O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado remarcou para o
dia 19 de abril, às 10h, mais uma reunião para ouvir o senador Delcídio
do Amaral (sem-partido) sobre a acusação de tentar atrapalhar as
investigações da Operação Lava Jato, ao oferecer um plano de fuga e
dinheiro ao ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, para que ele não
fizesse acordo de delação premiada.
sexta-feira, 8 de abril de 2016
Impeachment: comissão ainda não sabe se haverá reunião no fim de semana
Líderes da oposição chegaram ontem (7) para mais uma reunião com o presidente da comissão que analisa o impeachment
da presidenta Dilma Rousseff, deputado Rogério Rosso (PSB-DF), sem
esperança de um acordo. Com 118 parlamentares inscritos para falar sobre
o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que ontem votou pela
continuidade do processo, há impasse em torno da continuidade dos
trabalhos durante o próximo fim de semana para garantir que o debate
seja esgotado e o texto possa ser votado a partir das 17h da próxima
segunda-feira (11).
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Professores universitários fazem manifesto internacional contra impeachment
Pesquisadores
e professores universitários brasileiros lançaram na noite de ontem (6), na
Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista, um manifesto
internacional contra o impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff. A
carta, traduzida para inglês, espanhol, e o francês, conta com mais de
três mil assinaturas de acadêmicos de universidades brasileiras e estrangeiras.
O manifesto é
assinado por pesquisadores e professores como Fábio Konder Comparato, Miguel
Nicolelis, Wilson Cano, Eduardo Viveiros de Castro, Marilena Chauí, Wanderley
Guilherme dos Santos, Alfredo Bosi, Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão,
Ruy Fausto, Luis Felipe Alencastro e Leda Paulani.
A carta, disponível na íntegra em http://brazilianobservatory.com, aponta para uma possível ruptura da legalidade no país.
“O risco da
ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e
de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política
brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal
veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) - pode comprometer a
democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem
precedentes”.
Segundo o
texto, as denúncias que emergem da operação Lava Jato têm sido usadas contra o
mandato da presidenta Dilma, mesmo sem que haja participação dela nas
irregularidades. No entanto, segundo o manifesto, as denúncias contra líderes
da oposição têm sido “em grande medida desprezadas nas investigações e
silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia”.
“Embora não
pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a Operação Lava Jato
tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso na Câmara dos
Deputados – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara
dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho
de Ética dessa mesma casa legislativa”, acusam os autores da carta.
A carta ainda
ressalta que a Operação Lava Jato tem sido maculada pelo uso constante de
medidas que a legislação brasileira estabelece como excepcionais. “As prisões
arbitrárias são abertamente justificadas como forma de pressionar os acusados e
deles obter delações contra supostos cúmplices. Há um vazamento permanente e
seletivo de informações dos processos para os meios de comunicação. Existem
indícios de que operações policiais são combinadas com veículos de imprensa, a
fim de ampliar a exposição de seus alvos. Até a Presidenta da República foi
alvo de escuta telefônica ilegal”, afirma o texto.
Ministro Celso de Mello nega abertura de novo impeachment contra Temer
O ministro
Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ontem (6) novo pedido
para abertura de processo de impeachment contra o vice-presidente da
República, Michel Temer. O pedido foi feito pelo deputado federal Cabo Daciolo
(PTdoB-RJ). Na decisão, o ministro entendeu que o Supremo não pode interferir
nas atividades do Congresso.
"Não
conheço do presente mandado de segurança, em atenção e em respeito ao postulado
essencial da separação de Poderes, restando prejudicado, em consequência, o
exame do pedido de liminar", decidiu.
Daciolo
recorreu ao Supremo após decisão de Eduardo Cunha que rejeitou abertura de
processo de impeachment contra Temer por crime de responsabilidade. O
deputado prentedia que o vice-presidente fosse incluído no processo de impeachment que
tramita contra a presidenta Dilma Rousseff.
O parlamentar
sustentou que não há como dissociar a conduta de Temer na assinatura de
decretos de créditos suplementares. Dessa forma, segundo o parlamentar, o vice
também deve responder por crime de responsabilidade.
"Em
relação a edição de decretos sem número, a participação do vice-presidente foi
ativa e não tão somente omissiva, pois nas datas em que a presidente da
República se ausentava em viagem para o exterior, na condição de presidente em
exercício, o vice-presidente autorizou indevidamente e sem o aval do Congresso
Nacional a liberação de créditos suplementares", diz o deputado.
De acordo com
Mello, Eduardo Cunha tem poderes para admitir ou não o processamento da
denúncia do deputado. Para o ministro, a matéria deve ser decidida internamente
pela Câmara, sem interferência do Judiciário.
"A
deliberação ora questionada nesta sede mandamental, como claramente resulta de
seu texto, exauriu-se no domínio estrito do regimento legislativo,
circunstância essa que torna inviável a possibilidade jurídica de qualquer
atuação corretiva do Poder Judiciário, constitucionalmente proibido de
interferir na intimidade dos demais Poderes da República", argumentou.
A ação do
deputado foi protocolada no STF um dia depois da decisão do ministro Marco Aurélio, que determinou que o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha, dê seguimento a um pedido de impeachment contra
Michel Temer. A posição do ministro foi tomada em uma ação do advogado Mariel
Marley Marra contra o presidente da Câmara dos Deputados, que negou o
seguimento do processo contra Temer.
Estudantes fazem ato no Rio contra processo de impeachment de Dilma
Um
protesto contra o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff,
voltou a encher de estudantes, na noite desta quarta-feira (6), o Largo
de São Francisco, no centro do Rio de Janeiro, local de lutas históricas pela
democracia durante a ditadura militar. Um palco foi armado em frente ao
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (IFCS/UFRJ), onde se apresentaram grupos artísticos e discursaram
diversas lideranças políticas e estudantis.
“É importante
construirmos um terceiro campo de luta. Que seja contra o impeachment, afinal
não e existem provas para se manter esse processo. Isso mostra que a nossa
Justiça é altamente seletiva, só serve aos de cima. Mas, ao mesmo tempo, nós
não defendemos o governo federal. Temos que lutar por direitos, contra os
retrocessos do governo, mas defendendo as conquistas democráticas, tão
duramente alcançadas. Existe um golpe jurídico em curso”, declarou o diretor do
Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ, Pedro Paiva.
O reitor da
UFRJ, Roberto Leher, criticou a tentativa de impeachment contra a presidenta
Dilma. “A nosso ver, está em curso um processo perigoso e sombrio de
desestabilização de um governo. Avaliamos que esse processo envolve setores do
Judiciário, da mídia e do Parlamento, objetivando derrubar o governo para
implementar uma política de ajuste fiscal de proporções gregas. Nós estamos
acompanhando com muita apreensão, porque entendemos que os desdobramentos deste
tipo de ação atingirão fundamentalmente os trabalhadores, a juventude e a
educação pública”, disse Leher.
Presentes ao
ato, representantes do Sindicato dos Petroleiros argumentaram que parte das
pressões pelo impeachment de Dilma vêm das indústrias petrolíferas
internacionais, que desejam se apossar do petróleo do pré-sal.
“A discussão
do impeachment é para escamotear a entrega do pré-sal. Nós estamos na luta
contra esse golpe. Eles querem é tomar o pré-sal, que garante o nosso
abastecimento pelos próximos 50 anos. A disputa pelo petróleo no mundo se dá
através de guerras e da derrubada de governos”, disse o secretário-geral do
Sindipetro-RJ, Emanuel Cancela.
Cassado em 2005, Roberto Jefferson volta à Câmara para defender impeachment
Era só o que faltava. Onze anos
depois de ter o mandato cassado, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) voltou
ontem (6) à Câmara para defender a aprovação do impeachment da
presidenta Dilma Rousseff. Delator do mensalão e condenado a mais de sete anos
de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o julgamento da Ação Penal
470, Jefferson prometeu “trabalhar duro” para unir o PTB a favor do afastamento
de Dilma.
Militante da
chamada tropa de choque do ex-presidente Fernando Collor Mello, cassado em
1992, Jefferson disse hoje que Dilma não tem mais condições de se manter à
frente do país. “O governo acabou politicamente e moralmente. Não há condições
mais de ela [Dilma] continuar à frente do governo. Como não temos um regime
parlamentarista, vamos para o impeachment”, argumentou.
Conhecido por suas frases de efeito, Jefferson disse que o colega de partido Jovair Arantes (GO), relator da Comissão Especial do Impeachment, fez “um golaço de rasgar a rede” ao defender o prosseguimento do processo de afastamento. “Ele merece um troféu”, disse.
Para o ex-deputado, a batalha pelo impeachment não será fácil. “É uma luta do dia a dia, tem que ser buscada, não é uma luta fácil.”
Eduardo
Cunha
Na avaliação
do Roberto Jefferson, as acusações contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), e o fato de o deputado ser réu em ação no STF não inviabilizam o
trabalho do peemedebista à frente da sessão que votará o impeachment. “Ele
conhece profundamente o regimento interno e tem dado um show de interpretação,
de bom senso na aplicação. Está indo muito bem”.
Segundo
Jefferson, Cunha trava uma batalha contra o PT, da qual vai sair vitorioso.
“Ele vai vencer o duelo. O Lula [ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] nunca
esperou encontrar um pistoleiro tão bom quanto ele: rápido de gatilho, que
atira pelas costas, atira na tocaia, rouba no jogo de pôquer, assalta o banco
da cidade. O Lula nunca esperou encontrar um pistoleiro a altura dele. Ele
[Cunha] é o meu herói”, ironizou.
Eleições Gerais
Em relação à
proposta de realização de eleições gerais ainda este ano, defendida pela
ex-senadora e ex-candidata à Presidência Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e
lideranças do PMDB, Jefferson disse acreditar que isso “enfraquece” o movimento
pelo impeachment.
“Como ela [Marina Silva] é próxima ao PT e quer herdar parte dos eleitores do PT, está fazendo esse discurso, que é ruim e enfraquece essa decisão do Congresso, da sociedade de colocar um ponto final, um basta ao desgoverno do PT”.
Assinar:
Postagens (Atom)
Sobre o Blog
Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!
Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.