terça-feira, 28 de agosto de 2012
Falta de água pode tornar o mundo vegetariano
Segundo
novo estudo, mudança radical de hábitos será necessária para garantir a
segurança alimentar da população mundial, que deverá chegar a 9 bilhões em 2050
Diariamente, um bilhão de mulheres, homens e crianças vão dormir com fome,
enquanto 10 milhões morrem por desnutrição a cada ano. Se ainda hoje o mundo
não conseguiu sanar esse mal, que afeta um em cada sete de seus habitantes,
como é que vamos alcançar a segurança alimentar para uma população
que em 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas?
Um
novo estudo mostra que a solução para evitar uma catástrofe alimentar passará
por uma mudança quase completa de uma dieta a base de carne para uma mais
centrada em vegetais. E isso deverá acontecer por um único motivo: a escassez
de água. É o que aponta o relatório “Alimentando um mundo sedento:
Desafios e Oportunidades para a segurança hídrica e alimentar”, divulgado ontem
na Suécia, por ocasião da Semana Mundial da Água.
A
análise mostra que não haverá água suficiente para alcançar a produção esperada
em 2050 se seguirmos com a dieta característica dos países ocidentais em que a
proteína animal responde por pelo menos 20% das calorias diárias consumidas por
um indivíduo.
Na
ponta do lápis, de acordo com os cientistas, a adoção de uma dieta vegetariana
é atualmente uma opção para aumentar a quantidade de água disponível para
produzir mais alimentos e reduzir os riscos de desabastecimento em um mundo que
sofre com extremos do clima, como a seca histórica que afeta os Estados Unidos.
O motivo é que a dieta vegetariana consome de cinco a dez vezes menos água que
a de proteína animal – que hoje demanda um terço das terras aráveis do mundo só
para o cultivo de colheitas para alimentar os animais.
“A
capacidade de um país de produzir alimentos é limitada pela quantidade de água
disponível em suas áreas de cultivo”, ressalta um trecho do relatório, que
alerta sobre a pressão atual e crescente sobre esse recurso natural usado de
forma cada vez mais insustentável. Segundo previsões da FAO (Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, da sigla em inglês), será necessário
aumentar a produção de alimentos em 70% nos próximos 40 anos para atender à
demanda. Isto colocará uma pressão adicional sobre os nossos hídricos, num
momento em que precisaremos também alocar mais água para satisfazer a demanda
global de energia, que deverá crescer 60% em três décadas, salientam os
cientistas.
Estresse
hídrico
Um
outro estudo divulgado em maio pela consultoria britânica Maplecroft
mostrou que o mundo já vive um “estresse hídrico” e que a falta de acesso à
água potável vem pesando sobre os países mais pobres ou marcados por histórico
de conflitos militares, instabilidades políticas e sociais. Segundo o
levantamento, os países do Oriente Médio e África são os mais vulneráveis à
falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de
instabilidade.
Em
alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Kwait e Arábia
Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações. Primeiro
colocado na lista de 10 países em “risco extremo” de falta d´água,
Bahrein, no Golfo Pérsico, usa águas subterrâneas para a prática da
horticultura, porém, em quantidade insuficiente para atender toda a população.
A deterioração dos lençóis subterrâneos de água já é uma das principais preocupações
nacionais
Maconha: quanto custa o “barato” para o meio ambiente?
Nos
EUA, produção da erva no interior de casas e apartamentos consome 1% da
eletricidade do país e gera emissões de CO2 equivalentes ao de três milhões de
carros, diz estudo
Depois
da cidade espanhola de Rasquera, na Catalunha, resolver plantar maconha para
fugir da crise, três estados americanos, Washignton, Oregon e Colorado, vão
levar à votação, em novembro, junto com as eleições presidenciais, uma proposta
de legalização da cannabis sativa para uso recreativo. Mais do que abraçar
argumentos médicos ou científicos, eles defendem que a venda da maconha
(liberada em 14 estados do país para uso medicinal) poderá gerar aos cofres
públicos alguns bilhões de dólares em tributos.
Mas
há uma questão específica que é praticamente esquecida: o impacto ambiental da
produção da maconha no país, como destaca o site Huffington Post. A
reportagem sobre a pegada de carbono da erva cita um estudo independente
divulgado ano passado que mostra que a maconha cultivada nos EUA tem um custo
ao meio ambiente.
A
análise feita pelo pesquisador Evan Mills, especializado em energia e mudanças
climáticas, revela que a produção da erva no interior de casas e apartamentos,
que funcionam como estufas (o chamado cultivo indoor), consome pelo menos
1% de toda a eletricidade do país. Essa demanda de energia custa cerca de 6
bilhões de dólares.
Da
perspectiva dos consumidores individuais, um único cigarro de cannabis
representa 2 quilos de emissões de CO2, um montante igual a deixar uma lâmpada
de 100 watts acesa por 25 horas. Somando a energia consumida mais o transporte
da droga, a produção anual da erva nesse formato geraria emissões de CO2
equivalentes ao emitido por três milhões de carros.
Segundo
o relatório, o cultivo indoor demanda um sistema intensivo de “iluminação,
técnicas específicas de desumidificação para remover o vapor de água,
aquecimento especial durante períodos frios e nublados”. Por isso, há quem
defenda que a legalização da erva permitiria uma maior produção ao ar livre, o
que reduziria a pegada de carbono da droga.
Multiuso
Não
há dúvidas de que o debate sobre liberar ou não a droga vai levantar discussões
acaloradas nos próximos meses. Principalmente se as discussões abordarem não
apenas a vocação terapêutica e medicamentosa da canabis sativa, mas também sua
aplicação em carrocerias de carro e até mesmo a capacidade de produzir
energia. Pesquisadores da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos,
descobriram que a fibra da Cannabis sativa, conhecida como o cânhamo
industrial, tem propriedades que a tornam viável e atraente como matéria-prima
para a produção de biodiesel.
Aprenda o caminho para o primeiro milhão
No
Brasil, diariamente 19 pessoas se tornam milionárias, desde 2007. Aprenda com
quem já conquistou o primeiro milhão a multiplicar seu dinheiro para também
chegar lá
Em
2008, quando ainda trabalhava como gerente de uma agência do Itaú Unibanco, em
São Paulo, Matheus Pardi de Castro, de 35 anos, enxergou uma boa oportunidade
de ver o dinheiro crescer: o investimento em imóveis em sua cidade
natal, Ribeirão Preto. Sem verba em caixa, resolveu ousar. Reuniu cinco amigos
e fundou um clube de investimento. Os aportes mensais do Clube dos Seis, nome
oficial do grupo, começaram tímidos, de 500 reais por pessoa e, em quatro
meses, foram duplicados.
O
clube, atualmente, já acumula algo em torno de 400.000 reais, pulverizados em
diversos negócios. As quantias não se multiplicaram em um toque de mágica. O
modelo encontrado foi investir, como cotista, em imóveis em construção com
aportes em torno de 6.000 reais por mês, e adquirir o apartamento a preço de
custo na entrega das chaves. Durante 41 meses, e um total de 161.000 reais,
resolveram investir na compra de 30% de um imóvel. Caso o apartamento, de 250
m², for vendido hoje pelo valor de mercado, de 1 milhão de reais, terão 285.000
reais em mãos (descontando 5% da corretagem), um ganho superior a 56% do valor
que aplicaram.
Esse
tipo de investimento só é possível porque os únicos encargos financeiros da
obra recaem sobre as taxas de administração e de responsabilidade técnica, que
são pagos diretamente ao engenheiro civil responsável pela construção, sem a
existência das tradicionais margens cobradas por incorporadoras e demais
intermediários. O grupo também resolveu investir as "sobras de caixa"
(que não eram aplicadas no apartamento) em pequenos empreendimentos,
financiando de empresas de locação de equipamentos para eventos a consultórios
odontológicos, com retorno mensal em torno de 2,5%. A lógica era sempre fazer o
dinheiro girar, dividindo os riscos entre todos.
A
disciplina com que comandam o fundo, com reuniões trimestrais de planejamento e
avaliação de resultados, e a forma como realizam os depósitos,
"mensalmente de maneira sagrada", levou a trupe a almejar um objetivo
ainda mais ousado: o de cada sócio acumular o primeiro milhão em dez anos.
"O objetivo do clube não é enriquecer os sócios, mas permitir nossa independência
financeira e a realização dos sonhos", diz Matheus, que abandonou o banco
em setembro para se dedicar aos novos objetivos, que incluem o investimento em
um site que comercializa objetos de decoração.
Na
hipótese de a estratégia dar certo, em dez anos os seis amigos entrarão em um
time que não para de crescer: o de milionários no Brasil. Segundo levantamento
feito pelo banco americano Haliwell Bank, eles já somam 137 000 em uma lista
que ganha 19 membros por dia desde 2007. O mais impressionante: os afortunados
devem continuar crescendo no mesmo ritmo pelos próximos três anos.
Os
números podem ser incertos (não levam em conta apenas os recursos líquidos
disponíveis para investimentos, mas também ativos como propriedades e
automóveis, além de aplicações em poupança dos novos ricos), mas a explicação
para o aumento de pessoas com contas bancárias mais robustas vai além de
fatores macroeconômicos e está na ponta da língua dos especialistas. O
crescimento econômico do Brasil na última década, a inflação controlada e uma
maior oferta de emprego e de crédito, que responderam pela chegada de 40
milhões às classes B e C, ajudaram sim, é certo. Mas não é tudo.
Se a
renda desses novos consumidores cresceu, profissionais e empresários das mais
diversas áreas (construção, imobiliárias, TI, agronegócio) viram seus recursos
se multiplicar. Some-se a isso a capitalização histórica por meio de fusões e
aquisições, a atração de fundos de investimento ou a abertura de capital (IPO,
na sigla em inglês), e tem-se o pano de fundo para a proliferação de
milionários.
Boa notícia
A boa
notícia é que não é preciso ser dono de um negócio nem alto executivo, com
salário e bônus polpudos, para fazer parte desse clube seleto.
"Independentemente de cargo e salário, a verdade é que quem deseja ficar
milionário tem de ter disciplina e gerar a riqueza a partir do trabalho",
diz o diretor do Bradesco Private, João Albino Winkelmann. Paulo Rogério
Caffarelli, vice-presidente de atacado, negócios internacionais e private bank
do Banco do Brasil, explica que o novo milionário consegue sua fortuna em um
espaço de tempo menor do que os clientes mais antigos.
"Observamos
também um jovem investidor preocupado com o fluxo de caixa e com suas
aplicações. Ele trata seus investimentos como uma empresa", compara. Dados
da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais
(Anbima) apontam para um número menor, porém não menos expressivo, de 65 000
milionários no país com fortunas que impressionam. Em 2011, foram 434,4 bilhões
de reais em ativos sob gestão (alta de 21,6% sobre o ano anterior) dos bancos.
Ainda
que administrem riquezas que superem muitas vezes a barreira do primeiro milhão
de reais — cada afortunado tinha aplicado, em média, 8,6 milhões de reais em
2011 —, o perfil dos milionários vem mudando nos últimos anos e a fórmula que
usam para o dinheiro multiplicar pode ser um importante farol para quem planeja
chegar lá.
Faça como eles
Tradicionalmente,
o milionário brasileiro era do sexo masculino, na faixa dos 55 anos de idade,
empresário, advogado ou oriundo do mercado financeiro, e de perfil visivelmente
conservador em suas decisões de investimento. Esse tipo, porém, vem sendo
rejuvenescido nos últimos anos com a chegada de uma nova leva, na faixa dos 35
anos, com grana que acumulou para investir.
"Enquanto
os clientes private europeus são mais velhos e têm como meta principal
administrar suas fortunas, em mercados emergentes como o Brasil os milionários
são mais jovens e ainda estão acumulando sua riqueza", diz Gustavo
Raitzin, presidente do banco Julius Baer para a América Latina, a maior
instituição private da Suíça, que desembarcou no país em 2011 de olho nesse
boom de novos milionários que são gerados todo ano por aqui.
Exemplos
como o de Matheus Pardi mostram que, independentemente de comandar um negócio
próprio ou de receber bônus polpudos todo ano, com a atitude certa e algumas
regras básicas é possível transformar o objetivo em realidade.
Comece cedo
Começar
cedo, antes dos 30 anos, reduz o valor a ser poupado mensalmente e traz como
vantagem tanto acumular por um período mais longo quanto garantir a realização
do sonho de forma mais rápida. Mas é preciso paciência e disciplina, já que
essa busca toma tempo.
"Ninguém
verá 100.000 reais se transformarem em 1 milhão de reais em apenas dois
meses", diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em
Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). De fato, alcançar esse valor
simbólico da independência financeira pode variar de prazos que parecem curtos,
como dez anos, a outros que soam como uma vida inteira, como quatro décadas,
dependendo de fatores como o orçamento mensal, o quanto será alocado
mensalmente ou anualmente para atingir esse objetivo e — aqui começa a regra
número 2 — a disciplina com que esses aportes serão feitos.
Especialistas
defendem que uma boa estratégia é reservar ao menos 15% dos investimentos para
esse fim. Quanto mais, melhor. Proponha algumas metas, trabalhe sobre elas e
calcule a possibilidade de poupar também salários extras, bônus e eventuais
participações nos lucros nessa bolada.
Plano de investimento
O
conhecimento dos produtos que trarão maior rentabilidade ao investimento tem
obrigatoriamente de fazer parte de qualquer plano estratégico. A opção por um
em detrimento de outro definirá se o seu perfil é mais conservador, moderado ou
agressivo. Investir em renda variável, como o mercado de ações, pode garantir
ganhos maiores, mas oscilações podem fazer os novos investidores perder
dinheiro.
No
caso dos milionários existentes, as estatísticas da Anbima apontam para o
conservadorismo. Haja vista que, dos 434,4 bilhões de reais em ativos
administrados pelos bancos private no ano passado, 222,2 bilhões foram
aplicados em renda fixa, como títulos e valores mobiliários. Apenas as
aplicações em previdência aberta cresceram 62,3% no ano passado. Fazer como os
milionários, ou seja, buscar liquidez enquanto se protege o capital, leva
necessariamente à regra número 3: pulverizar os investimentos. Começar as
aplicações em renda fixa é o primeiro passo.
Conforme
o dinheiro se acumula, é possível estabelecer regras progressivas de renda
variável em relação à renda fixa. Uma delas é a que estabelece um patamar de
80% em relação à idade. "Se a pessoa tiver 30 anos, pode investir 50% em
renda variável e 30% em renda fixa. Aos 40, divide meio a meio entre as duas
modalidades, e assim progressivamente", explica José Roberto Savóia,
professor de finanças da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo (FEA-USP).
Margem de risco
Em
outras palavras, quanto mais jovem o investidor, maior é a margem de risco que
pode ser administrada, com eventuais ajustes ao longo do tempo. Em renda fixa,
a poupança (taxa garantida de 6% ao ano mais correção monetária) aparece sempre
como opção segura de alocação de parte do investimento. Escolher títulos do Tesouro
Direto, ao lado de um fundo com derivativos, pode servir de complemento
importante dentro desse objetivo de atingir 1 milhão de reais.
É
importante lembrar que, com as recentes quedas da taxa de juros, o retorno de
investimentos em renda fixa também será menor. Nesse caso, investir em ações
sempre é uma alternativa, mas pode representar risco se houver falta de
conhecimento sobre a bolsa e de tempo para acompanhar o sobe e desce dos
papéis. Para quem não tem dedicação ou experiência, a sugestão dos especialistas
é apostar em fundos de ações de primeira linha, as mais importantes do Índice
Bovespa, ou os fundos multimercado.
Esses
fundos aplicam em diferentes papéis, como títulos de renda fixa, ações, juros,
títulos públicos e câmbio, e são normalmente mais arriscados e rentáveis do que
os de renda fixa. Os fundos multimercado costumam atrair investidores para a
renda variável, mas não estão seguros para apostar em ações. "Na dúvida,
procure um gestor com experiência e tome cuidado com as taxas de administração",
finaliza José Roberto, da FEA-USP.
Volume de fusões e compras é menor em 5 anos com novo Cade
O
volume total de fusões e aquisições anunciadas este ano está em US$ 42,5
bilhões no Brasil, enquanto globalmente a queda é de 18%
Nova
York/São Paulo - O volume de fusões e aquisições no país caiu 42 por
cento neste ano até agora e 2012 caminha para ser o ano mais fraco para a
atividade desde 2007 com o desaquecimento da economia e diante das novas regras
que podem ampliar o prazo de espera para que empresas unam suas operações.
O
volume total de fusões e aquisições anunciadas este ano está em US$ 42,5
bilhões no Brasil, enquanto globalmente a queda é de 18 por cento, segundo
dados compilados pela Bloomberg.
Desde
1 de junho, empresas anunciaram 129 transações avaliadas em US$ 8,18 bilhões,
uma queda de 53 por cento na comparação anual. Foi nessa data que entrou em
vigor a nova lei que exige que as empresas tenham aprovação do Conselho
Administrativo de Defesa Econômica antes de fechar fusões ou aquisições.
A
queda nos negócios deve reduzir as comissões e aumentar a concorrência entre
bancos de investimento e consultores para fusões, disse Henrique Machado
Barros, professor de inovação e estratégia do Insper-Instituto de Ensino e
Pesquisa, de São Paulo.
Apesar
de a nova lei não afetar operações fechadas no primeiro semestre, como a compra
de uma participação na Cia. de Gás de São Paulo pela Cosan SA Indústria &
Comércio por US$ 1,8 bilhão, ela deve atrasar negócios que seriam fechados até
o fim do ano por gerar incertezas em um mercado que já sofre com a aversão a
risco, disse Otávio Guazzelli, que comanda a área de banco de investimento na
BR Partners.
“O
anúncio de negócios deve desacelerar até o fim do ano, enquanto as pessoas
esperam para ver como o Cade vai julgar casos novos”, disse Marco Gonçalves,
que comanda a área de M&A do BTG Pactual SA, quarto colocado no ranking de
bancos líderes na atividade no País, segundo dados compilados pela Bloomberg.
“Empresas só vão prosseguir com as transações se tiverem 100 por cento de
certeza de aprovação”, disse ele em conferência Bloomberg Brasil no Rio de
Janeiro em 14 de agosto.
41 vítimas de escalpelamento foram indenizadas no Amapá e no Pará
Dados
da Defensoria Pública da União no Amapá e no Pará indicam que 41 vítimas de
escalpelamento em barcos foram indenizadas desde 2009, quando o pagamento
começou a ser feito no Brasil. Os dois estados concentram a maior parte dos
acidentes, que acontecem quando os cabelos se enroscam no eixo do motor das
embarcações e provocam a mutilação.
No
Amapá e no Pará, dez casos de escalpelamento foram registrados oficialmente –
seis em 2009, três em 2010 e um em 2012. Os defensores alertam, entretanto, que
os números podem ser maiores, já que existe subnotificação e vários acidentes
não são comunicados às autoridades estaduais e municipais.
O
tempo médio de espera pela indenização é de dois a três anos e a quantia paga
varia de R$ 13.500, em casos de escalpo total (quando são arrancados o couro
cabeludo e partes do rosto, como orelhas e pálpebras), a R$ 7.500, para escalpo
parcial.
No
Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, lembrado hoje (28), o
subdefensor público-geral federal no Amapá, Afonso Carlos Roberto do Prado,
avaliou que a falta de conhecimento sobre os riscos de escalpelamento ainda é
grande, sobretudo na Região Norte. “É uma questão de ordem educacional. As
pessoas não conseguem ver o eixo do barco como um perigo iminente”, explicou,
ao se referir às populações ribeirinhas que usam o transporte fluvial.
O
pagamento das indenizações integra o Projeto Itinerante de Erradicação do
Escalpelamento, que prevê ações de prevenção aos acidentes e uma linha de
crédito para que os barqueiros instalem proteção nos motores, impedindo que os
cabelos dos passageiros se enrosquem no eixo.
As
ações preventivas, segundo Prado, se baseiam no convencimento dos governos
estaduais e municipais e também dos fabricantes de motores e de embarcações
artesanais. “As pessoas mais simples conseguem recompor boa parte do prejuízo
financeiro sofrido [por meio da indenização], mas as dores de ordem moral são
muito grandes”, disse.
Em
maio deste ano, cerca de 60 vítimas de escalpelamento no Amapá foram atendidas
por um mutirão de cirurgias reconstrutoras. No último dia 18, os cirurgiões
plásticos voluntários retornaram ao Amapá para a segunda etapa de
procedimentos. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica indicam que
pelo menos 300 pessoas tenham sofrido algum tipo de escalpelamento na região
entre Belém e o estado do Amapá nas últimas décadas.
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