quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dispersão, esquecimento e impulsividade podem indicar deficit de atenção; saiba como diagnosticar e tratar o problema



  • O transtorno muitas vezes é associado a outros problemas, como problemas de sono e depressão
    O transtorno muitas vezes é associado a outros problemas, como problemas de sono e depressão

Disperso, inquieto, desorganizado, impulsivo e esquecido. Estes são os adjetivos mais usados para descrever o comportamento de uma pessoa com Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma patologia reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas muitas vezes confundida como um traço de personalidade, o que faz com que muitos indivíduos passem a vida inteira sem saber que são portadores da doença.

Apesar disso, os sintomas são identificáveis e muitas vezes se manifestam de forma acentuada. A pediatra Alessandra Cavalcante,  do Hospital e Maternidade São Luiz, afirma que o deficit de atenção e a hiperatividade estão sempre associados. "Na infância, são aquelas crianças que não ficam quietas em nenhum momento e apresentam dificuldades de aprendizado na escola", explica.

O médico André Felicio, membro da Academia Brasileira de Neurologia e pesquisador da University of British Columbia, no Canadá, acrescenta que, mais do que apresentar mau desempenho escolar, os alunos com o transtorno são frequentemente considerados "um problema" para os professores devido ao excesso de agitação e impulsividade.



Diagnóstico difícil
  • Tuca Vieira/Folhapress
    Paciente fazendo tratamento: é cada vez mais surpreendente o número de adultos com TDAH diagnosticados pela primeira vez nesta fase da vida

O especialista reconhece que a tarefa de distinguir um comportamento expansivo normal, típico da idade, de um patológico é desafiadora até mesmo para um profissional habilitado. Porém, a diferenciação é feita a partir de uma análise sobre os impactos que essas atitudes têm na vida diária, ou seja, no quanto elas interferem no processo de aprendizado e nos relacionamentos interpessoais, por exemplo.

"A relação com outros problemas médicos, como transtornos do sono, alterações de humor, como depressão ou ansiedade, também auxiliam no diagnóstico", acrescenta.

Entre os adultos, os sintomas são semelhantes: constante dificuldade para se concentrar no trabalho ou participar de reuniões longas, impulsividade, perda de prazos, desorganização e outros problemas. O campo cognição também é afetado, como esclarece Felicio.

Sem cuidados médicos, o TDAH pode trazer ainda uma série de consequências negativas para a vida pessoal e profissional do indivíduo.  "Eles se acham incapazes, têm dificuldade com tarefas de atenção, cálculo e memorização e, muitas vezes, sentem-se culpados por isso ou são motivo de discriminação por seus colegas. Na verdade, tudo não passa de um problema neurobiológico", reforça.

Origens e desenvolvimento

"É cada vez mais surpreendente o número de adultos com TDAH que são diagnosticados pela primeira vez nesta fase da vida", declara Felicio. A observação se deve ao fato de que a patologia geralmente "nasce" com o indivíduo. "Estudos com gêmeos uni e bivitelinos mostraram uma concordância muito maior de TDAH nos primeiros, demonstrando o forte componente genético ou hereditário da doença", detalha.

Apesar disso, também estão envolvidos fatores neurobiológicos – relativos a aspectos anatômicos e fisiológicos do sistema nervoso –, e ambientais. Entre os últimos, são citados, no período pré-natal, uso de cigarro e bebida alcoólica durante a gestação. No pós-natal, prematuridade, baixo peso ao nascer e baixa escolaridade. "Há ainda os problemas que podem deixar alguma sequela ou vulnerabilidade no sistema nervoso central, como neuroinfecções e traumas cranianos", explica.

Segundo o especialista, não há estudos epidemiológicos sobre a incidência da enfermidade no Brasil. Mas, no mundo tudo, estima-se que, aproximadamente, 4% das crianças em idade escolar sofrem com o distúrbio, caracterizado como uma desordem neurocomportamental do sistema nervoso central.

Tratamento multidisciplinar

Para detectar clinicamente o transtorno, Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo, recomenda a realização de avaliações médicas, psicológicas e pedagógicas. "Cada um dos profissionais irá propor as melhores técnicas e estratégias conforme o caso", afirma. "O tratamento é multidisciplinar e depende do paciente e seu grau de comprometimento", acrescenta.

Entre as possibilidades, destaca-se o uso de medicação. "Os remédios são normalmente bem tolerados e dão resposta rapidamente. Em poucas semanas, já há uma amenização importante dos sintomas", explica. Embora não haja cura, como ressalta a médica, existe melhora para o quadro e a possibilidade de levar uma vida normal.

Entre os tratamentos não medicamentosos, a pediatra lista psicoterapia, terapia ocupacional e psicopedagogia. Outra possibilidade é a musicoterapia, como acrescenta Meca Vargas, especialista no método. Ela explica que a técnica, por meio de exercícios e jogos corporais, pode desenvolver habilidades como concentração e atenção.  

Os cuidados também requerem a participação dos pais, que devem fornecer apoio psicológico e pedagógico, segundo Cavalcante. Os pacientes não podem ser repreendidos por sua falta de atenção ou tratados como incapazes, ressalta Calegari. Em vez disso, eles devem receber tratamento especial, inclusive do ponto de vista físico.  Ambientes calmos e sem distração na escola e no trabalho os ajudam a manter o foco, como destaca a pediatra do Hospital São Luiz.  

Controle de riscos

Segundo um levantamento feito pela agência de saúde americana Food and Drug Administration (FDA), houve um crescimento de 46% no consumo de drogas para TDAH entre 2002 e 2010. Muitos especialistas defendem que o aumento se deve aos avanços da medicina, que possibilitaram uma melhora no diagnóstico da doença. Outros, no entanto, interpretam os dados como um excesso de prescrição e mesmo como um reflexo da automedicação.

Sobre esse aspecto, Calegari enfatiza a importância do acompanhamento médico e chama a atenção para as reações adversas que podem ser provocadas. "Na maioria dos casos, a medicação é psicoestimulante e ajuda o paciente a controlar o foco da atenção e manter-se mais estável emocionalmente. Porém, é preciso lembrar que esse indivíduo tem uma disfunção que a droga visa corrigir ou minimizar. Uma pessoa que faz uso de remédios como suporte em fases de estudos intensos, por exemplo, está colocando em risco sua saúde", finaliza..

  • Patrícia Santos/Folhapress
    Uma criança com TDAH, por exemplo, pode trocar de brinquedos a cada cinco minutos
    (UOL)

Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro


Bilhões de pessoas em todo mundo celebram hoje o aniversário de Jesus Cristo. A verdade, entretanto, é que ele não nasceu num dia 25 de dezembro.  "A teoria mais forte atualmente é que a data tenha sido escolhida para se contrapor à principal festa religiosa dos romanos, do Sol Invencível, que se dava na noite do dia 24", afirma Valeriano Santos Costa, diretor da faculdade de Teologia da PUC-SP. Na data, os romanos celebravam o solstício de inverno, quando acontecia a noite mais longa do ano.
Visita dos reis magos ao menino Jesus
também é questionada por estudiosos
E não para por aí. O ano de nascimento de Jesus, que marca o início da contagem do nosso calendário - afinal, estamos a caminho do ano 2013 "depois de Cristo" - provavelmente está errado. "Os evangelhos não fornecem datas precisas, apenas indícios. E muitas variáveis devem ser consideradas, como a diferença de calendários adotados por judeus e romanos à época", afirma o historiador Julio Cesar Chaves, mestre em Ciências da Religião e pesquisador do cristianismo primitivo. "Tanto Lucas quanto Mateus relatam que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o que provavelmente situaria o nascimento entre os anos 6 e 4 a.C. (antes de Cristo)", diz. 
Segundo a tradição cristã, Maria teria dado à luz em Belém. Mas o local também é contestado por alguns estudiosos, como o teólogo americano John Dominic Crossan e o arqueólogo israelense Aviram Oshri. Belém, que fica na Judeia, é citada nos evangelhos de Lucas e Mateus, mas os especialistas dizem haver indicações de que ele teria nascido na Galileia, onde começou a pregar. O fato de ambos evangelhos situarem o nascimento em Belém é visto como uma tentativa de associar Jesus à profecia de Miqueias, segundo quem o messias esperado pelos judeus nasceria naquela cidade. 
Se nem data e local de nascimento estão livres de controvérsia, tampouco as imagens reproduzidas nos presépios mundo afora, com o menino na manjedoura recebendo a visita dos três reis magos, são encaradas por estudiosos como realidade. "As narrativas sobre o nascimento foram feitas três ou quatro gerações depois, quando as informações históricas e os testemunhos diretos já estavam perdidos", diz André Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos autores do livro "Jesus Histórico. Uma Brevíssima Introdução", da Klíne Editora. "O relato tem uma discussão de poder, de reis importantes vindo de longe prestar homenagem", completa. 
Sem detalhes claros sobre o nascimento de Cristo, há quem duvide de sua existência. Na opinião dos especialistas, entretanto, essas correntes apresentam mais motivações ideológicas do que históricas, uma vez que há, sim, provas da existência da Jesus. "Ele é tão histórico quanto o imperador Tibério, ou a maioria dos imperadores romanos. Se você vai colocar Jesus como ficção, tem que colocar boa parte da história antiga na linha da ficção. Do que não se tem provas científicas é de que ele seja o salvador. Aí entra a questão da fé", afirma Costa. 
"A quantidade de fontes antigas de períodos praticamente contemporâneos a Jesus que o mencionam é considerável - inclusive em obras não cristãs. Não faria sentido pensar que uma quantidade tão grande de fontes compostas quase ao mesmo tempo e por autores diferentes fizesse referência a uma pessoa que nunca existiu, ou que fosse fruto de uma invenção", diz Chaves. Segundo ele, a ideia segundo a qual Jesus seria uma invenção mítica surgiu por volta do século 18, e nenhum estudioso sério defende tal tese. "A quantidade de fontes antigas que mencionam Julio César, por exemplo, é muito menor do que as que mencionam Jesus. No entanto, nunca vi ninguém questionar a existência do primeiro", completa.

PESQUISA RECENTE

  • Rose Lincoln/Harvard University/A
    Karen King, pesquisadora de Harvard, segura fragmento de papiro que sugere casamento de Jesus
A mais recente pesquisa sobre a vida de Jesus trata de um fragmento de papiro traduzido do copta - idioma usado por cristãos no Egito antigo - pela professora da Escola de Teologia de Harvard Karen King e cita Jesus dizendo "minha mulher". A própria historiadora reconhece que o documento, escrito cerca de quatro séculos após a morte de Cristo segundo suas estimativas, não prova que ele fosse casado, apenas que cristãos dos primeiros séculos acreditavam nisso. "E ninguém sabe ao certo se esse papiro é real ou uma farsa", ressalta Costa.
Estudar a vida de Cristo é um tema polêmico pois envolve  não só ciência, mas fé. Para Chevitarese, jamais existirá um retrato único dele. "É como um caleidoscópio. Existem inúmeros retratos de Jesus: no evangelho de João, Jesus é Deus; para Paulo, ele é o messias, mas não Deus. No fundo, Jesus é uma percepção de cada comunidade", conclui.
(UOL)

Evo Morales denuncia calote de empresa brasileira em fábrica de papéis boliviana


O presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciou nesta terça-feira que uma empresa brasileira enganou o governo boliviano no projeto de instalação de uma fábrica estatal de papel (Papelbol), que agora ficará a cargo de uma corporação chinesa.


"Infelizmente, uma empresa brasileira nos enganou. Estamos retomando (o projeto) e agora vamos terminá-lo com uma empresa chinesa", disse o presidente na cidade de Villa Tunari.

A Papelbol devia ser instalada na região do Chapare (centro), região produtora de coca e principal bastião político do presidente.

O chefe de Estado afirmou que, apesar do tropeço, "daqui a três meses" a fábrica estará pronta.

Morales não mencionou o nome da empresa brasileira questionada, a D'Andrea, que é investigada por suposto superfaturamento em um contrato com o Estado boliviano por 13 milhões de dólares para a venda de maquinaria para a fabricação do papel.

A empresa nega a acusação e denunciou que seu pedido de arbitragem foi rejeitado pelas autoridades bolivianas.

"Lamentavelmente, devemos reconhecer que por culpa das empresas temos que pagar politicamente por estes fatos", acrescentou Morales sobre a situação. 

Após a fracassada tentativa inicial, a instalação da fábrica de papel estará a cargo da empresa chinesa Vicstar.

Em seu afã de fortalecer a presença do Estado na economia, o governo do esquerdista Evo Morales impulsiona a criação de empresas estatais.
(UOL)

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Isenção sobre participação nos lucros foi negociada com centrais sindicais

Brasília – O Diário Oficial da União publica nesta quarta-feira (26) a medida provisória que zera a alíquota do Imposto de Renda incidente sobre participação dos lucros e resultados (PLR), recebida por trabalhadores, até R$ 6 mil.


A informação consta de nota divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, segundo a qual a definição sobre o limite de desoneração foi negociada entre o governo e as centrais sindicais, representadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela Força Sindical.

Alcoolismo é o principal problema de saúde pública no Brasil

Estudo revela que o alcoolismo já é a terceira maior doença no país
Levantamento da OMS aponta o consumo excessivo de álcool como responsável por mais de 10% dos problemas de saúde pública no Brasil.


Estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado apenas nos meios científicos, revela que o alcoolismo já é a terceira maior doença no país. Só perde para os males do coração e os tumores. Os resultados do levantamento, feito no ano 2000, indicam também que 5,6% de todas as mortes de homens ocorridas no planeta e 0,6% de mulheres são atribuídas ao consumo de álcool. Em 1990, a estimativa de mortalidade dos dois sexos em conseqüência da bebida era de 1,5%, o que indica uma preocupante tendência de ascensão.

Analisando o estudo da OMS, os psiquiatras Ronaldo Laranjeira e Nino Meloni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), chegaram à conclusão de que o alcoolismo é o principal problema de saúde pública no Brasil. Segundo o levantamento, mais de 10% de toda a mortalidade ocorrida no país é conseqüência do consumo excessivo de álcool.

Universidade de Coimbra cria tecnologia que aumenta eficácia de tratamento ao câncer de mama

Lisboa – Pesquisadores portugueses desenvolveram uma nanotecnologia que aumenta a eficácia terapêutica da quimioterapia para pacientes com câncer de mama, além de evitar alguns efeitos colateiras provocados pelo tratamento.

A nanopartícula usada para levar o medicamento às células cancerígenas foi desenvolvida no Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Na semana passada, a Universidade de Coimbra conseguiu reconhecer nos Estados Unidos a patente da nanopartícula registrada com o nome de Pegasemp™.

Segundo a universidade, a tecnologia transporta o medicamento que mata as células cancerígenas e destrói os vasos sanguíneos que alimentam o tumor – o que impede o câncer de se alastrar no organismo e diminui riscos de reincidência. Por causa de sua composição, a nanopartícula consegue chegar com mais facilidade às células doentes e, ao encontrá-las, libera o medicamento de tratamento.

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