Ernani Junior - Para
quem quer uma discussão de nível, vale ler o texto anexado no link abaixo. Longo, mas muito
elucidativo.
Falar sobre as diferenças sociais, as distâncias entre as rendas, é algo difícil, mas que tem solução a longo prazo, e não se resolve por Lei e Impostos elevados, mas com o bom uso dos que á são recolhidos. O caminho? Educação e saúde, desde a infância. Sempre falo que sou da época em que a educação do estado era a melhor, salvo alguns grandes colégios, e hoje é o oposto. Deixou-se de investir em formação e passou-se a investir em informação e desintegração dos grupos. Uma criança precisa de muito logo cedo, para ser competitiva e crescer, desenvolver seu potencial. Não se resolve a diferença de rendas só com bolsas. Enfim, um longo e interessante texto. Vale ler e depois comentar. Mas, por favor, comente apenas depois de ler. Confira neste link: http://goo.gl/vEFNMA
Segue abaixo o debate sobre o tema realizado no grupo Consciência Política Razão Social no Facebook.
Ed Lascar - Boa dica, Ernani. Vou
tentar ler mais tarde...estou super atrasado em leituras mis...
Nelson Nascimento Filho - Achei interessante
algumas afirmações no texto. Parecem demonstrar um total desconhecimento do
autor (gostem ou não) que fez uma análise seminal no capitalismo, Karl Marx. E,
segundo entendi, a questão de fundo é muito antiga: querem apresentar uma alternativa
à mudança radical do modelo de sociedade capitalista. Apostam na reforma da
sociedade sem tocar no ponto central já demonstrado por Marx: o crescimento do
capital é inexorável e esse crescimento produz, cada vez mais, concentração de
capital de um lado e pobreza de outro. É claro que, reconhecidamente por Marx,
o capitalismo foi e ainda é a maior força produtivo já criada pelo homem. Quem
já leu o Manifesto Comunista há de se lembrar do elogio que Marx faz à classe
burguesa e seu poder revolucionário que, através das forças sociais que
consegue liberar, alavanca o desenvolvimento humano até a patamares
inimagináveis. Mas tudo isso tem um custo. E a grande questão ainda está por
ser resolvida: que sociedade poderemos construir que alie o poder de construção
do capitalismo e não leve junto a concentração de renda e a desigualdade? Pelo
que li, o texto adota a linha que é possível construir essa sociedade dentro do
capitalismo. Sinceramente, tenho minhas dúvidas!
Alaor Plaster Pimenta - Amigo Ernani, li só o
seu cabeçalho... já diz tudo.
Ernani Junior - Na
verdade Alaor Plaster Pimenta,
diz um pouco, mas no fundo é meio contraditório no corpo. Mas o autor defende
que o capitalismo precisa ser revisto, como em alguns países, mas que só ele
pode reduzir a disparidade,poiso comunismo e o socialismo não cumpriram esta
missão e estão em declínio/acabados nos países evoluídos. O capitalismo é a
forma mais eficaz de se produzir mobilidade social e de facilitar o fim da
desigualdade, mas precisa de oferecer condições básicas, como ensino de
qualidade e saúde idem. (O básico) e dá exemplos já conhecidos, como Dinamarca
e Suécia. Ele menciona que com a elevação do ensino de qualidade e da formação,
os jovens podem ter cargos melhores e mais remunerados. Diz que o sistema de
bolsas, criado pelo PSDB e aproveitado pelo PT, tem um fundo apenas emergencial
e deveria ser melhor usado. O autor do texto tem uma boa visão de mundo e de
economia, assim como das teorias, e vê a necessidade de se manter a
meritocracia, mas não sem a formação e não sem a saúde (ligada inclusive, ao
saneamento básico.)
Ernani Junior - Nelson Nascimento Filho,
o autor mostra muito conhecimento de todas as linhas, e mostra que o exemplo
seria a Dinamarca. A vantagem vem de diminuir as desigualdades pelo estudo (não
o estudo politizado, mas real e aberto a tudo e todos) e a uma saúde publica
bem estruturada, que permite o crescimento e apoio ao jovem desde o nascimento.
Aí teremos condições de oferecer o fim das desigualdades. Mas sem a
produtividade e meritocracia do capitalismo, não haveria renda ou capacidade de
investimentos, e perderíamos muito do poder de formar e apoiar pessoas. Ele
menciona que o comunismo ou socialismo, faliu no mundo civilizado, por tentar
induzir esta desigualdade a zero, mas continua criando e mantendo-as. E assim
é? Não vejo os presidentes dos países comunistas morando como o povo, usando os
mesmos transportes, assim como os membros de direção. As desigualdades sempre
existiram e existiram. Como fazer isso é a forma que ele diz: Usar bem os
impostos com o povo, sem desvios. Isso não acontece com frequência.
Nelson Nascimento Filho - Pois é, Ernani! Mas eu
sempre fico com um pé atrás quando alguém compara nosso país com os demais!
Qual é a história da Dinamarca? Qual é o tamanho de seu território? Qual é o
tamanho de sua população? Quais são os acontecimentos históricos que
contribuíram para que a Dinamarca esteja onde está? Essas são questões que
considero importantes! Comparações desse tipo, parecem-me muito rasas (sempre
considerando que o texto não tem o compromisso de ser mais profundo). Além
disso, há que se notar também onde ele está sendo veiculado. A revista exame é
do grupo Abril, que é também "dono" da Veja! Então, como não há texto
sem intenções políticas, para mim fica evidente que o autor segue a linha do reformismo.
E eu, como já disse, tenho muitas dúvidas se é possível reformar a sociedade
mantendo a lógica capitalista. Mas isso tudo é a minha modesta opinião!!
Nelson Nascimento Filho - E
só mais uma coisa! Nâo sei se é possível esse estudo "não politizado"
ao qual você se refere! Tudo é política. Infelizmente, por nossa história e
nosso analfabetismo político, entendemos (a maioria) por política essa coisa
rasteira, abjeta que vemos nos jornais. É preciso que se resgate o termo
político. Como já dizia Aristóteles, o homem é um animal político. Todos os
seus feitos são políticos. Enquanto não se resgatar a palavra política no seu
mais profundo significado, vamos ficar patinando na mesmice do senso comum que
entende política como política partidária. Aí ficamos só na superfície mesmo!
Nelson Nascimento Filho - Ah,
esqueci de dizer! A reportagem cita o Armínio Fraga, provável ministro de
economia do Aécio! Ou seja, taí um folheto de campanha para o Aécio. Para quem
gosta, um bom desfrute! Eu passo!!!
Ernani Junior - Entendi
Nelson. Mas, o que ele fala, historicamente, sobre o socialismo é verdade. Na
Polônia e em outro pais mais do antigo bloco,foram proibidos os símbolos
comunistas, comparados por eles aos nazistas. O socialismo, efetivamente não
conseguiu acabar com as diferenças sociais, mas acabou com a força econômica
dos países. A própria China mostra isso, fazendo a passagem de um para o outro,
e é um pais tão grande quanto o nosso. Sobre o ensino politizado, polis, vem de
grupo, cidade, e sim o homem é um ser politizado, pois vive em grupos e com
regras. Mas qual a melhor forma de politizar um homem? De acordo com o Mesmo
Aristóteles, seria ensinando-o a pensar por si e tendo como base o conhecimento
geral, incluindo do antagônico, e não apenas de uma forma de pensar. A
politização, vem do debate claro e baseado em fatos reais, e não em
"histórias" contadas para se valorizar algo ou alguém, e desvalorizar
o outro, pois ambos foram fatores que formaram o mundo atual. O ensino político
como visto, é ideológico, e este compromete o aprendizado, pois é limitador.
Assim como o homem é político ele é democrático no pensar, e deve ser assim. O
real valor das coisas vem quando são adquiridas por quem luta, e o ensino deve
mostrar isso, pelas notas e pela formação e informação, que (refriso) permite o
livre arbítrio e escolha. Só para você entender o que penso, minha empregada
tem uma filha, que estava num colégio estadual (fraco). Ajudei-a a conseguir
uma escola particular pra colocar a filha dela, com bolsa de estudo, mas é uma
escola religiosa, que não aceita o evolucionismo. Embora seja da religião dela,
ela fez questão de ensinar à filha o evolucionismo, e foi contra a queima de
livros proibidos pela religião. Ela entende que a filha dela deverá escolher o
caminho, mas com base no conhecimento pleno e não no ideológico apenas, pois
este é limitador e emburrecedor. Sobre a revista ser a Exame, nada impede que o
texto seja bom.
Ernani Junior - Menciona também
gente do PT. Mas entendo, de novo o seu viés. Como eu disse, o texto nos
convida a pensar e questionar. A sair do ideológico apenas.
Ernani Junior -Tem
um link aqui, que leva a um texto interessante (também publicado abaixo) sobre
a ideologização. Vale ler. http://ghiraldelli.pro.br/como-denunciar-ideologia/
Nelson Nascimento Filho Obrigado pelo texto, Ernani Junior!! Vou
ler!
Alaor Plaster Pimenta - Meus sinceros
parabéns pela troca de diálogo, Nelson Nascimento Filho e Ernani Junior,
gostei muito da prosa de vcs, alto nível... só gostaria de chamar a atenção
quando o Nelson diz "reformar a sociedade mantendo a lógica
capitalista."... aí eu digo e na manutenção da lógica socialista??? A
questão não é reformar a sociedade... primeiramente tem que perguntar se a
sociedade quer ser reformada, isso sempre foi um grande erro dos esquerdista
que querem impor revoluções goela abaixo... nunca funcional em lugar nenhum...
creio que precisamos persistentemente aperfeiçoar os instrumentos e mecanismos
existentes na lógica sim: de uma economia de mercado, responsabilidade fiscal,
democracia política e um combate implacável à corrupção... esse é o caminho...
no resto é trabalhar, estudar e se divertir também um pouquinho, que ninguém é
de ferro... um grande abraço aos dois!