quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Análise: influência de Lula na eleição municipal é limitada

Considerado um dos grandes transmissores de votos da história eleitoral brasileira após a eleição de Dilma Rousseff (PT), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem tendo dificuldade para emplacar candidaturas de seus aliados. Apesar do crescimento de Fernando Haddad em São Paulo, os petistas ainda derrapam em Belo Horizonte e Recife, duas capitais consideradas estratégicas pelo partido.
Com dificuldades para alavancar Fernando Haddad em São Paulo, analistas não veem Lula como determinante em 2012

O sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto de pesquisa Vox Populi, avalia a capacidade de uma personalidade nacional como o ex-presidente de influenciar nas eleições municipais. "A influência do presidente em eleições municipais é limitada", resume.
"Em 2008, no auge de sua popularidade, Lula se envolveu até intensamente em algumas eleições municipais sem que os candidatos do PT vencessem a eleição. O caso emblemático é o de São Paulo, onde ele apoiou a Marta Suplicy (PT) e ela acabou derrotada por Gilberto Kassab", ilustra.

Na mesma linha, o cientista político Eurico Figueiredo, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que a força do ex-presidente foi reduzida quando ele deixou a presidência. "Lula deixou de ser o homem que assina as decisões mais importantes do País. Por isso, não já pode dar uma demonstração de poder de transferência de votos do patamar da observada na eleição de Dilma Rousseff. Por outro lado, Lula ainda é o protagonista maior do PT", analisa.

Mais positivo em relação ao papel de Lula, Figueiredo acredita que o ex-presidente tem sido importante nas eleições em que mais participa. "Em São Paulo, ele pegou uma pessoa muito pouco conhecida, o Fernando Haddad, da mesma forma que havia feito com a presidente Dilma. E o candidato já está em segundo. Haddad já se tornou muito conhecido e, se for para o segundo turno, tem grandes chances de vencer", pontua.
"Lula também tem conseguido alavancar a candidatura do Marcio Pochmann, um professor e ex-presidente do Ipea, em Campinas. Ter conseguido emplacar dois professores nas duas maiores cidades paulistas mostra que sua influência ainda é muito forte", continua Figueiredo.

Com a experiência de quem trabalha há mais de duas décadas com pesquisas de intenção de votos, Coimbra considera exagerada a importância dada aos levantamentos realizados até este momento do ciclo eleitoral. "O que a gente tem por enquanto são pesquisas. E pesquisa em eleição municipal costuma ter uma imprecisão muito maior do que nas presidenciais ou estaduais", indica.
"Aceitando o que temos hoje em matéria de pesquisa é certamente cedo para se decretar vencedores e perdedores. Claro que o PSB deve ter um desempenho melhor, fundamentalmente por estar na frente em Recife", avalia.

O crescimento do partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, divide a opinião dos especialistas. Enquanto Figueiredo acredita que "as eleições de Belo Horizonte são vitais" para o partido, Coimbra acredita que não há razões para se ter a impressão de que os socialistas saem significativamente fortalecidos do pleito.

"O PSB está com uma cara de que pode ter um bom desempenho por causa de Recife e, talvez, Fortaleza. Pode haver fato novo com uma vitória em Cuiabá, mas estamos pegando pequenos casos. Hoje o prefeito de Curitiba, que é do PSB, está em uma posição bastante desfavorável em relação ao Ratinho Jr (PSC), por exemplo", pondera.

Influência do mensalão é pequena
Os dois analistas concordam em um ponto: o impacto do julgamento do mensalão nas candidaturas petistas ainda não pode ser mensurado. Segundo eles, não se nota sinais de desgaste ao redor do Brasil. "O único lugar em que há algum prejuízo é em São Paulo, onde está grande parte das lideranças do PT que estão sendo acusadas, como (José) Dirceu, (José) Genoíno e João Paulo Cunha. Fora de São Paulo os efeitos são muito secundários, como estamos vendo com os sucessivos recordes de popularidade da presidente Dilma e o favoritismo do Lula em todos os cenários para 2014 pesquisados", conclui o presidente do Vox Populi.

Já o professor Figueiredo acredita que não é possível saber quais são os reflexos do julgamento nas disputas em que petistas estão envolvidas.
Jornal do Brasil

Cármen Lúcia segue Rosa e absolve réus da base do mensalão

Terceira a votar, a ministra Cármen Lúcia condenou nesta quinta-feira dez réus da base aliada do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva durante o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).


 A ministra acompanhou o entendimento da colega Rosa Weber e absolveu todos os oito acusados do crime de formação de quadrilha neste capítulo 6. Quanto à lavagem de dinheiro, ela livrou o réu José Borba, ligado ao PMDB, e Antonio Lamas, que foi absolvido de todos os crimes.

Por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia pediu para adiantar seu voto e falar antes do ministro Dias Toffoli. A dez dias da eleição, Cármen comentou a tristeza de condenar políticos eleitos pelo povo e pediu para que os eleitores não tenham descrença na política.
"Este é um julgamento de processo penal que nós julgamentos pessoas que eventualmente tenham errado e contrariado o Direito Penal, mas que isso não significa que a política seja necessária ou sempre corrupta. Pelo contrário. A humanidade chegou ao momento que chegamos, porque é ou a política ou a guerra", disse.

A ministra condenou os réus Pedro Corrêa (PP - corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Pedro Henry (PP ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), João Claudio Genu (PP ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Enivaldo Quadrado (Bonus Banval - lavagem de dinheiro), Breno Fischberg (Bonus Banval - lavagem de dinheiro) Valdemar Costa Neto (PL - corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Jacinto Lamas (PL ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Bispo Rodrigues (PL ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Roberto Jefferson (PTB ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Romeu Queiroz (PTB ¿ corrupção passiva e lavagem de dinheiro), Emerson Palmieri (PTB ¿ uma corrupção passiva e lavagem de dinheiro) e José Borba (corrupção passiva).

Cármen Lúcia absolveu José Borba, ligado ao PMDB, por considerar que ele não tentou ocultar o dinheiro recebido como corrupção. "Não considero ter ocorrido a lavagem de dinheiro. Considero não ter uma tentativa de dissimular a dissimulação. Ele estava recebendo o dinheiro de Simone Vasconcelos, que estava praticando a corrupção", disse. De formação de quadrilha, os absolvidos foram Pedro Corrêa, Pedro Henry, João Cláudio Genu, Valdemar Costa Neto, Jacinto Lamas, Enivaldo Quadrado, Breno Fischberg e Antonio Lamas.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex- presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.


Aumenta disputa nas câmaras do ES

Por Luiz Fernando Brumana
Dados do TSE revelam que, dos 78 municípios do Estado, 72 tiveram crescimento no número de candidatos às vagas dos legislativos

O número de candidatos para as câmaras municipais de todo o Estado aumentou em comparação à eleição de 2008. Dos 78 legislativos, 72 deles tiveram crescimento de concorrentes, segundo informou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Atrativos não faltam. Afinal, a função conta com aumentos salariais acima da inflação, benefícios, como cota de gabinete, e, este ano, há mais vagas a serem disputadas.
São 9.248 candidatos — contra 6.388 há quatro anos — que estão atrás de uma das 840 cadeiras dos 78 legislativos municipais. Ou seja, houve um aumento de 44,77% no número de concorrentes.

Os eleitores de Aracruz, no Norte do Estado, é que vão se deparar, no dia 7 de outubro, com o maior aumento de opções nas urnas. Lá, o crescimento do número de candidatos atingiu 181,71%. Eram 82 candidatos em 2008, e hoje são 231. A Câmara Municipal foi alvo de diversas denúncias de corrupção nos últimos meses e vários vereadores foram afastados. Para o presidente da Comissão de Combate à Corrupção e à Impunidade da seccional capixaba da Ordem de Advogados do Brasil (OAB-ES), Délio Prates, isso também influencia na concorrência.
“As pessoas querem consertar o processo que houve em Aracruz. É um indício que a cidade está reagindo”, explicou.

Na sequência, vem Barra de São Francisco, com 133,87% de aumento (de 62 para 145 candidatos).

A Serra aparece em terceiro. Eram 234 concorrentes em 2008 e, este ano, são 537, um aumento de 129,49%. A disputa serrana também é mais acirrada no critério candidato/vaga. São 23 pessoas para cada uma das 23 cadeiras. Os vereadores de lá também terão o maior aumento salarial, de R$ 5,7 mil para R$ 9,2 mil em 2013.
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REDUÇÃO SÓ EM SEIS LEGISLATIVOS
Na contramão da maioria dos 78 municípios capixabas, seis deles contam com menos candidatos este ano do que na disputa de 2008.
Ou seja, o eleitor terá menos opções na escolha de quem atuará como seus representantes.
São eles: Afonso Cláudio, Jerônimo Monteiro, Itarana, Conceição da Barra, Jaguaré e Divino de São Lourenço.
Afonso Cláudio está liderando o ranking. O município contava com 90 candidatos há quatro anos e hoje são apenas 56, uma redução de 37,78%. O número de cadeiras no Legislativo não aumentou — são nove — e a relação candidato/vaga para este ano ficou em 6,2.
Jerônimo Monteiro teve uma redução de 24,64% em comparação a 2008. Eram 69 candidatos e, para este pleito, são 52.
No critério menor disputa por vaga entre aqueles que tiveram diminuição dos candidatos está Itarana. No município, para cada uma das nove vagas, há cerca de cinco concorrentes. Ao todo, são 48 candidatos na disputa, 11 a menos que no último pleito municipal.
Divino de São Lourenço teve dois candidatos a menos do que 2008.




Britânicos buscam virada ‘histórica’ em relações com Brasil


Houve um tempo  entre o século 19 e início do século 20,  que empresários britânicos desembarcavam no Rio de Janeiro com cartas geográficas brasileiras debaixo do braço e repletos de ideias para cortar o País de cima a baixo com ferrovias projetadas em Londres.

Demorou um século para a Grã-Bretanha voltar a enxergar o Brasil no mapa, mas, agora, interessados em usar os negócios com países emergentes como uma das alavancas para tentar sair da crise econômica, o governo e as empresas do país se dizem decididos a reverter  e rápido o que o chanceler britânico William Hague definiu como os anos de “negligência” nas relações bilaterais.

É essa a promessa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que desembarca em São Paulo nesta quinta-feira para uma visita de dois dias ao Brasil. Cameron se encontrará com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, e terminará a viagem no Rio de Janeiro.

Entre os temas a serem tratados na visita, estão as relações econômicas bilaterais, a cooperação para a organização dos Jogos Olímpicos no Rio e o programa Ciência sem Fronteira.

Ela ocorre em um momento em que as empresas britânicas aumentam seus investimentos no Brasil, em parte por terem identificado oportunidades de negócios por iniciativa própria, mas também em função do empurrão diplomático que a relação entre os dois países vem recebendo nos últimos anos, como nota Anthony Pereira, diretor do Instituto Brasileiro do King’s College. Para ele, as iniciativas de aproximação bilateral têm motivações tanto econômicas quanto políticas.

- Os britânicos estão investindo nas relações com os países emergentes, e, nesse grupo, o Brasil é identificado como o que tem valores mais próximos aos da Grã-Bretanha – é uma economia de mercado com uma cultura ocidental – disse Pereira à BBC Brasil.
- Além disso, também é interessante para os britânicos ter um interlocutor na América Latina em um momento em que as relações estão tensas com países como a Argentina (por causa das Ilhas Falkland/Malvinas) – completa, fazendo a ressalva de que isso não quer dizer que o Brasil estaria disposto a virar um “garoto de recados” da Grã-Bretanha.
Visitas oficiais

Logo após assumir o poder, em 2010, o governo Cameron listou o Brasil como um dos países com os quais a Grã-Bretanha precisa reforçar seus laços. Desde então, representantes britânicos, entre eles Hague e o Príncipe Harry, fizeram mais de 30 viagens para a América Latina, sendo o Brasil seu principal destino.

O vice-premiê Nick Clegg visitou o País no ano passado – acompanhado de 40 empresários de setores como infraestrutura, petróleo e gás, serviços, biotecnologia, construção e energia. Na época, defendeu que os dois países deveriam voltar “ao século 19 para recuperar as bases de uma relação mais sólida” em uma declaração polêmica, pelo que alguns interpretaram como uma certa nostalgia com os anos do Império Britânico.

As relações hoje certamente são menos assimétricas do que no século 19, como ressalta Pereira. A Grã-Bretanha está metida na sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial e aposta nos negócios com economias emergentes para reativar sua economia. “Eles são os mais interessados na aproximação”, diz o especialista.
A cooperação também ganhou impulso durante a Olimpíada de Londres, em julho, quando autoridades brasileiras foram convidadas para observar todos os aspectos da organizações dos jogos – uma iniciativa que teve um desdobramento polêmico com a notícia de que funcionários brasileiros foram demitidos por terem coletado de forma indevida informações que seriam confidenciais.

Mas para Martin Raven, ex-cônsul britânico em São Paulo que hoje fornece consultoria para empresas interessadas em investir no mercado brasileiro, mais do que uma opção de governo, o maior foco nas relações com o Brasil é consequência da crise global e da evolução do cenário político e econômico do País.

Para ele, voltar-se para o Brasil e para outros emergentes foi uma decisão natural tendo em vista a redução do crescimento de economias europeias e dos EUA.
Antes de Cameron, a administração trabalhista já havia dado alguns passos para avançar na integração. Tony Blair foi o primeiro chefe de governo britânico a visitar o Brasil em 2001. E, em 2006, os dois países formaram o Comitê Econômico e de Comércio Conjunto (JETCO na sigla em inglês).

- O interesse britânico cresceu porque, nos últimos anos, as opções de investimentos em outros lugares foram reduzidas, ao mesmo tempo em que o Brasil adquiriu mais estabilidade política e econômica e aprimorou seus marcos regulatórios – diz Raven.
Ed Hudson, diretor-executivo da consultoria Ernst & Young, que recentemente coordenou um estudo sobre os negócios britânicos no Brasil, concorda.

- No longo-prazo, o crescimento da classe média de países emergentes será um dos motores da economia mundial, então, é nesses mercados que as empresas britânicas precisam investir se quiserem sobreviver – diz, lembrando a recessão em que o país está mergulhado.

Longo prazo
Nem as revisões para baixo nas estimativas sobre a expansão do PIB brasileiro em 2012 afetaram o entusiasmo britânico com o Brasil, segundo John Doddrell, Consul Geral da Grã-Bretanha em São Paulo e diretor no Brasil da agência de comércio e investimentos britânica (UKTI na sigla em inglês).

- As autoridades e empresários britânicos estão interessadas em fortalecer as relações não só no curto, mas, principalmente, no longo prazo – disse Doddrell, explicando que o objetivo é mesmo promover uma virada “histórica” nas relações. “Por muitas décadas, as atenções da Grã-Bretanha estiveram voltadas apenas para a Europa, EUA e países da Commonwealth,mas, agora, isso está mudando.”

Para o brasileiro Eric Striegler, economista do HSBC em Londres, o interesse britânico também sobreviveu ao reajuste de expectativas sobre o crescimento do PIB brasileiro por causa da performance de algumas áreas. “Setores como petróleo e gás, por exemplo, estão crescendo mais que o resto da economia e têm ótimas perspectivas no longo prazo”, explica.

Para Pereira, há na Grã-Bretanha o reconhecimento de que o país perdeu muitas oportunidades de negócios no mercado brasileiro para competidores como a Espanha, Alemanha e França. “Agora, os britânicos estão correndo para alcançar esses europeus e, de quebra, também atrair investidores brasileiros para Londres”, explica.

BC chinês faz injeção histórica para evitar crise


O banco central da China injetou 365 bilhões de iuanes (US$ 57,92 bilhões) líquidos nos mercados monetários esta semana, afirmaram operadores, a maior injeção semanal da história, com reguladores sofrendo para manter a liquidez sem produzir inflação à medida que as entradas de fluxos cambiais desaceleram.
- Foi um pouco demais – afirmou uma operadora de um banco de Pequim, em reação ao tamanho da injeção.
- Isso significa que não há corte na taxa de compulsório (dos bancos) provável no curto prazo.

A injeção visou a impedir uma crise de liquidez no curto prazo nos bancos comerciais. Os bancos chineses precisam capturar dinheiro tanto para cumprir as obrigações de compulsório com o banco central, calculadas no final do trimestre, e também precisam cumprir pedidos de saque para o próximo feriado.

A China usou operações de recompra reversa para injetar 290 bilhões de iuanes na terça-feira e 180 bilhões de iuanes nesta quinta-feira, compensando 107 bilhões de iuanes que estavam vencendo, o que enxugava liquidez.

Na maior parte da década passada, o Banco do Povo da China ficou ocupado com esterilização de entradas de fluxo de dinheiro estrangeiro, e usou principalmente operações de mercado aberto para enxugar liquidez do sistema.

Mas à medida que o investimento estrangeiro na China – em particular fluxos especulativos apostando na valorização do iuane – diminui, o banco se tornou um fornecedor de dinheiro ao mercado.

Os reguladores chineses têm lutado para equilibrar a necessidade de manter a liquidez ampla no sistema e o temor de usar medidas de longo prazo, como reduzir a taxa de compulsório e a proporção entre depósitos e empréstimos nos bancos que poderiam levar a um reaparecimento da inflação, deslocar investimento e causar bolhas em ativos, o que aconteceu após o pacote de estímulo de Pequim implementado durante a crise financeira global.

Por que a reeleição de FHC nunca chegou ao STF?


A campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso é considerada por especialistas a mais cara da história do país e nasceu contaminada. Segundo denúncia publicada na época pela Folha de S. Paulo, a aprovação da emenda que possibilitou a reeleição contou com a compra do voto de vários parlamentares na Câmara dos Deputados, por R$ 200 mil cada um.

Por Laurez Cerqueira* | Via Carta Maior
Quem não sabe como são feitas as salsichas, as leis e as eleições? A novidade é que parte do Ministério Público e parte do Supremo Tribunal Federal resolveram julgar o “caixa dois”, feito para as eleições municipais de 2004, curvando-se à versão sobre o “mensalão” criada por Roberto Jefferson, pela oposição e por parte da imprensa que sempre tratou o PT como um intruso na política brasileira. Um precedente perigoso que coloca o STF acima dos demais poderes da República. O alvo é o PT. Destruir o PT.

Afinal, a elite não acreditava que os de baixo fossem capazes de se organizar num partido político de massa para fazer a luta social e eleitoral no país das desigualdades. Naquela eleição, em 2004, apesar de tudo, a esquerda cresceu eleitoralmente e em seguida reelegeu Lula. 

Agora, como num delírio narcísico diante do espelho (câmeras de tv, internet) ministros do STF, enrolados nas suas capas pretas, parecem fazer o jogo de setores da imprensa, que querem fazer valer a todo custo a versão do “Mensalão” e patrocinam um triste espetáculo. A hipocrisia, o cinismo, aparecem reluzentes nas faces de alguns inquisidores como se o financiamento de campanhas eleitorais por meio de “caixa dois” fosse uma invenção do PT. As câmeras têm revelado com riqueza de detalhes aspectos sombrios do caráter de personagens centrais do julgamento no STF.



As investigações foram cirúrgicas e não foram além da superfície do sereno mar que encobre o financiamento das campanhas eleitorais de todos os partidos políticos.

 Não há nenhum questionamento sobre os demais partidos, como se os de oposição (PSDB, DEM, PPS) tivessem financiado as eleições de 2004 na mais perfeita ordem. 

Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) calcularam que nas eleições municipais de 2004 cerca de 400 mil políticos empregaram algo em torno de 12 milhões a 16 milhões de trabalhadores, para disputar 55 mil vagas de vereador e 5.600 cargos de prefeito no país. 

A infra-estrutura das campanhas eleitorais municipais de 2004 - propagandas dos candidatos veiculada pelos mais variados meios de comunicação - comícios, shows, alugueis, equipamentos de comitês eleitorais, assessores, enfim, custou cerca de 5 bilhões de reais. O total gasto atingiu a cifra de 41 reais por eleitor.

Especialistas estimam que, por baixo, mais da metade do dinheiro envolvido em campanhas não aparece nas prestações de contas. 

Cerca de 70% a 80% das despesas dos candidatos não foram registradas como manda a lei. O que daria em média geral 1 real para o caixa oficial e 3 reais para o caixa dois. Quem adota o caixa dois costuma dizer que as contribuições sem registro são feitas a pedido dos contribuintes que não querem se expor como se o problema fosse a Lei Eleitoral.



O professor David Samuels, da Universidade de Minnesota, pesquisador do processo eleitoral no Brasil, analisou o perfil de doadores oficiais a partir dos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e chegou a conclusão que as candidaturas a presidência da República são financiadas com maior volume de recursos do setor financeiro e da indústria pesada, como a de aço e a petroquímica. Isso porque a Presidência da República é quem responde pela macroeconomia (juros, tarifas, câmbio e política de exportação). Além disso, lida com marco regulatório e concessão de subsídios. Os setores financiadores das campanhas à presidência da República costumam ser os mesmos das candidaturas ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados porque os assuntos tratados no Senado e na Câmara são também do âmbito da União; já as candidaturas a governador recebem mais recursos de empreiteiras, isso porque as grandes obras estão mais concentradas nos Estados; os candidatos a prefeito e vereador recebem mais recursos das empresas de transporte e de coleta de lixo.



A campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é considerada por especialistas a mais cara da história do país e nasceu contaminada. Segundo denúncia publicada na época pelo jornal Folha de São Paulo, assinada pelo repórter Fernando Rodrigues, a aprovação da emenda que possibilitou a reeleição contou com a compra do voto de vários parlamentares na Câmara dos Deputados, por R$ 200 mil cada um.

Naquele momento, Sérgio Motta, ministro das Comunicações havia declarado que o projeto dos tucanos era permanecer no poder por no mínimo 20 anos. Disse isso depois das privatizações dentre outras áreas, a de telecomunicações.



No início da campanha presidencial de 1998, o comitê eleitoral responsável pelas articulações da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso elaborou um orçamento minucioso de gastos e concluiu que, para cobrir todas as despesas do pleito, seria necessário R$ 73 milhões. Esse orçamento prévio foi comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral. 

Passadas as eleições o comitê fez as contas e encaminhou a declaração oficial de doações ao TSE, informando que o total arrecadado e gasto na campanha foi de R$ 43,022 milhões.

A revista Época, de 30 de novembro de 1998, informou que a equipe que cuidou das finanças, coordenada pelo ex-ministro Bresser Pereira, dias depois do envio da lista ao Tribunal, refez as contas e concluiu que os gastos foram R$ 45,931 milhões, uma quantia muito superior ao total declarado ao TSE. 

Esse desencontro de valores, entre o que se arrecadou, o que se gastou e o que se declarou ao TSE jamais foi explicado pelos coordenadores. Paira sobre esse assunto uma nuvem de mistério. Curioso é que na campanha de 1998 o candidato Fernando Henrique Cardoso viajou menos, fez menos comícios do que em 1994, mas gastou R$ 10 milhões a mais.

Bresser Pereira conta que, diante do volume das dívidas deixadas pelo comitê, ele foi obrigado a reunir a equipe financeira e colocá-la de novo em campo para arrecadar mais dinheiro dos empresários para cobrir o rombo. 


A revista Época informou ainda que as solicitações foram deliberadamente concentradas nos grupos empresariais que compraram as estatais. Na segunda quinzena de outubro daquele ano (período proibido pela lei) foram arrecadados R$ 8,2 milhões. Essa decisão foi absolutamente ilegal e contrariou a legislação eleitoral, mas mesmo assim a arrecadação de recurso foi feita.


Dentre as empresas que doaram recursos após o pleito, constam a Vale do Rio Doce, Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) e Telebras. As subsidiárias da Vale do Rio Doce doaram R$ 1,5 milhão. Os donos da Copesul, R$ 1 milhão e os grupos La Fonte/Jereissati/Andrade Gutierrez e Inepar, que haviam comprado as empresas do sistema Telebras, doaram R$ 2,5 milhões. No final da ofensiva dos coletores, os dirigentes do comitê disseram que ficou faltando R$ 2,9 milhões para liquidar as contas.



Na mesma matéria, a Época destacou o setor financeiro como o que mais contribuiu para a campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Em 1994, os banqueiros deram R$ 7,1 milhões. De cada R$ 10,00 que entraram no caixa da campanha, R$ 4,30 originaram do setor financeiro. Em 1998, a aposta do setor no candidato à reeleição atingiu 43% (R$ 18,6 milhões) mais que o dobro da campanha anterior. Apenas cinco conglomerados financeiros contribuíram com quase R$ 10 milhões. Somados, responderam por 66,1% das doações feitas pelo setor financeiro e 28,6% do total de contribuições declaradas na campanha presidencial, informou a revista.



As controvérsias sobre o financiamento da milionária campanha à reeleição de Fernando Henrique Cardoso não pararam por aí. Para complicar ainda mais a vida do tucanato a Folha de São Paulo, de 12 de novembro de 2000, publicou uma vasta matéria com informações comprometedoras, obtidas de planilhas eletrônicas datadas de 30 de setembro de 1998, vazadas do comitê eleitoral do candidato tucano. Essas planilhas revelam a existência de uma contabilidade paralela de arrecadações e gastos da campanha.

O jornal informou que pelo menos R$ 10,120 milhões deixaram de ser declarados ao TSE e que, de cada R$ 5,00 arrecadados R$ 1,00 era desviado para uma contabilidade particular desconhecida. 

Além dos R$ 10,120 milhões não declarados oficialmente ao Tribunal, feitos os cálculos, tomando por base a planilha completa, ficou de fora R$ 4,726 milhões, doados por empresas que constam da lista do TSE, com valores menores do que os da planilha, que aparecem sob a rubrica de uma associação de classe de empreiteiros.

O dinheiro arrecadado pelo comitê financeiro, descrito em 34 registros na planilha principal obtida pelo jornal, totalizara R$ 53,120 milhões. Vale lembrar que na data constante da planilha, a qual os repórteres tiveram acesso, o comitê ainda não havia registrado todas as contribuições o que leva a crer que o volume de recursos não declarados devia ser muito maior, levando em consideração que o orçamento estimado inicialmente pelo comitê para os gastos, e comunicado ao TSE, era de R$ 73 milhões. 

Nota-se que havia margem suficiente para declarar os recursos constantes na contabilidade paralela em questão e a equipe financeira não o fez. As razões não foram esclarecidas à imprensa, que insistentemente tentou sem sucesso obter explicações dos responsáveis pelas contas. Toda essa história acabou envolta num manto de mistério.



A imprensa, na época da divulgação das planilhas pelo jornal, andou escarafunchando a lista de contribuintes da campanha da reeleição e trouxe à baila informações preciosas. Os colaboradores ao ver seus nomes e os nomes de suas empresas publicados nos jornais não conseguiram esconder o constrangimento. Muitos deles acabaram dando informações contraditórias. A lista mais parecia um condomínio de interesses escusos.

A maior doação constante na planilha publicada foi de R$ 3 milhões e não está registrada no TSE. 

O jornal atribuiu à época essa contribuição ao então ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Andrea Matarazzo. Ele negou dizendo que não participou do grupo de arrecadadores e que apenas realizou alguns jantares com empresários. Mas, membros da equipe financeira como Bresser Pereira e o publicitário Luiz Fernando Furquim afirmam que Andrea Matarazzo fazia parte sim do grupo de coletores. Um detalhe: na planilha não consta registro da procedência do dinheiro.



O publicitário Roberto Duailibi, dono da agência DPZ, em entrevista à Folha de São Paulo, disse no primeiro momento que havia contribuído com R$ 7.500 mil. Quando ficou sabendo que a sua doação não estava registrada no TSE ligou para o jornal e disse que a empresa dele não havia contribuído com a campanha. Porém, consta na planilha que a DPZ contribuiu com R$ 200 mil. Outro publicitário, Geraldo Alonso, da agência Publica Norton disse ao jornal que contribuiu para a campanha com serviços de publicidade. O valor do trabalho prestado pela agência dele registrado na planilha foi de R$ 50 mil. Em seguida ele negou que havia prestado serviços.



A empresa Atlântica Empreendimentos Imobiliários, da banqueira Kátia Almeida Braga, (Grupo Icatu), uma das coletoras de recursos, disse que contribuiu com R$ 100 mil e que tinha recibo emitido pelo PSDB. Esse valor aparece na planilha e não foi registrado na contabilidade oficial. Numa investida no Rio de Janeiro, Kátia Almeida Braga procurou dezoito empresários. Uma das empresa da lista era a Sacre, de Salvatore Cacchiola, aquele banqueiro do caso Marka e FonteCindan, que fugiu para a Itália depois do escândalo financeiro. Kátia Braga conseguiu que a empresa dele doasse R$ 50 mil para a campanha. 

Outra empresa que chamou atenção na lista de contribuintes da campanha de Fernando Henrique Cardoso foi a Vasp, de Wagner Canhedo, um dos acusados de integrar o esquema PC no governo Collor e que responde até hoje vários processos na justiça. A empresa de Canhedo era devedora na época de mais de R$ 3 bilhões ao governo. Canhedo doou R$ 150 mil e não consta na declaração do TSE. No caso da Vasp a lei proíbe doações, mas a direção da empresa confirmou a doação à Folha de São Paulo.



Além desses casos existem muitas outras irregularidades reveladas pela imprensa, como por exemplo, doações feitas por universidades e escolas privadas. A legislação proíbe instituições de ensino de participar de financiamento de campanhas eleitorais, mas o presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Edson Franco, confirmou a jornalistas que diversas instituições foram procuradas pelo ex-ministro Bresser Pereira e que várias delas fizeram doações. Ele citou a Unip, de João Carlos Di Gênio e a Faculdade Anhembi-Morumbi. Todos esses casos nunca foram investigados, o Ministério Público e o STF não se interessam por esse assunto.



A diferença do caixa dois da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do caixa dois das eleições municipais de 2004 é que o PT dançou, foi investigado e está sendo julgado, enquanto os tucanos e o PFL flanam na desgraça do PT.

O deputado José Dirceu, em seu depoimento no Conselho de Ética, lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse certa vez que não admitiu a instalação de CPIs durante seu governo porque sabia que uma CPI o derrubaria. 


Portanto, o financiamento de campanhas eleitorais por meio de caixa-dois é uma prática conhecida e só veio a público porque parte da cúpula do PT resolveu participar da festa e se deu mal. Agora o partido está sendo ridicularizado como se fosse um penetra.


Financiamento público já!





(*) Jornalista e escritor, autor, entre outros trabalhos de Florestan Fernandes – vida e obra, Florestan Fernandes – um mestre radical e O Outro Lado do Real, em parceria com o deputado Henrique Fontana.

China reconhece ter subestimado crise econômica global

A China subestimou severamente a desaceleração econômica global deste ano e outros cortes nas taxas de juros chinesas ou de compulsório dependem de qualquer nova deterioração no ambiente externo, afirmou nesta quinta-feira um conselheiro do banco central.
Reuters - de Pequim
Professor da Universidade de Renmin da China e conselheiro acadêmico do comitê de política monetária do Banco do Povo da China, Chen Yulu falou a repórteres às margens de uma conferência na capital sobre as condições da economia global e fluxos de capital.
- Nós, de fato, subestimamos a gravidade da situação econômica externa – afirmou Chen, acrescentando que a economia global pode continuar fraca por um período prolongado.

Questionado se o BC irá optar por impulsionar a economia fazendo mais cortes nas taxas de juros ou nas taxas de compulsório para os bancos para impulsionar o empréstimo comercial, Chen disse: “Irá depender da deterioração da situação externa”.
O BC cortou as taxas de juros duas vezes em junho e julho e diminuiu as taxas de compulsório três vezes desde o final de 2011, liberando estimados 1,2 trilhão de iuanes (US$ 190 bilhões) para novos empréstimos.

Mas a autoridade monetária tem evitado medidas mais agressivas de afrouxamento desde então, apesar de sinais adicionais de esfriamento da demanda doméstica e internacional. Em vez disso, tem optado por injetar liquidez de curto prazo nos mercados monetários para aliviar restrições de crédito, uma ação que analistas dizem refletir as preocupações de Pequim com novos riscos imobiliários e inflacionários.

O banco central afirmou na terça-feira que irá “ajustar” a política para proteger a economia de riscos globais, enquanto observa atentamente o possível impacto do afrouxamento da política nos Estados Unidos e na Europa.

Pastor ex chefe de grupo de extermínio é morto no interior de SP

Chefe de grupo de extermínio na década de 1980, Florisvaldo de Oliveira havia deixado a prisão há 34 dias; ele tinha sido condenado a 120 anos de cadeia
Em 23 de setembro deste ano, Florisvaldo foi empossado pastor da Igreja Refúgio em Cristo, em Taubaté

Trinta e quatro dias depois de sair da prisão, o ex-policial militar Florisvaldo de Oliveira, o cabo Bruno, foi morto a tiros no final da noite de quarta-feira, 26, na porta da casa onde morava, no bairro Quadra Coberta, em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, interior de SP.O cabo ficou conhecido por liderar um grupo de extermínio na década de 1980 na capital paulista e havia se tornado pastor evangélico ao sair da cadeia.

Cabo Bruno foi capa da Revista 'Afinal' de 20 de novembro de 1984
O crime ocorreu às 23h45. Acompanhado de parentes, ele voltava de um culto em Aparecida, município vizinho, e foi surpreendido pelos criminosos em frente à residência da família, na Rua Inácio Henrique Moreira.

"Segundo testemunhas, eram dois homens que chegaram a pé e atiraram somente contra ele (Florisvaldo). Não foi anunciado assalto", afirmou o tenente Mário Tonini, da 2ª Companhia do 5º Batalhão da Polícia Militar. "Havia um carro próximo ao local, possivelmente utilizado pelos atiradores na fuga. Não temos pistas ainda sobre a autoria. Provavelmente foi um crime de execução".

O cabo Bruno não chegou a ser socorrido e morreu no local. Segundo a polícia, nada foi levado dele ou dos familiares. A perícia esteve no local do crime e recolheu algumas cápsulas de pistola ponto 40 - mesmo calibre utilizado pela Polícia Militar - e outras calibre 380. Florisvaldo de Oliveira havia deixado a penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P-2, de Tremembé, no interior paulista, após cumprir 27 anos de prisão.

Ele será velado na Santa Casa de Pindamonhangaba até as 16h. O enterro será na cidade de Catanduva, no cemitério Nossa Senhora de Fátima, sem horário definido.

Os crimes
Ele foi condenado por participação em mais de 50 assassinatos na década de 1980 na capital paulista, quando integrava um grupo de extermínio. Nos anos de cárcere, converteu-se ao cristianismo, tornou-se pastor evangélico e se casou com uma cantora gospel.
Condenado a 120 anos de prisão, o cabo foi beneficiando com o indulto pleno da pena no dia 23 de agosto, por bom comportamento. O assassinato foi registrado no Distrito Policial Central de Pindamonhangaba, onde será investigado.
Cerimônia que o tornou pastor teve duração de 2h30 e contou com a participação de pastores, carcereiros do presídio e ex-detentos convertidos 

Campanha de Russomanno usa ‘laranja’ como coordenador de plano de governo

Apontado por integrantes do comitê do PRB como o responsável pelo programa, ‘Carlos Baltazar’ chama-se, na verdade, Carlos Alberto Joaquim; candidato diz ser apenas ‘nome de guerra’
Por Ricardo Chapola
Apontado por integrantes da campanha como o coordenador do plano de governo de Celso Russomanno (PRB), candidato que lidera todas as pesquisas de intenção de votos em São Paulo, “Carlos Baltazar” chama-se, na verdade, Carlos Alberto Joaquim. Funcionário concursado de baixo escalão da Prefeitura, ele realiza função secundária no comitê, como agrupar sugestões de propostas enviadas por colaboradores de Russomanno.

Russomanno apresentou nesta semana um programa de governo que virou alvo de críticas por reproduzir uma série de propostas genéricas apresentadas em julho à Justiça Eleitoral. Os adversários afirmam também que suas propostas, como o aumento do efetivo da guarda municipal de 6 mil para 20 mil homens, não têm lastro orçamentário. O plano de governo impresso por Russomanno é assinado apenas pelo candidato e por seu vice, Luiz Flávio D’Urso (PTB).

Os nomes dos “técnicos” que Russomanno diz terem ajudado a elaborar o programa de governo nunca foram divulgados oficialmente pela campanha do PRB, apenas o de “Carlos Baltazar”.
Joaquim (ou “Carlos Baltazar”), que se apresenta como fotógrafo nas redes sociais, é assistente de gestão de políticas públicas na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho. Ele foi levado para a campanha por Luiz Augusto de Souza Ferreira, o Guto, que é o seu chefe no banco de microcrédito da Prefeitura e filiado ao PRB.

A equipe de Russomanno divulgou o nome falso alegando que Joaquim poderia ser perseguido, já que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) apoia a candidatura de José Serra (PSDB). O “Baltazar” utilizado pelo servidor municipal seria um sobrenome de seus familiares que não consta de seus documentos oficiais.

Questionado pelo Estado, Russomanno afirmou que os colaboradores do seu programa usam “nome de guerra” para se protegerem de possível “perseguição”. O candidato negou que Joaquim seja coordenador “laranja”.
Desconhecido. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, Marcos Cintra (PSD), chefe de Joaquim, afirmou ontem desconhecer um funcionário com sobrenome de “Baltazar”. “Li uns dez dias atrás que apareceu essa coisa de Carlos Baltazar. Chamou a minha atenção, mandei ver se tinha esse nome. Não tinha. Depois é que se falou, parece que é esse nome Joaquim que estaria realmente envolvido nessa atividade (na campanha de Russomanno)”, disse Cintra. “Esse Joaquim tem. É funcionário da Prefeitura e está lá na secretaria, sim. Se não me engano, entrou na Prefeitura em 88, no começo da década de 90”, completou.

Cintra levou Ferreira, o chefe de Joaquim, para a secretaria municipal em 2010. Os dois se conheceram na época em que eram filiados ao PFL (atual DEM), antigo partido de Kassab. Já na presidência do banco de microcrédito, Ferreira conheceu Joaquim e o convidou para trabalhar como analista de projetos no órgão.
Foi Ferreira quem colocou Joaquim na campanha de Russomanno, que conhece desde 2004. Ferreira e Russomanno trabalharam juntos quando o candidato era deputado pelo PP.

Adversários. Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB), que estão tecnicamente empatados no segundo lugar no Ibope, divulgaram os nomes de todos os colaboradores de seus programas. Na lista do petista, constam 51 pessoas. Na do tucano, há 42 colaboradores. O candidato do PSDB, no entanto, informou que pretende divulgar o seu programa de governo completo apenas se passar para o segundo turno. Na campanha de Serra, o coordenador do programa de governo é o presidente do Conselho Estadual de Educação, Hubert Alquéres foi secretário adjunto de Educação, professor da Escola Politécnica da USP e presidente da Imprensa Oficial do Estado.

O programa de Haddad foi coordenado pelo cientista político Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e filiado ao partido há mais de dez anos. O trabalho de montagem e sistematização, disse a campanha, durou cinco meses e foi divulgado em agosto.

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