sábado, 20 de outubro de 2012

Dilma diz que PT representa nova forma de fazer política


Durante campanha em Campinas, a presidente afirmou que os governos petistas governam para o povo

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo
CAMPINAS - No maior evento já realizado durante a campanha em Campinas, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderam neste sábado, 20, que o PT "representa uma nova forma de fazer política" no Brasil, em comício do candidato a prefeito da cidade Márcio Pochmann (PT). Para cerca de 10 mil pessoas que lotaram duas praças no centro de Campinas, Dilma e Lula atacaram os governos do PSDB e mandaram um recado para o PSB, partido do adversário local Jonas Donizette, atual aliado do governo federal e possível adversário do PT em 2014.

"Somos de um governo que não persegue ninguém e não discrimina, mas isso não significa que eu não tenha time", afirmou Dilma.
O candidato do PSB local usa em sua campanha a aliança do com o PT no governo federal para dizer que terá boas relações com Dilma, apesar de ser coligado na cidade com o PSDB, que tem o vice em sua chapa.

Segundo Dilma, que definiu Campinas como única cidade do interior do país que ela fará campanha nesse segundo turno, Pochmann representa o novo como ela representava em 2010, mas "não a inexperiência".

"Dizem para vocês, como diziam de mim, que eu não tinha experiência, que eu era uma pessoa que não era capaz de governar. O que eles queriam apontar é que nós somos os representantes de uma nova forma de fazer política. Política decente", afirmou Dilma.

Os principais ataques vieram de Lula. "Diziam que o Márcio era apenas um poste, como diziam que a Dilma era um poste, que não sabia governar. Mas é de poste em poste que o Brasil vai ficar iluminado", afirmou Lula.

A presidente afirmou que a principal diferença é que os governos petistas governam para o povo. "Representamos 10 anos de governo, 8 anos do Lula e dois meus. Nos quais nós aprendemos a fazer desse país, um país desenvolvido onde as pessoas tenham oportunidades, de estudar", disse a presidente.

O ex-presidente relembrou sua primeira eleição a presidente em 1989 quando afirmou que era "um bagrinho" e acabou indo para o segundo turno. Segundo ele, os meios de comunicação na época tiveram medo do Lula.

"A tentativa de intimidar a sociedade com a figura do Lula. As mesmas pessoas que amavam o cristo porque tinha barba, em odiavam porque eu tinha barba", afirmou. "O Brasil não pode cometer o erro que cometeu em 1989", afirmou Lula ao citar a eleição presidencial em que foi derrotado por Fernando Collor.

"Não foi o Lula que perdeu, foi o Brasil que perdeu a chance de ter evoluído 20 anos atrás para o momento que está vivendo hoje. Se tivéssemos ganho a eleição, não teríamos tantos jovens na criminalidade, já teríamos duas ou três vezes mais estudantes fazendo universidade", disse o ex-presidente, que indicou pessoalmente o nome do economista Pochmann para a disputa em Campinas.

O presidente afirmou também que o PSDB em 20 anos a frente do governo do Estado de São Paulo não beneficiou Campinas como o PT no governo Federal. "Duvido que os tucanos que estão no governo do Estado tenham colocado nesses 20 anos em Campinas o dinheiro que eu pus quando fui presidente", disse Lula, que também afirmou que o PSDB levou para a cidade apenas "presídios e os pedágios mais caros do Brasil."

Num palanque repleto de ministros do governo federal, prefeitos eleitos petistas e lideranças nacionais do partido, o ex-presidente Lula mandou um recado para o adversário local do PSB, que tem usado a aliança do partido no governo federal na campanha.

"Não tem na história do país nenhuma demostração de alguém que por ter um programa de rádio e ficar distribuindo cadeira de rodas, dentadura, tenha dado certo como prefeito de qualquer cidade desse país", afirmou Lula. Jonas, que é deputado federal foi radialista em Campinas.

Serra critica pesquisas e afirma que elas têm 'credibilidade baixa'


Em desvantagem para Haddad nas intenções de voto, candidato do PSDB diz que números são outros internamente



As pesquisas divulgadas nesta semana que apontam o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, em desvantagem contra Fernando Haddad (PT) não significam muita coisa para o tucano, que usou o termo "credibilidade baixa" ao ser questionado sobre os números.
No Ibope, Haddad figurou com 49% das intenções de voto diante de 33% de Serra; no Datafolha, o petista teve os mesmos 49% e o tucano, 32%.

"Se dependesse das pesquisas eu teria ficado em terceiro lugar, não teria vindo para o 2.º turno. As pesquisas estão, hoje em dia, não com má intenção, mas com a credibilidade baixa", disse Serra, após visitar um conjunto habitacional em São Miguel Paulista, na zona leste da capital.

Segundo o candidato, as pesquisas internas revelam outro cenário. Serra afirmou ainda que os resultados divulgados na última semana, mesmo que distorcidos, segundo ele, não abateram a campanha. Pelo contrário.
"Funciona como balde de água quente, para estimular", afirmou o candidato do PSDB.

O governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), que acompanhou a visita ao lado de Serra, disse que a definição dos votos ocorre na reta final da campanha. Questionado sobre a alta rejeição de Serra - ela chegou a 52%, apontou a última pesquisa Datafolha - Alckmin relativizou: "Isso é fotografia de um momento".

Pênalti. Após receber apoio do goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, durante visita que fez ontem ao Museu do Futebol no Pacaembu, Serra e o jogador brincaram de cobrar pênaltis, num espaço que é uma das atrações do local.

Antes, porém, o candidato do PSDB tirou os sapatos para não perdê-los quando chutasse a bola, como ocorreu no fim de setembro, em Ermelino Matarazzo, na zona leste. "É o mesmo sapato", brincou Serra.
Só de meias, o tucano fez duas cobranças: a primeira delas, acertou a bola num fotógrafo. A segunda, converteu.
Ricardo Chapola - o estado de S.Paulo

Só entidade boa manterá contratos, diz Haddad


Petista nega que vá extinguir organizações sociais de saúde: 'Vou seguir TCM e Justiça'



O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou ontem que, se eleito, renovará apenas os contratos com as organizações sociais (OS) na saúde que forem "bem-sucedidos".
"Se estiverem caminhando bem, (renovarei) sim. Por que não?", disse Haddad, em defesa da manutenção das parcerias. Ele voltou a negar que pretenda extinguir o modelo das OS na gestão das unidades de saúde. Haddad afirma, no seu programa de governo, que vai "retomar, sem prejuízo dos condicionantes contratuais legais e após providências administrativas necessárias, a direção pública da gestão regional e microrregional do sistema municipal de saúde".

Segundo o petista, seu objetivo é fortalecer o papel da Prefeitura na gestão do sistema e seguir recomendação do Tribunal de Contas do Município para melhorar a transparência no controle de gastos destas entidades. "Independentemente de parceria ou não, o sistema de saúde é único. Não podemos abdicar de administrar o sistema como um todo. Os contratos precisam ser fiscalizados, precisa haver transparência, controle do gasto, criar cláusulas para, quando as metas não forem atingidas, qual será o procedimento. Isso é regulação do sistema", defendeu.

O tema foi explorado pelo seu adversário José Serra (PSDB), no debate da TV Bandeirantes, anteontem, e na campanha tucana na internet. O tucano diz que Haddad vai acabar com a gestão das OS na rede municipal. Haddad afirmou, porém, que determinará às OS que venham a gerir novos hospitais públicos que contratem profissionais por concurso. Ele argumenta que a Justiça paulista já fez esta recomendação à Secretaria Estadual da Saúde.

"Há uma decisão recente da Justiça dizendo que temos de observar as regras da transparência de seleção no caso de servidores de OS. A qualquer momento essa decisão vai acabar valendo pra todo mundo", argumentou. "Para as próximas contratações, se a Justiça entende que a contratação deve seguir um determinado protocolo, a partir do momento que essa decisão valer, no nosso caso vamos seguir o protocolo."

Ele ressalvou que a exigência de concursos não afetaria os empregados de OS que já administram unidades.
A lei municipal que disciplina a contratação de OS para gerir as unidades de saúde foi sancionada por Serra em 2006, quando ele era prefeito da cidade. Na época, a bancada de vereadores do PT foi contra a aprovação da lei.

Um dos objetivos do modelo de administração era aumentar a eficácia do sistema, já que as OS funcionam quase como empresas privadas e não são obrigadas a realizar licitações para compra de equipamentos, nem concursos públicos para contratar funcionários.
Em geral, os contratos da secretaria municipal da Saúde com as entidades que gerem unidades hospitalares, UBS e AMAs são feitos com uma remuneração mensal fixa que corresponde ao custo de quantidades preestabelecidas de exames, atendimentos clínicos e cirúrgicos e consultas. Mas nem sempre as OS atingem a quantidade contratualmente acordada. E o valor excedente - referente ao custo do serviço pelo qual recebeu, mas que não chegou a prestar - fica no caixa. As OS não podem ter lucro.
Bruno Lupion, Felipe Frazão - o estado de S.Paulo

Mais de 100 mil vão às ruas em Londres contra medidas de austeridade


População protesta contra os cortes de gastos do governo e líderes sindicais convocam greve geral


Londres, 20 - Mais de 100 mil pessoas, segundo os organizadores, se manifestaram neste sábado, 20, em Londres contra os cortes e medidas de austeridade, em protestos que se estenderam por outras cidades do Reino Unido e acusaram o primeiro-ministro, David Cameron, de favorecer os ricos e afogar o crescimento.

O protesto realizado no centro de Londres, perto das sedes do governo e do Parlamento, transcorreu em geral de forma pacífica, com poucos focos de distúrbio.

Mais de 250 ônibus trouxeram à capital cidadãos de todos os pontos do Reino Unido, enquanto também foram organizadas manifestações em Belfast (Irlanda do Norte) e Glasgow (Escócia).


Sindicalistas, professores, enfermeiras, bombeiros e trabalhadores comunitários e de ONGs participaram da colorida e ruidosa passeata, na qual também houve muitas famílias e idosos.

A longa coluna humana avançou durante o dia todo pelas ruas do centro até chegar ao Hyde Park, onde aconteceu um ato reivindicativo do qual participou o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband.

Em discurso neste parque, Miliband levou a multidão ao delírio ao criticar o elitismo do Executivo de coalizão liderado por Cameron, a quem acusou de favorecer os ricos.

No entanto, o líder trabalhista foi vaiado quando advertiu que um governo sob sua direção não poderia deixar de fazer cortes, mas que estes seriam "mais progressivos e mais justos".
Miliband recuperou o aplauso dos presentes quando expôs suas propostas de crescimento e bem-estar social, entre elas combater o desemprego juvenil, introduzir um imposto sobre as gratificações dos banqueiros, construir imóveis sociais e deter "o experimento de privatização" do Serviço Nacional de Saúde (NHS).


Os manifestantes protestam contra a política de drástico corte do gasto público do Executivo de Cameron, que está em interdição porque, não só não conseguiu reduzir o endividamento, mas, segundo os analistas, está paralisando o crescimento.

O Reino Unido está em recessão desde o final de 2011 e, embora o desemprego tenha diminuído em agosto para 7,9% - pelo efeito dos Jogos Olímpicos -, não há indícios de recuperação econômica.

Os cortes do governo causaram a demissão de centenas de milhares de funcionários, a supressão de numerosos serviços públicos e a progressiva privatização da educação e da saúde.

Dilma começa série de comícios por aliados


Dilma inicia seu ‘road show’ eleitoral contra prováveis adversários em 2014


Presidente estréia nos palanques de segundo turno em Salvador, passa por Campinas, depois dá seu apoio em São Paulo e conclui périplo em Manaus

A presidente Dilma Rousseff iniciou na sexta-feira, 19, uma série de comícios de apoio a correligionários e a aliados neste 2.º turno das eleições municipais. Os locais escolhidos têm em comum candidatos adversários cuja projeção é nacional ou que são apoiados por políticos que poderão estar unidos contra ela na disputa pela reeleição presidencial em 2014. 

Salvador foi a primeira parada do périplo de Dilma. Em caso de vitória de ACM Neto (DEM), adversário de Nelson Pelegrino (PT), a capital baiana poderá se transformar num centro forte de oposição tanto ao governo estadual de Jaques Wagner (PT) quanto ao governo federal.

A presidente também subirá em palanques em Campinas, São Paulo e Manaus. Na manhã de sábado, 20, Dilma participa ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de comício do candidato do PT à prefeitura da cidade do interior paulista, Márcio Pochmann, no Largo do Rosário, tradicional palco de manifestações políticas no centro do município. A disputa em Campinas reedita um confronto PT versus a aliança PSB-PSDB ocorrida em Belo Horizonte. O aliado nacional Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, apoia o adversário de Pochmann, Jonas Donizette (PSB) (mais informações no texto abaixo).

Cerca de seis horas depois de passar por Campinas, Dilma é esperada no palanque de Fernando Haddad, em evento no Ginásio do Canindé, zona norte de São Paulo. Também foi confirmada a presença de Lula, do deputado Gabriel Chalita (PMDB), quarto colocado na disputa do primeiro turno, e do vice-presidente da República, Michel Temer. Este será o segundo comício de Dilma com o candidato do PT - o primeiro ocorreu na última semana de campanha do primeiro turno, na zona leste.

Em São Paulo, o adversário é José Serra (PSDB), que já disputou duas eleições presidenciais e é uma força nacional dos tucanos.

Antes do evento, o comício com Haddad virou notícia por um motivo um tanto incomum - a coordenação de campanha do PT teria convencido Dilma a alterar a data de um comício por causa da novela Avenida Brasil. O compromisso estava agendado inicialmente para sexta-feira, no mesmo dia e horário do último capítulo da trama. A avaliação foi a de que ninguém apareceria no comício. O caso ganhou até repercussão internacional e virou notícia no diário inglês The Guardian e na rede de televisão britânica BBC. "Nem mesmo Dilma, uma das mais populares presidentes da história brasileira, pode desafiar o poder do fenômeno do horário nobre chamado Avenida Brasil", escreveu o Guardian.

Já na segunda-feira, Dilma prometeu ir a Manaus, onde participará de um comício ao lado da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B). Ela disputa o segundo turno contra o candidato tucano Arthur Virgílio, também senador.

Além de Virgílio ter se transformado num dos principais opositores do governo de Lula, ele ainda terá o apoio do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), que deverá desembarcar na cidade na terça-feira. Aécio é o nome mais cotado da oposição para enfrentar Dilma em 2014 na corrida ao Palácio do Planalto. O tucano, inclusive, busca uma aproximação com Eduardo Campos, hoje aliado de Dilma, a fim de que ambos estejam juntos na disputa daqui a dois anos. Campos, porém, tem dito que permanecerá na base de apoio da presidente e voltará a "ajudá-la a governar" tão logo as disputas locais acabem no próximo dia 28 de outubro.

No 1.º turno, Dilma participou de apenas dois comícios, um em Belo Horizonte, onde seu candidato, Patrus Ananias, acabou derrotado por Marcio Lacerda (PSB) - apoiado diretamente por Aécio -, e outro em São Paulo, onde Haddad conseguiu chegar ao 2.º turno contra Serra, superando Celso Russomanno (PRB).
Via O Estado de S. Paulo

Prefeitura do Rio de Janeiro suspende multa de R$ 674 mil a Construtora Delta


Secretaria de Obras aceitou a alegação de que fator que causou atraso não depende da empresa

Dono da Delta, Fernando Cavendish (foto) mantém
estreita amizade com o governador Sérgio Cabral 
A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Obras, dispensou a Construtora Delta de pagar multa de R$ 674 mil por conta do atraso na construção de um viaduto na Estrada do Lameirão, em Santíssimo, na zona oeste da cidade. A pasta aceitou a alegação da construtora de que fatores que não dependem da empresa, como demora para efetuar desapropriações, causou o atraso. Investigada pela Polícia Federal, a Delta pertence ao empresário Fernando Cavendish, que mantém estreita amizade com o governador Sérgio Cabral (PMDB), correligionário do prefeito Eduardo Paes.

Segundo a Secretaria de Obras, a pasta firmou com a Delta contrato de R$ 10,6 milhões para construir o viaduto e duplicar as estradas de Paciência e do Lameirão. As obras começaram em março de 2011 e serão concluídas até o final do ano. A multa foi aplicada por atraso no cronograma do trabalho.

Decreto municipal prevê a aplicação de multa moratória de 1% ao dia sobre o valor do contrato em caso de atraso, cumulativa com multa de 20% sobre o total do contrato. O mesmo regulamento permite que a punição seja cancelada "desde que a administração conclua não ter havido prejuízo para o serviço público".

A Delta é investigada pela Polícia Federal em razão da ligação entre seu dono, Fernando Cavendish, e o contraventor goiano Carlinhos Cachoeira. A amizade entre Cavendish e Sérgio Cabral foi exposta em junho de 2011, quando o governador viajou com familiares à Bahia para comemorar o aniversário do empresário. Um trecho da viagem foi feita de helicóptero, e o aparelho caiu enquanto transportava um grupo de convidados. Cabral não estava no helicóptero, mas a namorada de um de seus filhos morreu, assim como a mulher de Cavendish. Em abril, o deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), adversário de Cabral, divulgou fotos em que o governador aparece ao lado de Cavendish e secretários de Estado em uma comemoração em Paris. Alguns usavam lenços na cabeça e pareciam fazer coreografia. Segundo o governo, a festa ocorreu em 2009, em um clube, para comemorar condecoração recebida por Cabral.
Fábio Grellet - Agência Estado

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