sábado, 11 de janeiro de 2014

China ultrapassa EUA na liderança do comércio global em 2013

Blog Dag Vulpi – O comércio anual de bens da China passou a marca dos US$ 4 trilhões pela primeira vez no ano passado, revelam as estatísticas oficiais, confirmando a posição do país como o maior comerciante em escala mundial.
Divulgados pela Administração Geral das Alfândegas chinesa, os dados colocam um ponto final na dúvida sobre quem seria o país com maior volume de negócios (China ou Estados Unidos). Por causa dos diferentes métodos de cálculo entre os dois países, apenas em 2013 os chineses superaram os norte-americanos na troca de bens. A conta exclui o comércio de serviços.
“É muito provável que a China tenha suplantado os Estados Unidos como o país com mais trocas comerciais de bens em 2013 pela primeira vez”, disse o porta-voz da Administração Geral das Alfândegas chinesa, Zheng Yuesheng.
As exportações da segunda maior economia mundial subiram 7,9%, para US$ 2,21 trilhões, enquanto as importações aumentaram 7,3%, para US$ 1,95 trilhão, de acordo com a mesma fonte, o que coloca o superávit comercial da China em US$ 259,7 bilhões, 12,8% a mais do que em 2012.
O volume total de bens comercializados entre a China e outros países ficou em US$ 4,16 trilhões, o que representa uma subida de 7,6%, ligeiramente abaixo da meta das autoridades chinesas, que apontava para um aumento de 8%. O comércio entre a União Europeia (UE) e a China aumentou 2,1% em 2013, para mais de US$ 559 bilhões, mantendo os europeus como o maior parceiro comercial de Pequim.

Pelotão de ataque contra a taroíra


Por Dag Vulpi

Contei na crônica anterior a minha saga de ter disputado o último duelo com D’Jango (confira aqui), e nela recordei como era farta a quantidade de personagens atípicos e instigantes naquele recém-criado bairro da cidade de Vila Velha, nos idos dos anos 70. Prosseguindo na tentativa de “desenterrar” alguns daqueles personagens, hoje recupero mais um — e a bola da vez é a nada social Maria Taruira.

Taruira era uma senhora esquisitona e solitária; morava sozinha num pequeno barraco escondido no meio do matagal do morro do bairro Soteco. Magra ao extremo, sempre descabelada e suja, vestia-se e alimentava-se com o pouco que, vez ou outra, era deixado à sua porta por alguma alma que se sensibilizava com a situação da infeliz. Não era grata — longe disso — gratidão era uma das muitas palavras que não faziam parte do seu restrito e particular dicionário. As senhoras que levavam roupas e alimentos precisavam ser discretas: deixar as sacolas nas imediações do barraco e não permanecer muito tempo por ali, pois corriam o risco de receber, como paga, uma lata de urina bem no meio da fuça. Isso mesmo — a infeliz guardava seus excrementos dentro de uma lata, e aquela era sua arma de defesa, mesmo quando defender-se não se fazia necessário.

Antissocial além do extremo, ela detestava quando alguém se aproximava do seu bangalô. O desavisado que passasse ali por perto era, de imediato, rechaçado: primeiro ela sambava o conteúdo da bendita lata e, logo na sequência, o infeliz ouviria um grande e seleto repertório de palavrões e todo o azar de praguices. Seu improviso para descompor o semelhante era certeiro como nenhum outro. Não foram raras as vezes em que senhoras preocupadas com a tal retornaram chorosas pelo destrato que receberam da desinfeliz.

Deixa estar que parte da rabugice da infeliz era injustificada — já outra, nem tanto — pois ela sofria com a molecada das redondezas. A maioria dos meninos tinha pavor da velhota; porém, quando reunidos, era ela quem cortava um dobrado com a molecada.

Ainda recordo-me dos preparativos que fazíamos na tarde que antecedia o dia em que tirávamos para azucriná-la. Cada um deveria levar o estilingue e um embornal cheio de pelotas que recolhíamos próximos aos trilhos da estrada férrea de São Torquato, por onde passavam os vagões com minério vindos de MG com destino ao porto de Tubarão, da recentemente inaugurada Vale do Rio Doce. O Terminal de Tubarão iniciou suas operações em 1962, pela então Companhia Vale do Rio Doce, através de um projeto pioneiro idealizado por Eliezer Batista.

Normalmente, aos sábados, o local da reunião era na minha casa, que ficava estrategicamente no pé do morro que seria o alvo de nosso ataque. Havia dias em que somávamos mais de quinze moleques, e dali subíamos com a desculpa de que iríamos caçar passarinho. Naquela época ainda não tínhamos consciência do politicamente correto, e matar rolinha com estilingue era um comportamento normal da gurizada. Pois bem, subíamos o morro e ficávamos escondidos nas moitas, de forma a ter um bom ângulo para o ataque. Não tínhamos como alvo a pobre da Taruira, mas sim seu barraco, que era de madeira, porém tinha o teto e uma das laterais revestidos por zinco — e esse detalhe transformava o impacto de uma simples bolinha de minério num barulho ensurdecedor. Imaginemos então dezenas dessas pelotas chocando-se contra o zinco ao mesmo tempo!

E era tudo muito bem planejado: disparávamos uma saraivada de pelotas direto no telhado e na lateral de zinco, e nos escondíamos todos ao mesmo tempo; recarregávamos nossos estilingues e sapecávamos outra rajada de pelotas. A esta altura, a pobre infeliz já estava quase louca: saía de dentro do barraco com os olhos esbugalhados e com sua costumeira cabeleira desarrumada, xingando a tudo e a todos. E nós saíamos em disparada morro abaixo, felizes da vida e com um gostoso sentimento de realização pessoal e coletiva — afinal, era naquele momento que tínhamos a impressão de estar devolvendo, com juros, todo o pânico que ela nos causava quando nos surpreendia solitários nas ruas do bairro. E a carreira morro abaixo só teria fim quando cada um de nós estivesse na segurança de sua casa.

Hoje, essas recordações chegam acompanhadas de certo arrependimento — mas, na época, era muito prazeroso. Lembro que, mais tarde, nos reuníamos para comentar quão gratificante havia sido aquela aventura e como cada um de nós havia sido corajoso por ter enfrentado a terrível Taruira.

Anos mais tarde, a infeliz foi hospitalizada; fora acometida por uma grave tuberculose, e nunca mais se ouviu notícias dela.  

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Líder do PSB: 'PT comerá o pão que o diabo amassou'


Deputado Beto Albuquerque (RS) afirma que, a partir de fevereiro, a legenda votará como oposição ao PT no Congresso; dois dias após o Partido dos Trabalhadores publicar em sua página no Facebook um texto chamando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, de "tolo" e "playboy mimado", o parlamentar foi taxativo: "não sou tolo de ajudar quem me agride. Eu ajudei o presidente Lula, Dilma e o PT nos seus piores momentos, mas também sei fazer oposição. Vão comer o pão que o diabo amassou"

Pernambuco 247 - O segundo vice-presidente nacional do PSB e líder do partido na Câmara Federal, deputado Beto Albuquerque (RS), afirmou que a legenda socialista passará a votar como oposição ao PT a partir de fevereiro deste ano. Dois dias após de o Partido dos Trabalhadores publicar em sua página no Facebook um texto chamando o presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de "tolo" e "playboy mimado", o parlamentar, que vem atuando como porta-voz do gestor, disse, nesta quinta-feira (9), que os petistas "vão comer o pão que o diabo amassou".

Inflação anual de Dilma é próxima à de Lula e inferior à de FHC



Embora a presidente Dilma Rousseff seja duramente acusada de leniência com a inflação, o ritmo de aumento de preços durante o seu governo é próximo ao do período Luiz Inácio Lula da Silva e inferior ao da gestão Fernando Henrique Cardoso.

A inflação foi de 6,5% em 2011, 5,84% em 2012 e 5,91% em 2013, o que dá uma média anual de 6,1%. Na era Lula (2003 a 2010), os preços subiram 5,8% ao ano. Já na gestão FHC (1995 a 2002), o aumento médio foi de 9,1%.

Os dados se referem ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador oficial de inflação, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


As críticas à presidente Dilma provavelmente resultam da avaliação, por parte de analistas, de que neste momento histórico existem condições para o governo manter a inflação em um nível mais baixo.

Tanto Lula quanto FHC tiveram que enfrentar a inércia de uma inflação alta deixada por seus respectivos antecessores.  Em 1994, um ano antes de o tucano chegar à Presidência, os preços haviam subido 917%, de modo que a alta de 22% no ano seguinte – que seria um escândalo nos dias atuais – foi vista como um alívio.

Em 2002, antes da posse de Lula, a inflação havia sido de 12,5%. O resultado de 9,3% no primeiro ano do petista também foi, portanto, um avanço.

Com Dilma, ocorreu o contrário. O gráfico acima mostra que a inflação vinha caindo gradativamente em cada mandato presidencial até chegar o governo atual, que interrompeu essa trajetória.

Para recordar, a inflação foi de 135% ao ano com Figueiredo, 586% com Sarney, 735% com Collor e 1.519% com Itamar. Justiça seja feita, foi no governo Itamar Franco que a hiperinflação acabou. O IPCA subiu 757% no primeiro semestre de 1994 e apenas 19% no segundo, época em que FHC era ministro da Fazenda.

FHC
Fernando Henrique Cardoso passou o primeiro mandato combatendo fortemente a inflação, pois essa postura o havia colocado na Presidência e disso dependeria a sua reeleição.

De 22% em 1995, o IPCA passou a 10%, 5% e 2% em cada um dos anos seguintes, respectivamente. O gráfico abaixo deixa clara a redução drástica da inflação a partir de 1995.


Desde o início, FHC usou intensamente o câmbio como uma das armas do combate ao aumento de preços, em vez de conter com mais força os gastos públicos. Mantendo o real forte em relação ao dólar, os produtos importados ficaram baratos para os brasileiros ao longo de todo o primeiro mandato.

A estratégia gerou um rombo nas contas externas do país e provocou críticas dentro do próprio governo. Chamada de “âncora cambial'', a política foi classificada de “populismo cambial'' pelo então ministro José Serra.

Com o real caro, o preço dos produtos brasileiros fica alto e a nossa indústria tem dificuldade para competir com os estrangeiros. Resultado: as importações aceleram e as exportações pisam no freio. A âncora cambial fez o saldo comercial do Brasil (diferença entre exportações e importações) acumular uma perda de US$ 22 bilhões durante o primeiro mandato de FHC. Analistas passaram a desconfiar que, cedo ou tarde, faltariam dólares no país.

Após crises em países emergentes, investidores observaram os fracos fundamentos da nossa economia à época e especularam contra o real. Em janeiro de 1999, o governo teve que fazer uma forte desvalorização da moeda nacional e abandonar a âncora cambial.

Com a queda do real, o saldo comercial melhorou, mas a inflação aumentou. Um ajuste fiscal forte, que poderia ter sido feito no primeiro mandato, acabou tendo que ser feito no segundo, paralelamente a uma elevação considerável da taxa básica de juros.

Num contexto de impostos altos, corte de gastos públicos e juros elevados, a economia travou, provocando aumento do desemprego e queda da renda da população. Dessa forma, FHC fechou as portas do Planalto para os tucanos por pelo menos 12 anos.

Lula
A política de combate à inflação no governo Lula começou com uma carta aberta do recém empossado presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pedindo para ajustar a meta de aumento de preços de 4% para 8,5%.

Meirelles explicava que a inércia da inflação do ano anterior seria responsável, sozinha, por 4 pontos percentuais da alta de preços em 2003. Dessa forma, o primeiro mandato do governo Lula começou com uma inflação de 9,3%, em 2003, e terminou com uma de 3,14%, em 2006.

Diferentemente do que ocorreu no segundo mandato de FHC, no governo Lula o câmbio ajudou a segurar a inflação, pois os preços de matérias-primas – que são o forte do Brasil – dispararam no mercado internacional. As exportações batiam recorde anualmente, o que permitiu ao país importar cada vez mais produtos baratos sem causar um rombo nas contas externas.

O cenário permitiu ao Banco Central baixar drasticamente a taxa básica de juros sem pressionar a inflação.

O bom resultado das exportações gerou confiança dos investidores internacionais e os estimulou a colocar dinheiro no setor produtivo brasileiro. A entrada de dólares permitiu ao país passar de devedor a credor externo. Em um cenário mais estável, o crédito pôde avançar, gerando consumo, emprego e renda.

Com a crise financeira internacional em 2008, a atividade econômica brasileira esfriou, e o presidente Lula passou a injetar dinheiro na economia por meio de empréstimos de bancos públicos.

A inflação, então, voltou a subir e terminou o ano de 2010 em 5,91% – mesmo número alcançado por Dilma em 2013. Porém, naquele momento a economia brasileira cresceu 7,5% (contra os cerca de 2% no ano passado), de modo que Lula terminou seu segundo mandato como o presidente mais popular do mundo e, diferentemente de FHC, elegeu sua sucessora.

Dilma
A presidente Dilma Rousseff pegou um cenário internacional mais difícil do que Lula. Ela não pode contar com o câmbio para controlar a inflação, como fizeram Lula e FHC em seu primeiro mandato.

Com o real valorizado, as importações avançariam muito e não haveria como elevar as exportações o suficiente para compensar a saída de dólares. A China e a Europa, dois de nossos principais clientes, desaceleraram o ritmo de compra de produtos brasileiros.

Ainda, a concessão de crédito aumentou. Ao mesmo tempo, a taxa básica de juros, um dos principais instrumentos de controle de preços, foi reduzida pelo Banco Central nos dois primeiros anos do governo Dilma. Esses dois movimentos fizeram crescer a quantidade de dinheiro disponível na economia, sem a contrapartida do aumento dos investimentos e da produtividade. A consequência foi uma inflação acima do centro da meta por três anos seguidos.

A acusação à presidente de leniência com a inflação parte da ideia de que o governo não deveria aumentar a circulação de dinheiro no país sem que houvesse um aumento de produtividade. Seria melhor respeitar as metas ainda que isso gerasse algum custo social de curto ou médio prazo – como o aumento do desemprego.

Ainda, o uso de métodos não convencionais para segurar os preços – por exemplo, o subsídio à energia elétrica e à gasolina e também o baixo reajuste aos preços administrados – é uma postura que gera desconfiança no mercado.

Cumprir a promessa oficial de uma inflação de 4,5% seria uma das medidas para dar previsibilidade ao mercado e ganhar a confiança de investidores. Combinado com outras decisões – como a de não maquiar os dados das contas públicas e realizar mais concessões de infraestrutura ao setor privado –, o controle dos preços ajudaria a atividade econômica a se recuperar no longo prazo.

No CNJ, Barbosa cultua a própria personalidade


Do Brasil 247
Material do Conselho Nacional de Justiça sobre o primeiro ano de gestão de Joaquim Barbosa ressalta "combate à corrupção e maior eficiência para o Judiciário"; longo relatório sobre os trabalhos do órgão entre novembro de 2012 e novembro de 2013 fala ainda em cumprimento de metas, redução do estoque de processos, número de Resoluções editadas, diminuição de gastos em combustível, diárias e passagens; Barbosa se vangloria até mesmo, como se fosse uma façanha sua, do "ingresso de cinco mulheres" na composição do Conselho; campanha?

Um relatório divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o primeiro ano da gestão de Joaquim Barbosa mostra que o ministro cultua sua própria personalidade. O balanço, que destaca, em seu primeiro texto, o "combate à corrupção e maior eficiência para o Judiciário" entre novembro de 2012 e novembro de 2013, traz uma série de números, tabelas e realizações do Conselho nesse período.

Ironia no caso Siemens: “chifre em cabeça de cavalo”


Após anunciar intenção de desmembrar o processo sobre suspeita de formação de cartel entre as multinacionais Siemens e Alstom e o governo de São Paulo, ministro Marco Aurélio Mello, do STF, sustenta a derrubada do segredo de Justiça; antes mesmo de receber oficialmente os autos da Procuradoria Geral da República, ele divertiu-se a respeito da eventual contundência do processo contra os réus; "muitos ficam a imaginar chifre em cabeça de cavalo, pensam que há coisas piores do que as que realmente estão ali", disse o ministro em atenção aos acusados; na prática, desmembramento suaviza força de processo que envolve políticos do PSDB

Após conceder a réus ligados ao PSDB o direito ao desmembramento do processo por suspeita de formação de cartel entre as multinacionais Alstom e Siemens e o governo de São Paulo, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, adiantou que pretende estudar o caso durante o recesso do poder judiciário. Mas usou de ironia para manifestar que, à primeira vista, não vê motivos para manter o segredo de justiça em torno do caso.

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