domingo, 7 de outubro de 2012

TSE faz estudo sobre o impacto da propaganda política no meio ambiente


Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elaborou estudo para calcular o impacto das propagandas políticas no meio ambiente, com o objetivo de servir de base para a elaboração de futuras regras. Segundo pesquisa parcial do tribunal, R$ 1 bilhão já foi gasto com papel, publicidades em jornal ou revistas, combustível, carros de som, placas e faixas – o que equivaleria a mais de 10 milhões de folhas de papel, com as quais poderiam ser feitos cerca de 20 milhões de livros escolares. A expectativa é que esse valor dobre até o final do pleito.

Votação por identificação biométrica apresenta falhas em Jundiaí

São Paulo – O novo sistema de reconhecimento do eleitor por meio da impressão digital, chamada de identificação biométrica, apresentou falhas, no início da manhã de hoje (7), na cidade de Jundiaí, a 70 quilômetros da capital paulista. Os eleitores que votaram pela manhã enfrentaram filas de até 40 minutos para entrar na sala de votação.
Além de Jundiaí, que possui 257.151 eleitores, mais três cidades paulistas utilizam o sistema biométrico nestas eleições: Sales Oliveira (7.311 eleitores), Itupeva (31.426 eleitores) e Nuporanga (5.329 eleitores). Para a implantação desse modo de identificação, a Justiça Eleitoral escolheu municípios que já precisariam passar por uma revisão do eleitorado. Nessas cidades, o eleitor teve de comparecer ao cartório para comprovar o domicílio eleitoral. Em Jundiaí, os eleitores tiveram oito meses para fazer o cadastramento, que acabou em março deste ano.
Na Escola Estadual Rafael de Oliveira, a maioria das 11 salas de votação registrava filas de até 50 pessoas. De acordo com mesários, o leitor biométrico acoplado à urna eletrônica tem apresentado problemas para executar a leitura das digitais na primeira tentativa, o que tem gerado atraso na votação. Nessas urnas, é possível fazer até doze tentativas. O voto só é computado depois de confirmada a impressão digital.
A expectativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que, em 2018, o novo sistema já tenha sido implementado em todo o país. A identificação biométrica tem como principal vantagem a segurança, já que exclui a possibilidade de uma pessoa votar no lugar de outra, além de propiciar maior agilidade ao processo de votação. Com ele, o mesário não precisará conferir os documentos do eleitor.
Em todo o país, cerca de 7,7 milhões de eleitores, em 299 municípios de 24 estados, utilizarão a urna biométrica. Isso representa 5,5% do total de eleitores.

Lei da Ficha Limpa é responsável por quase 3 mil recursos para deferimento de candidatura


Brasília - A Lei da Ficha Limpa foi responsável por 2.969 recursos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até a manhã de hoje (7). Desses, 764 já foram julgados pela corte, o que significa que a maior parte deles só será decidido depois que a eleição tiver ocorrido.
Os ministros do TSE receberam, desde setembro, um total de 6.739 recursos relacionados à impugnação de candidatura para as eleições municipais, incluindo os relacionados à Lei da Ficha Limpa e a outros motivos de negativa de registro. Deles, 3.235 já foram julgados. A expectativa do tribunal é que ainda cheguem 1.206 recursos nas próximas semanas e que 30% a 40% deles sejam relacionados à nova lei.
Apesar de a maior parte dos recursos não ter sido julgada até as eleições municipais, o TSE acredita que eles estarão resolvidos até 19 de dezembro, quando ocorre a diplomação dos vencedores. A preocupação maior entre os ministros é evitar que um candidato seja diplomado, tome posse e, posteriormente, outro seja considerado o vencedor da eleição.
Os candidatos que estão com o registro negado pelos tribunais regionais eleitorais (TREs) mas entraram com recurso no TSE e ainda não tiveram a solicitação julgada, têm seus nomes nas urnas nas eleições de hoje. Os votos que eles receberem serão considerados nulos inicialmente, até que o recurso seja deferido ou julgado improcedente. Por isso, o resultado anunciado na noite de hoje pode não ser confirmado na data da diplomação, porque candidatos podem ter o recurso aceito pela corte e isso alterar o resultado das eleições.
No caso de prefeito, o candidato com mais votos será considerado o vencedor, em primeiro ou segundo turno. No caso de vereadores, a situação é mais complexa. Isso porque um candidato que receba muitos votos pode ajudar a eleger outros candidatos da sua coligação ou partido. Se ele for posteriormente ultrapassado em quantidade de votos por outro candidato que estava impugnado e teve o registro deferido pelo TSE, isso pode alterar a composição da Câmara de Vereadores. Por isso, o tribunal pretende julgar tudo antes da diplomação e evitar que tomem posse candidatos que não foram de fato eleitos.

Custo das eleições municipais na Bahia é R$ 25,4 milhões


Salvador (BA) - As eleições municipais na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, com 10,1 milhões de eleitores, custarão aos cofres públicos R$ 25,4 milhões, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O valor corresponde a R$ 2,51 por eleitor.
De acordo com o TRE, o estado tem 205 zonas eleitorais, sendo 20 em Salvador, capital do estado, e 185 no interior, além de 33.314 seções eleitorais. Ao todo, 133.256 mesários irão trabalhar hoje nos 10.047 locais de votação. Para a eleição em que serão escolhidos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores foram disponibilizadas 37.557 urnas.
Maior colégio eleitoral do estado, Salvador tem 1.881.544 pessoas aptas a votar hoje (7). O número corresponde a 18,61% do total. Na capital, 54,20% são mulheres (1.019.796), enquanto os homem representam 45,72% dos votantes (860.313).
Nas 20 zonas eleitorais localizadas na capital baiana, há 4.582 seções eleitorais e 647 locais de votação. O Colégio Estadual Luiz Viana é o maior colégio eleitoral, onde 17,7 mil pessoas votam, seguido pela Universidade Católica de Salvador, com 15,5 mil votantes.
Segundo o TRE-BA, 2.291 presos provisórios poderão votar - 1.809 em Salvador
 e 482 no interior. Foram instaladas 17 seções eleitorais em unidades prisionais para viabilizar a votação desses presos, sendo dez em Salvador e sete em outras cidades.

Apuração em Belo Horizonte deverá ser concluída até as 22h30


Belo Horizonte (MG) – A apuração das eleições municipais em Belo Horizonte deverá ser concluída entre as 22h e 22h30 de hoje (7), informou o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). A expectativa é que as eleições ocorram de forma tranquila, como de hábito no estado. Até o início do dia, nenhuma infração foi registrada. Em um cenário de calmaria, os sete candidatos à prefeitura encerraram a campanha participando de panfletagens, carreatas, caminhadas e reuniões com as equipes.
Candidato pelo PT, Patrus Ananias fez ontem caminhada na Avenida Afonso Pena, entre a Praça Tiradentes e a Praça Sete, além de atividades com a equipe de campanha. Ele votará às 10h na Pontifícia Universidade Católica (PUC), localizada no bairro Coração Eucarístico. O candidato Márcio Lacerda (PSB) participou de duas carreatas nas regiões de Venda Nova e Barreiro. Ele votará às 11h no Colégio Estadual Central, localizado no bairro de Lourdes.
Em 4.379 seções eleitorais, 1.860.172 eleitores deverão escolher o novo prefeito de Belo Horizonte. Concorrem ao cargo sete candidatos: Márcio Lacerda (PSB), Patrus Ananias (PT), Alfredo Flister (PHS), Maria da Consolação (PSOL), Vanessa Portugal (PSTU), Pedro Paulo Pepê (PCO) e Tadeu Martins (PPL).
No último dia de campanha, a candidata pelo PSOL, Maria da Consolação, fez panfletagens no bairro de São Gabriel e na Praça da Estação. Ela votará às 10h no Colégio Santo Afonso, no bairro de Cachoeirinha. Vanessa Portugal, candidata pelo PSTU, aproveitou as últimas horas de campanha para fazer panfletagens e contatos com eleitores nos bairros de Betânia e Santa Tereza. A candidata votará às 9h horas na Escola Municipal Padre José Botelho, em Barreiro.
Tadeu Martins (PPL) também foi a Santa Tereza para fazer uma caminhada e conversar com eleitores. Fez carreata em Boa Vista, Casa Branca e localidades próximas. Votará às 10h no Colégio Tiradentes, em Santa Tereza. Pedro Paulo Pepê (PCO) se dedicou a reuniões com ativistas do partido e apoiadores da campanha. Votará às 8h30 no Grupo Escolar João Alfonso, no bairro Paraíso. O candidato Alfredo Flister (PHS) trabalhou em seu consultório odontológico e, depois, teve encontro com a juventude do partido. Votará às 9h no Colégio Estadual Rodrigues Campos, em Barreiro.

sábado, 6 de outubro de 2012

Agnosticismo

agnosticismo

A identificação do agnosticismo com o ceticismo filosófico, de um lado, e com o ateísmo religioso, de outro, deu ao adjetivo “agnóstico”, de uso muito amplo, uma pluralidade de significados que induz à confusão.

O termo “agnosticismo” apareceu pela primeira vez em 1869 num texto do inglês Thomas H. Huxley, Collected Essays (Ensaios reunidos). O autor criou-o como antítese ao “gnóstico” da história da igreja, que sempre se mostrava, ou pretendia mostrar-se, sabedor de coisas que ele, Huxley, ignorava. E foi como naturalista que Huxley usou do vocábulo. Com ele, aludia à atitude filosófica que nega a possibilidade de dar solução a todas as questões que não podem ser tratadas de uma perspectiva científica, especialmente as de índole metafísica e religiosa. Com isso, pretendia refutar os ataques da igreja contra o evolucionismo de Charles Darwin, que também se havia declarado agnóstico.

Bases históricas. A definição de Huxley viria possibilitar diferentes concepções do agnosticismo. O propriamente filosófico seria o que limita o conhecimento ao âmbito puramente racional e científico, negando esse caráter à especulação metafísica. Tais concepções, que podem ser rastreadas já nos sofistas gregos, tiveram formulação precisa, no século XVIII, nas teses empiristas do inglês David Hume, que negava a possibilidade de se estabelecer leis universais válidas a partir dos conteúdos da experiência, e no idealismo transcendental do alemão Immanuel Kant, que afirmou que o intelecto humano não podia chegar a conhecer o número ou coisa-em-si, isto é, a essência real da coisa. O positivismo lógico do século XX levou ainda mais longe essas afirmações, negando não só que seja possível demonstrar as proposições metafísicas mas também que elas tenham significado.

No âmbito religioso, o agnosticismo tem sentido mais restrito. O agnóstico não nega nem afirma a existência de Deus, mas considera que não se pode chegar a uma demonstração racional dela; essa seria, em essência, a tese de Hume e de Kant, muito embora este considerasse possível demonstrar a existência de Deus como fundamento da moralidade. Por outro lado, já na Idade Média a chamada “teologia negativa” questionava a cognoscibilidade de Deus, se bem que para enfatizar que só era possível chegar a Ele pela via mística ou pela fé. Essa seria uma das bases da “douta ignorância” postulada no século XV por Nicolau de Cusa, e sua influência é visível em filósofos dos séculos XIX e XX, como o dinamarquês Søren Kierkegaard e o espanhol Miguel de Unamuno, os quais, embora admitam a necessidade de um absoluto, não aceitam sua personalização.

Agnosticismo, ateísmo e ceticismo. Como se vê, a rigor não se pode falar de agnosticismo, mas de agnosticismos e, melhor ainda, de agnósticos, já que existe notável variedade tanto no processo intelectual pelo qual se chega às teses agnósticas, como na formulação dessas teses.

Em essência, o agnosticismo emana de uma fonte profundamente racionalista, isto é, daatitude intelectual que considera a razão o único meio de conhecimento suficiente, e o único aplicável, pois só o conhecimento por ela proporcionado satisfaz as exigências requeridas para a construção de uma ciência rigorosa. E isso tanto no caso de doutrina que se mostre claramente racionalista — é o que ocorre em relação a Kant –, como no caso de filosofias nas quais o racionalismo oculte-se sob a aparência de positivismo ou materialismo.

Como conseqüência, o agnosticismo circunscreve o conhecimento humano aos fenômenos materiais, e rejeita qualquer tipo de saber que se ocupe de seres espirituais, transcendentes ou não visíveis. Não nega — nem afirma — a possível existência destes, e sim deixa em suspenso o juízo, abstém-se de pronunciar-se sobre sua existência e realidade e atua de acordo com essa atitude. Nessa ordem de coisas, ainda que admita a possível existência de um ser supremo, ordenador do universo, sustenta que, científica e racionalmente, o homem não pode conhecer nada sobre a existência e a essência de tal ser. É isso que distingue o agnosticismo do ateísmo, pois este nega radicalmente a existência desse ser supremo.

Por outro lado, o agnosticismo se distingue também claramente do ceticismo, que, segundo a formulação clássica do grego Sexto Empírico (século III a.C.), não se limita a negar a possibilidade do conhecimento metafísico ou religioso, mas também a de tudo aquilo que vá além da experiência imediata. Assim, o ceticismo, pelo menos em seu grau extremo, não é compatível com a ciência positiva.

No século XX, “agnosticismo” tende a ser interpretado como um posicionamento diante das questões religiosas. Nesse sentido, costuma-se distinguir entre um agnosticismo em sentido estrito e outro “dogmático”: o primeiro sustentaria que é impossível demonstrar tanto a existência quanto a inexistência de Deus; o segundo se manifestaria em favor da primeira, mas negaria que se possa chegar a conhecer alguma coisa a respeito do modo de ser divino. Esta última via é a habitualmente defendida pelos pensadores que postulam um caminho místico ou irracional de abordagem do absoluto.
Via: Diálogo com os Filósofos

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