quinta-feira, 21 de maio de 2020

Passadores de pano.


Dag Vulpi - 12/05/20
Ao mesmo tempo em que passam pano para os erros do "mito", essas mesmas pessoas execram outros políticos por terem cometido crimes assemelhados ou idênticos.
Oras bolas. Porquê o político dessas pessoas pode, porém, quando o erro é cometido por outro elas ficam tão indignadas?
Precisamos ser coerentes com o que defendemos. Justos nas nossas avaliações e honestos com nossos princípios.
Nunca tive problemas com isso, muito ao contrário, sempre foi muito fácil criticar os erros cometidos nos governos Collor, FHC, Lula, Dilma, Temer e agora continua sendo fácil criticar o do Bolsonaro. E sabem porquê pra mim foi fácil? Muito simples. Eu não tenho político corrupto de estimação!

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Senado vota nesta semana projeto que reduz transparência em campanhas



Proposta que muda legislação eleitoral é o primeiro item da pauta da próxima terça-feira (17). Especialistas dizem que projeto dificulta a fiscalização de eventuais irregularidades

O Senado deve votar nesta semana um projeto de lei, já aprovado pela Câmara, que pode reduzir a transparência e dificultar a fiscalização de eventuais irregularidades em campanhas eleitorais, segundo especialistas e parlamentares ouvidos pelo G1 e pela TV Globo.

A proposta, que muda a legislação eleitoral, a lei dos partidos e outras regras, é o primeiro item da pauta de votações da Casa desta terça-feira (17). Parlamentares favoráveis ao texto têm pressa na análise do projeto, para possibilitar que as novas regras valham já para as eleições de 2020.

Pelo princípio da anualidade, alterações nas regras eleitorais precisam ser sancionadas pelo menos um ano antes do próximo pleito eleitoral. Por isso, a proposta deve ser votada com rapidez e sem alterações em relação ao conteúdo aprovado pelos deputados.

Na semana passada, senadores tentaram colocar a proposta em votação com urgência, mas houve resistência e a análise foi adiada para esta semana.

Inicialmente, o projeto alterava apenas regras para a remuneração de funcionários de partidos políticos. No entanto, o texto foi transformado em uma minirreforma eleitoral.

Entre os pontos do projeto que dificultariam a fiscalização – por parte dos tribunais eleitorais – de eventuais irregularidades em campanhas, estão a prorrogação de prazos para a prestação de contas; a possibilidade de utilização de quaisquer sistemas de contabilidade disponíveis no mercado; e mais tempo para a correção de dados.

Com informações G1

A sorte está mudando: 'Bolão' da liderança do PT leva prêmio de R$ 120 milhões da Mega-Sena


Cada um dos vencedores vai ganhar cerca de R$ 2,5 milhões

A aposta vencedora da Mega-Sena desta quarta-feira, 18, saiu para uma aposta coletiva feita por funcionários da liderança do PT na Câmara dos Deputados. O "bolão" acertou sozinho o prêmio de R$ 120 milhões. Os números sorteados foram: 04 - 11 - 16 - 22 - 29 - 33. O grupo é formado por 49 pessoas entre assessores e funcionários da Câmara.

De acordo com dois vencedores, que pediram anonimato, cada um deles apostou R$ 10. Cada um dos vencedores vai ganhar cerca de R$ 2,5 milhões.

Assim que saiu o resultado, o grupo saiu comemorando pelo corredor chamando a atenção de quem passava. De acordo com um dos vencedores, eles apostam há mais de dez anos, em todos os sorteios.

Além do grupo, 406 apostas acertaram a quina (cinco números) e vão levar R$ 19.407,24 cada uma. Na quadra (quatro acertos) foram 24.366 apostas ganhadoras, que receberão R$ 461,96 cada uma.

O prêmio dos petistas é o terceiro maior prêmio acumulado neste ano e um dos 20 maiores da história. O maior foi sorteado em maio, para um sortudo que apostou pela internet e levou R$ 289 milhões.

Reação
O deputado Aliel Machado (PSB-PR) brincou com o resultado. "Fiquei sabendo que agora há uma orientação no PT contrário a taxar as grandes fortunas", afirmou o parlamentar. Outro deputado, não identificado, pegou o microfone para pedir ao presidente Jair Bolsonaro que entregue um cheque simbólico para o partido.

Lula livre?



Um ótimo achado. Um texto que certamente irá ao encontro de o que boa parte da esquerda, não petista, pensa.

"O PT cobra que a maior pauta da esquerda nesse país seja Lula Livre. Sem Lula Livre não se discute nada. Não se fala de conjuntura, não se discute alternativas. Está terminantemente proibido o pragmatismo com o qual o PT governou por mais de uma década. Agora ser pragmático é traição, oportunismo, abandonar Lula à própria sorte. O PT quer sentar na fila da frente de qualquer evento e estender a faixa Lula Livre. Quem não gostar é porque não quer Lula Livre e se converteu à direita.

Mas o que o PT está fazendo, objetivamente, pra soltar Lula? O PT está articulando grandes passeatas populares com essa pauta? As centrais estão articulando uma greve geral por Lula? O que o PT tem feito nesse sentido além de exigir que qualquer articulação tão pragmática quanto os seus governos foram só seja permitida com a sua bênção e nos seus termos? O PT trabalha pra ir além do acampamento em Curitiba e das caravanas que só dialogam com quem já quer a liberdade de Lula? O partido pretende transformar o Lula Livre em uma movimento político ou seguirá sendo basicamente um movimento estético e cultural?

O PT quer que o país pare por Lula, mas o PT para pelo ex-presidente? Ou só quer parar quem não para? O PT pratica o que prega ou segue subindo no palanque de Eunícios enquanto xinga quem conversa com Kassabs?

E se Lula não for solto, como provavelmente não será? O plano é mais uma candidatura petista em 2022, com Doria captando os votos dos descontentes com Bolsonaro? Basta o Haddad estar lá e ele garante a transferência de Bolsonaro para Doria automaticamente. Isso se chama antipetismo e constatar sua existência não é ser antipetista. É Lula Livre ou Nada, mas perguntamos: é Jair Nada Bolsonaro ou João Nada Doria? Deu super certo em 2018, não?

Não aceite chantagem emocional. Lula Livre, sim. Hegemonia petista a qualquer custo, não."

Pescado no Facebook - Autor desconhecido

terça-feira, 18 de junho de 2019

CCJ aprova convite para Dallagnol explicar troca de mensagens com Moro



A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou hoje (18) um requerimento de convite ao procurador federal Deltan Dallagnol para que preste esclarecimentos sobre trocas de mensagens com o então juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, nas investigações da Operação Lava Jato. A data da sessão ainda não foi marcada.

Na avaliação do senador Ângelo Coronel (PSD - BA), autor do requerimento, o teor da troca de mensagens indica desvirtuamento das funções do procurador e também que o então juiz Sergio Moro extrapolou funções e desrespeitou deveres da magistratura. À época das mensagens, Moro era o juiz responsável por julgar réus alvo da operação, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso.

Sergio Moro

Amanhã (19), às 9h, a CCJ ouve Sergio Moro, que se colocou espontaneamente à disposição para se explicar.

Segundo a presidente do colegiado, senadora Simone Tebet (MDB-MS), a segurança na CCJ será reforçada. A senadora adiantou ainda que ministro terá 30 minutos para uma exposição inicial com direito a réplica e tréplica dos parlamentares.

As supostas conversas pelo aplicativo Telegram, entre Moro e Dallagnol, foram divulgadas no dia 9 pelo site de notícias The Intercept Brasil.




A Anatomia da Insensatez: As Sete Camadas da Estupidez Sistêmica



Dag Vulpi – setembro de 2022

Introdução: O Fenômeno Político da Estupidez

Já se deteve para analisar a recorrência de decisões anacrônicas e disfuncionais que permeiam o tecido das corporações, das esferas governamentais e dos núcleos familiares? Por que estruturas complexas persistem no erro, mesmo quando o colapso é iminente? Para compreender esse fenômeno, é preciso dissociar a estupidez da mera carência de intelecto. Não se trata de um déficit cognitivo ou de falta de acesso à educação formal; falamos aqui de uma patologia social formada por múltiplas faces.

A estupidez possui camadas, mimetiza virtudes e, em seus tons mais perigosos, mascara-se de coragem ou genialidade. O economista Carlo Cipolla, em seu ensaio "As Leis Fundamentais da Estupidez Humana", argumenta que o estúpido é mais nefasto que o criminoso. Enquanto o bandido opera sob uma lógica racional de transferência de benefício (ele ganha enquanto o outro perde), o estúpido promove a entropia: ele gera prejuízo coletivo sem obter qualquer ganho real. A provocação de Cipolla é clara: a estupidez não é um problema individual, mas uma força de erosão civilizatória que, paradoxalmente, costuma vir acompanhada de "boas intenções".

Nível 1: A Ignorância Passiva e a Manutenção do Status Quo

Todo processo de socialização começa na ignorância — uma condição inerente à finitude humana. Como propunha Sócrates, o reconhecimento do "não saber" é o alicerce da sabedoria. Contudo, a ignorância passiva é o estágio inicial onde a ausência de conhecimento ocorre por falta de exposição, sem a mácula da arrogância.

No entanto, quando essa inércia intelectual persiste na vida adulta, ela se torna o solo fértil para o autoritarismo. Estruturas de poder — sejam elas teocráticas, políticas ou educacionais — frequentemente instrumentalizam essa lacuna. Um corpo social que não questiona premissas é mais simples de ser gerido. A ignorância passiva, portanto, não é um pecado individual, mas uma engrenagem fundamental no teatro da dominação política: o despertar é possível, mas a manutenção da inércia é uma escolha institucional.

Nível 2: A Incompreensão Confiante e a Hipertrofia do Ego

O risco real emerge quando a ignorância encontra a autossuficiência. Este é o território do Efeito Dunning-Kruger: indivíduos com baixo repertório em determinada área tendem a superestimar suas habilidades, sendo incapazes de perceber a própria incompetência.

No cenário contemporâneo, esse fenômeno é potencializado pela performance digital. O "idiota confiante" não busca a verdade, mas o aplauso e a validação. Criou-se um paradoxo cruel na comunicação: a convicção absoluta gera mais credibilidade do que a dúvida metódica, mesmo quando a primeira está flagrantemente errada. Como ironizava Nietzsche, as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras, pois elas estagnam o processo de aprendizado em favor de um ego inflado.

Nível 3: O Raciocínio Emocional e a Pós-Verdade

Neste estágio, o sentimento deixa de ser um sinal interno para se tornar o critério absoluto de realidade. O raciocínio emocional, descrito por Aaron Beck como uma distorção cognitiva central, faz com que a pessoa trate suas emoções como evidências factuais: "se eu sinto, logo é verdade".

A lógica torna-se serva do afeto. Através do viés de confirmação, a mente filtra a realidade, descartando dados que contradigam o estado emocional do indivíduo. Na esfera política, isso alimenta o pânico moral e a xenofobia. Movimentos inteiros prosperam baseados em reações instintivas que jamais foram confrontadas com a realidade empírica. Aqui, a razão não foi perdida; ela foi sequestrada pelo ego.

Nível 4: A Cegueira Voluntária e o Negacionismo Estratégico

A cegueira voluntária não é um erro honesto, mas uma negação deliberada da realidade por conveniência ou medo. Como aponta Margaret Heffernan, não se pode consertar um problema que se recusa a reconhecer. Problemas sistêmicos crescem não porque são invisíveis, mas porque o enfrentamento exigiria um desconforto que poucos estão dispostos a suportar.

Esta recusa costuma nascer do instinto de preservação de status. Líderes ignoram comportamentos tóxicos e cidadãos ignoram injustiças óbvias em favor de uma estabilidade frágil. A verdade não está escondida; ela está sendo cuidadosamente silenciada por um pacto de apatia.

Nível 5: A Estupidez Coletiva e a Diluição da Responsabilidade

"Onde todos pensam igual, ninguém está pensando muito." O quinto nível marca a transição do defeito individual para a força de massa. A estupidez coletiva é o fenômeno em que o indivíduo abdica de seu juízo autônomo em favor da conformidade ao grupo.

Experimentos como os de Solomon Asch demonstram que o desejo de pertencimento pode obliterar a percepção sensorial mais óbvia. A multidão possui uma lógica de rebanho que contamina até mentes brilhantes. Em bandos, os homens perdem a racionalidade; recuperam-na apenas um por um. Quando a estupidez se torna norma social, qualquer tentativa de dissidência intelectual é punida com o ostracismo.

Nível 6: A Arrogância Intelectual e o Anti-intelectualismo

Aqui, a estupidez cristaliza-se como identidade. A arrogância intelectual é o momento em que o erro vira motivo de orgulho e a dúvida é vista como fraqueza. O indivíduo não apenas ignora o conhecimento, ele o despreza.

Erasmo de Roterdã, em "Elogio da Loucura", descrevia essa figura como o erudito oco, que se esconde atrás de autoridade para mascarar sua estagnação. A mente transforma-se em uma fortaleza impermeável. Qualquer evidência contrária é lida como um ataque pessoal, e não como um esclarecimento. É a "ignorância sincera" que Martin Luther King Jr. apontava como um dos maiores perigos para a humanidade.

Nível 7: A Estupidez Maliciosa e o Zelo Ideológico

No ápice, a estupidez funde-se a uma força ativa de destruição. O estúpido malicioso acredita piamente estar salvando o mundo enquanto promove o caos. Como observou Dietrich Bonhoeffer, este indivíduo é mais perigoso que o malvado, pois age sem consciência do sofrimento que causa, legitimado por um senso de missão messiânica.

A violência torna-se dever e a mentira torna-se bandeira. É a estupidez conscienciosa, onde sistemas inteiros oprimem e destroem acreditando estarem do lado certo da história. Este é o estágio onde civilizações desabam e regimes totalitários se consolidam sobre mentiras inflamadas por convicções inabaláveis.

Conclusão: O Preço da Lucidez

Como escapar dessa espiral? Não há imunidade total. A lucidez exige um estado de vigilância epistemológica constante. Pensar com profundidade isola; questionar o grupo gera desconforto; e aprender exige a admissão do erro.

O antídoto contra os sete níveis da estupidez é a humildade intelectual. É a disposição sincera de reaprender e a coragem de preferir a dúvida honesta à certeza confortável. Em um mundo de certezas absolutas e barulhentas, a pergunta que resta é: em qual desses níveis você está operando hoje, e terá a coragem de reconhecê-lo?


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