segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Socialismo Utópico




Socialismo Utópico  é a primeira corrente do moderno pensamento filosófico socialista, surgida no primeiro quarto do século XIX e que desenvolvia conceitos e ideias definidas como utópicas para os pensadores socialistas que surgiriam posteriormente. Estes primeiros pensadores do moderno socialismo não reconheciam autoridade externa, além de subordinar a religião, a ciência, sociedade e instituições políticas a uma drástica e permanente crítica. Tudo o que era produzido pela humanidade deve justificar sua existência, ou seja, demonstrar sua utilidade ou então ser combatida até que deixasse de existir. A razão era a medida de todas as coisas. À toda forma de tradição, sociedade, governo, costume ou similar existente, toda velha noção tradicional deveria ser considerada irracional e combatida.

O cenário de nascimento do socialismo utópico, a França do início do século XIX, abundavam as crises provocadas pelo avanço do sistema liberal, que produzia miséria em série, proporcionando precárias condições de vida aos cidadãos que então chegavam recentemente do meio rural. A jornada de trabalho absurda e o uso de mão de obra infantil completavam o cenário de horror que a Revolução Industrial criou inadvertidamente.

Nesse ambiente onde as promessas da Revolução Francesa  acabaram de certo modo por não se concretizar, onde a única liberdade existente era a de mercado, com o capitalista tendo passe livre para realizar a exploração do trabalhador comum. De tal decepção e frente à uma realidade desesperadora, surgem os questionamentos por parte dos intelectuais. De uma dessas correntes de questionamentos temos a origem do socialismo utópico. O termo "utopia" é um resgate literário do título do livro de Thomas Morus, de 1516, e tal expressão passa assim a designar toda filosofia defensora da igualdade social, onde era pregado um modelo idealizado, mas a "receita" para se atingir tal caminho não era discutida.

Autores como Marx  mais tarde iriam distanciar-se de certo modo de tais fórmulas, rotulando-a de burguesas, assim como fariam outros pensadores de esquerda contemporâneos a ele, pois os pensadores do socialismo utópico tinham como expectatva a "iluminação" ou súbita consciência dos indivíduos das classes dominantes de, um determinado dia, esclarecidos da desigualdade e falibilidade do sistema em voga, fariam então as reformas que dariam igualdade social a todos os cidadãos. Marx e os socialistas modernos obviamente não viam desse modo a composição e funcionamento da sociedade em geral, e muito menos esperavam pela benesse das classes dominantes em um dia distribuir igualdades às suas respectivas populações.

Bibliografia:
http://www.marxists.org/archive/marx/works/1880/soc-utop/ch01.htm
http://tdvproducoes.com/site/?p=4

Socialismo Marxista




O Socialismo Marxista é uma ideologia baseada nos preceitos propostos por Karl Marx.

O Socialismo  é uma corrente ideológica oriunda no século XIX. O pensamento é fruto de um momento no qual o Liberalismo era a ideologia predominante na sociedade ocidental, marcando intensamente as conquistas capitalistas da Revolução Industrial. Este contexto solidificou o poder da burguesia na sociedade contemporânea, caracterizando uma fase da história da humanidade na qual a produção industrial ganhou grande incremento e junto com ela veio uma forte exploração do trabalho em favor do lucro. A crítica à ideologia liberal ganhou força com o advento das ideias socialistas. No entanto, os primeiros formuladores do pensamento socialista acreditavam que a burguesia reconheceria a exploração imposta aos operários e, a partir daí, se daria uma mudança no sistema vigente. Sendo que a burguesia compartilharia sua riqueza e seu poder e a sociedade alcançaria um modo de vida comunista. Esse tipo de formulação é uma utopia, ou seja, muito improvável, para não dizer impossível, que a classe burguesa abra mão de suas posses em prol de uma sociedade comunista. Com base nisso, a ideologia ficou conhecida como Socialismo Utópico. Em contrapartida à essa primeira corrente ideológica do Socialismo, o alemão Karl Marx  apresentou reflexões mais plausíveis para a sociedade alcançar o modo de vida de uma sociedade comunista. Apresentando métodos e condições mais adequadas, os pensamentos que apresentou se tornaram uma corrente ideológica muito influente, sobretudo, no século XX.

O Socialismo Marxista é uma ideologia que também almeja alcançar o comunismo, só que por caminhos diversos e mais plausíveis do que o Socialismo Utópico. Na formulação de Karl Marx, a sociedade precisa passar por etapas até obter as condições necessárias para o comunismo. Assim, a sociedade capitalista precisaria se desenvolver a tal ponto que pudesse permitir ao proletariado o controle dos meios de produção em uma sociedade socialista e, só depois de cumpridas as duas primeiras etapas, haveria condições necessárias para o comunismo. O pensamento de Karl Marx foi desenvolvido baseando-se nos estudos das obras de intelectuais franceses e do alemão Hegel, e, na verdade, recebeu também grande auxílio de outro alemão, Friedrich Engels.

O Socialismo Marxista, também chamado simplesmente de Marxismo, no entanto, vai muito além. É um conjunto de ideias filosóficas, econômicas, políticas e sociais que conquistará vários seguidores. O Marxismo compreende o homem como um ser social e histórico e se baseia em concepções materialista e dialética da História. A vida social é interpretada segundo o modo de produção e a luta de classe que ela desencadeia. São conceitos muito importantes para compreensão do chamado Socialismo Marxista que, em contrapartida ao Socialismo Utópico, pode também ser chamado de Socialismo Científico.

A sociedade, segundo o Socialismo Marxista, é descrita da seguinte forma. A história humana é observada ressaltando os aspectos materiais, ou seja, dando importância fundamental para as relações econômicas que a permeiam. Para Marx, essa base econômica seria a determinante dos aspectos políticos, culturais e também religiosos. Dado esse significativo valor atribuído às questões econômicas, a sociedade é marcada por uma dialética que opõe dois grupos, a burguesia e o proletariado. Entendendo que o primeiro refere-se aos detentores do meio de produção e o segundo, sem tais posses, vendem seu trabalho, fazendo a engrenagem do sistema capitalista funcionar. No entanto, a burguesia explora o máximo possível da mão-de-obra para obter seus lucros, é a chamada mais-valia. O trabalhador gera produtos de alto valor agregado, porém o salário é reduzido e muitas vezes ainda é consumidor do que produz. É dessa situação de exploração capitalista promovida pela burguesia sobre o proletariado que nasce a chamada luta de classes, segundo Karl Marx. Para o Socialismo Marxista, a tensão existente na mais-valia promoveria uma união da classe proletária que, em busca de uma sociedade mais igualitária, tomaria posse dos meios de produção e os passaria ao controle do Estado, encarregado de representar a coletividade. Seria o contexto de uma Revolução Socialista. Com o tempo, o próprio Estado não seria mais necessário, levando-se em consideração que não haveria mais dominação de uma classe sobre outra, resultando no que é, para Karl Marx, a etapa mais desenvolvida das relações humanas, uma sociedade comunista.

Essas proposições do Socialismo Marxista influenciaram diversas atividades humanas no século XX, influenciando diversos movimentos. Dentre eles estão a Revolução Russa, a Revolução Cubana e a Revolução Chinesa. No entanto, os países que adotaram posturas ditas socialistas desvirtuaram significativamente os preceitos de Karl Marx. Ainda assim, o Marxismo foi muito influente nas Ciências Humanas ao longo da segunda metade do século XX. Embora não tão admirada quanto já fora, a ideologia Marxista permanece influente.

Fontes:
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Edipro, 2010.
MARX, Karl. O Manifesto Comunista. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1998.

Socialismo Libertário




Socialismo Libertário é uma vertente filosófica do socialismo.

Desde a formulação das duas vertentes iniciais do socialismo, a utópica e a científica, no século XIX, muitas outras reformulações foram feitas, adaptando-se aos novos tempos. Das duas formas fundamentais, a que ganhou maior repercussão para a história da humanidade foi aquela apresentada por Karl Marx. Seus argumentos sobre o socialismo científico foram tão impactantes que influenciaram muitos acontecimentos do século XX no mundo todo, com destaque para a Revolução Russa e para a Guerra Fria. No entanto, novas ideias foram adicionadas ou conceitos foram revistos resultando em novas vertentes socialistas. Em outros casos, as ideias socialistas foram associadas a outras ideologias.

O Socialismo Libertário é uma dessas reformulações do socialismo original. Ele pode ser chamado também de Anarquismo Social ou mesmo de Libertarismo de Esquerda. De todo modo, representa uma ideologia contrária à existência de hierarquias sociais. Seus seguidores defendem a igualdade e a liberdade social abolindo as instituições que julgam autoritárias e que controlam os meios de produção.

Entender o termo Socialismo Libertário ou os termos que também são utilizados para identificá-lo é muito importante para entender suas pretensões. Antes de tudo, é preciso que não se confunda libertário com liberal, que são dois conceitos diversos. De forma simplificada, liberalismo é uma corrente de pensamento econômico, enquanto libertarismo é a defesa da expansão das liberdades individuais, em amplos sentidos. O Socialismo Libertário é também chamado de Anarquismo Social e, como tal, preza pelo desmantelamento das autoridades legítimas em todos os aspectos. Como típica ideia anarquista, há uma crítica contra qualquer forma institucionalizada de poder.

Os militantes do Socialismo Libertário acreditam na democracia direta e sem centralização. A maior parte de seus argumentos, na verdade, é muito mais atrelada ao que se entende como anarquismo do que socialismo. No entanto, os próprios anarquistas escolheram utilizar preferencialmente o termo Socialismo Libertário acreditando ser este mais explícito para a ideologia que queriam propagar. Porém, como é possível notar, sua filosofia política está repleta de anarquismo e envolve princípios de movimentos como anarcocomunismo, anarquismo coletivista, anarcosindicalismo, mutualismo e ecologia social. Também estão presentes os princípios do autonomismo e do comunismo de conselho.



domingo, 30 de novembro de 2014

Mais que ideologia, o ódio ao PT é um fenômeno a ser explicado


Por Fernando Vieira  em 28 de outubro de 2014

Desde o fim das eleições e a vitória de Dilma Rousseff as redes sociais estão inundadas de declarações de ódio que beiram o fascismo: “nordestinos acabaram com o Brasil”, ”Vocês, seus pobres e miseráveis vão continuar na merda”, ”votaram em Dilma e acabaram com nosso país”, ”haverá uma ditadura comunista”, ”odiamos o PT”, ”vou embora do Brasil por que eu posso, seus pobres miseráveis”, ”vão continuar dependendo de Bolsa Esmola pra viver”, algumas declarações feitas no Facebook são um exemplo disso.

Certa moça diz que deixará o Brasil, pois ela, diferentemente dos “miseráveis” que votaram em Dilma tem condições de ir morar em Orlando (EUA) junto com seu pai, deixa claro que: ”eu sou rica, não preciso de bolsa esmola”.

Mas, de onde vem tanto ódio? O que fez o PT para causar tamanho ódio? Serão apenas os escândalos de corrupção que, atentando contra certa moralidade (roubar é feio) despertam o ódio? Ou será algo mais? Ora, devemos descartar a hipótese da corrupção, segundo o TSE os partidos mais corruptos (envolvidos em um maior número de casos de corrupção) são o DEM e o PSDB, não o PT. Ou seja, direcionar o ódio a corrupção, não é o mesmo que direcionar o ódio ao PT, afinal, ele não criou a corrupção, e nem tampouco é o único a praticá-la, portanto, tal justificava não é suficiente para explicar este fenômeno. Escrevo sem pretensões de esclarecer o fenômeno, um curto texto não é capaz de explicar tal ódio.

Se a corrupção é apenas o verniz do ódio pregado ao PT, e que se revela, neste período pós-eleitoral como um ódio muito mais profundo ( ao nordestino, ao negro, aos miseráveis), de onde surge o ódio contra o PT? Quero considerar este ódio em dois níveis:

1-) O ódio que a ”elite” (sobretudo a classe média tradicional) tem ao PT, é, segundo penso, um ódio direcionado ao fim do privilégio da exclusividade frente ao acesso a bens e espaços de poder. Trazendo a tona uma reflexão um tanto freudiana sobre o tema, me arrisco a dizer que a ”elite” tinha sua libido, seu fluxo libidinal (considerando libido como a força desejante) direcionado a ”exclusividade”, seja a de ter acesso a um carro do ano, a um notebook, a internet ou ter acesso a Universidade, ao diploma, às viagens no exterior. Havia entre a “elite” e estes ”acessos” uma relação clara de exclusividade. O “Outro”, pobre geralmente, da classe trabalhadora, não teria acesos a tais bens. A exclusividade, produzia o gozo do fluxo libidinal, semelhante a paixão. Quando alguém está apaixonado, direciona ao ser “amado” sua libido, se um Terceiro surge e rompe a exclusividade do ser amado, então, aquele que rompeu será o alvo de uma espécie de fluxo libidinal destrutivo, o ódio. Este ódio que a Elite tem do PT, é, portanto, o ódio ao agente da perda da exclusividade.

Recorrendo ao filósofo esloveno Slavoj Žižek e a “Realidade do Virtual”, entendo que em nossa ”Era Cínica” assumir o ódio ao partido que retirou a tal “exclusividade” seria “feio” ou politicamente incorreto, afinal, demonstraria certo desejo de segregação, o ódio ao PT, que é o ódio ao rompimento do fluxo libidinal da exclusividade, seria, então, escondido atrás do ódio à corrupção.

Para que este ódio a corrupção se consolide como justificativa há o envolvimento de dezenas de meios de produção e enunciação da verdade: revistas , mídias televisivas, militância virtual, superexposição midiática dos escândalos de corrupção. Tais discursos constroem a justificativa para a existência do ódio, fundado, em verdade, na perda da exclusividade e desejo de segregação.

Entretanto, resta-nos a pergunta: Mas e a nova classe média? Tão beneficiada pelos 12 anos de Governo do PT, como se explica o ódio que ela ( sobretudo alguns jovens) demonstraram em relação ao PT? Ora, é neste ponto que vamos ao item 2 da tentativa de compreender este ódio;

2-) Há na história do Ocidente, e na história do Brasil, um fenômeno que pode ser chamado de ” colonização da subjetividade”, ou a ” síndrome do vira latas”, ou seja, pensar, supor que aquilo que é estrangeiro é melhor do que o que é nacional, e pensar que, aquilo que pertence à “elite” é melhor do que o que pertence ao pobre, ao trabalhador. É supor, por exemplo, que a opinião do Neymar, em termos políticos, seja mais importante que a opinião de qualquer outro jovem na casa dos 20 anos. De modo que o ódio, nascido na elite se reflete e é apropriado subjetivamente pela nova classe trabalhadora e por alguns pobres. Tal fenômeno ocorre na medida em que há a crença na superioridade do outro. Superioridade essa que é historicamente construída, seja na relação escravo-senhor, seja na relação patrão-empregado.

Nas falas que mencionei ( de ódio) as pessoas fazem questão de diferenciar-se: ”Eu sou rica”, ” Eu posso deixar o país”, precisam marcar o território das diferenças entre a classe a qual pertencem e os demais. Dizem ainda ”eu tentei ajudar vocês, mas vocês votaram na ‘porra’ da Dilma”, colocando-se, deste modo, em posição superior no discurso “eu tentei ajudar vocês”, é a sinhazinha, a Sinhá, que tenta ajudar o de baixo. É a lógica da filantropia, da filhinha do coronel que quer dar aula pros pobres. É a lógica de que eles querem nos ajudar a crescer pelo nosso esforço, quando não criam, nada além de amarras objetivas e subjetivas para a manutenção da sujeição dos pobres, negros, índios, LGBTs, e da Classe Trabalhadora.

Creio que este ódio ao PT mereça estudos. Pois, ele faz parte de uma onda fascista que tem surgido no Brasil, sobretudo em São Paulo. E, nós, da esquerda, precisaremos fazer frente a tais discursos. Dilma ganhou, mas tempos de embates maiores e mais comovidos estão por vir.

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