
Autor do texto original: Wanderson R. Monteiro — Jornal das Montanhas.
Registro de contexto — Dag Vulpi: Além de publicado neste blog, este texto foi levado para debate no grupo Consciência Política, Razão Social (CPRS), no Facebook, onde provocou uma ampla discussão, da qual também participei. Os comentários e as manifestações dos participantes permaneceram registrados no espaço de comentários desta postagem, constituindo um registro documental daquele debate coletivo.
Nota editorial: Texto de autoria de Wanderson R. Monteiro, publicado originalmente no Jornal das Montanhas, reproduzido no Blog Dag Vulpi por sua relevância para o debate público e por representar uma contribuição ao processo de conscientização coletiva. Sua publicação reflete o compromisso do blog com a circulação de ideias, a pluralidade de perspectivas e o estímulo ao pensamento crítico. A apresentação foi reconfigurada em HTML e submetida a ajustes de revisão e organização textual, quando necessários, para proporcionar maior controle editorial, uniformidade visual e padronização das publicações do blog, preservando-se o sentido e os argumentos essenciais do conteúdo original.
Não que eu esteja torcendo para encontrar motivos que justifiquem o pedido de impeachment defendido por setores da direita contra o mandato da presidenta Dilma Rousseff, reeleita legítima e democraticamente nas urnas em outubro último. Entretanto, procuro identificar fundamentos que sustentem a razoabilidade dessa reivindicação, mas não consigo encontrá-los.
A justificativa que setores mais radicais da direita vêm apresentando como legítima, ainda que talvez não percebam, parece estar fundamentada justamente em um fator que sempre procuraram atribuir ao PT como característica essencial: o ódio.
As primeiras justificativas apresentadas por esses grupos durante as manifestações iniciais estavam estampadas em faixas e cartazes com frases que demonstravam claramente a recusa em aceitar o resultado das urnas. Na prática, defendiam a tentativa de promover um terceiro turno, ainda que improvável, para reverter a decisão tomada pelos eleitores.
As reivindicações eram tão descabidas que chegaram a ser rechaçadas pelo próprio candidato tucano derrotado nas eleições. Insinuações de fraude nas urnas, pedidos de intervenção militar e até mesmo de intervenção dos Estados Unidos no Brasil foram desqualificados pelo candidato derrotado em entrevista transmitida em rede nacional.
Entretanto, a sede pelo impeachment continuou. Era necessário encontrar algum fundamento que sustentasse essa reivindicação, pois seus defensores não pareciam dispostos a abandoná-la. Foi então que parte da mídia apresentou uma terceira possibilidade, prontamente abraçada pelos setores mais radicais como uma nova palavra de ordem: o pedido de impeachment passaria a ser sustentado pela suposta responsabilidade de Dilma Rousseff no caso conhecido como Petrolão.
Porém, assim como haviam se equivocado nas primeiras tentativas, esses grupos voltavam a se precipitar. O motivo era não aguardar a apresentação e a apuração das provas que efetivamente pudessem incriminar, ou não, a presidenta.
Afinal, em nenhum país que se pretenda minimamente comprometido com o Estado de Direito e com a democracia seria razoável aceitar, como fundamento suficiente para cassar um mandato presidencial, acusações sustentadas exclusivamente nas declarações de um criminoso confesso, beneficiário de um acordo de delação premiada, antes que os fatos fossem devidamente investigados e comprovados.
O mínimo que a razoabilidade exige em um caso dessa magnitude é a apuração criteriosa das denúncias, com investigações conduzidas pelas autoridades competentes e a apresentação de elementos que permitam avaliar a existência de responsabilidades efetivas.
Qualquer iniciativa que desconsidere essas exigências e procure transformar acusações ainda não comprovadas em fundamento para afastar uma presidenta eleita democraticamente corre o risco de ultrapassar os limites da contestação legítima e assumir características de uma tentativa de ruptura institucional.
Reflexão complementar
O episódio retratado nesta postagem, em dezembro de 2014, permite refletir sobre uma das questões mais delicadas da democracia: a diferença entre o direito de contestar um governo e a responsabilidade de respeitar as regras que legitimam o exercício do poder.
Uma oposição democrática tem o direito e até o dever de investigar, denunciar irregularidades, fiscalizar governantes e exigir responsabilização quando existirem fundamentos. Da mesma forma, qualquer cidadão pode manifestar inconformismo com os resultados eleitorais e defender mudanças políticas. Entretanto, a legitimidade dessas manifestações não elimina a necessidade de provas, procedimentos legais e respeito às instituições.
Esse episódio também revela os riscos da formação de convicções políticas antes da apuração dos fatos. Quando uma acusação passa a ser aceita como verdade simplesmente porque confirma aquilo em que determinado grupo já acredita, a investigação perde espaço para o julgamento antecipado. A informação deixa de ser examinada criticamente e passa a ser utilizada como instrumento de mobilização ideológica.
É nesse ambiente que a mídia, as lideranças políticas e a militância assumem responsabilidades importantes. A circulação de denúncias exige compromisso com a verificação, a contextualização e a distinção entre suspeitas, evidências e fatos comprovados. Sem esses cuidados, a comunicação pública pode transformar o debate democrático em um mecanismo de disseminação de convicções e hostilidades.
A democracia não se fortalece quando um grupo consegue impor sua vontade ao adversário, mas quando todos reconhecem que as mesmas regras devem valer para quem governa e para quem faz oposição. O compromisso com a verdade, com a investigação responsável e com as instituições democráticas precisa estar acima das conveniências partidárias. Afinal, defender a democracia significa respeitar suas regras inclusive quando o resultado das urnas contraria nossas preferências.
Crédito do texto original: Wanderson R. Monteiro — Jornal das Montanhas.
Boa noite Dagmar, discordo de voce quanto aplicar a palavra "ódio", eu a trocaria por "medo", Medo do que é capaz de fazer o PT. Quanto ao mais, no tocante a terceiro turno, isso foi inventado pela mídia e tentou-se impingir ao candidato derrotado e seu partido como bandeira que não hastearam. Quanto ao empeachement, concordo em termos não ser viável pois não há culpa formada, porém há de convir que existem uma somatória infindável de situações de colocam esse governo e partido em situação nada confiante, concorda? Dia destes vi uma notícia onde uma moça, em despedida de solteira, deixou-se fotografar usando uma camiseta com os dizeres: QUEM COMEU COMEU, QUEM NÃO COMEU NÃO COMO MAIS" e isso foi parar nas redes sociais. O noivo não sabe,creio, se ela transou com outros, pmas o indício estava lá e, o casamento não se realizou. Os indícios, a somatória deles levam-nos a tecer conclusões acerca de uma pessoa ou grupo delas e como diz-se onde há fumaça, há fogo.
ResponderExcluirAdmiro o esforço do Dagmar. Mas lamento a fragilidade das esperanças. As provas etão aí, salam a vista de todos. Resta desmenti-las - quem for capaz.
ResponderExcluirMe parece que todas as tentativas da oposição para retomar o poder foram armações golpistas.
ResponderExcluirA verdade é que há não muito tempo atrás, com governo e aprovação pessoal da Presidente na faixa de 60%, 70% , não havia adversários para o PT.
Neste cenário totalmente adverso o caminho para pavimentar a tentativa da oposição retornar ao palácio do Planalto foi a anti política baseada na disseminação irracional do ódio.
O movimento começou com o infeliz mensalão, que teve o mérito de pregar no PT a nódoa da corrupção.
De lá para cá, não assistimos a apresentação de algum projeto de País alternativo, nem durante a campanha eleitoral, apenas a guerra suja de desgaste que ninguém sabe para onde nos levará.
Meu caro Eduardo Lopes boa noite. A expressão "ódio" para definir o sentimento dos petistas em relação à oposição não é de minha autoria, mas sim, uma constatação do que li durante muito tempo em artigos de blogs assinados por jornalistas de vértice direitista, e ainda mais nas redes sociais, em especial nesse grupo. Portanto, penso que troca-lo pela expressão "medo" iria em desencontro à minha proposta, mas coube muito bem no seu comentário. Quanto a você concordar em parte com o pedido de impeachment, penso que nesse caso não existe a possibilidade de meias verdades e, por mais que "fala-se" isso e/ou aquilo, ainda assim, de nada valerá toda a falácia caso não existam provas para sua comprovação. Ou seja, não existe crime maior ou meio crime, o que é preciso para legitimar a cassação da presidente é a comprovação dos fatos que a ela estão sendo imputados. A sua analogia em relação a noiva que acabou não casando por proferir uma frase infeliz, certamente não teria tido o mesmo desfecho caso o noivo tivesse outra interpretação, afinal, ela estava dando provas de que depois de casado somente ele teria o prazer, rss Abraços
ResponderExcluirLobão, nem habilidade nem razão!
ResponderExcluirEu creio Rafles Ramos Ramos que somente de uns tempos para cá é que tem havido esse discussão mais acirrada de erguer-se ao poder, não de retomar pois o mesmo já estava assentado nas maos do PT há doze anos e não havia muita discussao quanto a isso. Discordo, com todo respeito a voce, quanto a afirmativa de que a oposição dissiminou o ódio ao PT; no meu entender, com o infeliz mensalão foram surgindo outras notícias nocivas ao partido e as mesmas não pararam até hoje, ainda se vê dia sim dia não algo de ruim ligado ao PT. Agora, quanto a apresentar um projeto de país, de governo, o Aécio o tinha porém entrou a luta desconstrutiva instituida pelo PT, de pessoas e partido resutando assim, a meu ver, a própria desconstrução dele (PT) como partido que inicialmente se apresentou e agradou a população.
ResponderExcluirDesculpe-me meu caro Raul Ferreira Bártholo mas as provas "não estão ai" como o amigo afirma, o que estão aí são as acusações.
ResponderExcluirFumeiro cheio de fãs por aqui! E depois o Dagmar diz que fico reticente. Mas fazer o quê? Não consigo debater com quem não tem o mínimo de cultura política. Indivíduos preconceituosos que só entram aqui pra irritar quem tem consciência. Mas hoje resolvi expressar o meu repúdio aos coxinhas, ou aos fakes covardes.
ResponderExcluirFazia um bom tempo que o amigo Nelson Batista não nos brindava com seus comentários. Bom tê-lo de volta meu caro. Em relação ao nível de politização dos participantes penso que está dentro da média, ou um pouco acima dela. O problema da maioria não é exatamente o da politização, mas sim o da radicalização ideológica. abração
ResponderExcluirEduardo Lopes, acho muito estranho colocações como as que você faz, ao atribuir ao PT a campanha de ódio, etc, etc.
ResponderExcluirComo todos sabemos, em uma disputa polítca, quem acusa e faz ataques é a oposição. À situação cabe tentar demonstrar conquistas e realizações.
No presente caso, diante da ausência de chances de vitória da oposição, bem como da inexistência de um projeto de governo alternativo ao PT com um mínimo de possibilidade de vitória, o caminho escolhido foi a deflagração de uma verdadeira guerram contra a situação.
De resto basta analisar o que foi feito,dito e publicado para que ressalte sem maiores esforços, quem é o autor da campanha de ódio atual.
Agora, este exercício de vitimização da oposição chega a soar infantil...
Sinceramente quem fez campanha separatista nao foi a oposição,muito pelo contrario.O PT sim dizia ser candidatura de Pobres,enquanto os outros eram dos Ricos.PT dizia ser candidatura de Negros enquanto os opositores eram de Brancos.O PT dizia ser candidatura de Norte e Nordeste enquanto os opositores eram de Sul e Sudeste..Vejam quem pregou o ODIO partidario para incutir no Brasileiro em geral a sana contra um ou outro nao foi o PSDB ou qualquer outro partido opositor.MAS SE INSISTEM EM CONTINUAR NESTA TRAJETÓRIA QUEM SOU EU PARA DIZER O CONTRARIO. So vou insistir em mostrar o contrario .Claro se me permitirem....
ResponderExcluirA mídia é quem embarcou no terceiro turno e não quem inventou o terceiro turno. Quanto ao medo, o ódio também vira medo, ou vice versa.
ResponderExcluirA necessidade da cassação virá com a comprovação das acusações Sonia, nenhum presidente que foi eleito democraticamente pelo voto poderá ser cassado pelo simples fato de haver indícios de erros. Felizmente vivemos numa democracia e, em sendo comprovado tudo o que está sendo à ela imputado, pode ter certeza que não será a vontade de quem pactua com erros, se é que estes existam, pois prefiro pensar que não, e isso serve para quem apoia os dois lados ora em questão, ela será sim cassada, sofrerá o processo de Impeachment que será por esse que agora escreve, aplaudido de pé, porém, somente depois de a justiça comprovar, julgar e condenar que eu aplaudirei, antes disso prefiro não prejulgar.
ResponderExcluirA única verdade concreta confirmada até agora é que nas doações de campanha reside a origem de todos estes males, e precedendo isto, o modelo maketizado das campanhas que consomem fortunas.
ResponderExcluirEnquanto este modelo não for substituído pelo financiamento público, o caixa 2 persistirá bem como as propinas.
Reforma Política séria e para valer é o de que o Brasil precisa.