sexta-feira, 13 de março de 2015

SwissLeaks têm contas dos casos Lava Jato e Metrô-Alstom




Por Fernando Rodrigues no UOL
Henry Hoyer, substituto de Alberto Youssef no esquema da Petrobras, teve conta numerada no HSBC

Engenheiros do Metrô de São Paulo operavam na Suíça na época em que foi firmado acordo com a Alstom

O acervo de 8.667 nomes de pessoas ligadas ao Brasil e que mantiveram contas no HSBC, na Suíça, contém pistas sobre escândalos recentes de corrupção no Brasil.

A lista de antigos correntistas do HSBC inclui Henry Hoyer, citado em fevereiro em depoimentos tomados pela Operação Lava Jato como substituto do doleiro de Alberto Youssef para ser um dos operadores no esquema de desvio de recursos na Petrobras.

Há também 2 ex-diretores do Metrô de São Paulo (Paulo Celso Mano Moreira da Silva e Ademir Venâncio de Araújo) que abriram contas na Suíça na época em que a estatal assinou um controverso contrato com a multinacional francesa Alstom.

Muitas outras personagens de casos de corrupção que eclodiram antes da Lava Jato e do escândalo dos trens do Metrô de São Paulo aparecem na relação do HSBC. Leia no texto abaixo (SwissLeaks tem vários tipos de “encrencados”) sobre essas outras histórias.

No quadro a seguir, o resumo das informações bancárias de Henry Hoyer e dos 2 ex-diretores do Metrô de São Paulo (clique na imagem para ampliar):


O levantamento desses nomes faz parte de uma detalhada apuração conduzida nas últimas semanas numa parceria entre o UOL, por meio deste Blog, e o jornal “O Globo”.

Gabrielli nega existência de corrupção sistêmica na Petrobras

Por Marcelo Brandão - da Agência Brasil
O ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse ontem (12), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, na Câmara dos Deputados, que não acredita na existência de um esquema de corrupção sistêmica na companhia petrolífera. Para ele, os pagamentos de propina são fruto da ação de “alguns corruptos”. Ele reconheceu, no entanto, que a empresa deve aprimorar os controles internos para descobrir atos ilegais.

“Não há corrupção sistêmica na Petrobras. Isso não quer dizer que não haja corrupção na empresa. Mas não é sistêmica, é individualizada, por causa de alguns corruptos. Mas precisamos avançar nos controles internos, que não conseguem detectar [esquemas de corrupção]”, enfatizou.

Gabrielli ressaltou que a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um bom negócio. “Com certeza absoluta. Não tenho dúvida disso”, disse. A afirmação provocou risadas no plenário, uma vez que a refinaria gerou prejuízo de US$ 792,3 milhões à Petrobras.
 O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli depõe na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades na estatal (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli depõe na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades na estatalFabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O depoimento de Gabrielli serviu de palco para um embate entre a oposição e a base governista. Depois de uma série de explicações técnicas sobre o desempenho da empresa ao longo dos anos, em resposta às perguntas do relator Luiz Sérgio (PT-RJ), parlamentares de oposição tomaram a palavra e acusaram frontalmente Gabrielli. Eles questionaram o fato de o ex-presidente da empresa não conhecer os repasses de propina.

“Ou o senhor é um incompetente de mão cheia ou é um dos capos. [Pedro] Barusco devolveu 97 milhões [de dólares] que não eram dele. Eram seus?”, perguntou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). “O senhor tinha que ter vergonha. O senhor é cúmplice de um assalto de proporções gigantescas”, completou Lorenzoni.

Durante a fala do deputado Carlos Sampaio (SP), lídero do PSDB na Câmara, os ânimos se exaltaram. Sampaio disse que hoje a empresa vale um terço do que valia. Gabrielli, então, interveio exaltado: “Eu entrei e ela valia 15 bilhões [de dólares], e agora vale 60 bi[lhões de dólares]. Vale quatro vezes mais que no tempo do senhor”.

Em seguida, Sampaio acusou Gabrielli de mentir em seu depoimento. “O depoente não veio aqui para ajudar ninguém a não ser a si mesmo. Ele faz mau a essa CPI, fez mal ao Brasil, veio dizer inverdades”. O deputado, então, foi interrompido por uma discussão generalizada.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) reclamou do tom utilizado por Sampaio e questionou o tratamento acusatório dispensado a Gabrielli. “Vocês foram muito bons com Barusco aqui. Respeito!”, referindo-se ao depoimento ocorrido no dia anterior, do ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco. O deputado Afonso Florence (PT-BA) pediu que a CPI abordasse também atos de corrupção praticados em 1997 e 1998, conforme havia explicado Barusco.

“Essa cronologia começou em 1997, 1998, disse um réu confesso. Se há tantos indícios de que houve corrupção entre 1997 e 1998, temos que investigar esse período também”. Já o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) defendeu Gabrielli e criticou os colegas de oposição. “O senhor saiba que existem deputados aqui que defendem os criminosos confessos, que dilapidaram a Petrobras. Tem uns aqui que trataram muito bem o senhor Barusco, faltou colocarem gelinho na água dele. E hoje tentam hostilizar o senhor aqui, que fez uma ótima gestão na Petrobras e não está sendo acusado de nada."

Gabrielli iniciou seu depoimento fazendo a defesa da Petrobras e um balanço da sua gestão frente à empresa, que ele qualificou como positiva, pois a companhia ampliou sua produção e exploração. “Com a descoberta do pré-sal, temos uma produção nessa área superior a 800 mil barris por dia. Para você produzir a mais de 6 mil metros de profundidade é preciso ter estrutura para isso. Uma estrutura tecnicamente desafiadora, de sucesso para a Petrobras”.

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