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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Depois de sustos ao longo do Plano Real, dívida pública segue sob controle
O que faz uma
pessoa física que precisa honrar compromissos urgentes, mas não tem recursos?
Pega dinheiro emprestado e se endivida com juros. Com o governo, o processo é
parecido, porém mais complexo. O Tesouro Nacional emite títulos e se compromete
a devolver o dinheiro com alguma correção anos mais tarde, aumentando a dívida
pública.
Responsável
por provocar momentos de susto nas contas públicas brasileiras nos 20 anos de
Plano Real, a dívida pública está sob controle nos últimos anos. Depois de ter
disparado nas crises cambiais de 1998 e 2002, o endividamento do governo caiu
na última década, beneficiado pela melhoria no perfil e pelo fato de o país ter
passado de devedor a credor externo.

Nos primeiros
anos após a criação do Plano Real, o Brasil tinha a maior parte da dívida
interna atrelada ao câmbio e aos juros básicos da economia. Segundo o professor
Francisco Lopreato, da Universidade de Campinas (Unicamp), especialista em
política fiscal, entre 1999 e 2002, cerca de 95% da dívida mobiliária – em
títulos – interna estavam corrigidos pelos juros básicos (60%) e pelo dólar
(35%).
Esse tipo de
composição foi fatal para o Brasil nas crises da Ásia, da Rússia e de 2002. A
disparada do dólar multiplicou a dívida em reais atrelada ao câmbio. Para
tentar segurar a cotação e atrair capitais estrangeiros, o Banco Central teve
de aumentar os juros, o que impactou os títulos vinculados à taxa Selic – juros
básicos da economia.
O efeito sobre
as contas públicas foi perverso. Em 2002, a dívida líquida do setor público,
que considera tudo o que o setor público tem a pagar e a receber, chegou a
saltar para 60% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no
país). “Foi a pior combinação pela qual o Brasil poderia passar naquele
momento. A ancoragem do dólar forçou o aumento dos juros e aumentou o
endividamento do país”, recorda Carlos Eduardo Freitas, diretor do Banco
Central por duas vezes, entre 1985 e 1988 e de 1999 a 2003.
Segundo Freitas,
também contribuiu para a alta da dívida pública na primeira fase do Plano Real
o reconhecimento, pelo governo federal, de esqueletos econômicos, débitos
resultantes de planos econômicos antigos. Além disso, a renegociação das
dívidas dos estados e o Proer, programa de ajuda aos bancos que quebraram após
o Plano Real, impulsionaram o endividamento federal.
Atualmente,
apenas 10% da dívida estão atrelados aos juros; e 10%, ao câmbio, considerando
as vendas de dólares no mercado futuro feitas pelo Banco Central. Para
Lopreato, o trabalho de gerenciamento da dívida pública a partir de 2003, que
privilegiou a troca dos títulos atrelados aos juros e ao câmbio por papéis
prefixados – com taxas determinadas antecipadamente – e corrigidos pela
inflação, diminuiu a vulnerabilidade do país. Atualmente, a dívida líquida do
setor público está em 34% do PIB.
Outro fator
que contribuiu para a redução da dívida líquida ocorreu em 2006, quando o
Brasil passou de devedor a credor externo. O Brasil virou credor ao acumular
reservas internacionais, hoje em torno de US$ 380 bilhões, em montante superior
à dívida externa (pública e privada), atualmente em US$ 326 bilhões.
“Para quem se
lembra da crise da dívida externa dos anos 80 e dos acordos com o Fundo
Monetário Internacional até 2004, essa é nossa maior vitória”, diz Lopreato.
“Agora, quando o dólar dispara, como aconteceu no ano passado, a dívida líquida
cai porque as reservas internacionais superam o endividamento externo”,
explica.
Apesar de
estar sob controle, a dívida pública tem sido pressionada nos últimos anos
pelas ajudas do Tesouro Nacional aos bancos públicos. Desde 2009, o Tesouro
emitiu cerca de R$ 300 bilhões em títulos públicos para aumentar o capital do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A operação não
tem impacto na dívida líquida, mas aumenta a dívida bruta do governo.
O reforço
permite que a instituição empreste mais ao setor produtivo e estimule
investimentos, mas a ajuda oficial divide a opinião de economistas. “De fato,
os aportes para o BNDES aumentaram a dívida bruta, mas o impacto é
relativamente pequeno. As emissões são importantes para ampliar os
investimentos e ajudar a economia”, diz Lopreato. “Essas ajudas só provocam
inflação e não têm impacto sobre o total de investimentos. O empresário, na
prática, apenas deixa de usar os próprios recursos e investe com empréstimos a
juros baixos concedidos pelo governo”, critica Freitas.
Parto normal fortalece a saúde do bebê
O nascimento
de um filho é certamente uma das etapas mais especiais da vida de uma mulher. É
o momento em que ela e a família direcionam todos os seus esforços para que
tudo corra bem com a mãe e com o bebê. Logo, o parto é um momento decisivo para
a construção de um vínculo duradouro.
Segundo a Organização
Mundial da Saúde (OMS), dar à luz a um bebê é um ato natural. De acordo com
a organização, se tudo estiver bem com mãe e com a criança, o parto é um
processo fisiológico que requer pouca intervenção médica. A cesárea – cirurgia
de média porte – é recomendada em casos de complicações reais para a mulher e
para o bebê e necessita, portanto, de indicação médica. Conforme a OMS, o
índice aceitável de cesarianas fica em torno de 15%.
No entanto,
atualmente, 55% dos partos realizados no Brasil são cesarianas. O índice – que
é de 40% no SUS – chega a 84% na rede privada. Para reduzir esses números, o
Ministério da Saúde e a ANS anunciaram, em janeiro, uma série de medidas para
estimular a realização de partos normais e reduzir o alto índice de cesáreas
desnecessárias no País.
Para a
dentista Andreia Barroca (33), que passou pelos dois tipos de parto – cesariana
na primeira gravidez e parto normal na segunda gestação – não existe comparação
entre os dois procedimentos. Segundo ela, são inúmeras as vantagens do parto
normal para a mãe e para o bebê, tanto física quanto emocionalmente. Andreia é
mãe de Lucca (5) e de Cauã, de um mês.
Graziano: erradicação da pobreza até 2025 na América Latina e Caribe é possível
A pobreza na região mais desigual do mundo foi o principal tema da 3ª
Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em San
José, na Costa Rica. Mas, desta vez, além de dar declarações, os líderes dos 33
países assumiram um compromisso por escrito: erradicar a pobreza extrema e a
fome na região ate 2025. O plano para atingir essa meta foi apresentado pelo
brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações
Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Segundo Graziano, a meta é possível, desde que haja vontade política e
apoio aos países mais pobres da América Central e do Caribe. Em seu discurso,
nessa quarta-feira (28), a presidenta Dilma Rousseff citou como exemplo o
Brasil, que em 11 anos de programas sociais conseguiu ficar “fora do Mapa da
Fome da FAO” e avançou no combate à miséria.
“Criamos um piso de renda abaixo do qual nenhum brasileiro deve estar.
Passamos a complementar a renda das famílias e, com isso, 22 milhões de
brasileiros superaram a extrema pobreza, somente nos últimos quatro anos”,
disse Dilma Rousseff. Mas, apesar dos avanços registrados tanto no Brasil
quanto em muitos países, a região ainda ostenta os maiores índices de
desigualdade no mundo. Segundo o presidente de Cuba, Raúl Castro, as
estatísticas mostram a dura realidade: 167 milhões de pessoas ainda vivem na
extrema pobreza.
A Celac insiste que a solução é investir em programas de inclusão
social, apesar da conjuntura econômica mundial desfavorável.
Agência Brasil
Justiça determina quebra de sigilo de ex-presidente da Petrobras
| A 5ª Vara de Fazenda Pública da Justiça do Rio de Janeiro determinou o arresto de bens do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli Antonio Cruz/Agência Brasil |
A 5ª Vara de
Fazenda Pública da Justiça do Rio de Janeiro determinou ontem (28) o arresto
(bloqueio) de bens do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli e do
ex-diretor da estatal Renato de Souza Duque, bem como a quebra de seus sigilos
bancário e fiscal. A medida também atinge a construtora Andrade Gutierrez e
outros executivos da Petrobras: Pedro José Barusco Filho, José Carlos Villar
Amigo, Sérgio dos Santos Arantes, Alexandre Carvalho da Silva, Antônio Perrota
Neto e Guilherme Neri.
O pedido foi
feito pela 5ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania,
do Ministério Público Estadual. A solicitação também se estendia à própria
Petrobras, mas isso foi negado pela Justiça.
Segundo a
decisão da Justiça, há indícios de “sucessivas e superpostas contratações em
benefício da Andrade Gutierrez”, pela Petrobras, com sobrepreço e
superfaturamento em contratos para ampliação e modernização do Centro de
Pesquisas da estatal, o Cenpes. Além disso, segundo a Justiça, houve falta de
transparência na seleção da Andrade Gutierrez para os contratos.
Ainda de
acordo com o despacho da juíza Roseli Nalin, auditorias do Tribunal de Contas
da União encontraram indícios de superfaturamento de R$ 31,5 milhões.
Da Agência
Brasil
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