Vaias e gritos não
comoveram os vereadores da Serra, que derrubaram o veto do prefeito
Vidigal
As
vaias e os gritos de reprovação das cerca de 50 pessoas que acompanharam a
sessão na Câmara de Vereadores da Serra, nesta segunda-feira (09), não foram
suficientes para fazer com que os parlamentares desistissem do reajuste de 61%
nos próprios salários. Por 10 votos a seis, eles derrubaram o veto do prefeito
Sérgio Vidigal (PDT) ao projeto de lei que aumenta os subsídios dos vereadores
de R$ 5,7 mil para R$ 9,2 mil a partir de 2013. Eles, porém, mantiveram por
unanimidade o veto do prefeito ao reajuste nos salários do Executivo municipal.
Os
parlamentares se reuniram por cerca de uma hora antes da sessão para discutir
se a apreciação do veto entraria ou não na pauta desta segunda-feira. Por isso,
a sessão começou com um atraso de vinte minutos. Os vereadores João Luiz
Teixeira (PDT), Guto Lorenzoni (PP) e Jamir Malini (PTN) mudaram o
posicionamento sobre o reajuste e votaram pela manutenção do veto. Além deles,
mantiveram o veto os vereadores Bruno Lamas (PSB), Sandra Gomes (PSDC) e
Lourência Riani (PT), que já haviam se posicionado contra o reajuste na
primeira votação.
O
vereador Aloísio Santana (PSDC), que chegou a dizer que a população que critica
o aumento é a mesma que vende o voto, estava ansioso para a apreciação do veto
e pediu regime de urgência na votação, sob protesto da população que
acompanhava a sessão da galeria. Irônico, ele chegou a ameaçar a apresentação
de um projeto de lei que acabava com a remuneração dos vereadores caso o
assunto não entrasse na pauta desta segunda.
"Eu
quero requerer regime de urgência especial para esta votação. A população está
muito ansiosa para análise desse veto do prefeito. Portanto, gostaria que o
veto do fosse votado nesta noite", disse o vereador.
Irônico,
Aloísio Santana chegou a ameaçar a apresentação de um projeto que acabava com a
remuneração dos vereadores.
Alguns
dos vereadores deixaram rapidamente o Plenário da Casa após a votação, sem
falar com a imprensa. Nenhum dos que mudaram o voto admitiram o medo de
desgaste em ano eleitoral. Após votar pelo aumento, o vereador Guto Lorenzoni
decidiu pela manutenção do veto do prefeito, segundo ele, em virtude do
pronunciamento do Executivo municipal sobre as ameaças econômicas na Serra.
Contudo, Lorenzoni prometeu que vai devolver aos cofres públicos a diferença
salarial obtida com o reajuste.
"Vou
protocolar nessa Casa de Leis um documento de que estarei devolvendo a
diferença salarial entre aquilo que foi votado e aquilo que é o salário do
vereador hoje", prometeu.
A
servidora pública Marly Carmelini acompanhou a sessão no Plenário e foi uma das
que mais manifestaram repúdio ao posicionamento dos vereadores. Ela ficou
extremamente desapontada com o reajuste de 61% dos parlamentares. "Para
mim é tudo uma palhaçada! Eu não acredito em nada! Nem em vereador, nem em
prefeito. Continua para mim a palhaçada, a mesma palhaçada", gritou.
Ao
final da sessão, populares e membro do Sindicato dos Trabalhadores em Educação
Pública do Estado (Sindiupes) malharam um boneco que representava os vereadores
da Serra. Eles protestaram gritando palavras de indignação com um carro de som
estacionado em frente à Câmara.
O
prefeito Sérgio Vidigal se posicionou, por meio da assessoria, sobre a decisão
dos vereadores. Vidigal lamentou que o seu veto tenha sido derrubado porque o
reajuste "não está em conformidade com as expectativas da sociedade".
Também se disse tranquilizado com a manutenção do veto ao projeto de lei que
aumentaria salário de prefeito, vice e secretários porque o cenário de
dificuldades econômicas no município não condiz com o aumento.






