sábado, 7 de junho de 2025

Não dá pra comparar Lula com Bolsonaro. E você sabe disso.

 


Por Dag Vulpi - 07/06/2025

Lula e Bolsonaro não estão no mesmo campo. E todo mundo que acompanha a política de verdade sabe disso.

Comparar os dois é desonesto. E mais do que isso: é perigoso. Não estamos falando de estilos diferentes de governo, mas de projetos completamente opostos de país.

Lula tem trajetória política, compromisso com a democracia, respeito pelas instituições e, goste-se dele ou não, promoveu avanços concretos no campo social. Fez governos que ajudaram a melhorar a vida de milhões. Investiu em educação, ampliou oportunidades, fortaleceu políticas públicas e enfrentou a pobreza com algum grau de eficácia.

Já Bolsonaro, desde o início, deixou claro que seu projeto era outro: confronto, negação da ciência, desprezo pelas instituições e idolatria à ditadura. Enquanto presidente, passou mais tempo atacando a democracia do que trabalhando para o povo. Flertou com golpe, espalhou desinformação, cultivou o ódio e tratou a presidência como trincheira ideológica.

No plano real, o que entregou? Nenhuma grande política social. Nenhum projeto estruturante. Nenhum esforço visível para reduzir desigualdades ou melhorar a vida da população. Só narrativa, discurso de guerra cultural e um rastro de destruição institucional.

Por isso, quando alguém insiste em colocá-los no mesmo saco — “ah, mas são todos iguais” — está fazendo uma escolha. Mesmo que diga que não. Está ajudando a normalizar o extremismo. Está dando uma mão, mesmo sem querer, para o avanço da intolerância e da desinformação.

Não se trata de idolatria ou paixão política. Se trata de reconhecer o óbvio: Lula e Bolsonaro representam lados opostos da história. E nesse caso, tentar parecer neutro é, na prática, tomar partido do lado errado.

Isso não é polarização, é extremismo

 

Por Dag Vulpi 07/06/25

Muito se fala em "polarização" para tentar explicar a crise política e social que vivemos no Brasil. Mas, ao contrário do que repetem por aí, o que temos hoje não é uma disputa equilibrada entre dois extremos. O que há, na verdade, é um radicalismo crescente da direita brasileira, que se intensificou a partir do bolsonarismo e que vem contaminando até setores antes considerados moderados ou liberais.

Enquanto setores da esquerda e do campo progressista seguem defendendo direitos sociais, fortalecimento das instituições, preservação da democracia e políticas públicas voltadas ao bem comum, a direita — cada vez mais dominada por discursos de ódio, revisionismo histórico, negacionismo e autoritarismo — se radicalizou ao ponto de abandonar completamente qualquer compromisso com a verdade, o diálogo ou os princípios democráticos.

Não há “dois lados igualmente radicais”. Isso é uma falsa equivalência perigosa, que apenas ajuda a normalizar o extremismo real e violento de uma ala que passou a flertar com o golpismo, a militarização da política e a criminalização dos adversários. Pior: essa extrema-direita não só se fortaleceu com Bolsonaro, como arrastou junto grande parte da velha direita conservadora, que hoje repete seu discurso e seus métodos.

Chamar esse cenário de “polarização” é uma forma preguiçosa — ou mal-intencionada — de tentar empurrar a responsabilidade por esse caos para todos os lados. Mas não: a democracia brasileira não está em risco por causa de uma disputa entre dois projetos extremos. Ela está sob ataque direto de um lado só.

É preciso parar de suavizar o que está acontecendo. O nome disso não é polarização. É radicalização autoritária da direita brasileira. E o combate a isso exige clareza, coragem e compromisso com a verdade.

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi