sábado, 1 de agosto de 2015

Professor de sociologia da aula de política e democracia para apresentador da Globo

Professor de sociologia da aula de política e democracia para apresentador da Globo

O convidado estraga a festa e diz na Globo tudo o que ela não queria ouvir nem dizer!

Um professor de História deu uma aula ao vivo de política e democracia para apresentadores de telejornal da TV Globo do ES e não cedeu aos clichês forçados do Hard News. O constrangimento por parte dos jornalistas é nítido.

Veja o vídeo no final desta postagem. Imperdível!

Vitor Amorim de Angelo que é doutor em ciências políticas e professor de sociologia.

JG - O senador disse ai: “O executivo é a locomotiva da corrupção e agora o legislativo também são os vagões” é... Como é que o senhor viu os protestos? E como é que o senhor viu a resposta ontem da presidente Dilma?

VA - Essa imagem da locomotiva é uma boa imagem, eu só não sei se ela reflete a realidade, dado que a corrupção ela é, não só uma velha senhora, como disse a presidente Dilma Rousseff ela está entre nós ha muito tempo, e como ela não está só no executivo. A operação Lava Jato mostra uma série de parlamentares acusados agora de estarem envolvidos em desvio de corrupção e outros crimes que este problema não ataca somente o congresso nacional, mas também o executivo, e não somente o executivo e o legislativo no plano federal, mas se a gente for olhar possivelmente também nos estados e também nos municípios. Não só na política, mas também na sociedade, não só na iniciativa pública, mas também na privada, ou seja, quando a gente olha esse problema com olhar complexo porque ele é um problema complexo podemos ver que a corrupção está disseminada por todo lugar do nosso país. Do meu ponto de vista dizer isso não significa diminuir a culpa de ninguém ou dizer que o problema é insolúvel, mas apenas tratar um problema complexo da maneira que ele merece ser tratado, porque, quando a gente coloca a ênfase somente no poder executivo nós acabamos mascarando o problema em outras esferas e em outros espaços.

JG - O ministro do governo disse logo no domingo que as pessoas que participaram das manifestações foram pessoas que não votaram na presidente Dilma. Hoje a Miriam Leitão no seu artigo diz que não é bem por aí, que é só pegar um dado estatístico que hoje a popularidade da presidente é muito menor do que a votação que ela teve, ou seja, não foi só quem não votou na Dilma que participou do protesto. E o senhor, concorda com a Miriam ou concorda com o ministro?

VA - Concordo com o ministro, mas não é uma questão de opinião concordar com ele, ontem mesmo eu tive acesso a uma pesquisa feita por um cientista político da universidade de São Paulo onde ele fez uma pesquisa com amostra aleatória em São Paulo, portanto tem seu limite porque foi em São Paulo apenas, mas é significativa dado que a manifestação de São Paulo foi a mais numerosa do país segundo cálculos da PM, e essa pesquisa realizada por esse cientista político mostra que, dos que foram entrevistados apenas 2% de fato votaram em Dilma Rousseff, onde boa parte, 80% votaram, ou em Aécio ou em Marina, então de fato os que estavam ali não eram apenas os eleitores de Aécio, eles eram também eleitores de Marina, pensando aqui no primeiro turno, mas certamente eles não eram eleitores de Dilma. A democracia, é bom lembrar, é um regime de confiança e não de adesão, portanto não é uma opção aderir ou não a um resultado, então se você elege alguém e esse alguém não vence isso não pode dar razão a alguns adesivos que aa gente vê pela cidade que diz a culpa não é minha porque eu não elegi a Dilma. Ok a culpa não é sua porque você não elegeu a Dilma, mas você faz parte desse sistema político da qual ela é a presidente da República, e o inverso também é verdadeiro, você venceu, mas não pode deixar de governar para aqueles que não te elegeram.

JG - Pelo que o senhor está dizendo, pelo seu raciocínio, isso não desqualifica a manifestação e o volume das pessoas que foram às ruas pelo fato da maioria não ter votado na presidente e, essa é uma manifestação legítima.

VA - A presença destas pessoas nas ruas é sim perfeitamente legitima e de alguma maneira até salutar para a democracia, e você não pode como governo ignorar a presença expressiva de uma parcela da população brasileira que foi às ruas.

JG - Ontem na entrevista coletiva a presidente disse que não estava num confessionário para fazer nenhum tipo de confissão e perguntaram sobre algum erro do governo onde ela disse que pode ter errado, mas citou só o FIES. Ela não citou a Petrobras e a gente vê aí o escândalo que envolve a Petrobras. E essa falta de reconhecimento do governo, o fato de os dois maiores escândalos de corrupção do país, o mensalão e agora o petrolão acontecer durante o governo PT, isso de certa forma associa também a imagem do partido à corrupção? Porque o PT tá no governo quando isso tudo estourou e, cabia principalmente ao executivo impedir que isso acontecesse?

VA - Isso é, acho que você toca em alguns pontos interessantes, associa o caso ao partido, muito embora quando a gente vai olhar o que se passou isso não necessariamente começou com o partido nem se reduz exclusivamente ao período em que o partido está no governo.

JG - Esses dois escândalos justamente quando o PT estava no governo, o senhor acha que isso faz com que a população associe? Porque não cabia então ao executivo, principalmente o executivo podia acabar com esse escândalo da Petrobras e impedir que isso acontecesse, da mesma forma o mensalão?

VA - O que eu estou tentando dizer é que num olhar um pouco mais refinado a gente não pode reduzir a corrupção apenas ao PT, reduzir tudo isso ao governo do PT é de fato um reducionismo.

JG - É e acho que a gente entendeu e o senador Ricardo Ferraço disse aqui em entrevista, o congresso inteiro têm que fazer uma mea culpa e analisar bem, porque se algum partido aceita um cargo para depois repartir recursos é porque também está sendo conivente, está sendo complacente com tudo aquilo.

Veja o vídeo abaixo. Imperdível!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Vídeo mostra como Eduardo Cunha exigiu os US$5 milhões




O Conversa Afiada recebeu o vídeo com o depoimento do delator premiado Júlio Camargo ao juiz Moro da Vara de Guantânamo.

Aos 6’20, Júlio diz que o Eduardo Cunha o estava pressionando violentamente.
Aos 16’50, Júlio diz que Eduardo Cunha não queria conversa, queria receber.

Aos 7’45, deputada federal Solange faz um requerimento ao Ministério das Minas e Energia para ferrar a empresa de Júlio e o próprio Júlio.

Aos 12’46, ao tomar conhecimento do requerimento da deputada Solange o ministro Lobão reage: Isso é coisa do Eduardo.

E liga para Eduardo na frente de Júlio Camargo.

“Você está louco? Estou aqui com o Júlio”.

A partir dos 14’22, Júlio Camargo descreve o achaque. Ele se encontrou em um domingo, num edifício comercial do Leblon, na zona sul do Rio.

Eduardo Cunha exigiu US$5 milhões. Disse que Júlio estava demorando a pagar e ele não tinha mais como aguardar.

“Quero o meu imediatamente”.

Aos 23’10, Júlio diz ao juiz Moro que é preciso muito cuidado com Eduardo Cunha já que é um homem que ameaça através de terceiros e que disse que tinha 260 deputados sob o seu comando.


terça-feira, 28 de julho de 2015

A marcha dos insensatos e a sua primeira vítima


Dados do Banco Mundial e do FMI mostram que foi no governo de FHC que a renda per capita e o PIB caíram e a dívida pública líquida quase dobrou, o que esvazia argumentos de que governo atual está quebrando o país.

por Mauro Santayana - Publicado originalmente no Jornal do Brasil

Segundo os chamamentos que estão sendo feitos neste momento, no WhatsApp e nas redes sociais, pessoas irão sair às ruas, no domingo, porque acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.

Se estes brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de US$ 534 bilhões, em 1994, caiu para US$ 504 bilhões quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.

Para subir, extraordinariamente, destes US$ 504 bilhões, em 2002, para US$ 2 trilhões, US$ 300 bilhões, em 2013, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.

E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.

Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial, caiu de US$ 3.426, em 1994, no início do governo, para US$ 2.810, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de US$ 2.810, para US$ 11.208, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.

O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia US$ 108, caiu 23%, para US$ 81, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de US$ 250, hoje, também depois que o PT chegou ao poder.

As reservas monetárias internacionais – o dinheiro que o país possui em moeda forte – que eram de US$ 31,746 bilhões, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para US$ 37.832 bilhões nos oito anos do governo FHC.

Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de US$ 40 bilhões com o FMI.

Depois, elas se multiplicaram para US$ 358,816 bilhões em 2013, e para US$ 369,803 bilhões, em dados de ontem, transformando o Brasil de devedor em credor, depois do pagamento da dívida com o FMI em 2005, e de emprestarmos dinheiro para a instituição, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.

E, também, no quarto maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano. –(http://www.treasury.gov/ticdata/Publish/mfh.txt).

O Investimento Estrangeiro Direto (IED), que foi de US$ 16,590 bilhões, em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para US$ 80,842 bilhões, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial, passando de aproximadamente US$ 175 bilhões nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para US$ 440 bilhões depois que o PT chegou ao poder.

A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.

Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 – segundo Ipeadata e o Banco Central – nos governos do PT.

E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha – cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” – ou o Canadá.

Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo o Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20.

Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, há poucos dias, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.

Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola – ou da "cachola" – o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem-sucedido.

Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo domingo: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa – supostamente maravilhosa – “herança” de Fernando Henrique Cardoso, colocando em risco as conquistas de seu governo.

O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.

Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, que faz com que estejamos crescendo pouco, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos do que nós.

Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos.

Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002 era a 14ª maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.

Em pleno bombardeio institucional – Dilma Rousseff foi vaiada em uma feira de construção em São Paulo, apesar de seu governo ter financiado a edificação de dois milhões de casas populares – e às vésperas da realização de manifestações pedindo o impeachment da Presidenta da República, sua assessoria preparou um discurso, para a sua estreia em rede nacional de rádio e televisão, no segundo mandato, rico em lero-lero e pobre em informações.

O grande dado econômico dos “anos PT” não são os US$ 370 bilhões de reservas monetárias, que deveriam, sim, ter sido mencionados, ao lado do fato de que eles substituem, hoje, os 18 bilhões que havia no final do governo FHC, exclusivamente, por obra e graça de um empréstimo de 40 bilhões do FMI, que foi pago em 2005 pelo governo Lula.

Nem mesmo a condição que o Brasil ocupa, agora, segundo o próprio site oficial do tesouro norte-americano, de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.

Mas o fato de que o PIB, apesar de ter ficado praticamente estagnado em 2014, saiu de US$ 504 bilhões em 2002, para US$ 2 trilhões e 300 bilhões, em 2013, com um crescimento de mais de 400% em 11 anos, performance que talvez só tenha sido ultrapassada, nesse período, pela China.

E, isso, conforme, não, o IPTE – como está sendo apelidado o IBGE pelos hitlernautas de plantão nas redes sociais – mas segundo estatísticas da série histórica do site oficial do Banco Mundial. Faltou também dizer que não houve troca de dívida pública externa por interna, já que, no período, a dívida pública líquida caiu de quase 60% do PIB, em 2002, para aproximadamente 35%, agora, depois de ter praticamente duplicado no governo Fernando Henrique, com relação ao final do governo Itamar Franco.

Há outros dados que poderiam negar a tese de que o país inviabilizou-se, economicamente, nos últimos anos, como o aumento do salário mínimo de US$ 50 para mais de US$ 250 em menos de 12 anos, ou a produção de grãos e de automóveis ter praticamente duplicado no período.

É claro que o PT cometeu erros graves, como estimular a venda de carros sem garantir a existência de fontes nacionais de combustíveis, gastando bilhões de dólares no exterior na compra de gasolina, quando poderia ter subsidiado, em reais, a venda de etanol nacional no mercado interno, diminuindo a oferta de açúcar no mercado internacional, enxugando a disponibilidade e aumentando os ganhos com a exportação do produto.

Ou o de dar início a grandes obras de infraestrutura – de resto absolutamente necessárias – sem se assegurar, antes, por meio de rigoroso planejamento e negociação, que elas não seriam interrompidas dezenas de vezes, como foram.

Quem quiser, pode encontrar outros equívocos, que ocorreram nestes anos, e que poderiam ter sido corrigidos com a participação de outros partidos, até mesmo da base "aliada", se sua "colaboração" não se limitasse ao interesse mútuo na época das campanhas eleitorais, e à chantagem e ao jogo de pressões propiciados pelos vícios de um sistema político que precisa ser urgente e efetivamente reformado.

Mas o antipetismo prefere se apoiar, como Goebbels, na evangelização de parte da opinião pública com mentiras, a apontar os erros reais que foram cometidos, e debruçar-se na apresentação de alternativas que partam do patamar em que o país se encontra historicamente, agora.

Soluções que extrapolem a surrada e permanente promoção de receitas neoliberais que se mostraram abjetas, nefastas e indefensáveis no passado, e a apologia da entrega, direta e indireta, do país e de nossas empresas, aos interesses e ditames estrangeiros. No discurso do governo – súbita e tardiamente levado a reagir, atabalhoadamente, pela pressão das circunstâncias – continua sobrando "nhenhenhém" e faltando dados, principalmente aqueles que podem ser respaldados com a citação de fontes internacionais, teoricamente acima de qualquer suspeita, do ponto de vista dos "analistas" do "mercado". Isso, quando o seu conteúdo – em benefício, principalmente, do debate – deveria ser exatamente o contrário.

sábado, 25 de julho de 2015

As Urnas eletrônicas são bem menos fraudáveis do que a consciência de muitos


Por Dag Vulpi

Eu estou pensado em escrever um artigo que esclareceria de uma vez por todas essa celeuma que envolve as urnas eletrônicas e as acusações de fraude que as cercam. Mas ao mesmo tempo eu fico imaginando se valerá a pena eu me debruçar sobre esse teclado e digitar durante 20 minutos ou mais, onde, terei que, em respeito aos meus princípios e aos meus leitores, focar exclusivamente em fatos reais, porém ter a certeza de que depois irei perceber que muitos já estarão cuspindo maribondos mesmo sem ter lido o texto, ou na íntegra, ou com a atenção que mereceria, ou ainda, caso leiam com a devida atenção, suas interpretações estarão contaminadas por seus vieses de confirmação.

Ao pensar nessas hipóteses me veio à memória duas situações que, apesar de distintas, sintetizam bem essa ideia.

A primeira lembrança que tive foi relacionada aos livros de cânticos que são entregues nas entradas das igrejas. Explico.

Quando vou à missa percebo que na entrada da igreja ficam aquelas senhorinhas entregando aqueles livretos onde, com todo o carinho elas os organizaram, chegaram a fazer reunião num dos dias da semana para certificarem-se de que tudo sairá nos conformes para os momentos exatos em que os cânticos serão entoados durante a missa. Pois bem, quando finalmente chega o momento para os livretos serem usados, que é quando o celebrante avisa, “abram todos o livro de cânticos na página x” ocorre algo inusitado, ao menos para mim, pois, a maioria das pessoas já conhecem os louvores, portanto, abrem o livreto na página determinada mas se quer lançam os olhos sobre sua letra, afinal não há necessidade para isso e, aqueles que não sabem a letra do louvor, que na maioria das vezes é o meu caso,  acabam por ler a letra mas esquecerem-se de entoá-lo em alto e bom som. Resumindo, todo aquele trabalhão feito com tanto carinho por aquelas senhoras acabam sendo em vão.

Outra lembrança que tenho sempre que me disponho a escrever um texto para postar, seja no meu blog ou no grupo que administro no Facebook, é a de uma passagem que vivi logo no inicio de minha carreira profissional.

Naquela ocasião eu tinha meus tenros 19 anos e fui admitido para trabalhar no extinto banco Nacional, banco esse que pertencia ao saudoso Jose de Magalhães Pinto. Muito bem, estando eu com apenas alguns meses de trabalho naquela instituição financeira na função de escriturário, comecei a observar algumas deficiências que, como é normal em quase toda empresa, passava despercebida por aqueles que ali trabalhavam há muito tempo, esse é um “fenômeno” normal, pois é inerente ao ser humano se adequar ao meio em que vive. Porém, como eu estava quase me formando em administração na época, resolvi tentar implantar na pratica do meu trabalho tudo o que eu havia aprendido na teoria das salas de aula.

Peguei minha velha olivetti e passei para o papel todas as minhas ideias de melhorias que eu considerava pertinentes a serem implantadas naquela agencia. Depois de muito tempo e umas seis páginas digitadas, consegui transferir para o papel todas as ideias pré-concebidas.

Naquela manhã, quando o Sr. Lourival Lourenço, que era nosso gerente de serviços chegou, eu fui até sua sala e perguntei se ele teria alguns minutinhos para ouvir umas ideias que eu havia tido para a melhoria da nossa agência. Prontamente ele disse que sim, pediu para que a dona Cristina trouxesse dois cafezinhos e mostrando-se muito interessado pediu para que eu falasse sobre elas. Aí eu falei que faria um breve resumo de todas as ideias que eu tinha e ele falou que estava ótimo para ele. Pois bem, falei superficialmente sobre as propostas e ele mostrou-se muito interessado, extasiado diria eu. Ao final ele levantou-se, bateu nas minhas costas e disse: Dagmar, você é um jovem de futuro nessa instituição. Por favor, passe essas ideias para o papel que eu as levarei para o nosso gerente geral, mas de antemão posso garantir-lhe que, se não em sua totalidade, pelo menos 90% do que você sugeriu será implantado, não somente nessa, mas em todas as demais agencias Brasil afora, pois essas são deficiências generalizadas dessa instituição.

No outro dia logo cedo eu fui até a sala do gerente de serviço, e deixei sobre a mesa o envelope com as seis páginas endereçadas ao Sr. Lourival Lourenço. Ele chegou no horário costumeiro, cumprimentou todos e foi para sua sala. Eu já havia terminado de fazer a soma dos cheques da compensação do dia anterior, que era minha primeira atividade do dia, depois que a agencia abria meu trabalho era o de atualizar em tempo real todas as movimentações feitas nas contas dos nossos clientes. Isso mesmo era tudo feito manualmente, não existiam computadores, e as contas correntes eram controladas em papel cartolina onde constavam cinco colunas. A primeira era a da data, a segunda do histórico, a terceira dos créditos, a quarta dos débitos e finalmente a quinta, era onde ficavam os saldos. Isso tudo era feito manualmente.

Pois bem, passaram-se algumas horas, o gerente de serviço já havia entrado e saído umas 50 vezes de sua sala, mas nada de me procurar. E assim foi até o horário de fechamento da agencia. Quando todos já haviam se retirado, ele sempre era o último a sair, eu o esperava logo na saída. Lá veio ele, com um semblante sério, como sempre e, ao me ver perguntou o que havia acontecido. Como ele não mencionou nada sobre o que havíamos tratado no dia anterior eu me antecipei e perguntei-lhe o que ele havia achado das ideias. Ele respondeu que começou a ler, mas como era muita coisa pediu para que eu fizesse um resumo e entregasse para ele no outro dia. Pois bem, sai dali às pressas e fui para a faculdade, cheguei em casa por volta das 23:00 hs. Tomei um banho e de volta à minha velha olivetti consegui reduzir de  6 para 3 as folhas.  No outro dia logo cedo se seguiu o mesmo ritual de sempre, eu chegava até a agência, batia meu cartão tomava um cafezinho rápido e ia até a tesouraria pegar o chumaço de cheques para conferir a compensação. Depois de umas duas horas, quando o banco abria para os clientes lá ia eu de volta para o controle das contas correntes. Lá pelas tantas o Sr. Lourenço me chamou até a sua sala e lá fui eu todo animado, chegando lá ele pediu os tradicionais 2 cafezinhos para a dona Cristina, mandou que eu me sentasse e disse: “Dagmar, suas ideias são muito interessantes, mas eu preciso que você me faça um favor. Faça um novo resumo, mas coloque somente aquilo que conversamos no primeiro dia”.

Resumindo, de que valeriam minhas ideias, ou melhor, do que valeu todo o meu trabalho em chegar da faculdade depois de um dia estressante e detalhar em seis folhas colocando tim tim por tim tim cada um dos passos para a instalação de melhorias se, no fundo, nada do que eu havia dito teve alguma importância para o gerente.

E assim também acontece por aqui. De que adiantará eu tentar provar que quase tudo o que é dito sobre as fraudes nas urnas eletrônicas são fantasias daqueles que ainda não aceitaram a derrota?


Quem daria o golpe? Quando e como?


A oposição dos tempos atuais não sabe fazer oposição, até por ausência de competência e por nojo à democracia. Quer o poder e sabe-o inatingível por caminhos legais. Essa oposição golpista contou sempre com o apoio da imprensa, a escrita, a falada e a imaginada. O ruído provocado por ela atinge mais de 100 decibéis, que são completados com os famosos bater-as-panelas, nas coberturas dos apartamentos de abrigam o luxo das elites. Do que se sente falta? Da voz de autoridade que brade: moleques, ponham-se no lugar que lhes cabe, não golpe porque nós não queremos.

A História que se repete: Vargas eleito, Carlos Lacerda pregou o golpe. Dilma Rousseff reeleita, Aécio Cunha, FHC e seguidores pedem um terceiro turno, pregam um “golpe democrático”, ridículo em si, mas que não dispensa aponta-lo enquanto tal. O PSDB, sob a inspiração da ausência de escrúpulos de Jose Serra, não tem pejo em vestir-se de União Democrática Nacional-UDN, a que, por ser golpista, tornou-se a “vivandeira” dos quartéis. E por ai até que concordamos todos: não há mais disponibilidade de tanques de guerra, nem mesmo de fantasias de vacas fardadas, como as que se ostentaram em 1964.


Mas o que o PSDB/UDN não apreendeu ainda: essa elite anacrônica não representa mais o capital internacional, os banqueiros e os empresários, e nem a autoridade imperial dos Estados Unidos. Ela é exatamente o anacronismo que a Constituição de 1988 permitiu sobreviver. Alienados, os golpistas enxergam uma Presidente enfraquecida, a ser defenestrada por um simples sopro intestinal. Será assim?

Em diferentes momentos, o STF mostrou-se parcial e disposto a golpear a fundo o PT e os que o representam. Houve a sinfonia macabra, regida por um condutor catatônico. Ele não está mais e os seus sucessores, figuras infelizmente desconfiáveis, não possuem o mesmo grau de atrevimento. O ministro Mello não mostra insolência e reconhece a legitimidade do mandato outorgado pelo povo a Dilma Rousseff. Por certo, há um Gilmar Mendes, a cada dia mais andorinha só, a que não faz verão.

E a ameaça de reprovação de contas de campanha? Lembre-se o 10 de dezembro de 2014: A prestação de contas da campanha da candidata reeleita pelo PT à Presidência, Dilma Rousseff, foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após julgamento que se estendeu por quase quatro horas na noite desta quarta-feira (10), por unanimidade, os ministros da Corte consideraram não ter havido falhas suficientes na documentação apresentada para reprovar as contas.

Bem, e o julgamento das “pedaladas” pelo TCU? Haja paciência. O TCU é uma repartição pública, prestigiada apenas pela imprensa. Hoje tem a presidência de Aroldo Cedraz, político pequeno, menino de recados de Antônio Carlos Magalhães. Não há mais o que comentar sobre isso, depois da fala de um senador da República, membro do PSDB. Tasso Jereissati, sobre tal figura, depois de ter ela cometido a ousadia de não atender a uma convocação da Casa:

“Aroldo Cedraz não está apto a ser presidente do TCU”. Ainda de acordo com o parlamentar, o ofício é uma afronta ao Congresso Nacional porque não gostaria de comparecer à casa antes da votação do Tribunal. “O presidente comete um grave erro. Ele não tem que gostar ou não gostar, o TCU é uma casa auxiliar do Congresso”, ressaltou. Jereissati afirmou ainda que o ofício foi ignorante. Pode-se imaginar, depois disso, que o Senado volte a considerar algo que tenha origem desse “órgão auxiliar.”? Só mesmo as analistas políticas, selecionadas pelo O Estado de São Paulo, ainda darão ouvidos ao auxiliar infante.

Sejamos pacientes, ouvindo os golpistas e seus porta-vozes da imprensa. Não compete à Justiça decidir sobre impedimento de um presidente, mas ao Congresso. Os jornalistas facciosamente apressados não contam a estória que precisa ser contada, para que o povo a entenda: é necessário que 2/3 dos deputados acusem em votação nominal a presidência, para que essa denúncia possa ser levada ao Senado, onde será necessária a maioria absoluta de 2/3 dos membros do Senado para que seja cassado o mandato presidencial. Esses são números inatingíveis. E sejamos muito claros no que todos sabem: derrotados fatalmente, os eleitores do impedimento poderão solicitar “auxílio desemprego”.

Já desprovidos de munição de poder de fogo maior, os golpistas passaram a usar um marionete, querendo fazê-lo tenor em teatro de ópera. Está moribundo e irá à falência, incapaz de um mínimo de dignidade. Senadores, membros do PSDB, dizem de voz bem dita que o impedimento de Dilma Rousseff não tem fundamento algum em nenhum lugar. Eduardo Cunha morre agora, sem choros e nem velas. Suicidou-se como decisão pessoal. O PMDB prescinde dele.


Sabidamente, não há qualquer possibilidade de destituição da PresidentA com o uso de instrumentos legais. Seria necessário um ato de violência. Quem poderia praticá-lo? E a que preço? O Senado Romano apunhalou Júlio Cesar. E que aconteceu com os senadores romanos?

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Eduardo Cunha e os arrozais de Pendotiba


A possibilidade de o deputado Eduardo cunha ser preso preventivamente por envolvimento na corrupção apurada pela operação Lava jato onde aquele foi citado por um dos delatores do caso como sendo o beneficiário de uma “doação” de 5,5 milhões, é a mesma que a de se colher trigo num arrozal. Isso posto, vamos  ler abaixo o que diz o mestre em direito, Dr. Bruno Espiñeira Lemos. 

Por Bruno Espiñeira Lemos*

Reza a lenda que Nilo Peçanha após governar o Brasil assumiu o governo fluminense em tempos de aguda crise e buscou um empréstimo externo, dando como garantia a produção agrícola do Rio. Para conseguir seu desiderato diante da arruinada situação, a ele atribui-se um expediente para enganar os banqueiros ingleses. Em uma viagem de trem, Nilo Peçanha teria mostrado aos futuros credores o capinzal bravio de Pendotiba, dizendo: “Veem os senhores? Só a produção destes arrozais daria para garantir o empréstimo…”

Pois bem. Lembrei-me dos arrozais de Pendotiba quando um aluno querido me enviou uma mensagem de WhatsApp indagando sobre a possibilidade de prisão preventiva do deputado Eduardo Cunha.

Antes de passar ao cerne da resposta comecei afirmando que em minha modesta opinião estamos diante de um emaranhado confuso de competências, no qual, possivelmente, teríamos uma usurpação de competência do STF por parte do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. Afinal, trata-se de parlamentar com prerrogativa de foro e ao que se tem conhecimento ainda há juízes em Brasília…

Por fim, ultrapassada essa questão crucial prévia, ressalte-se, respeitadas as competências (STF) e atribuições (requerimento do PGR), diante do referido parlamentar, na mais extrema das hipóteses, se poderia como medida acautelatória diversa da prisão afastá-lo da função de Presidente da Câmara dos Deputados (art. 319VICPP) e isso, não sem controvérsia sobre a possibilidade de incidência da referida previsão processual ao caso concreto de agentes políticos investidos por escolha popular.

No mais, referida medida cautelar jamais poderia ser convertida em prisão preventiva na medida em que os deputados federais a partir da sua diplomação, diante do que dispõe o art. 53 da nossa Constituição republicana, somente podem ser presos provisoriamente em caso de flagrante delito de crime inafiançável.

*Bruno Espiñeira Lemos -  Mestre em Direito Publico (UFBA). Procurador do Estado da Bahia e advogado.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pablo Villaça: O “apesar da crise” e o jornalismo brasileiro

Por Pablo Villaça, no Facebook

Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc.

Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro – porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”;
“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”;
“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”;
“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”;
“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”;
“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″;
“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″;
“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”;
“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”;
“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”;
“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”;
“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”.

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.
Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população — o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis — no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.

E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.
Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.

O que é Frustração?

Por Marisa de Abreu Alves*

Este sentimento costuma surgir quando algo desejado ou esperado não ocorre. Frustração pode estar relacionada com a sensação de incapacidade quando este acontecimento dependia da própria pessoa.

Exemplo: Estudar muito e não ser aprovado. Casar pensando que teria um tipo de vida e depois perceber que não é nada disso. Entrar para uma instituição e não receber o apoio prometido. Cultivar uma amizade e levar um cano do amigo. Se dedicar ao trabalho e ver outra pessoa recebendo aumento.  Tudo isso são situações que podem frustrar. Dá para evitar este tipo de situação? Ás vezes não.  Nem tudo depende de nós. Por exemplo: Não depende só de você a forma como seus amigos, marido, patrão vão se comportar. Mas podemos nos dedicar a aprender a lidar com a frustração quando for inevitável.

Uma história frustrante

Um exemplo de situação que pode ser frustrante: Mulher casada há 15 anos, marido machista não permite que trabalhe ou estude. Segundo o marido ela tem que cuidar da casa, pois jamais seria capaz de enfrentar o dia a dia de uma empresa.   Cada vez que esta esposa pensa em sair de casa para trabalhar o marido diz que a família precisa dela. Ela até tentou voltar para faculdade, tentou fazer um curso de inglês, começou um curso de informática, mas não concluiu nenhum porque o marido ameaçava de separação.  Esta mulher se sente frustrada, cansada, sem libido, irritada. Não tem vontade de sair nem de conversar. Queixa-se de angustia e falta de vontade de cuidar da casa. Foi ao médico e recebeu o diagnóstico de gastrite e labirintite.

Frustração pode gerar raiva, agressividade, revolta, decepção, depressão, falta de motivação e autoestima rebaixada. Frustração pode provocar stress.

Frustração pelo impedimento do alcance de uma meta

Pode ser causada por vários tipos de obstáculos: Obstáculos físicos, condições ambientais desfavoráveis. Ex. Você quer viajar, mas a estrada está bloqueada.  Obstáculos sociais, normas, regras, leis. Por exemplo, o garoto de 17 anos que quer ter carteira de motorista, mas a lei impede.  Obstáculo emocional. Por exemplo, a frustração do fóbico social em desejar contato humano, mas não se sentir capaz, crenças de incompetência, vulnerabilidade e sensação de fracasso iminente. Obstáculos devido doenças físicas. Por exemplo, o diabético que tem que mudar seus hábitos alimentares,  aplicar insulina e não pode mais fazer certas atividades.

Frustração pelo não recebimento de uma gratificação esperada

A pessoa que lutou para atingir um objetivo e acredita que seria lógico ter êxito poderá sentir muita frustração se por algum motivo não conseguir atingi-lo. Por exemplo, a promoção que não veio apesar de toda dedicação.

Frustração por necessidade não satisfeita

Exemplo: Frustração  pela demora do salário, mesmo que pago em dia temos que esperar 30 dias para recebê-lo.

Frustração por conflito

Por exemplo, ao tomar decisões temos que escolher uma opção e isto sempre significa abrir mão dos benefícios da outra opção.

Consequências da frustração

Conforme a forma de reagir à frustração pode trazer danos ou benefícios. Respostas comuns: Fuga, evitação, compensação e agressão.  Podemos usar a situação para aprender com ela, e assim crescer.

Comportamento de fuga

Alguns, ao se frustrarem, se afastam, não querem mais contato com a situação. Ex: Um marido que resolveu separar, depois de anos de casado, porque a esposa disse no meio de uma briga que ele não era o marido que ela sonhava, mas isto foi dito no calor do momento e não refletia o real sentimento dela. Como ele se considerava dedicado à família, e esperava reconhecimento, ficou tão frustrado que pediu a separação. Foi uma decisão de fuga, e apesar de ter se livrado do que ele considerou injusto, perdeu todas as partes boas do casamento.

Comportamento de evitação

Após a pessoa ser  frustrada pode passar a evitar situações parecidas ou as pessoas e lugares envolvidos com a frustração por medo de frustrar-se novamente . Por exemplo, uma pessoa que não recebeu aumento esperado, começa a faltar ao trabalho, chegar atrasado, não se esforça mais, não interage mais, ou seja, se esquiva de entrar em contato com as coisas que agora ficaram aversivas.

Comportamento compensatório

Para lidar com a  frustração  a pessoa pode compensar com outras satisfações. Ex, comer em excesso, drogas, álcool, etc. Em outro exemplo pessoa sente-se frustrada porque seu relacionamento acabou e como compensação passa a trabalhar compulsivamente.

Comportamento de desamparo

Uma vez tendo se  frustrado  em uma atividade a pessoa para de tentar sucesso em outras áreas da vida. Muitas vezes nem há obstáculos, mas a visão distorcida da pessoa vê tudo como imensamente difícil. E assim não se dá oportunidade para perceber que poderia vencer. Ex, a pessoa que quer entrar em medicina, mas como não se acredita capaz, nem tenta e passa a vida insatisfeita com a profissão que escolheu.

Consequências da frustração

E este é o principal motivo por estarmos falando de  frustração , ela pode trazer consequências negativas.  É possível que a frustração leve a agressão. A pessoa agredirá outras pessoas ou a si mesma, auto agressão. No noticiário vemos pessoas que frustradas com o fim de um relacionamento agredindo e até matando o parceiro.  A agressão costuma ocorrer se pessoa não perceber  justificativa, pois quando a frustração é justificável o que ela pode sentir é apenas irritação, e não agressão. Ex: o caso da pessoa com casamento marcado e a empresa o transfere para outra cidade, tendo que desmarcar o casamento. Sendo justificável, a noiva ficaria muito irritada, mas  não agrediria. Mas uma noiva que foi traída não vê justificativa, então pode aumentar a probabilidade de tornar-se agressiva.

*O material deste site é informativo, não substitui a terapia ou psicoterapia  oferecida por um psicólogo

*Marisa de Abreu Alves Psicóloga - CRP 06/29493-5

Sobre o Blog

Este é um blog de ideias e notícias. Mas também de literatura, música, humor, boas histórias, bons personagens, boa comida e alguma memória. Este e um canal democrático e apartidário. Não se fundamenta em viés políticos, sejam direcionados para a Esquerda, Centro ou Direita.

Os conteúdos dos textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores, e nem sempre traduzem com fidelidade a forma como o autor do blog interpreta aquele tema.

Dag Vulpi

Paulo Freire

Paulo Freire
Para analisar

BLOG MIN

BLOG MIN
Porque todos temos uma opinião, seja construtiva, destrutiva, cientifica, acéfala, perversa, parva, demolidora ou simplesmente uma opinião...

Mensagem do Autor

ALIMENTE OS PEIXINHOS, CLIQUE COM O MOUSE!