domingo, 15 de janeiro de 2012

Hora da verdade para o PT mostrar suas consistências ideológicas


 

Os últimos trinta anos, especialmente depois do derretimento do socialismo real na antiga União Soviética, em 1989, assistiram a vergonhosa rendição dos partidos de orientação socialista ao pensamento neoliberal em todo o mundo.

A vingança, talvez não-intencional, da classe trabalhadora não se fez esperar e as forças conservadoras voltaram ao comando dos governos. França, Grã Bretanha, Espanha e Portugal são os casos de maior destaque. Talvez, o mais grave de tudo é que movimentos de extrema direita, que andavam adormecidos, passaram a atrair cada vez mais adeptos junto aos trabalhadores lançados ao desemprego e à falta de assistência dos governos em razão da busca frenética das empresas por redução de custos, exigida pela globalização dos mercados. Na Áustria, a direita tomou conta do poder, já há algum tempo.

Em vários países da América Latina, o longo ciclo das ditaduras militares patrocinadas pelos Estados Unidos, no bojo da Guerra-Fria, agravou de maneira intensa os problemas sociais gerados pelo desenvolvimento capitalista, criando um ambiente propício ao aparecimento de amplos movimentos sociais que acabaram por derrotar as ditaduras e reinstalar governos democráticos.

A criação do Partido dos Trabalhadores é resultado da rebelião das organizações de trabalhadores e dos movimentos sociais contra o citado estado de coisas num quadro de forte opressão da ditadura militar. Constitui, certamente, um dos fatos mais importantes da vida política do país.

Ao PT, porém, tem faltado consistência ideológica. As concessões programáticas que suas lideranças fizeram ao pensamento conservador para chegarem ao poder em 2003, já eram uma clara demonstração de incapacidade para conduzir mudanças políticas importantes no país. Essa incapacidade foi justificada pela conjuntura econômica desfavorável, que supostamente criava a necessidade de fazer concessões transitórias para assegurar a chegada ao poder.

Na prática, não foi bem assim, pois durante todo o primeiro período governamental, sob a batuta do Ministro Palocci e do Presidente Enrique Meirelles do Banco Central, a política econômica de cunho neoliberal, vinda do governo anterior, não sofreu maior alteração.

No segundo governo, depois da queda de Palocci e da substituição de sua equipe no Ministério da Fazenda, instalou-se no governo uma visão menos liberal de política econômica que possibilitou maior atuação do estado no estímulo a investimentos privados, na execução de investimentos públicos e na promoção de exportações. Para tanto, contribuiu significativamente a abertura de novos mercados para nossas matérias primas em função da expansão da demanda asiática e do surgimento de novos parceiros comerciais.

Por outro lado, foram intensificadas elogiáveis ações na área social (bolsa-família e aumentos reais do salário mínimo) e expandida e facilitada a concessão de crédito às famílias de menor renda e às pequenas empresas. Estas medidas, juntamente com as mudanças inicialmente citadas, criaram as condições para a aceleração do crescimento, acumulação de reservas em moeda estrangeira e aumento do emprego.

Na área política, o carisma do Presidente Lula, se por um lado cumpriu o papel de energizar as populações mais pobres, com um discurso populista, por outro lado, serviu para retirar do PT a capacidade de tomar iniciativas na área política, convertendo-o num apêndice mudo do governo.

Na corrida pela cadeira presidencial em 2010, os trunfos que levaram à vitória de Dilma e do PT, foram o capital político acumulado durante a gestão de Lula no segundo governo, especialmente junto aos seguimentos mais pobres da população, ao lado das lutas internas do maior partido de oposição, o PSDB, e da desagregação do DEM, partido da direita fisiológica que, ao ficar mais distante dos cofres públicos, definhou fortemente.

Foi essa, possivelmente, a campanha política mais débil em matéria de propostas, que assistimos nos últimos tempos, com a oposição temendo criticar a política social do governo e os partidos do governo temerosos de desagradar a classe dominante com propostas de mudança nas áreas econômica e política.

O quadro atual é o de um governo sem propostas, concentrado na gestão de uma política econômica ultrapassada que vem acarretando a desindustrialização do país, apoiado numa coalizão política frouxa e essencialmente fisiológica, na qual o PT não exerce papel hegemônico, sendo apenas mais um sócio do condomínio da coisa pública.

Do ponto de vista das expectativas do país em relação a seu futuro econômico e político, nuvens negras já começam a tomar forma no horizonte: são crescentes os desequilíbrios nas transações correntes do balanço de pagamentos; aprofundam-se os processos de desindustrialização e desnacionalização de empresas; e já acontece estagnação da atividade industrial e aumento na taxa de desemprego. Resta ainda a ilusão de que o grande afluxo de capital estrangeiro em fuga dos mercados internacionais em crise, estimulados pelas altas taxas de juros internas, seja indicador de pujança econômica do país.
As esperanças de reativação econômica da estagnação que já bate à porta acham-se na expansão do mercado interno em função do forte aumento do salário mínimo a partir de janeiro, do efeito de algumas medidas protecionistas que vêm sendo adotadas em relação às importações e da possibilidade de que as economias asiáticas, especialmente a China, continuem expandindo suas importações de produtos básicos. A mais longo prazo, a exploração do Pre-sal, é vista como um dinamizador da atividade industrial, da geração de divisas e de recursos fiscais.

Se essas expectativas positivas não se materializarem a contento, a insatisfação popular seguramente vai crescer. Será, então, chegada a hora da verdade para o PT e seus aliados da esquerda. Grande parte do eleitorado vai começar a dar-se conta de que o PT é somente mais um partido que disputa as regalias do poder e, facilmente, poderá migrar para partidos mais conservadores como tem ocorrido na Europa.

Que estariam fazendo os dirigentes do PT que, certamente conhecem o conceito gramisciano de hegemonia, se mantêm o partido sem propostas e distante da população? Onde está o discurso capaz de mobilizar os demais partidos progressistas e a população para transformar o país e se manter no poder na hora das vacas magras? O PT já conseguiu a façanha de perder o apoio da maioria dos intelectuais que acompanharam sua criação e simpáticos a suas propostas iniciais. Agora, também, passa a desprezar os movimentos sociais.

Espero sinceramente, que os bem-remunerados serviços de consultoria ao setor privado e a participação de dirigentes do governo em conselhos de empresas pública e privadas que lhes propiciam polpudos jetons, não os tenha capturado definitivamente, nem os faça perder de vista que a população não tem razões para ver neles nenhuma distinção natural em relação aos membros da elite empresarial e do mercado financeiro que os explora através do mercado.

Deve gerar perplexidade entre os militantes do PT, o atual governo tomar a decisão de privatizar os aeroportos e de estar propondo um projeto para entregar ao setor privado os fundos de aposentadoria do funcionalismo público. Será que a experiência predatória do patrimônio público, nas privatizações nos governos Collor e FHC, nada nos ensinaram, ou há deliberadamente a intenção de repetir o processo de fabricação de capitalistas com financiamentos do BNDES e com altas tarifas dos serviços públicos?

Tenho sido até agora eleitor do PT, mas começo a temer sinceramente que, se seus dirigentes insistirem em permanecer deitados no “berço esplêndido” dos cargos públicos e das benesses que lhes chegam das corporações privadas, a população, num futuro breve, não mais lhes dará seus votos.

Os segmentos mais desinformados da população, quando afetados pela crise, certamente irão em busca de alternativas. Só que neste caso, o pior pode acontecer, com o deslocamento de sua preferência para organizações de direita e para o apoio de partidos e movimentos anti-democráticos. Assim tem sido na Europa, por que não se repetiria aqui?

O PT precisa, urgentemente, afirmar-se como um partido de vanguarda na defesa dos interesses populares. Precisa também, obviamente, dar sustentação ao governo que elegeu, mas não deve confundir-se inteiramente com o governo, pois este, por razões de governabilidade, tem de fazer concessões aos aliados. Ao PT cabe desempenhar o papel de propulsor das mudanças que o país precisa realizar e impulsionar o governo nessa direção e nunca transformar-se em mero agente do governo. O PT deveria ser um partido no governo e não um partido do governo.

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Via Portal LN

 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sexo oral só é pecado “caso o orgasmo seja alcançado”, afirma site da Universal


O tema sexo vem marcando presença entre os assuntos mais tratados pela Igreja Universal nos últimos dias. Em sua sessão de perguntas e respostas, o site Arca Universal publicou um artigo em que explica se a prática do sexo oral é pecado ou não.

No texto, a resposta para a pergunta é condicionada ao quão longe chega a carícia: “É pecado caso o orgasmo seja alcançado por meio dessa prática. Isso porque, semelhantemente ao que ocorre no sexo anal – quando o reto recebe uma introdução estranha à sua natureza – a boca foi feita exclusivamente para falar e receber o alimento”.

Para o caso de a carícia não provocar orgasmo, não há problema algum, segundo o texto: “Isso não impede, no entanto, que, durante o início da relação – mais conhecido como preliminares – o casal realize a prática como um carinho, para que ambos sejam estimulados a alcançar o ápice. Não faz diferença se for introduzido na boca um órgão genital, um dedo da mão ou do pé, desde que o momento de maior prazer sexual aconteça por meio do método reprodutivo básico dos seres humanos”.

O texto não especifica se essa carícia pode ser feita por casais que ainda não se casaram ou se deve acontecer apenas dentro do casamento.

Em seu blog, o bispo Edir Macedo afirmou recentemente que o assunto sexo oral não é regulamentado pela Bíblia: “A Palavra de Deus não fala nesse assunto em detalhes, mas como já escrevi num blog passado, tudo depende da sua fé. Se a sua consciência dói, é porque é pecado para você. Se não, é porque não é”.
E o Sexo anal é pecado? Veja o que diz Edir Macedo

Fonte: Gospel+

O Cerco: A Democracia nas Malhas do Neoliberalismo

O Cerco: A Democracia nas Malhas do Neoliberalismo
(legendado em português)
de Richard Brouillette
Canadá, 2005

Participação: Noam Chomsky, Ignacio Ramonet, Normand Baillargeon, Susan George, Omar Aktouf, Oncle Bernard, Michel Chossudovsky, François Denord, François Brune, Martin Masse, Jean-Luc Migué, Filip Palda and Donald J. Boudreaux

Sinopse:
Retrato da ideologia neoliberal por meio do pensamento de intelectuais renomados, com uma análise dos diversos mecanismos práticos dessa ideologia, como a desregulamentação, a redução do papel do Estado, a privatização e o controle da inflação em lugar da recessão.

A doutrina começa em 1947, com a fundação da Sociedade Mont Pèlerin, grupo de pensadores neoliberais financiados por empresas multinacionais. Desde o final da Guerra Fria, o índice de reformas neoliberais tem aumentado.

Em suas entrevistas, o filme busca resposta para a pergunta: por trás da cortina de fumaça ideológica e dos interesses de um mercado livre, para além da "mão invisível" do mercado, o que realmente está acontecendo?

Manual para abandonar o fumo


Se você é mais um daqueles que está pensando ou tentando deixar o fumo, aqui vão algumas regrinhas de ouro que poderão ajudá-lo a abandonar o vício responsável por mais de 30% das mortes relacionadas ao câncer.


Nem sempre é fácil largar o hábito de fumar, mas sempre é muito bom para a saúde. Alguns benefícios são imediatos; por exemplo: trinta minutos depois de a pessoa fumar o último cigarro; a pressão arterial, o batimento cardíaco e a temperatura corporal já voltam ao normal. Ao final de oito horas; o nível de oxigênio e gás carbônico do sangue começa a se equilibrar, e a chance de se ter um ataque do coração já começa a cair. Algumas semanas depois de ter abandonado o fumo; o olfato e o paladar voltam a funcionar normalmente, e a respiração já se normaliza.

A pessoa que para de fumar sente-se mais energética e o seu risco de desenvolver um ataque cardíaco, após alguns meses, vai cair para menos de 50% do que quando fumava. Depois de 10 anos sem fumar, aquelas pessoas que tinham células pré-cancerosas nos pulmões passam a ter células normais e, após 20 anos de abstinência, passam a ser consideradas não fumantes.

Tentações fundamentais

  • A primeira caneca de café: Mude sua rotina de tomar café longe da mesa.
  • Ao finalizar uma refeição: Em vez de permanecer sentado à mesa levante-se e caminhe.
  • O cônjuge que fuma: Todas as manhãs, lembre-se como é o bom não fumar.
  • Horas que demoram a passar: Faça alguns singelos exercícios abdominais ou faça alguns alongamentos.
  • Um amigo que lhe oferece um cigarro: Conteste que você já é um ex fumante e que pensa assim permanecer. Peça ao amigo para que jamais volte a lhe oferecer cigarros.

Tentações no Trabalho

  • Conversas no corredor: Aproveite para beber um enorme copo com água ou suco.
  • Chamada telefônica de cliente chato: Use uma caneta para rabiscar uma folha de papel ou faça correntinha de clipes.
  • Cafézinho no escritório: Use a colherzinha para mexer seu café como substituto do cigarro.
  • Prazos de entrega impossíveis: Respire profundamente para relaxar. Aspire profundamente e depois lentamente. Repita este exercício dez vezes.
  • Problemas com o chefe: Analise o que deseja da situação. Fumar não lhe ajudará a encontrar a forma de resolver o problema.

Tentações no lar

  • Vendo o programa de TV favorito: Mude de lugar. Sente-se no sofá em vez de seu "cadeirão do papai".
  • Ao falar ao telefone com um amigo: Mantenha suas mãos ocupadas, por exemplo, com a lista telefônica.
  • Crise familiar: Respire profundamente várias vezes. Depois trate de focar-se na solução do problema e não em fumar.
  • Sozinho em casa: Trate de manter-se ocupado. Limpe os armários, recolha o lixo... corte a grama.
  • Após as refeições: Levante da mesa imediatamente e vá escovar os dentes.

Tentações sociais

  • Happy Hour após to serviço: Antes de sair, ensaie mentalmente como se portará como ex fumante. Imagine-se pedindo uma bebida, conversando com os amigos, etc. Fazendo tudo, mas sem fumar.
  • Uma festa: Antes de sair faça um pacto com você mesmo e com algum amigo que não fume.
  • Joguinho de baralho com os amigos: Tenha à mão algum substituto, o misturador de bebida, uma goma de mascar ou um palito de dentes.
  • A primeira reunião familiar após deixar de fumar: Trate de manter suas mãos ocupadas; ofereça-se para ajudar a lavar os pratos ou faça a salada.
  • Recebendo visitas que fumam: Enfoque sua atenção nos objetos que lhe rodeiam, um por um, até que o desejo de fumar passe.

Tentações ao ir de um lugar a outro

  • Indo para o trabalho: Mude a forma de ir ao trabalho. Caminhe em vez de dirigir; vá de ônibus ou use uma rota alternativa.
  • Sozinho no automóvel: Para ajudá-lo a relaxar, escute uma música suave. Os substitutos orais resultam muito úteis como balas ou gomas de mascar.
  • Suas primeiras férias como não fumante: Faça alguma atividade física que distraia sua atenção, caminhe, ande de bicicleta, nade...

Truques que ajudam a fumar menos

  • Comprar uma marca de cigarro que goste menos ou qualquer outra "mata-rato" (se bem que todas matam).
  • Usar piteiras.
  • Espera 5 a 10 minutos antes de acender o cigarro.
  • Lavar as mãos e enxaguar a boca após cada cigarro ajuda ao fumante a perceber como o cigarro é mal cheiroso.
  • Enxaguar a boca, escovar os dentes ou tomar um chá de menta antes de fumar, para mudar o gosto do fumo.
  • Fumar só ao ar livre ou com as janelas abertas.
  • Fumar marcas com baixo teor de nicotina e alcatrão.
  • Não fumar nunca em jejum (é quando mais nicotina se absorve).
  • Guardar o cigarro em lugares onde seja difícil encontrá-lo.
  • Comprar uma carteira por vez.
  • Não agite o cigarro na mão para diminuir sua combustão e para que a nicotina não se acumule.
  • Faça pequenos furos com um alfinete próximo ao filtro de maneira que entre ar e, a cada aspirada, diminua a quantidade de fumaça.
  • Dar menos fumadas em cada cigarro.
  • Atrasar a cada dia meia hora o primeiro cigarro.
  • Apontar diariamente o número de cigarros para estar consciente do quanto fumou.
  • Controlar o número de cigarros diários e fumar um a menos em cada dia.
  • Fumar só a metade do cigarro.
  • Tentar não tragar entre uma fumada e outra.
  • Fixar-se em um número de dias que consegue ficar sem fumar.
  • Não ficar próximo a amigos fumantes.
  • Tomar a decisão de deixar o fumo aproveitando as férias ou durante uma doença - gripe, por exemplo-, quando o fumo é menos apetecível.

Motivos para deixar o fumo:

  • Faça as contas: multiplique o preço do número de carteiras que fuma por dia por 365 e vai notar que poderia pagar uma boa limpeza dentária para limpar este amarelo de seus dentes.
  • Você já fez as contas com o quanto gasta com os fumantes "chupins" (parasitas)?
  • O maldito cheiro que faz qualquer um fugir como o diabo foge da cruz. A maioria dos não fumantes se nega a beijar um fumante, dizem que é como lamber um cinzeiro.
  • Por mais que escove e lave os dentes eles permanecem com aquele amarelo pálido, assim como a unha das mãos com aquela marca amarela do alcatrão.
  • Nenhum drops ou spray disfarça de todo o cheiro do fumo. E sua roupa, ainda que esteja impecável, também manterá a fedentina do cigarro.
  • Você já pensou na quantidade de coisas que está deixando de fazer por causa do fumo? Consegue ainda dar um pique na quadra sem que o ar falte?
  • Consegue ficar mais de um minuto debaixo d'água como fazia na aposta com os amigos na infância?
  • Você está economizando uma boa parcela na conta bancária para custear as doenças que virão numa idade mais avançada decorrentes do seu hábito de fumar?
  • Para muita gente, parar de fumar é extremamente difícil. Mas deveriam pensar em todos os benefícios que isso iria trazer, como saúde, bem estar, economia, além de evitar o incômodo e a doença dos indivíduos próximos que não fumam.
  • E a mais importante de todas, quanto tempo seu amiguinho permanece ereto em cada batalha? Já está dando vexame e deixando sua parceira na mão?
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Nota em apoio à ministra Eliana Calmon

Nota do presidente do Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro, Álvaro Quintão, em apoio ao Conselho Nacional de Justiça:
 
Álvaro Quintão e Eliana Calmon
A ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, apresentou ontem (12/01) ao STF um relatório do COAF, órgão do Ministério da Fazenda, sobre a movimentação financeira de juízes e servidores do Judiciário federal e dos estados considerada atípica, entre 2000 e 2010. O documento é demolidor. Mostra que R$ 856 milhões foram movimentados por estes servidores. Somente uma pessoa, em 2002, uma ligada ao TRT do Rio, ainda não se sabe se juiz ou funcionário, realizou 16 movimentações, totalizando R$ 282,9 milhões!
 
As pessoas que fizeram estas movimentações não foram identificadas pelo CNJ, pois o COAF, no relatório, apenas informa os valores e datas. As movimentações financeiras “atípicas”, informa também o CNJ, não querem dizer por si só que sejam frutos de corrupção ou de alguma irregularidade nos tribunais. Mas certamente, de posse destes indícios gravíssimos, o órgão fiscalizador do Judiciário teria que aprofundar a investigação e pedir à própria Justiça a quebra de sigilo desses servidores. Ou alguém considera normal uma única pessoa, seja juiz ou funcionário, ter movimentado R$ 283 milhões em único ano no TRT/RJ?
 
De qualquer maneira, o CNJ provou, com este documento, que não fez nada que afrontasse a Constituição, como lhe acusam seus pares e alguns ministros do Supremo. O órgão comprovou que tem indícios fortíssimos de atos ilícitos que merecem ser investigados profundamente, doa a quem doer. Provou que a investigação que encaminhava ano passado era correta – investigação esta suspensa por liminar ganha no Supremo pela AMB.
 
A ministra Calmon não quer ser tratada, a nosso ver, como um Dom Quixote que luta contra moinhos . Primeiro, porque ela não tem nada a ver com aquele personagem meio lunático. Segundo, porque as irregularidades do Judiciário não tem nada a ver com moinhos de vento e o relatório do COAF comprova isto. A ministra quer, na verdade, que a sociedade a apoie nesta verdadeira batalha que ela está travando pela moralização, transparência e democratização do nosso Judiciário.
 
A ministra já atravessou seu Rio Rubicão e quer ir até o fim na investigação dos malfeitos do Judiciário. Resta saber se o Ministério Público, AGU, imprensa, Congresso, Centrais Sindicais, OAB e as próprias entidades representativas do Judiciário vão acompanhar a ministra nesta jornada. O Sindicato dos Advogados, por sua vez, se coloca ao lado da ministra Eliana Calmon nesta luta necessária ao país.

Mau exemplo de magistrados corrói a democracia

Fonte: assessoria de imprensa da OAB/RJ
O cidadão quando senta à frente de um magistrado em audiência quer ter a certeza de que está diante de um homem ou uma mulher de bem, que dá bom exemplo aos seus concidadãos. Qualquer suspeita em contrário corrói a democracia. A afirmação foi feita nesta sexta-feira, dia 13, pelo presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, ao comentar o relatório do Coaf (órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda) que levantou movimentações consideradas "atípicas" no valor de R$ 855 milhões de 3.426 magistrados e servidores do Judiciário entre 2000 e 2010.

Segundo o relatório, 81,7% das comunicações consideradas atípicas estão concentradas no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro), Tribunal de Justiça da Bahia e o Tribunal de Justiça Militar de São Paulo. O documento revela ainda a existência de duas pessoas vinculadas ao Tribunal da Justiça Militar de São Paulo e uma do Tribunal de Justiça da Bahia terem movimentado R$ 116,5 milhões em um único ano, 2008.

O presidente da OAB/RJ destacou que em todas as democracias, o Poder Judiciário, mais do que qualquer outro, não pode tolerar suspeitas sobre a conduta dos seus membros. “O cidadão comum espera do juiz um comportamento irrepreensível, transparente e obediente aos mais rígidos preceitos éticos”. E acrescentou: “causa perplexidade a todos nós saber que servidores públicos, sobretudo magistrados, tiveram movimentações aparentemente inexplicáveis em suas contas bancárias”.

Por serem remunerados pelos impostos pagos pelos cidadãos, é fundamental que os acusados pelo documento do Coaf virem a público e exibirem os seus contra cheques. É fundamental – disse Wadih – que todos os envolvidos demonstrem que as quantias depositadas, superiores aos valores dos seus vencimentos, são lícitas. “Se não o fizerem, que o façam os presidentes ou os corregedores dos tribunais apontados nas informações do Coaf. Temos o direito de saber, e eles, o dever de informar. Não é favor, é obrigação decorrente de mandamento constitucional”., concluiu o presidente da OAB/RJ.

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