quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bilionários se comprometem a doar metade de sua fortuna


Entre os novos integrantes do clube de ricos filântropos, que agora tem 92 pessoas, estão o diretor-geral da Netflix Reed Hastings e o co-fundador da Intel Gordon Moore
Reed Hastings, o fundador da Netflix: empresário irá doar a metade de sua fortuna a organizações de caridade

Washington - Onze bilionários aceitaram se somar à iniciativa lançada por Bill Gates e Warren Buffett, os dois americanos mais ricos do mundo, de doar a metade de sua fortuna a organizações de caridade.

Entre os novos integrantes do clube de ricos filântropos, que agora tem 92 pessoas, estão o diretor-geral da Netflix Reed Hastings, o co-fundador da Intel Gordon Moore e o ex-presidente da gigante canadense de bebidas alcoólicas Seagram Charles Bronfman. 

A promessa de doação ('giving pledge') foi lançada em 2010 pelo co-fundador da Microsoft Bill Gates e pelo investidor Warren Buffett, que desde então tentam convencer outros milionários de todo o mundo a doar pelo menos 50% de sua riqueza a instituições de caridade. 

O grupo compreende também o fundador da CNN Ted Turner, o co-fundador da Oracle Larry Ellison e o cineasta George Lucas. 

Um dos doadores, Peter Lewis, presidente da companhia de seguros Progressive Insurance, informou em sua promessa de doação que visará a "promover a democracia (e) uma ampla participação cívica", apoiando grupos de reflexão, de formação de funcionários e jornalismo investigativo, entre outros. 

Ele também destacou que doaria recursos para uma área considerada um tabu: o das leis "superadas e ineficazes" dos Estados Unidos "sobre a maconha". 

Lewis disse já ter financiado iniciativas para a adoção de leis que permitam o acesso à maconha com fins terapêuticos e que nunca escondeu ser usuário destas terapias, às quais recorre para atenuar as dores que sofre após a amputação parcial de uma perna.

FHC diz que momento do país é de ‘recuperação moral’


Para Serra, mensalão é “o começo do começo do fim da impunidade no Brasil”
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: FHC também fez elogios a José Serra, a programas implantados durante os seus mandatos na prefeitura e no governo de São Paulo


São Paulo - Em seu primeiro ato público na campanha de José Serra (PSDB) à prefeitura de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o país vive um momento de “recuperação moral”, referindo-se de maneira indireta ao julgamento do mensalão. 

“Depois de vários anos em que o Brasil registrou grandes avanços, na democracia, na economia e no social, essa mesma democracia começa a ser minada por dentro pela falta de crença nela. E essa falta de crença advém da decepção que existe no país a práticas recorrentes, que não preciso citar quais são”, disse o ex-presidente. “Mas esse é um momento de chamamento. Temos uma possibilidade de recuperação. É o momento de uma recuperação moral." 

As declarações foram feitas em um evento que reuniu tucanos e membros da classe artística, em São Paulo. Serra comentou que o julgamento do mensalão é “o começo do começo do fim da impunidade no Brasil”. 

FHC também fez elogios a José Serra, a programas implantados durante os seus mandatos na prefeitura e no governo de São Paulo, e se referiu ao candidato tucano como um homem "carinhoso". 

“José Serra é o candidato da gente de bem, das pessoas decentes. O Serra tem uma característica que precisa ser ressaltada nesse momento em que as pessoas julgam ‘a pessoa’: é a de que ele se dá bem com as crianças. Pode parecer um tanto fora de moda, ou inapropriado, mas não é”, disse o ex-presidente. 

Discurso - Em seu discurso, José Serra não citou o nome de nenhum outro candidato, mas disse que a cidade corre o risco de caos caso caia nas “mãos erradas” e que certas candidaturas podem “destruir a administração em seis meses”. 

Serra também criticou a recente nomeação da senadora Marta Suplicy para o Ministério da Cultura, como moeda de troca pelo engajamento da petista à candidatura de Fernando Haddad (PT). “Você não pode usar governo para nomear ministro só por questão de apoio eleitoral dentro do seu próprio partido numa cidade”, disse Serra.

PT convoca "batalha" contra "mentiras"


Partido quer uma "mobilização geral" da militância para vencer as eleições municipais
Fernando Haddad, candidato do petista à Prefeitura de São Paulo: a nota do PT convoca filiados, simpatizantes, parlamentares e até governantes "para uma batalha do tamanho do Brasil"
Preocupada com o impacto do julgamento do mensalão nas campanhas eleitorais, a cúpula do PT decidiu na segunda-feira (17) convocar os militantes para uma "batalha do tamanho do Brasil" em defesa do partido, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do legado dos governos petistas. Depois de uma reunião que durou o dia todo, a Executiva Nacional do PT divulgou nota na qual afirma que a "mobilização geral" da militância é condição fundamental para desfazer "mentiras", reafirmar o projeto de poder do PT e vencer as eleições municipais.

O presidente do PT, Rui Falcão, saiu da reunião antes do almoço para encontrar Lula e só retornou três horas depois. O tom da nota divulgada pela direção do partido, no dia em que o Supremo Tribunal Federal começou a julgar o "núcleo político" do mensalão, passou pelo seu crivo. A presidente Dilma Rousseff também conversou por telefone com Lula, na segunda-feira (17) e no fim de semana.
Falcão não quis comentar o encontro, mas o jornal O Estado de S. Paulo apurou que Lula ficou muito irritado com notícia publicada na segunda-feira (17) na coluna do jornalista Ricardo Noblat, no jornal O Globo, informando que Marcos Valério, operador do mensalão, teria gravado um vídeo com denúncias capazes de "derrubar" seu governo, se ele estivesse no poder. Além disso, afirmações atribuídas a Marcos Valério pela revista Veja puxam Lula para o centro do escândalo como "chefe do mensalão".
Apesar de dizer, em conversas reservadas, que o PT e ele são vítimas de "golpe baixo" dos adversários, Lula prefere manter o silêncio, sob o argumento de que qualquer declaração pode interferir tanto no julgamento no Supremo como nas principais campanhas do partido. A ordem vale para dirigentes, deputados e senadores, orientados por advogados a não comentar publicamente o processo. Diante desse cenário, a estratégia definida na segunda-feira (17) foi a de conclamar os militantes do PT para entrar na guerra.
‘Mentiras’
"A mobilização geral de nossa força militante é a condição fundamental para nosso sucesso nos dias 7 e 28 de outubro. Pois é a militância consciente quem desfaz as mentiras, demarca o campo, afirma nosso projeto, reúne nossas bases e alianças, construindo vitórias não apenas eleitorais, mas também políticas", diz a nota aprovada pela Executiva do PT.
Fiel à estratégia de não esticar a polêmica, Falcão foi enigmático ao deixar a reunião. Questionado por jornalistas sobre a quais mentiras o PT se referia, o deputado desconversou. "São mentiras que costumam ocorrer nas campanhas eleitorais. Faltam três semanas para as eleições e estamos convocando a militância porque o PT sempre foi o partido da reta de chegada."
A nota do PT convoca filiados, simpatizantes, parlamentares e até governantes "para uma batalha do tamanho do Brasil" em bairros, escolas, empresas e nas redes sociais. "(...) Em cada cidade, pequena, média ou grande, trata-se de obter grandes votações, elegendo vereadores (...) e prefeitos. E fazendo a defesa de nosso partido, do ex-presidente Lula, de nossos mandatos e lideranças, bem como do legado dos nossos governos, que melhoraram as condições de vida e fortaleceram a dignidade do povo brasileiro", assinala o texto.
O PT fez questão de manifestar apoio às medidas anunciadas por Dilma na área econômica. "Estas medidas - entre as quais se destaca a redução da taxa de juros e das tarifas de energia elétrica - já se demonstraram essenciais para proteger o Brasil dos impactos da crise internacional, que continua se agravando", diz o documento. Na convocação aos militantes, o PT argumenta que a vitória nas eleições municipais "deve ser vista nesta mesma perspectiva", para fortalecer o projeto nacional petista.
Embora a direção do PT diga que a sigla está bem nas disputas em João Pessoa, Cuiabá, Goiânia e Rio Branco, o receio é que a série de reveses enfrentados pelo partido seja prejudicial às campanhas nas principais capitais do País. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.



PT ataca STF e defende Lula no Congresso


Enquanto isso, oposicionistas também aproveitaram para cobrar explicações de Lula e exaltar o posicionamento do STF
Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília: o secretário de Comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR) fez um discurso inflamado
Brasília - Parlamentares petistas usaram a tribuna do Congresso Nacional para fazer ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo julgamento do processo do mensalão. Eles rebateram a tese defendida pelo relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, de que houve compra de votos. Fizeram ainda protestos contra a revista Veja e o publicitário Marcos Valério pela reportagem em que o operador do esquema implicaria o ex-presidente Lula. Os oposicionistas também aproveitaram para cobrar explicações de Lula e exaltar o posicionamento do STF. 

Secretário de Comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR) fez um discurso inflamado. Classificou como "risco para a democracia" o julgamento ser transmitido ao vivo pela imprensa. "Acho um risco para a democracia que nós tenhamos, envolvendo quem quer que seja, um julgamento criminal on-line, quase um Big Brother da Justiça, no qual as questões técnicas nem sempre são levadas em conta, no qual há tentativa de linchamento moral de pessoas e partidos".
O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), foi outro a protestar da tribuna. "Não vamos aceitar essa ideia de que aqui, neste plenário, deputados do PT compraram ou venderam votos". Ele reverberou declaração que o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), tinha feito à imprensa. "Me chamou muita atenção o fato de voltar a essa tese com muita força do mensalão. Eu, por exemplo, acho isso uma grande falácia", disse Maia.
Os ataques petistas se dirigiram também à revista Veja e a Valério. "Todo mundo sabe que o presidente Lula jamais se reuniu com esse senhor, jamais falou com esse senhor, jamais conversou com esse senhor. Mas a revista Veja faz questão de colocar uma matéria que não tem a fonte, não tem a fita, não tem a prova, que não fala, só tem espuma pra acusar o presidente Lula", protestou Tatto. Sem fazer menção direta, o deputado Zeca Dirceu, filho do ex-ministro José Dirceu, réu do processo, também fez rápido discurso que os adversários fazem uso de "mentira, calúnia e difamação".
O tema foi debatido por petistas também no Senado. Jorge Viana (AC) desafiou Valério a falar o que sabe sobre o esquema. Já o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR), afirmou que Lula mantém um "silêncio ensurdecedor" sobre a acusação de Valério e afirmou que o mensalão mineiro também precisa ser julgado, "se é que ocorreu".

Como calcular o retorno que sua empresa terá no longo prazo


O cálculo do ROI depende dos investimentos atualmente realizados, da taxa de crescimento do lucro esperado e da taxa de retorno utilizada para o cálculo






Como calcular o retorno que sua empresa terá no longo prazo?
Respondido por Rodrigo Zeidan, especialista em finanças
O maior problema de quem começa uma pequena empresa é se envolver muito no cotidiano dela e se esquecer de planejar o crescimento de médio e longo prazo. Um dos pilares para o crescimento é o planejamento, mas o ato de planejar é normalmente deixado de lado pela avalanche de problemas diários de uma empresa.
Para um planejamento eficaz, uma das variáveis mais importantes é o retorno sobre o investimento, ou seja, o quanto a empresa vai receber por executar um projeto de investimentos. O retorno sobre o investimento é fundamentalmente uma relação entre lucro e investimento, ou seja, a equação é ROI = Lucro/Investimento. 
O problema em mensurar isso na prática é o descasamento de prazos: primeiro se investe e só depois o investimento retorna para a empresa em forma de lucro. Para se medir o ROI de longo prazo, é necessário levar em consideração o valor do dinheiro no tempo.
Para saber quanto o empresário receberá no médio e longo prazo por seus investimentos, são necessários dados sobre três parâmetros: os investimentos atualmente realizados, a taxa de crescimento do lucro esperado e a taxa de retorno utilizada para o cálculo.
Somente a perspectiva de crescimento da empresa pode informar ao empresário sobre a rentabilidade de médio prazo. Para isso, algumas perguntas precisam ser respondidas: quanto a empresa deve crescer nos próximos anos? Quanto está sendo investido? A margem de lucro vai se manter no médio prazo? A empresa entrará em novos mercados?
O empreendedor precisa reservar um tempo no dia-a-dia para planejar estrategicamente o crescimento da empresa, responder a essas perguntas, pois só assim será capaz de determinar as variáveis para o cálculo do retorno de médio e longo prazo.

Banquete de pobres *



Por Urariano Mota
Quando Filadelfo se promoveu para morar numa casinha do beco, mudanças fundas vieram daí.  Na recordação de Jimeralto, aqueles foram os anos mais felizes da sua vida. Na sua imaginação, em um curto intervalo de tempo ali houve o reino e pátria da felicidade. Em um processo estranho de mistura de momentos e ideias, chegou mesmo a crer que o céu foram aqueles dias, tão largos e fecundos. Era uma forma de sentir tão absurda, que chegava a transferir a falta de Maria para a sua presença em um céu azul que fosse o beco, cheio de nuvens brancas e papagaios empinados, com uma alegria de domingo de sol em uma praia de Olinda. Ou como um cinema feliz e fora de lugar, a passar numa tela de sala muito escura. E aqui as anotações da vida pulam e saltam das margens como felizes e encantadas rãs, entre grilos e esperanças. Rãs pulam como borboletas que pulassem, ou fossem pássaros em vÃ? os rasantes no mato verde e cheiroso de seiva. E vêm com aquele ar de rio, da aproximação da água no nariz, de banho e pulo de flecheiro, sempre como uma etapa do que virá e viria. Algo como uma pátria impossível, utópica, que um dia tenha sido realizada. As anotações da margem, marcas inapagáveis, transbordam.
O beco, dona Maria no beco, tinha cheiro de tanajura frita na panela com banha de porco. Que felicidade no cheiro, no antegosto, na prelibação daquelas pretinhas apetitosas com  temperos de só maciez e bondade. Comê-las, antes de ser o fim da festa, era  uma festa contínua que não cansava nem atingia o abarrotamento da exaustão. As tanajuras fritas se comiam, para o menino, como o justo coroamento de um trabalho de curumim, como se ele fosse um menino índio e livre, que caçava ao canto de “cai, cai, tanajura, tua bunda é uma doçura” (a rima era gordura, mas só queria dizer doçura). Antes, na procura da festa, havia que pegá-las com cuidado e habilidade para evitar o ferrão nas cabeças, mas que cheiro, que cheiro elas possuíam ainda cruas, cheiro de sovaco de menina-moça, que cheiro! Arrancar-lhes as cabeças, cortar-lhes as perninhas, e como um guerreiro empurrá-las para um caldeirão, imenso na esperança para a quantidade de tanajuras que pegavam. É verdade, a sua habilidade era pequena, sempre haveria de desejar mais que as suas toscas mãos conseguiam, mas era bom ainda assim pela liberdade de errar, tentar e afinal conseguir pelo menos 60 tanajuras para o jantar.       Na mesa eram comidas com farinha de mandioca ou pão bolachão, num apetitoso e raro sanduíche. Era melhor que outra iguaria, pão com lingüiça.
O curioso e bom é que antes da tanajura tinha a chuva, o toró, a pequena tempestade que descia do céu amplo, cinza, de um cinzento que para os meninos era uma festa, pois transformava o beco num grande chuveiro, num banho coletivo. Ah, suas mães permitiam que os moleques de calção ou nus pulassem na chuva, se emporcalhassem aos gritos “a praia, a praia”. Os meninos escorregavam na lama, que faziam de areia junto ao mar. Se soubessem então que existia algo de nome piscina, chamariam os mergulhos na lama de piscina. Ficavam todos molhados até os ossos,  mas sem frio, porque brincar debaixo da chuva era um exercício, uma ginástica entre os pulos e gritos. Debaixo d’água disputavam um bueiro, um grosso cano que descia de um prédio em construção. Durante a chuva o bueiro jorrava, e por isso metiam a cabeça sob esse chuveiro farto, agachados, pa ra melhor desfrute da abundante alegria. O quanto a felicidade era pobre, miserável e boa. Custava tão pouco, porque a liberdade distribuída pelas mães fazia do mísero o feliz.
Infância, Jimeralto lembrava com os olhos úmidos, fechados, com vontade de gritar: Infância, tu eras a liberdade! Então ele, enquanto dormia sob nome falso em uma pensão de outro país, porque São Paulo ou Rio para ele era outro país, então ele sob um novo nome, codinome, batismo forçado de Pedro, rolando no colchão de um cubículo abafado, lembrava o intervalo curto e feliz da vida de Jimeralto. Tudo era tão perto e tão longe. Da idade que ia dos 6 aos 8 anos, até o pulo magnífico para seus 21 anos, uma distância de apenas 13 anos. No entanto, aquele menino de nome real era como um ser de muito longe, de outro planeta.

*Do romance “O filho renegado de Deus” 

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