segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A VELHA MÍDIA E A SÍNDROME DO AMOR BANDIDO

Por: Luis Nassif

Dias atrás li a Dora Kramer se queixando no Twitter de que as acusações contra Fernando Bezerra não tinham eco na oposição porque muitos tucanos sonham com a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos.
A consequência era previsível. Hoje o Estadão ataca Campos, chamando-o de coronel por ter sido presumivelmente responsável pela indicação de parentes para cargos no Estado. A matéria acusa Campos de atropelar a Constituição e tem como fonte exclusiva Jarbas Vasconcellos, o magoadíssimo Jarbas, que compara Campos a um ditador implacável. O repórter admite dificuldades em localizar outros oposicionistas dispostos a criticar um governador que tem recordes de aprovação e admiradores até na oposição, além do meio privado - Jorge Gerdau é fã incondicional da capacidade administrativa de Campos.
Agora, a Eliane Cantanhede informando que o PT não tem candidato para as eleições de 2018. Poderia olhar mais longe e afirmar que nem para 2022. E, talvez, nem para 2026.
Trata Campos como um "trator", por eleger a mãe para o TCU. Não dá exemplos dos atos de tratoragem. As de Serra consistem em dossiês e alimentar a imprensa para ataques à reputação. Ou alguém hoje em dia tem dúvida de que a suposta história do Aécio batendo na namorada não saiu dos esquemas de disseminação de injúrias de Serra? Mas a relativização de ações graves dos aliados, assim como a dramatização de ações menores dos "inimigos" (qualquer um que ameace o espaço do aliado), faz parte dessa perda de rumo atual da mídia.
O curioso é que as "acusações" saem simultaneamente na reportagem e nas colunas. Nem se espera mais a publicação para "repercutir".
"Acusa" Campos de estar com um pé em cada canoa, sem se dar conta de que nesse exato momento - sob os olhos gerais - está sendo moldado um novo desenho político, um rearranjo geral e irrestrito da situação e da oposição. As placas tectônicas da política se movimentam como nunca o fizeram desde a redemocratização. Há um novo desenho sendo construído, com alguns atores iniciais relevantes, mas ainda naquela fase pré-modelagem em que alianças são testadas, lideranças postas à prova, novos discursos sendo gestados.
Enfim, um quadro riquíssimo, exigindo analistas argutos, capazes de vislumbrar em que rios esses afluentes irão desembocar, quem serão os novos atores principais, quais as potencialidades e vulnerabilidades de cada um, quais as alianças possíveis.
Mas Eliane só consegue enxergar pessoas com um "pé em cada barco", a parte mais visível e óbvia de um cenário em transformação.
O jogo anterior já acabou, mas não se dão conta. O político José Serra acabou. E quanto mais tempo demorarem para admitir, mais estarão asfixiando uma nova oposição e fortalecendo o governo que pretendem combater.
A blindagem de José Serra acabou. Em qualquer nova campanha, haverá levantamentos sobre sua vida pública, dos precatórios de Montoro, às importações de equipamentos médicos daquele período, aos sanguessugas da Saúde e às operações atuais. E, depois do livro de Amaury Ribeiro Jr, todos seus pecados - que não são poucos - ganharão nova leitura. Saiam do aquário e conversem, não com adversários, mas com antigos admiradores de Serra, no campo intelectual e/ou empresarial.
Às vezes esse comportamento de parte da mídia me lembra muito a síndrome do "amor bandido" - entendido como a atração trazida pelo sujeito, não necessariamente bandido, mas sem limites.

- Por Sanzio -
Eliane Cantanhede escreve em sua coluna de hoje na Folha que o PT não tem candidato à eleição presidencial de 2018. É isso mesmo, não é piada. Essa moça já tem idade suficiente para evitar constrangimentos a si própria, como fez com relativa frequência nos últimos anos, que já lhe renderam o título de Miss Febre Amarela e Musa das Massas Cheirosas. Talvez fosse o caso de fazermos uma vaquinha para mandá-la ao oculista:
"Quanto a Eduardo Campos, que passou o trator para eleger a própria mãe ministra do TCU: ele dança conforme a música. Está com um pé no governo Dilma, mas ensaia passos com Aécio e com Kassab. Ou seja, está em todas. Ou quase todas.
Os planos do governador passam mais pelo PSDB de Aécio e o PSD de Kassab do que pelo PMDB e pelo PT. Um tem a Vice-Presidência hoje, mas nunca se sabe o dia de amanhã. O outro tem Dilma para concorrer à reeleição, mas não parece, a olho nu, ter ninguém no horizonte para 2018. E a estratégia de Campos, que de bobo não tem nada, inclui a Vice em 2014 e a disputa pelo Planalto em 2018."

O que move o partido-imprensa

imprensa
Desde a formação da Bolsa de Londres, a três séculos de capitalismo, o sistema arregimenta, a soldo de oficialato, espirra-tintas dispostos a defendê-lo com fidelidade canina. A tradição se mantém na imprensa atual
Por Gilson Caroni Filho*
A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (Bird), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.

Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. 

O discurso “modernizante” pretendia – e ainda pretende – substituir o “arcaísmo” do fazer político pela “eficiência” do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?

O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.

O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado  burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.

O partido-imprensa abomina os movimentos sociais,  os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em “ganhos de eficiência”, com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.

Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.

Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.


UNIMED VITÓRIA AS LEIS E ORGÃOS OFICIAIS QUE A PROTEGEM, E SUAS MAIORES VITIMAS.

A Unimed Vitória aplicou um reajuste de 104,70% (cento e quatro virgula sete pontos percentuais) sobre os valores das mensalidasdes do plano de sáude dos cooperados da COOPSAÚDE GAROTO/NESTLÉ.

A Unimed Vitória é uma Cooperativa de fachada, que beneficia-se dos Estatutos e das Leis do Cooperativismo, não para promover a igualdade social, mas, para beneficiar-se destas Leis reduzindo seus Encargos Sociais, consequentemente aumentando seus lucros . 

 
Protegida pelo “Pseudo-Cooperativismo”, por uma Agencia Reguladora ineficiente, por um órgão de Defesa do Consumidor limitado e um judiciário tendencioso, a Unimed Vitória sacrifica seus usuários, repassando para suas mensalidades todos os custos diretos e indiretos, majorados por uma margem de lucro capaz de causar inveja à muita instituição financeira. 
 
Com o aparente e firme propósito de inviabilizar as nossas atividades que sempre estiveram sustentados pelos princípios do Cooperativismo: da igualdade social, da dignidade humana e do direito à vida, nossa contratada Unimed Vitória, vem à algum tempo tentando rescindir o contrato celebrado a mais de onze anos.
Com argumentos capitalistas e antissociais, a Unimed vem aplicando sistematicamente ano após ano, reajustes abusivos sobre as mensalidades dos planos de saúde pagos por nossos cooperados e deixando o ônus de suas atitudes a serem pagos por nós, diretores da Coopsaúde.  Ela aplica os reajuste, aumentando seus lucros, e a difícil tarefa de comunicar e justificar os abusivos reajustes sempre cabe a nós, diretores. 
 
A Cooperativa de Saúde e Educação, tem como objetivos e princípios defender os direitos de uma fatia de cidadãos brasileiros que por estarem numa faixa etária muito alta, não despertam o interesse de nenhuma operadora de plano de saúde, muito ao contrário, são cidadãos discriminados e preteridos por aquelas. 
 
São cidadãos que depois de passarem uma vida trabalhando e doando sua saúde para o crescimento do nosso país, simplesmente foram abandonados pelos órgãos oficiais e deixados à própria sorte. 
 
Cidadãos que bravamente conseguiram sobreviver aos piores anos da história do Brasil, sobreviveram a guerras, à escassez de alimentos e a doenças que na época não tinham remédios para curá-las.
Sobreviveram ao pior sistema político implantado no Brasil, a Ditadura Militar. Passaram por dificuldades imagináveis e inimagináveis. 
 
Hoje estes brasileiros que deveriam ser tratados como heróis por terem envelhecido apesar de tudo, são tratados como estorvo, não só para os planos de saúde por serem eles os que mais usam seus serviços, mas também por nossos Legisladores que não criam Leis que realmente o protejam. 
 
O Estatuto do Idoso, (a exemplo do cooperativismo aplicado pela Unimed), é uma FARÇA, não encontrando no LEGISLATIVO, no JUDICIÁRIO, no PROCON ou na ANVISA suporte para defender seus “direitos” justamente adquiridos.

Abaixo disponibilizamos aos nossos Cooperados e amigos uma cópia da notificação emitida por nossa Contratada Unimed Vitória onde, sustentada no aumento da sinistralidade (utilização do plano) e consequente resultado negativo no desempenho dos últimos dose meses, ela já não se satisfaz com seus reajustes abusivos, agora ela comunica a rescisão Contratual.
Na sequencia da postagem mostraremos os desdobramentos, que culminaram na decisão judicial permitindo a Unimed Vitória o direito de reajustar o plano de saúde Unimed Fácil Participativo em 104,70% (cento e quatro virgula setenta pontos percentuais). 

Após receber esta notificação de Rescisão Contratual, comecei a proceder com a defesa dos direitos de nossa Entidade e consequentemente a de nossos cooperados.
A primeira atitude tomada foi procurar apoio junto à COMISSÃO PERMANENTE DE SAÚDE, SANEAMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. Conforme Oficio que pode ser lido AQUI.

Este oficio me oportunizou a possibilidade de fazer a defesa na sessão da Comissão Permanente de saúde, Saneamento e Assistência Social da Assembleia Legislativa do Estado do Espirito Santo.
Minha defesa obteve exito, culminando com o apoio de todos os parlamentares presentes, e resultando numa reunião entre: Cooperativa de Saúde Garoto, a Unimed Vitória e por representantes da Comissão da ALES.

A *reunião realizou-se no dia 26 de Setembro de 2011 na Unimed. Na ocasião a Coopsaúde foi representada pelos Diretores Anadelso Pereira e Marcus Antonio Silva Alves, (por motivos pessoais fui impossibilitado de comparecer) A unimed fora representada pelo Sr. Marcio José B. Klein e seu advogado e representaram a Comissão da Assembleia Legislativa do Estado do Espirito Santo os deputados Dary Pagung e Gilsinho Lopes

*(Antes de iniciar à reunião conforme data e horario estabelecidos, os representes da Coopsaúde, Srs Anadelso e Marcus, presenciaram uma reunião reservada, envolvendo os representantes da Unimed Vitória e os representantes do Legislativo.)

Nesta reunião as partes chegaram a um consenso onde:
  • Seria prorrogado por mais 60 (sessenta) dias o prazo da rescisão contratual, e
  • A Unimed Vitória apresentaria uma planilha com propostas de novos valores.

A Unimed Vitória não cumpriu a prorrogação no prazo de rescisão contratual por mais sessenta dias, conforme acordado na reunião, bloqueando os atendimentos de nossos cooperados. Este não cumprimento do acordo, pode ser acompanhado  na troca de e-mails entre a Coopsaúde e a Unimed apresentados (AQUI).

A unimed enviou uma planilha com preços de plano de saúde para pessoas físicas que pode ser conferida (AQUI), e por ser pessoa física não atenderia os interesses da Coopsaúde, afinal ela é pessoa jurídica, e de nada adiantaria tal planilha.

Como os prazos de prorrogação da arbitraria rescisão não foram respeitados pela Unimed Vitória e esta também não apresentou uma planilha compatível com a Coopsaude, nos vimos obrigados a mais uma vez tomar atitudes para defender os interesses de nossa Instituição, e automaticamente os direitos de nossos cooperados.

Procedemos com uma ação judicial, onde requeríamos uma proibição da rescisão contratual unilateral e a determinação de um índice de reajuste nas mensalidades do plano de Saúde Unimed Fácil Participativo, que fosse justo para ambas as partes.

A ação judicial resultou na NÃO rescisão contratual, porém a Unimed apresentou uma tabela de reajustes baseada no aumento da sinistralidade (uso do plano) alegando que o contrato é altamente deficitário e que seria necessário um reajuste de 104,70% (cento e quatro virgula sete pontos percentuais) para manter o contrato ativo.
Os números do reajuste solicitado pela Unimed foram considerados justos pelo Desembargador que sentenciou a Coopsaúde a depositar judicialmente os valores de reajuste propostos pela Unimed, que diante de nosso pedido de revisão, poderá, ou não serem revistos, e em caso da revisão concluir na aplicação de um reajuste inferior aos valores pagos por nossos cooperados, estes serão devidamente ressarcidos pela diferença paga à maior.
Acompanhe (AQUI) todo o desdobramento judicial que acarretou o reajuste abusivo.

Dirijo-me aos nossos cooperados Muito atenciosamente, e 
Me reservo o direito da insatisfação com os órgãos que deveriam defender o cidadão.
Com a forma que o JUDICIÁRIO faz vista grossa aos DIREITOS DO IDOSO, 
Como o PROCON vira as costas para os consumidores, 
Como a ANVISA inverte os valores, defendendo não o cidadão, mas as operadoras de planos de Súde, e 
Com  NOSSOS LEGISLADORES, pela INcapacidade que estes senhores tem de defenderem os Direitos daqueles que os nomeiam seus  REPRESENTANTES através do VOTO.


Dagmar Olindo Vulpi
Diretor Presidente da COOPSAÚDE
Cooperativa dos Usuários dos Serviços de Saúde, Educação e Afins dos Empregados da Chocolates Garoto/Nestlé 

Por que devemos participar da política?

Nove entre dez jovens consideram a política uma atividade para espertalhões que ganham uma fortuna para enganar o povo. Eles não deixam de ter alguma razão. De fato, pode-se contar nos dedos os políticos que se devotam realmente ao erviço do povo.

A reação normal de quem tem essa visão negativa da política é ficar fora dela. No máximo comparecer para votar, uma vez que o voto é obrigatório. Apertou o botão da urna eletrônica, tchau! Sair voando sem saber até o nome do candidato em quem votou.

Esta atitude é a que mais interessa aos malandros da política, pois o desinteresse leva à ignorância política e esta é um prato feito para quem deseja praticar falcatruas com o mandato popular.

O jovem leitor pode questionar: “OK. Você diz que eu devo me interessar pela política. Mas o que eu perco não tendo o menor interesse por ela?”. Boa pergunta, que merece uma resposta por partes: quem são os políticos; o que fazem; como os safados prejudicam os cidadãos; como se pode evitar isso.

Quem são os políticos?

A palavra político, na linguagem comum das pessoas, designa os homens e as mulheres que ocupam cargos no Estado: vereadores, deputados, senadores, secretários de estado, ministros, governadores e Presidente da República. Essas pessoas - são milhares delas em todo o Brasil - têm o poder de influenciar na atuação dos órgãos do estado brasileiro. Participam da elaboração das leis; da distribuição do dinheiro arrecadado com os impostos; da gestão das empresas do Estado; da fiscalização do funcionamento das repartições públicas que prestam serviço à população (SUS, hospitais públicos, delegacias de polícia etc.).

Suspenda agora a leitura do texto e veja se consegue identificar uma única atividade da sua vida inteiramente fora do âmbito da política.

Não me venha com o argumento de que o Estado não interfere na sua fé religiosa, nas suas leituras, no seu pensamento. Interfere e muito. O Estado tem uma delegacia para fiscalizar os cultos religiosos, e outra para manter a ordem política e social - esses órgãos acompanham a atividade de padres, freiras, pastores, pais e mães de santo, militantes de pastorais etc. E abrem processos contra aqueles cuja pregação afeta a ordem estabelecida. Além disso, o Estado censura livros; peças de teatro; filmes. E fixa, através de suas políticas econômicas, o preço desses produtos. Quantas vezes você quis ler um livro, assistir a uma peça teatral e não pôde por causa do preço?

Finalmente, não é exato que você tenha uma liberdade absoluta de pensar. Você pensa com a informação que chega ao seu cérebro. Ora, é o Estado que controla - às vezes abertamente, às vezes indiretamente - toda a informação que chega até você.

Estar junto para entender

Não tenha, pois, nenhuma dúvida: você perde muito, direta ou indiretamente, quando o Estado está nas mãos de pessoas incompetentes ou desonestas, pois, de algum modo, você está sendo prejudicado.

Daí a necessidade de interessar-se pela política, de aprender o suficiente para entender como ela funciona e de tomar parte efetiva na escolha dos governantes.

Não é fácil atender a essa necessidade. A política é uma atividade bem complicada e quem participa dela sem o conhecimento adequado corre sério risco de ser enganado. Por isso o primeiro passo para participar consiste em entender seu funcionamento.

Ninguém consegue entender de política sozinho. Não adianta ler jornais e acompanhar os noticiários e comentários da rádio ou televisão. São todos enviesados. O jeito é formar um grupo para ampliar as fontes de informação e para dispor de opiniões diversas a respeito do significado das informações recebidas.

O grupo não irá muito além das pernas se não se dedicar à leitura de livros teóricos que explicam o funcionamento da sociedade e, portanto, dos partidos políticos. É através da leitura desses livros que você aprenderá a distinguir os políticos fisiológicos (que buscam apenas satisfazer seus apetites por dinheiro, prestígio ou poder) e os políticos ideológicos (os que fazem política por convicção). Conhecendo as ideologias, você pode optar pela que mais se aproxima dos valores que considera importantes. Isso lhe fornecerá um critério para participar inteligentemente do processo político.

O analfabeto político
(Bertolt Brecht)

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política,
nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Que sentimentos este texto do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht desperta em nós?   

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Princípios 116 fala sobre a crise midiática brasileira

Por Felipe Daniel Paludetti
O balanço do primeiro ano do governo Dilma, considerando os impactos negativos da crise mundial do capitalismo sobre o Brasil e o “cerco” que lhe impôs o monopólio midiático, como resultante é positivo. Todavia, a grande mídia – porta-voz do capital financeiro e do conservadorismo – tem feito um verdadeiro cerco contra o governo. Manipulando a bandeira do combate à corrupção, ela empreende corrosiva campanha falsamente moralista que já levou ao chão seis ministros. 
A grande mídia e suas manipulações é o tema central desta edição 116 (jan/fev 2012) da revista Princípios. A revista contou com a colaboração de acadêmicos, analistas e lideranças do PCdoB para tratarem do tema.

O primeiro artigo da revista é a defesa ao Partido Comunista do Brasil assinado por Renato Rabelo. Ele fala sobre o PCdoB e seu conjunto de forças democráticas que precisa vencer a lógica golpista da mídia sob pena de um retrocesso político no país.
Seguindo a mesma linha, Walter Sorrentino fala sobre o denuncismo barato da grande mídia, e os alerta que com o Partido Comunista do Brasil a tática não prospera.
Em uma entrevista exclusiva, Orlando Silva, ex ministro dos esportes, conta detalhes dos ataques sofridos e esclarece as denuncias que sofreu ano passado.
Ao atacar o PCdoB de forma pretensiosa e grosseira, os neopecebistas do PCB fazem coro com a reação, em artigo de Augusto C. Buonicore.
Roberto Amaral, cientista político, vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) traça quais os objetivos da direita com a manipulação da mídia e Fábio Palacio fala sobre os objetivos do PCdoB e porque esses ataques midiáticos não podem derrubar sua história.
A partir do processo eleitoral do ano passado, cresceram nas redes sociais as manifestações de preconceito racial, de gênero, sexual e até geográfico, os ataques raivosos na internet mostram a opinião de uma sociedade preconceituosa, no artigo do blogueiro Eduardo Guimarães é explicado quais os motivos dessas atitudes.
Em entrevista a Princípios o cientista político Juarez Guimarães explica como a grande mídia aderiu de corpo e alma ao ideário liberal conservador emanado a partir dos EUA.
Por um novo marco regulatório para as comunicações foi o tema de discussão organizado pelo Partido dos Trabalhadores, no artigo de Cláudio Gonzales nos é relatado quais as principais resoluções desse debate.
Também com exclusividade nossa revista mostra carta aberta a todos os meios de comunicação em defesa ao PCdoB com a assinatura de intelectuais progressistas.
Economia, internacional e cultura
A Reforma Política e toda divergência em torno desse assunto é tema do artigo de Daniel Almeida.
Em entrevista exclusiva Cândido Vaccarezza defende aliança ampla para sustentar o projeto de desenvolvimento do Brasil.
O que se desenha para o futuro, a partir dos desdobramentos da atual crise capitalista? É o assunto do artigo de Lecio Morais.
Para enfrentar a crise, o governo brasileiro precisa fomentar o desenvolvimento do país. Foi a opinião que prevaleceu no Seminário: A crise do capitalismo e o desenvolvimento do Brasil.
O 4º Congresso da UNEGRO e suas principais resoluções também é relatado por Edson França, presidente da entidade.
Em Internacional o relato da viagem do PCdoB a Cuba é feito por Ronaldo Carmona, além de artigos sobre a presidenta Cristina Kirchner e o plano de desenvolvimento argentino.
A estudante chilena Camila Vallejo que foi a líder das manifestações estudantis, nos enviou artigo sobre os principais assuntos políticos discutidos no Chile nos últimos meses, além de falar sobre a batalhar enfrentada por ela e grande parte dos estudantes chilenos para o progresso educacional de seu país.
A edição fecha com as resenhas de quatro livros tratando sobre o imperialismo americano feitas por A. Sérgio Barroso.
 

O Eloquente Silêncio da Mídia É Tão Escandaloso Quanto o Livro do Amaury

O livro e a imprensa, um ponto de ruptura
Comentário de Luciano Martins Costa para o programa radiofônico do OI, em 15 dezembro 2011.

Esta semana marca um ponto de ruptura da imprensa brasileira tradicional, aquela chamada de circulação nacional. O fato de os principais jornais do país haverem ignorado o tópico mais divulgado na internet – o livro que denuncia atividades criminosas atribuídas a familiares e pessoas próximas do ex-governador José Serra – representa uma declaração pública de que a imprensa tradicional não considera relevante o ambiente midiático representado por blogs, sites independentes de empresas de mídia e grupos de discussões nas redes sociais.
A fidelidade canina das grandes empresas de comunicação ao político Serra é um caso a ser investigado por jornalistas e analisado por cientistas políticos. Na medida em que essa fidelidade chega ao ponto de levar as bravas redações – sempre animadas para publicizar toda espécie de malfeitoria envolvendo protagonistas do poder – a fingir que não tem qualquer relevância o fenômeno editorial intitulado A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., cria-se um precedente cujas consequências não se pode ainda avaliar.
Por iniciativa da imprensa tradicional, aprofunda-se o fosso que a separa da mídia alternativa.
Não que tenha arrefecido o ímpeto dos jornais por dar repercussão a todo tipo de denúncia: estão nas primeiras páginas, nas edições de quinta-feira (15/12), o ministro Fernando Pimentel, o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz e o publicitário Marcos Valério.
Cada um desses personagens tem uma história a explicar para a sociedade, mas a imprensa, ao proceder com tão escancarado desequilíbrio nos critérios de edição, se desqualifica como meio legítimo para mediar a questão com a sociedade.
Não se pode escapar à evidência de que a imprensa realiza um esforço corporativo para apresentar ao seu público um cardápio restrito de escândalos, quando o prato mais apetitoso vende milhares de exemplares de livros, produz um mercado paralelo de cópias piratas e manifesta o desejo do público de saber mais.
O silêncio da imprensa prejudica as chances do ex-governador José Serra de contestar as acusações apresentadas no livro contra sua filha, seu genro, o coordenador de suas campanhas eleitorais e outros personagens ligados ao seu núcleo de ação política.
Paralelamente, amplia o raio de conflitos entre as empresas de comunicação e a categoria profissional dos jornalistas, muitos dos quais são ativos participantes nos debates sobre o livro de Amaury Ribeiro Jr.
A origem do esquema investigado pelo autor de A Privataria Tucanase confunde com o ponto em que a imprensa tradicional perdeu o interesse pelo caso do Banestado – provavelmente a matriz de todos os crimes financeiros revelados ou semiocultos no Brasil nos últimos quinze anos. Por essa razão, aumenta a curiosidade geral em torno da recusa da imprensa em reabrir esse caso através da janela criada com o livro de Ribeiro Jr.
A partir deste ponto, torna-se legítima qualquer desconfiança sobre o real interesse da chamada grande imprensa em ver desvendadas as denúncias de corrupção que ela própria divulga. Não há mais dúvida razoável de que essas denúncias são publicadas de maneira seletiva.
O mapa aberto pelo livro de Ribeiro Jr., pelo que já se deu a conhecer, complementa reportagens já publicadas sobre crimes financeiros em geral, mas principalmente sobre aqueles que têm como vítima o patrimônio público. Em geral, as reportagens sobre aquilo que agora é chamado de malfeito esmaecem quando o caso se transforma em processo formal na Justiça.
Estranhamente, quando surge a possibilidade de oferecer ao público o acompanhamento das conclusões, a imprensa sai de campo. Observe-se, por exemplo, que o chamado caso “mensalão” está para ser prescrito e há um hiato no noticiário entre a aceitação da denúncia e a prescrição.
No caso Banestado, assim como no livro-reportagem de Amaury Ribeiro Jr., o mais importante é a revelação do esquema de lavagem de dinheiro, com o mapa dos caminhos que o dinheiro sujo realiza por paraísos fiscais e contas suspeitas. Trata-se do mesmo esquema utilizado pelos financiadores ocultos do narcotráfico, pelos corruptos e corruptores e por cidadãos acima de qualquer suspeita.
Se desse curso às pistas levantadas no livro de Ribeiro Jr., a imprensa poderia construir histórias muito interessantes – por exemplo, ao identificar consultores jurídicos especializados em lavagem de dinheiro que costumam frequentar páginas mais nobres dos jornais.
A omissão da imprensa em relação ao fenômeno editorial do ano é também a renúncia ao bom jornalismo.

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