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, Portugal, da qual Tomaz é sócio — e que aparece na investigação sobre o esquema de lavagem de dinheiro do INSS.
A solicitação de exclusão ocorreu cerca de um mês após a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios de até R$ 6,3 bilhões em aposentadorias e pensões.
Quem é Willer Tomaz
Tomaz não é um nome qualquer. A PF o descreve como um possível “hub financeiro, patrimonial e logístico” a serviço de beneficiários do esquema de fraudes contra aposentados do INSS. Ele foi alvo de busca e apreensão em agosto de 2026 por suspeita de lavar dinheiro desviado para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado.
Paralelamente, Tomaz é investigado por movimentar R$ 13 bilhões em apostas online até junho de 2026, com perdas de R$ 163 milhões em uma única plataforma, a Blaze. Diálogos transcritos pela PF mostram que ele e a Blaze combinaram formas de contornar a regulamentação federal de apostas.
O que dizem os envolvidos
Flávio Bolsonaro afirmou que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas” e classificou as informações como “fake news” em período eleitoral.
Willer Tomaz negou que a conta lhe pertencesse e afirmou que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma”. Segundo ele, a relação entre os dois é apenas de amizade, “sem relação comercial ou financeira”.
O que os documentos não provam — e o que provam
É preciso ser rigoroso: os e-mails, por si sós, não comprovam que Flávio movimentou recursos ilícitos ou recebeu dinheiro desviado. A própria PF reconhece essa limitação e aponta a necessidade de aprofundar a investigação sobre as movimentações financeiras de Tomaz e suas relações com agentes públicos.
O que os documentos demonstram é que o nome de um candidato à Presidência da República estava vinculado a um perfil de acesso bancário de alto nível em uma empresa ligada a um investigado por lavagem de dinheiro no maior escândalo de fraudes previdenciárias dos últimos anos. E que essa vinculação foi removida discretamente pouco depois de a operação estourar.
O contexto mais amplo
A ligação entre Flávio e Tomaz não se resume a e-mails. Empresas de Tomaz em Portugal — Alcazar Holdings e Cathedral Holdings — custearam voos em jatos executivos para Flávio e familiares em 2024 e 2025. O senador admitiu ter voado “de carona” a convite do amigo.
A Alcazar Holdings também detinha um terço de uma aeronave Legacy 650 que tinha entre os cotistas a Prime You, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Além disso, o escritório individual de advocacia de Flávio em Brasília é administrado por Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso sob acusação de prestar serviços a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador central dos desvios previdenciários.
Conclusão
A investigação da PF não encerra o caso — ela o aprofunda. O que está documentado até aqui não é uma prova cabal de crime, mas um padrão de proximidade entre um candidato à Presidência e uma estrutura empresarial investigada por lesar milhões de aposentados. Conta compartilhada, jatinho bancado por offshore, escritório administrado pela irmã de um preso no esquema: cada elemento isolado pode ter explicação. O conjunto, porém, exige respostas que vão além do “é fake news”.
Em um país onde R$ 6,3 bilhões foram subtraídos de quem mais precisa, a pergunta que fica não é apenas se Flávio Bolsonaro tinha ou não uma conta. É por que alguém com acesso master a uma empresa de um investigado por lavagem de dinheiro não considerou relevante mencionar essa conexão antes que a PF a encontrasse em um iCloud.
Fontes de pesquisa: (CLIQUEAQUI)

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Dag Vulpi