terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pinheirinho foi uma operação fascista contra o povo pobre

A ação do PSDB contra os trabalhadores do Pinheirinho causou indignação na população brasileira. Ontem, dia 23, ocorreram manifestações na maioria das capitais contra o massacre promovido pela Polícia Militar no último domingo. O que, entre outras coisas, mostra uma forte tendência de luta da classe operária e a disposição de não aceitar a ditadura da direita contra as organizações populares e do movimento operário.
Esta ditadura, por sua vez, pode ser vista em diversas situações que envolvem esta operação. Em primeiro lugar, até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) denunciou que não há a decisão judicial que garantiu a reintegração de posse não está dentro da Lei e que quebrava o pacto federativo, uma vez que a decisão da Justiça Federal determinava o contrário.
O Pinheirinho foi colocado sob estado de sítio e a polícia foi responsável pelo assassinato de pelo menos sete pessoas, além de dezenas de presos e de centenas de feridos. Além disso, denúncias dos moradores revelam que parte desta operação consiste em ocultar os assassinatos, pois os corpos não estão sendo enviados ao Instituto Medico Legal (IML) e nem mesmo a imprensa burguesa está tendo acesso a informações no hospital para onde as vítimas da violência policial estão sendo encaminhadas.
A operação tem como objetivo defender os interesses do especulador Naji Nahas, uma vez que o terreno faz parte da massa falida de sua empresa, a Selecta. Mas esta não é a punica questão. O governo Geraldo Alckmin (PSDB), homem ligado a um grupo de extrema direita, a Opus Dei, está tentando dar uma “lição exemplar” aos movimentos sociais. 
No Pinheirinho tivemos até o presente momento a maior demonstração da tendência de luta da classe operária contra o regime político. Trabalhadores formaram uma milícia para combater a ação da PM que defende os interesses dos grandes capitalistas. O objetivo do governo do PSDB é tentar intimidar através de uma operação fascista todos os movimentos sociais com esta operação.
Neste sentido, a classe operária precisa reagir e realizar diversas manifestações contra os planos da direita que pretende impor uma ditadura contra as organizações dos trabalhadores e cassar os direitos democráticos dos cidadãos.

“Há mortes, inclusive de crianças”, denuncia OAB após ataque de PM de Alckmin

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse hoje (23) que houve mortos na operação de reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, na periferia da cidade. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas.
“O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal [IML], e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie”, disse, em entrevista à TV Brasil.
Segundo Neto, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal chegaram a atacar moradores que se refugiavam dentro de uma igreja próxima ao local. “As pessoas estavam alojadas na igreja e várias bombas foram lançadas ali, a esmo”, declarou.
O representante da OAB disse ter ficado surpreso com o aparato de guerra que foi montado em prol de uma propriedade pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.
Desde o início da manhã de ontem (22) , a PM cumpre uma ordem da Justiça Estadual para retirar cerca de 9 mil pessoas que vivem no local há sete anos e 11 meses. O terreno integra a massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. A Justiça Federal decidiu contra a desocupação do terreno, mas a polícia manteve a reintegração obedecendo ordem da Justiça Estadual.
A moradora Cassia Pereira manifestou sua indignação com a maneira como as famílias foram retiradas de suas casas sem que ao menos pudessem levar seus pertences. “A gente está lutando por moradia. Aqui ninguém quer guerra, ninguém quer briga, a gente quer casa, nossa moradia. Todo mundo tinha suas casas aqui construídas, e tiraram de nós, sem direito a nada. Pegamos só o que dava para carregar na mão”, disse.
O coronel Manoel Messias Melo confirmou que os policiais militares se envolveram em conflitos durante a madrugada, mas negou que a ação foi contra os moradores do Pinheirinho. “Foram vândalos e anônimos que praticaram incêndios na região. Tivemos 14 prisões e algumas apreensões de armas esta noite”, declarou.
“Agora vamos cuidar do patrimônio das pessoas. O oficial de Justiça lacrou [os imóveis] e nós guardamos o imóvel durante a noite. O oficial de justiça vai arrolar os bens. As pessoas receberam um número. Todos os bens serão etiquetados, conduzidos a um caminhão e levados para um depósito judicial ou a um endereço [fornecido] pelo morador”, disse Melo.
De acordo com o coronel, a PM vai permanecer no local até a reintegração de posse do terreno ser concretizada. “Entregue a posse ao proprietário ele deve tomar providências para guardar o local”.
Procurada pela reportagem para falar sobre o assunto, a prefeitura de São José dos Campos não quis se pronunciar.

Via Blog do Esmael

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