quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mídia, poder e democracia: teoria e práxis dos meios de comunicação

Por Francisco Fonseca



RESUMO
Este artigo analisa conceitual e empiricamente o papel da mídia, sobretudo a brasileira, perante a democracia, criticando-se a suposta atuação pública de seus órgãos tendo em vista seu caráter privado e mercantil. Por fim, defende-se o controle social democrático da mesma.
Palavras-chave: mídia; democracia; esfera pública; mercadoria; controle social.


ABSTRACT
This paper analyzes conceptually and empirically the role of the media for the democracy, specially in the Brazilian case. It criticizes the presumed public action of the media, because of its private and mercantile nature. It defends the thesis of the social and democratic control of the media.
Key words: Media; democracy; public sphere; commodities; social control.



Os conflitos sociais, das mais variadas ordens, são possibilitados na democracia pelas instituições e pelas normas legais, assim como pelos pactos entre as classes sociais. Nesse sentido, não deixa de ser um truísmo a constatação de que, independentemente da forma e do sistema de governo uma democracia só poderá assim ser considerada se na esfera pública os diversos interesses puderem se manifestar: por esfera pública entendemos a arena em que se mesclam interessem comuns e de classes, "comuns" quanto à lógica da Nação, da identidade nacional, do Estado nacional, e "de classes" no que tange a interesses sociais imanentemente distintos, embora possam, em determinadas conjunturas e dependendo dos arranjos políticos, se assemelharem (Offe, 1984).

Considerando que essa premissa não necessita ser aprofundada, é fato que a mídia - entendida como o complexo de meios de comunicação que envolve mensagem e recepção, por formas diversas, cuja manipulação dos elementos simbólicos é sua característica central (Eagleton, 1991) - representa uma forma de poder que, nas sociedades "de massa", possui papéis extremamente significativos, tais como: influir na formação das agendas públicas e governamentais; intermediar relações sociais entre grupos distintos (Capelato, 1988); influenciar a opinião de inúmeras pessoas sobre temas específicos; participar das contendas políticas, em sentido lato (defesa ou veto de uma causa, por exemplo) e estrito (apoio a governos, partidos ou candidatos); e atuar como "aparelhos ideológicos" capazes de organizar interesses. Quanto a esses, em determinadas circunstâncias atuam à guisa de "partidos políticos" ou "intelectuais coletivos e orgânicos" de grupos específicos (Coutinho, 1994). Esses papéis são ocultados sob o lema do "dever da informação", que seria "neutra", "independente", "apartidária" e "a-ideológica", características invariavelmente alegadas pelos órgãos da mídia ao retratar, de forma cabotina, sua atuação.

Dessa forma, a mídia, ao participar da esfera pública como "prestadora de serviços", isto é, como entidades de "comunicação social", teria uma função imprescindível nas democracias: informar sobre os acontecimentos levando às pessoas uma gama de dados que, sem esse serviço, não teriam condição de conhecer outras realidades que não as vivenciadas ou relatadas por pessoas próximas. Mais importante, os órgãos da mídia fariam a fiscalização do Estado, exercendo assim a forma mais bem acabada de "controle social": em relação ao dinheiro público, às ações públicas, numa palavra, aos negócios públicos.

Note-se, contudo, que os órgãos da mídia - emissoras de tv, rádios, jornais, revistas, portais - atuantes na esfera pública são em larga medida empresas privadas que, como tal, objetivam o lucro e agem segundo a lógica e os interesses privados dos grupos que representam. Embora a ação da mídia seja complexa, essas características são cruciais para uma definição inicial dessa relação entre agentes privados e esfera pública. Afinal, se todos os possuidores de poder precisam ser responsabilizados - à luz do liberalismo de Os federalistas, o que implica a teoria dos "freios e contrapesos" -, tais como os agentes públicos e mesmo outros agentes privados, para os quais há meios de fiscalizar-lhes, e se a atuação dos órgãos da mídia tem como pressuposto a lógica privada, a questão que se coloca é: como compreender a sua atuação na esfera pública, em que a democracia é elemento-chave?

Tomando-se esses elementos como fundantes para a compreensão do papel da mídia na democracia, sobretudo na democracia brasileira ao longo do século XX, observaremos as seguintes questões neste texto: a constituição da "política informacional" no século XX e a construção da "sociedade midiática"; as teorias políticas sobre a democracia e as falsas confluências estabelecidas entre mídia e democracia; a necessidade de um marco conceitual capaz de compreender seu papel; o papel dos grandes periódicos na formação da agenda neoliberal e perante o conflito distributivo (entre capital e trabalho) nas décadas de 1980 e 1990.

A "política informacional"

(...) a mídia eletrônica (não só o rádio e a televisão, mas todas as formas de comunicação, tais como o jornal e a internet) passou a se tornar o espaço privilegiado da política. Não que toda a política possa ser reduzida a imagens, sons ou manipulações simbólicas. Contudo, sem a mídia, não há meios de adquirir ou exercer poder. Portanto, todos [os partidos políticos, de ideologias distintas] acabam entrando no mesmo jogo, embora não da mesma forma ou com o mesmo propósito. (Castells, 2000, p. 367)

Segundo Castells, a "política informacional" compõe o quadro de que as sociedades contemporâneas são fundamentalmente midiáticas, isto é, suas relações sociais e de poder são intermediadas pelas diversas modalidades da mídia. O jogo político (partidário e parlamentar) teria de se adequar às regras definidas pela mídia, em que o espetáculo e o entretenimento se fundem com as notícias. Assim, o espaço "público" seria, em larga medida, agendado pelo sistema midiático, que daria os contornos do que seria ou não legítimo, e do que deveria ou não ser prioritário. Mesmo que a vida política seja mais complexa e conflituosa do que a mídia retrata - o que explica, aliás, as mudanças na sociedade -, o fato é que o sistema midiático enquadra, emoldura em boa medida os próprios conflitos:

(...) em virtude dos efeitos convergentes da crise dos sistemas políticos tradicionais e do grau de penetrabilidade bem maior dos novos meios de comunicação, a comunicação e as informações políticas são capturadas essencialmente no espaço da mídia. Tudo o que fica de fora do alcance da mídia assume a condição de marginalidade política. O que acontece nesse espaço político dominado pela mídia não é determinado por ela: trata-se de um processo social e político aberto. Contudo, a lógica e a organização da mídia eletrônica enquadram e estruturam a política. (...) [esta] "inserção" da política por sua "captura" no espaço da mídia (...) causa um impacto não só nas eleições, mas na organização política, processos decisórios e métodos de governo, em última análise alterando a natureza da relação entre Estado e sociedade. (Castells, 2000, p. 368)

Note-se que o papel da mídia é ainda mais potencializado com a crise dos sistemas representativos tradicionais (sistema partidário, representação sindical e mesmo os movimentos sociais), que cada vez cedem lugar ao chamado "terceiro setor" - denominação ampla e fugidia que congrega caridade individual, a chamada "responsabilidade social das empresas", à ação das organizações não-governamentais, entre outras tantas ações. Esse vazio é crescentemente ocupado pela mídia, particularmente por meio da "política informacional". Como diz Castells, embora os conflitos permaneçam e se complexifiquem, tendo em vista a política ser um terreno aberto, seu enquadramento passa pela mídia, pois é ela o agente que faz a intermediação das relações sociais, enfatize-se. Dessa forma, como os partidos são, em diversos lugares do mundo, cada vez menos representativos, os sindicatos fracos e com decrescente número de filiados, e as ideologias contrastantes ao neoliberalismo menos vigorosas, um tal enquadramento e uma tal intermediação potencializam um poder crescentemente perigoso à luz da teoria democrática.

Reitere-se que, ao falarmos da mídia, estamos nos referindo a um sistema com diversas modalidades que se integram, pois:

(...) a televisão, os jornais e o rádio funcionam como um sistema integrado, em que os jornais relatam o evento e elaboram análises, a televisão o digere e divulga ao grande público, e o rádio oferece a oportunidade de participação ao cidadão, além de abrir espaço a debates político-partidários direcionados sobre as questões levantadas pela televisão. (Castells, 2000, p. 376)

Como se nota, as diversas modalidades têm papéis distintos, mas conjugados. Embora não ajam necessariamente de forma uníssona em termos ideológicos, seu modus operandi é similar na medida em que provém de um sistema orgânico em que as notícias associam-se ao espetáculo, ao entretenimento, à lógica mercantil da audiência (no caso das tvs e rádios) e das vendas, notadamente de publicidade, no caso dos periódicos. Esses aspectos simultaneamente empresariais e ideológicos pertencem à dinâmica da intermediação das relações sociais. Sobretudo nas circunstâncias em que os principais meios de comunicação convergem ideologicamente, caso da introdução da agenda neoliberal no Brasil e da crítica - observada perenemente - aos movimentos sociais, o enquadramento ideológico conjuga-se ao seu modus operandi, como veremos.

Segundo Castells, ao lado das aludidas mudanças estruturais na representação política em perspectiva global - presentes em maior ou menor escala em cada país ou região -, o próprio sistema político formal é impactado pelo sistema informacional:

À crise de legitimidade do Estado-Nação acrescente-se a falta de credibilidade do sistema político, fundamentado na concorrência aberta entre partidos. Capturado na arena da mídia, reduzido a lideranças personalizadas, dependente de sofisticados recursos de manipulação tecnológica, induzido a práticas ilícitas para obtenção de fundos de campanha, conduzido pela política do escândalo, o sistema partidário vem perdendo seu apelo e confiabilidade e, para todos os efeitos, é considerado um resquício burocrático destituído da fé pública. (Castells, 2000, p. 402)

Fundo Soberano resgata R$ 855 milhões para aumentar receitas do Tesouro


A Secretaria Executiva do Conselho Deliberativo do Fundo Soberano do Brasil (FSB) realizou o resgate parcial de R$ 855 milhões em cotas do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE). Os recursos, originários do resgate antecipado de títulos públicos federais, foram transferidos para a Conta Única do Tesouro Nacional.

Segundo o Ministério da Fazenda, a operação ocorreu ontem (22) e se deve à “necessidade de elevação das disponibilidades financeiras do Tesouro Nacional, em um contexto de contração econômica com queda acentuada na arrecadação de receitas fiscais e dificuldades para a redução de despesas obrigatórias”.

O conselho do FSB é presidido pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Também fazem parte do conselho o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Valdir Simão, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

O FFIE é um fundo privado do qual a União, com recursos do Fundo Soberano, é cotista único. Esse resgate, segundo o Ministério da Fazenda, já estava previsto desde o 2º Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias de 2015 como parte das receitas esperadas na rubrica “Operações com Ativos”.

Informações disponibilizadas pelo Tesouro Nacional mostram que o Banco do Brasil Gestão de Recursos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (BBDTVM) atua na qualidade de administradora do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE). Ainda segundo o Tesouro, o banco estatal é responsável pela distribuição e registro escritural de cotas, bem como pelos serviços de Tesouraria, conforme regulamento constante na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com a lei, os recursos do Fundo Soberano podem ser utilizados com a finalidade de promover investimentos em ativos no Brasil e no exterior, formar poupança pública, fomentar projetos de interesse estratégico do país e mitigar os efeitos dos ciclos econômicos.

Inflação deve chegar a 10,8% este ano e a 6,2% em 2016


A inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), este ano vai chegar a dois dígitos e passar longe do teto da meta de 6,5%. A projeção do Banco Central (BC) é que a inflação feche este ano em 10,8%. A estimativa divulgada em setembro era 9,5%. A última vez que a inflação ultrapassou dois dígitos foi em 2002, quando chegou a 12,53%.

A previsão consta no Relatório de Inflação, divulgado trimestralmente pelo BC. Para 2016, a estimativa para o IPCA subiu de 5,3% para 6,2%. Em 2017, a inflação deve ficar em 4,8%.

Essas projeções são do cenário de referência, elaborado com base na taxa básica de juros, a Selic, no atual patamar (14,25% ao ano), e o dólar a R$ 3,90. O BC também divulga estimativas do cenário de mercado, em que são usadas projeções de analistas de instituições financeiras para a taxa Selic e câmbio. Neste caso, o IPCA também deve ficar em 10,8%, ante 9,5% previstos em setembro.

Para 2016, a estimativa de mercado foi ajustada de 5,4% para 6,3%. Em 2017, a inflação deve ficar em 4,9%.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu como meta de inflação 4,5% para 2016 e 2017, sendo que o limite de tolerância é 2 pontos percentuais no ano que vem e 1,5 ponto em 2017.

Quando a meta é ultrapassada, o presidente do BC tem de enviar carta aberta ao ministro da Fazenda, com as explicações para o descumprimento. A última vez que isso aconteceu foi em 2003, quando a inflação atingiu 9,3%.
Preços administrados

O BC projeta que o preço da gasolina vai subir 20,7%, este ano, e estimativa para o preço da energia elétrica é 51,6%. A projeção para o conjunto dos preços administrados é 18,2%, ante a estimativa anterior, divulgada em setembro, de 15,4%.

Para 2016, a projeção para a variação do conjunto é 5,9%, ante 5,7% considerados no relatório anterior. “Essa projeção considera, para combustíveis, que os preços domésticos da gasolina e do óleo diesel encontram-se acima dos praticados no mercado internacional, restringindo, dessa forma, eventuais elevações”, diz o BC, no relatório.

Para os preços da energia, diz o BC, a projeção de 4,6% para 2016 leva em conta redução da tarifa em dólar da usina de Itaipu e ausência de mudanças no valor definido pelo sistema de bandeiras tarifárias em 2016, muito embora os riscos hídricos tenham evoluído favoravelmente e tenha ocorrido desligamento de usinas térmicas de maior custo.

A projeção de reajustes dos itens administrados, em 2017, é 5%.

Oposição venezuelana acusa partido do governo de “golpe judicial”


A oposição venezuelana acusou hoje (23) o partido do governo de dar "um golpe judicial" contra o novo Parlamento, ao tentar impugnar a designação de 22 dos 112 deputados opositores que venceram as eleições parlamentares.

“A Mesa de Unidade Democrática, juntamente com os seus três governadores, quer apresentar a posição pública perante o que não duvidamos em qualificar como uma tentativa de golpe de estado judicial contra a vontade do povo, expressa de forma nítida, clara, retumbante e pacífica no último dia 6 de dezembro”, disse o secretário executivo da MUD, Jesús Torrealba.

A MUD obteve nas eleições parlamentares a primeira vitória em 16 anos, conquistando0 112 dos 167 lugares que compõem o Parlamento, uma maioria de dois terços que lhe confere amplos poderes e marca uma virada história contra o chavismo (corrente de seguidores do presidente Hugo Chávez).

Hoje, segundo Torrealba, apesar de estar em período de férias, o Supremo Tribunal de Justiça abriu os serviços para receber um recurso [de impugnação] do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que pretende impugnar 22 deputados da unidade. "Não existe nenhum mecanismo ou procedimento que esteja por cima da Carta Magna. Dentro da Constituição tudo, fora dela nada", disse, durante entrevista em Caracas.

Segundo o secretário, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a Organização dos Estados Americanos (OEA) e outros organismos do hemisfério foram notificados do que está ocorrendo para que estejam em alerta para a possibilidade de que o governo venezuelano "pretenda manter-se no poder, ignorando a vontade popular".

O porta-voz da MUD lembrou que a Constituição estabelece que o Poder Legislativo deve ser instalado em 5 de janeiro e que os 112 deputados opositores eleitos e acreditados pelo Conselho Nacional Eleitoral se apresentem para assumir as funções.

"Nós estamos por uma senda clara que é democrática, constitucional, eleitoral e pacífica, por isso condenamos toda a ação de violência institucional", destacou. Ele disse acreditar que nesse dia "vão operar as mesmas forças que garantiram que o dia 6 de dezembro fosse uma jornada cívica e pacífica".

Segundo o presidente Nicolás Maduro, estão sendo investigados mais de 1,5 milhão de votos nulos registrados durante as eleições parlamentares, porque em alguns setores onde tradicionalmente o chavismo era vencedor, os candidatos chavistas perderam por menos de uma centena de votos. Houve mais de mil votos nulos nesses locais.

Congresso pode votar em março contas de 2014 da presidenta Dilma


O Congresso Nacional deverá votar as contas da presidenta Dilma Rousseff, relativas ao exercício de 2014, em março do ano que vem. Pelo cronograma elaborado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), o relator das contas, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), tem até o dia 28 de fevereiro para apresentar parecer sobre as emendas de deputados e senadores apresentadas a seu parecer. O relatório final deverá ser votado na comissão até o dia 6 de março.

No parecer apresentado nesta terça-feira à CMO, Gurgacz propõe a aprovação das contas de 2014 da presidenta com três ressalvas. De acordo com o senador, não foram encontrados vínculos de responsabilidade de Dilma e que os argumentos apresentados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) “não são relevantes o suficiente para levar à rejeição [das contas]”.

As ressalvas propostas pelo relator são: “a falta de aderência do cenário econômico-fiscal traçado bimestralmente pelo governo em 2014, em relação ao que de fato ocorria na economia, o que fragilizou a transparência da execução orçamentária e financeira;  a existência de compromissos financeiros vencidos e não pagos, que apesar de não se caracterizarem como ‘operação de crédito’, é fato incontestável que precisa ser melhor demonstrado e equalizado; e a existência de vultuosos e crescentes compromissos financeiros contabilizados como restos a pagar”.

De acordo com Gurgacz, a posição do TCU sobre as contas de 2014 representa “uma inflexão na conduta histórica daquela Corte”. Ele disse que apenas uma vez o relator das contas no TCU havia opinado pela rejeição das contas presidenciais em 1936, no governo Getúlio Vargas. Em seu parecer, o senador afirma que “não é razoável” incluir nas contas do presidente da República todas e quaisquer decisões adotadas em cada ministério e órgãos do Executivo, assim como não é razoável incluir nas contas do governador todos os atos de suas secretarias.

Gurgacz ressaltou que seu relatório deverá ser debatido “exaustivamente” na Comissão de Orçamento para, então, ser votado. De acordo com o senador, o parecer é técnico e foi feito dentro do que estabelecem as normas constitucionais. “Nossa preocupação foi produzir um relatório verdadeiro, dentro da realidade brasileira. Trabalhamos com toda imparcialidade para produzir esse relatório. Ele está menos politizado do que o do TCU. Ele é um relatório técnico.”

O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), que esteve na CMO no momento da entrevista do senador Gurgacz, criticou o relatório, que considerou “inaceitável e repugnante”.  De acordo com Sávio, está-se rasgando a Lei de Responsabilidade Fiscal.  “É repugnante o que estou vendo. Isso vai colocar nosso país em um caminho muito ruim”, disse Sávio. Para o deputado mineiro, a oposição vai trabalhar para rejeitar o relatório na CMO e no plenário do Congresso.

Por que defendo o impeachment - Considerações finais.

Marco Lisboa - 17 de dezembro

Leia também:

A tese de meu oponente se sustenta em duas apostas: a inadmissibilidade jurídica do impeachment e a recuperação de nossa economia. O primeiro pilar foi demolido pelo STF. Em resolução recente, a suprema corte definiu que cabe ao presidente da câmara de deputados e, apenas à ele, recusar ou acatar os pedidos. O que foi feito. É evidente que a discussão teórica irá perdurar por décadas, mas, antes disso, o impeachment terá seguido o seu curso.

Quanto à recuperação da economia, as agências de avaliação de risco mostraram que o quadro é de agravamento e não de melhora. Aliás, não vale a pena insistir sobre o que é senso comum entre os economistas. A divergência entre eles não é sobre diagnóstico, é sobre tratamento. Os críticos do governo insistem no aprofundamento do ajuste e na realização de reformas estruturais. O PT lançou um documento criticando a atual política econômica e prevendo um desastre, caso ela não seja modificada. Nesse ponto, o prognóstico é idêntico: a crise só tende a se agravar e as sequelas serão graves. 

Resta, é claro, comparar alguns índices atuais com os índices do governo FHC e concluir que antes era muito pior. Não faz sentido comparar quantitativamente épocas distintas, com problemas distintos e uma conjuntura interna e externa muito diferente. No entanto, se isso servir de consolo, eu também critiquei a política econômica de FHC. E era favorável ao seu impeachment. O que não traz luz alguma à atual situação, a não ser o efeito de reforçar a minha tese.

A última e frágil barreira contra o impeachment é uma suposta defesa da democracia. Governos legitimamente eleitos não podem ser impedidos apenas por sua ineficiência. O país deve suportar, estoicamente, mais três anos de desgoverno e se preparar para um década perdida. Que se arruíne o país, mas que se salve a democracia. 

Quanto à isso, superada a questão do fundamento jurídico para o impeachment, a discussão que se impõe é sobre a sua oportunidade. Uma questão de custo-beneficio. O que é pior, afundarmos numa depressão que penalizará justamente os mais pobres ou ferir de morte a nossa frágil democracia (segundo o discurso de meu oponente)?
Nesse ponto eu vou me socorrer da opinião de um especialista. 

Cedo a ele a palavra, para comentar sobre o impeachment de Collor: “Foi uma coisa importante. O povo brasileiro, pela primeira vez, deu a demonstração de que é possível, o mesmo povo que elege um político, destituir esse político. Eu peço a Deus que nunca mais o povo brasileiro esqueça essa lição”, afirmou.

Note-se de passagem, que Collor foi eleito com uma margem maior que a de Dilma e que a situação econômica era, talvez, muito mais crítica. Os índices de popularidade de Collor eram melhores que os de Dilma. O resultado foi um governo de transição, que unificou o país, estabilizou a moeda e saiu com um altíssimo índice de aprovação. Claro que não há garantias de que tudo isso se repetirá, mas se o dilema é manter uma política econômica desastrosa ou remover um presidente sem apoio popular e sem sustentação política, a história recente nos deu uma lição.http://www1.folha.uol.com.br/…/1665135-reprovacao-de-dilma-…

Aproveito aqui para desfazer mais uma leitura deturpada de meu pensamento. Meu oponente (seja ele quem for), afirma: “... ele exalta o presidencialismo de coalisão, que na minha humilde opinião nada mais é do que a barganha, a negociata às claras que visa manter privilégios em detrimento de interesses coletivos, ou seja, os representantes do povo travam ou não os interesses do país se caso não tenham seus interesses atendidos tais como cargos, ministérios e outros”

Eu afirmei: “Nosso presidencialismo de coalizão funcionou, a maior parte do tempo, com o governante de plantão contando com uma maioria mais ou menos folgada e o legislativo reduzido ao papel de referendador das medidas tomadas.

Quando há uma grave crise econômica, combinada com um crise política, e o presidente perde sustentação política e social, o impeachment aparece como a solução possível para o impasse. Isso porque o sistema se torna disfuncional.”


Existe uma diferença gritante entre constatar e exaltar. Eu disse que nós vivemos em um presidencialismo de coalizão. Não é o que eu gostaria que fosse, mas é assim que é. Eu defendi o impeachment baseado numa análise concreta de uma situação concreta. Baseado nas instituições que temos, não nas que deveríamos ter. Nesse país real, o que temos, no momento, é um governo disfuncional. Ou melhor, um desgoverno.

Assim sendo, sem medo de ser feliz: Fora Dilma! Não vai ter golpe, vai ter impeachment.

Por que sou contra o Impeachment, replicando a tréplica

Por Moura Babi 16 de dezembro

Réplica ao post "Por que defendo o impeachment".

Leia Também:

Meu oponente em sua tréplica menciona que sua tese não refutada por mim, na verdade foi, mas o enfoque das nossas abordagens foi diferente, na minha réplica prevaleceu a contestação da inexistência de base jurídica para o impedimento da presidente e em contrapartida, meu oponente preferiu discursar sobre o cenário econômico que aliás é o único motivo que ele tem para se apegar mesmo contrariando a história e a legislação que não prevê a deposição de um gestor com base na análise de indicadores tais como os já citados por ele: desemprego, déficit público e outros.

Para começar gostaria de deixar claro a questão que ele demonstrou quanto à admissibilidade do processo de impedimento, o qual sofre agora forte possibilidade de ser admitido visto que, o poder judiciário é inerte, somente se pronuncia sobre o que é perguntado, esse pedido de anulação no STF foi acerca da votação, não existe análise do mérito, o STF vai se pronunciar sobre isso amanhã mas isso não significa que aceitou a legalidade do pedido, haverá a possibilidade de uma análise sobre o impeachment no fim do processo, depois de todo o trâmite normal.

Mas, no que se baseia o pedido de impeachment? Nas pedaladas fiscais? Elas configuram crime de responsabilidade? Não configuram, não há base, não há motivo algum para o impeachment, isso não sou eu que estou dizendo, é consenso entre diversos juristas, "grifo nosso", quem de direito acatou o pedido o fez por direito injusto que tem, o fez por vingança, portanto imputa a desconfiança quanto a imparcialidade que deveria ser inerente a quem conduz o processo, até a população notou isso e não aderiu aos movimentos pró-impeachment, acho que se a presidente fosse tão rejeitada assim, o protesto receberia a adesão de um número maior nesse último domingo.

Ou seja, um parlamentar corrupto por pura vingança e como manobra pra tirar de si o foco e adiar a análise do pedido de cassação contra ele feito, exercendo seu pleno direito, aceita um pedido sem base legal, com base em uma simples recomendação de rejeição de contas de um mandato já expirado por motivo nobre: Manter os programas sociais utilizando para isso um recurso aderido por TODOS os governos anteriores, isso é um golpe, a análise agora é política sim! Do congresso mais conservador de toda história, encabeçado pelo politico mais ardiloso e sujo de todos os tempos, não cabe discussão nesse quesito se a economia está péssima, com desempenho abaixo do esperado, esse pais lutou anos e anos pela democracia, não de trata de Dilma, se trata do Estado Democrático de Direito, constituído sob uma constituição democrática, que declarou que todo poder emana do povo, que o exerce direta ou indiretamente através de seus representantes, eleitos pelo voto direto, secreto, universal e periódico.

Portanto a discussão se encerra no simples fato de que Dilma foi eleita. Não cabe a ninguém julgar se ela está governando bem ou não. Ela está exercendo poder que lhe foi conferido pela maioria, não há contra ela indícios pra justificar um impeachment, pronto, acabou.

O sr. Presidente da câmera está fazendo o que faz de melhor utilizando-se de vias legais para executar manobras que cumpram seus propósitos vis, mas pra quê discutir com quem acha que a questão é apenas um governo ruim, a questão aqui é o baque que a nossa democracia conquistada a preço de sangue vai sofrer, se, utilizando-se de meios legais, a presidente eleita pelo poder soberano for deposta.

Não posso exigir que todos entendam, nem todos vivem por ideologias, eu vivo pelo Estado Democrático de Direito e pela defesa dos interesses de quem mais precisa.

Pois bem, já que ele reclamou que não fiz sequer menção ao tão comentado déficit público e demais indicadores da economia, farei uma breve observação, mas antes, gostaria de comentar sobre o tema exposto no início do seu relato em que ele exalta o presidencialismo de coalisão, que na minha humilde opinião nada mais é do que a barganha, a negociata às claras que visa manter privilégios em detrimento de interesses coletivos, ou seja, os representantes do povo travam ou não os interesses do país se caso não tenham seus interesses atendidos tais como cargos, ministérios e outros.
Isso é o que está acontecendo e é contra isso que devemos lutar, quando votamos, elegemos representantes que coloquem os interesses coletivos como prioridade, os que não o fazem, sim, estão agindo contra a população e portanto a ameaça declarada de que se a Dilma escapar do impeachment ela não irá governar, pela sabotagem que será imposta é uma afronta não ao governo mas ao país, ao povo e ao estado de direito.Não podemos sentar e assistir a turma do "quanto pior melhor" sabotar o país, o que desejamos é ver o Brasil voltar a crescer e somente com o compromisso de todos vamos conseguir.

Ademais é irrelevante comentar sobre indicadores pois tivemos na história um cenário muito pior, em que contamos com inflação superior a 900% e desemprego a indíces inaceitáveis e mesmo com esse cenário catastrófico não motivou destituição de nenhum gestor, mesmo assim gostaria de demonstrar que nunca antes na história desse país tivemos resultados tão positivos quanto os obtidos na gestão petista (Lula e Dilma), é fato que no governo Dilma a situação fiscal teve uma piora, mas os resultados foram ainda assim muito melhores que no governo FHC. Com Dilma, o déficit público nominal foi de 3,5% do PIB, o superávit primário foi de 1,6% do PIB e os gastos com juros foram os menores dos governos do PT, de 5,1% do PIB em média. Vale dizer que os juros nos governos do PT continuaram muito altos, já que na maioria dos países ricos e também nos principais emergentes, os gastos com juros ficam entre 1,5% e 2% do PIB. Isso exige dos governos brasileiros a realização de superávits primários muito elevados para manterem a dívida pública, sobretudo a dívida pública bruta, estável ao longo do tempo.
Basta um olhar superficial sobre o caso para notar a superioridade do resultado, compare a média do déficit público em relação ao PIB:

⦁ Média déficit Era FHC: 5,4%
⦁ Média déficit Era Lula: 3,2%
⦁ Média déficit Era Dilma: 3,5%

Fonte: http://www.mariliacampos.com.br/…/14-como-se-comportaram-o-…
Poderia citar um por um dos indicadores mas prefiro deixar um resumo que feito por Leonardo Boff em que de forma prática, demonstra com números a superiordade da gestão petista e a real razão de permancer imbatível nas urnas por 4 pleitos consecutivos. Eis o link:https://leonardoboff.wordpress.com/…/dados-governos-fhcpsd…/
No mais agradeço a contribuição de minha filha Amanda Moura que contribui com grande parte dessa réplica, agradeço ao meu oponente por manter as regras e o respeito assim como foi nosso compromisso inicial.


Atenciosamente
Moura.

Por que defendo o impeachment, tréplica


Quando disseram a Leonidas que as flechas dos persas eram tantas que cobririam o céu, ele respondeu: “melhor, combateremos à sombra”. Faço minhas as palavras do espartano, ao ver que meu oponente escreveu uma réplica com quase o triplo do tamanho combinado. 

Confira também:

Resumindo a minha tese, eu afirmei que o governo Dilma era disfuncional e que, sendo o julgamento no Congresso eminentemente político, estavam dadas as condições para o seu impeachment: falta de sustentação política e social grave crise econômica, que só piora com a sua permanência. 

Pretendo mostrar que minha tese não foi refutada, apenas distorcida, e que todas as alegações apresentadas permanecem de pé. Meu oponente afirmou: 

“É possível notar ao longo de todo relato do Marco Lisboa, a tentativa comum de fundamentar o pedido de impedimento da presidente eleita no pleito de 2014 apelando para razões não previstas na legislação tais como crise econômica e popularidade baixa, adotando com isso um viés político e não jurídico...”

Comparem com o que eu afirmei.

“São condições necessárias, portanto, baseado em nossa história recente, - uma crise gravíssima e a perda definitiva de sustentação do governo. Não são suficientes, porque é necessário um fundamento jurídico para o pedido. Mas são determinantes.”

Meu oponente substituiu falta de sustentação (política e social) pela conveniente “popularidade baixa”. Note-se que não se trata mais de “fundamentar” o pedido, pois isso já foi feito, sobejamente, por uma plêiade de juristas, capitaneada por Hélio Bicudo. Fundamentação que foi considerada suficiente por quem de direito: o presidente da Câmara. Estamos falando portanto de um pedido aceito e já em tramitação. Em momento algum, afirmei que os “fundamentos” para o pedido eram políticos e econômicos. Pelo contrário, afirmei, com todas as letras, que era necessário um fundamento jurídico. Apenas me recusei a chover no molhado, por se tratar de uma questão superada.

Inconformado com o acatamento do pedido, feito dentro das normas aplicáveis, meu oponente pretende reabrir essa questão:

“... refuto o argumento de que a questão jurídica já está superada pelo simples fato do pedido escrito pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Conceição Paschoal ter sido acolhido, não está, essencialmente porque "É preciso garantir transparência e legalidade na análise do impedimento" conforme foi dito pelo advogado geral da união Luís Adams em entrevista no dia 11/12/15.”

Essa nova flechada não pode obscurecer o sol, quanto mais a razão. A saber, o próprio STF, provocado sobre o acatamento do pedido de impeachment, já havia afirmado que caberia ao presidente decidir sobre seu acolhimento. O plenário seguiu em frente e passou à votação da comissão que iria analisá-lo. A presidente afirmou em discurso que iria se defender com todas as armas previstas pelas leis e pela constituição e pediu celeridade. Ou seja, os congressistas e a presidente dão como certo que o pedido foi acolhido e está tramitando. 

“Por lei, cabe ao presidente da Câmara dizer se aceita ou não um pedido de impeachment. ... Cunha estabeleceu, entre outros pontos, que, em caso de rejeição, cabe recurso ao plenário, onde bastaria o voto da maioria dos presentes à sessão para que seja dada sequência ao pedido. ... A decisão do STF rejeitou essa possibilidade de recurso: ou o presidente da Câmara acolhe o pedido e dá encaminhamento ao pedido -o que inclui posteriores análise por comissão e votação em plenário para abrir o processo– ou o pedido é arquivado.” http://goo.gl/vjnwTo grifos nossos.

Os persas não queriam combater Leônidas numa passagem estreita, preferiam um terreno mais favorável. Entretanto, o caminho para Atenas passava pelas Termópilas. Meu oponente não quer entrar na discussão das razões políticas e econômicas do impeachment e tenta, mais uma vez, trazer o combate para o campo jurídico:

"Qual é o órgão que decide em última instância a ocorrência de irregularidades jurídicas? É o Judiciário. O Legislativo não tem essa prerrogativa". Fonte: http://goo.gl/3kXFJ9… 

Portanto os congressistas não detêm o poder de sentenciar e encerrar a questão dando a "palavra final" que pode e será revertida no STF.”
Que o STF é o guardião da Constituição é ponto pacífico. Outro ponto pacífico é que legislativo e judiciário são poderes harmônicos e independentes e que o legislativo pode e deve aplicar as leis e o seu regimentos sem necessitar da tutela do Supremo. Entretanto, há aqui um detalhe crucial: a decisão “pode e será revertida pelo STF” Traduzindo, meu oponente quer ter razão antecipando uma decisão, que poderá, oxalá, acatar uma tese duvidosa.

Eu prefiro seguir com a realidade.

Finalmente, os persas entraram no desfiladeiro:

”Quanto ao argumento apresentado com as seguintes palavras do Marco Lisboa: "Politicamente, Dilma representa um modelo esgotado, o populismo, que está ´em retirada na América Latina. A base aliada esta´ dividida. A recente votação das chapas para a comissão do impeachment o demonstrou. Se sobreviver, Dilma não governa", refuto com veemência a seguir...”

O que se segue é uma definição canhestra de populismo, retirada do site Infoescola, e uma tentativa de mostrar que os governos petistas, Dilma em particular, não se inserem no populismo latino-americano.”

Essa discussão, por si só, merece um novo debate e eu não vou ser irresponsável de adentrar nele. O populismo é um fenômeno profundo e recorrente em nossa América Latina e já foi estudado com uma profundidade bem maior do que a do Infoescola. No entanto, por mais que se queira retirar o rótulo de populista do governo Dilma, seu conteúdo permanece inalterado.
Estamos adentrando em uma depressão que pode nos levar a mais uma década perdida. O governo não tem sustentação política e nem apoio na sociedade.

O que o meu oponente contrapôs a essas alegações?

“Quanto a referida votação na câmara das chapas sequer comentarei pois essa já é alvo de questionamento no STF por flagrante desrespeito à constituição e norma do regimento interno.” 

Note-se, de passagem, que se o STF se pronunciar sobre a forma de escolha da comissão, liminarmente, ele já terá reconhecido a legitimidade do pedido! Não vou argumentar baseado em suposições sobre decisões futuras do STF. A Suprema Corte pode até anular essa votação, mas não pode apagar o seu placar: 272 votos a 199. Este número mostra o grau de isolamento do governo Dilma. São vinte e poucos votos a mais do que o necessário para se salvar do afastamento. A presidente reconheceu a derrota, pressentiu que o tempo corre em seu desfavor e quer votar o mais rápido possível, para não perder esses poucos votos que já começam a debandar. Eu concordo com a presidente nessa avaliação.

Quanto à popularidade da presidente e seu isolamento perante a sociedade, meu oponente preferiu não comentar. Dizer o quê?

“Ademais quanto ao aspecto econômico é preciso destacar que esse cenário catastrófico descrito pelo Marco não encontra respaldo na realidade, temos tido sim dificuldades mas o Brasil está em situação bem confortável para sobressair a esse desafio...”.

Para subsidiar uma afirmação tão temerária, meu oponente elenca o tamanho de nossas reservas e compara a proporção de nosso déficit em relação ao PIB com a de outros países do primeiro mundo.

Sobre a inflação de dois dígitos, o desemprego crescente, a queda de quase 4% do PIB, a desindustrialização do país, a transformação de um orçamento com superávit de 60 bilhões em um deficitário em 110, nem uma palavra. Mais uma vez, foge para o futuro: “estamos em condições confortáveis para sobressair a esse desafio”.

Eu prefiro ficar com a realidade. Carta Capital, uma revista que não pode ser acusada de oposicionista, caracteriza assim essa situação:

“Um política econômica devastadora O Brasil atravessará dois anos de retração, apontam as estimativas, fenômeno que não ocorria desde 1930”. http://goo.gl/9Kg37F
  

Resumindo, minhas teses permanecem de pé. O meu oponente, como diria a presidente, enfiou a cabeça na areia, como um canguru australiano. Preferiu apostar numa futura decisão do STF, sobre matéria que o próprio já apreciou, e numa recuperação milagrosa de nossa economia, onde ele se sente bem confortável (com 10% de inflação e quase 4% de recessão!). Fazer o quê?

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