sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Guerra parece eminente, EUA enviam segundo porta-aviões para o Golfo Pérsico.


Um segundo porta-aviões dos EUA, o USS Carl Vinson, chegou ao Golfo Pérsico, informou nessa quarta-feira (11) à noite o Pentágono, classificando o movimento de “rotina” e negando qualquer ligação com o aumento das tensões com o Irã na região.
Apoiado por um cruzador e por um destroier com quase 80 aviões e helicópteros a bordo, o USS Carl Vinson “chegou à área de responsabilidade da 5ª Frota dos EUA” em 9 de janeiro, informou a 5ª Frota. Essa área abrange o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho, o Golfo de Omã e partes do Oceano Índico.
Contudo, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que o Carl Vinson não tinha atravessado o Estreito de Ormuz – uma rota de petróleo chave que o Irã ameaçou fechar, elevando as tensões com o Ocidente. O Carl Vinson foi chamado para aliviar o trabalho de outro porta-aviões, o USS John Stennis, que está na região, disse Kirby.
“Sua implantação nessa área é de rotina, há muito planejada – não há nada de estranho nisso”, afirmou Kirby. “O fato de que existem dois porta-aviões naquela área não é uma indicação de algo específico em relação ao Irã”, continuou o porta-voz. “Não há mudança de postura na força na região.”
Apesar dos desmentidos do Pentágono de um acúmulo de força militar no Golfo Pérsico, o USS Abraham Lincoln está no Oceano Índico e em rota para se juntar ao Carl Vinson, de acordo com a Marinha dos EUA.
A confrontação internacional em relação ao programa nuclear do Irã tornou-se mais tensa, com ameaças cada vez mais apoiadas com exibições de poderio militar de ambos os lados.

A Sucessão de Barack Obama

Apesar de oferecido como um modelo de democracia a todo mundo, as eleições presidenciais americanas são um processo tortuoso que mistura leis federais e estaduais. O Presidente é eleito por via indireta por um Colégio Eleitoral. Cada estado tem direito a um número de assentos no Colégio Eleitoral equivalente ao número de deputados e senadores que possuir no Congresso. Todavia, o processo de escolha desses delegados varia com a legislação de cada estado.
O processo tem início com os partidos majoritários - basicamente Republicanos e Democratas - realizando uma sucessão de convenções regionais para definir o seu candidato final. Como Barack Obama está cumprindo o seu primeiro mandato, ele é um candidato natural à reeleição, e a atenção de todos está voltada para as convenções Republicanas de onde sairá um desafiante da oposição. Esta noite eles realizam o seu primeiro "caucus," que é como chamam essas mini-convenções regionais, abrindo oficialmente a corrida Republicana em busca da nomeação para as eleições presidenciais de 2012.O caucus desta noite realiza-se em Iowa, um estado de baixa importância relativa. Historicamente, o vencedor em Iowa sempre perde no final, George W Bush foi a única exceção em 2000. Mas como o vencedor dessa corrida que inicia-se hoje disputará com Obama a presidência daqui a dez meses, está na hora de se começar a especular quem será o próximo presidente dos Estados Unidos. Segue abaixo um breve perfil dos postulantes Republicanos ao cargo.

Newt Gingrich, 68 anos, deputado da Georgia, é um político de carreira. Foi o líder de Ronald Reagan na Câmara nos anos oitenta, e tem em seu currículo o mérito de ter construído uma maioria Republicana na Casa, depois de décadas de domínio Democrata.
Gingrich foi também o principal agitador pelo impeachment de Bill Clinton por conta das infidelidades conjugais do presidente com uma estagiária da Casa Branca. Soube-se mais tarde que, na mesma época em que atacava o presidente com o seu discurso moralista, Gingrich abandonou a esposa cancerosa no leito de morte para casar-se com uma moça 20 anos mais jovem.
O grande trunfo de Gingrich na atual campanha é ter o apoio bilionário de Wall Street, além de ser o candidato preferido de Israel. O dono do cassino Venetian Resort em Las Vegas, o judeu Sheldon Adelson (16º homem mais rico do mundo) é declaradamente pró-Gingrich, e estima-se que tenha investido US$20 milhões em sua campanha. Nada de bom pode ser esperado com a eleição desse sujeito.
Mitt Romney, 64 anos, ex-governador de Massachusetts, já nasceu rico e é dono de uma considerável fortuna. Ostenta a imagem do empresário de sucesso, e sendo portanto o mais habilitado a criar os tão desejados novos empregos para a empobrecida classe-média. Promete cobrar menos impostos dos ricos para que estes possam criar os tais empregos.
Por essas e por outras, Romney é a dondoca dos neo-liberais que advogam o estado mínimo e a privataria desenfreada. Ele representa o conceito de que o estado só faz merda, e a solução de todos os problemas é entregar tudo à iniciativa privada.
Rick Perry, 61 anos, faz um pouco o estilo George Bush. Assim como o ex-presidente, Perry é o atual governador do Texas, com o seu negro recorde de estado que mais pratica a pena de morte nos Estados Unidos. Também como Bush, Perry cultiva a imagem populista do homem iletrado, porém "prático." É visivelmente despreparado, a julgar-se pela quantidade de bobagens que diz nos debates, e seu discurso é um amontoado de conceitos vagos sobre "pátria, família e religião."
Juntamente com Michelle Bachmann, Perry é o preferido do Tea Party e da extrema-direita cristã, que constituem uma considerável proporção do eleitorado em meio aos brancos de renda e escolaridade baixas.
Michelle Bachmann, 55 anos, é uma deputada de Minnesota. Cristã criacionista, Bachmann é menos ignorante do que Sarah Palin mas, como todo criacionista, fala uma considerável quantidade de asneiras. Ela é anti-aborto, anti-imigrantes mexicanos e, na atual legislatura, foi uma das principais vozes de oposição à proposta de Obama de reforma do sistema de saúde.
Bachmann representa uma interferência mais acentuada da religião nos negócios de estado. As suas chances de eleição são remotas (graças a Deus).
Rick Santorum, 53 anos, é um ex-senador da Pennsylvania. Filho de imigrantes italianos, ele representa uma visão mais educada e erudita dos mesmos conceitos retrógados dos seus adversários. Defende o ensino do intelligent design nas escolas, é um feroz adversário do casamento gay, anti-aborto, e prega uma atitude de confronto violento com o Irã.
Santorum aparenta ter mais cultura e classe do que Michelle Bachmann mas, no fundo, os dois defendem exatamente a mesma agenda.
Ron Paul, 76 anos, médico, é um deputado do Texas. Dono de uma inteligência e perspicácia acima da média, Paul tem sido a grande sensação dos debates Republicanos. Ao contrário dos seus adversários, o deputado está prometendo reduzir drasticamente a presença militar americana em todo o mundo, com o discurso de que "nada temos a ganhar bancando a polícia do planeta."
Além de defender um estado mínimo como todo bom conservador, Ron Paul foi contra o pacote que salvou os bancos da quebradeira, e acha que Obama não deveria tê-los salvo da falência. Surpreendentemente, o apoio a Ron Paul teve um enorme crescimento entre as famílias de militares e entre os estudantes, que vêm formando milhares de comitês voluntários para apoiar a sua candidatura. Nas últimas horas de hoje, ele surgia como o líder das pesquisas, apontando-o como um provável vencedor do "caucus" desta noite.

Via Portal LN

De Pedro Bial, de BBB e de Concentração de Renda

Não sei bem como foi engendrado o projeto do BBB, como o Bial entrou no negócio, bem como se tornou o âncora do programa ou seu Big Boss. São os conluios escondidos que o público não toma conhecimento. Pode ter tido a ideia - bem imaterial altamente negociável que faz fortunas instantâneas - de trazer ao Brasil programa que fazia sucesso entre os "Hommers" americanos e que certamente faria sucesso entre os congêneres brasileiros, com isso está concorrendo a alcançar, em alguns anos, algum posto de milionário em listas  de revistas que disso se ocupam. Ela é muito simples. Peguem um punhado de povo louco para aparecer e  mostrar tudo inclusive suas mazelas de comportamento, de caráter e de moral, um apresentador que fala bonito e usando grandes obras literárias que os "Hommers" sequer conhecem e o endeusam - o apresentador - como se fosse o supra sumo da cultura. Uma rede de televisão aberta que servirá de base para a propaganda - sem mostrar tudo - , algumas redes de telefonia para operacionalizar o contato com o público, uma rede de televisão fechada para mostrar tudo, grandes conglomerados industriais e comerciais para ajudar na receita e nos prêmios fechando o custo zero do programa. Temos assim que, sem custos, é montada uma estrutura rica sem se colocar um tostão furado ou no dizer do gaúcho, nenhum "pila". "Enche-se a linguiça" numa época em que não há grandes projetos de programação por ausência de esportes e que só carnaval, em três ou quatro dias, fará a farra da programação. O programa começou com um "paredão" - não gostam de Cuba, mas usam seus termos - com dois protagonistas por semana, passou para dois "paredões" por semana ainda com dois protagonistas e, no último, estava com dois ou mais "paredões" com três protagonistas. Além de "ressuciatarem" participantes de BBBs anteriores e outros destes que já saíram. Que isso quer dizer? Mais gente ligando. Os votos - cada um equivale a uma ligação - se multiplicaram, aumentando em muito a arrecadação! Se fizerem tudo certo, inclusive o recolhimento dos impostos, todos ganham: Bial, os empregados, as empresas patrocinadoras, as empresas de telefonia, as emissoras de tv aberta e fechada, os participantes que se vendem por um período em que não precisam se preocupar pelo seu sustento, alguns prêmios e se conseguirem chegar ao final viram milionários. Tem premiozinhos para quem participa, numa consolação risível: numa arrecadação de milhões, ganha-se um carro popular. Quem financia tudo isso ou "perde"? Perde o povão que em dias de votação, proporciona um lucro absurdo para todo mundo. Basta saber que em 100 milhões de votos há uma arrecadação, via teles, de R$ 34 milhões. Uma só paga toda a despesa. As outras são lucros exorbitantes. O governo também gosta pois se houver pagamento de 5 centavos, a arrecadação de apenas um "paredão" proporcionará aos cofres dos governos, a importância de R$ 5 milhões. Todos ganham e milhões perdem, numa concentração de renda instantânea sem nenhum benefício material ou de melhoria para a população! O Governo Federal  tentando acabar com a miséria gasta alguns bilhões - não consegui determinar quanto, pois que não achei referência para estes programas -  enquanto que em poucos meses é feita uma concentração enorme de renda nas mãos de poucos.
Alguém me disse que uma das vantagens de privatizar a telecomunicação, seria criar oportunidades de negócios. Perguntei quais. Serviços como informação do tempo, horóscopo, piadas - já existia na telefonia fixa e era terror das empresas -, notícias, e que com imaginação ele, eu, qualquer um poderia "inventar" qualquer negócio que envolvesse telefonia móvel. Diante da pobreza dos produtos ofertados, lhe referi que ninguém de sã consciência, pagaria para ter isso no seu telefone. Mordi a língua com todos os dentes, quando me dei conta da maracutaia do BBB. Vende-se nada a troco de menos ainda para milhões. Cria-se expectativas anunciando a "abertura da seleção" que, por não haver regras claras, torna-se um jogo de cartas marcadas em que o povinho não irá participar a não ser que seja do interesse da cúpula do programa. Tem dois artigos. 1º O programa sempre tem razão. 2º Se  não tiver reporte-se ao artigo 1º!
Da até para calcular o quanto o povo repassa via telefone para o programa no intervalo de 3 meses. Esse tempo dá 12  semanas vezes a média de 3 "paredões", resultando em 36 "paredões". Mais umas 3 ou quatro votações para ver quem é reconduzido e teremos 40 conjunto de ligações. Por baixo, sem contar com patrocínio e outras entradas, dará   R$    1,360   bilhão.
Um bilhão de reais, por um desserviço. Um bilhão de reais por mazelas pessoais de pessoas que apesar de muitas serem "estudadas", têm uma estatura moral muito baixa.
Há no Face um movimento para não colocar nada do BBB na rede. Vou mais longe propondo uma campanha mais efetiva. Acabe com o BBB, não ligue!

Via Portal LN

São Paulo deslocada

 Que São Paulo está politicamente deslocado do Brasil, todos já sabem. Porém, os sinais de doença social que vêm da maior cidade do país, aquela que deveria ser a nossa síntese, mas que se perdeu no caminho, são preocupantes. Do elitismo desenfreado, que rejeita estações de metrô em certos locais para evitar contato com "gente diferenciada", à ação truculenta do Estado na administração dos conflitos, sejam de que natureza for, São Paulo externa tudo o que temos de pior e que precisamos rejeitar a cada dia para nos tornarmos um país cidadão.
Chega a parecer fora da realidade que estejamos nos deparando com uma política pública de um estado brasileiro de tratar um dos maiores flagelos sociais, o vício do crack, infligindo "dor e sofrimento". Devastados pela droga, os usuários, entre os quais mulheres e crianças, são tratados a bombas e tangidos como gado, de lá para cá, sem que se lhes aponte uma alternativa ou forma de tratamento.
Se alguma coisa acontecia no coração do compositor quando cruzava a Ipiranga e a Avenida São João, agora ele se depararia com hordas de zumbis, tratados a ferro e fogo por ordem do estado. Uma cena de envergonhar qualquer pessoa com um mínimo de sentimento de humanidade. E, ao menos até o momento, foram poucas as vozes que se levantaram contra a atrocidade. O silêncio de São Paulo diante da chacina do Carandiru está se repetindo. A cidade se mostra mais uma vez fria e indiferente ao destino dos desvalidos. Algumas reclamações devem surgir porque no ataque à Cracolândia, os dependentes já chegaram a Higienópolis, o higienista bairro da elite paulista que não gosta de quem não é da elite.
São Paulo resvala para o fascismo como estado policial. Para todos os seus problemas, a solução é a polícia. Sejam estudantes da USP, viciados em crack, e até mesmo os policiais quando se manifestam por melhores salários. O remédio é a força, que nada resolve. Essa política gera abuso sobre abusos. Como o do policial militar que em meio a uma conversa com estudantes da USP parte para cima de um deles e o agride com tapa no rosto e chega a puxar a arma diante do início de tumulto. E isso numa sala tranquila, com meia dúzia de pessoas. Imagine o comportamento desse policial em meio a um conflito de grandes proporções?
A maior metrópole do país vive em estado de neurose permanente. Condomínios nos bairros nobres determinam revistas aos próprios moradores. Já não basta viver trancafiado entre grades, distante da vida real, numa forma de convivência que é gênese de anomalias sociais. É preciso assegurar que se está seguro. E isso significa revistar os próprios vizinhos. O marido que provocou um acidente na noite do reveillon, matando sua mulher e o bebê que ela esperava, alega que avançou o sinal fechado por medo de um assalto. Verdade ou não, seu depoimento soa verossímil aos que vivem o clima de pavor que domina a cidade.
O estágio de insanidade e truculência de São Paulo nos pede uma reflexão. A cidade é parte de nós e, talvez, nosso maior espelho. Se o que há de desumano em nós se revela ali é para lá que temos que nos voltar agora. Para debater, ouvir, cobrar e propor mudanças que ajudem a transformar uma realidade que entristece a todos os brasileiros.

Por: Mair Pena Neto
Via diretodaredacao.com 

QUANDO BANQUEIROS SE TORNAM GANGSTERES

Por Mauro Santayana 
Primeiro ministro da França entre l988 e 1991, Michel Rocard é homem respeitável em seu país. Ele, e um economista mais moço, Pierre Larrouturou, publicaram, segunda-feira, em Le Monde, artigo baseado em fontes americanas sobre os empréstimos concedidos pelo Tesouro dos Estados Unidos aos bancos, em 2008. De acordo com as denúncias – feitas pela agência de informações econômicas Bloomberg – os juros cobrados pelo FED aos bancos e seguradoras foram de apenas 0,01% ao ano, enquanto os bancos estão emprestando aos Estados europeus em dificuldades a juros de 6% a 9% ao ano – de seiscentas a 900 vezes mais. De acordo com as denúncias da Bloomberg, retomadas por Rocard e Larrouturou, o montante do socorro por Bush e Henry Paulson, seu secretário do Tesouro, aos banqueiros, chegou a um trilhão e duzentos bilhões de dólares, em operações secretas.
O artigo cita a cáustica conclusão de Roosevelt, durante sua luta para salvar os Estados Unidos depois da irresponsabilidade criminosa dos especuladores que haviam provocado a Grande Depressão: um governo dirigido pelo dinheiro organizado é igual a um governo dirigido pelo crime organizado.
Dentro do raciocínio de Roosevelt, podemos comparar a carreira de Henry Paulson à de qualquer grande boss de Chicago ou de Nova Iorque no crime organizado. Desde 1974 – quando tinha 28 anos – Paulson tem servido ao Goldman Sachs, a cuja presidência chegou em 1999. Nos sete anos seguintes, ele consolidou a posição do banco em sua atuação internacional – e foi convocado por Bush para ocupar a Secretaria do Tesouro dos Estados Unidos em 2006. Poucos dias antes, ele deixou a presidência do banco, e preferiu converter a indenização a que teria direito (o famoso bônus), em participação acionária. Isso o manteve ligado, por interesse próprio, aos destinos do banco.
Uma das primeiras firmas a serem beneficiadas pela ajuda do Tesouro, por decisão de Paulson, durante a crise de 2008, foi a AIG - a maior seguradora norte-americana - com cerca de 80 bilhões de dólares. Ocorre que o principal credor da AIG, era o Goldman Sachs, que desse dinheiro, recebeu quase 30 bilhões, logo em seguida.
O Goldman foi multado, em julho de 2010, pela SEC (Securities and Exchanche Commission) por fraude, em 550 milhões de dólares, por ter atuado de má fé na questão das operações com papéis da dívida imobiliária. E são ex-diretores do Goldman Sachs (provavelmente ainda grandes acionistas do banco, como é o caso de Henry Paulson) que se encontram agora no controle do Banco Central Europeu (Mario Draghi), na chefia dos governos da Itália (Mario Monti) e da Grécia (Lucas Papademos). O que farão esses interventores do Goldman Sachs, no controle das finanças européias, a não ser defender os interesses dos bancos - e seus lucros fraudulentos? Se Roosevelt fosse vivo, naturalmente estaria pensando em sua advertência dos anos 30.
É brutal a semelhança entre a situação atual e a de 1929. Ao analisar os fatos daquele tempo, John Galbraight disse que “o outono de 1929 foi, talvez, a primeira ocasião em que os homens tiveram, em grande escala, a capacidade de enganar a si mesmos”. A escala do auto-engano parece ser ainda maior em nossos dias. Rocard lembra a observação de Paul Krugman, de que a Europa entrou em uma “espiral da morte” – mas não é apenas a Europa que corre esse risco.
Assim podemos explicar a advertência de Edgar Morin – também citada por Rocard – de que a civilização ocidental está entre a metamorfose e a morte. “O capitalismo sem regras é o suicídio da civilização”, como afirmam Morin e Stephane Hessel, em seu livro recente “Le Chemin de l’espérance”.
O ex-premier Rocard registra, em seu artigo de Le Monde, que as dívidas dos países europeus para com os grandes bancos são antigas, e sua solução não é difícil. Se o Tesouro americano foi capaz de emprestar a 0,01 aos bancos fraudadores e irresponsáveis, o Banco Central Europeu poderia emprestar, com as mesmas taxas, a instituições nacionais européias - seu estatuto veda o empréstimo direto aos estados-membros - como os bancos estatais de fomento e caixas econômicas. Essas instituições repassariam as somas aos estados, cobrando-lhes juros em dobro – a 0,02% ao ano. Se prevalecesse a razão e a ética, estaria resolvido o problema europeu da dívida pública.
Registre-se, no entanto, que o lema do Goldman Sachs, creditado a um de seus antigos controladores, Gus Levy, nos anos 50, é auto-elucidativo: “long-term greedy”, ganância a longo prazo. O fato singelo é o de que, em tempos de crise – como disse Keynes em 1937, e Krugman relembrou também em texto recente – não cabe a austeridade, com corte de gastos sociais e de infraestrutura, mas, sim, é preciso investir e criar empregos. Os governantes de hoje, em sua maioria, não servem a seus povos, e em razão disso, desprezam pensadores como Keynes. Estão a serviço de grandes corporações, dirigidas por fraudadores, como os banqueiros do Goldman Sachs.
Talvez tenhamos que ir mais adiante ainda – e seguir o conselho de Morin: para não perecer, a civilização ocidental terá que sofrer a metamorfose necessária, encasular-se na razão e, nela, criar asas para o vôo.

Via: Maurosantayana.com

Insanidade: soldados americanos profanam corpos de três afegãos

Por GRAHAM BOWLEY e MATTHEW ROSENBERG


Cabul, Afeganistão — Um vídeo que mostra quatro fuzileiros navais dos Estados Unidos urinando nos corpos de três guerreiros mortos do talibã provocou fúria e condenações na quinta-feira no Afeganistão e em todo o mundo. Autoridades norte-americanas disseram temer que as imagens incitem sentimento antiamericano num momento delicado dos esforços de guerra.

O governo Obama está lutando para manter o presidente Hamid Karzai ao seu lado ao mesmo tempo em que cuidadosamente tenta abrir conversações com o talibã. Mas o vídeo demonstrando tal ato de desrespeito — um possível crime de guerra — provavelmente vai enfraquecer a posição norte-americana com ambos. O talibã e o presidente Karzai rapidamente usaram as imagens como prova da brutalidade norte-americana, uma mensagem com amplo apelo no Afeganistão, onde notícias sobre o vídeo estavam se espalhando vagarosamente na quinta-feira.

Autoridades militares sênior em Cabul e no Pentágono, que estavam avaliando o vídeo, confirmaram que ele é autêntico e identificaram pelo menos dois dos fuzileiros navais, que completaram seu serviço no Afeganistão durante o outono [no Hemisfério norte] antes de voltar para Camp Lejeune, na Carolina do Norte. As autoridades não divulgaram os nomes dos dois.

Mesmo antes que a autenticidade do vídeo fosse confirmada, expressões de ultraje e contrição do secretário de Defesa Leon E. Pannetta e da secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e de outros autoridades não deixaram dúvidas de que todos consideravam o vídeo real.

Consciente do potencial do vídeo para enfraquecer a já frágil imagem dos Estados Unidos no Afeganistão, o sr. Panetta telefonou para o presidente Karzai para assegurar que uma investigação completa está em andamento para encontrar os responsáveis e puní-los. O sr. Panetta disse ao líder afegão que “a conduta retratada nas imagens é absolutamente deplorável e não reflete os valores que as tropas norte-americanas devem seguir sob juramento”, de acordo com George Little, um porta-voz do Pentágono.

O vídeo mostra quatro fuzileiros navais em seus distintos uniformes de camuflagem marrom urinando sobre três cadáveres — um coberto de sangue — que estão no chão diante deles. Os homens brincam uns com os outros, uma referência obscena é feita e um diz “tenha um bom dia, colega”.

O talibã disse inicialmente que as imagens não afetariam as negociações, se referindo ao vídeo como apenas mais prova do que o grupo enxerga como brutalidade e desrespeito contra afegãos por parte de norte-americanos. “Esta não é a primeira vez que vemos tal brutalidade”, um porta-voz do talibã, Zabihullah Mujahid, disse à Reuters.

Mas mais tarde, na quinta-feira, numa nota oficial enviada à mídia, o talibã não fez referência às conversações e enfatizou a brutalidade. “Nós condenamos fortemente o ato desumano de soldados norte-americanos selvagens e consideramos este ato em contradição com todas as normas humanas e éticas”, disse a nota.

O presidente Karzai adotou o mesmo tom — ele, também, descreveu o vídeo como “desumano” — afirmando em uma nota que ficou profundamente chocado pelas imagens. Pediu que os norte-americanos punissem severamente os que tiverem cometido crimes. “Este ato de soldados norte-americanos é simplesmente desumano e condenável nos termos mais fortes”, disse.

Autoridades norte-americanas reagiram com remorso durante toda a quinta-feira, numa tentativa de evitar as repercussões do vídeo. A coalizão liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão e a Embaixada dos Estados Unidos em Cabul ofereceram condenações separadamente. As ações que aparecem no vídeo “parece que foram conduzidas por um pequeno grupo de indivíduos norte-americanos que já não estão no Afeganistão”, disse a coalizão em nota. O “comportamento desonra o sacrifício e os valores de todos os soldados que representam os cinquenta países da coalizão”.

A secretária Clinton, que um dia antes descreveu as tentativas do governo Obama de iniciar negociações com o talibã, expressou o que chamou de “decepção total”.

“É absolutamente inconsistente com os valores norte-americanos e com tudo o que se espera de nosso pessoal militar”, a sra. Clinton disse durante uma aparição com o ministro das Relações Exteriores da Argélia em Washington. Ela acrescentou que “qualquer pessoa, qualquer pessoa” que se envolveu ou que sabia sobre o incidente “deve responder por isso”.

O sr. Panetta disse em Washington que pediu aos Fuzileiros Navais e ao general John R. Allen, o oficial que lidera as forças de coalizão no Afeganistão, que investiguem imediatamente. “Vi as imagens e acho que descrevem um comportamento completamente deplorável”, o sr. Panetta disse em uma nota na quinta-feira. “Eu condeno nos termos mais fortes que seja possível condenar”.

O vídeo, postado em sites da internet como LiveLeak e YouTube, começou a ricochetear em sites internacionais na quarta-feira. Embora os militares não tenham dado detalhes adicionais sobre onde o vídeo foi feito ou quem foi o responsável por ele — ou quais as acusações que poderão ser feitas contra os responsáveis –, a maioria dos fuzileiros navais servindo no Afeganistão estão na província de Helmand, no sudoeste.

Se as condenações norte-americanas vão ou não reduzir o ódio dos afegãos, isso permanece incerto. As notícias se espalham lentamente no Afeganistão, onde aparelhos de TV e conexões de internet são raras. Mas para aqueles que viram o vídeo, as imagens parecem ter aprofundado o desgosto com os Estados Unidos, vistos amplamente como invasores depois de uma década de guerra.

“O talibã algumas vezes comete atos duros, mas era suficiente matá-los e não degradar ou humilhar os cadáveres”, disse Jawad, um estudante universitário em Cabul que só deu o primeiro nome.

Haji Ahmad Fareed, um ex-integrante do Parlamento, disse que as imagens confirmaram para eles que os Estados Unidos são adversários do islã e disse que a luta do talibã é “legítima”.

Os norte-americanos “nunca serão nossos amigos e nunca trarão a paz”, ele disse. “Eles urinaram no nosso sagrado Corão e agora eles urinam nos corpos de nossos muçulmanos”.

O sr. Fareed estava se referindo a uma notícia errônea da revista Newsweek de 2005, segundo a qual soldados norte-americanos baseados na prisão de Guantanamo Bay, em Cuba, tinham jogado o Corão num toalete. A notícia causou protestos e revoltas em várias partes do mundo muçulmano. Os piores foram no Afeganistão, onde pelo menos 17 pessoas foram mortas durante tumultos e as Nações Unidas e grupos de ajuda internacional sofreram ataques.

No ano passado, protestos irromperam depois que um Corão foi queimado numa igreja da Flórida, levando a várias mortes, inclusive de sete funcionários das Nações Unidas, quando uma multidão invadiu um escritório da ONU em Mazar-i-Sharif.

Autoridades norte-americanas no Afeganistão também lutam para conter a reação ao episódio em que um grupo de soldados norte-americanos, em 2010, matou por esporte três civis afegãos, num episódio que mexeu com a hierarquia militar e irritou o governo afegão. O acusado de liderar o bando, que patrulhava rodovias e pequenas vilas na região de Kandahar, foi condenado por três assassinatos por uma corte militar norte-americana em novembro.

As imagens, que se espalhavam na quinta-feira, também relembraram as chocantes imagens de abuso por parte de soldados norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, em 2004.

As ações dos fuzileiros navais que aparecem no vídeo podem ser uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe vilipendiar os corpos dos mortos em guerra.

Embora as imagens tenham dominado as notícias no Afeganistão na quinta-feira, a aparente campanha de assassinatos do talibã continuou, quando um suicida usou um carro-bomba para matar o governador de um distrito chave da província sulista de Kandahar.

Said Fazluddin Agha, o governador do distrito, estava indo para casa depois do trabalho em seu carro blindado, quando foi atingido por um Suzuki lotado de explosivos, disse Zalmai Ayoubi, um porta-voz do governador de Kandahar. Os dois filhos dele também foram mortos e nove policias e um civil ficaram feridos. O sr. Agha tinha sobrevivido a uma tentativa anterior de assassinato, dois anos antes, quando os explosivos eram carregados por uma mula.

Reporting was contributed by Elisabeth Bumiller and John H. Cushman Jr. in Washington, Sangar Rahimi, Sharifullah Sahak and Jawad Sukhanyar in Kabul, an employee of The New York Times in Kandahar, and J. David Goodman in New York.

Via 2 de janeiro de 2012, no New York Times

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