Min.
Gilmar, mais uma vez, com todo respeito, não precisava mexer os pauzinhos nos
bastidores para aprovar projeto de abuso de poder!
Agora
se fosse um Juiz de 1º grau, como Vossa Excelência agiria?
Quem
nos acompanha sabe que não costumo ficar calado com agressões a minha pessoa e
muito menos a carreira que abraçamos com tanto amor, contudo, sempre tive a
cautela de falar o que penso sem atingir ninguém e de cumprir o Estatuto da
Magistratura e em especial o seu Código de Ética, mesmo sendo professor e tendo
a ressalva legal em sala de aula, sou e sempre serei comedido.
Entretanto,
como disse outrora, paciência tem limite e mais uma vez vou falar com Vossa
Excelência, através de um texto, mas não para respondê-lo como no anterior e
sim indagá-lo, a partir da confirmação de que as conversas ocorreram e que
sinceramente ousarei dizer que não eram institucionais! E muito menos
republicanas!
Será
que Vossa Excelência iria aceitar, com a naturalidade que quer que aceitemos,
uma conversa desse nível de intimidade, por exemplo, com um vereador influente
na cidade que atuamos?
O
Senador Aécio Neves conversa com Vossa Excelência com uma intimidade que
asseguro lhe dizer, a maioria esmagadora dos mais de 15 mil juízes não têm com
qualquer político e os que têm, corretamente, estão alegando suspeição em
possíveis processos, coisa que inclusive Vossa Excelência tem restringido
muito, mas não nos cabe falar de casos que não temos mais elementos e o
referido Código nos impede como Vossa Excelência sabe, ou pelo menos, deveria
saber.
E
os que não estão fazendo e com todo respeito, continuam a ter toda essa
intimidade, devem no nosso entender, serem investigados e não serem
considerados de plano como culpados, isso defendo, desde já, ser a saída para
seu caso, usando com fundamento as diversas manifestações que Vossa Excelência
fez e faz quando acontece caso semelhante que envolve juízes. Mas defendo para o
senhor e todos os investigados e acusados, o devido processo legal!
O
problema é que Vossa Excelência age com dois pesos e duas medidas!
E
ouso dizer que eu e meus colegas de primeiro grau seríamos, talvez,
sumariamente punidos em eventual voto de Vossa Excelência, pelo menos, pelas
declarações que o senhor vive dando na imprensa, mas não defenderei isso ao seu
caso, pois quero, como já disse, que se cumpra a Constituição e as leis
reputadas constitucionais pelos meus colegas, como o senhor muito bem nos ensina
em seus livros de Direito Constitucional, inclusive muito bons, pois é assim
que deve ser.
Nós
juízes, temos a obrigação de sempre fazer valer a Constituição e as leis, tanto
para os “amigos” quanto inimigos, mas parece que Vossa Excelência lê outra
Constituição quando se trata das pessoas que fala com tanta intimidade e nós
não, pelo menos a