terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Qual a importância dos partidos políticos para o funcionamento de uma democracia?

Dag Vulpi 

Na história recente do Brasil foi escolhido um presidente que, mesmo  antes de ser eleito pelo povo, já era o eleito do seu partido. Claro, estou falando de Lula e sua ligação com o partido que ele ajudou a fundar, o PT. Algumas eleições antes o povo votou na pessoa, num indivíduo, já que aquele não tinha, ou tem, raízes profundas num determinado partido, sua primeira filiação em 1979 foi junto ao partido de direita da época, a ARENA, que por mais sugestivo que possa parecer era nada mais que a Aliança Renovadora Nacional. Ainda em 1979 resolveu mudar de ares e filiou-se ao PDS, em 1986 trocou novamente de partido filiando-se ao PMDB. migrando logo depois para o PRN que era um partido sem peso mas onde conseguiu eleger-se presidente da República. Claro, estou me referindo a Fernando Collor, que fez campanha se proclamando caçador de marajás. Em uma sociedade em que os partidos políticos são meramente rótulos formais para o ajuntamento de caciques políticos, o poder dos grandes grupos econômicos torna-se maior na definição dos negócios públicos e, portanto, no direcionamento do dinheiro dos orçamentos públicos de prefeituras, estados e da União?

No Brasil os partidos políticos são representativos de posições e visões políticas da nossa população?


Marcos Rebello Alguns pontos a ponderar. Quando se diz "sistema político" o que ocorre é um movimento intelectual involuntário que passa a imaginar a maneira como um punhado de interesses interage acima de uma sociedade. E essa sociedade assume erroneamente que esses interesses agem por ela pelo simples conceito de representatividade que o voto a obriga pensar que existe essa correspondência, quando na verdade essa correspondência é mínima.


Já as ideologias, criadas para consumo e disseminadas pela mídia, fazem os indivíduos pensarem que existe uma correspondência substancial, e isso então é traduzido automaticamente em "sistema político". 

Mas se formos fazer um pequeno e rápido estudo do que seja uma polis e de que maneira o individuo atua para ser considerado cidadão, veremos que na realidade o sistema não é polis e nem os indivíduos são permitidos de atuar para serem considerados membros efetivos da polis, daí a miséria. O que temos primariamente então são dois blocos distintos e separados, que pensam na necessidade de uma conexão apenas em épocas de eleições, enquanto os debates ideológicos servem para retirar a pressão e criar a aparência de participação. A isso chamam "sistema político" - ou democracia. 

Na verdade, se analisarmos com mais esmero, o tal "sistema político" é um hiato cuidadosamente mantido separando uma e outra classe de indivíduos para permitir que interesses financeiros perpetuem a sua existência e o seu poder sobre a economia produtiva, sendo que a economia produtiva, para existir, sobreviver e sustentar toda a estrutura necessita da mão de obra trabalhadora que é a maior parte da sociedade. 

Em suma, a classe política necessita da classe trabalhadora para repassar os valores criados à classe financeira, que por sua vez compra a classe política para ludibriar a única classe que produz valores reais para a economia de sustento. Um partido dos trabalhadores então tem que apresentar um pouco mais de resultado positivo para a sociedade a fim de fazer justiça ao título. Só isso.

Partidos políticos então servem para separar o gado fazendo com que se distraiam em discussões fúteis sobre diferentes maneiras de distribuir os valores que a sociedade produz, enquanto esses valores são desviados pela classe política para irem aos impressores de moeda e distribuidores de crédito sem criarem absolutamente nada de valor a não ser fazer circular a moeda cobrando juros por isso. 

Vamos aos fatos, para que isso não pareça um delírio.

O maior banqueiro do mundo, Meyer Amschel de Rothschilds disse: 

“Dê-me o controle do suprimento da moeda de uma nação e não me interessa quem faz as suas leis." 

Outras pérolas:
"Apenas os pequenos segredos precisam ser protegidos. Os grandes são mantidos secretos pela incredulidade do público." Marshal McLuhan

"O objetivo geral da prática política é manter a população constantemente em estado de alarme (e, portanto, clamando por segurança) ameaçando-a com uma série interminável de sustos, todos imaginários." - HL Mencken

"Os olhos dos nossos cidadãos não são suficientemente abertos para a verdadeira causa da nossa angústia. Eles atribuem-lhe tudo, mas a sua verdadeira causa que é o sistema bancário, um sistema que se pudesse fazer o bem em qualquer forma seria tão certo a conduzir abusos ao ponto de ser completamente incompatível com a segurança pública e a prosperidade. O Banco Central é uma instituição de hostilidades mais mortais existentes contra os princípios e a forma de nossa Constituição. "- Thomas Jefferson

"Os poucos que entendem o sistema, serão tão interessados em seus lucros, ou tão dependentes de favores, que não haverá qualquer oposição de qualquer um dessas duas classes." - Rothschild Brothers of London, 1863

"Tenho medo que os cidadãos comuns não gostarão de saber que os bancos podem, e de fato criam e destroem dinheiro, e são eles que controlam o crédito da nação, dirigem a política dos governos e têm na palma de suas mãos o destino do povo "-. R. McKenna, presidente da Midland Bank de Londres

"Cada deputado, cada senador (fora o imbecil) sabe precisamente o que causa a inflação ... mas não pode, não vai apoiar as drásticas reformas para a revogação da Lei de Reserva Federal, pois poderia lhe custar o emprego." - Robert A. Heinlein, Universo Expandido

"Eu nunca vi a quantidade de senadores expressarem tanto descontentamento com seus trabalhos. Eu acho que a principal causa é que, no fundo de nossos corações, temos sido cúmplices em fazer algo terrível e imperdoável ao nosso maravilhoso país. No fundo do nosso coração, sabemos que temos dado aos nossos filhos um legado de falência. Temos defraudado nosso país para que fôssemos eleitos. "- Sen. John Danforth

"Não há maneira mais direta para capturar o controle de uma nação do que através do seu sistema de crédito e dinheiro." - Phillip A. Benson, presidente da American Bankers 'Association, 1939

"A questão que vem se arrastando ao longo dos séculos e que terá de ser resolvida mais cedo ou mais tarde é o povo versus os bancos." - Lord Acton, Lord Chief Justice da Inglaterra de 1875

"Os bancos foram concebidos na iniqüidade e nasceram em pecado. Os banqueiros são os donos da terra. Retire deles a possessão dela, mas deixe-lhes o poder de criar dinheiro, e, com a tinta de uma caneta, eles criarão dinheiro suficiente para comprá-la de volta. Tome este grande poder longe deles e todas as grandes fortunas, como a minha, desaparecerão, porque deveriam desaparecer para então este mundo se tornar melhor e mais feliz para se viver, mas se você quiser continuar a ser escravo dos banqueiros e pagar o custo da sua própria escravidão, então deixem os banqueiros continuar a criar dinheiro e controlar o crédito."- Sir Josiah Stamp, Presidente do Banco da Inglaterra (segundo homem mais rico da Inglaterra). 

Geraldo Silva Jardim O FATO REAL e não a teoria da Democracia é que os Partidos PODEM E SÃO insistentemente dominados (assaltados) por grupelhos que tem o único intuito de tomar o Poder para se perpetuarem e roubarem o erário. De modo que estamos na máxima de que o político profissional é o sujeito que não deu para ser patrão e não deu para ser empregado então ele vai forçar a todo custo ser político! E assaltando os partidos, tem-se $$$, tempo de exposição na mídia e mais importante do que tudo isso: se  elimina a oposição e dá-se A ILUSÃO ao povo de que eles estão escolhendo "democraticamente” suas lideranças. Porem em verdade, eles eliminaram as pessoas decentes antes e sobrou ao povo, ESCOLHER DENTRE OS PIORES INDIVÍDUOS DA SOCIEDADE!

Ralf Rickli Nós temos que aproveitar ao máximo esse fenômeno ATÍPICO da história do partidarismo que foi e em parte ainda é o PT. Apesar de seus pesares, nunca ninguém fez uma fração do que ele tem feito de bom pelo Brasil. Talvez por ser fruto de uma determinada conjuntura histórica que (como todas as outras) nunca se repetirá.
Porém EM PRINCÍPIO partidos são o princípio da falsificação da democracia. A democracia é tão mais verdadeira quanto mais direta, e tão mais direta quanto menos arranjada previamente, isto é: quando se deixa que as leis matemáticas dos grandes números dêem forma à infinidade de vontades diferenciadas que vivem em uma população, sem tentativas de arranjos prévios. O financiamento exclusivamente público de campanha devia ser unido a um sistema de CANDIDATURAS LIVRES, em que pudesse ser candidato qualquer um que conseguisse certo número mínimo de assinaturas em seu apoio.


Geraldo Silva Jardim Sua visão Ralf Rickli é em parte corretíssima. Até melhor é a sua conclusão. Estamos já num momento histórico da humanidade que pode a Democracia evoluir com recursos baixos para uma Democracia FÓRUM PARTICIPATIVA e Digital em cada Capital. De inicio, assuntos importantes para a nação só devem ser decididos com Plebiscito desse jeito. O PT está marcando passo de forma temerária, neste assunto. Deu de costas para seus intelectuais e sua própria militância. Afundou-se na tecnocracia, nos meandros, nos labirintos do Poder até ficar hipnotizado pelo Minotauro do fundo do poço! E de lá não saiu ainda.

Allan Claudio Mello Parece-me que o Marcos Rebello, já "ENXERGOU O INVISIVEL E OUVIU O INAUDIVEL!". Faço minha suas palavras, com uma pequena ponderação. Precisamos renovar o sistema político mundial e somente assim teremos a participação efetiva do povo.

Ralf Rickli Pois é, Geraldo. Eu que empenhei meu apoio ao PT em 1981 ao vê-lo surgir  como novidade única na história da política brasileira, tinha esperança de que ele atuasse justamente no sentido da transição para formas mais avançadas de democracia. Admito que ele tinha tarefas de absoluta urgência quando assumiu: tirar gente da fome vem antes de tudo mais. Mas em seguida tinha que começar a preparar o desmonte da forma presente de  poder que, se casualmente está nas mãos de um grupo mais consciente e ético ainda pode dar resultados positivos (como tem sido o caso), mas uma vez escape das mãos desse grupo torna-se absolutamente desastroso. Acho que o PT tinha que entender o imperativo categórico de Kant e começar a preparar um sistema que funcione sem ele. Ou terá perdido da noção da história e estará achando que não vai envelhecer, não vai passar, não vai ser substituído um dia, apesar de que tudo neste mundo é?

Jorge Rezende De qualquer maneira teria q ter uma representatividade como tem a UDR, CUT, CGT, PIG, FIESP, UNE.

Ralf Rickli Digo que manifestação de vontade política devia ser um direito de cada indivíduo, pessoa física, não das pessoas jurídicas. (Exploro um pouco essa idéia em
http://pluralf.blogspot.com/2008/02/liberdade-de-imprensa-democracia-e_7571.html)

Geraldo Silva Jardim Pois é Ralf Rickli eu também arregacei minhas mangas para poder trabalhar numa evolução deste modelo mas o que vi foi sendo os lideres trocados por malfeitores que vendiam suas consciências por “carguecos” (Cargos públicos tipo Asponaria (assessor de porra nenhuma)) e se banquetearam com o vinho envenenado de um poder desnecessário e fugaz.
A questão é CABAL !!! As lideranças devem retornar numa centralidade e união e as militâncias voltarem a se organizar senão o Estado afundará de vez e com todas as famílias desta Nação.

Jorge Rezende O PT perdeu uma grande chance de ser a RESPOSTA para a última pergunta do Dagmar Vulpi!

Ralf Rickli A questão é que só são revolucionários de fato, na sociedade, os que fizeram antes sua revolução interna. Um bom assunto pra desenvolver mais... mas no meio do expediente não dá, rsrsrs. Quem sabe volte ao assunto mais tarde.

Geraldo Silva Jardim Jamais confiar nas podres instituições constituídas. É exatamente neste ponto que a Democracia ruiu!!! Se monta uma estrutura Jurídica, se coloca meia dúzia de comparsa com um presidente e se domina(com o respaldo da Lei) classes trabalhadoras forçando-as que aceite-os como único representante!!! Portanto, é o mesmo erro da Democracia Representativa: se coloca um Deputado representando 10.000 pessoas ou mais e se corrompe este deputado durante a Legislatura e ele afoga e dissimula as reivindicações de toda uma maioria para satisfazer a ganância de Bancos, Empreiteiras, Multinacionais e Países Sionistas. De modo que pela sua visão curta ou imediatista o Deputado não enxerga que está matando milhões de consciências lá na frente do futuro breve do país!

Ralf Rickli Mas as instituições são podres porque servem a desejos de pessoas - desejos que não passaram por [auto] crítica. Toda podridão vem de dentro, meus caros, sem revolução pessoal nunca haverá revolução coletiva.

Geraldo Silva Jardim Perfeitíssima colocação do Ralf Rickli...Mas pondere que é preciso dar Educação ao povo como necessidade PRIMEVA, para que possa acontecer lá na frente a tomada de consciência geral. PORËM (!!!!) aos que já a possuem: que levem no bico a pequena gota ao grande Oceano que se há de formar uma nova Nação! Não se pode e nem ninguém pode fugir do tanto que cada um pode fazer por este presente e futuro coletivo.

Jorge Rezende Vocês leram 1808? Se leram, irão concordar comigo que essa revolução íntima talvez só na próxima encarnação.

Geraldo Silva Jardim E Educação não é esta que está sendo dada nas Escolas e Universidades Tivemos Sociólogos, Pedagogos brilhantes neste país, que são seguidos em outros mas no nosso NIX!!! Portanto, qualquer mudança interna iria demorar de forma coletiva. Os que mudaram para melhor é que não podem deixar de prestar uma contribuição à Sociedade que parou no tempo...e jamais o Poder constituído trair estas lideranças e lhes puxar um Tribunal do Santo Oficio...Daí...meu caro...só resta ....Primaveras, Revoluções, Barricadas...e tudo mais....KKKKKK: reação coletiva!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

9 alimentos que te ajudarão a deixar o cigarro

Não há mais local que se possa pregar um prego no caixão sem estar infringindo algum tipo de lei. Possivelmente seria impelido a parar de fumar, mas todos os fumantes e ex sabem o quanto isso é difícil, não impossível. É só ter uma força de vontade hercúlea e se ademais mudarmos os hábitos alimentares, a tarefa pode se tornar um pouco mais simples.

Já tentou de tudo? Comprimidos, adesivos, piteiras, abstinência, acupuntura, Calipso da Joelma... e nada ajudou a deixar o cigarro? Fique tranquilo, isso acontece com todo ex-fumante e a ajuda à solução pode estar no refrigerador. Um estudo da Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, assinala a existência de alimentos que aumentam ou eliminam o gosto pelo fumo.

No primeiro grupo estão: a carne, o álcool e o café; que deveriam ser evitados, se é que quer deixar de fumar. Por outro lado, há alimentos que provocarão que apague o cigarro de sua cabeça, devido a que pioram o sabor do mesmo. Alimentos estes que recopilamos neste artigo para que inclua em sua dieta para deixar de fumar e ajudar seu organismo a se recuperar dos danos provocados pelo tabagismo.
  1. Leite. Um copo de leite pode ser seu primeiro aliado no dia para deixar de fumar, já que além de piorar o sabor do fumo, graças a vitamina B, permite eliminar a nicotina do organismo. Esta mesma característica pode ser encontrada em todos os laticínios como o iogurte e queijos.
  2. Aveia ou/e arroz integral. Devido a seu alto conteúdo em Selênio, ajudam a gerar um antioxidante que elimina os radicais livre provocados pelo fumo. Ademais, são bons para prevenir doenças cardíacas, que são mais freqüentes em pessoas fumantes.
  3. Cenoura. A vitamina A além de ajudar a consertar os radicais livres provocadas pelo tabagismo, protege os pulmões.
  4. Espinafre. O espinafre fornece quantidades importantes de beta-carotenos, compostos que além de serem transformados em vitamina A, desempenham ações antioxidantes e estimulam o sistema imunológico.
  5. Feijão. O feijão e os legumes não só fazem que o fumo tenha pior sabor, senão que também estimulam o trânsito intestinal, porque são ricos em fibra. Fumar também afeta o sistema digestivo.
  6. Laranja. O suco de laranja ajuda a consumir vitamina C, que é um antioxidante natural que ajuda a prevenir o aparecimento de substâncias cancerígenas. A laranja é bem indiada por suprir as necessidades diárias de vitamina C do ser humano que é de 60mg, mas nada impede o consumo de outros frutos que tem mais vitamina que a laranja. Por exemplo, em um copo de 200 ml de suco de acerola temos 1.500 mg de vitamina C; Caju,200 mg; Manga, 84 mg; Goiaba, 67 mg. O detalhe é que quanto mais vitamina C, mais intragável será o suco para o fumante.
  7. Batata. Os problemas respiratórios são comuns nos fumantes, o Zinco contido na batata ajuda a combater ditos problemas.
  8. Figo. O figo, assim como a batata tem alto conteúdo em Zinco, o que faz parte do crescimento celular em dezenas de reações enzimáticas e do processo de expulsão do dióxido de carbono.
  9. Água. Muita água, em abundância. Copos e copos. Afogue-se. Bem, nem tanto, pelo menos um litro e meio de água ao dia, pois ajuda o organismo a incrementar a micção, o que contribui para eliminar as toxinas. Mas tome água ou sucos naturais, nada de refrigereco que tem alta calorias e isso em vez de fazer com que recuse o cigarro, provocará ainda mais vontade de acender um imediatamente.
Lembre-se que são bastante comuns as tentativas mal sucedidas de deixar o fumo, mas se realmente estiver a fim, basta insistir. Métodos graduais também não funcionam, deve ser um choque, do tipo parei e pronto e ponto

O PT perdeu o rumo (ou está marcando passo)

 Marcos Rebello
Por Marcos Rebello

Desde que a crise econômico-financeira mundial tomou conta dos processos políticos as preocupações de países em desenvolvimento, especialmente o Brasil, obrigam estes países a adotar como prioridade a postura de consolidação daquilo que conseguiram até o início da crise. Isso é o que fica como fachada em uma análise política superficial.

No entanto, qualquer um que conhece o processo de "administração de crises", em se tratando de uma crise econômica que é eminentemente financeira na origem, deve compreender a dinâmica do processo de aglutinação de forças financeiras e econômicas que naturalmente se desdobram na política.

O Brasil, desde o tempo da independência, tem sido mero apêndice no circuito financeiro internacional, e Lula, para poder disputar as eleições de 2002 teve que depender diretamente dos financiamentos dos Rothschilds, os mesmos que desde a independência até a crise atual são os responsáveis pelas cíclicas estagnações econômicas causadas pelas contrações periódicas do crédito.

Por outro lado, é notório faz bem pouco tempo que o Brasil participa do circuito de empréstimos interbancários internacional, mesmo assim o Banco do Brasil não pode abrir agências em outros países para transações comerciais, exceto apenas recentemente, e muito pequena, aqui na Florida. No entanto, cuidado tiveram para que essa incursão fosse feita de acordo com interesses suprematistas já mencionados, porque assim que estourou a crise os maiores bancos brasileiros enviaram especialistas para aprenderem as técnicas mais avançadas do uso das derivativas em Londres e em Chicago pelo mesmo motivo que o BRIC foi conceptualizado e lançado a partir do escritório da Goldman-Sachs da City of London, QG do grupo financeiro que controla as finanças internacionais.

O PT, portanto, além de estar sob a tutela programática financeira desde o início, tem que abdicar da sua ideologia progressista porque os mentores da crise ditam os parâmetros políticos sendo que essa crise está sendo muito bem administrada. No Brasil, mais bem administrada ainda, porque o escândalo do Banestado, mesmo em 2003 com CPI, teve que ser abafado e foi o precursor junto com a Privataria, de uma crise ainda em formação que tinha no PSDB e no DEM os seus mentores, mesmo assim como proxies de maiores interesses. A prova está no livro do Amaury Ribeiro Junior, recém lançado, e que é a salvação politica do Brasil se de fato a CPI conseguir ir adiante.

Logo, não é a toa que a "esquerda" do PT vem se conformando com a "direita" programática e cada vez mais perdendo o ímpeto e a originalidade dos tempos da sua formação.

É hora do PT acordar, ou o PSOL era de fato a alternativa correta para onde migraram os puristas.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Hora da verdade para o PT mostrar suas consistências ideológicas


 

Os últimos trinta anos, especialmente depois do derretimento do socialismo real na antiga União Soviética, em 1989, assistiram a vergonhosa rendição dos partidos de orientação socialista ao pensamento neoliberal em todo o mundo.

A vingança, talvez não-intencional, da classe trabalhadora não se fez esperar e as forças conservadoras voltaram ao comando dos governos. França, Grã Bretanha, Espanha e Portugal são os casos de maior destaque. Talvez, o mais grave de tudo é que movimentos de extrema direita, que andavam adormecidos, passaram a atrair cada vez mais adeptos junto aos trabalhadores lançados ao desemprego e à falta de assistência dos governos em razão da busca frenética das empresas por redução de custos, exigida pela globalização dos mercados. Na Áustria, a direita tomou conta do poder, já há algum tempo.

Em vários países da América Latina, o longo ciclo das ditaduras militares patrocinadas pelos Estados Unidos, no bojo da Guerra-Fria, agravou de maneira intensa os problemas sociais gerados pelo desenvolvimento capitalista, criando um ambiente propício ao aparecimento de amplos movimentos sociais que acabaram por derrotar as ditaduras e reinstalar governos democráticos.

A criação do Partido dos Trabalhadores é resultado da rebelião das organizações de trabalhadores e dos movimentos sociais contra o citado estado de coisas num quadro de forte opressão da ditadura militar. Constitui, certamente, um dos fatos mais importantes da vida política do país.

Ao PT, porém, tem faltado consistência ideológica. As concessões programáticas que suas lideranças fizeram ao pensamento conservador para chegarem ao poder em 2003, já eram uma clara demonstração de incapacidade para conduzir mudanças políticas importantes no país. Essa incapacidade foi justificada pela conjuntura econômica desfavorável, que supostamente criava a necessidade de fazer concessões transitórias para assegurar a chegada ao poder.

Na prática, não foi bem assim, pois durante todo o primeiro período governamental, sob a batuta do Ministro Palocci e do Presidente Enrique Meirelles do Banco Central, a política econômica de cunho neoliberal, vinda do governo anterior, não sofreu maior alteração.

No segundo governo, depois da queda de Palocci e da substituição de sua equipe no Ministério da Fazenda, instalou-se no governo uma visão menos liberal de política econômica que possibilitou maior atuação do estado no estímulo a investimentos privados, na execução de investimentos públicos e na promoção de exportações. Para tanto, contribuiu significativamente a abertura de novos mercados para nossas matérias primas em função da expansão da demanda asiática e do surgimento de novos parceiros comerciais.

Por outro lado, foram intensificadas elogiáveis ações na área social (bolsa-família e aumentos reais do salário mínimo) e expandida e facilitada a concessão de crédito às famílias de menor renda e às pequenas empresas. Estas medidas, juntamente com as mudanças inicialmente citadas, criaram as condições para a aceleração do crescimento, acumulação de reservas em moeda estrangeira e aumento do emprego.

Na área política, o carisma do Presidente Lula, se por um lado cumpriu o papel de energizar as populações mais pobres, com um discurso populista, por outro lado, serviu para retirar do PT a capacidade de tomar iniciativas na área política, convertendo-o num apêndice mudo do governo.

Na corrida pela cadeira presidencial em 2010, os trunfos que levaram à vitória de Dilma e do PT, foram o capital político acumulado durante a gestão de Lula no segundo governo, especialmente junto aos seguimentos mais pobres da população, ao lado das lutas internas do maior partido de oposição, o PSDB, e da desagregação do DEM, partido da direita fisiológica que, ao ficar mais distante dos cofres públicos, definhou fortemente.

Foi essa, possivelmente, a campanha política mais débil em matéria de propostas, que assistimos nos últimos tempos, com a oposição temendo criticar a política social do governo e os partidos do governo temerosos de desagradar a classe dominante com propostas de mudança nas áreas econômica e política.

O quadro atual é o de um governo sem propostas, concentrado na gestão de uma política econômica ultrapassada que vem acarretando a desindustrialização do país, apoiado numa coalizão política frouxa e essencialmente fisiológica, na qual o PT não exerce papel hegemônico, sendo apenas mais um sócio do condomínio da coisa pública.

Do ponto de vista das expectativas do país em relação a seu futuro econômico e político, nuvens negras já começam a tomar forma no horizonte: são crescentes os desequilíbrios nas transações correntes do balanço de pagamentos; aprofundam-se os processos de desindustrialização e desnacionalização de empresas; e já acontece estagnação da atividade industrial e aumento na taxa de desemprego. Resta ainda a ilusão de que o grande afluxo de capital estrangeiro em fuga dos mercados internacionais em crise, estimulados pelas altas taxas de juros internas, seja indicador de pujança econômica do país.
As esperanças de reativação econômica da estagnação que já bate à porta acham-se na expansão do mercado interno em função do forte aumento do salário mínimo a partir de janeiro, do efeito de algumas medidas protecionistas que vêm sendo adotadas em relação às importações e da possibilidade de que as economias asiáticas, especialmente a China, continuem expandindo suas importações de produtos básicos. A mais longo prazo, a exploração do Pre-sal, é vista como um dinamizador da atividade industrial, da geração de divisas e de recursos fiscais.

Se essas expectativas positivas não se materializarem a contento, a insatisfação popular seguramente vai crescer. Será, então, chegada a hora da verdade para o PT e seus aliados da esquerda. Grande parte do eleitorado vai começar a dar-se conta de que o PT é somente mais um partido que disputa as regalias do poder e, facilmente, poderá migrar para partidos mais conservadores como tem ocorrido na Europa.

Que estariam fazendo os dirigentes do PT que, certamente conhecem o conceito gramisciano de hegemonia, se mantêm o partido sem propostas e distante da população? Onde está o discurso capaz de mobilizar os demais partidos progressistas e a população para transformar o país e se manter no poder na hora das vacas magras? O PT já conseguiu a façanha de perder o apoio da maioria dos intelectuais que acompanharam sua criação e simpáticos a suas propostas iniciais. Agora, também, passa a desprezar os movimentos sociais.

Espero sinceramente, que os bem-remunerados serviços de consultoria ao setor privado e a participação de dirigentes do governo em conselhos de empresas pública e privadas que lhes propiciam polpudos jetons, não os tenha capturado definitivamente, nem os faça perder de vista que a população não tem razões para ver neles nenhuma distinção natural em relação aos membros da elite empresarial e do mercado financeiro que os explora através do mercado.

Deve gerar perplexidade entre os militantes do PT, o atual governo tomar a decisão de privatizar os aeroportos e de estar propondo um projeto para entregar ao setor privado os fundos de aposentadoria do funcionalismo público. Será que a experiência predatória do patrimônio público, nas privatizações nos governos Collor e FHC, nada nos ensinaram, ou há deliberadamente a intenção de repetir o processo de fabricação de capitalistas com financiamentos do BNDES e com altas tarifas dos serviços públicos?

Tenho sido até agora eleitor do PT, mas começo a temer sinceramente que, se seus dirigentes insistirem em permanecer deitados no “berço esplêndido” dos cargos públicos e das benesses que lhes chegam das corporações privadas, a população, num futuro breve, não mais lhes dará seus votos.

Os segmentos mais desinformados da população, quando afetados pela crise, certamente irão em busca de alternativas. Só que neste caso, o pior pode acontecer, com o deslocamento de sua preferência para organizações de direita e para o apoio de partidos e movimentos anti-democráticos. Assim tem sido na Europa, por que não se repetiria aqui?

O PT precisa, urgentemente, afirmar-se como um partido de vanguarda na defesa dos interesses populares. Precisa também, obviamente, dar sustentação ao governo que elegeu, mas não deve confundir-se inteiramente com o governo, pois este, por razões de governabilidade, tem de fazer concessões aos aliados. Ao PT cabe desempenhar o papel de propulsor das mudanças que o país precisa realizar e impulsionar o governo nessa direção e nunca transformar-se em mero agente do governo. O PT deveria ser um partido no governo e não um partido do governo.

Leia Também



Via Portal LN

 

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi