sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Juiz diz que autorizou adoção de crianças baianas com base em informações oficiais




Responsável por autorizar a retirada de cinco crianças de um casal de lavradores da Bahia para serem adotadas por quatro casais de São Paulo “a título de guarda provisória”, o então juiz do município de Monte Santo (BA) Vitor Xavier Bizerra divulgou há poucos dias sua versão dos fatos, justificando a decisão e alegando que o fato foi “intencionalmente distorcido”.

Em nota, o juiz garante ter tomado a decisão com base nas informações fornecidas por vários órgãos. Segundo Bizerra, ao contrário do que vem sendo divulgado, os quatro processos de adoção não foram concluídos em tempo recorde, ele indica que, desde março de 2011, o Conselho Tutelar e o Ministério Público Estadual apuravam se os cinco irmãos sofriam maus-tratos.

Segundo o juiz, em maio de 2011, uma assistente social do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) relatou ter identificado “uma precariedade nas condições de higiene e saúde” ao visitar a casa da família, em Monte Santo, no interior baiano. Os conselheiros tutelares informaram que o pai das crianças, Gerôncio Brito de Souza, seria alcoólatra e não garantia alimento aos filhos. Já a mãe, Silvânia Maria da Mota Silva, não saberia cuidar das crianças. O juiz disse que os conselheiros tutelares chegaram a encontrar as crianças sozinhas em casa mais de uma vez, inclusive no momento em que acompanhavam o oficial de Justiça designado para cumprir a decisão judicial.

“A medida se fez necessária, pois, conforme apurou o Ministério Público, e assim manifestou-se judicialmente, as crianças estavam em situação de risco,” argumenta o juiz. “Mas as crianças não foram retiradas [de casa] à força. Foram encontradas sozinhas, algumas delas doentes, conforme consta dos relatórios.”

Procurado, o conselho tutelar confirmou que, em 2010, a mãe das crianças foi advertida por suposta negligência. Informou também que, em 2011, conselheiros encontraram uma das crianças, então com 1 ano de idade, dormindo no chão da sala. E Silvânia foi quem declarou que o marido bebia. Segundo o conselho, o Ministério Público pediu à Justiça a adoção de medidas de proteção para as crianças.

Para o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Ives de Roussan (Cedeca), organização não governamental que acompanha o caso desde junho deste ano, é “extrema leviandade” apontar os pais das crianças, como usuários de drogas e álcool. “Mesmo que fossem, seria dever do Estado encaminhá-los a programas de auxílio, dar a eles o direito de defesa e consultar outros parentes, como os avós maternos e paternos, cuja atuação na assistência às crianças foi reconhecida no processo.”

Bizerra alega, no entanto, que “apesar de existirem notícias de que os avós ou outros parentes próximos ajudavam, parcialmente na manutenção [das despesas com as crianças], não havia informações de que tivessem intenção de ficar efetivamente com a guarda dos menores”. Os pais, garante o juiz, não foram ouvidos porque não responderam às intimações.

De acordo com Bizerra, o Ministério Público foi consultado e não teria como desconhecer as soluções por ele adotadas. Como a Comarca de Monte Santo não dispõe de promotor de Justiça, o ministério, nas audiências, era representado pela promotora de Justiça da Comarca de Euclides da Cunha. Em geral, as reuniões eram agendadas respeitando a disponibilidade da promotora. Quando não era possível, ou em urgências, a própria promotora concordou em ser ouvida posteriormente, relatou o juiz.

O atual promotor de Euclides da Cunha, Luciano Taques Ghignone, disse que o Ministério Público foi ouvido somente em um dos quatro processos, no qual atestou que uma das criança de fato estava em situação precária, exigindo a intervenção do Estado, mas não que fosse retirada a guarda dos pais. “A afirmação do juiz é parcialmente verdadeira. O ministério só teve vistas a um único processo. Dos outros três processos, o ministério não tinha conhecimento”, disse Taques à Agência Brasil, adiantando que o órgão já identificou várias “irregularidades” no caso.

Uma reanálise dos processos pode levar à anulação das adoções e no retorno das crianças para os pais biológicos, de acordo com Ministério Público. O próprio Bizerra reconhece que a promotora de Justiça não participou da reunião que decidiu a futura guarda das crianças.
Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) priorize que irmãos adotados permaneçam juntos, o juiz alega que não lhe restava outra alternativa além de autorizar a adoção dos cinco irmãos por famílias substitutas em outro estado, já que não há, em Monte Santo e na região, nenhum abrigo infantil. Os quatro casais que receberam a “guarda provisória” eram, segundo o juiz, os únicos interessados na adoção, estando “devidamente habilitados”.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República identificou, no entanto, dez pontos na decisão do juiz que infringiram o ECA. Por exemplo, as crianças não foram devidamente inscritas nos cadastros estadual e nacional de adoção. A própria ministra Maria do Rosário informou que a pasta está verificando se os casais que receberam a guarda estavam cadastrados, mas disse não ter dúvidas de que a seleção foi “feita totalmente por fora do cadastro”, via “agenciamento”.

Por último, o juiz garante que antes mesmo dos fatos virem a público, as corregedorias do Tribunal de Justiça da Bahia e do Ministério Público Estadual já haviam apurado e arquivado as denúncias. Bizerra destaca que nem os pais, nem o Ministério Público recorreram da decisão em que a guarda das crianças ficou com as famílias paulistas, separando os irmãos (apenas dois deles permanecem juntos).
Alex Rodrigues  (Agência Brasil) | Edição: Carolina Pimentel

Ministério Público da Bahia investiga tráfico de crianças no estado


A suspeita de que traficantes de crianças vêm atuando na Bahia há algum tempo motivou o Ministério Público Estadual (MP) a iniciar investigação para apurar a ação dessas quadrilhas. O inquérito criminal, segundo o promotor de Justiça Luciano Taques Ghignone, foi instaurado no último dia 26 de setembro, antes da denúncia exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo passado (14).

A reportagem televisiva denunciou o caso de um juiz do município de Monte Santo, no sertão baiano, que autorizou que cinco crianças de uma mesma família de lavradores fossem retiradas dos pais e entregues a quatro casais de São Paulo. As adoções motivaram pronunciamento da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República,  da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“A apuração do suposto tráfico de crianças envolve outras situações que podem ou não ter conexão  com os processos relativos às cinco crianças de Monte Santo - nos quais o Ministério Público também identificou algumas irregularidades formais - mas que não podem ser confundidos”, informou o promotor à Agência Brasil.

Luciano Taques explicou que as denúncias sobre a existência de uma quadrilha atuando no estado foram apresentadas à Procuradoria de Justiça Criminal, em Salvador, ainda no primeiro semestre deste ano e logo repassadas à promotoria de Monte Santo e Euclides da Cunha, para a qual Taques foi designado em setembro.

“Já ouvimos alguns depoimentos, mas ainda não chegamos à metade da apuração. Segundo algumas pessoas que já depuseram, algumas situações que aconteceram principalmente em Monte Santo precisam ser apuradas e é exatamente o que estamos fazendo, mas em toda sua extensão”, acrescentou o promotor.

Apesar da divulgação nacional do caso, Taques disse que o juiz que autorizou a retirada das cinco crianças do convívio familiar, Vitor Xavier Bizerra, não é, até o momento, alvo da investigação, por não ter sido citado por nenhum dos depoentes já ouvidos. Outras pessoas envolvidas no caso, no entanto, aparecem na apuração criminal do MP.

A investigação está sob a responsabilidade de Taques e do promotor Carlos Augusto, que contam com a colaboração do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais (Gaeco).

Segundo uma nota técnica divulgada ontem (18) pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a cidade de Monte Santo já havia sido identificada como rota de tráfico de pessoas, conforme documento do Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente da Bahia (DCA-BA).

Em termos nacionais, um diagnóstico elaborado pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), revela que, em seis anos, quase 500 brasileiros foram vítimas do tráfico de pessoas. Do total, 337 casos referem-se à exploração sexual. Outras 135 ocorrências tratam de trabalho análogo à escravidão.

Alex Rodrigues (Agência Brasileira) | Edição: Davi Oliveira

Haddad está 17 pontos à frente de Serra, aponta Datafolha


Pesquisa mostra candidato petista à Prefeitura com 49% das intenções de voto contra 32% do tucano

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem 49% das intenções de voto contra 32% do candidato José Serra, de acordo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 19. Em relação ao levantamento anterior, o petista oscilou dois pontos percentuais para cima e o tucano caiu cinco pontos.

A pesquisa, realizada entre quarta, 17, e quinta-feira, 18, tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Os eleitores que votariam em branco ou anulariam o voto representam 10% e 9% não sabem em quem votar.

Se considerados apenas os votos válidos, sem brancos e nulos, Haddad fica com 60% e Serra, 40%. O resultado é parecido com o indicado pela pesquisa Ibope/TV Globo, divulgada nessa quarta, que colocou Haddad com 49% dos votos, contra 33% de Serra.

Ainda de acordo com a pesquisa, o índice de eleitores que não votariam no candidato tucano de jeito nenhum chegou a 52%. O resultado supera em 10 pontos o índice registrado no levantamento do começo do mês, quando a rejeição de Serra era de 42%.

Russomanno e Chalita. A maioria dos eleitores que votaram em Celso Russomanno (PRB) e Gabriel Chalita (PMDB) no primeiro turno agora declaram preferência por Haddad. Entre os que escolheram Russomanno, o petista venceria por 53% a 20%. No grupo de Chalita, o resultado seria 50% a 26%. O candidato derrotado pelo PMDB declarou apoio a Haddad no segundo turno. Já Russomanno ficou neutro.

A pesquisa entrevistou 2.098 pessoas e foi registrada no TRE-SP sob o número SP-01860/2012.

Kassab. O levantamento pediu para o eleitor também avaliar a gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Ao todo, 42% definiram a administração como ruim ou péssima. Em setembro, eram 48%. Apenas 19% classificaram o governo como bom ou ótimo, contra 20% há um mês. Eleitores que consideram regular saltaram de 29% para 37%.

Alckmin negocia indicação de aliado de Celso Russomanno para o Procon


Russomanno, Alckmin e a reforma do secretariado



Em encontro do governador Geraldo Alckmin (PSDB) com o candidato derrotado do PRB à Prefeitura, Celso Russomanno,  na noite de quarta-feira, na casa do ex-deputado, no Morumbi, o tucano o parabenizou pelo desempenho nas urnas – ele teve cerca de 1,3 milhão de votos. O governador quer intensificar a relação política com Russomanno, que deve indicar um aliado para participar da gestão Alckmin. O mais provável hoje, segundo integrantes do alto escalão do governo Alckmin, é que indique alguém para o Procon – Russomanno tem como principal bandeira a defesa do consumidor.

Assim que terminou o 1º turno, o ex-deputado chegou a pedir a Secretaria de Segurança Pública para apoiar o candidato do PSDB, José Serra, na disputa em São Paulo. Mas Alckmin não quis ceder numa área estratégica, e Russomanno ficou neutro.

 O PSDB busca o apoio dele na reeleição de Alckmin em 2014. Para os tucanos, na próxima disputa eleitoral, Russomanno não deve ser candidato ao governo do Estado, mas sim à Câmara dos Deputados para puxar votos para o PRB.  Na corrida em São Paulo, Alckmin quer evitar que Russomanno e o seu capital político apoiem o PT – o PRB compõe a base governista da presidente Dilma Rousseff com o Ministério da Pesca.

Uma das maneiras de consumar a aproximação seria indicar ele ou um aliado a um cargo no governo. O problema, avaliam os tucanos, é casar as pretensões de Russomanno, que foi um crítico de Alckmin na eleição de 2010,  com as do governo do Estado. O PRB, por sua vez, também mantém conversas com Alckmin sobre 2014 e já estava cotado para ter alguma participação no governo antes mesmo da eleição – o partido não necessariamente se sentirá contemplado se Russomanno, com autonomia política própria, ganhar um espaço na administração. Tem ainda o PTB, que era da coligação de Russomanno e que no 2º turno apoiou Serra após intervenção de Alckmin. A legenda de Campos Machado quer aumentar seu espaço no governo. O PTB pode ficar com a Secretaria de Justiça, para Luiz Flávio D’Urso, mas sem o Procon, que iria para Russomanno.

A missão agora é ver quais demandas valem a pena, do ponto de vista político, contemplar.
 Alckmin costura um arco de alianças para disputar sua reeleição em 2014. Promove com frequência encontros no Palácio dos Bandeirantes com líderes partidários para discutir participação no governo – o tucano pretende anunciar mudanças no secretariado para o embarque dos neoaliados até o final do ano.

Além da questão das alianças, Alckmin também costura o apoio de partidos da base para indicar o seu secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. As legendas que ganharem cargos na reforma do secretariado sabem que terão de operar na Assembleia para que a indicação de Beraldo seja aprovada pelos deputados.


UFF destinará 10% das vagas para alunos de colégios públicos municipais e estaduais



A Universidade Federal Fluminense (UFF) anunciou hoje (19) que destinará 10% das cerca de 10 mil vagas dos seus cursos em 2013 para alunos de colégios públicos municipais e estaduais.
A medida complementará o percentual de 12,5% estabelecido pela Lei de Cotas, que obriga universidades e institutos federais a reservar vagas para alunos de escolas públicas, com recorte de renda e de raça.
Na avaliação do reitor da UFF, Roberto Salles, a lei federal beneficia estudantes de escolas "que têm o mesmo nível de estabelecimentos privados", como é o caso dos colégios federais, militares e de aplicação, sem favorecer a inclusão dos mais carentes.
Os colégios citados por Salles lideram os rankings de avaliações do Ministério da Educação, enquanto as escolas públicas municipais e estaduais, em média, estão em piores lugares.
"Os estudantes de colégios federais, universitários, militares e de aplicação competem em igualdade de condições com aqueles que estudam nas melhores escolas do país", diz nota divulgada pela UFF.
O reitor também cobrou a contratação de funcionários da área administrativa, como assistentes sociais, para que a lei seja colocada em prática. Ele também pede pelo menos mais R$10 milhões do Programa de Assistência Estudantil.
Isabela Vieira (Agência Brasil) | Edição: Graça Adjuto

Senado quer votar novo Fundo de Participação dos Estados até 6 de novembro



O Senado pretende votar até de 6 de novembro os novos critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Os senadores querem cumprir esse prazo para que a Câmara dos Deputados tenha tempo de apreciar a matéria até 22 de dezembro, quando se inicia o recesso legislativo. A informação é do senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais envolvidos na negociação do tema.
O Congresso está pressionado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou em 2010 a inconstitucionalidade da regra atual e deu prazo até o final deste ano para que o Poder Legislativo aprove uma nova lei complementar sobre o tema. Caso contrário, os repasses aos estados serão suspensos.
A estratégia dos parlamentares envolvidos no debate, segundo Romero Jucá, é criar um fato político por meio de uma proposta já definida que permita ao presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), solicitar ao STF um novo prazo de análise da matéria, caso não seja votada pela Câmara. No início de 2012, líderes partidários definiram a questão como prioritária, mas o tema não caminhou no Senado.
Oito projetos de lei complementar tratando do tema estão parados na Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR). Em junho desse ano, eles foram apensados – reunidos para tramitação em conjunto – sob a relatoria do líder do PT, Walter Pinheiro (BA), que vem discutindo a proposta com os líderes partidários. Ele também confirmou a proposta substitutiva estará disponível para votação no início de novembro.
Romero Jucá acredita que os deputados não terão tempo hábil para votar o projeto de lei, dada a quantidade de matérias que têm para apreciar. Outro complicador deve ser a pressão que prefeitos e governadores de regiões com valores de repasse mais baixos farão na Câmara para vincular a distribuição do FPE e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a uma nova partilha dos royalties de petróleo.
Jucá informou que o texto em análise pelos senadores prevê a manutenção dos atuais critérios de distribuição do FPE. A regra em vigor destina 85% dos recursos da receita anual aos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O fundo é calculado atualmente sobre 21,5% da arrecadação líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Ao mesmo tempo, os senadores elaboram uma nova regra que prevê a distribuição de valor excedente à receita arrecadada no ano anterior, tomando por base critérios como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), saneamento básico e condições geográficas. “Vamos supor que hoje a receita seja R$ 50 bilhões. Se, no ano que vem, passar para R$ 55 bilhões, esses R$ 5 bilhões serão repassados com base em novos critérios”, explicou Jucá.
Marcos Chagas (Agência Brasil) | Edição: Davi Oliveira

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