domingo, 22 de janeiro de 2012

Muito além da Democracia.

É frustrante para o povo não participar das decisões políticas que regem sua vida, e das ameaças do poder efetivo  exercido por grupos que não foram eleitos por ele, ou seja, os componentes da tecnocracia. A tecnocracia pode ser entendida como: cracia que vem do grego crátos e, geralmente é traduzido como governar, porém "crátos" significa, também, o poder, a capacidade de controlar, portanto tecnocracia é muito mais do que os simples governados subjugados às máquinas ou a técnicas, e sim como o norteamento ou asseguramento da relação do ser humano através da perspectiva do controle, ordenação e exploração, sendo a tecnocracia uma agressão ao ser humano  e as suas realizações.

Quanto mais subdesenvolvida uma sociedade, em face de complexidade dos seus problemas estruturais, quer seja na área econômica ou na social, fica estabelecida a maior dependência da tecnicidade, considerando a dificuldade de compreensão e solução desses problemas pelos políticos, partidos e, principalmente pelos eleitores. Em face de falta de preparo dos governantes em produzir as soluções e enfrentar os problemas gerados pelas questões econômicas, políticas e sociais, tais como, combate à inflação, variação cambial, relações exteriores, desemprego entre outros, e contidos dentro do mundo  totalmente globalizado, surgiu à elite tecnocrata, que provoca intervenção silenciosa e totalmente independente da vontade do povo e dos seus representantes.

O clube dos tecnocratas é fechado, limitado há pouquíssimas pessoas, como também essa nova casta apresenta como características, a presunção, autoritarismo, e, principalmente,  comportamento insensível as questões sociais, pois as decisões, na maioria contida no campo econômico-financeiro,  são apresentadas de forma imperiosa, de caráter infalível e cercada de mistérios, porém perturbam e alteram a vida de toda a nação.

Com relação aos grupos de pressão,  existe, ainda, alguma  transparência nos interesses defendidos e  na possibilidade de participação da opinião pública nas decisões desses grupos. A tecnocracia piora ainda mais a degeneração do sistema democrático, como também, essa casta instala-se no poder de forma indireta, toma ou induz as decisões sem avaliação popular e cria a ditadura de decisão da classe dominante, a exemplo da França, composta pela alta burocracia, elite militar e elite científica.  No caso Brasil pode avaliar a predominância tecnocrática no campo econômico, em face de continuidade das decisões adotadas pelo governo anterior, ressaltando que a mudança governamental que ocorreu foi um guinada de ideologias políticas historicamente e extremamente diferentes, entretanto a política econômica permaneceu intacta, mesmo recebendo críticas do povo e do próprio Partido dos Trabalhadores, base de origem e sustentação do presidente Lula. 

Petróleo, uma caixa preta



Nove em dez vezes o dinheiro do petróleo é um dinheiro maldito.

Por Rodnei Vecchia*
O Brasil apresenta-se mundialmente como detentor potencial de grandes reservas de óleo, líder na produção de biocombustíveis e detentor da tecnologia do ciclo de combustível nuclear. O papel do país pode ser de destaque e liderança jamais imaginados no cenário geopolítico energético mundial, e essa pode finalmente ser a hora e a vez de o país montar no cavalo selado que novamente passa à sua porta. Parece simples, e é, mas para transformar sonhos em realidade faz-se necessário visão de futuro, vontade política, pulso firme e ação empreendedora.

No entanto, fatos deploráveis insistem em permear as manchetes dos meios de comunicação. A Agência Nacional do Petróleo - ANP multou a Petrobras, maior empresa brasileira, em R$ 84,5 milhões pelo repasse incorreto de informações da plataforma P-50, situada no campo de Albacora Leste, na bacia de Campos.

Segundo o processo aberto pela agência, a estatal usou de fatores não aprovados para fazer a medição da produção. Com isso, parte da quantidade de óleo extraído do campo, em operação desde 2006, não foi informada. Estima-se que, no período de 14 meses, a Petrobras tenha deixado de informar a produção de 1,3 milhão de barris. Sem o registro dessa produção, um montante de royalties e demais tributos deixou de ser pago. Atitude lastimável de quem tem que protagonizar exemplos de ética e transparência em todas as suas ações..

As grandes petroleiras mundiais de há muito dominam todo o ciclo, do poço ao posto. Essas companhias optam pelo refino e pela distribuição como propulsores de sua lucratividade, desvalorizando o óleo. Quando tem que dividir os resultados com governos, descontam diversos custos, e ao longo de muitos anos quase nada sobrava de lucro para os países concedentes, configurando-se, então, um modelo tirano e colonial de exploração, que causava baixa qualidade de vida à população desses países.

Ao longo do tempo, as majors, ou big oil, converteram sua descomunal riqueza em mega influência política.  Utilizaram seus vultosos recursos financeiros para infiltrar-se e criar intrincados e obscuros labirintos por todos os poderes estabelecidos de um país. Juntavam-se, fundiam-se e formatavam parcerias para dominar por completo a cadeia produtiva do petróleo, verdadeiros sistemas de truste e cartel. Buscavam obter benefícios fiscais, subsídios, redução de royalties e brechas na lei que as favorecessem.

É o petroimperialismo tirano, que emporcalhou a natureza e também os lugares onde os interesses da indústria controlam países e sociedades. Prosperaram no segredo, na mitomania, na falta de transparência e no controle sobre a informação. Eram ações comuns das majors: ocultação de pagamentos a governos, dissimulação de operações contábeis, influência na mídia para plantar seus interesses, compra e expulsão hostil de concorrentes. Enfim, o cartel internacional do petróleo foi o mais bem-sucedido em termos de conduta anticoncorrência da história, ao realinhar o poder mundial, desestabilizar economias, derrubar governos e agredir o meio ambiente.

Por outro lado, a importância estratégica do petróleo no panorama energético mundial deve também ser atribuída, em grande parte, às grandes companhias petrolíferas privadas. Seus vultosos capitais (maiores que o PIB de muitos países), sua capacidade empresarial e influência política formaram verdadeiros poderes paralelos na economia mundial, que determinaram o ritmo e a forma de crescimento econômico de muitas nações.

A criação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo – Opep em 1960 propiciou a quebra parcial dessa cartelização, e a hegemonia de grandes companhias passou a ser exercida pelos países produtores de petróleo. Era a primeira vez que um cartel de países enfrentava um cartel de empresas.

A dependência de óleo e a volatilidade de seus preços dominam o cenário geopolítico e geram um  estado permanente de conflitos. Potências mundiais preparam-se para futuras guerras, não mais por questões ideológicas ou políticas, mas por lutas intensas por recursos cada vez mais escassos. É cada vez mais premente abrir-se a hermética caixa preta do petróleo.




Enem - Justiça concede direito vista na redação a mais de 70 alunos.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), todos eles tiveram direito vista da redação e 28 provas passaram pelo processo de revisão da correção. Mas apenas um estudante de São Paulo, cuja redação tinha sido anulada, conseguiu a revisão da nota.
O edital do Enem não prevê a possibilidade de recurso para a redação, mas muitos candidatos insatisfeitos com a pontuação obtida estão recorrendo à Justiça para ter acesso à prova e pedir que a correção seja revista. Hoje (10) o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que é normal que, em um universo de 4 milhões de candidatos, haja pedidos como esses à Justiça.
"Isso é algo que já ocorreu em anos anteriores e para o qual o consórcio que aplica o Enem está absolutamente preparado. O Cespe [Centro de Seleção e de Promoção de Eventos Universidade de Brasília] tem respondido às deliberações e liminares dos juízes normalmente", afirmou o ministro.
Embora reconheça que o recurso judicial é um direito constitucional de qualquer cidadão, Haddad ressaltou que o grande número de participantes do Enem não permite incluir no edital a possibilidade de todos os candidatos recorrerem da nota.
Em agosto do ano passado, o MEC e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) firmaram acordo com o Ministério Público do Distrito Federal para que a correção da redação do Enem seja disponibilizada de forma automática a todos os participantes. A mudança está prevista para entrar em vigor neste ano. Com isso, os estudantes não precisarão mais recorrer à Justiça para pedir vista da prova.
"O Inep pediu um prazo para investimento em infraestrutura para tornar isso possível. Porque o nosso problema é de escala: não é um vestibular com 50 mil candidatos, são 4 milhões de pessoas", enfatizou Haddad.
A nota do Enem pode ser usada para pleitear vagas em universidades públicas brasileiras por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A ferramenta entrou no ar à meia-noite de sexta-feira (6) e recebe inscrições até a próxima quinta-feira (12), exclusivamente pela internet. Para o primeiro semestre de 2012 estão disponíveis 108 mil vagas.

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