sábado, 24 de janeiro de 2015

Japão segue sem notícias de reféns sequestrados pelo Estado Islâmico


Vídeo divulgado pelo Estado Islâmico mostra dois reféns japonese e pede resgate (Foto: AP)

Prazo após pedido de resgate milionário de reféns terminou há 24 horas.
Governo asiático diz que tenta confirmar se os cidadãos estão vivos

O governo do Japão segue sem ter notícias neste sábado (24) dos dois japoneses sequestrados pelo Estado Islâmico (EI), um dia depois que completou o prazo dado pelo grupo jihadista para o pagamento de um resgate no valor de US$ 200 milhões.

O ministro das Relações Exteriores japonês, Fumio Kishida, revelou que o governo continua tentando confirmar se os reféns estão vivos e que, "por enquanto, não há nenhuma informação sobre seu estado".

Kishida falou com a imprensa após uma reunião de crise em Tóquio na residência do primeiro-ministro, Shinzo Abe, à qual também compareceram outros membros do Gabinete.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores, Yasuhide Nakayama, responsável pela equipe especial que está em Amã, a capital da Jordânia, para tentar solucionar a crise dos reféns, disse que a situação permanece "tensa" e "difícil", uma vez que o prazo dado pelos jihadistas acabou e sem que, aparentemente, o EI tenha feito qualquer anúncio desde então.

"Vamos continuar focados em conseguir informações de diversas fontes e agir em consequência", explicou Nakayama aos meios de comunicação japoneses na noite de sexta, na capital jordaniana. Além disso, o vice-ministro garantiu que a prioridade do governo é "salvar vidas humanas".

Entenda o caso
Em um vídeo publicado na internet na última terça-feira, um suposto membro do grupo jihadista deu um prazo de 72 horas ao governo do Japão para pagar US$ 200 milhões e evitar a execução de dois reféns de nacionalidade japonesa.

Uma vez cumprido o prazo nesta sexta-feira, as autoridades de Tóquio garantiram que continuarão fazendo o possível para libertar os reféns.

O governo revelou que mantém contato com países como Jordânia e Turquia para, através deles, conseguir chegar a autoridades religiosas e líderes locais que ajudem o Japão a conseguir a libertação dos dois reféns.

Muhammed Ibrahim, um membro do grupo opositor sírio Coalizão Nacional Síria (CNFROS), revelou, por sua vez, à emissora pública japonesa 'NHK' que seu grupo está ajudando o Japão a conseguir a libertação dos dois reféns.

Ibrahim explicou que alguns membros da coalizão estão recolhendo informações sobre os reféns a pedido do governo japonês.

Os dois japoneses sequestrados pelo Estado Islâmico são Kenji Goto, um conhecido jornalista freelancer de 47 anos, e Haruna Yukawa, um homem de 42 anos que aparentemente viajou à Síria para montar uma empresa de segurança e que acabou se unindo a um grupo rebelde, rival do EI

Do G1

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Política: O que é ser esquerda, direita, liberal e conservador?




Por Andréia Martins em 23/01/2015
 


Nas eleições presidenciais e estaduais de 2014, o Brasil assistiu a uma onda de discursos agressivos, especialmente nas redes sociais, que se dividiam em dois lados: os de esquerda e os de direita, associadas pela maioria aos partidos PT e PSDB, respectivamente. 

Definir um posicionamento político apenas pelo viés partidário pode ser uma armadilha repleta de estereótipos, já que essa divisão binária não reflete a complexidade e contradições da sociedade. O fato é que não existe um consenso quanto a uma definição comum e única de esquerda e direita. Existem “várias esquerdas e direitas”. Isso porque esses conceitos são associados a uma ampla gama de pensamentos políticos. 

Origem dos termos
As ideologias “esquerda” e “direita” foram criadas durante as assembleias francesas do século 18. Nessa época, a burguesia procurava, com o apoio da população mais pobre, diminuir os poderes da nobreza e do clero. Era a primeira fase da Revolução Francesa (1789-1799). 

Com a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constituição, as camadas mais ricas não gostaram da participação das mais pobres, e preferiram não se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado à luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e à elite. 

Dentro dessa visão, ser de esquerda presumiria lutar pelos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, a promoção do bem estar coletivo e da participação popular dos movimentos sociais e minorias. Já a direita representaria uma visão mais conservadora, ligada a um comportamento tradicional, que busca manter o poder da elite e promover o bem estar individual. 

Com o tempo, as duas expressões passaram a ser usadas em outros contextos. Hoje, por exemplo, os partidários que se colocam contra as ações do regime vigente (oposição) seriam entendidos como “de esquerda” e os defensores do governo em vigência (situação) seriam a ala “de direita”. 

Para o filósofo político Noberto Bobbio , embora os dois lados realizem reformas, uma diferença seria que a esquerda busca promover a justiça social enquanto a direita trabalha pela liberdade individual. 

Após a queda do Muro de Berlim (1989), que pôs fim à polarização EUA x URSS, um novo cenário político se abriu. Por isso, hoje, as palavras ‘esquerda’ e ‘direita’ parecem não dar conta da diversidade política do século 21. Isso não quer dizer que a divisão não faça sentido, apenas que ‘esquerda’ e ‘direita’ não são palavras que designam conteúdos fixados de uma vez para sempre. Podem designar diversos conteúdos conforme os tempos e situações.

"Esquerda e direita indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence habitualmente à ação política, contrastes não só de ideias, mas também de interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade, contrastes que existem em toda a sociedade e que não vejo como possam simplesmente desaparecer. Pode-se naturalmente replicar que os contrastes existem, mas não são mais do tempo em que nasceu a distinção", escreve Bobbio no livro "Direita e Esquerda - Razões e Significados de uma Distinção Política".

No Brasil, essa divisão se fortaleceu no período da Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda. 

Com o tempo, outras divisões apareceram dentro de cada uma dessas ideologias. Hoje, os partidos de direita abrangem conservadores, democratas-cristãos, liberais e nacionalistas, e ainda o nazismo e fascismo na chamada extrema direita. 

Na esquerda, temos os social-democratas, progressistas, socialistas democráticos e ambientalistas. Na extrema-esquerda temos movimentos simultaneamente igualitários e autoritários.

Há ainda posição de "centro". Esse pensamento consegue defender o capitalismo sem deixar de se preocupar com o lado social. Em teoria, a política de centro prega mais tolerância e equilíbrio na sociedade. No entanto, ela pode estar mais alinhada com a política de esquerda ou de direita. A origem desse termo vem da Roma Antiga, que o descreve na frase: "In mediun itos" (a virtude está no meio).

A política de centro também pode ser chamada de "terceira via", que idealmente se apresenta não como uma forma de compromisso entre esquerda e direita, mas como uma superação simultânea de uma e de outra.
Essas classificações estariam divididas no que podemos chamar de uma “régua” ideológica:

EXTREMA-ESQUERDA | ESQUERDA | CENTRO-ESQUERDA | CENTRO | CENTRO-DIREITA | DIREITA | EXTREMA-DIREITA

Para os brasileiros a diferença entre as ideologias não parece tão clara. Em 2014, durante as eleições, a agência Hello Research fez um levantamento em 70 cidades das cinco regiões do Brasil perguntando como os brasileiros se identificavam ideologicamente. Dos 1000 entrevistados, 41% não souberam dizer se eram ideologicamente de direita, esquerda ou centro.

A porcentagem dos que se declaram de direita e esquerda foi a mesma: 9%. Em seguida vem centro-direita (4%), centro-esquerda e extrema-esquerda, ambas com 3%, e extrema-direita (2%). Quando a pergunta foi sobre a tendência ideológica de sete partidos (DEM, PT, PSDB, PSB, PMDB, PV, PDT, Psol, PSTU), mais de 50% não souberam responder.

Em determinados momentos da história, ambas as ideologias assumiram posturas radicais e, nessa posição, tiveram efeitos e atitudes muito parecidas, como a interferência direta do Estado na vida da população, uso de violência e censura para contra opositores e a manutenção de um mesmo governo ou liderança no poder. 

Ao longo do século 20, parte do pensamento de esquerda foi associada a bases ideológicas como marxismo, socialismo, anarquismo, desenvolvimentismo e nacionalismo anti-imperialista (que se opõe ao imperialismo). 

O mesmo período viu florescer Estados de ideologias totalitárias como o nazismo (1933-1945), fascismo (1922-1943), franquismo (1939-1975) e salazarismo (1926-1974), que muitas vezes se apropriaram de discursos da esquerda e da direita. 

Outro tema fundamental para as duas correntes é a visão sobre a economia. Os de esquerda pregam uma economia mais justa e solidária, com maior distribuição de renda. Os de direita seriam associados ao liberalismo, doutrina que na economia pode indicar os que procuram manter a livre iniciativa de mercado e os direitos à propriedade particular. Algumas interpretações defendem a total não intervenção do governo na economia, a redução de impostos sobre empresas, a extinção da regulamentação governamental, entre outros. 

Mas isso não significa que um governo de direita não possa ter uma influência forte no Estado, como aconteceu na Ditadura. Em regimes não democráticos, a direita é associada a um controle total do Estado. 

O termo neoliberalismo surgiu a partir dos anos 1980, associados aos governos de Ronald Reagan e Margareth Thatcher, que devido à crise econômica do petróleo, privatizaram muitas empresas públicas e cortaram gastos sociais para atingir um equilíbrio fiscal. Era o fim do chamado Estado de Bem-Estar Social e o começo do Estado Mínimo, com gastos enxutos. 

Para a esquerda, o neoliberalismo é associado à direita e teria como consequências a privatização de bens comuns e espaços públicos, a flexibilização de direitos conquistados e a desregulação e liberalização em nome do livre mercado, o que poderia gerar mais desigualdades sociais. 

O liberalismo não significa necessariamente conservadorismo moral. Na raiz, o adjetivo liberal é associado à pessoa que tem ideias e uma atitude aberta ou tolerante, que pode incluir a defensa de liberdades civis e direitos humanos. Já o conservador seria aquele com um pensamento tradicional. Na política, o conservadorismo busca manter o sistema político existente, que seria oposto ao progressismo. 

Direita e esquerda também têm a ver com questões morais. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, com a direita assumindo a defesa da família tradicional. Nos Estados Unidos, muitos eleitores se identificam com a chamada direita cristã, que defendem a interferência da religião no Estado.

No entanto, vale destacar que hoje muitos membros de partidos tidos como centro-direita defendem tais bandeiras da esquerda, exceto nos partidos de extrema-direita (como podemos observar na Europa), que são associados ao patriotismo, com discurso forte contra a imigração (xenofobia).

Um exemplo perfeito de storytelling: Homem vende carro velho de forma genial

Tomei conhecimento do caso no Hypeness, excelente site sobre inovação e criatividade. Muito se fala sobre storytelling no marketing, existe muita teoria e nem sempre se mostram claros exemplos. O caso citado abaixo é um exemplo muito legal de storytelling bem feito.

Em setembro de 2013, Luke Aker, dono de um velho Nissa Maxima de 1996, decidiu vender o seu querido e amado carro. Ele fez um filme mágico. O carro estava repleto de problemas, mas no vídeo o locutor fala toda a verdade, mostra os bancos de couro rasgados e afirma tratar-se de "um veículo que vai te levar do ponto A para o ponto B... na maioria das vezes".

O vídeo se tornou viral. Em dezembro do mesmo ano já estava perto de alcançar 2 milhões de views. O caso foi tão impactante, ganhou tanta visibilidade na web, que a própria Nissan fez uma oferta pelo veículo e... comprou o carro.

A Nissan, com uma oportuna visão de marketing, lançou uma discussão digital e os fãs da marca decidiram que o carro deveria ser restaurado.

Em fevereiro de 2014, a Nissan dos EUA anunciou a restauração do velho carro. Seis meses depois, o carro já recuperado, "novinho" outra vez, foi apresentado num vídeo espetacular da Nissan, publicado no YouTube.

O filme criado por Luke Aker é um exemplo evidente de como fazer storytelling. O caso todo, enfim, é uma história genial.

Veja abaixo 3 vídeos:
- o épico vídeo criado pelo dono do veículo;
- o vídeo da Nissan anunciando e mostrando o carro recuperado;
- o vídeo feito pelo Autoblog com o pessoal de marketing da Nissan contando a história toda.

Ahhhh, e tem uma coisa que fez toda a diferença, o jovem Luke Aker, ex-dono do carro, é um cineasta.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A sala de aula vista por um adolescente – Entrevista

Por Texto publicado no blog Foco em Gerações.

Em um período em que o mundo passa por grandes transformações, a comunicação e a internet mudam radicalmente a forma como nos relacionamos e fazemos negócios, nada mais natural do que discutir o velho ambiente das salas de aula. Em época de colaboração intensa, parece que o tradicional modelo da aula expositiva, em que o mestre fala e os alunos escutam, está com os dias contados. Será mesmo?

Encucado com isso, conversei com dois adolescentes (ou nem tanto, pois ambos têm mais de vinte anos e estão na universidade) sobre como eles veem a sala de aula.

Um deles está insatisfeito com o curso, carrega as aulas como um fardo e encara a sala de aula com muito sacrifício. Já o outro adora estudar, está fazendo mestrado, é um curioso “by design”, não sofre com a sala de aula, mas mesmo assim, não se mostra um entusiasta com o ambiente da universidade.

Criei dois nomes fictícios, Sérgio e Alex. Obviamente, não podemos generalizar, pois são apenas duas pessoas dando sua percepção individual, mas é interessante analisar. Ah, importante frisar que eles não estudam na mesma turma.

Eis a primeira entrevista, a segunda será publicada no próximo post (amanhã):

Mauro – Como você avalia a sala de aula?

Sérgio – A sala de aula é um lugar muito chato. E não é só a minha opinião, todos os meus colegas têm o mesmo sentimento. Eu acho incrível que alguns professores ainda usem quadro negro (lousa em Sampa!!) e giz. Tem um professor de 70 anos de idade, o cara é muito metódico, tradicional, já vem com a aula montada e não se importa com os alunos. Usa o powerpoint e parece que faz a aula para as paredes. Ninguém presta atenção.

Mauro – Mas, se ninguém presta atenção, o que rola nas aulas?

Sérgio – A maioria do pessoal traz um monte de gadgets para dentro da sala de aula, como celulares e notebooks. E não é para usar na aula, é para se distrair mesmo. O pessoal fica navegando na internet e faz outras coisas enquanto o professor fala. Também é comum ver os alunos tirando foto do quadro negro com máquina fotográfica e celular, o que mostra a preguiça e a chatice dentro da sala. Poucos usam realmente o notebook e os celulares para fazer anotações ou pesquisar, a maioria usa para ficar na internet durante a aula.

Mauro – Então isso é liberado dentro da sala?

Sérgio – Sim. A PUC inteira tem wi-fi grátis para os alunos. Qualquer um pode abrir o notebook e usar livremente.

Mauro – Os professores ficam chateados?

Sérgio – Não sei. Acho que não. Todo mundo faz isso. Eu nunca vi um professor pedindo para fechar um note ou parar de usar um gadget. Eles já se acostumaram.

Mauro – E os celulares tocam durante as aulas? O pessoal desliga os aparelhos?

Sérgio - Nunca vi ninguém desligar o celular. Mas quem desliga hoje em dia? O pessoal coloca no silencioso, mas às vezes alguém esquece. Quando o celular toca, as pessoas saem da sala para atender. 

Mauro – Então ninguém presta atenção?

Sérgio – Não é bem assim. Tem aulas que são boas, mas são poucas. Eu me identifico mais com um professor mais novo que se veste de forma mais despojada, dá uma aula menos estruturada e principalmente conversa com os alunos. Isso faz a aula ficar mais legal e o pessoal presta mais atenção.

Mauro – Vamos ver se eu entendi. As aulas expositivas são chatas e desinteressantes. A desatenção é geral. As melhores são as aulas interativas, onde o papo rola mais desestruturado e solto. É isso?

Sérgio – É isso mesmo.

Mauro – Você falou que este professor que você gosta se veste de maneira despojada. Pegando o gancho, o pessoal fica a vontade dentro da sala?

Sérgio – Sim. O pessoal fica largado nas cadeiras. O absurdo é que tem professor que proíbe botar o pé em cima da mesa.

Mauro – Se rola este clima à vontade, como fica o horário?

Sérgio - A maioria das aulas começa atrasada, porque o professor chega tarde ou porque não há alunos dentro da sala. É muito comum. Algumas vezes eu mesmo cheguei na sala e ao ver que estava vazia e que eu seria o primeiro a entrar, desisti e fui embora.

Mauro – E os trabalhos? Tem muita carga de trabalho?

Sérgio – Acho que tem muita. Mas a gente encontrou uma forma de facilitar. Alguns alunos criaram uma pasta compartilhada no site dropbox. E, escondido dos professores, todos compartilham trabalhos antigos e atuais, matérias relacionadas e colas em geral.

Mauro- Quer dizer que o pessoal vai no site dropbox e baixa trabalhos já feitos e entrega para os professores como se fossem novos?

Sérgio - Isso mesmo.

Mauro- E a cola rola durante as provas?

Sérgio – Nas provas que podem fazer consulta, os notebooks são permitidos. Isso faz com que todo mundo se fale à vontade pelo MSN, por alguma rede social ou qualquer outro meio que todos possam se conectar. E nem precisa ter internet, porque os notebooks e gadgets permitem se falar por bluetooth. Mas acho este negócio de prova muito velho, acho que os trabalhos deveriam ser todos em grupo.

Mauro- Os professores usam e-mails ou redes sociais para conversar com a turma fora do horário de aula?

Sérgio - Quase todos os professores interagem com os alunos através de e-mails. Eles mandam para a turma inteira de uma vez só, através do sistema da PUC. Todos os trabalhos são entregues por e-mail, poucos são entregues impressos.

Mauro- Depois disso tudo que você me contou, você acha que a sala de aula deveria terminar? Você acredita em aula remota?

Sérgio - Não existe impedimento tecnológico para que as aulas sejam remotas, porém, se isto acontecesse, acho que o interesse e rendimento dos alunos iriam cair muito. Por isso, a sala de aula ainda é o melhor ambiente, mas me sinto obrigado a comparecer.

Mauro- Qual a sua visão sobre a vida acadêmica?

Sérgio - Eu vejo que a vida acadêmica não tem nada a ver com o mundo real.

Agora imagine este adolescente numa empresa. Imagine então muitos adolescentes iguais a este no mundo corporativo. Acho que teremos grandes transformações pela frente…..

'Laranja' de Youssef pede nulidade do processo da Lava Jato




Erich Decat - O Estado de S. Paulo

João Procópio, apontado como responsável por gerenciar as contas do doleiro no exterior, alega que o juiz Sérgio Moro deve ser afastado do caso.

Leia também:
"Laranja’ de Youssef é preso em São Paulo  
 Executivo da OAS pede afastamento de juiz da Lava Jato

No documento, os advogados de Procópio alegam que o juiz Sérgio Moro deve ser considerado "impedido" ter participado como auxiliar da ministra Rosa Weber no julgamento do processo do mensalão. 

Brasília - A defesa de João Procópio, considerado como "laranja" do doleiro Alberto Youssef, apresentou na Justiça Federal, em Curitiba, resposta à acusação criminal na qual sustenta o impedimento do Juiz Sérgio Moro para conduzir o processo e pede nulidade processual. Procópio é apontado pela Polícia Federal (PF) como responsável por gerenciar as contas de Youssef no exterior. Na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, ele é enquadrado na lei que dispõe sobre os crimes de lavagem ou ocultação de bens.

No documento, os advogados de Procópio alegam que o juiz Sérgio Moro, responsável pela condução dos processos no âmbito da Justiça do Paraná, deve ser considerado "impedido" em razão de ter participado como auxiliar da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, do julgamento do processo do mensalão.

"É necessário salientar que há que ser reconhecida a existência de situação de impedimento do magistrado Sérgio Fernando Moro, eis que funcionou em fatos conexos aos que originaram as investigações da cognominada Operação Lava Jato como assessor da Ministra Rosa Weber, quando do processamento e julgamento da ação penal n.º 470 (Caso Mensalão)", afirma a defesa. "Não há dúvida que os fatos lá apurados dizem também respeito aqueles que foram e continuam sendo investigados nesta operação; vossa excelência, portanto, tomou conhecimento na qualidade de auxiliar da Justiça, em outra instância, de fatos determinantes para a investigação que culminou nesta e em inúmeras ações penais. Requer-se, portanto, seja reconhecida a situação de impedimento", acrescentam.

No pedido, a defesa de Procópio também cita uma decisão de 2010 do juiz Sérgio Moro para argumentar que ele seria "suspeito" para julgar qualquer caso envolvendo o doleiro Alberto Youssef. "De qualquer forma, é necessário que se reconheça que a situação de suspeição já declarada anteriormente em relação ao corréu Alberto Youssef deve ter seus efeitos estendidos até o presente caso. Dessa forma, os efeitos do reconhecimento da suspeição não podem ser limitados, devendo-se estender a todo e qualquer feito que envolva a pessoa de Alberto Youssef", defendem.

Em outro momento, os advogados afirmam que o processo deveria ter sido encaminhado em sua íntegra ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolver parlamentares. "Há também a necessidade de se reconhecer que os feitos originários investigaram deputado federal investido no cargo. É por demais artificial a justificativa póstuma de que o feito visava a investigação apenas de Alberto Youssef; uma simples leitura dos documentos produzidos àquela época demonstram que era de fatos dos quais José Janene participara que se tratava a investigação".

Os processos da Lava Jato foram divididos em duas frentes. Uma na primeira instância da Justiça Federal no Paraná, onde tramitam 18 ações penais conduzidas pelo juiz Sérgio Moro, além de ao menos 140 inquéritos da Polícia Federal. Nesta instância estão os réus ou investigados que não possuem o chamado foro privilegiado (ex-diretores da Petrobrás, executivos, funcionários das empreiteiras e lobistas). A outra frente terá como jurisdição o STF, prerrogativa de políticos citados nos autos.

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