quinta-feira, 4 de maio de 2017

Tribunal dispensa Lula de comparecer a depoimentos de 87 testemunhas de defesa

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não precisará comparecer às audiências em que 87 testemunhas de defesa serão ouvidas pelo juiz federal Sérgio Moro na ação penal em que é réu no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (3) pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, após pedido feito pela defesa do ex-presidente.

Leia também:

Há duas semanas, Sérgio Moro havia determinado que Lula estivesse presente durante os depoimentos de todas as 87 pessoas, dentre elas os ex-diretores da Polícia Federal Luiz Fernando Correa e Paulo Lacerda, além do ex-ministro da Controladoria-Geral da União Jorge Hage.

De acordo com o juiz federal Nivaldo Brunoni, que aceitou o habeas corpus da defesa de Lula em substituição ao desembargador João Pedro Gebran Neto, o acompanhamento pessoal do réu em audiências de testemunhas é “mera faculdade legal” e pode ser feito pela própria defesa, “sobretudo” quando o réu não reside “no local da sede do juízo onde tramita o processo.”


Ao aceitar a solicitação do advogado Cristiano Zanin Martins, Brunoni também lembrou que o juiz poderia recusar a realização de provas que se mostrarem irrelevantes ou protelatórias. “Não haveria óbice à limitação do número de testemunhas pelo magistrado. Não é razoável exigir a presença do réu em todas as audiências de oitiva de testemunhas, podendo o ex-presidente ser representado pelos advogados”, afirmou o juiz, na decisão.

MEC redefine composição do Fórum Nacional de Educação; entidades criticam


O Ministério da Educação (MEC) redefiniu a composição do Fórum Nacional de Educação (FNE), incluindo órgãos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ligado à própria pasta, e excluindo outros, como a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), representantes da sociedade civil.

Leia também:

Entidades ligadas à educação consideraram a medida arbitrária e inadmissível, mas o MEC diz que a alteração evita que discussões político-partidárias interfiram na política educacional do país.

A portaria com as mudanças foi publicada no último dia 28, no Diário Oficial da União. O FNE foi criado em 2010, com as atribuições de coordenar as conferências nacionais de Educação e promover a articulação das conferências com as conferências regionais, estaduais e municipais que as precederem.

Outra função é acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionada em 2014, que fixa metas para melhorar a educação até 2024. Uma das metas é investir, anualmente, pelo menos o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas pelo país) em educação até 2024. Atualmente, o setor educacional recebe o equivalente a 5,3% do PIB.

Por meio de nota, 21 entidades da sociedade civil criticaram as mudanças feitas pelo MEC. “Em análise preliminar, percebe-se a intenção do governo de restringir a participação das atuais representações, excluindo entidades representativas de segmentos essenciais — como o campo, a pesquisa em educação e o ensino superior”, diz o texto.

“De forma autoritária e centralizada, toma o ministro para si a responsabilidade de “arbitrar” quem entra e quem sai do FNE, passando por cima dos regulamentos e procedimentos que dispõem sobre ingresso de entidades, sob a exclusiva avaliação do Colegiado do Pleno do FNE”, acrescenta.

Consultado, o MEC diz, também por meio de nota, que “corrigiu distorções claras" em medidas adotadas durante o governo Dilma Rousseff (2011-2016). Segundo a pasta, em portaria publicada em 2014, a gestão anterior incorporou ao FNE “representações de segmentos que já estavam representados, criando uma sobreposição, com a intenção de ampliar o número de votos nas decisões do fórum e fortalecendo o viés político-partidário”.

“A atual gestão do MEC determinou a volta da composição original do FNE e agregou representações relevantes que estavam fora”, diz a nota do ministério. O FNE  “está mantido e fortalecido, representado por diversos segmentos”, conclui a nota.

Conferência Nacional de Educação
Alguns dias antes de alterar a composição no FNE, o MEC publicou uma portaria redefinindo a convocação da 3ª Conferência Nacional de Educação (Conae).  Pela nova portaria, a Conae, que seria realizada no primeiro semestre, portanto, antes das eleições, poderá ser adiada.

“As medidas não foram discutidas com o conjunto das entidades do FNE, nem tampouco com o coordenador do FNE, conforme estabelecem as normatizações em vigor e a cultura anterior recente de relacionamento respeitoso com as entidades nacionais representativas do setor educacional”, dizem as entidades que criticam a decisão do MEC.

A atual coordenação do FNE acionou a Procuradoria Federal dos Direitos ao Cidadão do Ministério Público Federal.

“Convém ressaltar nosso desapontamento adicional já que, para a mesma data em que o decreto é firmado (26/04/2017), havia previsão de reunião entre a Secretaria Executiva do MEC e membros do FNE, agendada com bastante antecedência, conforme a conveniência da própria Secretaria do MEC. Seria uma reunião, fundamental, para tratar de encaminhamentos relativos à Conae, que foi abruptamente cancelada sem maiores esclarecimentos e informações aos interessados, tampouco proposta outra alternativa que respeitasse a deliberação do coletivo do FNE em reunião de 29 do mês passado”, diz o FNE no relato ao órgão.

“Com uma ação desse tipo de parte do Poder Público, unilateral, nada dialogada, sem perspectiva de futuro, também Estados, Distrito Federal e municípios ficarão inseguros acerca do planejamento e realização da Conae, prejudicando processos de participação e avaliação, previstos em lei”, acrescenta o Fórum.

O MEC diz que a atual gestão alterou um decreto publicado em 9 de maio de 2016, “às vésperas do afastamento da então presidente Dilma Rousseff, que determinava que a Conae 2018 fosse realizada no primeiro semestre daquele ano, em uma clara intenção de criar uma mobilização com vistas à eleição de 2018”.


De acordo com o ministério, o calendário também criava dificuldades para estados e municípios que, de acordo com a Lei 13.005 de junho de 2014, precisariam realizar conferências locais antes da nacional. “O MEC, então, decidiu ampliar o prazo para até o fim de 2018. Com isso, será possível que municípios e estados cumpram suas conferências a tempo e, também, que a Conae 2018 seja realizada com maior planejamento e sem interferência político-partidária.”

Líder do governo fala em convencer base para aprovar reforma da Previdência

O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse hoje (3) que a base aliada começará um processo de convencimento e esclarecimentos dos parlamentares e da sociedade sobre a reforma da Previdência (PEC 287/16). Segundo o líder, a partir da aprovação do projeto substitutivo na comissão especial, haverá um “tempo necessário” para “tirar dúvidas” antes de a matéria ser analisada pelo plenário.

Leia também:

“Nós teremos aí um prazo de alguns dias para convencimento da base e também para esclarecimento da sociedade. Isso pode durar uma, duas, três semanas. Não quero estipular uma data, mas é o tempo necessário para que todas essas dúvidas estejam dirimidas na base e que haja um ambiente de convencimento dentro da Casa para aprovação da matéria, que é uma matéria com quórum qualificado”, disse o deputado.

Segundo a legislação da Casa, para aprovar uma proposta de emenda à constituição na Câmara são necessários, pelo menos, 308 votos favoráveis, o que corresponde a três quintos do total de deputados. Aguinaldo reconheceu que o assunto é complexo e tem muitos detalhes que podem “impactar a convicção” dos parlamentares.

O líder admitiu ainda que o texto pode ser alterado para facilitar a aprovação na Câmara. “O que está se colocando é construir um texto que se aprove. (….) Essa Casa é um ambiente de conversa e negociação. A gente está trabalhando pra manter o que foi construído dentro das bases da reforma e isso foi preservado. Alguma modificação de texto que esse colegiado julgue importante conter, a Casa é soberana para decidir sobre isso. Essa construção vai ocorrer no momento oportuno, no plenário”, afirmou.

Com o atraso na conclusão dos trabalhos da comissão especial, as sugestões de mudanças no relatório final apresentado pelo relator Arthur Maia (PPS-BA) serão analisadas na próxima terça-feira (9). Segundo Aguinaldo, há um acordo para que os destaques ao projeto sejam rejeitados na comissão e apreciados novamente quando o projeto estiver no plenário.

Entre os destaques rejeitados, está o requerimento para que se incluam os agentes penitenciários no grupo que terá acesso à aposentadoria especial, com idade mínima reduzida. A exclusão da categoria do grupo especial motivou a manifestação dos agentes, que ontem (3) invadiram o plenário da comissão especial e interromperam o processo de votação das emendas ao parecer do relator.

Oposição
Para o líder do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), a manifestação de ontem é “sintoma” de que a sociedade não aprova a reforma. “Existe uma reação da sociedade, ontem tivemos um exemplo disso. Os agentes penitenciários rebelados invadiram a sala da reunião, isso é um sintoma do que está acontecendo na sociedade. A revolta popular contra essa proposta é muito grande”, afirmou.


Zarattini acredita que o governo terá dificuldades para aprovar a reforma no plenário. “Ontem, se o governo não tivesse feito uma operação, um verdadeiro tapetão, para substituir seis deputados na comissão especial, o governo teria sido derrotado, o que demonstra claramente que o governo não tem votos pra aprovar aqui a reforma da Previdência”, declarou.

Análise de destaques da reforma da Previdência fica para terça-feira


O presidente da comissão especial que analisa a reforma da Previdência na câmara, deputado Carlos Marun (PMDB-MS), disse hoje (4) que retomará os trabalhos da comissão na próxima terça-feira (9). Segundo Marun, todos os destaques devem ser votados na própria terça. A comissão ainda precisa avaliar dez dos 13 destaques apresentados pelas bancadas.

Leia também:

Ontem (3), a comissão aprovou o texto-base da reforma e, em seguida, começou a analisar os destaques da proposta. No entanto, o plenário foi invadido por um grupo de agentes penitenciários e a sessão foi encerrada. Os agentes queriam que a categoria fosse incluída no grupo de aposentadoria especial para policiais, com limite de idade reduzido para 55 anos. Os membros da comissão, no entanto, retiraram  essa possibilidade.

Os agentes pleiteiam o direito de acesso ao benefício da aposentadoria com limite de idade reduzido assim como foi feito com os policiais federais e, posteriormente, com policiais legislativos que trabalham no Congresso Nacional.

Para Marun, a reivindicação é justa, dado o alto grau de risco a que estão submetidos os agentes penitenciários em sua rotina de trabalho. Mas, a forma como foi feito o pedido foi determinante para a exclusão dos agentes da reforma.

“Ontem houve um debate que, estava sendo passada à sociedade uma mensagem de que o quebra-quebra promovido no Ministério da Justiça teria sido determinante para a inclusão dos agentes. Então, a mensagem que passamos é: na marra não vai. Não é possível. A liberdade do voto do parlamentar é condição imprescindível para a própria existência do Estado de Direito e da democracia”, afirmou.

Marun disse ainda que acha possível que o pleito seja atendido por emenda no plenário. “Se as coisas se acalmarem, até porque acho o pleito justo, eu vejo caminho para que isso possa, no plenário, ter um resultado favorável. Mas  repito: na marra não vai”, ressaltou.


Sobre a segurança do Congresso, Marun afirmou que o esquema deve ser avaliado e que os trabalhos da comissão teriam sido concluídos se o esquema tivesse realmente funcionado.

Operação da PF combate crime de exploração sexual de venezuelanas em Roraima


Com objetivo de combater um esquema criminoso de exploração sexual de venezuelanas em Roraima, a Polícia Federal (PF) deflagrou hoje (4) a Operação Codinome. Durante a ação, três pessoas foram presas em flagrante pelos crimes investigados.

Estão sendo cumpridos ainda 46 mandados judiciais, 25 de busca e apreensão e 21 conduções coercitivas em Boa Vista e nos municípios de Rorainópolis, São Luís, Caroebe, Alto Alegre, Iracema e Mucajaí.

Segundo a PF, os proprietários de casas noturnas investigados se aproveitavam da situação de vulnerabilidade econômica em que se encontram as venezuelanas e as atraíam oferecendo alimentação e alojamento em quartos dos bares.

Em troca, as mulheres deveriam fazer programas sexuais, proporcionando lucro aos donos do comércio. Alguns proprietários de bares permitiam que elas realizassem programas em outro local, mas eram obrigadas a entregar o dinheiro diretamente a eles.


O nome da operação (Codinome) remete à preservação da identidade das vítimas, que usam nomes fictícios com os clientes. Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico de pessoas, manutenção de casa de prostituição e rufianismo (busca do lucro por meio da exploração de prostituição alheia).

Nova fase da Lava Jato tem como foco três ex-gerentes da Petrobras


A Polícia Federal, a pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR), cumpre hoje (4) mandados de prisão temporária, busca e apreensão e condução coercitiva em nova fase da Operação Lava Jato.

Leia também:

A ação tem como foco principal três ex-gerentes da área de Gás e Energia da Petrobras, suspeitos de receber mais de R$ 100 milhões em propina de empreiteiras que eram contratadas pela estatal, além de operadores financeiros que utilizaram empresas de fachada para intermediar os pagamentos irregulares.

São investigados os crimes de fraude em licitação, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os crimes referem-se a mais de uma dezena de licitações de grande porte da Petrobras, que foram fraudadas pelo grupo criminoso.

Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, de acordo com as investigações, mediante o pagamento de vantagem indevida, os ex-gerentes agiam para beneficiar empreiteiras em contratos com a Petrobras, direcionando as licitações para as empresas que integravam o esquema.

Os pagamentos eram intermediados por duas empresas de fachada que simulavam prestação de serviços de consultoria com as empreiteiras e repassavam as vantagens indevidas para os agentes públicos corruptos por três formas: pagamentos em espécie; transferências para contas na Suíça; e pagamento de despesas pessoais dos ex-gerentes.

As apurações basearam-se em provas obtidas por meio de quebras de sigilo telemático, bancário e fiscal dos envolvidos e em depoimentos de outros ex-gerentes da Petrobras e empreiteiros que firmaram acordos de colaboração com o Ministério Público Federal.
Os colaboradores relataram ainda que os pagamentos de propina prosseguiram até junho de 2016, mesmo após a deflagração da Operação Lava Jato e a saída dos empregados de seus cargos na Petrobras.

Dentre esses, destaca-se o depoimento de Edison Krummenauer, ex-gerente de Empreendimentos da área de Gás e Energia da estatal petrolífera, que reconheceu ter recebido aproximadamente R$ 15 milhões de propina nesse esquema.

O procurador regional da República Orlando Martello, integrante da força-tarefa Lava Jato do MPF-PR, disse que o esquema criminoso instalado na Petrobras ainda não foi integralmente desfeito. "A divisão das vantagens ilícitas e os próprios pagamentos de propina continuam a ocorrer mesmo após o desligamento dos agentes públicos da Petrobras, e permanecem ativos mesmo após tanto tempo de investigação."

De acordo com Martello, isso demonstra que ainda são necessárias medidas extremas para interromper a prática de tais crimes. Para o procurador, são "perfeitamente justificáveis" as prisões feitas no decorrer da operação.

Lavagem de dinheiro no repatriamento de valores
Para dissimular a origem de ilícita e esquentar aproximadamente R$ 48 milhões provenientes do recebimento de propina mantida em contas ocultas nas Bahamas, um dos ex-gerentes envolvidos valeu-se das benesses da regularização cambial de ativos ocultos mantidos no exterior, recentemente instituída pela Lei 13.254/2016.

Segundo o MPF, por intermédio desse procedimento, o investigado regularizou a entrada dos recursos ilícitos mantidos no exterior, alegando que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel. "É um fato gravíssimo, pois mostra que a lei de regularização cambial institucionalizou a lavagem de dinheiro dos ativos mantidos no exterior”, afirmou o procurador da República Diogo Castor, também integrante da força-tarefa Lava Jato em Curitiba.


Nesse sentido, segundo o despacho do juiz federal Sérgio Moro, “apesar da tentativa de regularização dos ativos mantidos no exterior, as benesses da Lei nº 13.254/2016 não se aplicam se eles têm origem em crimes contra a administração pública”.

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi