quinta-feira, 25 de junho de 2015

Parlamentarismo e Presidencialismo



1 - INTRODUÇÃO:

Sabemos que o conceito de Estado é muito complexo e admite várias definições. É consenso que três são os elementos formadores do Estado: População, Território e Governo. Cada Estado organiza o seu governo, que são as decisões políticas que mantêm a ordem social dos indivíduos do Estado. Nesse trabalho vamos apresentar algumas definições de Formas de Estado, Formas de Governo e Sistemas de Governo. A partir daí poderemos elucidar algumas dúvidas mais pertinentes à organização do Estado.

2 - FORMAS DE ESTADO:

Cada Estado adota certas ideias como princípios norteadores da vida comunitária. Na base da organização estatal teremos sempre uma ideologia política, isto é , um conjunto sistematizado de ideias. Definimos Regime Político como o modo pelo qual cada Estado se organiza e se orienta de acordo com determinada ideologia. Como Formas de Estado temos basicamente dois tipos: Estado Democrático e Estado Totalitário.

Estado Democrático: O Estado Democrático é aquele que adota como princípios a participação política dos cidadãos nas decisões governamentais e a primazia do bem comum e dos interesses individuais. Tem como características a existência de voto universal ou censitário, governo geralmente com Três poderes independentes ( Executivo, Legislativo e Judiciário). Possui também sistema representativo que decide, teoricamente com base no voto popular, as decisões governamentais. Todos os países modernos adotam essa filosofia democrática como forma de governo.

Estado totalitário: É o Estado que adota como princípio a vontade soberana do governante sobre o interesse comum. O Estado totalitário faz do Estado um fim em si mesmo e as pessoas só têm valor quando servem aos interesses do Estado. O interesse coletivo anula o indivíduo e reduz ao máximo a participação popular nas decisões governamentais. A centralização do poder é uma característica marcante. Os exemplos mais famosos no mundo moderno são o nazismo alemão, o fascismo italiano, o comunismo chinês e o socialismo utópico de Fidel Castro em Cuba.

Estados unitários e federados: Dentro dos conceitos de Estado democrático ou totalitário podemos definir como Estado unitário aquele em que há um só Legislativo, um só Executivo e um só Judiciário para todo o território. Como Estado Federado temos aquele em que há divisões político-administrativas, com certa autonomia para cuidar dos interesses regionais.

3 - FORMAS DE GOVERNO:

O Estado pode exercer o poder de várias maneiras. Daí, a grande diversidade de formas governamentais. Alguns autores adotam a classificação de Aristóteles (monarquia, aristocracia e democracia) outros preferem a definição de Maquiavel ( monarquia e república). O sentido exato e o alcance de cada desses termos é outro problema sobre o qual ainda não se teve acordo. Cremos que a questão prende-se a definição dos seguintes pontos:

1) Quem governa
2) Com que direito governa
3) De que modo governa

MONARQUIA: É a forma de governo, em que o cargo de chefe de Estado é hereditário e vitalício. É o caso de países como Inglaterra e Espanha. A Monarquia é uma forma muito antiga de governo tendo suas origens já no Egito Antigo e teve seu apogeu na Idade Média com o poder central dos reis Europeus. Após a Revolução Gloriosa na Inglaterra e a Revolução Francesa teve modificações significativas em sua estrutura, principalmente retirando poderes dos reis e reduzindo sua atuação como mandatário.

REPÚBLICA: É a forma de governo em que o cargo de chefe de Estado é eletivo e periódico. República quer dizer res pública ou coisa pública. Com o declínio da monarquia e a ascensão dos interesses burgueses na Europa, os Estado começaram a eleger governantes, tornando a participação popular nas decisões governamentais mais ativas. Países como Brasil, EUA, França e outros adotam a República como forma de governo.

4 - SISTEMAS DE GOVERNOS:

Geralmente na distribuição de poder do Estado o Judiciário tem seus limites bem definidos, o que não ocorre com o Legislativo e o Executivo, pois suas áreas de atuação se interpenetram frequentemente. Podemos ter então sistemas diferenciados em cada país. Os dois principais são Presidencialismo e Parlamentarismo.

Vamos adotar uma tabela para melhor identificar as características de cada sistema.

NO PRESIDENCIALISMO

I. O sistema só pode ser usado em repúblicas
II. O chefe de estado (presidente) é o chefe de governo e portanto tem plena responsabilidade política e amplas atribuições.
III. O chefe de governo é o presidente eleito pelo povo, direta ou indiretamente. Fica no cargo por tempo determinado, previsto na Constituição.
IV. O poder executivo é exercido pelo presidente da República auxiliado pelos ministros de estado que são livremente escolhidos pelo presidente. A responsabilidade dos ministros é relativa à confiança do presidente.
V. Adotado no Brasil, nos EUA, México.

NO PARLAMENTARISMO

I. O sistema pode ser usado em monarquias ou repúblicas.
II. O chefe de Estado (rei ou presidente) não é o chefe de governo e, portanto não tem responsabilidade política. Suas funções são restritas.
III. O chefe de governo é o premier ou primeiro ministro, indicado pelo chefe de Estado e escolhido pelos representantes do povo. Fica no cargo enquanto tiver a confiança do Parlamento.
IV. O poder Executivo é exercido pelo Gabinete dos Ministros. Os Ministros de Estado são indicados pelo premier e são aprovados pelo parlamento. Sua responsabilidade é solidária; se um sair todos saem em tese
V. È o caso de Inglaterra, França, Alemanha.

O sistema parlamentarista e o sistema presidencialista só se aplicam em regimes democráticos, sejam monarquias ou repúblicas. Não são aplicados em ditaduras. Em caráter excepcional podemos encontrar modelos alternativos como os diretórios encontrados na Suíça.

5 - O CASO DO BRASIL:

Tivemos o parlamentarismo no Brasil na fase final do Império (1847-1889. Na República, vigorou o presidencialismo, com exceção de um curto período de tempo (setembro de 1961 a janeiro de 1963), em que o parlamentarismo foi adotado como solução para a crise política consecutiva renúncia do presidente Jânio Quadros. Em 1993 tivemos um plebiscito nacional, como exigência da Constituição de 1988, e o povo votou pela manutenção do presidencialismo como sistema de governo.

6 - CONCLUSÃO:

Após definirmos todas essas características políticas adotadas pelos Estados estamos em condições de afirmar que a despeito de todas as diferenças, os Estados procuram sempre a organização da sociedade e a busca da justiça social. Ao analisarmos cada Estado devemos identificar qual a sua ideologia e qual seus objetivos políticos através das definições acima.

7 - BIBLIOGRAFIA:

1- DAMASCENO, Duarte. Conjuntura em OSPB. São Paulo: Editora Lê, 1985.
2- MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. São Paulo: Editora

3- Saraiva, 1992.

Diferenças entre presidencialismo e parlamentarismo

Conheça as definições e diferenças entre os sistemas presidencialismo e parlamentarismo. A divisão de poderes, o papel do executivo e legislativo, o presidente da república, o parlamento, entre outros.

Analisar as diferenças entre presidencialismo e parlamentarismo, não é uma tarefa tão difícil, muitos autores tratam sobre o assunto, dentre tantos temos TAVARES (2002:859) que explica que “A grande diferença entre os dois modelos está no papel do órgão legislativo. Enquanto no parlamentarismo este não se limita a fazer leis, mas também é responsável pelo controle do governo, tomando posições políticas fundamentais, no Presidencialismo aquela atividade lhe é atribuída em caráter principal. Além disso, naquele o Parlamento pode destituir o Gabinete, por razões exclusivamente de ordem política, enquanto neste isso só poderia ocorrer em relação ao Presidente da República e em razão da prática de certos delitos. Ao comparar os dois sistemas, CELSO BASTOS afirma: ‘(…) o que o presidencialismo perde em termos de ductibilidade às flutuações da opinião pública, ganha em termos de segurança, estabilidade e continuidade governamental’”.]

Para que entenda melhor a grande diferença existente entre estas duas formas de governo, temos:

Parlamentarismo

Caracterizado por ter todo o poder concentrado no Parlamento, que é, de fato, o único poder, e ainda caso o governo executivo discordar do Parlamento, a maioria dos deputados dissolve esse governo. A Justiça não se opõe ao Parlamento, até porque, em um sistema parlamentarista puro, a Constituição não é rígida: se uma lei for considerada inconstitucional, o Parlamento pode altera a Constituição. No Reino Unido, o exemplo mais puro de parlamentarismo, não há sequer uma Constituição escrita.


As principais funções parlamentares são exercidas em sua plenitude por uma casa legislativa que se pode chamar, por exemplo, de Câmara dos Deputados, Parlamento, Câmara dos Comuns (Reino Unido) ou Assembleia Nacional (França). Mas em geral, são muito raros os sistemas parlamentaristas puros, que se subsistiram, sobretudo, nas Monarquias (Reino Unido, Suécia, Holanda, etc.). No Brasil, as formas de parlamentarismo sempre foram totalmente impuras, enquanto Monarquia, tínhamos um regime parlamentarista, mas o imperador dispunha do “Poder Moderador”, o que lhe permitia até nomear primeiros-ministros que não dispusessem do apoio da maioria parlamentar.

Segundo ARAÚJO(1999:234) “as seguintes características do parlamentarismo são:

a) divisão orgânica de poderes;
b) repartição de funções de chefia de Estado e de governo;
c) interdependência entre o Executivo e Legislativo, em especial porque o gabinete espelha a maioria parlamentar;
d) gabinete dirigido por um Primeiro Ministro, a quem são atribuídas as funções inerentes à chefia de governo;
e) queda do gabinete por voto de desconfiança do Parlamento;
f) dissolução do Parlamento, com a convocação de eleições gerais, por injunção da chefia de Estado”. Há que se acrescentar, também, que neste sistema o Banco Central é autônomo; a burocracia é profissionalizada; e a política monetária e cambial deve ser estável.

Presidencialismo


O presidencialismo, por sua vez,  produz um gabinete, personificado no presidente, com prazo definido, nesse regime, há três poderes: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, exercidos, respectivamente, pelo presidente da República, pelo Parlamento (no caso do Brasil, o Congresso Nacional) e pelo Supremo Tribunal ou Corte Suprema. Toda a concepção do presidencialismo baseia-se na harmonia desses três poderes, sendo que nenhum pode impor-se ao outro ou tentar superar os demais, e para manter esse equilíbrio, há um sistema de freios e contrapesos pelo qual um poder controla o outro e cada um depende dos outros dois. Em um regime presidencialista, o Legislativo pode ser exercido apenas pela Câmara dos Deputados (sistema unicameral) ou por duas casas, a Câmara e o Senado (sistema bicameral).

Segundo  ARAÚJO (1999:235) “as seguintes características básicas do presidencialismo são:

a) a chefia de governo e a chefia de Estado ficam concentradas nas mãos de uma única pessoa: o Presidente da República;
b) o Presidente é eleito para mandato determinado, não respondendo, ordinariamente, perante o Poder Legislativo;
c) o Presidente da República possui ampla liberdade para a formação de seu ministério;
d) o Parlamento, de igual forma, não pode ser dissolvido por convocação de eleições gerais pelo Executivo;
e) só é compatível com a República, sendo inviável em uma monarquia”.

Ódio por Luis Fernando Verissimo

Sentimento está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for a sigla.

Não vi a entrevista do Jô com a Dilma, mas, conhecendo o Jô, sei que ele não foi diferente do que é no seu programa: um homem civilizado, sintonizado com seu tempo, que tem suas convicções — muitas vezes críticas ao governo — mas respeita a diversidade de opiniões e o direito dos outros de expressá-las. Que Jô fez uma matéria jornalística importante e correta, não é surpresa. Como não é surpresa, com todo esse vitríolo no ar, a reação furiosa que causou pelo simples fato de ter sido feita.

A deterioração do debate político no Brasil é consequência direta de um antipetismo justificável, dado os desmandos do próprio PT no governo, e de um ódio ao PT que ultrapassa a razão. O antipetismo decorre, em partes iguais, da frustração sincera com as promessas irrealizadas do PT e do oportunismo político de quem ataca o adversário enfraquecido. Já o ódio ao PT existiria mesmo que o PT tivesse sido um grande sucesso e o Brasil fosse hoje, depois de 12 anos de pseudossocialismo no poder, uma Suécia tropical. O antipetismo é consequência, o ódio ao PT é inato. O antipetismo começou com o PT, o ódio ao PT nasceu antes do PT. Está no DNA da classe dominante brasileira, que historicamente derruba, pelas armas se for preciso, toda ameaça ao seu domínio, seja qual for sua sigla.

É inútil tentar debater com o ódio exemplificado pela reação à entrevista do Jô e argumentar que, em alguns aspectos, o PT justificou-se no poder. Distribuiu renda, tirou gente da miséria e diminuiu um pouco a desigualdade social — feito que, pelo menos pra mim, entra como crédito na contabilidade moral de qualquer governo. O argumento seria inútil porque são justamente estas conquistas que revoltam o conservadorismo raivoso, para o qual “justiça social” virou uma senha do inimigo.

Tudo isto é lamentável mas irrelevante, já que o próprio Lula parece ter desesperado do PT. Se é verdade que o PT morreu, uma tarefa para investigadores do futuro será descobrir se foi suicídio ou assassinato. Ele se embrenhou nas suas próprias contradições e nunca mais foi visto ou pensou que poderia ser a primeira alternativa bem-sucedida ao domínio dos donos do poder e acordou um dia com um tiro na testa?

De qualquer maneira, será uma história triste.


Via http://oglobo.globo.com/opiniao/odio-16546533#ixzz3e6tq5Ghe
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quarta-feira, 24 de junho de 2015

A presidente Dilma mantem a indiferença apesar da eminência do golpe

Por Laerte Braga* no Facebook

Há um golpe em marcha. Prospera dia a dia e conta com a inércia da presidente Dilma Roussef.

As concessões que vem fazendo de forma irresponsável às forças mais retrógradas do País. Parece não perceber que está sendo empurrada a um abismo e nesse abismo despencam os trabalhadores brasileiros. Não são fatos isolados a operação Lava a Jato, a determinação do ministro Gilmar Mendes de reabrir as investigações sobre as contas do governador de Minas, Fernando Pimentel (terra da quadrilha de Aécio), o silêncio sobre o inquérito dos Zelotes, os escândalos do metrô em São Paulo, processos que correm no País inteiro contra tucanos (caso de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul), as ações de Eduardo Cunha e seus sequazes na Câmara dos Deputados, as idas e vindas de Renan Calheiros em troca de impunidade nos processos a que responde, o comportamento da mídia de mercado, sobretudo a GLOBO, VEJA e FOLHA DE SÃO PAULO.

A pesquisa divulgada no último fim de semana, real ou não, tem um objetivo golpista claro, todo um processo que visa interromper o curso democrático.

Pre sal e BRICS são os motivos principais, lógico a PETROBRAS, o golpe vem de fora para dentro.

O juiz Sérgio Moro não resistiria a uma simples investigação sobre sua conduta. É peça chave nesse golpismo e a prisão dos diretores da ODEBRECHT e da ANDRADE GUTIERREZ é um passo e tanto na direção do golpe. A ODEBRECHT é hoje uma das grandes empreiteiras mundiais e tem afetado negócios de empreiteiras norte-americanas, dentro do próprio território dos EUA, onde tem obras.

O Brasil é peça chave dentro da América do Sul. A aparente palhaçada de Aécio e outros senadores na Venezuela é parte dessa orquestra golpista, envolve FHC.

O efeito dominó de uma derrubada de Dilma, ou de sua total imobilização, é devastador. Afeta e desequilibra países que lutam por sua real independência em toda essa parte do mundo.

O porto Muriel em Cuba é outra problema. Norte-americanos não aceitam a primazia do País nas relações com o governo de Raul Castro. Não toleram os avanços da Rússia e da China na América Latina. As elites brasileiras são tacanhas e subordinadas a esses interesses. Tucanos e afins são agentes desse golpismo.

Boa parte da Polícia Federal não digere a perda de gratificações que eram pagas pelo FBI na farsa da política de combate ao tráfico (Aécio e Perrela estão soltos) e é aparelhada pela extrema direita, pelo tucanato.

O que fazer? Dilma não tem como se reconstruir. Está perdida, fraca, submissa e encurralada a despeito de frequentar casamentos e que tais. Vai aos EUA assinar a capitulação. O PT tem que entender que é preciso ir às ruas, retomar sua história de formação e luta e não se prender a defesas histéricas de um governo que acabou sem começar. Lula já percebeu isso é um alvo. Não querem correr riscos que volte em 2018. Cesar Benjamin em 2002, numa palestra, previu que o século XXI seria o da recolonização. Sua previsão está se confirmando. E pior, do fim da democracia em seu sentido lato senso. Ou acordamos e a luta é de resistência, ou vamos para o brejo.

Que Dilma não caia como Jango, afirmação de um amigo dos velhos tempos. Que tenha um impulso de coragem dos seus velhos tempos e resista. Os tempos Dilma de hoje são trágicos.

*Laerte Braga É jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Laerte escreve semanalmente ao Diário Liberdade. 

Dicas de como se comportar na internet ou NetQueta

Vivemos cercados de protocolos (socialmente falando), códigos de conduta e regras de comportamento. Não admira, pois vivemos em uma sociedade de valores múltiplos. Se se vai a uma festa, algumas regras básicas, aprendidas quase que empiricamente nos fazem nos comportar com elegância na citada festa. Por exemplo, sabemos que não devemos por os cotovelos sobre a mesa, não devemos pegar alimentos com as mãos, etc. Estas regras são conhecidas como Etiqueta. A posição dos talheres sobre a mesa faz parte deste conjunto de regras. As regras de Netiquette, por seu turno, precedem a Internet comercial, mas se tornaram, com esta, quase uma obrigação; como se disse, com o advento da Internet pública e comercial, fizeram-se necessárias regras que normatizassem certo padrão de conduta aos internautas. A este conjunto de regras de [bom] comportamento na Rede chamamos Netiqueta. Abaixo, vemos exemplos de algumas regras básicas de netiqueta:

"Quando alguém comete um erro no transcorrer de um debate, seja um erro de ortografia, uma pergunta estúpida ou uma resposta equivocada, o bom senso e a gentileza deverão prevalecer. Você não precisa dizer nada, mesmo que se sinta fortemente motivado para isso. Pense duas vezes antes de reagir, afinal, você irá constranger quem cometeu o erro e sua conduta certamente será reprovada pela maioria dos demais participantes. Caso você decida informar a alguém de um erro, faça-o educadamente, e de preferência por uma via privada, e-mail ou in box, e jamais em público. 

Evite fazer comentários, escrever mensagens ou postar em Blogs ou fóruns usando letras em maiúsculo: é COMO SE VOCÊ ESTIVESSE GRITANDO, para quem está do outro lado do nó (máquina, host). Se hoje dispomos de recursos avançados de formatação, na verdade, nem precisamos muito deles, por causa dos multimeios, nos primórdios da Internet não era assim. As pessoas escreviam em caixa alta para enfatizar trechos da conversação. Equivalia a falar mais alto, ou a negritar, recurso que apareceu bem depois da Internet Acadêmica;

Mantenha o cerne das discussões! Algumas pessoas estão pagando para acessar. Imagine como você se sentiria se você estivesse num “CyberCafé” e alguém remetesse a você um catatau de abobrinhas – você, “pagando para ler”, literalmente. Procure não tergiversar. Manter o foco no assunto que está em debate é a essência, desvirtua-lo é incoerência;

Lembre-se de que, ao postar num Blog ou num fórum ou até mesmo numa sessão de “Chat”, tudo o que você falar será público. Você nunca sabe quem lerá seus “Posts”. Alguém pode copiar uma frase de cunho íntimo dita por você e espalhá-la. Que desagradável, hein?;

Evite “Flames”. “Flames” São discussões, no sentido pejorativo do termo, que às vezes nascem de uma simples discussão sobre um tópico abordado, levando as pessoas a empreenderem verdadeira “batalha campal”, prejudicando a discussão propriamente dita, deixando-a em plano inferior. Os “flamers” ou “trollrers” são pessoas que passam a se tornar conhecidas nas rodas de discussões, não por agregar à discussão, e sim pelo diversionismo; a melhor forma de tratar com estes tipos é ignorá-lo, encerrando o bate-boca. É como matar um tumor de inanição. Sem alguém para discutir, no sentido ruim da palavra, ele cai fora;

Ao postar para um grupo de debates, identifique claramente o objeto do seu ‘Post’. Isto facilitará, pois quem não se interessar pelo tópico pode de antemão ignorá-lo;

Ao fazer uma postagem evite usar expressões que possam ser interpretados como provocativos para participantes específicos ou, para determinado grupo, nesse caso deve haver uma atenção especial quando o fórum em questão trate de assuntos relacionados à política, religião, opções sexuais, etnias e demais assuntos a esses assemelhados. Que, além de ser pouco educado; além do mais, há o grande risco de o moderador, em cumprimento das regras pré-estabelecidas, descartar a sua mensagem, tratando-a como um tipo de “Spam”, Lixo Eletrônico.

Os spammers utilizam bastante a técnica de envio de mensagens sem assunto. No campo “Corpo do Texto” (a mensagem em si) também é importante escrever, um mínimo que seja. Aquele anexo que você enviou ao seu chefe, mesmo já tendo sido referenciado no campo Assunto, deve sê-lo aqui também, por uma outra boa razão: os sistemas de localização de emails se valem deste e de outros campos da mensagem para localizar informações específicas; a propósito, você já parou para pensar no que significam aqueles campos CC e CCO (em inglês CC e BCC), na Tela de Composição de Mensagens do seu Mail System?

CC quer dizer Cópia Carbono (em inglês, idem, Copy Carbon). CCO quer dizer Cópia Carbono Oculta (em inglês, Blind Copy Carbon). Bom, se no campo do destinatário eu posso colocar vários endereços, separados por vírgula, a que servem estes dois campos? Estes dois campos têm funções bem diferentes do campo Destinatário. O primeiro, o Cópia Carbono, eu uso quando quero inteirar, intimar alguém, tornar alguém íntimo sobre determinada situação. Notificar, não discutir o assunto. No campo CC eu ponho nomes de pessoas que devem ter ciência do que está sendo tratado, no corrente e-mail. Observe-se que eu não estou discutindo com a[s] pessoa[s] do campo CC; só tornando-a[s] íntima[s] de determinado tópico. Então, para efeito de NetQueta, não responda diretamente a uma mensagem onde você figura no campo CC; ou o faça pedindo permissão para discutir o tópico. O campo CCO já tem, por seu turno, função bem diferente: ele oculta mutuamente as pessoas que nele figuram. Se eu envio um email para: “maria Ponto mesquita Arroba morvanzinho Ponto Com Ponto Br”, e coloco em CCO nove endereços de e-mail, Maria@Mesquita só verá o seu e-mail, não os outros nove, ou seja, não terá ciência dos outros nove destinatários. Nenhum deles saberá que o outro fora intimado da discussão. É uma forma de evitar muitos dissabores, como SPAM, lixo eletrônico. Use, sempre que apropriado, os campos CC e CCO;

Use abreviações com parcimônia. O bom uso da língua demonstra boa educação e respeito aos falantes daquela. Se for preciso abreviar por qualquer motivo, não abuse. Substituir qualquer por qq, você por vc, também por tb, etc., não facilita em nada a comunicação e ainda pode demonstrar ausência de domínio da língua. Lembre-se de que a pessoa está do outro lado da comunicação e, via de regra, não conhece o seu interlocutor;

Evite contar piadas, de preferência piadas étnicas ou de cunho religioso ou mesmo que ofendam eventualmente a algum grupo minoritário na sociedade. Já imaginou contar aquela do português para um “patrício”? como você se sentiria, se você fosse o lusitano? Não acharia pouco educado?;

Evite usar expressões chulas ou vulgares; lembre-se de que algo que pode ser normal e de bom uso para você pode ser ofensivo para o seu interlocutor;

Evite uso de jargões; os jargões devem se circunscrever à esfera dos especialistas da área. Se você acha presunçoso médicos tratarem a você como tal, enchendo seus ouvidos de jargões da medicina, o mesmo deve se dar com o interlocutor; ele não deve se interessar por assunto de “Geeks”, por exemplo. Pense bem: você pode estar achando que detonou e o interlocutor está achando você um presunçoso. Uma pequena diferença de pontos de vista, hã?; e

Não confie no mito de segurança da Internet; se esta é segura, com relação a bancos, transações eletrônicas em geral, desde que se observem algumas medidas para tal, o mesmo não se pode dizer da Internet dita pública. A regra é “Não publique na Internet algo que você não escreveria num cartão postal”. Alguém pode se aproveitar desta sua fragilidade, futuramente…

Para dar um toque mais humano, sem prejuízo de uma sutil dose de humor, você pode lançar mão de Smileys, também conhecidos por EmotIcons, que nada mais são do que expressões que você cria a partir de combinações de caracteres. Observe que os e-mails mais avançados, em termos de recursos, convertem os Emoticons em Emoticons gráficos e / ou animados, preservando o espírito da mensagem e ao mesmo tempo dando uma aparência mais bonita à mensagem; alguns mensageiros também o fazem, como o Pidgin e o Miranda. Observe abaixo uma pequena amostra de Emoticons e seus significados:





Basicamente, são estas as regras básicas de comportamento na Net. Procure integralizá-las paulatinamente e pode d´antanho se considerar cidad@[o] da Grande Rede. Não espere apr[e]endê-las de uma vez e em sua totalidade, pois, como no dia a dia, são coisas que você aprenderá com o próprio desenvolvimento e com a sucessão de uso da Internet.

Boa navegação, bom papo. Se você deseja se aprofundar mais ainda no assunto, procure ler a RFC (Request for Comments, conjunto de regras sobre protocolos) 1855 — NetQuette. Ela contém a o acervo de regras de conduta na Grande Rede. Dê uma olhada também na WikiPedia, NetQuette.

Boa “NetImpressão”

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Lava Jato - Escuridão no fim do túnel


Por Ricardo Melo na Folha de S.Paulo

Prisões de empreiteiros expõem as feridas do sistema que mantém o Brasil no atraso

Agora ficou mais interessante. As prisões dos presidentes da Odebrecht e Andrade Gutierrez conferem uma melhor dimensão do apodrecimento do "pacto" que há séculos emperra o crescimento do Brasil.

Registre-se, a propósito, que a operação seguiu o roteiro agente 86 tão a gosto do juiz Sérgio Moro. Na exposição de motivos para encarcerar os milionários, pode-se ler frases como "não é possível afirmar, nem afastar" a possibilidade de que terceiros podem ter pago algo "que se constitui em pagamento de propinas". Alega, ainda, por antecipação, a possibilidade de delitos numa licitação que nem sequer aconteceu!

A mesma peça (no sentido amplo) faz referência a um e-mail supostamente enviado ao presidente da Odebrecht. Não há notícia da resposta; em Londrina isso não faz diferença. Imagine a situação: um sujeito entra numa lan house, monta um perfil num portal qualquer e passa a disparar mensagens. Por exemplo: "Caro Sérgio, tudo acertado. Os pés de alface combinados serão entregues em breve. São tenros e verdes do jeito que você queria. Sempre na caixa, como encomendado. Não se preocupe que a plantação é grande. Lembranças ao Beto pelo bom trabalho."

O e-mail acima é fictício. Até por isso inexiste reply do destinatário. Mas vaza propositalmente. Um investigador astuto da turma de intocáveis poderia dizer: Bingo! Sérgio é o juiz Moro, alfaces são dólares, o pagamento é em cash e há muito mais em estoque. Beto, claro, é aquele famoso doleiro premiado. Caso resolvido. Só falta mandar prender alguém.

Isso quer dizer que o pessoal do cimento é inocente? Jamais. Mostra apenas que a Justiça pode ser manipulada ao sabor do momento, como arma política em vez de instrumento de apuração da verdade.

Mais importante. As sucessivas acusações de envolvimento da plutocracia com o Estado expõem uma relação secular; variam os protagonistas. Marcelo Odebrecht, por exemplo, cerca de um mês antes de ser preso, era festejado em convescotes com Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff.

Vamos além: com o escândalo da Fifa, barões da mídia sobem ao palco de suspeitos de roubalheira generalizada e fingem que não têm nada a ver com isso. Quer mais? Grandes bancos, dia sim, outro também, aparecem na berlinda de malfeitos. Às vezes como escoadouros de sonegação internacional, outras como pagadores de propina a agentes da Receita para burlar o pagamento de impostos. Belos exemplos da nossa prezada elite.

A lista, na verdade, é interminável. A cada enxadada, uma minhoca. Erra, no entanto, quem pensa ser suficiente um Torquemada tabajara para debelar o assalto ao erário. Em questão está o sistema que propicia a proliferação da rapinagem. Má notícia: no fim deste túnel por enquanto surge apenas o breu, a escuridão.

PEGO NA MENTIRA
"O governo federal usa recursos da Caixa Econômica Federal para o pagamento de benefícios sociais desde o governo Fernando Henrique (1995-2002), mas foi no governo Dilma Rousseff que a prática aumentou de maneira mais acentuada". (texto de manchete da Folha, 26/04/2015).


Com base na série histórica, o Tribunal de Contas da União decidiu iniciar um movimento de pressão sobre o Planalto. Deduz-se que o problema não são as chamadas pedaladas fiscais, mas seu uso "mais acentuado". Ou então quem ocupa o cargo quando o expediente é utilizado.

A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo

Wikileaks revela: "esposa do juiz Moro advoga para o PSDB e multinacionais de petróleo"

Sergio Moro e Rede Globo unidos pelos mesmos objetivos

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB

A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A denúncia foi publicada no Wikleaks.

Por Emanuel Cancella, na "Carta Maior"

"O fato já seria suficiente para inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que apura a corrupção na Petrobras (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil, em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “ IV- Quando nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta: ou na linha colateral até o segundo grau”.

Mais claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação Lava Jato, que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais do petróleo, clientes da mulher de Moro! São eles os grandes beneficiados com essa Operação.

Na véspera da eleição presidencial, a Revista "Veja" estampou uma foto da então candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras”. A TV Globo" repercutiu no "Jornal Nacional".

A capa da "Veja" – um panfleto pró-Aécio – e o noticiário da emissora de maior audiência (ainda que decadente) manipularam até o final e, certamente, conseguiram arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente para derrotá-la.

Depois do estrago causado, a farsa montada pela "Veja" e pela "Globo" foi desmentida. O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto delator) assegurou que “o seu cliente não fez declaração alguma envolvendo os nomes de Lula e Dilma”. Quem provavelmente “sabia” da manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.

Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo

A sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram veiculadas as acusações – depois desmentidas. Por esse fato, o juiz Sérgio Moro deveria se desculpar publicamente.

Por mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores - também me incluo entre os indignados - não é possível aceitar que a Justiça tenha dois pesos e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso o tesoureiro do PT, mas não mandou prender os tesoureiros dos demais partidos citados em delação premiada, dentro da mesma operação, dentre os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e outros. O tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de FHC e de José Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato, é titular de conta para lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.

A parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão grande quanto aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens, como o atual presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele refém ou artífice de um projeto conservador em andamento que pratica uma verdadeira devassa, derrubando conquistas históricas da sociedade civil e dos trabalhadores?

Por que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que falam e escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem nenhuma regulamentação?

Por que esses escândalos não têm a mesma repercussão na mídia? O que se diz é que órgãos de comunicação também estariam envolvidos, em escândalos bilionários, como o "Swisslikes", "Zelotes" e "Trensalão".

A lei determina que todos os envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores, depois da ampla defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio da corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os partidos!

A "TV Globo" deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A "TV Globo" apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições diretas e, no governo de FHC, na década de 1990, fez campanha pela privatização da Petrobrás, comparando a estatal a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

A Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobras. O seu projeto de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas, está sendo retomado. É o que aponta o projeto do senador do José Serra/PSDB que retira a Petrobras como operadora única do pré-sal e acaba com o regime de partilha, retornando ao pior modelo, que é o de concessão, instituído em 1997 pelo entreguista PSDB/FHC.

Como funcionário da Petrobras e brasileiro não posso aceitar calado essa tramoia contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que pode pagar a dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não pode permitir que a "Globo" e o PSDB destruam a Petrobras."

FONTE: escrito por Emanuel Cancella, na "Carta Maior". O autor é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), ex-diretor da CUT e da FUP técnico da companhia, funcionário a 37 anos, advogado e também ex-diretor do Dieese. Artigo publicado no portal "Vermelho"  

(http://www.vermelho.org.br/noticia/265979-6). [Título acrescentado por este blog 'democracia&política'].

domingo, 21 de junho de 2015

Será ódio antipetista ou egoismo de classe?


Seria ódio ou o não menos execrável egoísmo, o sentimento que parte da sociedade brasileira vem demonstrando em suas atitudes, tanto em palavras quanto em atos.

O professor de Ética e Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alessandro Pinzani, entende que as razões que explicam essa divisão entre os brasileiros têm tudo a ver com a política da gestão petista, que entre outras coisas criou programas e leis que não foram bem aceitas pelas camadas historicamente mais favorecidas. É o caso da regulamentação do trabalho doméstico.

"A classe média se sentiu ameaçada em seu estilo de vida e se viu em parte alcançada pelas classes sociais inferiores, que passaram a usufruir de bens e serviços que até então ela considerava como seus privilégios."

Isso explica em grande parte, segundo ele, os comentários preconceituosos nas redes sociais ou até mesmo por parte de alguns comentaristas na TV sobre o “pobre”, que agora compra carro, sobre os “farofeiros”, que agora frequentam os aeroportos ou os shopping centers – o que, aliás, desencadeou, a partir de 2013, a repressão policial aos rolezinhos dos adolescentes das periferias em centros de compras mais badalados, em bairros nobres.

"Na realidade, acabou vindo à tona um preconceito que já existia de maneira profunda, mas que não precisava se manifestar abertamente, uma vez que suas vítimas (os pobres, os negros, os nordestinos) não compartilhavam os mesmos espaços (físicos, sociais, econômicos) da classe média, a não ser em posição subordinada, como zelador de prédio, entregador de encomendas, empregada doméstica", diz Pinzani.

Ou seja, a classe média tem a sensação de estar perdendo terreno em termos de importância social e política e em termos de qualidade de vida. "Isso lhe provoca medo e uma reação quase instintiva de ódio contra os atores sociais que considera responsáveis por isso, a saber, o governo petista e os próprios membros das classes subalternas."

Pinzani entende que isso pode mudar com o tempo, uma vez que a presença dos filhos dos “pobres” (que já deixaram em parte de sê-lo) nas universidades pode levar à criação de uma nova classe média menos preconceituosa. "Não sei quantos dos médicos que pertencem àquele grupo de Facebook que sugeria a castração química dos nordestinos e dos pobres são filhos de pobre ou de nordestino. Com certeza, com o ingresso de mais nordestinos ou pobres nas universidades, o número de profissionais preconceituosos poderá diminuir, mas isso vai demorar ainda muito."

Ao lado da professora Walquíria Leão Rego, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pinzani percorreu as regiões mais pobres entrevistando bolsistas do Bolsa Família. E garante que, ao contrário do que muita gente apregoa, não é apenas o programa de transferência de renda que estaria por trás do apoio dos mais pobres a Dilma.

"As pessoas mais pobres têm a percepção, bastante correta, de que os governos petistas foram os primeiros a se interessar concretamente por eles e por seus problemas. São quase 60 programas de combate à pobreza, não somente o Bolsa, e a maioria deles visa não somente a transferir renda, mas a criar condições estruturais que ajudem essas pessoas a saírem da sua situação. Óbvio que os pobres votam seguindo seu interesse, como o faz a classe média, quando vota em candidatos que prometem diminuir os impostos", analisa.

Para o professor, os que apoiam o governo da presidenta reconhecem também os avanços educacionais, sobretudo a partir de programas como o ProUni, o Fies, a ampliação na oferta de vagas pela ampliação da rede federal de ensino superior e o Pronatec. "Há ainda muitas outras coisas complementares. A população está percebendo que há esses programas.

Para o filósofo e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP Vladimir Safatle, essa divisão da sociedade não chega a surpreender, uma vez que, segundo ele, a sociedade brasileira é claramente dividida do ponto de vista ideológico, que chega a ultrapassar a divisão das classes sociais.

“Mesmo o Lula ganhava a eleição com uma média de 60% dos votos. Ou seja, 40% da população estava com o pensamento conservador, e não era só a classe média. Não existe 40% de classe média no Brasil. Esse percentual abrangia setores da classe mais pobre”, disse em entrevista à RBA.

Para Safatle, essa divisão é positiva. "Assim, as pessoas vão entender de uma vez por todas: nós não estamos no mesmo país. Nós não vivemos no mesmo país. Nós temos diferenças fundamentais com vários grupos, que representam o pensamento conservador nacional”, disse.

“Nem em relação a nossa história temos acordo: essas pessoas, em última instância, acham que é normal que o Estado não criminalize a tortura de Estado, que é normal falar que a ditadura militar foi um mal necessário, por exemplo.”

Para Alessandro Pinzani, uma sociedade dividida nunca foi e nunca será um fenômeno positivo. Ele lembra que as sociedades europeias superaram as profundas divisões sociais e econômicas somente através de revoluções, guerras e, sobretudo, de políticas sociais de amplo alcance e de longo prazo.

E que ao longo da história dos últimos séculos, as lutas sociais da classe operária e, em geral, dos trabalhadores, bem como o risco concreto de uma revolução social, levaram os governos – inclusive os mais conservadores – a tomar medidas para diminuir a desigualdade social e garantir um nível mínimo de qualidade de vida para todos.

"Na Alemanha do final do século 19, o reacionário chanceler Bismarck introduziu legislações sociais que muitos membros da classe média brasileira atual considerariam comunistas e dignas da Cuba castrista", lembra Pinzani.

Ainda segundo ele, o renovado aumento da desigualdade econômica é visto com muita preocupação na Europa, onde todos os governos afirmam querer tomar medidas contra o fenômeno. Isso por entenderem que uma sociedade que exclui uma parcela importante da população não é saudável e corre o risco de implodir.

"Agora, no Brasil, é difícil convencer os excluídos que eles têm o dever de manter-se leais a uma ordem jurídica e política que os discrimina ou prejudica. Os pobres aceitaram sua exclusão por séculos quase sem revolta, mas com importantes exceções. Agora não parecem estar mais dispostos a fazer isso, e com certeza não quererão voltar para o status quo anterior às políticas sociais dos governos petistas."


Se Aécio tivesse conseguido se eleger, sabia que deveria levar em conta tudo isso, ou enfrentaria muitas resistências e, provavelmente, manifestações populares como as de 2013. "Com a vitória, Dilma seguirá enfrentando o mal-estar da classe média. Em suma, durante algum tempo não haverá mandato confortável para nenhum dos que sejam presidente no Brasil."

sábado, 20 de junho de 2015

Fumando cigarro de palha, pescando com peneira e aprendendo alguns valores

Por Dag Vulpi

São muitas as estórias inusitadas que acontecem no entorno dessa "laranja". Eu mesmo conheço um monte delas, presenciei algumas, e essa que narrarei tive o “privilegio” de vivencia-la.

Pois bem, lá pelos idos dos anos 80 estive em Mutum – MG, e vivi um causo bastante singular. Estávamos lá de férias, eu e mais dois amigos, o Augusto (Gutim) que trabalhava na antiga CESAN, e o José Rubner (Zérrubi), este ultimo trabalhava comigo no extinto Banco Nacional e é natural daquela cidade.

Aproveitamos ao máximo nossa estadia na pacata e prazerosa Mutum daquela época. Foram muitas, e normais para a época nossas aventuras. Nossa solteirice e a tenra idade nos permitiam situações inimagináveis nos dias de hoje. Entre os passeios a cavalo, ver o trabalho dos destemidos domadores de burros chucros, assistirmos empolgados os acasalamentos dos alazões com aquelas pobres éguas, aprender a preparar os cigarros de palha, sim fomos pegos de surpresa, lá não eram comercializados cigarros de maços naquela época, e para sustentar nosso vício precisamos aprender a lidar com aquela novidade. À noite era a vez das jogatinas de cartas, realizadas no único boteco da cidade naquela época. As mineirinhas sabendo que havia rapazes de fora na “cidade” caprichavam no visual e desfilavam na pracinha, nós ficávamos de olhos espichados fazendo a seleção, mas era difícil tirar uma “casquinha”, os rapazes, ao contrário das moças, não estavam muito satisfeito com a nossa presença.

Mas vamos ao que realmente interessa. Era um sábado e o Zérrubi sugeriu uma pescaria, eu topei de pronto e o Gutin também acabou considerando uma boa ideia. O Zé por ser de lá, conhecia bem o riacho, e a pessoa certa para nos acompanhar na aventura. Perto dali morava o senhor que iria nos orientar na pescaria, tratava-se do maior “figura” da região, sua graça era  Genésio.

Ele era baixote, da pele curada pelo sol, como a maioria dos moradores de lá, mas tinha um diferencial, era um desses matutos de personalidade original, sem esforços, e com muita naturalidade não havia um único evento com sua participação que algo peculiar e digno de ser registrado não ocorresse. De saída já tínhamos uma certeza: nossa aventura renderia, talvez nem tantos peixes, mas estória pra contar, e estávamos certos, rendeu.    

Genésio foi logo dando as coordenadas, de fala pausada e quase inaudível ele foi logo dizendo que, por ser sábado, mandava a regra que a pescaria daquele dia deveria ser de peneira.  O Gutin e o Zérrubi aprovaram a ideia de pronto, eu tentei argumentar que uma pesca com anzóis seria mais emocionante, mas logo mudei de ideia, bastou o Genésio me inquirir: Cêjá pescoqui gumavez? Ele falou tão baixo e tão rápido que mudei de opinião no ato, e fui logo pegando uma peneira, e ele já sapecou outra: pégoutra quesseminha!  Não tive dúvidas, aquele era ‘o cara’.

Ficamos parados olhando para baixo (ele era baixo lembram?) quase ouvindo, e não entendendo nada de suas instruções murmuradas. Felizmente o Zé por também ser mineiro, entendia tudo que o mestre Genésio falava, e ia traduzindo para que eu e o Gutin não cometêssemos mais erros, eu então era o menos ousado, pensei até em inventar alguma desculpa para ficar do lado de fora, carregando o bornal com os pescados. Mas o senhor Genésio já havia pensado em tudo, e uma das suas regras era: “Quem sai para pescar tem que se molhar” (O Zérrubi traduziu a frase pra mim!).

Entramos todos os quatro no rio, a água estava gelada, Genésio olhou pra cima e nos fitando, deixou à mostra seus dentes, nunca me esqueci daquele sorriso, eram no máximo quatro dentes, distribuídos de forma irregular entre a parte superior e inferior, aqueles quatro nunca se encontrariam. Quase soltei uma gargalhada, mas felizmente segurei mordendo a língua, Gutim não teve a mesma “sorte” e disparou a risota. Genésio já sem o sorriso no rosto, e não entendendo o motivo da galhofa falou: Guafriané? É simmes Gunsmija gunsrri, Que segundo o nosso tradutor Zérrubi, o Genésio falou: Água fria né? É assim mesmo, Alguns mijam e alguns riem.

Depois dessa iniciamos a pescaria, Genésio sabiamente levava amarrado ao pescoço uma sacola plástica e em seu interior tinha um punhado de palha de milho previamente selecionadas e  cortadas, um isqueiro daqueles com pavio e um punhado de fumo de rolo desfiado, o matuto era prevenido, e sabia que caso molhasse o isqueiro e o fumo, ficaria privado de um dos seus maiores prazeres, o de fumar um belo picão de paia.

Seguíamos riacho abaixo com as águas até os joelhos, e a cada vez que levantávamos as peneiras aumentava a nossa decepção, nada de peixes. Num certo momento chegamos num ponto onde o rio avolumava-se, tanto na sua largura quanto na profundidade, e foi onde pegamos nossos dois primeiros pescados. Genésio falou algo indecifrável para dois capixabas como eu e o Gutim, mas o Zérrubi entendeu e traduziu para nós a seguinte: O Genésio sempre soube que só nesse ponto do rio é possível pegar peixe com peneiras, de lá onde entramos há meia hora até aqui, foi para praticarmos. Olhamos na direção dele que já estava fora do rio, preparando o quarto cigarro, era incrível, ele fumava o tempo todo, e mesmo dentro do rio com a água na altura do umbigo ele preparava seus cigarros de palha com a maior desenvoltura. Sinceramente fiquei um pouco chateado, em ter que sair d’água justo onde os peixes começaram a dar o ar graça, mas pensei melhor, e percebi que não havia maldade no ocorrido, afinal ele também penou rio abaixo, e com uma proporção do corpo bem maior que a nossa submersa na água.

Saímos d’água conforme as instruções do matuto, e logo na margem do rio havia um enorme pé de manga, com frutos maduros. Degustamos alguns, dividimos entre nós três um cigarro que o matuto havia gentilmente preparado e nos presenteado, e entre tossidos e risos “matamos” o cigarro e aguardamos as ordens para voltar à pescaria, que, aliás, era nosso objetivo maior, e até então só havíamos pescado dois peixes.

Finalmente ele deu a ordem e nós não hesitamos, pulamos na água e começamos a passar as peneiras, e os peixes vinham aos montes, em algumas oportunidades pegávamos até quatro de uma única vez. Nossa empolgação fez passar despercebido o fato de estarmos com água na altura dos ombros, e sendo o Genésio um quase anão, certamente ali não seria lugar pra ele. Tarde demais, o que vimos foi uma peneira boiando na correnteza do rio, e algo parecido com uma mão segurando algo sobre a superfície da água. Largamos as peneiras, felizmente os peixes estavam dentro do bornal preso ao meu corpo, senão seria perda total. O Zé alcançou a mão e puxou o restante do corpo já quase sem vida do matuto. Levamo-lo para a margem do rio, e entramos em desespero, pois parecia ter sido aquela a ultima aventura do ícone local. Como haveríamos de levar a noticia, afinal, todos da cidade tinham enorme afeição e consideração por ele. Posto de ponta a cabeça parecia que a água do rio estava toda dentro dele, tamanha era a quantidade de água que ele havia ingerido e agora escoava para fora de sua boca, em alguns momentos eu enxerguei até peixes escoando junto à água. Quando parou de sair água do seu bucho, nós o deitamos, de repente ele levantou a cabeça, balbuciou alguma coisa, abriu a tal mão que servira de referencia para que nós o localizássemos dentro d’água, e sorriu. Ali, na palma de sua mão estava o motivo de sua quase morte por afogamento, olhamos de perto e vimos o isqueiro, algumas lasquinhas de fumo e um corte de palha de espiga de milho, que seria o ultimo cigarro antes de voltarmos da pescaria. Ele contou, e o Zé interpretou para que pudéssemos entender que ele sabia nadar muito bem, era o melhor nadador da região, atravessava o rio doce, que é o maior do estado com uma única mão, na outra ele levava, quando não uma melancia, uma jaca, mas ele jamais largaria aquilo que mais te fazia feliz.


Ainda preocupados ficamos mais um tempo ali sentados, não demorou, ele calmamente pegou a palha de milho, jogou as lascas de fumo uma a uma lá dentro, enrolou pacientemente o cigarro, passou a língua de um lado para o outro, prendeu o cigarro entre os lábios, pegou o isqueiro e, antes de tentar acende-lo olhou para o alto, como se pedisse algo, e então passou as digitais do dedão sobre o isqueiro e a chama brotou do pavio, ele deu outro sorriu, olhou para nós três, acendeu o cigarro, e deu uma bela baforada, deliciando-se com a fumaça que saia de suas entranhas. Piscou um dos amarelados olhos e com a ajuda do nosso interprete em mineres falou. Se existir alguma coisa, qualquer coisa em suas vidas que os façam felizes, lutem para não perde-la, eu já tive muitas coisas nessa longa vida que trazia felicidade, e fui perdendo-as uma a uma sem dar-lhes o devido merecimento, e hoje como vocês perceberam eu quase dei minha vida para salvar não a palha de milho ou o fumo, pois esses são fáceis de conseguir, mas para não perder o único presente que o meu querido pai pode me dar, esse isqueiro, que pode parecer um  insignificante objeto para  muitos, mas que para mim é o único bem de real valor que ainda tenho nessa vida. 

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